A missa de encerramento foi presidida por Dom Evaristo Spengler na Catedral Cristo Redentor, em Boa Vista
Foto: Pascom Catedral
Na manhã deste domingo, 28 de dezembro, Dom Evaristo Spengler, bispo de Roraima, presidiu a missa de encerramento do Ano Jubilar na Diocese de Roraima. A celebração ocorreu em comunhão com todas as dioceses do Brasil, durante a festa da Sagrada Família de Nazaré, e concedeu aos fiéis a Indulgência Plenária.
A Porta Santa na Diocese de Roraima foi aberta em janeiro de 2025 e, ao longo do ano, foi marcada por diversas celebrações jubilares. Em sua homilia, Dom Evaristo destacou momentos significativos vividos pela Igreja local.
“Tivemos momentos importantes, como a celebração do dia 19 de julho, quando comemoramos os 300 anos de evangelização nesta terra, além do Jubileu dos Povos Indígenas, o Jubileu da Família, o Jubileu dos Vocacionados e tantos outros que aconteceram ao longo deste ano”, afirmou.
O bispo também ressaltou as visitas pastorais realizadas durante o Ano Jubilar, quando percorreu as comunidades, paróquias, áreas missionárias e missões indígenas da diocese.
“Ao longo do ano, pude visitar todas as paróquias em visita pastoral, buscando caminhar na mesma direção, segundo a inspiração do Espírito Santo. Hoje, vivemos juntos o encerramento deste Ano Jubilar, que teve seu ponto culminante na peregrinação diocesana do dia 19 de julho, quando viemos a esta Catedral”, destacou.
Segundo Dom Evaristo, o momento central do Ano Jubilar ocorreu em julho, durante a celebração dos 300 anos de evangelização em Roraima, quando refletiu sobre a missão e a caminhada da Igreja no estado. Na celebração de encerramento, ele retomou três imagens utilizadas em sua homília na celebração dos 300 anos.
“Gostaria de retomar três imagens que usei na celebração dos 300 anos de evangelização: a semente, o rio e o óleo. Deus nos recorda o caminho percorrido nesses trezentos anos. Vocês semearam a boa semente do Evangelho, atravessaram rios difíceis, mas foram ungidos com o óleo da esperança. Agora, Deus nos diz: sigam em frente, porque a missão continua.”
O encerramento do Ano Jubilar foi celebrado juntamente com a festa da Sagrada Família de Nazaré. Em sua reflexão, Dom Evaristo destacou o significado dessa celebração para a vida das famílias cristãs.
“Hoje celebramos a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Uma família simples, que enfrentou perseguições, conheceu o medo, a incerteza e o exílio. O sustento dessa família foi a confiança em Deus. Por isso, a Igreja a propõe como referência para todas as famílias cristãs”, concluiu.
Em sua homilia durante a celebração eucarística na Basílica Papal, o cardeal arcipreste reafirmou o tema central do Jubileu: uma confiança capaz de atravessar a história sem ceder ao “otimismo ingênuo”.
A esperança cristã não foge das guerras, das crises, das injustiças e da desorientação que o mundo vive hoje. Foi o que disse o arcipreste da Basílica Papal de São Paulo Fora dos Muros, cardeal James Michael Harvey, em sua homilia durante a celebração eucarística com o rito de fechamento da Porta Santa, presidida na manhã deste domingo, 28 de dezembro. Evadir, fugir da realidade das próprias limitações e imperfeições, da história coletiva ferida de hoje, ou permanecer, acorrentado em suas próprias prisões internas, permitindo que a resignação se torne hábito e, depois, ferida. Dois movimentos opostos e complementares, como a abertura e o fechamento de uma Porta Santa. Contudo, nestes dois últimos, preservamos a memória de uma misericórdia que não se consome, de uma “salvação já doada” que, uma vez inserida na história, torna-se semente capaz de germinar sem murchar. Este é o horizonte de significado evocado pelo cardeal.
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Paz e a única esperança
O sol alto acima da estátua de São Paulo, no centro do quadripórtico da Basílica, aquece os fiéis reunidos, amenizando as temperaturas gélidas do inverno. A Porta Santa está situada à direita da fachada, sob cuja cruz encontra-se a inscrição “Spes unica”. E “a única esperança”, como o cardeal estadunidense lembrou na missa, reside na “Cruz de Cristo”: uma esperança pascal que brota da doação incondicional de si e “floresce na nova vida da ressurreição”. Em vez disso, a frase gravada na Porta Santa que acompanhou os peregrinos ao longo do ano — “Ad sacram Pauli cunctis venientibus aedem – sit pacis donum perpetuumque salus” — torna-se uma esperança constante de que o “dom da paz” possa realmente se espalhar em um mundo marcado por “guerras, crises, injustiças e confusão”.
O fechamento da Porta Santa
O rito de fechamento foi marcado por um silêncio contemplativo que acompanhou o cardeal Harvey em direção à Porta Santa, cujos três painéis recordam os três anos preparatórios para o Ano Santo de 2000, encomendados por São João Paulo II e dedicados ao Pai, rico em misericórdia, ao Espírito Santo, principal agente da evangelização, e ao Filho Redentor. O cardeal ajoelhou-se diante da Porta Santa e, após alguns momentos de reflexão em oração, a fechou.
Esperança em meio às “dificuldades da vida”
“A misericórdia de Deus permanece sempre aberta”, disse o cardeal em sua homilia. Ele convidou a prosseguir no caminho de “conversão e esperança” inspirado pelo Ano Santo. No lugar confiado à memória de São Paulo, as palavras da Carta aos Romanos ressoam com particular força: “a esperança não decepciona”, que acompanharam todo o Jubileu. Um “lema” que é muito mais do que isso: uma verdadeira “profissão de fé”. O Apóstolo dos Gentios, de fato, confia essas palavras à história consciente das “dificuldades da vida”, tendo experimentado a prisão, a perseguição e o “aparente fracasso”. Contudo, a esperança não desfalece, porque não se fundamenta em frágeis capacidades humanas, mas “no amor fiel de Deus”.
Entrar no espaço da misericórdia
A Porta Santa não é, portanto, um mero limiar material, mas um pórtico a ser atravessado, deixando para trás “o que pesa no coração” para entrar “no espaço da misericórdia”. Atravessá-la significa, acrescentou o cardeal arcipreste, renunciar a toda “pretensão de autossuficiência” e confiar-se humildemente “Naquele que pode dar sentido pleno às nossas vidas”. O pórtico também está ligado à caminhada penitencial, como um lugar “de reentrada na comunhão” e “um sinal do retorno à casa do Pai”. Um gesto que, ao longo dos anos, não perdeu sua força simbólica: “Deus nunca fecha a porta ao homem; é o homem que é chamado a atravessá-la”.
Aguardar a salvação já doada
A esperança, mas também a fé e a caridade, foram definidas pelo Papa Francisco como o “coração da vida cristã”. A virtude associada ao Jubileu de 2025, afirmou o cardeal Harvey, vai muito além do “otimismo ingênuo” e de qualquer “fuga da realidade”. Como ele mesmo recordou por ocasião da abertura da Porta Santa, em 5 de janeiro passado, não se trata de uma “palavra vazia” ou de um “vago desejo de que as coisas deem certo”. Esperar significa aguardar com confiança a “salvação já doada” e ainda a caminho para a sua realização. Uma realização que se desdobra na história da humanidade, a ser percorrida com o olhar “fixo em Cristo”, enfrentando a dor na certeza de que “a última palavra pertence à vida e à salvação”.
