Na mensagem, o Santo Padre saudou cordialmente os participantes do encontro, reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e recordou a alegria da Ressurreição de Cristo como fonte de esperança para a missão da Igreja.
“Com a alegria e a esperança que nos vêm da boa nova da Ressurreição do Senhor, saúdo cordialmente a todos vós”, escreveu o Papa.
Leão XIV retomou também a saudação “A paz esteja convosco”, dirigida aos fiéis na Praça São Pedro após sua eleição como Sucessor de Pedro. Segundo ele, a atual realidade internacional, marcada por guerras e tensões, exige uma oração insistente pela paz.
“Num mundo marcado por violentos conflitos armados, devemos com urgente insistência suplicar ao Príncipe da Paz que ilumine os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais”, afirmou.
O Papa destacou ainda que a verdadeira paz não se resume à ausência de conflitos, mas nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da fraternidade entre os povos.
Na mensagem, Leão XIV recordou o ensinamento da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, ao afirmar que todos são “iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade”.
A 62ª Assembleia Geral da CNBB reúne bispos de todo o Brasil para momentos de oração, reflexão e deliberação sobre temas importantes para a vida da Igreja no país. Entre os assuntos debatidos estão as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, além de temas pastorais e sociais.
A mensagem do Papa foi recebida com gratidão pelos participantes da Assembleia, reforçando a comunhão entre a Igreja no Brasil e a Santa Sé.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal.
A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal
Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.
Painel da 59ª AG CNBB
Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente.
Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.
Discernimento Pastoral
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.
A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação
A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.
Consolidação e aprofundamento em 2024
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.
A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.
Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto
Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.
A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso:
“Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma.
Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das Diretrizes.
Dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Equipe de Elaboração das DGAE
Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.
“Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão final e votação em 2026
Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação.
Conselho Permanente reunido em março de 2026
O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto.
“Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica.
Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:
“Uma das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.
Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos reunidos em Assembleia:
“A equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”, afirma.
O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.
Um marco para a Igreja no Brasil
A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.
Composição atual da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS) Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM) Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP) Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN) Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT) Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE) Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB
No âmbito de sua missão pastoral e compromisso com os povos amazônicos, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), na pessoa de seu Secretário Executivo, Marcelo Lemos, visitou a comunidade indígena migrante Warao em Janoko, localizada no município de Cantá, no estado de Roraima, Brasil, em 10 de abril de 2026.
Uma Igreja que caminha com o povo.
A presença da Igreja nesta comunidade é resultado de um processo de colaboração entre a Igreja Católica e organizações da sociedade civil, que têm apoiado populações indígenas migrantes e refugiadas, especialmente o povo Warao da Venezuela.
A comunidade Warao em Janoko se estabeleceu como um espaço de acolhimento, organização e reconstrução de vidas, onde a identidade cultural, a espiritualidade e as redes comunitárias permanecem pilares fundamentais.
Um gesto que une a Amazônia à Igreja universal.
Durante a visita, foi relembrado um gesto significativo que expressa a voz e a dignidade do povo Warao: há seis meses, a CEAMA facilitou a entrega de cartas e de uma chinchorro (rede) feita com fibra de buriti, tecida por um artesão Warao, ao Papa Leão XIV.
Este símbolo, profundamente enraizado na cultura amazônica, representa repouso, encontro e comunidade, e foi apresentado como um sinal de esperança e comunhão entre os povos amazônicos e a Igreja universal.
Ouvir para responder: demandas da comunidade
Em um espaço de diálogo fraterno, líderes comunitários — incluindo o chefe Biasy Pinto — juntamente com representantes de grupos familiares, compartilharam suas principais preocupações e necessidades.
Dentre os processos judiciais apresentados, destacam-se os seguintes:
Segurança alimentar , como condição básica para uma vida digna.
Sustentabilidade comunitária, especialmente a reinstalação de fogões solares que promovem a independência energética.
A educação indígena concentra-se no fortalecimento das línguas, da identidade cultural e dos processos educacionais a partir de sua cosmovisão.
Essas reivindicações refletem não apenas necessidades urgentes, mas também o anseio por um desenvolvimento abrangente que respeite a dignidade, a cultura e os direitos dos povos indígenas.
Uma missão que se faz presente
Esta visita reafirma o compromisso da CEAMA com uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e missionário, que escuta, acompanha e age ao lado dos povos mais vulneráveis do território.
Em contextos marcados pela migração, pobreza e exclusão, a Igreja continua a ser um sinal de esperança, promovendo processos de articulação, defesa dos direitos e cuidado com a vida.
