Comunicadores do Regional Norte 1 unidos para fortalecer participação no 14º Muticom e organizar a comunicação regional

Representantes da comunicação das igrejas que integram o Regional Norte 1 (Amazonas e Roraima) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se online no dia 7 de maio para definir estratégias de mobilização e incentivar a participação de comunicadores no 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), agendado para Manaus (AM) de 25 a 27 de setembro de 2025. O encontro também proporcionou um diálogo sobre a articulação da comunicação no âmbito regional.

Nove igrejas locais

O Regional Norte 1 é organizado pela Arquidiocese de Manaus (AM) e pelas Dioceses do Alto Solimões, Coari, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Borba e Roraima. A circunscrição eclesiástica também abrange as Prelazias de Itacoatiara e Tefé, totalizando nove igrejas locais distribuídas nos estados do Amazonas e Roraima.

Durante a reunião, os comunicadores dialogaram formas de divulgar o 14º Muticom e motivar a participação de agentes de pastoral, radialistas, jornalistas, influenciadores digitais, estudantes e pesquisadores da área de comunicação e todos aqueles que atuam na comunicação a serviço da evangelização.

Qualificação e troca de conhecimentos

importância da qualificação e da troca de conhecimentos para articular a comunicação nas igrejas locais na Amazônia e em Roraima também foi um ponto de diálogo.

O 14º Muticom, com sua temática “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”, ressoa profundamente com a realidade do Regional Norte 1, marcado por sua riqueza ímpar, desafios socioambientais e a cultura potente.

Organização da comunicação no Regional

Segundo o bispo auxiliar de Manaus e referente da comunicação no Regional Norte 1, dom Zenildo Lima, destacou a necessidade de transformar as iniciativas comunicativas nas igrejas locais “numa ferramenta mais sistematizada, quer dizer, esse levantamento do que existe de articulação da comunicação em nossas igrejas locais, poderíamos documentá-lo”. Para isso, ele sugeriu a possibilidade de um pequeno texto que recolha o que cada igreja local tem com relação à comunicação: PASCOM, Rádio, Assessoria de comunicação ou simplesmente um compartilhamento de informações.

Junto com isso, destacou a possibilidade de “progressivamente ir nos apropriando do que nós temos como referencial teórico. A dinâmica de comunicação, que recolhe o Diretório de Comunicação da Igreja do Brasil, ele parece bastante conceitual, mas ele nos ajuda muito a filtrar, a ter elementos que nos fazem organizar melhor essa dinâmica de comunicação”.

O bispo auxiliar de Manaus também falou da questão da articulação, buscando “como é que a partir de nós podemos ir articulando melhor a comunicação nas igrejas locais. E depois qual a possibilidade de uma articulação entre nós como grupo de responsáveis pela comunicação a partir das igrejas locais”. Finalmente, dom Zenildo Lima falou sobre a necessidade de estabelecer linhas de comunicação para a igreja do Regional Norte 1. Passos que paulatinamente devem ir avançando.

Fonte Créditos: CNBB NORTE 1 – Osnilda Lima / Luis Miguel Modino

Conclave: Fumaça preta sai da chaminé após primeira votação

Conclave: Fumaça preta sai da chaminé após primeira votação

O sinal foi dado às 16h horario de Brasília e (20h) em Roma, confirmando que o processo para a escolha do novo papa continua.

Conclave: Fumaça preta sai da chaminé após primeira votação
Fumaça preta sai no primeiro dia do conclave para a escolha do novo papa, no Vaticano Crédito: VaticanNews/Reprodução

A tradicional fumaça preta saiu da chaminé da Capela Sistina nesta quarta-feira (7), sinalizando que os cardeais reunidos em conclave não chegaram a um consenso sobre o novo líder da Igreja Católica. A fumaça escura representa o resultado da primeira votação do conclave, que também foi a única realizada neste primeiro dia de deliberações.

Para que um novo papa seja eleito, é necessário que um dos cardeais receba pelo menos dois terços dos votos dos eleitores. Somente nesse caso, será emitida a famosa fumaça branca, que anuncia ao mundo a escolha do sucessor de São Pedro.

A partir desta quinta-feira (8), o conclave poderá realizar até quatro votações por dia, nos seguintes horários (horário de Brasília):

  • 5h30 – Fim da votação; só haverá fumaça se um papa for eleito
  • 7h00 – Caso não haja eleição, sairá fumaça preta
  • 12h30 – Nova votação com possibilidade de fumaça branca, se houver consenso
  • 14h00 – Caso não haja eleição, sairá novamente fumaça preta

Caso nenhum candidato alcance os dois terços necessários, o conclave continuará nos dias seguintes com o mesmo ritmo de votações até que se chegue a uma decisão.

A Capela Sistina, no Vaticano, segue isolada para garantir o sigilo do processo, que é um dos mais antigos e solenes da tradição católica.

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação Dennefer Costa – com informações do Vaticam News

Missa celebrada nesta quarta-feira, 7 de maio, na Basílica de São Pedro, marca o início do processo de eleição do novo Papa

Presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, a Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, na manhã desta quarta-feira, 7 de maio, preparou espiritualmente o Colégio Cardinalício para a eleição do novo Sucessor de Pedro, com um apelo à orientação do Espírito Santo. Em sua homilia, o Decano destacou a importância da oração, do amor cristão e da comunhão eclesial. Concluiu com um apelo à unidade e à escolha sábia para conduzir a Igreja em tempos desafiadores.

A Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, celebrada na manhã desta quarta-feira, 7 de maio, na Basílica de São Pedro, marca o início do processo de eleição do novo Papa. Presidida pelo Cardeal Decano, dom Giovanni Battista Re, e concelebrada pelos membros do Colégio Cardinalício, o rito solene reuniu milhares de fiéis, que já vivem a expectativa pela escolha do Sucessor de Pedro. Em sua homilia, o Decano exortou os presentes à oração confiante, à escuta atenta do Espírito Santo e ao cultivo da comunhão fraterna:

“Nos Atos dos Apóstolos, lê-se que, após a ascensão de Cristo ao céu e enquanto aguardavam o dia de Pentecostes, todos perseveravam unidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus (cf. At 1,14). É exatamente isso o que nós também estamos fazendo, a poucas horas do início do Conclave, sob o olhar da Virgem Maria, colocada ao lado do altar nesta Basílica que se ergue sobre o túmulo do Apóstolo Pedro.”

Invocar o Espírito Santo: atitude justa e necessária

De forma serena e, ao mesmo tempo, precisa, o cardeal Re expressou o sentimento comum da Igreja neste momento decisivo: “Sentimos unido a nós todo o povo de Deus, com seu sentido de fé, de amor ao Papa e de espera confiante.” E acrescentou:

“Estamos aqui para invocar a ajuda do Espírito Santo, para implorar sua luz e sua força, a fim de que seja eleito o Papa de que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história.”

O Decano destacou o peso espiritual do momento e a gravidade da responsabilidade confiada aos cardeais eleitores: “Rezar, invocando o Espírito Santo, é a única atitude justa e necessária, enquanto os Cardeais eleitores se preparam para um ato de máxima responsabilidade humana e eclesial e para uma escolha de excepcional importância; um ato humano pelo qual se deve deixar de lado qualquer consideração pessoal, tendo na mente e no coração apenas o Deus de Jesus Cristo e o bem da Igreja e da humanidade.”

Amor: distintivo da fé cristã

Ao refletir sobre o Evangelho proclamado na liturgia, o cardeal concentrou sua meditação na mensagem central da Última Ceia: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,13), e destacou que este ensinamento de Jesus é o verdadeiro distintivo da fé cristã:

“O amor que Jesus revela não conhece limites e deve caracterizar os pensamentos e ações de todos os seus discípulos, que devem sempre demonstrar amor autêntico em seu comportamento e empenhar-se na construção de uma nova civilização — aquela que Paulo VI chamou de ‘civilização do amor’. O amor é a única força capaz de mudar o mundo.”

Comunhão e fidelidade ao evangelho

Referindo-se à qualidade fundamental dos pastores — o amor até a entrega total de si mesmos — o Decano afirmou que, nos textos litúrgicos da celebração eucarística, lê-se o convite ao amor fraterno, à ajuda recíproca e ao empenho em favor da comunhão eclesial e da fraternidade humana universal. E completou:

“Entre as tarefas de cada Sucessor de Pedro está a de promover a comunhão: comunhão de todos os cristãos com Cristo, dos bispos com o Papa, e entre os próprios bispos. Não uma comunhão autorreferencial, mas totalmente orientada para a união entre as pessoas, os povos e as culturas — sempre com o objetivo de que a Igreja seja ‘casa e escola de comunhão’. Além disso, há um forte apelo à manutenção da unidade da Igreja, conforme o caminho indicado por Cristo aos Apóstolos. A unidade da Igreja, desejada por Cristo, não significa uniformidade, mas uma comunhão sólida e profunda na diversidade, desde que se mantenha a plena fidelidade ao Evangelho.”

Ato de fé e responsabilidade

“A eleição do novo Papa não é uma simples sucessão de pessoas, mas é sempre o Apóstolo Pedro que retorna”, afirmou Re, reiterando que o Papa “é a rocha sobre a qual a Igreja é edificada” (cf. Mt 16,18).  Referindo-se ao local onde os cardeais expressarão seu voto, o Decano destacou que “os cardeais eleitores expressarão seu voto na Capela Sistina, onde, como diz a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, ‘tudo concorre para avivar a consciência da presença de Deus, diante do qual deverá cada um apresentar-se um dia para ser julgado’.” E evocou as palavras do Papa São João Paulo II no Tríptico Romano:

“Nas horas da grande decisão através do voto, a imagem imponente de Cristo Juiz, pintada por Michelangelo, lembrará a cada um a grande responsabilidade de colocar as ‘chaves supremas’ nas mãos certas.”

O mundo de hoje espera muito da Igreja

Ao concluir sua homilia, dom Giovanni Battista Re fez um apelo confiante à oração de toda a Igreja:

“Oremos para que Deus conceda à Igreja o Papa que melhor saiba despertar as consciências de todos e as energias morais e espirituais na sociedade atual, caracterizada por um grande progresso tecnológico, mas que tende a esquecer Deus. O mundo de hoje espera muito da Igreja para a salvaguarda daqueles valores fundamentais — humanos e espirituais — sem os quais a convivência humana nem será melhor nem beneficiará as gerações futuras. Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos auxilie com sua materna intercessão, para que o Espírito Santo ilumine as mentes dos cardeais eleitores e os torne concordes na eleição do Papa de que o nosso tempo necessita.”

Thulio Fonseca – Vatican News

Um Papa comunicador, interlocutor, evangelizador, que leve a caminhar junto

O projeto do Papa tem sido um processo no qual os cardeais têm progredido nos últimos dias. As congregações gerais, que terminam na terça-feira, têm esboçado perfis que estão sendo gradualmente revelados e estão se concretizando em nomes. O que é necessário, ou pelo menos esperado, é um Papa, ou melhor, um papado, que não faça ouvidos moucos ao que o povo de Deus. O sensus fidei fidelium, está pedindo que o sucessor de Pedro continue o legado de Francisco, sem esquecer que ele continuará uma caminhada de quase dois mil anos.

Nem fotocópia nem ruptura

Sem buscar uma fotocópia, eleger um Papa que não rompa com o anterior e se abra ao futuro para que essa corrente milenar continue a mover a vida da Igreja e da humanidade. Essa relação com a humanidade é um ponto chave. E nisso, ninguém pode negar, ou ignorar, o legado de Francisco, um ícone para os próximos papados do que é um rosto mais humano da Igreja.

Entre as qualidades do primeiro Papa latino-americano estava sua capacidade de ser compreendido, de sair do roteiro, de lançar slogans, com seu sotaque característico de Buenos Aires, de traduzir a profundidade do Evangelho na linguagem simples dos pobres. Não nos esqueçamos de que quando a Igreja complica a linguagem, a maioria das pessoas desligam. Em Francisco, encontramos palavras que curaram os corações dos descartados, que foram um bálsamo samaritano para uma humanidade ferida. Palavras que construíam pontes, mesmo com aqueles que pensavam diferente, defendendo a diversidade como uma riqueza no caminho da unidade.

Escutar, propor, não impor, abraçar

Quem quer que ocupe a cadeira de Pedro não pode ignorar o fato de que a Igreja é fiel ao Deus de Jesus Cristo quando se encarna, quando escuta, quando propõe e não impõe, quando abraça, quando carrega a ovelha perdida nos ombros, quando não fecha as portas para ninguém. Esses são elementos-chave na missão da Igreja, que é seu alicerce, e que ela deve realizar no mundo, que nunca pode ser visto como um inimigo. Pelo contrário, é para o mundo que o próximo pontífice deve dar respostas que ajudem a humanidade a encontrar caminhos de paz, modos de acolher os migrantes, atitudes que garantam que todos sejam respeitados como pessoas.

Isso nos leva a alguns princípios que marcarão o próximo papado: Um comunicador e interlocutor, com o poder político, com o universo religioso e com o mundo virtual e tecnológico; um evangelizador sem meias medidas, que seja testemunha da Boa Nova com coragem e parresia, sem medo de assumir novos métodos que ajudem a aprofundar a mensagem cristã; um promotor do caminhar juntos, que escuta, que se deixa aconselhar por pessoas de dentro e de fora da Igreja, que avança no caminho da ministerialidade, da transparência em todos os campos, também na gestão dos recursos.

Poucas horas antes de se trancar na Capela Sistina, o mundo está olhando para o Vaticano. Mas também, e acima de tudo, o santo povo de Deus, que reza para que os 133 cardeais encontrem um pastor na semana em que a Igreja se prepara para celebrar o Domingo do Bom Pastor. Um pastor para conduzir as ovelhas, para continuar a confirmá-las na fé, como Pedro fez, como Francisco fez.

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1

 

 

 

Não pode se descartar a possibilidade de um novo Papa latino-americano

Medellín, Santarém, Aparecida, Francisco, o Sínodo para a Amazônia, a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). Muitos outros poderiam ser citados, mas esses são exemplos claros de que o atual momento eclesial tem muito a ver com um processo que começou há 60 anos na América Latina.

O Vaticano II marca a vida da Igreja

A Igreja do continente com o maior número de católicos, mais de 400 milhões, é, sem dúvida, a que melhor entendeu e colocou em prática a doutrina do Vaticano II. E, embora alguns digam o contrário, é verdade que poucos, o último concílio ecumênico é o que marca a vida da Igreja universal, mas especialmente da Igreja que vive sua fé na América Latina e no Caribe.

Na América Latina e no Caribe encontramos uma Igreja viva e profética, uma Igreja onde o Batismo é entendido como um sacramento que é o fundamento da vida eclesial. É uma Igreja ministerial, com protagonismo leigo, especialmente das mulheres. Muitas mulheres deste continente são a força motriz da vida das milhares de comunidades espalhadas pelo continente. Nas serras andinas, no meio dos rios e das florestas da Amazônia, nas periferias de muitas cidades, a Igreja continua viva graças ao compromisso das mulheres.

Uma Igreja com um caminho comum

Uma Igreja que, embora não seja fácil, está comprometida com um caminho comum há 70 anos.  O Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM) tem sido uma luz que tem guiado a caminhada da Igreja no continente, uma colegialidade episcopal que não foi alcançada em outros continentes. O CELAM formou muitos católicos, não apenas clérigos e religiosos, mas também, e acima de tudo, leigos. Esse conselho episcopal tem sido uma voz profética em defesa dos descartados, dos povos originários, dos migrantes, dos afrodescendentes, de todos, de todos, de todos.

Os 23 cardeais da América Latina e do Caribe que entrarão na Capela Sistina na tarde desta quarta-feira representam um número nunca antes visto. No conclave de 2013, no qual Francisco, o primeiro Papa latino-americano, foi eleito, havia 20 eleitores. Sabemos que esse não é um grupo decisivo, mas ninguém pode negar o peso que eles podem ter no processo de votação.

Um conclave diversificado

Tudo depende de sua duração, algo imprevisível no conclave mais diversificado dos últimos séculos, no qual a presença de curiais e italianos diminuiu significativamente, e o número de países representados aumentou para 71. Além disso, o número de eleitores subiu para 133, ultrapassando em muito o número de 120 determinado por Paulo VI. Esse número aumenta para 89 o número de votos necessários para ser eleito.

Ninguém descartaria a possibilidade de um novo papa latino-americano. Isso significaria continuar o legado de Francisco, um sentimento amplamente aceito pelos cardeais eleitores. Poucos querem romper com o último pontífice, alguém em quem muitos veem aquele que encheu a Igreja de vida por meio do poder do Espírito. Um Espírito que está presente na Igreja latino-americana e que trouxe para o Vaticano e para a Igreja universal o primeiro papa vindo desse continente.

Gratidão a Francisco

Um Papa a quem a maioria do catolicismo e da humanidade expressa um sentimento de gratidão, reconhecendo o trabalho árduo e admirável de alguém que trabalhou até o último dia em defesa da paz, dos mais vulneráveis e da própria Igreja, sobretudo aquela que vive sua fé nas periferias. Eu não diria que entre os 23 eleitores latino-americanos há um clone de Francisco, já que o próximo pontífice virá, com toda probabilidade, dos 133 eleitores.

O que ninguém pode negar é que vários desses eleitores latino-americanos dariam continuidade a um papado que tem sido capaz de responder aos desafios que a Igreja e a humanidade têm exigido nos últimos 12 anos. A necessidade de continuar nesse caminho está presente no pensamento da maioria dos 133 cardeais que elegerão o sucessor do primeiro papa latino-americano. A possibilidade de que seu sucessor venha novamente dessas terras é uma possibilidade que não se ousa descartar. O mundo aprovou e reconheceu o trabalho de Francisco, então por que não continuar na mesma direção por mais algum tempo?

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1

 

 

 

 

 

Última Congregação Geral à espera do Conclave de amanhã, 7 de maio

As Congregações Gerais, reuniões dos cardeais em preparação ao Conclave que inicia da tarde desta quarta-feira, 7 de maio, foram encerradas na manhã desta terça-feira. O cheiro da fumaça está cada vez mais presente no Vaticano. Isso tem feito com que o número de jornalistas, se fala de 4.000 acreditados, tenha aumentado nos últimos dias.

Cardeais convocados em Santa Marta

Da última congregação, a décimo terceira, participaram 170 cardeais, 130 eleitores, e interviram 26. Hoje de tarde e amanhã, até 7 da manhã, os cardeais eleitores entrarão na Casa Santa Marta e celebrarão às 10 da manhã de Roma a Missa Pro Elegendo Pontífice. Juntos emitiram um comunicado denunciando que longe de avançar nos processos de paz na Ucrania, Médio Oriente e outras regiões do mundo, tem se intensificado os ataques, especialmente contra a população civil. Diante disso, eles apelam por um cessar-fogo e pedem orações aos fiéis católicos por uma paz justa e permanente.

Nas intervenções foi falado dos abusos, economia, sinodalidade, promoção da paz, cuidado da casa comum e do diálogo ecuménico. Do próximo Papa esperam que ele seja pontífice, construtor de pontes, pastor, mestre em humanidade, imagem de uma Igreja samaritana em um mundo marcado pelas guerras, a violência e a polarização. Os cardeais pediram mais reuniões do Colégio Cardinalício, em vista de se conhecer melhor, e foi falado sobre os mártires e os conflitos que atingem à liberdade religiosa.

Horários do Conclave e das fumatas

O diretor da Sala Stampa vaticana, Matteo Bruni, informou que na manhã desta terça-feira foi quebrado o anel do pescador, que portou Francisco em seu pontificado. Ele revelou que na tarde da quarta-feira os cardeais irão sair de Santa Marta às 15:45 para dar início à oração na Capela Paulina às 16:30 horas, antes de entrar em procissão na Capela Sistina. A partir de quinta-feira, os cardeais irão sair de Santa Marta 7:45 da manhã, sempre no horário de Roma, para celebrar missa às 8 horas na Capela Paulina e depois entrarão na Capela Sistina, onde antes das votações terá um momento de oração.

Os horários orientativos das fumaças serão 10:30, só se houver fumaça branca, meio-dia, tanto se houver fumaça branca ou preta, 17:30, só no caso da fumaça branca, e 19 horas, tanto branca quanto preta.

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1

 

 

 

Conclave, o juramento de funcionários e assistentes

Imagem: Vatican News

Na Capela Paulina, na tarde de segunda-feira, 5 de maio, aqueles que estarão envolvidos no Conclave prestaram juramento, conforme previsto pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis. Entre eles, os cerimoniários pontifícios, os funcionários da sacristia e da limpeza, os médicos, enfermeiros, os confessores.

Vatican News

“Prometo e juro observar o segredo absoluto com quem quer que seja que não faça parte do Colégio de Cardeais eleitores, e isso perpetuamente, a menos que receba uma faculdade especial dada expressamente pelo novo Pontífice eleito ou por seus Sucessores, em relação a tudo o que diz respeito direta ou indiretamente à votação e aos escrutínios para a eleição do Sumo Pontífice”.

Absoluto segredo também no futuro sobre o que se realiza na Cidade do Vaticano, durante o Conclave, e em particular sobre o que “tem relação com as operações ligadas à eleição” do Papa; respeito à proibição de instrumentos de gravação de áudio e vídeo, sob pena de excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica. Esse é o conteúdo do juramento feito esta segunda-feira, 5 de maio, que ocorreu na Capela Paulina, conforme exigido pela Universi Dominici Gregis, a Constituição Apostólica promulgada pelo Papa João Paulo II em 22 de fevereiro de 1996. O juramento foi feito por “todos aqueles que desempenharão funções no próximo Conclave, tanto eclesiásticos quanto leigos, aprovados pelo cardeal camerlengo e pelos três cardeais assistentes”.

Além do secretário do Colégio cardinalício e do mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, dom Diego Ravelli, estavam presentes 7 cerimoniários pontifícios; o eclesiástico escolhido pelo cardeal que preside o Conclave para ajudá-lo em sua função; dois religiosos agostinianos encarregados da Sacristia Pontifícia; os religiosos de vários idiomas para confissões; os médicos e enfermeiros; os ascensoristas do Palácio Apostólico; o pessoal encarregado do refeitório e dos serviços de limpeza; o pessoal da Floricultura e dos Serviços Técnicos; as pessoas encarregadas do transporte dos eleitores da Casa Santa Marta para o Palácio Apostólico; o coronel e um major da Guarda Suíça Pontifícia, encarregados da vigilância perto da Capela Sistina; o diretor dos Serviços de Segurança e da Proteção Civil do Estado da Cidade do Vaticano com alguns de seus colaboradores.

Depois de serem instruídos sobre o significado do juramento, todos eles pronunciaram e assinaram pessoalmente a fórmula prescrita, diante do cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana, e de dois protonotários apostólicos de Números Participantes como testemunhas.

Fonte/Créditos: Vatican News

132 cardeais dos 133 eleitores presentes na Décima Congregação Geral

As congregações gerais, as reuniões que acontecem em preparação ao Conclave, entram em momentos decisivos. Nesta segunda-feira, 5 de maio, os cardeais se reúnem de manhã e de tarde, buscando partilhar sua visão do mundo e daquele que deve suceder Francisco. Tudo em vista do Conclave, que inicia às 16:30 desta quarta-feira na Capela Sistina, com a presença de 133 cardeais eleitores.

Final dos dias de luto pelo Papa

No domingo 4 de maio foram encerrados os Novendiales, os nove dias de luto depois da morte do Papa. Cada dia, presididas por um cardeal, foram celebradas missas na Basílica de São Pedro, com participação destacada cada dia de determinados grupos, tendo sido os cardeais os convocados no último dia. Na celebração, como aconteceu ao longo dos nove dias de luto, foram lembrados alguns destaques do pontificado de Papa Francisco.

Na congregação geral desta segunda-feira, a décima, que iniciou com uma oração, segundo o diretor da Sala Stampa, Matteo Bruni, participaram 179 cardeais, deles 132 eleitores, dos 133 que entrarão na Capela Sistina. Interviram 26 cardeais, que falaram sobre o direito canônico, sobre o papel do Estado da Cidade do Vaticano, sobre a natureza missionária da Igreja, sobre o papel da Cáritas em defesa dos pobres. Se faz necessário “um Papa presente e próximo, uma porta de acesso à comunhão e à igualdade em um mundo em que a ordem mundial está em crise”, mas também em um mundo fragmentado.

Numerosa presença de jornalistas

Na sala do Sínodo foi mencionada pelos cardeais a presença de muitos jornalistas. De fato, nesta segunda feira aumentou muito o número de jornalistas no Vaticano, um número que deve aumentar ainda mais até o início do Conclave. Isso tem sido visto pelos cardeais como algo que diz muito sobre o quanto o Evangelho tem sentido no mundo de hoje, e como esta é também uma chamada da responsabilidade.

Foi lembrada a oração de Papa Francisco durante a Covid, e nas intervenções apareceu a preocupação diante das divisões na Igreja. Se falou de vocações, se falou da família e da educação dos filhos. Foi destacado a Dei Verbum, o documento do Concílio Vaticano II que fala sobre a Palavra de Deus, enfatizando que é um instrumento para o povo de Deus. Igualmente foi dito que é importante entender na celebração da Eucaristia que é o sacramento de Cristo aos pobres.

O cardeal Re, decano do Colégio cardinalício informou que o Camerlengo, cardeal Farrell, fez no sábado, o sorteio dos quartos na Casa Santa Marta. Foi lembrado que alguns desses cardeais, ficarão na Casa Santa Marta Vecchia, que é vizinha. Os cardeais foram convocados para estar na Casa Santa Marta na tarde desta terça-feira, 6 de maio, mas podem chegar até antes da Missa Pro Elegendo Pontífice, que será celebrada às 10 hora de Roma da quarta-feira, ficando assim isolados do exterior.

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1

Um Papa despojado, servidor, semelhante aos homens

O hino de Filipenses 2:5-11 poderia ser considerado um bom termômetro a ser usado pelos 133 cardeais que, na tarde de quarta-feira, 7 de maio, às 16h30, entrarão na Capela Sistina. Na tarde de terça-feira, eles terão que estar na Casa Santa Marta, isolados do mundo exterior, para o qual é proibido qualquer dispositivo que permita a comunicação com o mundo exterior. Os quartos e a bagagem dos purpurados serão revistados.

Um Papa despojado

O propósito é eleger o sucessor de Pedro, mas também, e ninguém pode se esquecer disso, o sucessor de Francisco. No último pontífice, podemos dizer que as palavras de Paulo aos Filipenses se tornaram realidade: “Ele se esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens”. Alguns de seus amigos, quando o encontraram, comentaram que haviam estado com Jorge. Uma maneira de se referir ao Santo Padre que de forma alguma desmerecia o que ele era, o Sumo Pontífice, embora ele mesmo gostasse de ser considerado o Bispo de Roma.

Francisco foi um Papa de sinais, com muitos detalhes que deveriam ser levados em conta por seu sucessor. Esses detalhes sempre tiveram grande aprovação dentro do catolicismo e entre muitas pessoas que não eram católicas ou não tinham uma prática religiosa frequente. Embora alguns possam pensar que tinha uma forte oposição, foram poucos os que pensaram dessa forma, embora seja verdade que eles tinham poderosos instrumentos de difusão de suas teorias na mídia, especialmente nas redes sociais.

Os sinais de Francisco

Seus sapatos, suas roupas litúrgicas, sua maneira de se comunicar, não apenas com as palavras, mas também com os gestos, a maneira como se vestia, o modo como ele se locomovia, em carros populares, sua renúncia a privilégios, presentes, sempre insistindo em pagar suas contas… são sinais do que ele tinha em seu coração, que nos mostram sua determinação de se despojar, de ser um servo, de ser semelhante aos homens, de ser um entre muitos.

Entre os cardeais escolhidos por Francisco, especialmente entre aqueles que vieram das chamadas periferias, encontramos muitos exemplos disso. Um papa que busca retornar a elementos que possam diferenciá-lo teria um impacto negativo em seu papado. A pompa é mal vista pela maioria das pessoas, e querer usar sinais que se refiram a isso, uma prática entre alguns cardeais, até mesmo entre alguns dos considerados papáveis, não seria o caminho a seguir.

Nenhum papado autorreferencial

Um papa que procurasse se divinizar estaria se distanciando Daquele que, sendo de natureza divina, assumiu a natureza humana. Um papado autorreferencial, vivendo em seu próprio mundo, com pouco contato com as preocupações do povo, distanciaria ainda mais a Igreja do mundo, que, não nos esqueçamos, é o destinatário do anúncio do Evangelho. Aqueles que acusaram Francisco de ser um populista são aqueles que fizeram campanha pelo retorno de uma Igreja distanciada do mundo, o que na realidade a tornaria uma Igreja ignorada pela grande maioria.

Se pedirmos e esperarmos a presença do Espírito na Sistina, que seja o mesmo Espírito que inspirou as Escrituras, o mesmo Espírito em nome do qual o Ressuscitado enviou seus discípulos. Que nenhum discípulo, nem mesmo o próximo Papa, tenha medo de se abaixar, de servir, de assumir a condição humana. O Evangelho não pode ser imposto de cima para baixo, ele é compreendido e assumido melhor quando é proclamado olhando-nos nos olhos, quando descemos do pedestal no qual nos colocamos ou no qual gostaríamos estar.

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1 

 

 

 

 

 

 

 

Cardeal Steiner em sua paróquia em Roma pede orações pelo Conclave

No III Domingo da Páscoa, dia em que o Colégio Cardinalício não realizou congregação geral, os cardeais celebraram a eucaristia em suas paróquias de Roma. O Papa confia uma igreja romana a cada um dos cardeais. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), celebrou na paróquia de São Leonardo da Porto Maurizio.

Pedro, tu me amas?

Na homilia, o cardeal Steiner destacou três pensamentos. No Evangelho, ele se referiu à pergunta de Jesus a Pedro por três vezes: “Pedro, tu me amas?” Uma pergunta que leva a estabelecer uma relação profunda, refletiu o arcebispo de Manaus. “Podemos entender como cada vez mais Deus pergunta se nós o amamos, não porque duvida do nosso amor, mas para nos lembrarmos e aprofundarmos, correspondermos a este amor que veio da Cruz. É um amor tão grande, que é tudo”, disse o arcebispo. Ele lembrou que “estamos no tempo da Páscoa e esse é o primeiro pensamento, cada vez que perguntamos a Deus, Deus nos ama, eu te amo, como Ele me ama, com a mesma liberdade, com a mesma intensidade, com a mesma profundidade”, sublinhando que “Deus nos faz a nossa vida, quando Ele nos chama a amar”.

O segundo pensamento que o cardeal destacou “é da segunda leitura da Bíblia, é belíssimo. Quando fechamos os olhos e vemos a multidão, todos ali, a glória, o poder. Todos os crentes que disseram, confessaram o amor de Deus. Quantas vezes Deus não perguntou a esses homens, a essas mulheres, que estão agora na eternidade, participando intensamente da vida de Deus, mas eles peregrinaram neste mundo, como fazemos nós. Deus também nos pergunta, tu me amas?”. Para isso, se faz necessário nos abaixar diante dos outros. Segundo o cardeal Steiner, “nós fazemos parte dessa multitude, a Igreja sempre falou da comunhão dos santos”, o que significa que não estamos sozinhos. Ele vê essa experiência de amar Deus e amar os outros como uma participação da Trindade”.

O terceiro pensamento que ele destacou foi que toda Jerusalém percebia o anúncio da morte e da ressurreição de Jesus. Lembrando um pensador do Medioevo que diz que “Jerusalém não é uma cidade. Jerusalém é toda a vida do mundo, a nossa vida, o mundo é Jerusalém”. Ele destacou que todo o mundo sentia o anúncio da morte, afirmando que o amor é a morte ressuscitada pelo amor. Daí surge a pergunta “Tu me amas?”, dizendo que esse amor é uma participação do amor de Deus.

A arquidiocese de Manaus

A leitura do Livro dos Atos, levou o cardeal Steiner a pensar na arquidiocese de Manaus, com suas 1.300 comunidades, em uma diocese de 94.000 quilômetros quadrados. Uma realidade que lhe leva a se perguntar como poder levar essa bela notícia a todos, para que todos possam dizer amo a Deus. Isso lhe levou a pedir que nossa vida seja uma correspondência de amor.

No final da celebração, o cardeal Steiner, um dos 133 que na tarde da quarta-feira entrarão na Capela Sistina para eleger o sucessor de Francisco, pediu orações pelo Conclave. Ele lembrou Papa Francisco, que “nos ensinou a viver o evangelho com alegria”. Um Papa que ele definiu como um homem de paz, um homem de esperança, um homem de Deus.

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1