História

 O CENTENÁRIO DA  IGREJA DE RORAIMA

A Igreja Particular do Rio Branco, hoje Roraima, foi a primeira a ser desmembrada da Diocese do Amazonas que na época compreendia AM, RO, AC e RR.  Em 15 de Agosto de 1907, o decreto pontifício do Papa Pio X, “E Brasilianae Reipublicae Diocesibus” elevava a Abadia de Nª. Sª. do Monserrate – Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro – à categoria de Abadia Nullius com jurisdição sobre o território da Bacia do Rio Branco, desligando-a da Diocese do Amazonas. Nascia então a Igreja Particular de Roraima.

O primeiro bispo-prelado foi Dom Gerardo Van Caloen, monge beneditino. Nasceu em Bruges, na Bélgica, aos 12 de março de 1853. Ordenado sacerdote em 24 de dezembro de 1874, na Abadia Beuron, na Alemanha. No dia 18 abril de 1906, foi ordenado bispo titular de Phocéa e prelado Nullius do Rio Branco, na Abadia de Maredsous por Dom Francisco Rêgo Maia, bispo de Belém do Pará. Morou em Boa Vista do Rio Branco de 1914 a 1918. Iniciou as obras de reconstrução da Igreja Matriz do Carmo e instalou a missão no meio dos Povos Indígenas no  Surumú, a linha de telegrafo e fundou a Sociedade de melhoramentos do Rio Branco no rio de Janeiro. Tinha como lema “Virtus impavida”.

O segundo prelado do Rio Branco foi Dom Pedro Eggerath, monge beneditino. Nasceu em Erkelnz, na Alemanha, aos 26 de janeiro de 1880. Foi ordenado sacerdote em 24 de agosto de 1902, na Abadia do Rio de Janeiro, onde era abade desde 1915. Em 13 de maio de 1921 a Santa Sé, através da constituição apostólica “Romani Pontífices”, agrega a prelazia Nullius do Rio Branco diretamente à Abadia do Rio de Janeiro e elege o abade da mesma como o novo prelado do Rio Branco, que a governou de 1921 a 1929. Dom Pedro construiu a sede Prelazia, o hospital Nossa Senhora de Fátima, a Escola São José, o mosteiro e o internato para jovens no Calungá, a residência das Irmãs Beneditinas, hoje Casa João XXIII. Também construiu a estrada Boa Vista – Caracaraí. Trouxe para Boa Vista a primeira fábrica de carne enlatada e a energia elétrica. Seu lema era “In te confido”.

O terceiro bispo-prelado foi Dom Lourenço Zeller, monge beneditino. Nasceu em Wuerttemberg, na Alemanha. Foi ordenado sacerdote no dia 01 de abril de 1899 em Seckau, na Áustria. Em 05 de fevereiro de 1939 foi ordenado bispo titular de Doriléia e prelado do Rio Branco. Em 31 de agosto de 1944, o papa Pio XI pela bula “Ad maius animarum bonum” separou a prelazia Nullius do Rio Branco do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e a constituiu em Prelazia do Rio Branco. Um ano antes, em 13 de setembro 1943, o Presidente da República havia desmembrado a Bacia do Rio Branco do Estado do Amazonas constituindo o Território Federal do Rio Branco. Mandou que os monges Beneditinos colhessem todo material etnográfico, antropologico da vida dos ìndios do rio Branco.

Em maio de 1948 os heróicos Monges Beneditinos entregaram a Prelazia aos Missionários da Consolata de Turim.

O quarto bispo-prelado do foi dom José Nepote Fus, missionário da Consolata. Nasceu em  Turim, na Itália, no dia 25 de abril de 1893. Foi ordenado bispo titular de Helensi e prelado do Território do Rio Branco em 6 de julho de 1952, pelo Cardeal do Rio de Janeiro Dom Jaime de Barros Câmara, durante o Congresso Eucarístico de Manaus. Reabriu a missão do Surumú. Construiu as igrejas de São Francisco, São Vicente, o novo Colégio São José, o ginásio Euclides da Cunha, a oficina do Calungá e o novo hospital Nossa Senhora de Fátima. Seu lema era “Evangelizare misit me”.

O quinto bispo-prelado foi Dom Servilio Conti, missionário da Consolata. Nasceu em Vertoba, Bergamo, na Itália. Foi ordenado sacerdote no domingo da Páscoa de 1944, em Roma. No dia 05 de maio de 1968 foi ordenado bispo titular de Turburbo Maior e prelado de Roraima. No seu ministério os missionários passaram a residir também em meio aos Povos Indígenas, surgindo às missões de Normandia, Taiano, Serra da Lua e Maturuca. Iniciou a missão junto aos povos Yanomami em 1965. No dia 01 de novembro de 1968 aconteceu o martírio do Pe João Calleri. A Catedral Cristo Redentor foi inaugurada em 1972. Evangelizou à luz do lema “Servus tuus ego sum”. Renunciou em 1975. Colaborou durante muitos anos como vigário geral da Diocese de Santa Maria-RS. Atualmente mora em Turim, Itália.

O sexto bispo foi Dom Aldo Mongiano. Nasceu Pontestura, na Itália, no dia 01 de novembro de 1919. Foi ordenado sacerdote em San Marino, Itália. No dia 05 de outubro de 1975 foi ordenado bispo de Roraima em Casale Monferrato. Seu episcopado foi marcado pela luta em favor dos direitos dos Povos Indígenas de Roraima. Erigiu as atuais paróquias e comunidades católicas existentes em Roraima. No seu episcopado a Igreja Particular de Roraima foi levada a Diocese no dia 07 de dezembro de 1979. Neste ano também teve início a experiência da Diocese-Irmã de Santa Maria–RS. Na década de 90 acolheu na Diocese novas congregações religiosas: Irmãs da Providência de GAP, Servas do Espírito Santo, Filhas da Caridade, Irmãzinhas da Imaculada Conceição e a Ordem dos Frades Menores. Abriu o seminário, ordenou o primeiro padre diocesano e introduziu também o diaconato permanente. Abriu uma nova missão junto aos povos Yanomami – missão Xitei, construiu a Casa Paulo VI, o hospital de Cura. Renunciou por idade canônica em 25 de maio de 1996. Seu lema “Gratia et Pax multiplicetur”. Está vivo e mora em Turim, Itália.

O sétimo bispo de Roraima foi Dom Apparecido José Dias, missionário do Verbo Divino. Nasceu em Itajobí – SP, aos 28 de dezembro de 1931. Foi ordenado sacerdote em 03 de agosto de 1958 em São Paulo. Foi ordenado bispo em 16 de fevereiro 1975 por Dom Davi Picão, na cidade de Registro-SP. Pela experiência no trabalho junto aos Povos Indígenas e sendo presidente do CIMI –Conselho Indigenista, foi transferido para a Diocese de Roraima no dia 16 de setembro de 1996. Acolheu na Diocese a segunda experiência de Igreja-Irmã de Piacenza – Itália e os missionários do Verbo Divino. Ordenou quatro novos padres diocesanos. Fundou a Rádio FM Roraima e movimento Nós existimos.  Faleceu aos 29 de maio de 2004. Seu corpo está sepultado na catedral de Registro, SP. Tinha como lema “In Verbo Tuo”.

Dom Roque Paloschi será o 8° bispo da Diocese de Roraima. É o primeiro padre diocesano a exercer o episcopado neste Estado. Reorganizou a Diocese em quatro grandes áreas pastorais  – indígena, migrante, cidade e Ribeirinhos. É atualmente o vice-presidente da CPT nacional e  da CNBB Norte 1. Voltou a residir na prelazia como casa dos bispos de Roraima. Com sua chegada a diocese tem recebido um novo impulso missionário, a arquidiocese de Brasilia abrirá uma missão em Roraima com 10 missionários, chegrarão em 2008 os padres Jesuítas, os Irmãos maristas, as franciscanas Bernadinas, as irmas Ursolinas, as filhas da Caridade, uma comunidade inter provincial da  CRB Fortaleza e a diocese Vicenza na itália virá como igreja Irmã com um grupo de 3 padres e irmas.   Tem como lema:  Fiz-me servo

Oração dos 100 anos.

  1. Senhor nosso Deus, nós te louvamos e bendizemos por cem anos de amor e ternura de tua Igreja junto aos povos de Roraima.
  2. Somos marcados pelo testemunho dos missionários(as), animadores(as), catequistas, servidores de nossas Comunidades que lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro e passaram pelas tribulações da história.
  3. Ó Pai de Bondade, fotalece-nos hoje na Missão que teu Filho Jesus nos confiou de sermos sal da terra e luz do mundo. Com a fecundidade do teu Espírito anima e sustenta as nossas Comunidades para que se tornem sementeiras de uma nova sociedade, sem competição, preconceito e exclusão.
  4. Senhor Jesus, Filho Amado do Pai, continue nos ensinando a viver na simplicidade e na verdade, fazendo aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem para nós.
  5. Divino Espírito Santo, Fogo de Amor, nos desinstale do nosso comodismo e individualismo e faze-nos cada vez mais dóceis aos sinais do Reino de Deus.
  6. Senhor Nosso Deus, fonte da Misericórdia, te pedimos perdão por tudo aquilo que no seio de nossa Igreja não é sinal de fidelidade ao teu Projeto.

1.Ó Trindade Santa, que habitas em nós, anima as nossas comunidades a viverem na plena Comunhão, no serviço aos mais pobres, no diálogo com os diferentes e sem medo  continuar anunciando o Evangelho.

  1. Abençoa, Senhor Nosso Deus, a vida da nossa Igreja para que ela seja fiel aos passos do teu Filho Amado que veio para servir e não ser servido.

TODOS: Que nossa Senhora do Carmo, padroeira de nossa Diocese, nos lembre diariamente: de FAZER TUDO O QUE ELE NOS MANDAR. AMÉM.