A presença em Janoko é uma expressão concreta de uma Igreja que caminha com o povo, reconhecendo nele sujeitos de vida, sabedoria e esperança para a Amazônia e o mundo.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta segunda-feira, 13 de abril, uma nota de apoio ao Papa Leão XIV em razão da defesa firme do Evangelho, pelo Santo Padre, no contexto das guerras no Oriente Médio. Confira, abaixo, a íntegra da Nota da CNBB.
CNBB une-se ao Papa Leão XIV em defesa da paz e do diálogo
A autoridade espiritual e moral do Papa não se orienta pela lógica do confronto político, mas pela fidelidade ao Evangelho, que continuamente eleva a voz em defesa da paz, da dignidade humana e do diálogo entre os povos. Nesse espírito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil une-se a Sua Santidade, Papa Leão XIV, reafirmando a comunhão e a unidade em torno desses valores evangélicos que iluminam a consciência cristã e sustentam a esperança da humanidade.
Cardeal Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre – RS Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Arcebispo de Goiânia – GO 1º vice-presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Arcebispo de Olinda e Recife – PE 2ª vice-presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers Bispo auxiliar de Brasília – DF Secretário-geral da CNBB
“Venho como um irmão”: assim Leão XIV se expressou em seu primeiro discurso em terras argelinas. Ao deixar o aeroporto internacional de Argel, a meta foi o Monumento dos Mártires, que recorda os mortos durante a independência do colonialismo francês.
Papa discursa pela primeira vez em Argel (@Vatican Media)
Ao desembarcar no Aeroporto internacional Houari Boumédiène, o Papa foi acolhido pelo Núncio Apostólico, Dom Javier Herrera Corona, e pelo Chefe de Protocolo da Argélia, que subiram a bordo para saudar o Santo Padre. Em terra, ao pé da escada dianteira do avião, o aguardava o Presidente da República, Abdelmadjid Tebboune, enquanto ressoavam 21 salvas de canhão. Uma menina em trajes típicos ofereceu flores e o Santo Padre foi acompanhado ao Salão de Honra para um breve encontro privado com o Presidente argelino. De lá, Leão XIV percorreu cerca de 18 km para o primeiro evento oficial no Memorial dos Mártires (Maqam Echahid), monumento icônico de concreto, inaugurado em fevereiro de 1982 pelo presidente Chadli Bendjedid, por ocasião do 20º aniversário da independência. Com mais de 90 metros de altura, representa três folhas de palmeira estilizadas, em homenagem aos que perderam a vida na luta contra o colonialismo francês.
O Pontífice foi recebido ao pé da escadaria do Monumento por um ministro. Em seguida, subiu as escadas, acompanhado por dois oficiais superiores da Guarda argelina, que transportaram uma coroa de flores, e passou em revista a Guarda de Honra. No topo, houve a deposição da coroa de flores. Após a execução do hino, seguiu-se um momento de silêncio para prestar homenagem aos mártires. Em seguida, o Papa e o Ministro dirigem-se para o lado esquerdo do terraço, para uma vista do porto de Argel e a foto oficial. Deslocam-se então para o lado oposto, onde uma multidão de cerca de 5.000 pessoas aguardava a saudação do Papa.
As-salamu alaykom!(A paz esteja convosco!)
Com a saudação da paz em árabe, o Papa Leão iniciou seu primeiro discurso em terras argelinas. “É sobretudo um irmão que se apresenta diante de vocês”, disse o Santo Padre, enaltecendo a hospitalidade e fraternidade do povo “forte e jovem”, como teve a oportunidade de experimentar enquanto religioso. No coração argelino, afirmou, “a amizade, a confiança e a solidariedade não são meras palavras, mas valores que contam e tornam calorosa e sólida a vida em comum”.
Leão XIV discorreu brevemente sobre a longa história rica em tradições, que remonta aos tempos de Santo Agostinho e muito antes ainda. Uma história também dolorosa, marcada por períodos de violência, que o povo soube superar graças “à nobreza de espírito”. Visitar este Monumento, portanto, “é uma homenagem a esta história, e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação”.
A verdadeira luta pela libertação, acrescentou, só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações: “Sei como é difícil perdoar. Todavia, enquanto os conflitos continuam a multiplicar-se em todo o mundo, não se pode acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração”.
“O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz. Por fim, a justiça triunfará sempre sobre a injustiça, e a violência, apesar das aparências, nunca terá a última palavra.”
Leão XIV falou de outro aspecto central que pertence ao patrimônio argelino, que é a fé em Deus. “Um povo que ama a Deus possui a riqueza mais verdadeira e o povo argelino conserva esta joia no seu tesouro. O nosso mundo precisa de fiéis assim, de homens e mulheres de fé, sedentos de justiça e unidade.”
Foi este o testemunho que deram os mortos que se honram neste Monumento. Eles perderam a vida, mas num outro sentido, entregaram-na por amor ao seu povo. “A sua história sustente o povo argelino e todos nós no nosso caminho, pois a verdadeira liberdade não se herda simplesmente, mas escolhe-se todos os dias.” Leão XIV concluiu seu discurso repetindo as palavras de Jesus aos discípulos, no chamado Sermão da Montanha:
«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3-10).
Pontífice visitará Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial entre 13 e 23 de abril.
Foto: @Vatican Media
Primeiro, a Argélia, depois três países que não veem um Papa há trinta anos: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Leão XIV prepara-se para a sua viagem mais longa, à África, de 13 a 23 de abril: quatro países, onze dias e uma dezena de cidades, onde falará em inglês, francês, português e espanhol. Na sua terceira viagem apostólica, depois da Turquia, do Líbano e do Principado do Mônaco, o Pontífice estadunidense irá mergulhar num mundo multifacetado de línguas, culturas, histórias e tradições diversas, explorando as realidades complexas, feridas pela violência, pelo fundamentalismo e pela tragédia da migração, mas marcadas pelo entusiasmo das novas gerações, pelo papel de liderança das religiões na busca da paz e pelo desafio da coexistência entre diferentes confissões.
Os precedentes dos Pontífices
Na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, descreveu a viagem papal e destacou todas as suas nuances e pontos principais durante a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas da imprensa internacional que acompanharão Leão XIV em suas diversas etapas. Segundo o porta-voz do Vaticano, esses são lugares “que um Pontífice não visita há muitos anos” e, no caso da Argélia, “onde um Papa nunca esteve antes”. João Paulo II visitou Camarões em 1985, como parte de uma longa peregrinação ao Continente Africano. Depois, Bento XVI em 2009, antes de viajar para Angola, onde Wojtyla já tinha ido em 1992. Wojtyla, por sua vez, fez uma parada na Guiné Equatorial em 1982, em sua segunda viagem apostólica à África (a primeira foi em 1980). O Papa Francisco, no entanto, nunca esteve em nenhum desses países, apesar de ter visitado dez países da África.
“É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por diversos povos e mundos”, enfatizou Bruni, descrevendo gradualmente as várias etapas da viagem.
Na Argélia, seguindo os passos de Santo Agostinho
Primeira etapa: Argélia, uma terra impregnada pelo testemunho e legado de Santo Agostinho, o pai da ordem religiosa à qual Robert Francis Prevost pertence. O próprio Leão XIV já havia antecipado essa visita no voo de volta de Beirute, quando — em resposta a perguntas de jornalistas sobre futuras viagens — revelou seu destino: África, acrescentando seu desejo de “visitar os lugares de Santo Agostinho”, mas também de continuar “o diálogo, a construção de pontes entre os mundos cristão e muçulmano”, para o qual o Bispo de Hipona é uma figura respeitada. Prevost já tinha viajado diversas vezes a Argel e Annaba no passado como Superior Geral dos Agostinianos. Agora, ele retorna como Papa e peregrino a uma “terra de testemunho cristão antigo e moderno”: não apenas Santo Agostinho, mas também os cristãos do Norte da África na época romana e a experiência de Charles de Foucauld no deserto do sul do país entre os tuaregues. Os sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas, assassinados na década de 1990, e os outros 19 religiosos de diversas ordens foram beatificados pelo Papa Francisco em 2018. “Uma terra de grande sofrimento”, disse Bruni, e também um lugar “profundamente amado”, cuja localização geográfica, entre o deserto e o Mar Mediterrâneo — aquele que tantos africanos tentam atravessar — dará uma oportunidade para abordar a questão da migração. Bruni também observou que as diversas observações do Pontífice haverá referência ao “risco de exploração de recursos por outros, sejam indivíduos ou organizações”.
Em Camarões, “uma África em miniatura”
Da Argélia, o Papa continuará sua viagem — pontuada por deslocamentos de avião ou de helicóptero quase diários — até Camarões: “Uma África em miniatura devido à variedade e riqueza de seu território, seus recursos e suas tradições, inclusive linguísticas”. João Paulo II falou de esperança ali, Bento XVI de reconciliação, justiça e paz. Leão XIV encontrará “um país que atravessa provações complexas devido à convivência de diversas realidades”, como as crises no Norte e Sudoeste, no Extremo Norte, ou o “veneno” do fundamentalismo, particularmente entre os jovens. Mas em Camarões, o Papa Leão XIV também poderá observar os esforços das religiões na construção da paz, incentivar o papel dos governos, da sociedade civil e das mulheres, e também chamar a atenção do público para as questões do meio ambiente e do desenvolvimento humano integral, também tendo em vista o décimo aniversário da Laudato si’.
Angola, uma “força para a mudança”
Paz, recursos naturais, humanos, juventude e as feridas da corrupção, da exploração e do colonialismo serão os pilares da viagem a Angola, uma terra tão jovem quanto seu povo. Sua “esperança” e “alegria”, disse Matteo Bruni, garantem que esta nação da África Austral possa hoje ser considerada “uma verdadeira fonte de inspiração espiritual e uma força para a mudança”. Sim, existe “a tentação da tristeza e do desânimo”, mas em Angola, a fé prevalece: “É o coração do cristianismo africano”.
Os recursos humanos e naturais da Guiné Equatorial
A viagem apostólica conclui-se na Guiné Equatorial. Uma realidade diferente, situações e desafios diferentes. Uma área do continente rica em recursos minerais, jazidas e, ainda mais, em humanidade, culturas e línguas. Numerosas ilhas, pesca difundida e numerosos cristãos reforçam o compromisso da Igreja “em apoiar e construir uma cultura de paz”. A cultura também é um tema proeminente na Guiné, com a presença de universidades, algumas das quais apoiadas pela Igreja local.
Comitiva e medidas de segurança
A comitiva papal incluirá o cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização; George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso; e dois chefes eméritos de Dicastério, Peter Appiah Turkson e Robert Sarah, ambos africanos. O novo substituto, Paolo Rudelli, e algunas agostinianos também estarão presentes, mas apenas durante a etapa na Argélia. O Papa frequentemente se deslocará de carro conversível durante as diversas celebrações. Respondendo a perguntas de jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou que não há preocupações com a segurança: “Não estão previstas medidas especiais. As medidas ordinárias são consideradas suficientes.”
Uma homenagem ao Papa Francisco
O Pontífice realizará a tradicional coletiva de imprensa com jornalistas a bordo do voo papal, e não está descartada a possibilidade de que ele “apareça” durante os voos internos: “Talvez ele tenha algo a dizer em algumas ocasiões”, como aconteceu, por exemplo, durante a viagem de Istambul a Beirute. Quanto à escolha dos diferentes países que compõem o itinerário, Bruni não apresentou razões específicas: a África, disse ele, é “um continente muitas vezes esquecido que precisa ser ouvido”, cujos “problemas” e “desafios” precisam ser abordados. Dentre eles, a poligamia — um tema também central nas discussões do sínodo — ou a falta de democracia em algumas regiões. “O Papa também abordará essas questões?”, perguntaram os repórteres. “Listei alguns tópicos; não está descartada a possibilidade de a poligamia ser discutida, mas o Papa certamente falará sobre família”, explicou Matteo Bruni. Sobre o outro ponto, ele respondeu que “com a liberdade com que o Papa visita cada país, encontrando pessoas e mundos políticos diferentes, ele se dirigirá a todos”.
Por fim, haverá uma homenagem ao Papa Francisco, cujo aniversário de morte ocorre em 21 de abril, durante sua viagem apostólica.
FONTE/CRÉDITOS: Por Salvatore Cernuzio – Vatican News
Ao longo de três dias, a Igreja convida os fiéis a mergulharem no mistério central da fé cristã
Foto: João Felipe
A Igreja inicia, nesta quinta-feira (02), o Tríduo Pascal, ponto mais alto da Semana Santa e momento central do ano litúrgico cristão. Nas paróquias e comunidades da Diocese de Roraima, os fiéis se preparam para celebrar os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A Quinta-feira Santa recorda de forma especial a Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia, o sacerdócio ministerial e deixou o mandamento do amor e do serviço fraterno. A celebração possui ritos próprios, como o lava-pés, o translado do Santíssimo Sacramento e o desnudamento do altar, que ajudam os fiéis a entrar no clima de recolhimento que antecede a Paixão do Senhor.
O vigário da Área Missionária Santa Rosa de Lima, padre Djavan André, explica que o gesto do lava-pés é um dos momentos que tornam a celebração única.
“O Lava-Pés é um rito litúrgico realizado durante a celebração da Quinta-Feira Santa. Ao lavar os pés dos discípulos, como vemos na liturgia, Jesus ensina que a verdadeira grandeza está em servir, ou seja, Cristo demonstra o seu amor pelas pessoas e mostra, de forma concreta, que a humildade e o serviço estão no centro de sua mensagem. Por isso, a principal lição do Lava-Pés é justamente a humildade. Ao celebrar o Lava-Pés nos dias atuais, os cristãos são lembrados e chamados a amar os outros como Jesus nos amou. Trata-se de um amor criativo, altruísta e inclusivo, que se traduz em gestos concretos de cuidado e serviço”, explicou o padre.
Sexta-Feira da Paixão: Crucificação e morte do Senhor
A Sexta-Feira da Paixão é o dia em que a Igreja recorda a Paixão e morte de Jesus Cristo. É o único dia do ano em que a Igreja Católica não celebra a Santa Missa. A ausência da celebração eucarística está profundamente ligada ao significado da data, que relembra a crucificação e a morte do Senhor, sendo marcada pelo silêncio, respeito e reflexão dos fiéis.
Esse gesto litúrgico simboliza o luto pela morte de Cristo. Em lugar da Missa, acontece a Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, uma celebração sóbria composta por leituras bíblicas, orações universais, adoração da cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão, com hóstias consagradas no dia anterior.
Sábado Santo: silêncio, espera e esperança
O Sábado Santo, também chamado de Sábado de Aleluia, é o momento em que a Igreja contempla Cristo morto e sepultado, recordando sua descida à mansão dos mortos. Do cair do dia da Sexta-Feira Santa até as Vésperas do Domingo de Páscoa, predomina o silêncio, em um clima de oração e expectativa pela Ressurreição.
À noite, a Igreja celebra a Vigília Pascal, considerada a mais importante de todo o ano litúrgico. A celebração inicia com a bênção do fogo novo e o acendimento do Círio Pascal, sinais da luz de Cristo ressuscitado. Também fazem parte da celebração a Proclamação da Páscoa, no antigo e belo canto do Exsultet; a Liturgia da Palavra, que percorre a história da salvação em várias leituras; o solene canto do Glória e do Aleluia; a liturgia batismal, que recorda a união dos cristãos à morte e ressurreição de Cristo pelo Batismo; e, por fim, a solene celebração da Santa Missa da Ressurreição.
Missa presidida pelo bispo diocesano marcou a renovação das promessas sacerdotais e a consagração dos óleos sagrados.
Lucas Rosseti
A Missa dos Santos Óleos foi celebrada na noite de ontem, terça-feira, 31 de março, reunindo fiéis, religiosos e sacerdotes de diversas paróquias da Diocese de Roraima. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler, na Catedral Cristo Redentor, localizada no Centro de Boa Vista.
Tradicionalmente celebrada na Quinta-feira Santa, a Missa dos Santos Óleos recorda a instituição do sacerdócio e da Eucaristia. Na Diocese de Roraima, a celebração ocorre na Terça-feira Santa, por circunstâncias pastorais, permitindo a participação dos padres que atuam nas diversas comunidades do Estado.
Durante a missa, os sacerdotes renovaram as promessas assumidas no dia da ordenação, reafirmando o compromisso com o serviço pastoral e a missão evangelizadora da Igreja. Na ocasião, também foram abençoados os três óleos utilizados nos sacramentos ao longo do ano: o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o Óleo do Santo Crisma.
A celebração também é conhecida como Missa da Unidade, justamente por simbolizar a comunhão entre o bispo e todo o clero, fortalecendo a missão da Igreja e a vida pastoral nas paróquias. O bispo Dom Evaristo destacou a importância da celebração para a vida da Igreja e para a renovação da missão sacerdotal.
“A missa reúne os padres, as religiosas e religiosos e o povo de Deus. Hoje todos os padres renovam o seu compromisso sacerdotal que fizeram no dia de sua ordenação. É uma missa muito bonita porque aqui se consagra os óleos, os óleos do crisma, do batismo e da unção dos enfermos”, destacou ele.
Além do clero, a celebração contou com a presença de religiosas e consagrados que atuam nas comunidades da Diocese, reforçando o espírito de unidade e compromisso com a evangelização. A Irmã Elisângela Gonçalves, da Congregação Filhas das Caridades, afirmou a alegria de participar da celebração e renovar o compromisso com a missão da Igreja.
“É um momento muito alegre e feliz para nós consagrados e consagradas participar deste momento único que é vivenciado ao longo desses dias. É um compromisso com a Igreja de Roraima, com o nosso Senhor e também com o povo”, disse a irmã.
Para os sacerdotes, a Missa dos Santos Óleos representa um momento especial de fraternidade e renovação espiritual, vivido em comunhão com o bispo e com toda a Igreja.
A Missa dos Santos Óleos marcou o início das celebrações centrais da Semana Santa na Diocese e preparou a Igreja para os ritos que recordam a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.