Mémoria religiosa: 300 anos de evangelização e o legado missionário em Roraima

Mémoria religiosa: 300 anos de evangelização e o legado missionário em Roraima

Esta é a terceira reportagem da Séria dos 300 anos de evangelização da Diocese de Roraima.

Mémoria religiosa: 300 anos de evangelização e o legado missionário em Roraima
Foto: Lucas Rosseti

Celebrar 300 anos de evangelização em Roraima é revisitar a memória  de uma presença missionária que moldou não apenas a fé católica no extremo norte do país, mas também a identidade cultural, social e política do povo roraimense. Desde a chegada dos primeiros carmelitas, no século XVIII, até os desafios contemporâneos de uma Igreja diocesana em território amazônico, a história da Igreja Católica em Roraima é também a história de resistência, diálogo e compromisso com os mais vulneráveis.

Em entrevista especial, o vigário-geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo, destacou a importância histórica das missões que deram origem ao processo de evangelização no então território do Rio Branco. “Nós somos frutos de uma história. Essa linha histórica continua. E esses 300 anos agora chegaram até nós. Somos parte, somos continuadores desse processo bonito desde a chegada dos carmelitas que aqui vieram para trazer a semente do Reino”, afirma.

Segundo o vigário-geral, a presença dos primeiros missionários foi marcada pelo encontro com os povos originários. “Eles não vieram para tomar o lugar de ninguém, mas para anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo. E o fizeram aprendendo com aqueles que aqui já estavam, ouvindo com paciência, partilhando saberes, construindo juntos o que hoje chamamos de Igreja”, ressalta.

De missão a Diocese: um caminho de autonomia e compromisso

A presença católica em Roraima remonta à criação da Administração Apostólica do Rio Branco em 1934, que posteriormente se tornou Prelazia e, em 1979, foi elevada à condição de Diocese pelo Papa João Paulo II. Com isso, a Igreja em Roraima passou a caminhar com maior autonomia, ainda que em comunhão com a Província Eclesiástica de Manaus.

“A prelazia era ainda muito dependente de Roma. Quando nos tornamos diocese, passamos a ter sede própria, a caminhar com as próprias pernas, mesmo com poucos recursos. Isso significou um passo significativo na nossa organização pastoral e missionária”, explica padre Josimar.

A transição institucional permitiu à Diocese expandir sua presença nas áreas urbanas e nas comunidades mais distantes, sobretudo junto aos povos indígenas. “Hoje, podemos dizer que estamos presentes em todos os cantos de Roraima. Mesmo que de forma simples, pequena, ali está a presença do povo de Deus.”

Bispos e memórias: marcos de uma Igreja viva

Ao longo dessas décadas, diversos bispos passaram por Roraima, deixando marcas profundas na vida pastoral e social da Diocese. Padre Josimar recorda com reverência as figuras de Dom Aldo Mongiano, Dom Aparecido José Dias, Dom Roque Paloschi e Dom Mário Antônio, entre outros.

“Dom Aldo foi o primeiro bispo diocesano e fez uma clara opção pelos povos indígenas, mesmo enfrentando perseguição. Dom Aparecido teve uma atuação corajosa, mesmo com suas fragilidades físicas. Já Dom Roque enfrentou uma realidade urbana e social em transformação. E Dom Mário se deparou com a intensificação do fenômeno migratório e respondeu com presença e acolhimento”, detalha.

Marcos físicos da fé: memória viva em pedra e cimento

Os marcos históricos da evangelização em Roraima não estão apenas na memória oral, mas também nos prédios e igrejas espalhados por Boa Vista e pelo interior do estado. A Matriz de Nossa Senhora do Carmo, com sua arquitetura de inspiração germânica, é um dos principais ícones religiosos e turísticos da capital.

“Ali é o ponto principal da nossa memória. Mas há também a residência episcopal, a Casa João XXIII, a antiga Escola São José, o prédio da Prelazia, a igreja de São Sebastião e tantas outras construções ligadas diretamente à história missionária da nossa diocese”, destaca o vigário.

Mais do que construções físicas, padre Josimar lembra que o mais importante é a construção da consciência e da dignidade do povo. “Somos uma igreja que promove a vida e acredita que todos são amados por Deus. As obras são reflexo dessa missão.”

Desafios atuais: entre a tradição e a evangelização do futuro

Os 300 anos de evangelização também convidam a Igreja a olhar para frente. Em um mundo cada vez mais marcado pela secularização, novas tecnologias e transformações culturais, os desafios são complexos e exigem atualização sem perder a essência.

“O Papa Francisco nos convida a cuidar da Casa Comum e dialogar com a cultura e a juventude. A Igreja está nas redes sociais, nos meios de comunicação, na defesa do meio ambiente e na construção de pontes com outras tradições religiosas. Mas tudo isso sem abrir mão da fidelidade ao Evangelho”, afirma o padre.

Para ele, é fundamental que a Diocese continue sendo uma presença profética junto aos povos indígenas, migrantes, juventudes e famílias em vulnerabilidade. “A missão permanece: anunciar Jesus Cristo com coragem, simplicidade e compromisso com a vida.”

Convite à celebração: memória, gratidão e esperança

A culminância das celebrações dos 300 anos de evangelização em Roraima acontecerá no próximo dia 19 de julho, com uma caminhada e missa especial em Boa Vista. A concentração será às 17h em frente à Igreja Matriz, com caminhada até a Catedral Cristo Redentor, onde a missa será celebrada às 18h30.

“Fazer memória não é viver no passado. É agradecer a Deus pela história e renovar o compromisso com o presente e o futuro. Convido todo o povo roraimense, as famílias, os migrantes, os jovens, a celebrar conosco essa grande ação de graças. Quem conhece, compreende. Quem compreende, ama”, conclui padre Josimar.

Relembre os bispos de Roraima.

Ao longo de sua história, a Diocese de Roraima foi guiada por líderes religiosos que deixaram marcas profundas na vida pastoral, social e missionária da região:

  1. Dom Geraldo Van Caloen – primeiro bispo prelado (1906), iniciou a reconstrução da Igreja Matriz e a missão no Surumú.
  2. Dom Pedro Eggerath – segundo bispo (1921-1929), fundou escolas, hospital e estruturas pastorais.
  3. Dom Louzenço Zeller – nomeado em 1939, atuou até 1945.
  4. Dom José Nepote – missionário da Consolata, liderou de 1952 a 1964.
  5. Dom Servílio Conti – nomeado em 1968, iniciou missões indígenas em várias regiões.
  6. Dom Aldo Mongiano – de 1975 a 1995, foi o primeiro bispo diocesano após a elevação da Prelazia à Diocese. Fez opção clara pelos povos indígenas.
  7. Dom Aparecido José Dias – de 1996 a 2004, missionário do Verbo Divino, fundou a Rádio FM Roraima e o movimento “Nós Existimos”.
  8. Dom Roque Paloschi – de 2005 a 2016, forte atuação no Cimi e com os povos originários.
  9. Dom Mário Antônio – de 2016 a 2021, enfrentou os desafios da migração venezuelana.
  10. Dom Evaristo Spengler – atual bispo, franciscano, continua a missão com forte presença junto aos pobres, indígenas e migrantes.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa

Pastorais sociais ampliam missão evangelizadora da Diocese de Roraima

Pastorais sociais ampliam missão evangelizadora da Diocese de Roraima

Pastorais sociais da Diocese de Roraima mantêm a missão da Igreja junto aos pobres, indígenas, migrantes e populações esquecidas.

Pastorais sociais ampliam missão evangelizadora da Diocese de Roraima
Foto Youtube: Lucas Rosseti

Em continuidade à série especial pelos 300 anos de evangelização em Roraima, a reportagem de hoje lança luz sobre uma das frentes mais dinâmicas e comprometidas da Igreja no estado: as pastorais sociais. Presentes nas periferias urbanas, comunidades indígenas, vicinais e até dentro das unidades prisionais, elas são expressão concreta da missão evangélica de cuidar dos mais vulneráveis.

Criadas para dar resposta cristã a contextos de exclusão e desigualdade, as pastorais sociais atuam na defesa dos direitos humanos, no acompanhamento de populações em risco e na promoção da dignidade da pessoa humana. Entre elas estão a Pastoral Indigenista, Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral Carcerária, Pastoral dos Migrantes, Pastoral da Juventude e muitas outras.

“A Igreja tem duas dimensões fundamentais: a de se organizar internamente, mas também a de agir no mundo. As pastorais sociais são os instrumentos que ajudam a transformar a realidade a partir de uma experiência de fé”, explica o padre Celso dos Santos, Vigário-episcopal da Diocese de Roraima.

Na história da Diocese, o engajamento social da Igreja foi se expandindo de forma orgânica, à medida que novas necessidades surgiam. A Pastoral Indigenista, por exemplo, nasceu como resposta à histórica marginalização dos povos originários e ao processo contínuo de luta por território, identidade e direitos básicos.

“A ação da Igreja junto aos povos indígenas é uma marca da nossa história. Não é uma atuação ‘por eles’, mas com eles, ajudando a formar consciência de seus direitos e a protagonizarem sua própria caminhada”, explica padre Celso.

Outra frente essencial tem sido o acolhimento a migrantes e refugiados, especialmente com o agravamento da crise humanitária na Venezuela. Através de uma rede composta pela Cáritas Diocesana, o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) e o Fé e Alegria, mais de meio milhão de refeições já foram distribuídas, além de serviços como emissão de documentos, banheiros públicos e apoio jurídico.

Pandemia, migração e populações invisibilizadas

Durante a pandemia de Covid-19, as pastorais também estiveram na linha de frente. A Cáritas, por exemplo, investiu mais de R$ 1 milhão em ações emergenciais para atender famílias afetadas, tanto brasileiras quanto migrantes.

Em Boa Vista, um dos maiores desafios atuais é o crescimento da população em situação de rua. “Segundo o Observatório Nacional de Políticas Públicas, já somos a sexta capital do Brasil com maior número de pessoas vivendo nas ruas, atrás apenas de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro”, alerta o padre.

Na foto estão: Pe. Celso dos Santos, Vigário-episcopal da Diocese de Roraima e 
Vagna Gomes, coordenadora da Catequese da Diocese.

Ele ressalta que a Igreja deve olhar com atenção para essas novas realidades: “Essas pessoas não geram lucro, não aparecem nas campanhas eleitorais. Mas para a Igreja, são rostos do próprio Cristo crucificado.”

Juventude e novos rostos da missão

A formação de novas lideranças, especialmente entre os jovens, também é prioridade das pastorais sociais. Segundo Vagna Gomes, coordenadora da Catequese da Diocese, o processo começa com a escuta e o acolhimento.

“A Pastoral da Juventude, por exemplo, trabalha com escuta ativa, planejamento coletivo e protagonismo. Os jovens precisam ser ouvidos e convidados a participar da construção de um mundo mais justo”, afirma.

Ela destaca que catequese e espiritualidade caminham juntas no fortalecimento da missão social: “A iniciação cristã precisa formar para o serviço. O jovem que vive uma espiritualidade verdadeira é chamado ao compromisso com o outro, com a comunidade, com a justiça.”

Desafios e esperanças para os próximos anos

Para os próximos anos, o grande desafio das pastorais sociais é permanecer sensível às transformações da realidade local e global. Isso significa ampliar ações com populações encarceradas, migrantes, indígenas e pessoas em situação de rua, mas também aprofundar a espiritualidade que sustenta esse trabalho.

“O Papa Francisco nos convida ao caminho da escuta, do discernimento e do serviço. Precisamos perguntar sempre: o que Deus está pedindo da Igreja neste tempo?”, reflete padre Celso.

Ele conclui com uma mensagem de fé e esperança: “A Diocese de Roraima nasceu como presença viva da Igreja antes mesmo do Estado brasileiro existir nesta região. Hoje, 300 anos depois, continua sendo força de transformação, de esperança e de anúncio do Evangelho entre os mais esquecidos.”

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Rádio Monte Roraima fm

Diocese de Roraima promove grande celebração pelos 300 anos de Evangelização em Roraima

Foto: João Felipe – Pascom Diocese de Roraima

A Diocese de Roraima realizará, no dia 19 de julho de 2025, uma solene Celebração Eucarística em ação de graças pelos 300 anos da evangelização em Roraima. A celebração será presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo diocesano, na Catedral Cristo Redentor, em Boa Vista, às 19h.

Com o tema: “300 anos de fidelidade e novos desafios numa Igreja Sinodal”, o evento faz parte das comemorações do Ano Jubilar da Diocese e recorda o início da presença missionária católica em Roraima, iniciada oficialmente em 1725.

A programação do dia começa às 17h, com uma Caminhada Jubilar, saindo da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo em direção à Catedral. Durante o percurso, os fiéis passarão por locais históricos como a Prelazia da Diocese, Igreja São Sebastião, Palácio da Justiça e outros pontos que fazem parte da memória e da identidade da fé católica em Roraima.

Segundo Dom Evaristo Spengler, este é um momento de renovação da fé e do compromisso missionário da Igreja em Roraima.

“Este ano de 2025 é um ano de muita graça para nossa Diocese, porque celebramos 300 anos de evangelização nesta terra. A celebração do dia 19 de julho será o ponto alto do nosso Ano Jubilar. Convido a todos a participarem desta Solene Ação de Graças, quando iremos juntos agradecer a belíssima história que Deus constrói com Seu povo em Roraima. Venha rezar conosco e renovar sua fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo”, afirmou o bispo.

Foto: Arquivo da Diocese de Roraima

Participação de todas as comunidades

Para possibilitar a presença de todos os fiéis, não haverá missas nas comunidades da capital no dia 19. Estão confirmadas as participações das paróquias da capital e do interior, divididas por regiões com seus banners, além de representações de pastorais sociais, movimentos familiares, missões indígenas, organizações humanitárias e movimentos católicos.

Outras atividades do Ano Jubilar

Desde janeiro de 2025, a Diocese tem promovido diversas atividades jubilares, como: Missas e momentos de oração em toda a Diocese; peregrinação da imagem de Nossa Senhora Aparecida pelas comunidades; celebrações específicas com indulgência plenária em igrejas jubilares; encontros com comunidades indígenas e rurais e reflexões e formação sobre o tema jubilar.

A celebração integra também as atividades do Jubileu da Esperança, comemorado pela Igreja Católica em todo o mundo.

 Histórico da presença da Igreja Católica em Roraima

A comemoração dos 300 anos de evangelização marca o início oficial da presença missionária católica no atual território de Roraima, datado de 1725, com a chegada dos primeiros missionários carmelitas. Ao longo dos anos, a missão foi reforçada por franciscanos, Diocese de Manaus, beneditinos, e missionários da Consolata.

Durante o período colonial e imperial, a evangelização caminhou lado a lado com a formação das primeiras comunidades cristãs da região. No século XX, a estrutura eclesial se consolidou com a criação da Prelazia do Rio Branco, em 1934, vinculada diretamente à Santa Sé. Com o crescimento populacional e da vida eclesial, a Prelazia foi elevada à Diocese de Roraima em 1979.

Atualmente, a Diocese é liderada por Dom Evaristo Pascoal Spengler e conta com:

Mais de 27 congregações religiosas masculinas e femininas;Cerca de 50 sacerdotes e 70 religiosas em atividade;Aproximadamente 448 comunidades católicas espalhadas pelo estado;Além de 23 pastorais, 20 movimentos eclesiais, 10 organizações humanitárias e centenas de lideranças leigas.

Ao longo de sua trajetória, a Igreja em Roraima tem se destacado não apenas pela evangelização, mas também por sua atuação nas áreas sociais, educacionais, de saúde, direitos humanos e defesa dos povos indígenas. A Diocese é reconhecida por sua ação firme na mediação de conflitos fundiários, na defesa da demarcação de terras indígenas e no acolhimento de populações vulneráveis, como os migrantes.

Nos tempos recentes, diante de desafios como a crise migratória, a Diocese tem mobilizado recursos, voluntários e pastorais para garantir acolhimento, dignidade e integração a quem mais precisa, reafirmando o seu compromisso com o Evangelho e com a justiça social.

Hoje, ao celebrar três séculos de história, a Diocese de Roraima reafirma seu papel como referência de fé, solidariedade e missão, com os olhos voltados para o futuro e a esperança renovada em continuar servindo ao povo de Deus.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima FM

Diocese de Roraima promove formação de Liturgia voltada para Ministros da Palavra e Sagrada Comunhão

Na última quarta-feira (09) de julho de 2025, na Prelazia, a Comissão Diocesana de Liturgia promoveu uma formação voltada para os Ministros da Palavra e os Ministros Extraordinários da sagrada Comunhão.

Estiveram presentes mais de 60 ministros dentre eles, das Paróquias e Áreas missionárias de Boa Vista, e dos Municípios de Mucajaí, Caracaraí, Cantá e Bonfim.

A Comissão de Liturgia, preparou uma semana de formação com a assessoria da Religiosa Irmã Veronice Fernandes – Pia Discípula do Divino Mestre.

Confira a programação da Formação de Liturgia:
Neste dia 09/07, foi voltada para os ministros extraordinários da Palavra e Eucaristia.

No dia 10/07, a formação será no município do Cantá, e a noite para os articuladores de Liturgia.

11/07 – A noite para os coordenadores dos Coroinhas.

Foto: Bia Gomes – Comissão Diocesana de Liturgia
Irmã Veronice Fernandes – Pia Discípula do Divino Mestre – Foto: Bia Gomes – Comissão Diocesana de Liturgia

Rádio Monte Roraima realiza o 2° curso de comunicação para agentes da Pascom da Diocese

Rádio Monte Roraima realiza o 2° curso de comunicação para agentes da Pascom da Diocese

Rádio Monte Roraima realiza o 2° curso de comunicação para agentes da Pascom da Diocese
Foto: João Felipe – Pascom diocesana

A Rádio Monte Roraima realizou, nos dias 5 e 6 de julho, o 2° Curso de Comunicação, no Centro de Formação da Prelazia. A formação foi conduzida pelo professor e doutor Ricardo Alvarenga, autor da Editora Paulinas, doutor em comunicação social, professor da Universidade Federal do Maranhão e Membro do Grupo de Reflexão em Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pelo assessor Ricardo Alvarenga, membro do Grupo de Reflexão em Comunicação da CNBB. O encontro teve como tema “A missão do agente da comunicação”, com o objetivo de formar comunicadores para uma comunicação mais assertiva.

No sábado, 05, os participantes refletiram sobre as orientações do Papa Francisco para a comunicação. Também foram apresentados a estrutura da Pastoral da Comunicação (Pascom), seus eixos de atuação e sua aplicação nas comunidades. Já no domingo, a formação abordou elementos da estrutura do texto jornalístico e orientações sobre a produção de conteúdo para as redes sociais das paróquias e áreas missionárias.

Mais de 50 agentes da Pascom da Diocese de Roraima participaram da formação. O encontro reuniu comunicadores de diversas paróquias da cidade e também do interior do estado. Entre os participantes estava Lene Laynandra, agente da Pascom da Comunidade Santo Isidoro, no município de Caroebe.

Para ela, a formação representa um marco em sua caminhada. “O curso vai abrir as nossas mentes, vai nos preparar e proporcionar um conhecimento que não tínhamos. Aqui estamos tendo a oportunidade de melhorar ainda mais aquilo que estamos oferecendo dentro das nossas comunidades. A comunicação não é uma pastoral qualquer. Ela chega aos doentes, chega dentro de uma casa, dentro de um quarto, para aquela pessoa que está precisando ouvir a Palavra.”

Ricardo Alvarenga, avaliou positivamente a participação da Pascom de Roraima. “Foi uma experiência muito rica, muito gratificante. Tivemos um grupo significativo de comunicadores atentos, participativos, que compartilharam suas experiências e trouxeram questionamentos. Isso, sem dúvida, é o que torna um evento um verdadeiro sucesso”, afirmou.

A coordenadora da Pascom diocesana, Angélica Alves, celebrou o sucesso da formação. “Esse encontro superou as nossas expectativas. Tivemos a presença de mais de 50 pessoas, entre agentes de comunicação, voluntários de instituições humanitárias ligadas à Diocese, além de representantes de pastorais e movimentos. Foram dois dias de muitas conversas, partilhas e esclarecimentos”, relatou.

Angélica também agradeceu a todos aqueles que fazem parte desta pastoral: “Queremos agradecer a todos que fazem comunicação na Diocese de Roraima e dizer que estamos programando outras atividades formativas. Nosso objetivo é comunicar melhor e levar a mensagem do Evangelho a todas as pessoas.”

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

Encontro da Mãe Peregrina em Boa Vista/RR: Momentos de partilha e unidade

Coordenadores, missionários e famílias da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, de Boa Vista/RR, acolheram a Irmã M. Mariane Galina, do Secretariado da Campanha, de Atibaia/SP, entre os dias 28 e 29 de junho, para uma programação marcada por encontros pastorais, momentos de espiritualidade e partilhas.

Encontro com as famílias

No primeiro dia, Ir. M. Mariane se reuniu com o Bispo da Diocese, Dom Evaristo Pascoal Spengler, OFM, e o Pe. Luiz Botteon, Diretor Espiritual do Movimento Apostólico de Schoenstatt na capital, visitou a Rádio Monte Roraima 107.9, emissora da Diocese. Em seguida, conduziu o encontro de formação com as famílias da Campanha da Mãe Peregrina no Centro de Formação da Prelazia, encerrando com a Santa Missa no Santuário de Aparecida, que foi celebrada pelo Pe. Luiz.

Formação de missionários e coordenadores

No dia 28, a programação teve início com a Santa Missa na Igreja Santíssimo Sacramento, presidida pelo Pe. Deivith Zanioli, seguida pela oração do terço na Ermida dedicada à Mãe e Rainha.

Na parte da tarde, conduziu a formação de missionários e coordenadores da Campanha, na sede da Prelazia de Boa Vista, abordando temas ligados à missão e à espiritualidade da Campanha, entregando a “identidade missionária” aos presentes que acompanharam o encontro.

Momento de gratidão

Ao final, todos, participaram da procissão e Missa de São Pedro, celebrada pelo Pe. Josimar Lobo, com grande participação da comunidade.

A visita deixou marcas de fé e comunhão entre os participantes. Maria do Rosário, coordenadora da Campanha, expressou com carinho sua gratidão: “Estou feliz por todos os momentos vividos. Todos estão muito gratos por esse momento de formação. Que Deus abençoe sempre a caminhada da Ir. M. Mariane com a Mãe Peregrina.”

Os encontros de formação fortalecem os laços da missão e promovem momentos de partilha e unidade entre coordenadores, missionários e famílias da Mãe Peregrina. Seguindo os passos de João Pozzobon, promovendo além de escuta, a renovação da Campanha para toda comunidade.

Fonte: Secretariado da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt | Atibaia

Imagem da audiência com o Papa

Card. Spengler reforça convite ao Papa para participar da COP30

https://youtu.be/jpvueAwxx-E

O governo brasileiro já havia apresentado um convite oficial ao Santo Padre e que foi reforçado pelos cardeais brasileiros após o conclave. “Está aberta a possibilidade de acordo com a agenda do Papa. Ele tem sim consciência da importância e do lugar da palavra da Igreja nesse contexto de COP30. Vejamos qual será a resposta e a posição do Papado a partir do nosso convite”, afirma o cardeal

Em audiência conjunta, o Papa Leão XIV recebeu na manhã desta terça-feira, no Vaticano, o presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), card. Jaime Spengler, acompanhado do presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), card. Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, e do presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM), card. Fridolin Ambongo Besungu, e do secretário-geral do CELAM,  dom Lizardo Estrada Herrera.

Juntos, eles entregaram o documento “Um chamado por justiça climática e a casa comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções” em vista da COP30 de Belém do Pará, que será realizada em novembro. Sucessivamente, o texto foi apresentado aos jornalistas na Sala de Imprensa da Santa Sé.

Além das mudanças climáticas, foram levados ao Pontífice temas comuns a estes três continentes, como a “Praedicate Evangelium”, sobre a reforma da Cúria Romana, que traz implicâncias para todo o contexto eclesial, analisando como cooperar para a aplicação deste documento nas realidades locais. Também foram mencionados os grupos de trabalho criados a partir do último Sínodo sobre a sinodalidade.

“A audiência foi marcada por uma cordialidade muito boa. O Santo Padre demonstra uma capacidade de escuta interessada em cada um dos temas que nós trouxemos. Foi uma hora e quinze de uma conversa certamente rica e, oxalá, frutífera.”

Imagem da audiência com o Papa

Imagem da audiência com o Papa   (@VATICAN MEDIA)

Participação na COP30

Quanto ao convite para participar da COP30, card. Spengler recorda que o governo brasileiro já havia apresentado um convite oficial ao Santo Padre e que, após o conclave, também os cardeais brasileiros sinalizaram sobre essa possibilidade.

“Agora, a partir do convite oficial do governo brasileiro, nós voltamos a este convite de uma forma mais incisiva. O que ele nos diz é: existe sim a agenda do Jubileu em Roma, que está concentrada na segunda quinzena de novembro. E ele possui também na agenda uma viagem em vista dos 1700 anos do Concílio de Niceia. Está aberta a possibilidade de acordo com a agenda do Papa. Ele tem sim consciência da importância e do lugar da palavra da Igreja nesse contexto de COP30. Vejamos qual será a resposta e a posição do Papado a partir do nosso convite.”

O momento dos presentes

O momento dos presentes   (@VATICAN MEDIA)

Fonte: Vatican News

“Um chamado por justiça climática e a Casa Comum”: um documento que “não vai se restringir às nossas sacristias”

O Papa Leão XIV recebeu em audiência privada no dia 1º de julho o presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), o cardeal Jaime Spengler, o representante das Conferências Episcopais da África, o cardeal Fridolin Ambongo Besungu, e o representante das Conferências Episcopais da Ásia, cardeal Felipe Neri. No encontro foi entregue ao Santo Padre o documento: “Um chamado por justiça climática e a Casa Comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”.

Um documento gerado no Sul Global

O texto (ler aqui na íntegra), fruto de um profundo discernimento coletivo das igrejas da América Latina, África, Ásia, expressa a visão e as propostas da Igreja Católica do Sul Global em relação à COP30, e contém os principais pontos de incidência política, propostas e denúncias da Igreja com respeito à crise climática e às pautas em debate no contexto da Conferência das Organizações Nações Unida (ONU) sobre o Clima que acontecerá no Brasil, em novembro de 2025.

Junto com o texto, o encontro com o Papa foi oportunidade para conversar sobre a Praedicate Evangelium, suas implicâncias para todo o contexto eclesial e como as conferências episcopais podem cooperar para a aplicação deste documento nas realidades locais, segundo o cardeal Spengler. O presidente do Celam disse que também foi abordado o tema das conferências episcopais e do serviço dos núncios, como representantes do Papa, nos diversos contextos eclesiais, seguindo o trabalho realizado nos grupos do Sínodo sobre a Sinodalidade.

Um texto que foi utilizado pela Igreja Católica como base para as discussões bilaterais na Conferência de Bonn, na Alemanha, realizada entre os dias 16 e 26 de junho deste ano, como uma etapa preparatória para a COP30. O documento será entregue no dia 2 de julho à ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, Marina Silva, reforçando o compromisso da Igreja Católica com o diálogo e a ação conjunta. No dia 3 de julho, o texto será apresentado em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, buscando ampliar a discussão e engajar o poder legislativo nesta causa tão urgente.

A Igreja do Brasil pioneira em ecologia

No Brasil, “a Igreja católica poderia ser considerada uma das pioneiras para pautar o tema da ecologia”, segundo o arcebispo de Goiânia e vice-presidente primeiro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele lembrou na coletiva de imprensa realizada na sede da CNBB, que já em 1979 a Campanha da Fraternidade teve como tema “Preserve o que é de todos”. Ele insistiu em que “quando nós olhamos para a realidade dos problemas que envolvem o cuidado com a criação, aí também nós queremos ter uma presença a partir da nossa fé. O Evangelho também nos ilumina a cuidar da criação, dom de Deus”.

O vice-presidente primeiro da CNBB recordou que a Igreja do Brasil realiza o chamado ‘Junho Verde’, uma campanha dedicada à defesa da Casa Comum e à promoção da sustentabilidade. Com relação à COP30, dom João Justino, disse que “um evento desta natureza e desta significação não pode ficar restrito a governantes e cientistas. Ele precisa chegar a um número sempre maior de pessoas, mesmo porque os impactos da crise climática não vêm só para uns, vem para todos”.

Diante disso, “o objetivo é exatamente estimular a participação neste processo, envolvendo sempre mais ou sempre um número maior de pessoas”, segundo o arcebispo de Goiania. Isso levou a CNBB a organizar pre-COPs para aprofundar no estudo dessa temática com a participação de cientistas e das pessoas que lidam diretamente com esses impactos, sobretudo nos movimentos ambientalistas, também nas pastorais sociais e outras práticas que nascem da fé e do compromisso social.

Um documento profético

O documento apresentado ao Papa, segundo o bispo de Livramento de Nossa Senhora e presidente da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente de Paula Ferreira, que participou de sua elaboração, “tem uma profecia muito grande”, que faz “um chamado por justiça climática e a casa comum, conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”.

O bispo destacou três elementos: um documento de denúncia das falsas soluções, inclusive ao chamado capitalismo verde, que coloca esse rótulo em projetos altamente destrutivos do meio ambiente, sustentados no modelo econômico do lucro, da exploração ilimitada das nossas fontes naturais, sendo o Sul Global quem paga o preço mais alto. O segundo elemento é o anúncio, porque o documento mostra que as soluções estão na proteção das comunidades, dos povos originários, nos pequenos agricultores, na defesa das florestas, dos rios, na defesa da biodiversidade. Finalmente, o engajamento das igrejas, sendo um documento que coloca a pauta ecológica, a ecologia integral, a crise climática, a partir de um ponto de vista teológico. “É uma leitura teológica, não é apenas uma questão de leitura política, é o que tem de fato a ver a nossa fé cristã”, enfatizou.

Um documento que “não vai se restringir às nossas sacristias, ele vai ganhar o mundo”, sublinhou dom Vicente Ferreira. Ele vê no documento um instrumento para o diálogo dentro da Igreja Católica e com a sociedade global, levando a proteger a proteger a casa comum, “porque somos seus guardiães.” Nessa perspectiva, as propostas concretas, elas nascem a partir da conscientização do povo, das comunidades eclesiais. Nesse sentido deve ser entendido quando o texto fala de sobriedade feliz, do encantamento, como elementos que devem passar pelos corações de toda pessoa, gerando menos consumo, menos exploração, mais respeito, mais encantamento, mais louvor das criaturas.

A importância da COP30

Junto com isso, a necessidade de incidência política diante de projetos de Lei que visam a flexibilização ainda maior das licenças ambientais, que seria um desastre para as comunidades. “A Igreja Católica está sendo profética ao denunciar, a não querer que isso vá à frente”, segundo dom Vicente Ferreira, que também falou dos muitos gestos concretos que transformam a realidade e das escutas que estão sendo realizadas em vista da COP30.

Dom João Justino de Medeiros insistiu na importância da oportunidade de participar dessa discussão que acontecerá no Brasil e que ele espera tenha uma ressonância mundial. É por isso que entregar o documento apresentado ao Papa à ministra do Meio Ambiente, na Câmara dos Deputados e no Senado, é um modo de apresentar as perspectivas da Igreja Católica e as experiências vividas na base com relação a essa temática e que podem aportar uma palavra interessante.

Fonte: Luis Miguel Modino