Leão XIV reconhece virtudes heroicas do Pe. Júlio Maria De Lombaerde

Leão XIV reconhece virtudes heroicas do Pe. Júlio Maria De Lombaerde

O Papa também reconheceu o martírio de sacerdotes espanhóis, mortos por ódio à fé em 1936, e as virtudes heroicas de religiosas italianas, espanhola e

Leão XIV reconhece virtudes heroicas do Pe. Júlio Maria De Lombaerde
Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde

Durante a audiência concedida na manhã desta quinta-feira (18/06), ao prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar os Decretos referentes:

– ao martírio dos Servos de Deus Juan Torres Torres e 19 Companheiros, sacerdotes diocesanos, assassinados entre agosto e setembro de 1936, por ódio à fé, no território da Diocese de Ibiza (Espanha), no contexto da mesma perseguição;

– às virtudes heroicas do Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde (nascido Júlio Emílio Alberto De Lombaerde), sacerdote professo da Congregação dos Missionários da Sagrada Família e fundador da Congregação das Filhas do Imaculado Coração de Maria, da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, nascido em Waregem (Bélgica) em 7 de janeiro de 1878 e falecido próximo ao atual município de Alto Jequitibá (Brasil) em 24 de dezembro.

O Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde foi um missionário católico belga naturalizado brasileiro, tendo se destacado como escritor e evangelizador. Sua vida e legado religioso são marcados por numerosas realizações. Nascido na Bélgica, adotou o nome “Maria” por devoção à Virgem Santíssima e suprimiu “Emílio Alberto”. Chegou ao Brasil em 1913. Atuou por 16 anos no Norte e Nordeste (como no Amapá) e 16 anos em Minas Gerais. Faleceu tragicamente em um acidente automobilístico em 24 de dezembro de 1944, em Alto Jequitibá (MG), aos 66 anos. Além da fundação das três Congregações religiosas, escreveu dezenas de obras literárias de apologética e catequese, além de atuar fortemente na construção de hospitais, patronatos e escolas para os vulneráveis.

O Santo Padre também autorizou o mesmo Dicastério a promulgar os Decretos referentes:

– às virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Teresa Tallon (nascida Julia Teresa), fundadora da Congregação das Visitadoras Paroquiais de Maria Imaculada, nascida em 6 de maio de 1867, em Hanover, EUA, e falecida em 10 de março de 1954, em Monroe, EUA;

– às virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Agnese Tribbioli, religiosa professa e fundadora da Congregação das Irmãs Pias Operárias de São José, nascida em 20 de abril de 1879, em Florença, Itália, e lá falecida em 27 de janeiro de 1965;

– às virtudes heroicas da Serva de Deus Clara Andreu y Malferit (nascida Barbara Onofria), monja professa do Mosteiro dos Jerônimos de San Bartolomeo de Inca, nascida em 4 de dezembro de 1596, em Palma de Maiorca, Espanha, e falecida em 24 de junho de 1628, em Inca, Espanha;

– às virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Petra Giordano (nascida Nicoletta), monja professa da Ordem das Pregadoras, nascida em 4 de julho de 1912, em Nápoles, Itália, e falecida em 21 de junho de 2006, em Bibbiena, Itália.

 FONTE/CRÉDITOS: Vatican News

“A Igreja de Roraima escolheu estar ao lado dos povos indígenas”, disse Dom Evaristo durante Assembleia da Hutukara.

“A Igreja de Roraima escolheu estar ao lado dos povos indígenas”, disse Dom Evaristo durante Assembleia da Hutukara.

Lideranças indígenas, Igreja e organismos internacionais discutem proteção territorial, direitos e os impactos do garimpo na TIY.

“A Igreja de Roraima escolheu estar ao lado dos povos indígenas”, disse Dom Evaristo durante Assembleia da Hutukara.
Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima

A defesa dos povos indígenas e os desafios enfrentados na Terra Indígena Yanomami pautam a 8ª Assembleia Ordinária da Associação Hutukara. Realizada entre os dias 15 e 18 de junho, no Centro Regional Lago Caracaranã, em Normandia, norte de Roraima.  O encontro reúne lideranças indígenas, representantes de associações e instituições para discutir temas relacionados à saúde, educação, proteção territorial e governança da Terra Indígena Yanomami.