A coragem de descer na profundidade, livre das correntes
A esperança, portanto, está longe de ser abstrata, transmitida através da “conversão do coração” e da experiência libertadora do perdão vivida no sacramento da Reconciliação. O Papa Francisco insistiu nesse aspecto, e seu sucessor, Leão XIV, retomou-o, como lembrou Harvey, explicando que a esperança se alimenta da coragem de “descer na profundidade”, cavando “sob a superfície da realidade” e rompendo a “crosta da resignação”. Uma virtude frágil, mas com imenso potencial: o de “mudar o mundo”.
O cardeal evocou mais uma vez a figura de São Paulo, que, tendo experimentado a sua própria fraqueza, afirmou na Segunda Carta aos Coríntios que foi precisamente dela, através do seu encontro com Cristo, que tirou a sua força. As correntes das prisões em que esteve confinado — de Filipos a Jerusalém, de Cesareia a Roma — não sufocaram o seu anseio de confiança, consolação e esperança. “Nenhuma prisão pode extinguir a liberdade interior de quem vive em Cristo.”
A maior esperança
À esperança, recordou o cardeal Arcipreste, o Papa Bento XVI dedicou a Encíclica Spe Salvi, na qual enfatizou como o homem precisa de “muitas esperanças” para iluminar o seu caminho: pequenas e grandes, mas todas convergindo para a única grande esperança, o próprio Deus, na sua “face humana”, manifestada como uma “realidade viva e presente” que abraça toda a história da humanidade. Um amor que sustenta a perseverança na vida quotidiana, mesmo num mundo marcado pela “imperfeição e limitação”, porque garante a existência daquilo que o homem deseja em última instância: “A vida que é verdadeiramente vida”.
A responsabilidade do peregrino
Passar pela Porta Santa torna-se, assim, um convite a “voltar ao mundo”, testemunhando o dom recebido no ordinário. Um caminho tanto interior quanto concreto, que começa com o reconhecimento das próprias limitações e da “incompletude do olhar”, confiando-se à orientação do Senhor. Um processo passo a passo, como na oração, na confiança de que cada passo é suficiente. Cada peregrino, enfatizou Harvey, carrega consigo a responsabilidade de ser uma testemunha crível do que recebeu, um “sinal humilde, porém luminoso, da presença de Deus” num mundo marcado por “divisões e medo”.
As portas abertas do coração
Um fardo que os santos assumiram, permanecendo fiéis ao seu lugar na história e vivendo a esperança da vida cotidiana, como a Sagrada Família de Jesus, Maria e José, lembrada na liturgia de hoje: uma vida comum de trabalho silencioso, “cuidado recíproco” e escuta da vontade de Deus nas dobras da existência. Gestos repetidos com amor e, portanto, capazes de brilhar, sustentados por uma confiança que “persevera mesmo na escuridão”. “Com o fechamento da Porta Santa”, disse o cardeal, “que a porta da fé, da caridade e da esperança permaneça aberta em nossos corações. Que a porta da missão permaneça aberta, porque o mundo precisa de Cristo.”
A Porta Santa da Basílica de São Paulo Fora dos Muros foi a terceira basílica papal a ser fechada. A primeira foi a de Santa Maria Maior, no dia de Natal. Na manhã de sábado, 27 de dezembro, foi a vez de São João de Latrão. Leão XIV fechará a Porta Santa da Basílica de São Pedro em 6 de janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor.
O rito presidido foi presidido na manhã deste sábado pelo cardeal vigário, arcipreste da basílica.
“Hoje, ao fecharmos a Porta Santa, elevamos um hino de ação de graças ao Pai por todos os sinais do seu amor por nós, enquanto guardamos em nossos corações a certeza e a esperança de que o seu abraço de misericórdia e paz permanece aberto a todos os povos.” A oração do vigário do Papa para a Diocese de Roma, cardeal Baldassare Reina, ressoa no átrio da Basílica de São João de Latrão.
Na manhã deste sábado, 27 de dezembro, realizou-se solenemente o rito de fechamento da Porta Santa na “Mãe de Todas as Igrejas”. O cardeal aproximou-se em silêncio, ajoelhou-se no limiar da porta em oração. Em seguida, levantou-se e fechou a ampla porta, inclinando a cabeça em veneração. Depois dele, muitos fiéis aproximam-se e colocaram as mãos sobre ela em gesto de oração e recolhimento.
Levar o Senhor pelas ruas de Roma
Em 29 de dezembro de 2024 essa mesma Porta foi aberta. Naquela ocasião, era a festa da Sagrada Família. Neste sábado, a Igreja recorda São João Evangelista, “o discípulo que se tornou o amigo mais querido de Jesus”, enfatizou o cardeal durante a missa que se seguiu. João “caminhou com Jesus, ouviu a sua voz, mesmo a voz silenciosa, a do seu coração, encostando o ouvido no seu peito”, prosseguiu o purpurado. Seguindo o seu exemplo, portanto, os fiéis presentes, incluindo o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, e o representante do Governo, Lamberto Giannini, foram convidados a serem “ministros da misericórdia de Deus”, permitindo que o Senhor “encontre a sua plenitude numa cidade onde muitos perderam a esperança”.
O peso da ausência
Não se pode — advertiu o cardeal arcipreste — professar a fé cristã sem se preocupar com aqueles que, “por causa dos fardos que devem carregar, da dor que sofrem, das injustiças que suportam”, conseguem perceber apenas a ausência. Essa ausência, que Reina descreveu em todas as suas facetas dramáticas, é uma falta de “solidariedade na lacuna entre a periferia e o centro; de atenção às dificuldades econômicas e existenciais; de fraternidade na qual nos resignamos, mesmo no presbitério, a permanecer sozinhos ou a sermos deixados sozinhos”. E ainda: “A ausência na qual as famílias se dispersam, os laços enfraquecem, as gerações se opõem umas às outras, os vícios se tornam correntes”; a falta de “justiça que não responde ao nobre chamado da política de remover os obstáculos para que todos possam encontrar oportunidades iguais para se realizarem, dar forma aos seus sonhos, consolidar sua dignidade, com trabalho e salários justos, ter um lar, ser protegidos e cuidados em sua fragilidade”.
Vencer a inércia para transfigurar a cidade
Os corações de muitos, continuou o cardeal, estão sobrecarregados pela privação “de visão e pensamento num tempo em que as paixões se tornaram tristes, os julgamentos se tornaram sumários, a informação perdeu o contato com a busca da verdade e a cultura não tem mais mestres críveis”. Sem mencionar “a ausência de paz num mundo onde prevalece a lógica do mais forte”. Toda essa falta de profecia “silencia Deus”, enfatizou o arcipreste, exortando os fiéis a se oporem a “toda inércia, para que possamos encontrar o Senhor” e transfigurar “nossa cidade”, em todos os seus espaços “sociais e existenciais”.
Reconhecer a todos como irmãos
Esta é “a esperança que moveu os muitos peregrinos que deixaram suas pegadas em nossas ruas, carregados pelos fardos que pesavam em seus corações”, e que imprimiram “seus carinhos” na Porta Santa, buscando a Deus e Sua misericórdia. Este é o ensinamento que o Jubileu deixa a cada fiel: “Um sacramento difundido pela proximidade do Deus das surpresas”. Porque, mesmo que a Porta Santa esteja agora fechada, “o Ressuscitado passa por ela e nunca se cansa de bater, para oferecer e encontrar misericórdia”. Além disso, recordou Reina, no fim dos tempos “seremos julgados pelo Amor”, por sermos capazes de reconhecer a todos como irmãos, inclusive “aqueles que consideramos inimigos”.
Que a Igreja de Roma seja um laboratório de sinodalidade
No “tempo novo” que agora se inicia para a Diocese de Roma, o purpurado convidou a unir “as orações e esforços para ser um lugar que revele a presença do Senhor, que testemunhe sua proximidade, tornando-se próximos uns dos outros, sem esquecer ninguém”. Somente assim — enfatizou Reina, citando Leão XIV e seu discurso de 19 de setembro à Diocese de Roma — a Igreja poderá se tornar um “laboratório de sinodalidade capaz de realizar o Evangelho”.
Que a chama da esperança permaneça acesa
Durante a oração dos fiéis, foi feita uma oração por uma Igreja “cada vez mais santa e fecunda”. No Ano Jubilar, rezamos ainda para que “a chama da esperança”, reacendida nos corações dos fiéis, “continue ardendo nas comunidades, sustentando os seus passos incertos e hesitantes, consolando os que estão na provação e torne cada um uma testemunha alegre do Evangelho”. Por fim, ofereceu-se uma intenção especial, pedindo ao Senhor que dissipe “as trevas do mal que ainda envolvem o mundo e guie os passos dos povos no caminho da paz”.
Caridade e hospitalidade
Antes de proferir a solene bênção final, o cardeal Reina expressou sua gratidão a todos os que trabalharam em 2025. Recordou a proximidade do Papa e saudou o arcebispo Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização e responsável pela organização do Jubileu, que estava presente na missa. Expressou gratidão às autoridades civis e militares que garantiram a segurança durante este Ano Santo. Agradeceu aos muitos voluntários e fiéis da diocese que praticaram a “caridade e a hospitalidade” para com os numerosos peregrinos. E, como anunciado nos últimos dias, convidou os jovens para o encontro com Leão XIV, marcado para 10 de janeiro na Sala Paulo VI. Por fim, fez votos de que o novo ano seja “rico da paz do Senhor e entre os povos”. A celebração encerrou-se com o tradicional cântico natalino “Tu desces das estrelas”, cantado pelo coro da Diocese de Roma, dirigido por monsenhor Marco Frisina.
A Porta Santa
Na história dos Jubileus, a Porta Santa da Basílica de São João de Latrão — localizada à direita do pórtico — foi a primeira a ser aberta, durante o Ano Santo de 1423. Foi o Papa Martinho V, sepultado diante do altar-mor, quem identificou na travessia da Porta o que se tornou, desde então, o símbolo essencial da peregrinação jubilar: passar pelo verdadeiro limiar, que é Cristo, para receber o dom de sua graça. A atual Porta Santa foi criada pelo escultor Floriano Bodini para o Jubileu do ano 2000. A obra retrata a Virgem com o Menino, Cristo Crucificado e o brasão de São João Paulo II. A mãe protege o Menino que estende a mão em direção à Cruz, afirmando sua Divindade eterna através do sacrifício.
Outros ritos de encerramento
A Porta Santa de São João de Latrão foi a segunda das Basílicas Papais a ser fechada. Na tarde de 25 de dezembro, Solenidade do Natal do Senhor, foi a vez de Santa Maria Maior, com o rito presidido pelo cardeal arcipreste Rolandas Makrickas. No domingo, 28 de dezembro, Festa da Sagrada Família, será a vez de São Paulo Fora dos Muros. O cardeal arcipreste James Michael Harvey presidirá a celebração. Por fim, em 6 de janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor, Leão XIV fechará a Porta Santa da Basílica de São Pedro.
Na tarde deste dia 25 de dezembro, na Basílica Liberiana, o rito de fechamento da Porta Santa.
Foto: Fechamento da Porta Santa da Basílica papal de Santa Maria Maior. (ANSA)
As badaladas da Sperduta, o antigo sino que remete ao sentido da peregrinação, acompanham o fechamento da Porta Santa da Basílica papal de Santa Maria Maior. No crepúsculo de 25 de dezembro, solenidade do Natal do Senhor, em uma Roma banhada por uma chuva contínua, muitos peregrinos assistem, dentro do templo mariano, ao antigo rito, presidido pelo cardeal arcipreste Rolandas Makrickas. “Ao fecharmos esta Porta Santa, acreditamos que o coração do Ressuscitado, fonte inesgotável de vida nova, permanece sempre aberto para aqueles que nele esperam”, afirma.
Um ritual antigo e solene
Então, em silêncio, o cardeal sobe os degraus que conduzem à Porta. E, sempre em silêncio, ajoelha-se na soleira, permanecendo ali em oração. Por fim, levanta-se e fecha as portas. Passou-se quase um ano desde a sua abertura, ocorrida em 1º de janeiro de 2025. A escolha de fechá-la em 25 de dezembro não é casual: em Santa Maria Maior, de fato, são guardadas as relíquias da Manjedoura onde foi colocado o Menino Jesus recém-nascido.
Tornar-se portas abertas para os outros
“O que se fecha não é a graça divina, mas um tempo especial da Igreja, e o que permanece aberto para sempre é o coração misericordioso de Deus”, sublinha o cardeal Makrickas durante a missa que segue o rito e que é animada pela Capela Musical Liberiana, que neste Ano Jubilar celebra o 480º aniversário de sua fundação formal.
“Hoje vimos a Porta Santa se fechar”, sublinha ainda o cardeal, “mas a porta que realmente importa continua sendo a do nosso coração: ela se abre quando escuta a Palavra de Deus, se dilata quando acolhe o irmão, se fortalece quando perdoa e pede perdão”. Daí o convite para lembrar que “atravessar a Porta Santa foi um dom e, a partir de hoje, tornar-nos portas abertas para os outros é a nossa missão para o futuro”. Um gesto simples e solene torna-se, assim, “memória grata e missão corajosa”.
Momento do fechamento da Porta Santa (AFP)
Um Jubileu, dois Papas
Na homilia, o arcipreste destaca a particularidade do Jubileu da esperança que está prestes a terminar: um Ano Santo iniciado pelo Papa Francisco e depois continuado pelo Papa Leão. Um precedente semelhante só se encontra no Ano Santo de 1700, iniciado por Inocêncio XII e encerrado por Clemente XI. Mas hoje, como então, tratou-se de “uma passagem do testemunho e da liderança que nos entrega a imagem da vida da Igreja que nunca se interrompe”. Porque “o Senhor nunca abandona a Sua Igreja”.
A paz é possível
O Jubileu da Esperança, continua o cardeal, foi “um momento em que a Igreja anunciou, mais uma vez ao mundo inteiro, que Deus não está longe, que a paz é possível, que a misericórdia é mais forte do que o pecado”. E, seguindo os passos dos pontífices Bergoglio e Prevost, Makrickas lembra que a esperança não é ilusão, nem evasão, nem otimismo ingênuo, mas “força concreta que abre novos caminhos”, “decisão no sinal do amor”, “participação na vida do Verbo feito carne, luz que nenhuma noite pode apagar”.
A esperança nasce da acolhida
O ano jubilar, portanto, não é “um evento a ser arquivado ao seu término, mas um convite a permanecer à escuta do Filho, porque sem a escuta da Palavra, a esperança se apaga”. O exemplo a seguir, acrescenta o cardeal arcipreste, é o de Maria, que “ensinou a todos que a esperança nasce da acolhida: acolher Deus na vida, acolher o outro, acolher o futuro sem medo”. Só assim, ou seja, deixando Deus entrar no coração, é possível abrir a verdadeira Porta Santa, “a da misericórdia, da reconciliação, da fraternidade”.
Traduzir o Ano Santo em gestos concretos
Por fim, da Basílica que guarda o ícone mariano da Salus Populi Romani, bem como os restos mortais do Papa Francisco e de vários outros Pontífices, o cardeal Makrickas convida os fiéis a traduzir os momentos fortes do Jubileu em oração renovada, atenção concreta aos pobres, reconciliação nas famílias, compromisso criativo no trabalho, presença misericordiosa na comunidade. Só assim, de fato, será possível ter a coragem de ser “uma Igreja com o Evangelho nas mãos e o irmão no coração”.
Momento da celebração Eucarística (@VATICAN MEDIA)
A oração pelos pobres
Durante a oração dos fiéis, intenções particulares são elevadas pela Igreja, para que seja sempre fiel à sua missão de anunciar a Boa Nova; pelos peregrinos que atravessaram a Porta Santa, para que, renovados na esperança, testemunhem o amor do Senhor; por aqueles que buscam a verdade, para que encontrem em Deus a luz, a Palavra e a força que vencem as trevas, a dúvida e o cansaço.
Reza-se então pela assembleia e pela sua vontade de uma “atenção renovada às necessidades dos pobres”. A missa termina com as notas do tradicional canto natalino Astro del ciel e com a bênção solene do cardeal arcipreste.
A Virgem Maria, Salus Populi Romani
Realizada pelo escultor Luigi Enzo Mattei e inaugurada por São João Paulo II em 8 de dezembro de 2001, a Porta Santa da Basílica Liberiana foi aberta pela primeira vez pelo Papa Francisco em 1º de janeiro de 2016, por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Inspirada na imagem do homem do Sudário, ela representa Cristo aparecendo à Virgem Maria, Salus Populi Romani. No canto superior esquerdo, a Anunciação a Maria e, à direita, o Pentecostes. No canto inferior esquerdo, o Concílio de Éfeso, que decretou Maria Mãe de Deus, e, à direita, o Concílio Vaticano II, que a proclamou Mãe da Igreja.
O fechamento das outras Portas Santas
A Porta Santa da Basílica Liberiana foi a primeira, entre as basílicas papais, a ser fechada. Na manhã deste sábado, 27 de dezembro, será a vez de São João de Latrão, enquanto no dia seguinte, domingo, 28 de dezembro, festa da Sagrada Família, será a vez de São Paulo Fora dos Muros. Os ritos serão presididos pelos respectivos cardeais arciprestes, Baldassare Reina e James Michael Harvey. Leão XIV fechará a Porta Santa da Basílica do Vaticano no próximo dia 6 de janeiro, solenidade da Epifania do Senhor.
Entre os locais de celebração estão a Catedral Cristo Redentor, o Santuário Nossa Senhora Aparecida, paróquias do centro e comunidades.
Em celebração ao Natal, as igrejas católicas de Boa Vista prepararam uma programação especial de missas para a Véspera de Natal, nesta quarta-feira (24), e para o Dia de Natal, na quinta-feira (25). Entre os locais de celebração estão a Catedral Cristo Redentor, o Santuário Nossa Senhora Aparecida, paróquias do centro e comunidades localizadas em diversos bairros da cidade, oferecendo aos fiéis múltiplas oportunidades de comungar da fé e celebrar em família o nascimento de Jesus Cristo.
O bispo diocesano de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, destacou o verdadeiro sentido do Natal como um convite à renovação da fé e ao encontro com Jesus Cristo.“Neste Natal, nós somos convidados a contemplar a verdade que ilumina a nossa fé: Jesus, a verdadeira luz que vem a este mundo. A luz que veio para nos salvar e nos fazer participantes da sua vida divina”, afirmou o bispo. Ele reforça que o Natal celebra “um Deus que não ficou distante, mas que armou a sua tenda entre nós, assumindo a nossa humanidade, as nossas lutas, os nossos medos, os nossos anseios”. Dom Evaristo finaliza sua mensagem desejando: “Que este Natal seja um encontro verdadeiro com Jesus. Que ele renove em nós a fé, a esperança e o amor. Feliz, santo e abençoado Natal”.
Programação das Missas de Natal:
MISSAS – VÉSPERA DE NATAL (24/12)
Paróquia São Mateus: 18h30 – Comunidade São Mateus (Rua Bacabeira, 664 – Caçari)
Paróquia São Francisco: 17h00 e 19h00 Paróquia São Francisco (Av. Capitão Júlio Bezerra, 775 – São Francisco)
Paróquia Santo Antônio de Sant’Anna Galvão:
07h00 – Comunidade Bom Pastor (Av. São Joaquim, 424 – Dr. Silvio Leite)
19h30 – Comunidade Santo Antônio (Rua Lambari, 425 – Santa Tereza)
21h00 – Comunidade Bom Pastor (Av. São Joaquim, 424 – Dr. Silvio Leite)
Paróquia Santos Arcanjos:
19h30 – Comunidade São Francisco (Rua Turquesa, 338 – Jóquei Clube)
Paróquia São Jerônimo:
18h30 – Comunidade São Bento (Av. General Ataíde Teive, 2386 – Liberdade)
Na tarde desta segunda-feira, 15 de dezembro, realizou-se a tradicional e sugestiva cerimônia de apresentação do presépio e do acendimento da árvore de Natal.
O Batistério de Santa Maria maior da cidade italiana de Nocera Superiore, a fonte Helviusde Sant’Egidio del Monte Albino e os típicos pátios do Agro Nocerino-Sarnese: são os elementos arquitetônicos – outrora habitados por Santo Afonso Maria de Ligório, pelos servos de Deus Enrico Smaldone e Alfonso Russo – que fazem parte do cenário, neste ano, do presépio da Praça São Pedro, revelado aos fiéis, peregrinos e turistas na tarde desta segunda-feira, 15 de dezembro. A decoração foi inaugurada juntamente com a árvore de Natal, um abeto vermelho da Val d’Ultimo, na província italiana de Bolzano, com 25 metros de altura, doação dos municípios de Lagundo e Ultimo, que foi iluminada com centenas de luzes intermitentes de cores variadas.
Sinais de esperança e luz que Deus dá à humanidade
A cerimônia, que se realizou enquanto o crepúsculo caía na Praça São Pedro, foi presidida por Irmã Raffaella Petrini, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, na presença do arcebispo Emilio Nappa e do advogado Giuseppe Puglisi-Alibrandi, secretários-gerais do mesmo Governatorato. A religiosa saudou as delegações dos locais de origem do presépio e da árvore e todas as pessoas reunidas para o evento após a execução do hino do Estado da Cidade do Vaticano pela banda do Corpo da Gendarmeria do Vaticano e, em seguida, destacou que as duas instalações são “sinais visíveis da esperança e da luz que o Senhor continua a dar à humanidade”.
Em particular, o presépio “quer recordar a admiração de Santo Afonso Maria de Ligório que, ao contemplar o mistério da Encarnação, compôs o famoso canto Tu scendi dalle stelle”. E foi precisamente esse canto que deu nome à instalação. “O presépio, tão querido pela tradição cristã, nos acompanha no caminho rumo ao Natal, propondo aos homens e mulheres de nosso tempo o que aconteceu há mais de 2000 anos em Belém: o nascimento do Salvador, o mistério de Deus que se faz homem, que se faz criança, que entra na história da humanidade com a força desarmante do amor”, disse a Irmã Petrini, ressaltando que a inauguração deste ano “assume um significado ainda mais profundo porque, em cerca de três semanas, o Jubileu chegará ao fim e terá início” a comemoração especial dos “800 anos da morte de São Francisco de Assis”.
A Praça São Pedro estava repleta de fiéis, peregrinos e turistas (@Vatican Media)
Chamados a encarnar a paz
O pobrezinho da Itália, que em 1223, em Greccio, deu vida à primeira representação da Natividade, e Santo Afonso Maria de Ligório, “que diante da criança enrolada em panos na manjedoura, aprofundou sua fé e renovou seu amor pelo Senhor, testemunham ao mundo que a verdadeira paz é um dom de Deus e não apenas dos esforços humanos” , sublinhou ainda a presidente do Governatorato, acrescentando que “todos somos chamados a encarná-la num estilo de vida concreto, a escolhê-la como caminho e não apenas como meta, como nos convida a fazer o Papa Leão”. O presépio montado, continuou a religiosa, “não quer simplesmente lembrar o nascimento de Jesus, mas fazê-lo reviver para quem o observa, suscitar admiração viva, tocar os corações, manifestar a ternura de Deus, como dizia o Papa Francisco, despertar a fé na vida, a vida que vence a morte”.
Além disso, os enfeites da árvore também pretendem ser “sinais de comunhão, apelos à paz e à custódia da criação, convites à fraternidade universal” e sua luz “um chamado a nos deixarmos iluminar por Cristo, luz do mundo, para que possamos, por nossa vez, torná-nos portadores dessa luz em nossos ambientes de vida”. Por fim, a Irmã Petrini agradeceu às comunidades que ofereceram o abeto e realizaram o presépio, definindo o seu gesto “um dom à Igreja e um sinal daquela colaboração entre povos e culturas que constrói a verdadeira paz” e anunciou que, no próximo ano, as doações continuarão partindo da Itália: o presépio na Praça São Pedro será realizado pela sede de Atessa, na província de Chieti, da Associação Italiana Amigos do Presépio, enquanto a árvore será doada pelo município de Terranova di Pollino, na província de Potenza. O presépio a ser colocado na Sala Paulo VI ficará a cargo da Fundação Carnaval de Viareggio, na província de Lucca.
Irmã Rraffaella Petrini, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano (@Vatican Media)
Redescobrir o seu lugar para construir a civilização do amor
Para tornar a noite ainda mais sugestiva, as bandas e os coros das dioceses de Nocera Inferiore-Sarno e Bressanone se alternaram durante as diversas intervenções das personalidades presentes. Dom Giuseppe Giudice, bispo de Nocera Inferiore-Sarno, convidou o Papa para sua diocese, onde se encontra o túmulo de Santo Afonso Maria de Ligório. “O presépio, enraizado em nossos corações na escola de Santo Afonso Maria de Ligório, é um ícone realista de um povo que, na riqueza da arte, das tradições, dos cantos, de seus santos, bem-aventurados e servos, se dirige àquela gruta onde o céu desceu à terra e ali criou raízes, é Admirabile signum”, afirmou, citando o Papa Francisco e lembrando que na representação da Natividade “cada um redescobre a sua dignidade e o seu lugar para construir juntos, no esforço e na alegria dos dias, a civilização da esperança”. “ Apesar das vozes contrárias, apesar do vento de uma cultura que nos roubou a alma, continuamos a montar o presépio não para nos distrairmos ou nos afastarmos das tempestades do mundo e da vida, não por um simples gosto estético, mas para oferecer a todos, especialmente aos peregrinos na escuridão, um sinal confiável de esperança – especificou o prelado – indicando-lhes o caminho que leva a Belém”. Dom Ivo Muser, bispo de Bolzano-Bressanone, concentrou-se, por sua vez, no significado da árvore de Natal que “em nossas casas, igrejas e praças, traz consigo uma mensagem profundamente enraizada na esperança cristã”, simbolizada pela luz, que é “a promessa de uma presença que não nos abandona”.
O presépio “Tu scendi dalle stelle”
Enriquecido com símbolos que exaltam o patrimônio imaterial e enogastronômico da região de Salerno, o presépio “Tu scendi dalle stelle” foi projetado e desenvolvido na diocese de Nocera Inferiore-Sarno. A cena se desenvolve em um retângulo de 17 metros por 12, com uma altura máxima de 7,70 metros, e foi cuidada pelo arquiteto Silvio Di Monaco. Os detalhes foram particularmente cuidados – na fonte Helvius, por exemplo, ela é dominada pelo brasão com a nogueira, símbolo da universidade de Nocera dei Pagani – e cada elemento tem um significado preciso e conduz o olhar para o centro: a Natividade. O pavimento reproduz as antigas ruas romanas em lajes de pedra e foram fixados pastores em tamanho natural – realizados pelo mestre presepista Federico Iaccarino de Meta di Sorrento – com algumas figuras de animais. A ideia foi unir arte e espiritualidade numa cenografia que lembra a fé e a tradição. A estrutura foi fornecida pela empresa “Seri…A” de Nocera Inferiore e a realização de toda a Natividade foi coordenada pelo Departamento Técnico Diocesano.
O presépio e a árvore de Natal na Praça São Pedro (@Vatican Media)
As delegações
Participaram do evento as delegações oficiais dos locais de origem do presépio e da árvore, provenientes respectivamente da diocese de Nocera Inferiore-Sarno e de Lagundo e Ultimo, que fazem parte da diocese de Bolzano-Bressanone. Em particular, para o presépio, além de dom Giudice, estavam presentes o curador do projeto, o arquiteto Angelo Santitoro, diretor do Departamento de Bens Culturais e Edifícios Religiosos da diocese, que ilustrou detalhadamente a cenografia do presépio – construído entre junho e agosto – e o diretor do Departamento de Comunicações Sociais da diocese, Salvatore D’Angelo. Para a árvore de Natal, entre outros, com dom Muser, chegaram a prefeita de Lagundo, Alexandra Ganner, e o prefeito de Ultimo, Stefan Schwarz.
O encontro com Leão XIV
Na manhã de segunda-feira (15/12), as delegações das dioceses de Nocera Inferiore-Sarno e Bolzano-Bressanone, com os representantes dos municípios do território de Agro Nocentino-Sarnese e dos municípios de Lagundo e Ultimo, foram recebidas em audiência por Leão XIV na Sala Paulo VI. Ali foi inaugurado um presépio, Nacimiento Gaudium, realizado pela artista costarriquenha Paula Sáenz Soto, que através da sua montagem quis sublinhar a mensagem de paz do Natal e lançar um apelo ao mundo para que a vida seja protegida desde a sua concepção. Representando a Costa Rica, uma delegação composta, entre outros, pela primeira-dama da República, Signe Zeicate, pela filha do presidente, Isabel Chaves Zeicate, e pelo embaixador do país junto à Santa Sé, Federico Zamora.
O presépio montado na Sala Paulo VI
O Nacimiento Gaudium, promovido em colaboração com a embaixada da Costa Rica junto à Santa Sé, apresenta uma figura da Virgem grávida e um conjunto de 28 mil fitas coloridas, cada uma simbolizando uma vida preservada do aborto graças à oração e ao apoio prestado por organizações católicas a muitas mães em dificuldade. O presépio mede 5 metros de comprimento, 3 de altura e 2 metros e meio de profundidade. Respeitando a tradição — com a presença de José, dos Reis Magos, dos pastores e dos animais —, a obra introduz um elemento original: duas representações diferentes e alternáveis da Virgem Maria. Durante o período do Advento, será exposta uma estátua de Maria grávida, símbolo da espera e da esperança; na noite de Natal, esta será substituída por uma imagem da Virgem ajoelhada em adoração ao Menino recém-nascido. No berço de Jesus serão também colocadas 400 fitas com orações e desejos escritos pelos pequenos pacientes do Hospital Nacional das Crianças de San José.
Os presépios e a árvore na Praça São Pedro permanecerão expostos até o final do Tempo do Natal, que coincide com a festa do Batismo do Senhor, no domingo, 11 de janeiro. Dos galhos verdes do abeto serão extraídos óleos essenciais produzidos pela empresa austríaca Wilder Naturprodukte, enquanto o restante da madeira será doado a uma associação beneficente para recuperação com fins de respeito ao meio ambiente.
Assim como fazia Francisco, Leão XIV também presidiu a santa missa por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe
FOTO/REPRODUÇÃO INSTAGRAM PONTIFEX
Na Basílica Vaticana, o Papa Leão presidiu à Santa Missa por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe na presença de milhares de fiéis, sendo alguns deles vestidos com trajes típicos mexicanos. Em sua homilia, comentou as leituras do dia, de modo especial a alegria de Maria ao visitar sua prima Isabel, como relatado no Evangelho.
Durante toda a sua existência, explicou o Santo Padre, Maria leva essa alegria onde a alegria humana não basta, onde o vinho se esgotou. Assim aconteceu em Guadalupe. No monte Tepeyac, “ela desperta nos habitantes da América a alegria de saber-se amados por Deus”. Em meio a conflitos incessantes, injustiças e dores que buscam alívio, Nossa Senhora proclama o núcleo de sua mensagem: “Não estou eu aqui, que sou tua mãe?”. “É a voz que faz ressoar a promessa da fidelidade divina, a presença que sustenta quando a vida se torna insuportável”, comentou o Pontífice, que celebrou toda a missa em espanhol.
Uma oração a Nossa Senhora de Guadalupe
A maternidade que Ela declara nos faz descobrir-nos filhos. E a partir deste ponto, a homilia de Leão XIV prosseguiu em forma de oração, com os nossos anseios dirigidos a Ela:
“Mãe, ensina às nações que querem ser seus filhos a não dividir o mundo em bandos irreconciliáveis, a não permitir que o ódio marque sua história nem que a mentira escreva sua memória. Mostra-lhes que a autoridade deve ser exercida como serviço, não como domínio. Instrui seus governantes em seu dever de custodiar a dignidade de cada pessoa em todas as fases da vida. Faze desses povos, teus filhos, lugares onde cada pessoa possa sentir-se acolhida.”
O Santo Padre pediu também pelos mais jovens, “para que obtenham de Cristo a força de escolher o bem e a coragem de permanecer firmes na fé, ainda que o mundo os empurre em outra direção”, afastando deles as ameaças do crime, das dependências e do perigo de uma vida sem sentido.
Aos que se afastaram da Igreja, Leão suplica a Maria que derrube os muros que nos separam e traga de volta para casa, transformando o coração daqueles que semeiam discórdia ao desejo de Jesus de que «todos sejam um», já que não deve haver espaço para a divisão dentro da comunidade eclesial.
A oração do Pontífice foi ainda para que Maria fortifique as famílias, que os pais eduquem com ternura e firmeza, de modo que cada lar seja escola da fé. Que os educadores formem mentes e corações para que transmitam a verdade; que Nossa Senhora sustente o clero e a vida consagrada na fidelidade cotidiana, renovando seu primeiro amor, protegendo-os da tentação, animando-os no cansaço e socorrendo os abatidos.
“Virgem Santa, ajuda-nos a compreender que, embora destinatários, não somos donos dessa mensagem, mas, como são Juan Diego, somos seus simples servidores. Que vivamos convencidos de que onde chega a Boa-Nova tudo se torna belo, tudo recupera a saúde, tudo se renova. Ajuda-nos para não manchar com nosso pecado e miséria a santidade da Igreja que, como tu, és mãe.”
O Pontífice concluiu pedindo auxílio a si mesmo, Sucessor de Pedro, “para que confirme no único caminho que conduz ao Fruto bendito de teu ventre todos os que me foram confiados”. “E faze que, confiando em tua proteção, avancemos cada vez mais unidos, com Jesus e entre nós, rumo à morada eterna que Ele nos preparou e na qual tu nos esperas. Amém.”
O sepultamento será realizado no Parque Cemitério Campo da Saudade, às 10h30 nesta segunda-feira, 08.
A Diocese de Roraima comunicou com grande pesar, o falecimento do diácono permanente João Augusto Barbosa Monteiro, aos 81 anos. Nascido em 17 de outubro de 1944, em Boa Vista, ele faleceu neste domingo 7 de dezembro de 2025. Figura muito respeitada na Igreja e na sociedade roraimense, o diácono dedicou mais de duas décadas de sua vida ao serviço evangelizador e administrativo da Diocese.
Pelas redes sociais a Diocese manifestou solidariedade aos familiares e amigos, elevando preces pelo descanso eterno do diácono: “Que o Senhor, em sua infinita misericórdia, acolha o Diácono João Augusto Barbosa Monteiro em sua luz eterna e conceda paz e esperança a todos que sofrem com sua partida.
Cerimônia de despedida
A cerimônia de despedida acontece no Centro Velatório Orsolu – a partir das 14h deste domingo (07) e encerra às 10h desta segunda-feira (08). O sepultamento será realizado no Parque Cemitério Campo da Saudade, às 10h30.
“Quem não vive para servir, não serve para viver.” A frase resume a trajetória de vida e missão do diácono João Augusto Barbosa Monteiro, que exerceu o diaconato permanente por quase 30 anos, após ser ordenado em 17 de dezembro de 1995.
O ministério do diácono permanente, restaurado pelo Concílio Vaticano II, tem origem nos primeiros tempos do cristianismo, conforme descrito nos Atos dos Apóstolos. A palavra “diácono”, do grego diakonia, significa “serviço”, essência que marcou profundamente a caminhada de João Augusto na Igreja.
Como diácono, auxiliou bispos e sacerdotes nas celebrações, proclamou o Evangelho, presidiu funerais, assistiu matrimônios e se dedicou intensamente às obras de caridade e à vida pastoral da Diocese.
Atuação na administração da Igreja e na comunicação
Além da atuação litúrgica, João Augusto teve papel fundamental na administração da Diocese de Roraima. Serviu como tesoureiro da Diocese, diretor administrativo da Fundação Educativa e Cultural José Alamano, onde também foi apresentador do programa “Santo de Cada Dia”, voltado à evangelização por meio da vida dos santos, além disso Augusto, foi membro ativo do conselho curador por mais de 15 anos na rádio.
Entrevista do Diácono Augusto no dia da reinauguração da sede da Rádio Monte Roraima fm. Foto Lucas Rosseti
Foi ainda tesoureiro e controlador das contas da Diocese, vice-presidente e diretor administrativo da Fundação Educativa e Cultural José Alamano, contribuindo decisivamente para a organização administrativa da Igreja local.
João Augusto esteve presente e participou da reinauguração da Rádio Fm Monte Roraima, afimando seu compromisso com a emissora, depois de tantos anos zelando pela casa e bem estar de todos.
Como diácono, atuou em paróquias de Boa Vista e em diversas comunidades do interior de Roraima, especialmente Pacaraima e Amajari.Em reconhecimento à sua dedicação, foi amplamente homenageado quando completou 80 anos de vida, recebendo o carinho da Diocese e da comunidade católica.
A Diocese em nota lembra ainda que a vida do Diácono Augusto foi marcada pela fidelidade, humildade e serviço, deixando frutos que permanecem vivos nas comunidades por onde passou, na Igreja que amou e na família que construiu com valores cristãos.
Trajetória profissional e vida pública
Professor de História, Geografia e Contabilidade, João Augusto atuou no Ginásio Euclides da Cunha, na Universidade Federal de Roraima e na Faculdade Atual da Amazônia. Ingressou no Banco da Amazônia em 1967, onde exerceu funções como gerente geral e diretor.
Ao longo de sua trajetória profissional, ocupou cargos de grande relevância no serviço público, como presidente do Banco do Estado de Roraima, além de ter atuado no Tribunal de Contas e no Tribunal de Justiça do Estado.
De volta a Boa Vista, foi Gerente Geral do Basa, Presidente do Banco do Estado de Roraima, Secretário Geral do Tribunal de Contas, onde implantou o Sistema de Controle Externo, além de Diretor Financeiro e Secretário Geral do Tribunal de Justiça de Roraima.
Na vida pessoal, João Augusto era casado com Elci Marques Monteiro desde 1969 e deixa cinco filhos e netos, além de uma extensa família tradicional em Roraima.
Confira a nota da Diocese de Roraima na íntegra
FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima fm
A Missa de Envio ocorre nesta sexta-feira, 05, às 19h30, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, Bela Vista
Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima
Padre Attilio Santuliana, Fidei donum, de 77 anos, encerra sua missão no estado após 15 anos de serviço pastoral. O missionário retorna à Itália depois de 38 anos de atuação no Brasil. A Diocese de Roraima convida todos os fiéis para a Missa de Envio, que ocorre na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, localizada na Rua Rio Guaíba, 511, bairro Bela Vista.
Padre Attilio chegou ao Brasil em 23 de janeiro de 1987. Antes de atuar em Roraima, trabalhou por mais de vinte anos em Pernambuco, onde viveu experiências que marcaram seu caminho missionário.
Sua vocação surgiu na infância, influenciada pela vida de oração da família e pela experiência como coroinha. Aos 11 anos ingressou no seminário. Foi ordenado diácono em dezembro de 1973 e sacerdote em junho de 1974.
Primeiros anos de missão no Brasil
Ao chegar ao país, sua primeira impressão foi a realidade de pobreza, mas também a disposição e alegria das pessoas. Enfrentou desafios comuns aos estrangeiros como clima, língua e diferenças culturais. Ele recorda que “o primeiro desafio foi o calor, depois a língua, porque sabia quase nada de português. Lembro o impacto cultural, tanto que emagreci 10 quilos. Não fazia trabalhos forçados e, aos poucos, fui me adaptando. Éramos dois e, depois de cinco meses, o bispo nos confiou uma paróquia e assim começou o pastoreio”, disse padre Attilio.
Missão em Roraima
No dia 1º de dezembro de 2010, Padre Attilio chegou à Área Missionária Santa Rosa de Lima, na periferia oeste de Boa Vista. No local, iniciou uma caminhada de quase 15 anos, marcada pela proximidade com as comunidades. Atuou em áreas urbanas e rurais, visitando famílias, celebrando sacramentos, formando lideranças e fortalecendo a vida pastoral.
Sobre sua missão em Roraima, Padre Attilio destaca que “foi uma boa caminhada nesses 15 anos, que a caminhada continuará, que há o oceano no meio, mas que o coração bate. Se minha presença ajudou as pessoas a olhar para frente com confiança e esperança, agradeço a Deus e espero que as sementes plantadas possam produzir”, destacou o sacerdote.
O Padre Lorenzo Dall’Olmo, Fidei donum, missionário da Diocese de Vicenza que atua com Padre Attilio na Área Missionária Santa Rosa de Lima, recorda a missão do padre, destacando que “ele dedicou grande parte da vida ao trabalho pastoral, chegou ainda jovem e permaneceu muitos anos no Brasil. Sua maneira direta de conversar, as visitas aos doentes e seu ritmo de trabalho chamaram atenção. Muitos o reconheceram como o padre dos pobres“, relatou o padre.
O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, agradece a Padre Attilio pelos 15 anos atuando no estado, afirmando que “quero registrar minha ação de graças a Deus e o agradecimento pelo trabalho missionário na diocese. Padre Attilio veio com espírito evangelizador, em encontro com as pessoas, sempre a serviço dos mais frágeis”.
Mensagem de despedida
Em suas palavras às comunidades, Padre Attilio expressa gratidão, lembrando todo o bem recebido, o respeito, a acolhida e o caminhar junto. Ele pede para que “nunca percam a confiança, pois Deus está agindo no meio de nós e age através dos pequenos sinais, que são aqueles que mais comunicam”.
O sacerdote retorna à Espanha levando na bagagem histórias, aprendizagens e o compromisso amadurecido com a comunicação e a Igreja na Amazônia
Luiz Miguel Modino, presbítero espanhol da Arquidiocese de Madri, é uma das vozes mais reconhecidas da comunicação eclesial na Amazônia na última década. Ordenado presbítero em sua diocese de origem em 1998, chegou como padre “fidei donum” à missão no Brasil em 2006, servindo por quase dez anos na Diocese de Rui Barbosa, na Bahia, onde aprofundou sua experiência com a vida comunitária e com a força evangelizadora das pequenas comunidades.
Em 2016, foi enviado para a Amazônia, inicialmente na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, acompanhando comunidades indígenas. Mais tarde, passou à Arquidiocese de Manaus, onde ampliou sua ação missionária (na Área Missionária São José do Rio Negro, Comunidade Nossa Senhora de Fátima no Tarumã Mirim) e assumiu responsabilidades significativas na comunicação da Igreja: atuou na comunicação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), no Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e como assessor de comunicação do Regional Norte 1 da CNBB.
Padre Modino em missão
Ao longo desses anos, tornou-se uma referência na cobertura comunicativa e pastoral dos grandes processos eclesiais da região, especialmente durante o Sínodo para a Amazônia (2018-2019), Assembleia Eclesial ALC (2021) e o Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024). Seu trabalho uniu missão, presença pastoral e comunicação comprometida com a vida dos povos amazônicos, tornando-o uma ponte entre suas histórias e a Igreja no mundo inteiro.
Agora, após quase vinte anos de missão no Brasil, Luiz Miguel Modino retorna à sua Arquidiocese de Madri para assumir novas responsabilidades, levando consigo a riqueza espiritual, humana e pastoral aprendida em solo brasileiro. Nesta entrevista, ele revisita sua trajetória, suas aprendizagens e os desafios vividos em quase duas décadas de missão no Brasil — da Bahia às profundezas da Amazônia, passando por importantes serviços na comunicação eclesial continental.
Padre Luís Miguel, quando você chegou ao Brasil? Onde trabalhou e o que realizou durante tantos anos de missão?
Cheguei ao Brasil em 26 de setembro de 2006 para trabalhar na Diocese de Rui Barbosa, na Bahia. Ali permaneci até fevereiro de 2016, quando fui enviado como missionário na Amazônia. Na Bahia, destaco sobretudo a descoberta da força das pequenas comunidades. Aprendi que a vida da Igreja se sustenta na comunhão, na partilha e na presença próxima do missionário.
Sempre busquei ser não apenas uma presença sacramental, mas uma presença evangélica que ajude o povo a descobrir que o Evangelho é fonte de vida e que na vivência na comunidade a gente vai dando sentido ao nosso batismo e descobrindo as diversas vocações às quais estamos chamados por Deus.
Padre Modino em um encontro com o Papa Francisco – cardeal Barreto
Depois dessa etapa tão bonita no Nordeste, você chegou à querida Amazônia. Como foram seus primeiros anos em São Gabriel da Cachoeira?
Em São Gabriel da Cachoeira, onde mais de 90% da população é indígena, acompanhei comunidades nas paróquias de Pari-Cachoeira e em Cucuí. Ali aprendi algo essencial: o povo espera mais do que sacramentos; espera presença. Aprendi a andar “sem pressa”, como diziam os comunitários.
A Amazônia tem outra relação com o conceito de tempo e o espaço. “Longe” ou “perto” não têm o mesmo sentido que em outros lugares. Ir até a última comunidade, chegar onde quase ninguém chega, é fundamental.
Essa vivência também tive em Manaus, especialmente na Área Missionária São José do Rio Negro, nas comunidades ribeirinhas. O missionário precisa estar com os últimos, com aqueles que ficam mais longe, e ser uma presença que alegra a vida do povo com nossa visita.
Nestes últimos anos você também se dedicou muito ao trabalho de comunicação para a Igreja da Amazônia e Latino-americana. O que esse serviço significou para você?
Para mim, na comunicação da Igreja temos que entender que comunicar é evangelizar. Quando testemunhamos aquilo que faz parte da vivência do povo, descobrimos que comunicar as histórias, as dores, as lutas e a fé dos povos da Amazônia é tornar visíveis as sementes do Verbo presentes na vida do povo e nas comunidades. As pessoas vão entendendo que através da simplicidade a Igreja vai crescendo e ajuda o povo a encontrar o sentido da sua vida. Sempre vivi a comunicação como parte da missão.
Isso agradeço as comunidades que acompanhei, que sempre entenderam que minhas ausências (pelo trabalho na REPAM, no CELAM e no Regional Norte 1 da CNBB), faziam parte da missão, e isso me ajudou muito a servir com liberdade e disponibilidade. Sabiam que eu era o pároco, que acompanhava a vida das comunidades, mas sabiam da outra missão que tinha. Através das comunidades, descobri narrativas profundas da fé que pude compartilhar com a Igreja no continente e no mundo.
Quais foram os momentos mais marcantes nesses anos de comunicação missionária?
Sem dúvida, a cobertura dos Sínodos em Roma, do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024) mas especialmente o Sínodo para a Amazônia (2018-2019), foi muito marcante. Ali, como comunicadores, ajudamos o mundo a reconhecer as riquezas dos povos da Amazônia e da Igreja na região.
Outro aspecto marcante foi contar as histórias do povo. As pessoas mais simples comunicam o Evangelho sem verniz. É um testemunho muito mais singelo e mais claro. As vezes os que temos aprofundado mais nos estudos teológicos podemos ter um discurso mais teórico. Os tantos homens e mulheres que assumem ministérios nas comunidades e testemunham isso para os outros, é fruto da experiencia de vida, da fé em Deus e do coração. Dar visibilidade a essas vivências de pessoas dedicadas muitos anos ao serviço das comunidades da Amazônia é tarefa fundamental para qualquer comunicador da Igreja.
Muitas vezes ficamos fascinados ao entrevistar cardeais e bispos, mas vemos que o Evangelho brota com força nas mãos e nos testemunhos dos ministros e ministras que servem silenciosamente suas comunidades de base.
Agora você retorna à sua Arquidiocese de origem, em Madri. Quais são as perspectivas para esta nova etapa?
Estamos ao serviço da Igreja. Quando comecei a trabalhar na equipe de comunicação da REPAM, consultei o então arcebispo de Madri, naquela época o Cardeal Osoro. Ele me disse: “eu lhe peço e, se não achar ruim, lhe mando que assuma essa missão”. Volto para Madri em obediência ao chamado da Igreja na qual fui ordenado.
A gente nunca pode esquecer o que prometeu no dia da ordenação presbiteral: obediência e respeito ao bispo. Agora, o arcebispo atual, Cardeal Cobo, pede minha presença em Madri. Assim que volto tranquilo e agradecido à Igreja do Brasil, e disponível para servir nas necessidades atuais da Arquidiocese de Madri e do que precisem de mim neste momento.
Para concluir: o que você leva no coração dessa vivência de tantos anos no Brasil?
Levo o testemunho de vida de muitas pessoas profundamente comprometidas com a vida da Igreja e na vida das comunidades. São muitas as pessoas que passam pela minha mente agora que me preparo para uma nova missão. Sobretudo levo a vivência de uma Igreja que entende que o batismo é o sacramento fundamental na vida eclesial e que a partir dele nasce toda ministerialidade.
Promover os ministérios laicais foi algo que aprendi aqui no Brasil e que levo comigo pra Igreja da Espanha que ainda é muito mais clerical. Devemos entender isso: o ministério ordenado é importante na vida da Igreja, ninguém nega isso. Mas a ministerialidade laical é fundamental para que a Igreja possa ter esta capilaridade que muitas vezes nos falta e assim concretizar essa “Igreja em saída” e sinodal, como tanto apostou o Papa Francisco e como o Papa Leão XIV tem impulsionado com força no seu Magistério, avançando como Igreja onde caminhamos todos, onde todos tem espaço e sentimos a necessidade de avançar juntos.
Nota do Vatican News:
Padre Modino, como nós sempre o chamamos, foi e continua sendo um grande colaborador da Rádio Vaticano – Vatican News. Ao longo de muitos anos ele foi nossos olhos, ouvidos e presença na realidade da Amazônia, na realidade da nossa Igreja entre os indígenas, ribeirinhos, sacerdotes, bispos e cardeais. Nosso muito obrigado por uma vida de doação à Igreja e à comunicação. Agora com nova missão e novos desafios. Certamente, teremos também um olhar e ouvidos em Madri. Obrigado padre Modino pela caminhada que fizemos juntos e que continuaremos a fazer. E obrigado, em nome de todos os nossos leitores e ouvintes, pela grande “mão”, pela ajuda que nos deu para entender o que é a Igreja na Amazõnia.