Encontro fortalece a articulação eclesial na Amazônia e define prioridades estratégicas para 2026
Entre os dias 9 e 12 de fevereiro, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) estiveram reunidas em Lima, no Peru, para um encontro de trabalho dedicado ao fortalecimento da articulação regional e ao alinhamento de pautas comuns.
A reunião teve como foco a definição de prioridades estratégicas para 2026 e o aprofundamento da cooperação entre as instâncias eclesiais amazônicas, reafirmando o compromisso com uma atuação integrada em defesa da vida, dos povos e dos territórios da Amazônia.
Durante os quatro dias de encontro, foram debatidos temas centrais para a missão da Igreja na região, como a incidência socioambiental, a proteção dos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, os desafios políticos e institucionais do contexto amazônico, além da organização de ações conjuntas em âmbito regional e internacional.
O espaço também reafirmou o horizonte sinodal que marca a caminhada da Igreja na Amazônia, destacando a importância do trabalho em rede, da escuta e do discernimento compartilhado como caminhos para responder aos desafios atuais do território.
Representaram a REPAM no encontro a irmã Irene Lopes e o presidente, Dom Evaristo Spengler, fortalecendo a presença institucional da rede no diálogo com a CEAMA.
A reunião em Lima consolida mais um passo no fortalecimento da colaboração entre REPAM e CEAMA, aprofundando processos comuns a serviço de uma Igreja com rosto amazônico, comprometida com a justiça socioambiental e com a defesa da Casa Comum.
FONTE/CRÉDITOS: REDE ECLESIAL PAN-AMAZÔNIZA BRASIL
A data foi instituída pelo Papa João Paulo II, com o objetivo de promover um tratamento mais humano e acolhedor às pessoas doente
O Dia Mundial dos Enfermos é lembrado pela Igreja Católica como um momento dedicado às pessoas que enfrentam a doença e às realidades ligadas à saúde. Para a igreja, o dia reforça a importância da proximidade com quem sofre, por meio da oração, da visita e do acompanhamento. A proposta é recordar que o cuidado com os doentes faz parte da vivência cristã e deve estar presente no dia a dia das comunidades.
Na Diocese de Roraima, a Pastoral da Saúde desenvolve ações de acompanhamento espiritual e apoio às pessoas enfermas e às suas famílias.
Segundo Jivaneide Barbosa, coordenadora da Pastoral da Saúde, o trabalho é realizado de forma contínua.
“Atuamos, efetivamente, levando conforto não apenas ao enfermo, mas também às suas famílias, pois, quando há um doente em casa, não é somente ele que fica fragilizado, mas toda a família e os cuidadores também são abalados emocionalmente. A Pastoral da Saúde oferece esse apoio espiritual e também o apoio emocional.”
O Dia Mundial dos Enfermos foi instituído pelo Papa São João Paulo II, em 11 de fevereiro de 1992, com o objetivo de promover um tratamento mais humano e acolhedor às pessoas doentes, além de incentivar momentos de oração e partilha entre profissionais da saúde, agentes de pastoral e familiares.
Esta data foi escolhida porque hoje é o dia dedicado a Nossa Senhora de Lourdes, considerada pela igreja a Padroeira dos Enfermos. A devoção está ligada às aparições ocorridas em Lourdes, na França, no século XIX, que deram origem a um local de peregrinação associado à oração e ao cuidado com os doentes.
“O papa João Paulo II escolheu essa data justamente porque, após as aparições de Nossa Senhora de Lourdes, em 1858, muitos fiéis iam até o local pedir graças, e muitos enfermos recebiam a cura pela intercessão de Nossa Senhora. Por isso ela é conhecida como a intercessora dos enfermos.”, destacou Jivaneide.
Para marcar o Dia Mundial dos Enfermos, haverá missa na Comunidade Nossa Senhora de Lourdes, da Paróquia Santo Antônio de Sant’anna Galvão, às 19h, na rua Jundiaí, nº 246, bairro Santa Teresa.
O evento acontece de 14 a 17 de fevereiro, em Boa Vista, e é gratuito
Foto: Ministério de Comunicação da RCC Roraima
A Renovação Carismática Católica (RCC) de Roraima divulgou a programação do Ruah de Deus 2026, que será realizado entre os dias 14 e 17 de fevereiro, na Vila Olímpica Roberto Marinho, em Boa Vista. O evento ocorre durante o período do Carnaval e é apresentado como uma opção de retiro espiritual.
