Vaticano defende solução de dois Estados e cessar-fogo em Gaza

Vaticano defende solução de dois Estados e cessar-fogo em Gaza

Vaticano defende solução de dois Estados e cessar-fogo em Gaza
VATICAN MEDIA

O terrorismo nunca pode ser justificado; no entanto, “o direito à autodefesa deve ser exercido dentro dos limites tradicionais da necessidade e da proporcionalidade”. A Santa Sé reiterou isso, com firmeza e dor, durante a conferência de alto nível das Nações Unidas sobre a “resolução pacífica da questão palestina e a implementação da solução dos dois Estados”, promovida pela França e pela Arábia Saudita e encerrada em 30 de julho, em Nova Iorque. O observador permanente, arcebispo Gabriele Caccia, pediu com urgência “um cessar-fogo imediato, a libertação de todos os reféns israelenses, a restituição dos corpos dos falecidos, a proteção de todos os civis palestinos em conformidade com o direito internacional humanitário e o acesso irrestrito à ajuda humanitária”, reiterando ao mesmo tempo a condenação ao ataque perpetrado em 7 de outubro de 2023 pelo Hamas contra os israelenses.

A preocupação com a crise humanitária

A Santa Sé, segundo as palavras de Caccia, “permanece profundamente preocupada com o agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza”, daí o apelo à comunidade internacional para uma resposta imediata e coordenada ao “deslocamento em massa de famílias”, ao “colapso dos serviços essenciais”, à “fome crescente” e à “privações generalizadas” que “abalam a consciência humana”. O arcebispo destacou o impacto do conflito sobre os civis, mencionando o número de crianças mortas, a destruição de casas, hospitais e locais de culto, com referência especial ao “recente ataque à igreja da Sagrada Família, que feriu ainda mais uma comunidade já provada”. Um evento que gerou profunda angústia, considerando o papel dos cristãos na região, que há muito se propõem como “presença moderadora e estabilizadora, promovendo o diálogo e a paz”.

A solução dos dois Estados, única via viável

A convicção da Santa Sé é de que “a solução dos dois Estados, baseada em fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente, é a única via viável e justa para uma paz duradoura e equitativa”. E há testemunhos concretos disso nos importantes passos já dados, como o reconhecimento formal do Estado de Israel através do Acordo Fundamental de 1993 e o reconhecimento do Estado da Palestina por meio do Acordo Global de 2015. Outro ponto essencial, segundo destacou Caccia, é o firme apoio aos “direitos inalienáveis do povo palestino, incluindo o direito à autodeterminação”, bem como às “legítimas aspirações” dos palestinos “a viver em liberdade, segurança e dignidade dentro de um Estado independente e soberano”.

A importância de Jerusalém

O observador permanente, ao encerrar sua intervenção, lembrou a importância “religiosa e cultural universal” de Jerusalém, cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, e por isso convocada a possuir um status que “transcenda as divisões políticas e garanta a preservação de sua identidade única”. O apelo de Caccia, repetido ao longo do tempo pela Santa Sé, é por um “estatuto especial garantido internacionalmente, capaz de assegurar a dignidade e os direitos de todos os seus habitantes e dos fiéis das três religiões monoteístas, a igualdade perante a lei das suas instituições e comunidades, preservando o caráter sagrado da cidade e seu patrimônio religioso e cultural excepcional”. Um documento que também assegure “a proteção dos Lugares Santos”, bem como “o direito de acesso irrestrito a eles e de praticar o culto”. Um estatuto que preserve ainda, quando aplicável, o “status quo”. Em Jerusalém, segundo a posição da Santa Sé, “ninguém deveria ser alvo de intimidações. É, portanto, deplorável que os cristãos se sintam cada vez mais ameaçados na Cidade Velha de Jerusalém”.

Promover um diálogo inclusivo e paciente

A esperança expressa pelo arcebispo, que concluiu sua intervenção citando o Papa Leão XIV e seu apelo pelo fim “da barbárie da guerra”, é de que “numa época em que a força é frequentemente considerada um pré-requisito para a paz”, o encontro realizado em Nova Iorque possa servir para lembrar que “somente por meio de um diálogo paciente e inclusivo é possível alcançar uma resolução justa e duradoura dos conflitos”.

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS

Notícias/Religião

O nome “Sentinelas da Manhã”, dado pelo Papa João Paulo II aos jovens durante o Jubileu de 2000, é ainda mais pertinente nestes dias do Jubileu. Aproximadamente 25.000 jovens que vieram a Roma para o Jubileu dos Jovens, dormem em colchonetes e sacos de dormir, nos pavilhões da Fiera di Roma, na periferia oeste da capital. Faltam poucos minutos para as sete da manhã, mas alguns, ainda esfregando os olhos por causa do sono, já se movimentam para se reunir em oração. Alguns estão recitando as Laudes. Um grande grupo de jovens franceses também está reunido em um grande círculo: rezando e planejando a programação do dia.

Café da manhã italiano para todos

Outros estão tomando café da manhã em mesas de madeira dispostas ao longo do corredor que separa os nove pavilhões onde acabaram de passar a noite. Cada pavilhão tem sua própria e eficiente distribuição de produtos para o café da manhã: croissants, geleias, torradas, sucos de frutas. Os jovens observam os voluntários prepararem a primeira refeição do dia. Será que ficarão satisfeitos com o café da manhã “à italiana”?

As placas das dezenas de ônibus estacionados entre os pavilhões revela suas nacionalidades: vêm da Polônia, Portugal, França, Espanha e dezenas de outros países. Mais de 250 chuveiros e uma fila interminável de banheiros portáteis também foram instalados entre os pavilhões. Os madrugadores já estão usando os banheiros para escovar os dentes ou lavar o rosto.