A programação desta quarta-feira (17) contou com a participação do bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Spengler, e de representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Antes da mesa de debates, os convidados foram recebidos com cantos e danças tradicionais apresentados pelos Yanomami.

Criada em 2004, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) é umas das principais organizações indígenas do país. A entidade atua na articulação política dos povos Yanomami e Ye’kwana.

O vice-presidente da HAY, Dário Kopenawa, ressaltou os avanços conquistados pela organização ao longo dos anos.

“Nós sofremos muito, mas também tivemos bastantes conquistas. Por exemplo, no combate aos invasores da Terra Indígena Yanomami, conseguimos expulsar grande parte deles do território. Realizamos diversos encontros com as associações e promovemos fóruns de lideranças na Terra Indígena Yanomami. Também fortalecemos a articulação com organizações parceiras, como os povos Munduruku, Kayapó e Yanomami”.

Apesar dos avanços conquistados, Dário ressaltou que ainda há desafios pela frente. Segundo ele, a Hutukara continuará trabalhando para garantir os direitos dos povos indígenas e a proteção de seus territórios.

Dário Kopenawa – Foto: Kayla Silva

A Igreja reafirma compromisso com os povos originários

Durante sua fala, Dom Evaristo recordou a trajetória da Igreja junto aos povos originários de Roraima e reafirmou o compromisso da instituição com a defesa da vida e dos direitos humanos.

“Há décadas, a Igreja local escolheu estar ao lado das comunidades indígenas para viver o evangelho na história, partilhando suas alegrias e sofrimentos, escutando seus clamores e assumindo, com elas, a defesa da vida, da terra e da dignidade”, disse o bispo.

O bispo destacou ainda que a missão da Igreja não está ligada ao poder público, mas à promoção da dignidade humana.

“Como Igreja, não temos poder de governo, mas estamos junto ao povo Yanomami cobrando ações do Governo e da Justiça. O povo Yanomami sempre é protagonista de suas próprias ações,” ressaltou.

Dom Evaristo Spengler – Foto: Kayla Silva

Representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ressaltaram a importância de ouvir diretamente as lideranças indígenas e conhecer a realidade vivida pelas comunidades.

Segundo a CIDH, já existem diversos diagnósticos e evidências sobre os impactos da mineração ilegal nos territórios indígenas. A comissão colocou à disposição mecanismos de acompanhamento e defesa dos direitos humanos, reforçando a necessidade de manter o diálogo com as lideranças locais.

Lideranças denunciam impactos do garimpo

Durante os debates, lideranças indígenas manifestaram preocupação com os impactos da mineração ilegal na Terra Indígena Yanomami. Umas das lideranças afirmou que o garimpo ameaça a sobrevivência das comunidades e pediu que as denúncias sejam levadas às autoridades.

“Eu não quero que aconteça sofrimento na nossa terra por causa da mineração, pois nós somos moradores da terra. Esses garimpos nós não queremos. Levem minhas palavras para vossas autoridades. Essa terra é nossa mãe. Se estragar nossa terra, como vamos viver?”.

Outra liderança reforçou a rejeição dos Yanomami à exploração mineral dentro do território.

“Nós, Yanomami, somos povo da terra e não permitimos projeto de lei de mineração. Sabemos que a mineração explora a Terra Indígena Yanomami e não queremos isso. Levem essa mensagem para a Câmara dos Deputados. Não queremos mais contaminação da terra”.

Também houve pedidos por mais ações de proteção territorial e fortalecimento da vigilância nas comunidades.

“Peço que o governo tome providências para a proteção de nossas terras. Nós, mulheres Yanomami, não queremos a invasão dos nossos territórios. Nossos rios, lagos e florestas precisam permanecer vivos para garantir o futuro de nossos filhos”, disse uma liderança presente.

Mensagem do Vaticano à Assembleia da Hutukara

A Secretaria de Estado do Vaticano enviou uma mensagem aos participantes da 8ª Assembleia da Hutukara Associação Yanomami. No texto, transmitido pelo secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, o Papa Leão XIV assegura suas orações pelo encontro e pelos povos indígenas.

A mensagem, encaminhada ao bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Spengler, destaca a importância da assembleia para o fortalecimento da união dos povos em torno de seus valores e princípios tradicionais

 Confira a mensagem: