Missa pelo Cuidado da Criação celebra 10 anos da Encíclica Laudato Si’ na 62ª AG da CNBB

Missa pelo Cuidado da Criação celebra 10 anos da Encíclica Laudato Si’ na 62ª AG da CNBB

“Tudo está interligado”: bispos reforçam cuidado com a criação em missa na CNBB

Missa pelo Cuidado da Criação celebra 10 anos da Encíclica Laudato Si’ na 62ª AG da CNBB

A Eucaristia foi presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão, dom Gilberto Pastana de Oliveira e teve água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais levadas ao presbitério.

Na terça-feira, 21 de abril, dia em que se recordou o primeiro ano de falecimento do Papa Francisco, os bispos do Brasil reunidos na 62ª Assembleia Geral da CNBB celebraram a Missa pelo Cuidado da Criação. Na celebração presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão (MA), dom Gilberto Pastana de Oliveira, e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, foi utilizado pela primeira vez o formulário litúrgico aprovado pelo episcopado brasileiro para este momento.

A Missa pelo Cuidado com a Criação celebrada no Santuário Nacional de Aparecida recordou os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Lançado em 2015, o documento trata do cuidado com a criação. Na procissão de entrada foram levados ao altar central porções da água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais da CNBB.

Em sua homilia, dom Pastana recordou que a Igreja eleva sua oração e também trabalha pelo cuidado com a criação, mesmo diante da dureza do coração. “Quantas vezes, nos dias de hoje, nós resistimos: resistimos quando sabemos o que é certo, mas não mudamos; resistimos quando ouvimos o clamor da criação, mas seguimos indiferentes; resistimos quando Deus nos chama, mas preferimos seguir no mesmo caminho. A dureza do coração não fere apenas a fé, ela fere também a criação”.

Durante a reflexão, o arcebispo de São Luís do Maranhão lembrou dos rios poluídos, florestas devastadas e do clima em desequilíbrio. “Como nos recorda a Laudato Si’, tudo está interligado. Não existem duas crises separadas: uma ambiental e outra social. Existe uma e complexa crise socioambiental. Por isso, cuidar da criação não é algo secundário, não é moda, mas é evangélico, é justiça e fidelidade a Deus”, recordou dom Pastana.

Marilza Schuina, do Setor Ceb’s da Comissão do Laicato. | Fotos: Jaison Alves.

Crise socioambiental e necessidade de contemplar a criação

Ele ainda recordou as diferentes faces desta crise e concluiu que somente em Cristo é possível buscar soluções para o cuidado com a Casa Comum e com os mais pobres. “O mundo de hoje tem fome, mas não apenas fome de pão. Tem fome de sentido, de cuidado, de fraternidade, de Deus. E, muitas vezes, tentamos saciar esta fome com consumo, com acúmulo e com a lógica do descarte, mas nada disso preenche o coração humano. Somente Cristo sacia e quem se alimenta Dele aprende a viver de modo novo, aprende que viver não é possuir, mas cuidar”, concluiu.

Dom Pastana ainda lembrou que é necessário resgatar o exercício da contemplação. “Precisamos recuperar a capacidade de nos encantar com a criação, reconhecendo que tudo é dom de Deus, que tudo é graça Dele”. O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia refletiu o caminho do Magistério do Papa Francisco e a caminhada do Papa Leão XIV na defesa dos mais necessitados e na construção da paz.

“Hoje o Senhor nos interpela com seriedade: ‘o que vocês estão fazendo com a minha criação’ e mais ainda: ‘o que vocês estão fazendo com os meus pobres?’ Que continuemos a ser uma Igreja que escuta o clamor da terra e dos pobres, uma Igreja que vive com responsabilidade e testemunha, com a própria vida, o amor de Deus”, concluiu dom Gilberto Pastana.

A Missa pelo Cuidado da Criação foi concluída com a consagração a Nossa Senhora Aparecida feita pelo arcebispo de Manaus e membro da Comissão Episcopal para a Amazônia, dom Leonardo Cardeal Steiner.

 FONTE/CRÉDITOS: Por Felipe Padilha – Comunicação 62ª AG CNBB.
Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, CNBB e CRB firmam protocolo de intenções para a proteção de menores na Igreja no Brasil

Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, CNBB e CRB firmam protocolo de intenções para a proteção de menores na Igreja no Brasil

O documento foi assinado durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB e reforça o compromisso da Igreja com a proteção de menores e pessoas vulneráveis.

Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, CNBB e CRB firmam protocolo de intenções para a proteção de menores na Igreja no Brasil

O documento foi assinado durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB pelo presidente da Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, dom Thibault Verny; o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e a presidente da CRB, irmã Maria do Disterro Rocha Santos; com o objetivo de promover iniciativas conjuntas entre as instituições para o cuidado de menores e pessoas vulneráveis. O documento reconhece que promover ambientes seguros faz parte da missão evangelizadora e do cuidado pastoral da Igreja, por isso, defende a necessidade de construir uma cultura de prevenção, proteção e cuidados.

Pelo protocolo assinado, que está organizado em sete cláusulas, as conferências e a Pontifícia Comissão firmam o compromisso conjunto de, entre outras coisas, promover e fortalecer processos permanentes de informação pastoral, teológica e institucional nas diversas instâncias da Igreja; incentivar a cooperação entre dioceses, institutos, sociedades e organismos eclesiais, favorecendo a comunhão e a responsabilidade na missão; implementar boas práticas institucionais e pastorais que contribuam para o ambiente de relações saudáveis e promoção da cultura do cuidado da Igreja; e colaborar na promoção de ações preventivas e formativas de proteção de menores e pessoas vulneráveis em consonância com as orientações da Igreja.

Apresentação da Pontifícia Comissão

Antes da assinatura do protocolo, representantes da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores da Santa Sé falaram aos bispos sobre a política de proteção e cuidado nos espaços eclesiais. A Comissão, criada em 2014 pelo Papa Francisco, tem o objetivo de acompanhar dioceses, organismos e instituições eclesiais de todo mundo e propor iniciativas ao Papa de proteção de menores.

O presidente da Pontifícia Comissão, dom Thibault Verny, destacou aos bispos que tratar o assunto exige humildade e fraternidade. “Humildade pois não estamos aqui para dar lições com ar de superioridade sobre a prevenção e a situação de abuso. Devemos fazer o melhor possível, porque o assunto é crucial. Fraternidade porque desejamos caminhar com vocês, ombro a ombro, e ouvi-los”, falou o presidente da comissão.

Dom Thibault Verny | Foto: Jaison Alves – Comunicação 62ª AG CNBB.

Segundo ele, um dos principais obstáculos nessa luta é considerar-se perfeito. Reconhecer a verdade nem sempre é fácil, mas é o primeiro passo para se colocar no caminho. “Quando a Igreja realiza o trabalho com a verdade em auxílio às vítimas, anuncia a Boa Nova.”

Reforçando que a prevenção e cuidado com as pessoas vulneráveis é papel de todos, o presidente colocou a Pontifícia Comissão à disposição dos bispos, afirmando que a Igreja do Brasil tem papel profético nesse tema.

Em seguida, o secretário, dom Luis Manuel Ali Herrera, apresentou histórico e missão da Comissão. Destacou que ela não faz as vezes de Tribunal Eclesiástico ou de instituição acadêmica, mas expressa iniciativas de proteção com a proposta de acompanhar as dioceses na prevenção e no acompanhamento às vítimas. “A comissão trabalha junto às conferências que precisam de apoio.”

Visibilidade é ato de justiça

A oficial da Pontifícia Comissão de Tutela, Cláudia Giampietro, fez um apelo aos bispos, ressaltando que a contribuição que eles oferecem, como pastores, ninguém mais pode dar. “Vocês conhecem o Brasil, este Brasil que tem mais católicos do que qualquer outro país do mundo e o modo que ninguém em Roma pode conhecer.”

Em sua fala propositiva, Cláudia convidou os bispos ao diálogo e a pensarem o tema à luz da realidade que eles vivem, conhecem e pastoreiam em suas dioceses na Igreja do Brasil. “A pergunta que trago não é simplesmente para dizer como fazer, mas como tornar mais visível aquilo que já existe. A visibilidade, no caso da prevenção, não é uma questão primária, é um ato de justiça para quem eventualmente precisa encontrar uma porta aberta.”

Memória do Papa Francisco

Na assinatura do protocolo, o secretário geral da CNBB, dom Ricardo Hoeppers, recordou o ano de falecimento do Papa Francisco, que tanto trabalhou pela defesa dos mais vulneráveis. “Fazendo memória ao Papa Francisco e ao assinarmos o protocolo, que possamos firmar a esperança que deixou no coração de sermos Igreja para todos, todos, todos.”

Trabalho sobre as Diretrizes

Na segunda sessão do dia, os bispos deram novas sugestões ao texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil, apresentado ontem já com as emendas da primeira discussão.

FONTE/CRÉDITOS: Por Juliana Mastelini – Comunicação 62ª AG CNBB.