De Paris, uma peregrina de “última hora”

Naturalmente, há uma estrutura inflável, posicionada entre duas enormes pilhas de garrafas d’água, abrigando um posto médico móvel. Os médicos já estão ocupados nas primeiras horas da manhã. Na fila está Eulalie Lescure, 26 anos, de Paris, que acaba de acompanhar uma amiga ao médico. Ela descreve sua partida com um sorriso, descrevendo-se como uma “peregrina de última hora”: “Comprei a passagem para Roma há uma semana e não estava muito preparada. Vim sozinha, mas me juntei com um grupo de cerca de 3.000 pessoas e, claro, todos os dias encontro novos peregrinos.”

Eulalie já havia participado da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa e pode comparar as duas experiências. Já dormi aqui duas noites. Dormi bem. O único problema eram as luzes: só as apagavam à 1h da manhã e voltavam a acender às 5h. Resumindo, tivemos apenas quatro horas de escuridão. As acomodações são espartanas, mas tudo bem. Não vim para ficar em um hotel cinco estrelas. Não é esse o ponto. Acho que nos hospedar aqui é uma boa ideia. Em Lisboa, fui voluntário, aqui estou vivenciando o Jubileu como peregrino. Assisti à missa de abertura do Jubileu da Juventude na Praça de São Pedro. Foi muito bonito, principalmente ver o Papa. Visitamos o centro de Roma e a Basílica de São João de Latrão, e conheci muitos italianos, espanhóis e portugueses.

Três anos de arrecadação de fundos para Roma

Nuno Riberio, 31 anos, natural do Porto, é português. Veio a Roma com um grupo de 29 pessoas: estar aqui agora é uma recompensa merecida pelos seus muitos esforços. “Há três anos que organizamos iniciativas na nossa cidade com o objetivo de angariar fundos para esta viagem a Roma. Esperamos poder desfrutar plenamente de todas as iniciativas organizadas para nós. Mal podemos esperar”, confessa com alguma emoção, “para nos encontrarmos novamente com o Papa neste fim de semana.”

Dormir num pavilhão de feiras com milhares de outros jovens não é uma experiência quotidiana. “Viemos com bom equipamento de campismo”, explica Nuno, “por isso dormir aqui, nestes pavilhões, não foi um problema. Passamos bem as noites que aqui pernoitamos” O único pequeno problema — um verdadeiro sinal dos tempos — é carregar os nossos smartphones. “Os vouchers de refeição são reservados por meio de um aplicativo. Por isso, o smartphone tem de estar sempre carregados. Conseguimos carregá-lo, mas nem sempre foi fácil”, conclui Nuno. Depois, o pensamento dirigido aos muitos jovens provenientes de países em guerra. “É maravilhoso conhecer pessoas de outras partes do mundo e partilhar as suas experiências. O que nós, jovens, podemos fazer é recolher informações sobre o que se passa nos países das pessoas que conhecemos, mesmo sobre lugares e situações com as quais não estamos familiarizados. Há muitos países em guerra, sobre os quais nós, jovens, não sabemos nada.”

                                                                                                                                                         ANSA/Fabio Cimaglia

Na Fiera di Roma, um mundo em miniatura vivendo em paz

Muitas línguas, muitas culturas, muitas maneiras diferentes de se comportar. Hoje em dia, os pavilhões da Fiera di Roma oferecem um vislumbre representativo de um mundo em miniatura, com seus desafios de compartilhar espaços e recursos comuns que devem ser suficientes para todos. Como no mundo adulto, também aqui a cooperação de todos é necessária para conviver e viver em paz.

“Estou hospedada na Domus, uma residência reservada para voluntários como eu, que fazem a segurança na Basílica de São Pedro. Mas quando soube dessa iniciativa aqui na Fiera di Roma, vim fazer a segurança aqui”, conta Sofia Colonna, 22 anos, de Messina. “Sou responsável – explica – pela segurança do Pavilhão 7. Meu trabalho, juntamente com os outros voluntários do meu grupo, é garantir que os peregrinos se sintam confortáveis em seu pavilhão e que prevaleça um clima de serenidade.”

Quem trabalha com segurança conhece bem os ingredientes da coexistência pacífica. “Os jovens peregrinos são todos muito animados, mas tudo aqui acontece dentro dos limites da educação católica, então há um forte senso de educação e um desejo de colaboração. A colaboração dos peregrinos”, conclui Sofia, que estará de plantão na Fiera di Roma até 4 de agosto e na Praça de São Pedro até o final de setembro, “é essencial para ajudar a criar uma atmosfera positiva”.

Jovens guardiões da água

Durante o Jubileu da Juventude, a ACEA (empresa responsavel pela distribuição de pagua em Roma) garantirá o abastecimento de água por meio de uma tubulação especialmente construída em Torvergata e do envio de caminhões-pipa para apoiar os eventos programados. Além disso, ao longo da semana, a empresa educará milhares de jovens, orientando-os a descobrir seu papel como “guardiões da água” e demonstrando que cada um deles representa a “gota” decisiva para um futuro sustentável.

A Acea criou um sistema dedicado de distribuição de água com aproximadamente 16 km de extensão. Durante o evento, a infraestrutura fornecerá aproximadamente 3,5 milhões de litros de água. A Acea também distribuirá aproximadamente um milhão de litros de água aos jovens peregrinos por meio de 95 caminhões-pipa estrategicamente localizados nos principais eventos que ocorrerão nos próximos dias, especialmente na Vela di Calatrava e na Fiera di Roma. Um total de 4,5 milhões de litros de água serão distribuídos durante o Jubileu da Juventude.

 

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS

Tráfico de pessoas: mais uma prova de desumanidade

Estamos nos tornando desumanos. Mais uma prova disso é o tráfico de pessoas, um crime cada vez mais presente em nossa sociedade. Ontem, 30 de julho, Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, foi mais uma oportunidade para refletir sobre uma das violações mais graves dos direitos humanos, uma ferida que machuca tanta gente mundo afora.