Durante os quatros dias, a programação contará com louvor, pregações, adoração e missas diárias, com atividades a partir das 8h até às 21h. O evento é gratuito e aberto ao público.
Com o tema “É Ele quem dá a todos a vida” (Atos 17, 25b), o Ruah de Deus tem como proposta a reflexão sobre a salvação e o sentido da vida, sendo também uma preparação espiritual para a quaresma.
Foto: Ministério de Comunicação da RCC Roraima
Segundo o coordenador da RCC Roraima, Claúdio Mourão, o tema destaca a ideia de uma vida plena.
“A vida que Deus quer nos dar é uma vida de salvação, uma vida em plenitude, como o próprio Jesus Cristo nos ensinou. Ele não quer salvar metade do ser humano; quer salvar o homem inteiro e a mulher inteira. Para isso, deseja nos conceder uma vida plena”, destacou.
Cláudio Mourão também ressalta que o Ruah de Deus é realizado há 32 anos e se consolidou como uma alternativa para quem deseja viver o carnaval de forma diferente.
A pregadora desta edição será Maristella Teixeira, coordenadora do Ministério de Formação da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Entre os padres convidados estão Padre Oscar Liofo, Padre Deivith Harly e Padre Mauro Maia, que também animará uma das noites carismáticas. A missa de encerramento será celebrada por Dom Evaristo Spengler, na terça-feira (17), às 18h.
RUAHZINHO DE DEUS
Paralelamente ao Ruah acontece o Ruahzinho de Deus, uma programação voltada para as crianças. O espaço oferece atividades adequadas à faixa etária, com brincadeiras e momentos educativos, acompanhando a programação do evento principal.
“É um encontro para todas as idades e para todas as pessoas”, ressaltou, Claúdio Mourão.
Foto: Ministério de Comunicação da RCC Roraima
PROGRAMAÇÃO
SÁBADO (13/02)
18:00 – Santo Terço e Acolhida
18:30 – Missa de abertura
19:45 – Esquenta para o Ruah de Deus
20:30 – Encerramento
DOMINGO (14/02)
08:00 – Oração do Terço
08:30 – Animação
09:00 – Oração da manhã
09:30 – 1ª Pregação: “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu único filho” (Jo 3,16)
10:30 – Intervalo
11:00 – Animação e oração
11:20 – 2ª Pregação: “Em nenhum outro há salvação” (At 4,12ª)
12:20 – Encerramento da manhã
Tarde:
14:30 – Animação
15:00 – Oração da tarde
15:30 – 3ª Pregação e Adoração: “É Ele quem dá a todos a vida” (At 17,25b)
17:30 – Intervalo
18:00 – Missa dominical
19:30 – Noite carismática – Aliança Misericórdia
21:00 – Encerramento
SEGUNDA-FEIRA (15/02)
08:00 – Oração do Terço
08:30 – Animação
09:00 – Louvor e Oração da manhã
09:30 – 4ª Pregação: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita” (1 Ts 5,23)
10:30 – Intervalo
11:00 – Animação e Oração
11:15 – 5ª Pregação: “Eis aí a tua Mãe” (Jo 19,25-27)
12:15 – Intervalo
Tarde:
14:30 – Animação
15:00 – Oração da tarde
15:30 – 6ª Pregação: “Ficaram todos cheios do Espírito Santo” (At 2,4)
16:45 – Intervalo
17:15 – Animação e Oração
17:30 – Campanhas de arrecadação
17:50 – Intervalo
18:00 – Missa
19:30 – Noite carismática – Padre Mauro
21:00 – Encerramento
TERÇA-FEIRA (16/02)
08:00 – Oração do Terço
08:30 – Animação
09:00 – Oração da manhã
09:30 – 7ª Pregação: “Andareis de maneira digna do Senhor, fazendo tudo o que é do seu agrado” (Col 1,10)
10:30 – Intervalo
11:00 – Animação e Oração
11:20 – Adoração ao Santíssimo
12:20 – Encerramento da manhã
Tarde:
14:30 – Animação
15:00 – Oração da tarde
15:30 – 8ª Pregação: “Coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,33)
16:30 – Intervalo
17:00 – Animação e Oração
17:15 – Apresentação do Ministério para Crianças e Adolescentes
Data reforça valores de solidariedade, diálogo e promoção da dignidade humana.
Fundação Fé e Alegria – RR
Celebrado em 4 de fevereiro, o Dia Internacional da Fraternidade Humana convida a sociedade a refletir sobre a importância do respeito às diferenças, da solidariedade e do cuidado com o próximo. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data busca fortalecer o diálogo e a construção da paz, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais.
Para a Igreja Católica, a fraternidade é um compromisso central de sua missão. De acordo com o padre Fabiano de Oliveira, a fraternidade humana tem como objetivo superar diferenças e até mesmo pensamentos opostos.
“A fraternidade visa superar diferenças, às vezes pensamentos opostos. A fraternidade humana é um dos grandes objetivos e um dos focos principais da própria Igreja”, explicou.
Em Roraima, esse princípio se traduz em ações concretas desenvolvidas por instituições sociais, como a Fundação Fé e Alegria, ligada à Companhia de Jesus. A entidade atua na promoção da educação popular, da inclusão social e da defesa da dignidade humana, especialmente junto a famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo o coordenador da Fundação em Boa Vista, José Romero, a instituição possui uma atuação ampla, tanto no Brasil quanto em outros países.
“A Fundação Fé e Alegria é um movimento de educação popular. Estamos presentes em 22 países; no Brasil, já são 40 anos de atuação, em 14 estados, oferecendo apoio a diversas famílias em situação de vulnerabilidade”, destacou José.
José Romero ressaltou ainda que a fraternidade está no centro da missão da instituição. “Um dos valores é a construção de uma sociedade fraterna e democrática. Trabalhamos aliados a diversas instituições para defender a educação como um direito universal. Construímos uma sociedade nova, forjada por relações fraternas, livre de toda violência e em paz com a natureza”, afirmou.
Em um estado marcado pela diversidade cultural e por desafios sociais complexos, iniciativas como as da Fé e Alegria demonstram que a fraternidade vai além do discurso. Ao unir educação, cidadania e trabalho em rede, as ações desenvolvidas em Roraima reforçam o sentido do Dia Internacional da Fraternidade Humana como um chamado à transformação social e à construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Dois anos de dedicação à Diocese de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas
Nesta quarta-feira, 04 de fevereiro, Dom Vanthuy Neto, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, celebra seus 2 anos de ordenação episcopal. Seu lema episcopal é “Servire in Caritate e Spe” – Servir na Caridade e na Esperança. Neste momento, o bispo encontra-se em Borba (AM), participando do Encontro Anual dos bispos do Regional Norte 1.
O Cardeal da Amazônia, Dom Leonardo Steiner, deixou uma mensagem ao bispo.
“Nós queremos dar os parabéns a Dom Vanthuy, mas, sobretudo, agradecer a Deus pelo seu ministério episcopal, que hoje completa dois anos em São Gabriel da Cachoeira. Queremos também agradecer pela sua disponibilidade em aceitar esse ministério na Igreja, que tem feito tão bem à Diocese de São Gabriel. Vamos rezar por ele, para que, cada vez mais, a nossa Igreja, que está na Amazônia, seja testemunha da verdade, da bondade e da justiça.”
Da esquerda para a direita: Dom Evaristo, Dom Vanthuy, Dom Leonardo e Dom Samuel, durante o Encontro Anual dos Bispos do Regional Norte 1
Dom Vanthuy nasceu em 10 de maio de 1973, na cidade de Pau dos Ferros, no sertão nordestino do Brasil, na Diocese de Mossoró, Rio Grande do Norte. Sua história é marcada por sua migração para a Amazônia, especificamente para Roraima na década de 1980. Ingressou no Seminário São José da Arquidiocese de Manaus, onde realizou seus estudos de Filosofia. Ele foi ordenado Diácono em 11 de julho de 1999 e, posteriormente, Presbítero em 3 de junho de 2001.
Em Roraima, ele desempenhou funções como pároco em diferentes paróquias, incluindo Nossa Senhora Consolata (2001-2004), Catedral Cristo Redentor e Matriz Nossa Senhora do Carmo (2005-2013) em Boa Vista. Em 2018, foi vigário da Área Missionária do Município do Cantá.
Haverá missa com a benção da garganta no Santuário de Aparecida e na Comunidade São José, da Paróquia Frei Galvão
A Igreja Católica celebra nesta terça-feira, 3 de fevereiro, a festa de São Brás, conhecido como protetor das gargantas. Na Diocese de Roraima, a data será marcada por celebrações eucarísticas com a tradicional bênção das gargantas, realizadas no Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista, e na Comunidade São José, da Paróquia Frei Galvão.
No Santuário de Aparecida, a celebração eucarística ocorre às 19h. Já na Comunidade São José, que fica localizada a Rua Jafet, nº 273, bairro Pintolândia, a missa será às 19h30.
Conheça a história de São Brás, protetor da garganta
São Brás, médico do século III, viveu uma profunda crise existencial. Apesar de ser um excelente profissional e prestar relevantes serviços à sociedade, sentia que algo lhe faltava. Sua inquietação não estava na medicina, mas no sentido da vida. Essa busca interior o conduziu a um encontro transformador com Deus, que deu um novo rumo à sua existência. Pelo testemunho de fé e pela busca da santidade, muitas pessoas passaram a se aproximar do cristianismo.
Com o tempo, São Brás sentiu o chamado para uma vida mais retirada e escolheu o Monte Argeu como lugar de penitência, oração e intercessão, dedicando-se a rezar para que outros encontrassem a verdadeira felicidade, vivida por ele em Cristo e na Igreja. São Brás viveu durante um período de intensa perseguição aos cristãos, no governo do imperador Licínio. Por razões políticas e religiosas, o prefeito de Sebaste ordenou sua prisão. Mesmo diante de ameaças e pressões para renunciar à fé, permaneceu firme em Cristo.
No ano 316, São Brás preferiu entregar a própria vida a negar sua fé, sendo degolado e tornando-se mártir da Igreja. Um dos milagres mais conhecidos atribuídos a São Brás ocorreu quando, a caminho do martírio, ele salvou uma criança que se engasgava com uma espinha de peixe. Por esse motivo, é venerado como protetor da garganta. São Brás também é padroeiro dos operários da construção civil, veterinários, pedreiros, escultores e garotos.
FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva / Com informações da Canção Nova
Irmã Maria Ângela, Padre Paco e irmã Ângela Maria partilham o chamado à vida consagrada
A Igreja celebra, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, a Festa da Apresentação do Senhor e o Dia Mundial da Vida Religiosa Consagrada, recordando o valor e a missão de homens e mulheres que dedicam suas vidas ao serviço de Deus e do povo.
A data destaca a beleza da vocação consagrada, vivida a partir dos votos de pobreza, castidade e obediência, como testemunho de esperança, fé e compromisso com o Reino de Deus.
O bispo da diocese, Dom Evaristo Spengler ressalta que a vida religiosa é testemunho de Jesus Cristo nos diversos carismas.
“Nesses vários carismas, a partir de um fundador ou de uma fundadora, que sempre aponta para Jesus no mundo e para o Reino definitivo, para o qual todo cristão deseja ser conduzido. Em nossa Amazônia, temos um belíssimo testemunho de evangelização por meio da vida religiosa.”
Segundo mensagem divulgada pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) – Regional Manaus (AM e RR), a vida religiosa continua sendo um dom precioso para a Igreja e para a sociedade, especialmente em tempos de desafios, nos quais a coragem de responder ao chamado de Deus se torna um sinal vivo de esperança.
Vida Religiosa em Roraima
Na Diocese de Roraima, atuam atualmente 27 Ordens, Congregações e Institutos Religiosos. Muitas dessas presenças estão nas missões indígenas, nos municípios do interior, nas comunidades ribeirinhas, no trabalho junto aos migrantes, além da participação ativa nas equipes de pastorais da diocese.
A coordenadora da CRB-RR, irmã Maria Ângela, atua em Roraima há dois anos. Ela fala sobre sua admiração pela vida religiosa e deixa uma mensagem aos missionários que atuam em Roraima.
“A minha vocação começou a partir da admiração por um grupo de mulheres que viviam diariamente a serviço dos outros. Esse jeito de viver seduziu o meu coração. A partir dessa experiência muito profunda, estou aqui. Gostei e desejei viver do mesmo jeito. Se eu voltasse a ter 22 anos e pudesse viver aquela mesma experiência, escolheria novamente essa vida. Um abraço a todos e um desejo de uma feliz vida, vocação e missão a todos os meus irmãos e irmãs consagrados na vida religiosa.”
Já o padre Francisco de Assis, conhecido com Padre Paco, missionário jesuíta, destaca sua vocação como um chamado a servir.
“Eu não me sinto mais do que qualquer cristão ou cristã; é apenas uma maneira concreta de seguir Jesus. Desde jovem, quando tinha 17 anos, senti que Ele me chamava a fazer algo pelos outros, especialmente pelos mais pobres e pelos doentes. Cheguei até a pensar em estudar Medicina, com a ideia de trabalhar alguns anos gratuitamente para ajudar as pessoas. Depois refleti melhor e me perguntei se Jesus não me chamava a dedicar toda a minha vida ao serviço dos outros, em vez de formar uma família ou cuidar apenas da minha própria família, consagrando, assim, a minha vida ao serviço do próximo.”
Quem também partilha sobre sua experiência vocacional é a irmã Ângela Maria, Missionária Salesiana, que ressalta sua vocação enraizada nos valores familiares.
“Fui educada em uma família muito cristã, com uma convivência familiar bonita, marcada por um compromisso sério com o trabalho, com a comunidade e com a Igreja, além da ajuda mútua entre as famílias. Esses foram valores cristãos que recebi em casa. Quando saí de casa, já trazia, por causa da minha experiência de Igreja e de comunidade, o desejo de ser missionária”.
A Diocese de Roraima celebrou, neste sábado, 31 de janeiro, a Ordenação Presbiteral de Djavan André da Silva, que passa a integrar oficialmente o presbitério diocesano como novo padre da Igreja Católica de Roraima. A celebração aconteceu na Catedral Cristo Redentor, no Centro Cívico de Boa Vista, e foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Pascoal Spengler.
O momento reuniu diversos fiéis vindos de várias regiões do estado, incluindo comunidades do interior e terras indígenas, que acompanharam de forma participativa e emocionada este momento histórico para a Diocese.
A missa de ordenação presbiteral é uma das celebrações mais solenes da Igreja Católica e foi marcada por ritos carregados de simbolismo. Entre os momentos centrais estiveram a apresentação e eleição do candidato, a Ladainha de Todos os Santos, quando Djavan se prostrou em sinal de entrega e humildade, a imposição das mãos pelo bispo e pelos presbíteros presentes, a prece de ordenação e a unção das mãos com o óleo do Santo Crisma.
O novo presbítero também foi abraçado pelo bispo e pelos demais padres, simbolizando sua acolhida no presbitério, recebeu a entrega do pão e do vinho, sinais da missão sacerdotal, foi revestido com as vestes próprias do sacerdote e concedeu a primeira bênção aos pais. Ao final, já como presbítero, Djavan concelebrou a Eucaristia pela primeira vez.
Homilia: missão, cuidado e fidelidade ao povo
Na homilia, Dom Evaristo destacou que a ordenação de Djavan é motivo de alegria para toda a Igreja que peregrina em Roraima, especialmente por se tratar de um filho do povo Macuxi, chamado a servir como presbítero no chão amazônico.
O bispo ressaltou que o sacerdócio nasce da iniciativa de Deus e é sempre um chamado ao serviço, à proximidade e ao cuidado com o povo.
“O presbítero, como o profeta, é chamado a ser sinal da presença de Deus que consola, que levanta os abatidos e que anuncia que a vida sempre tem sentido, mesmo em meio a dores e lutas. O padre não é dono do rebanho, mas o servidor e o cuidador. É chamado a conhecer suas ovelhas, caminhar com elas e dar a vida por elas”, afirmou Dom Evaristo.
Ao comentar o Evangelho, no qual Jesus se apresentar como o bom pastor, o bispo exortou o novo padre a viver um ministério marcado pela fidelidade, pela coragem profética e pela defesa dos mais vulneráveis.
“O padre não pode se deixar aliciar pelos lobos que atacam os pobres, os indígenas, os migrantes e a comunhão dentro da Igreja. O sacerdote é chamado a manter viva a chama da profecia”, destacou.
Dom Evaristo também enfatizou que Djavan leva para o ministério sacerdotal a riqueza da cultura indígena, a língua macuxi, os símbolos e a história de seu povo, como um dom para toda a Diocese.
Palavra do novo padre
Pouco antes da celebração, Djavan André falou sobre a emoção de viver este momento ao lado das comunidades, amigos e familiares.
“É com muita alegria que o meu coração se exulta. É um momento de comunhão, de realmente festejar juntos. Foram muitos anos de estudo e preparação. É toda uma caminhada de fé e de vida, buscando sempre fazer com que a vontade de Deus seja feita, seguindo Jesus Cristo”, afirmou.
Durante a celebração, já como presbítero, Djavan também dirigiu uma palavra à assembleia e recordou que sua vocação nasceu ainda antes de seu nascimento. Ele relembrou a fé de sua mãe, que rezava dizendo que, se nascesse menina, seria irmã religiosa, e se nascesse menino, seria padre missionário.
Em sua fala, destacou que, ao olhar para a Diocese de Roraima, reconhece que sua vocação também nasce desta terra, onde aprendeu a ser igreja e a viver a fé de forma comunitária. Disse que leva consigo uma experiência viva construída no chão amazônico, especialmente a partir da convivência e do aprendizado com os povos indígenas.
Ao assumir o ministério sacerdotal, Djavan afirmou que deseja ser um padre que escuta, que ajuda e que serve, fazendo do seu ministério um sinal de comunhão e uma ponte entre culturas. Segundo ele, o compromisso é caminhar junto com o povo, para que, unidos, seja possível construir uma igreja cada vez mais fraterna e sinodal.
Djavan nasceu em 12 de abril de 1997, na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Filho de Djacir Melquior e Sarlene André, construiu sua vocação a partir da vivência comunitária, da fé simples aprendida nas comunidades e da caminhada missionária da Igreja em Roraima.
Djavan e os pais: Djacir Melquior e Sarlene André
Durante a celebração, Djavan também recebeu homenagens das comunidades indígenas, que o presentearam com símbolos da cultura de seu povo, entre eles um cocar, gesto que expressa o carinho, a gratidão e a comunhão entre fé, cultura e missão.
Sobre a missão após a ordenação, o novo padre informou que seguirá atuando, inicialmente, na Área Missionária Santa Rosa de Lima, dando continuidade ao trabalho pastoral já desenvolvido.
Registro oficial da ordenação
Durante a celebração, foi lida e assinada a Ata da Ordenação Presbiteral, que oficializou o rito sacramental realizado na Catedral Cristo Redentor. O documento registrou a presença de Dom Gonzalo Alfredo Ontiveros Vivas, bispo do Vicariato Apostólico de Caroní, na Venezuela, além de presbíteros, diáconos, religiosas, religiosos, fiéis leigos e leigas das paróquias, áreas missionárias e missões indígenas, bem como autoridades civis e militares.
Dom Gonzalo destacou a importância do fortalecimento das vocações para a vida e a missão da Igreja.
“É motivo de grande alegria estar presente nesta celebração. O fortalecimento da Igreja passa pelas vocações sacerdotais, religiosas e pela vida consagrada, algo que nunca podemos descuidar, mas que precisamos fortalecer cada vez mais. Que o Senhor continue multiplicando as vocações para levar a Palavra de Deus e o Evangelho de Jesus Cristo a todos os lugares e a todas as pessoas”, afirmou.
Na ata, lida pela Chanceler da Cúria, Irmã Sofia Quintáns, a ordenação de Djavan foi destacada como sinal de esperança e expressão de uma Igreja verdadeiramente universal, aberta às culturas e fiel à missão de anunciar o Evangelho.
Com a ordenação de Djavan André, a Diocese de Roraima retoma as ordenações presbiterais e celebra o dom de um novo padre, chamado a servir com alegria, simplicidade e compromisso com o povo de Deus.
FONTE/CRÉDITOS: Lauany Gonçalves | com colaboração de Kayla Silva