Um crime lucrativo

Um crime dos mais lucrativos, que só perde para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Esse tipo de crime tem aumentado nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o tráfico de pessoas aumentou 60% no Brasil. As redes sociais têm se tornado instrumento para aliciar milhares de pessoas, sobretudo mulheres. As quadrilhas atuam, muitas vezes na impunidade, mas também é verdade que aos poucos as autoridades têm articulado estratégias mais eficazes para combater esse crime.

Como nos posicionamos diante dessa realidade, diante desse crime? Fazemos o que está em nossa mão para combatê-lo? Trabalhamos como sociedade para ajudar as pessoas a ter o conhecimento suficiente que lhes permita não cair nas armadilhas do tráfico de pessoas? Acolhemos as vítimas e as ajudamos a se reerguer?

Não podemos ser cúmplices

As palavras de Papa Francisco: “Se fecharmos nossos olhos e ouvidos, se permanecermos indiferentes, seremos cúmplices”, são um chamado de atenção para a sociedade, mas especialmente para nós católicos. A indiferença diante dos problemas, do sofrimento dos outros, parece ter se instalado no coração da humanidade. Nossos corações vão se endurecendo, se tornando um coração de pedra, sem capacidade de se compadecer, de viver a compaixão diante do sofrimento alheio. Uma atitude que tem que nos levar a refletir, a cada um, cada uma de nós, mas também a todos e todas como humanidade.

Denunciar as violações, formar consciências, acolher os feridos tem que se tornar uma exigência se não queremos deixar de lado nossa humanidade. Ficar calados é uma atitude que não pode ser aceita, uma atitude que nos desumaniza. Não podemos esquecer que o ser humano começou ser considerado como tal quando mostrou capacidade de se compadecer diante do sofrimento do outro.

Uma postura profética

Um sentimento de compaixão que tem que estar presente naqueles que têm fé. Essa fé tem que nos levar a assumir uma postura profética, a perder o medo de nos comprometermos e lutar para acabar com esse crime que tanto atinge a vida de pessoas inocentes. O compromisso de cada um, de cada uma, o compromisso de todos e todas é decisivo para superar aquilo que condiciona a vida de tantas pessoas inocentes: o tráfico de pessoas.

Não deixemos passar mais uma oportunidade para refletir, para nos conscientizarmos da necessidade de agir firmemente em defesa das vítimas. Elas têm que ser a prioridade sempre, não podemos renunciar a isso. Cada pessoa que é salva é mais uma vida que é recuperada. Depende de cada um, cada uma de nós, avançar nesse caminho.

Editorial Rádio Rio Mar

“Carta de Demandas: Vozes do Território da Amazônia para a COP30” é entregue ao enviado especial da ONU com apelo por justiça climática enraizada

Documento reúne quase mil vozes da Amazônia Legal e apresenta propostas concretas para enfrentar a crise climática a partir da proteção dos modos de vida tradicionais e da sociobiodiversidade.

Em 2025, pela primeira vez, o Brasil sediará a Conferência das Partes (COP30), o evento climático mais importante do mundo. A COP é o espaço onde governos, cientistas e sociedade civil se reúnem para discutir soluções globais para a crise climática. No entanto, as vozes dos territórios mais impactados pela destruição ambiental seguem sendo marginalizadas desses debates.

Foi para mudar essa lógica que nasceu a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, uma articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), que busca garantir participação ativa de povos da floresta, movimentos sociais e comunidades tradicionais antes, durante e depois da COP30 — fortalecendo sua incidência a partir dos próprios territórios.

Escuta territorial e incidência concreta

Como parte dessa mobilização, 18 rodas de conversa foram realizadas em cinco estados da Amazônia Legal — Pará, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso e Roraima — reunindo 964 participantes, com ampla maioria de mulheres lideranças (72,5%). Os encontros aconteceram em localidades como Santarém, Ananindeua, Afuá, Marabá, Paulino Neves, Araguaína, Bacabal, Cuiabá, entre outras.

Dessas escutas coletivas nasceu a Carta de Demandas: Vozes do Território da Amazônia para a COP30, entregue ao Enviado Especial da ONU para COP30 Joaquim Belo e que será apresentada como contribuição às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil.

Segundo Irmã Irene Lopes, secretária executiva da REPAM-Brasil, a iniciativa tem como foco a democratização do debate climático:

“A cartilha ‘ABC das COPs’ foi o ponto de partida das rodas de conversa. Ela explica o que é a conferência do clima da ONU e por que a COP30 é tão importante. Essa agenda costuma ficar restrita a salas de reunião e a grupos privilegiados. Com as rodas, tiramos essa discussão desses espaços e levamos para quem mais sente os efeitos da crise: as comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas, pescadoras e extrativistas. A carta nasce dessa escuta real e enraizada.”

A força das rodas de conversa nos territórios


Metodologia desenhada da roda de conversa na Comunidade Alegria, no município de Timbiras (MA).
 
A metodologia das rodas de conversa, realizada em cinco estados da Amazônia Legal, foi o coração do processo de escuta popular que deu origem à Carta de Demandas. Ao todo, foram 18 encontros em comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e quilombolas do Pará, Tocantins, Maranhão, Roraima e Mato Grosso — com destaque para cidades e municípios como Santarém, Ananindeua, Marabá, Paulino Neves, Araguaína, Bacabal, Afuá, Cuiabá e diversos outros.

Um dos momentos marcantes foi a roda de conversa, no Quilombo Catucá, em 4 de junho, na zona rural da Diocese de Bacabal (MA). Mobilizada pelas mulheres do território, em parceria com a irmã Alessandra e com apoio da REPAM-Brasil, a roda de conversa foi realizada em articulação com a Escola Quilombola Catucá. O encontro fortaleceu o protagonismo das mulheres negras na luta pelo bem viver e reuniu partilhas profundas sobre os efeitos das mudanças climáticas, a escassez de água e as dificuldades enfrentadas no cultivo de hortaliças afetadas pelo calor extremo.

Durante a atividade, Arlete Gomes, coordenadora de projetos da REPAM, acompanhou as mulheres quilombolas em visitas aos quintais produtivos da comunidade:

“Foi emocionante ver como essas mulheres resistem todos os dias às mudanças do clima. Elas plantam, colhem, cuidam da terra, mesmo com o calor castigando as hortas e a água ficando mais escassa. É desse chão, desses corpos-territórios, que surgem as propostas mais potentes para a COP30.”

Arlete destaca que a legitimidade da carta está enraizada nesse processo:
“Toda a comunidade participou: crianças, jovens, anciões, donas de casa, produtoras. As cartas foram escritas à mão, desenhadas. Elas são o espelho dos territórios mais distantes da Amazônia. Recebemos muitas falas dizendo: ‘a carta me representa’. Isso mostra que a escuta foi real.”

Para ela, o método foi mais que um instrumento de consulta — foi também um gesto político de devolução de voz:

“As rodas permitiram capilarizar o debate climático e integrar os povos da floresta à agenda global com afeto, sabedoria e incidência concreta.”
 

Quilombola Catucá – MA (Divulgação: REPAM-Brasil)
 
 
Justiça climática começa onde a floresta vive

O documento denuncia que as mudanças climáticas já afetam profundamente a vida nas comunidades: doenças respiratórias causadas pela fumaça das queimadas, escassez de alimentos, secas severas, contaminação de rios e avanço de doenças infecciosas são apenas alguns exemplos.
A carta também alerta para os impactos das grandes obras de infraestrutura, como a construção e ampliação de rodovias federais (como a BR-319 e BR-163), que têm colocado em risco comunidades inteiras e acelerado o desmatamento. O avanço de empreendimentos sem consulta prévia às comunidades viola direitos constitucionais e amplia a vulnerabilidade de povos tradicionais diante da crise climática.

Propostas prioritárias da Carta de Demandas

Entre os principais pontos do documento estão:
Criação de planos emergenciais para enfrentar secas, fumaça e queimadas;
Moratória de obras de infraestrutura sem consulta prévia às comunidades;
Proteção de defensoras e defensores ambientais;
Acesso universal à água potável e ar puro como direitos inegociáveis;
Incentivo à agroecologia como estratégia de mitigação e autonomia;
Participação efetiva dos povos da Amazônia nas políticas climáticas.

Compromisso com o território

A escolha de Joaquim Belo para receber a carta carrega um simbolismo profundo. Líder extrativista com longa trajetória na defesa das comunidades tradicionais da Amazônia, ele atua hoje como secretário de Formação e Comunicação do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), organização que presidiu por três mandatos. Ao longo dos anos, tem participado ativamente de conselhos e comitês voltados à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Sua presença como enviado especial da COP30 representa não apenas uma missão institucional, mas também o compromisso de alguém que vem do próprio território e entende, na pele, o que está em jogo.
Ao receber a carta, Joaquim destacou o valor da solidariedade aprendida com a floresta, com os rios e com quem sempre cuidou desse ambiente:

“Foi nesse chão que aprendi o que é ser solidário — com a natureza, com o povo, com a vida. A carta expressa isso com força: o valor da floresta, da biodiversidade e de quem cuida. A gente sente isso na pele. Essa floresta cuida de todos nós. Esse rio cuida de todos nós. E esse ambiente, hoje, está sendo maltratado.”

Ele reforçou que essa luta exige alianças com a natureza e responsabilidade com o futuro:

“Sempre digo que a gente precisa caminhar junto com a diversidade, com a floresta, com os rios. Eles estavam aqui antes de nós — e precisam continuar existindo para as próximas gerações. Essa é a responsabilidade que levamos à COP30: apontar soluções reais, em nome do que nos antecede e do que virá.”

E concluiu com um compromisso firme:
“Vou fazer dela um bom uso naquilo que couber pra defender. Quero que vocês acreditem nisso. É o que fiz a minha vida toda.”

A entrega da Carta de Demandas: do Território da Amazônia para a COP30 marca, assim, um passo decisivo para uma COP30 com raízes nos territórios e olhos no futuro. Porque justiça climática não se escreve de cima para baixo — ela se constrói com quem nunca deixou de resistir

 FONTE/CRÉDITOS: Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil

Papa Leão XIV expressa apoio aos cristãos vítimas de violência e perseguição

Papa Leão XIV expressa apoio aos cristãos vítimas de violência e perseguição

O Pontífice lembrou os cinquenta anos da declaração de Helsinque que deram início a uma nova era geopolítica favorecendo uma reaproximação

Papa Leão XIV expressa apoio aos cristãos vítimas de violência e perseguição
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Ao término da audiência geral desta quarta-feira, Leão XIV renovou seu pesar pelo recente ataque terrorista na República Democrática do Congo em que morreram mais de quarenta cristãos. O Pontífice lembrou os cinquenta anos da declaração de Helsinque que deram início a uma nova era geopolítica favorecendo uma reaproximação entre o Oriente e o Ocidente, animada pelo desejo de garantir a segurança no contexto da Guerra Fria, e destacou a participação ativa da Santa Sé na Conferência de Helsinque. Foi a exortação do Santo Padre ao término da audiência geral desta quarta-feira (30/07), realizada na Praça São Pedro, ao retomar o habitual encontro semanal com fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo.

”Renovo meu profundo pesar pelo brutal ataque terrorista ocorrido na noite de 26 para 27 de julho em Komanda, no leste da República Democrática do Congo, onde mais de quarenta cristãos foram mortos na igreja durante uma vigília de oração e em suas casas. Ao confiar as vítimas à amorosa misericórdia de Deus, rezo pelos feridos e pelos cristãos em todo o mundo que continuam a sofrer violência e perseguição, exortando aqueles com responsabilidades locais e internacionais a trabalharem juntos para evitar tragédias semelhantes”, essa foi a exortação do Santo Padre ao término da audiência geral desta quarta-feira (30/07), realizada na Praça São Pedro, ao retomar o habitual encontro semanal com fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo. 

Em seguida, o Pontífice lembrou que na próxima sexta-feira, 1º de agosto, recorre o cinquentenário da assinatura da Ata Final de Helsinque. “Motivados pelo desejo de garantir a segurança no contexto da Guerra Fria, 35 países inauguraram uma nova era geopolítica, promovendo uma reaproximação entre o Oriente e o Ocidente”, destacou o Papa Leão XIV, ressaltando a participação ativa da Santa Sé.

Aquele evento também marcou um interesse renovado pelos direitos humanos, com especial atenção à liberdade religiosa, considerada um dos fundamentos da então incipiente arquitetura de cooperação, de Vancouver a Vladivostok. A participação ativa da Santa Sé na Conferência de Helsinque, representada pelo arcebispo Agostino Casaroli, contribuiu para fomentar o compromisso político e moral com a paz. Hoje, mais do que nunca, é essencial preservar o “espírito de Helsinque”, perseverar no diálogo, fortalecer a cooperação e fazer da diplomacia o meio privilegiado para prevenir e resolver conflitos.

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS

Jubileu dos Jovens tem início com Santa Missa e presença surpresa do Papa Leão XIV

Aproximadamente 120 mil jovens participaram nesta terça-feira (29/07) da celebração eucarística presidida por dom Rino Fisichella

Praça São Pedro durante a celebração   (@Vatican Media)

“Queridos amigos, em nome do Papa Leão XIV, dou a vocês as boas-vindas. Sou o pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, responsável pela organização do Jubileu. Há muito tempo esperávamos por vocês, e agora vocês estão aqui. Obrigado por terem aceitado o convite do Papa para participar deste Jubileu, que é dedicado a vocês e à esperança que cada um traz dentro de si.”

Essas foram as palavras de acolhida proferidas por dom Rino Fisichella no início da missa de abertura do Jubileu dos Jovens, na Praça São Pedro. Aos 120 mil jovens reunidos, o responsável pelos eventos jubilares saudou os presentes em seis idiomas diferentes:

“Vocês vieram de todas as partes do mundo. Há amigos que vêm também de zonas de guerra — da Ucrânia à Palestina —; que a todos chegue o abraço da fraternidade que nos une e faz de nós um só corpo; que não lhes falte o sinal da amizade de vocês.”

 

 

Viver o Jubileu com alegria e espiritualidade

Ao lembrar que muitos jovens fizeram grandes sacrifícios para estar em Roma, dom Fisichella ressaltou que “o Senhor não os desiludirá”, e completou:

“Ele virá ao encontro de vocês, e que vocês estejam atentos para perceber a sua presença. Vivam estes dias com alegria e espiritualidade, descobrindo novas amizades, mas, sobretudo, contemplando Roma e as muitas obras de arte que são expressão da fé que gerou tanta beleza. Estamos aqui para transmitir a fé e compreender o grande valor que Jesus Cristo tem em nossa vida. Respondamos com entusiasmo: nestes dias, Roma — com tudo aquilo que ela representa — está em suas mãos.”

O Senhor vem ao nosso encontro

A celebração, com a participação ativa dos jovens, suas bandeiras e sorrisos nos lábios, prosseguiu com o sentimento jubilar presente no coração de todos. Na homilia, o pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, de forma espontânea, refletiu sobre o Evangelho do dia e também sobre a importância do Jubileu:

“A fé é um encontro, mas o primeiro que vem ao nosso encontro é Jesus. Ele vem até nós quando quer, como quer, no tempo estabelecido por Ele, não por nós. Nós somos chamados apenas a responder. Uma vez que percebemos que Ele vem ao nosso encontro, somos também chamados a caminhar em direção a Ele.”

Dom Rino Fisichella também recordou “que vivemos um período de grande violência, que não está apenas nos territórios de guerra. A violência está nas nossas ruas, nas nossas cidades, está ao nosso lado, nas escolas”, e exortou:

“Devemos transmitir a certeza da esperança de que o amor sempre vence, que a bondade supera a violência, e que precisamos ser construtores de paz todos os dias, na simplicidade da nossa vida. Se construirmos a paz, o mundo terá paz.”

Papa Leão XIV durante o encontro com os jovens   (@Vatican Media)

Papa Leão faz supresa aos jovens

Ao final da missa, o Papa Leão XIV fez questão de comparecer à Praça São Pedro para saudar a juventude. A bordo do papamóvel, o Santo Padre percorreu os corredores da praça vaticana e toda a Via da Conciliação, acenando e recebendo o afeto dos presentes, que acolheram com grande alegria a surpresa do Pontífice. Ele dirigiu aos fiéis palavras de acolhimento e fez um convite à oração pela paz no mundo em inglês, italiano e espanhol:

“Esperamos que todos vocês sejam sempre sinais de esperança! Hoje estamos começando. Nos próximos dias, vocês terão a oportunidade de ser uma força que pode levar a graça de Deus, uma mensagem de esperança, uma luz para a cidade de Roma, para a Itália e para todo o mundo. Caminhemos juntos com a nossa fé em Jesus Cristo. E o nosso grito deve ser também pela paz no mundo”, e fez um pedido aos jovens:

“Digamos todos: Queremos a paz no mundo!”

“Rezemos pela paz e sejamos testemunhas da paz de Jesus Cristo, da reconciliação, essa luz do mundo que todos estamos buscando. Nos vemos. Nos encontraremos em Tor Vergata. Boa semana!”, concluiu o Papa. 

Papa Leão XIV   (@Vatican Media)

Nos próximos dias 30 e 31 de julho, os participantes são convidados a vivenciar os momentos chamados “Diálogos com a cidade”. Na sexta-feira, a proposta é celebrar um “Dia Penitencial”, que irá preparar os participantes para o ápice do maior evento jubilar: no sábado, 2 de agosto, se realiza a Festa e Vigília de Oração com o Santo Padre, seguida, no domingo, 3 de agosto, da Santa Missa presidida por Leão XIV.

https://youtu.be/kouw1DeDOBU

 FONTE/CRÉDITOS: Thulio Fonseca – Vatican News

Celebração histórica reúne fiéis e marca 300 anos da presença católica em Roraima

Celebração histórica reúne fiéis e marca 300 anos da presença católica em Roraima

Presidida por Dom Evaristo Spengler, a missa jubilar celebrou a caminhada da fé no estado e inspirou novos passos da evangelização.

Celebração histórica reúne fiéis e marca 300 anos da presença católica em Roraima
Fiéis de diferentes regiões se reuniram na Catedral Cristo Redentor – Foto: Kayla Silva
 

A Diocese de Roraima realizou neste sábado (19), a Celebração Eucarística Jubilar em ação de graças pelos 300 anos de evangelização no estado. A missa, presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo diocesano, reuniu dezenas de fiéis de diferentes regiões de Roraima, na Catedral Cristo Redentor, localizada no centro de Boa Vista.

Com o tema: “300 anos de fidelidade e novos desafios numa Igreja Sinodal”, o evento fez parte das comemorações do Ano Jubilar da Diocese e recordou o início da presença missionária católica em Roraima, oficialmente iniciada em 1725.

“É um ponto alto de tudo o que aconteceu até agora, e também um impulso para que essa igreja continue sendo fiel ao evangelho nos próximos 300 anos. É importante que cada um tenha consciência de que os missionários do passado fizeram sua parte, e agora cabe a nós continuar essa bela história de evangelização”, destacou Dom Evaristo Spengler.

Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo diocesano – Foto: Kayla Silva

 

Em sua homilia, o bispo diocesano trouxe à reflexão de três símbolos que iluminam o caminho de um fiel: a semente que é plantada, o óleo que unge e o rio que corre. Com eles, relembrou os três séculos da presença missionária no estado, enfatizando que a evangelização em Roraima nunca foi de colonização, mas de inculturação, sempre encarnada no chão e na história do povo. Ao final, deixou um convite: que sejamos “semeadores do reino, ungidos do espírito e como um rio que leva esperança.”

Estiveram presentes na celebração o governador de Roraima, Antonio Denarium; o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique; além de secretários estaduais, municipais e demais autoridades.

A missa contou ainda com a presença especial de Dom Gonzalo Ontiveros, bispo do Vicariato Apostólico de Caroní, Venezuela.

TRADIÇÃO E COMPROMISSO

Maria Júlia, de 71 anos, também participou da santa missa. Católica “desde o útero da mãe”, como ela mesmo afirmou, contou que o momento foi de grande alegria.

“Eu tenho certeza que Deus, os anjos e os santos estão todos fazendo festa no céu, porque esses 300 anos são uma conquista muito linda, fruto de um trabalho feito com gosto e com garra”, disse entusiasmada.

Maria Júlia, fiel católica – Foto: Lauany Gonçalves

 

Outro fiel presente foi Kauã Melo, de 20 anos. Acompanhado da namorada, ele expressou admiração pelo trabalho realizado pela diocese.

“Quando a gente para pra pensar em toda essa caminhada, percebe a importância que a igreja tem, não só para os fiéis, mas também de forma histórica, contribuindo com o crescimento e o surgimento do estado. Além disso, percebemos, dentro das nossas famílias, como as tradições vão sendo passadas. Isso gera em nós um senso de responsabilidade e fidelidade com a igreja”, destacou.

INDULGÊNCIA PLENÁRIA

Ao final da missa, Dom Evaristo Spengler realizou o envio dos integrantes da Pastoral da Visitação, 29 pessoas responsáveis por levar alegria e fé aos hospitais do estado.

Na sequência, o bispo concedeu a indulgência plenária aos fiéis presentes que preenchiam os requisitos necessários para recebê-la.

Em 2025, a Igreja Católica propõe novamente a celebração do Ano Jubilar como um tempo especial de remissão e perdão, uma oportunidade para vivenciar a cura e a libertação dos pecados. Nesse contexto, a possibilidade de pedir e obter indulgências faz parte integrante da tradição dos Jubileus.

Momento da Indulgência Plenária – Foto: Kayla Silva

 

O vigário geral da Diocese, padre Josimar Lobo, explica que esse ato ocorre após o fiel ter feito sua confissão, recebido a comunhão eucarística e rezado de acordo com as intenções do Papa.

“Assim, no final da missa, o bispo diocesano concedeu a indulgência plenária, ou seja, o perdão de todos os pecados, àqueles que se arrependeram e se dispuseram a viver uma vida nova a partir de agora. É bonito, porque temos a graça de recebê-la como uma oferta de Deus, um Deus que é misericordioso”, destacou.

Após conceder a indulgência plenária, Dom Evaristo Spengler abençoou mudas de plantas que serão entregues aos coordenadores e responsáveis por cada área e paróquia da Diocese de Roraima. O gesto simboliza o compromisso com a casa comum e reforça o cuidado com a criação, inspirando a todos a plantarem, cuidarem e cultivarem a vida em suas comunidades.

A celebração foi transmitida ao vivo pela Rádio Monte Roraima FM 107,9, pelo canal da Diocese no YouTube e pelas redes sociais, garantindo que os fiéis que não puderam estar presentes fisicamente também participassem do momento.

 

 FONTE/CRÉDITOS: Lauany Gonçalves
300 anos da evangelização: caminhada reúne fiéis para celebrar avanços

300 anos da evangelização: caminhada reúne fiéis para celebrar avanços

A procissão partiu da Igreja Matriz em direção à Catedral Cristo Redentor em um percurso de aproximadamente 1,5 km

300 anos da evangelização: caminhada reúne fiéis para celebrar avanços
Foto: Tiago Côrtes

Do perdão à celebração! Para celebrar os 300 anos de evangelização em Roraima, a Diocese de Roraima realizou uma caminhada na tarde deste sábado, 19. Debaixo de chuva, os fiéis se reuniram na Igreja Matriz, mas, sob um pôr do sol com o céu limpo, caminharam até a Catedral Cristo Redentor para uma missa.

No percurso, estava reunido todo o corpo de Cristo — a Igreja. Assim, participaram do evento as diversas pastorais de Roraima, movimentos sociais e católicos, organizações humanitárias e demais grupos de voluntários que trabalham em prol do evangelho.

Pastoral da comunicação

Convertida à fé católica há dois anos, Giovana dos Santos, 20 anos, serve na paróquia São Mateus, comunidade Santíssimo Sacramento. Motivada pelo amor em Cristo, ela destaca que celebrar três séculos de evangelização é um momento de alegria e reflexão.

“Eu fico refletindo sobre essa caminhada e sobre os padres jesuítas lá no início, sobre tudo o que aconteceu para a gente estar aqui agora. Eu me sinto imensamente feliz e grata por fazer parte desse momento”, ressaltou a coroinha.

Para o bispo de Roraima, Dom Evaristo Pascoal, o evento é para lembrar o trabalho dos missionários do passado e continuar com a evangelização. “É um momento de celebrar tudo o que aconteceu até agora e buscar impulso para que essa Igreja continue sendo fiel ao evangelho nos próximos 300 anos e até o fim do mundo. A partir de agora, nós temos que fortalecer nossas comunidades para que nós andemos no caminho de Jesus”, ressaltou Dom Evaristo.

Da esquerda à direita: Dom Evaristo, governador Antonio Denairum e Dom Gonzalo Ontiveros

O governador de Roraima, Antonio Denarium é declarado publicamente cristão católico. Ele esteve presente na caminhada de celebração do trabalho de evangelização da Igreja Católica no estado.

“Sou batizado, fiz a primeira comunhão e estou do lado de todas as pessoas que acreditam em Deus. Tudo o que nós temos aqui hoje, nasceu do trabalho das mãos da Igreja Católica de um momento em que nem era constituído o estado de Roraima”, disse o governador.

O prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique, marcou presença no evento. “A história da diocese de Roraima está ligada ao desenvolvimento da capital. A diocese teve um papel fundamental na vida das pessoas que aqui vivem, não apenas no fortalecimento da fé, mas também com trabalhos sociais”, destacou Arthur Henrique.

Antes da caminhada, os fiéis puderam se confessar com os padres na Igreja Matriz. Assim, seguiram para a Catedral Cristo Redentor para a celebração eucarística de indulgências — ocasião em que o bispo concede indulgência plenária. O ato ocorre durante um ano santo jubilar, como o proclamado pelo Papa Francisco para 2025.

 FONTE/CRÉDITOS: Repórter: Tiago Côrtes
300 anos de evangelização e o testemunho  de missionários e missionárias da vida religiosa consagrada

300 anos de evangelização e o testemunho de missionários e missionárias da vida religiosa consagrada

Nestes 300 anos de evangelização, a Diocese de Roraima homenageia a vida religiosa consagrada na história da missão no estado.

300 anos de evangelização e o testemunho  de missionários e missionárias da vida religiosa consagrada
Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima

Ao longo de três séculos de evangelização em Roraima, a vida religiosa consagrada tem sido um pilar invisível, mas indispensável, no anúncio do Evangelho e no serviço aos mais pobres. Irmãs, irmãos e padres de diferentes congregações, vindos de vários países e regiões do Brasil, dedicaram suas vidas à missão na fronteira norte da Amazônia brasileira, especialmente junto aos povos indígenas, comunidades ribeirinhas e populações urbanas em situação de vulnerabilidade.

Como parte das comemorações dos 300 anos de evangelização, a Rádio Monte Roraima fm, por meio da Diocese de Roraima ouviu missionários e missionárias que atuam há décadas no estado, testemunhas do compromisso da Igreja com a justiça, a dignidade e a fé.

A irmã Ângela Santana, da Congregação Franciscana Missionária da Mãe do Divino Pastor, com origem na Argentina, define a vida religiosa como uma presença de escuta, partilha e compromisso. “A gente, quando está em partilha da vida, não é indiferente. A vida religiosa sempre se envolveu com as necessidades, com as lutas sociais, com as injustiças”, afirmou.

Mesmo com pouco tempo em Roraima, ela reconhece a trajetória das religiosas e religiosos que vieram antes: “Sempre houve, e haverá, homens e mulheres corajosos que entregam a vida por essa missão”.

Uma história de coragem e resistência

Com 78 anos de idade e mais de quatro décadas de missão em Roraima, a irmã Maria da Silva Ferreira, portuguesa, da Congregação das Missionárias da Consolata, relembra os primeiros passos da vida religiosa feminina no estado. “Chegamos em 1949, recebidas pelos missionários e pelas beneditinas. Logo no início, enfrentamos a resistência do povo com a saída das irmãs anteriores, mas nos mantivemos firmes, assumimos internatos, hospitais e a catequese”, relata.

Ela destaca que, ao longo do tempo, as religiosas assumiram papel de protagonismo nas paróquias e na formação cristã. “Fazíamos quase tudo, menos celebrar missa. Batizávamos, preparávamos casamentos, visitávamos famílias. Foi uma caminhada muito rica, feita na simplicidade.”

Evangelizar com os pés no chão

A irmã Renata, da congregação das Ursulinas do Sagrado Coração de Maria, com 80 anos de idade e quase 18 de atuação em Roraima, lembra o chamado da Igreja para olhar para a Amazônia com mais atenção: “Viemos porque o Papa Paulo VI nos indicava a Amazônia como horizonte. E aqui encontramos uma terra encantadora, mas profundamente empobrecida e marcada pela injustiça social”.

Para ela, evangelizar na Amazônia exige estar com o povo, escutá-lo, aprender com sua espiritualidade e resistir às estruturas que negam a dignidade. “A vida religiosa tem de ser profética, solidária, capaz de caminhar com as dores e as esperanças do povo.”

Ela também destaca a necessidade de comunhão entre as congregações e com a diocese: “Aqui não dá pra caminhar sozinho. Precisamos dos jesuítas, das irmãs vicentinas, dos fidei donum, da Consolata. A missão só é possível se for coletiva”.

60 anos de missão

O irmão Carlos Zacquini, missionário da Consolata, chegou em Roraima em 1965 e nunca mais saiu. Aos 88 anos, é referência histórica da presença missionária no estado. Ele relembra as mudanças vividas após o Concílio Vaticano II e as dificuldades para implementar uma nova visão de Igreja: “Foi um processo de resistência, até hoje é. A vida religiosa precisou se repensar, mudar metodologias, abrir-se ao diálogo com os povos indígenas”.

O irmão Carlos, que também coordena o Centro de Documentação Indígena, vê a missão como um processo constante de escuta e conversão. “Muita coisa mudou. A Igreja aprendeu com os povos indígenas, e isso transformou a missão.”

Desafios atuais e o futuro da missão

Mesmo com tantos testemunhos inspiradores, os desafios permanecem. A vida religiosa em Roraima enfrenta escassez de vocações, envelhecimento de muitos missionários e uma realidade social marcada por conflitos, pobreza e exclusão. Ainda assim, o compromisso permanece.

Como diz a irmã Renata: “Roraima é terra de mártires, de pessoas que deram a vida em silêncio. Nós precisamos seguir o caminho com o povo, com coragem e esperança. O Evangelho continua sendo boa notícia, especialmente aqui”.

Um chamado ao engajamento

A Diocese de Roraima reforça que a vida religiosa não é um capítulo do passado, mas uma presença viva, que segue necessária. Missionários e missionárias convidam os leigos e leigas a se engajarem com os mesmos ideais: solidariedade, justiça e evangelização.

“Os povos indígenas não precisam de nós. Somos nós que precisamos deles. Eles têm muito a ensinar sobre o cuidado com a terra, com a vida, com a espiritualidade”, conclui o irmão Simão Balsi, da Pastoral Indigenista, resumindo o espírito da vida religiosa consagrada em Roraima: humilde, comprometida, enraizada.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Rádio Monte Roraima

Boa Vista celebra a padroeira Nossa Senhora do Carmo nesta quarta-feira, 16

Boa Vista celebra a padroeira Nossa Senhora do Carmo nesta quarta-feira, 16

A festa integra as comemorações pelos 300 anos da presença Missionária em Roraima

Boa Vista celebra a padroeira Nossa Senhora do Carmo nesta quarta-feira, 16
Foto: Angélica Alves – Rádio Monte Roraima FM

Nesta quarta-feira, 16 de julho, a cidade de Boa Vista celebra o dia de sua padroeira, Nossa Senhora do Carmo. Ao longo do dia, serão realizadas celebrações eucarísticas em honra à Virgem Santíssima, dentro da programação da tradicional Festa da Padroeira, que neste ano tem como tema: “Flor do Carmelo, 300 anos semeando esperança.”

Duas missas especiais marcarão esta data tão significativa. Pela manhã, a celebração será às 8h, na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, localizada na Rua Floriano Peixoto, 114, no Centro da capital. A missa será presidida pelo bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Spengler, e dedicada aos sócios-amigos e apoiadores culturais da Rádio Monte Roraima. A celebração será transmitida ao vivo pelo canal da rádio no YouTube e também pela frequência 107,9 FM.

Já à noite, a segunda missa será celebrada às 18h, também na Igreja Matriz, reunindo a comunidade para mais um momento de fé, devoção e gratidão à padroeira da cidade.

Neste ano em que a Diocese de Roraima celebra os 300 anos de evangelização no Estado, a festa da padroeira representa a continuidade de uma tradição marcada pela história, fé e devoção. O  Padre Mauro Sérgio, paróco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, reforça a importância desta devoção:
“A devoção à Nossa Senhora continua sendo e sempre vai ser algo muito importante para a manutenção da fé do povo de Deus da Igreja Católica. A intercessão de Nossa Senhora é algo que sempre recorremos e buscamos para auxiliar nas questões da vida familiar, profissional, humana e na vida eclesial. Nossa Senhora é intercessora, aquela que intercede por todo o seu povo”.

História de Nossa Senhora do Carmo


A devoção a Nossa Senhora do Carmo tem raízes profundas. A origem dessa devoção remonta ao século XVII, quando um grupo de cruzados, buscando uma vida próxima do evangelho, se retirou para o Monte Carmelo, em Israel. 

Esses primeiro eméritas se inspiraram na vida do profeta Elias, e sob a sua influência, construíram uma pequena capela dedicada à Virgem Maria. Assim nasceu a ordem dos carmelitas. Uma tradição ligada à Virgem do Carmo é o escapulário, sinal de proteção e compromisso espiritual. Conta-se que em 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock, entregando-lhe o escapulário e prometendo sua proteção especial a todos os que o usassem com fé.

Em 1725, os primeiros missionários chegam a Boa Vista. A primeira capela foi construída neste mesmo ano, pelos padres carmelitas, tornando-se a primeira igreja católica na região. Em 1856, foi construída uma capela maior e dois anos depois ela foi elevada oficialmente à condição de Matriz Nossa Senhora do Carmo.
“Nossa do Carmo carrega este nome porque esse é o nome da congregação dos missionários carmelitas. E desde então aquela comunidade começou a ser edificada de 1725 até hoje, passando pela responsabilidade de vários missionários, de várias congregações e carismas. Em seguida, numa fase mais moderna, vieram os padres missionários da Consolata, que deram uma continuidade àquela comunidade matriz, inclusive mudando as características da igreja, que depois foi restaurada na década de 2000 pelo Padre Vanthuy com as características originais de 1725”, destaca o padre.

Foto: Autor Desconhecido/Acervo/Maurício Zouein e Pascom diocesana

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa