Cardeal Steiner: Somos todos vocacionados a semear a Palavra

Somos todos vocacionados a semear a Palavra. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, durante celebração Eucarística das 7h30, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição. Os mais de 70 congressistas do Pré-Congresso Vocacional Regional estiveram presentes na celebração que marcou o último dia do encontro. Em sua homilia o cardeal recordou que todos somos convidados a ser terra fértil que dá frutos, e nos leva à plenitude da vida.

Os bispos Dom Wilfried Theising, auxiliar da Diocese de Münster (Alemanha), em visita à Arquidiocese de Manaus e Dom José Albuquerque, da Diocese de Parintins e Referencial para o Serviço de Animação Vocacional Nacional (SAV) concelebraram a Eucaristia.

Além de Pe. Valmir Costa, coordenador do Departamento de Formação do Instituto Pastoral Vocacional (IPV), assessor do pré-congresso; os padres Leonardo dos Santos, assessor do SAV arquidiocesano e Pedro Cavalcante, Reitor do Seminário Arquidiocesano São José; Pe. Alex Mota, da Prelazia de Itacoatiara, os padres Marco Aurélio e Lyvio Costa, da Diocese de Parintins; Pe. Josinaldo da Silva, da Diocese de Coari e Pe. Pedro Cezar do Amaral, de Tabatinga, Diocese do Alto Solimões.

Você confere abaixo a homilia do cardeal Leonardo Steiner:

O semeador saiu a semear. A palavra que desde toda a eternidade está semeando. Desde toda a eternidade está semeando. Semeou, estrelas, semeou sóis, luas, plantas, águas, animais. Vemos a mão generosa que lança sementes e que os números não controlam, os cálculos enlouquecem. Não foi a Palavra que tudo criou, nos gerou? Semeou um povo que gerou o Filho de Deus, a filha de Sião, e semeou esperança, libertação, coragem, fidelidade, e continua a semear. E nós somos os receptadores, receptadoras da Palavra. A Palavra do amor, a Palavra da conversão, a Palavra da esperança, a Palavra da libertação, a Palavra do afeto.

Quantas sementes a quase enlouquecer o nosso coração. O semeador é esparramar palavras. Quase nos foi dado vir o cair das sementes pela abundância do semeador. Generoso, abundante, desmedido, a semear. Semeia à beira do caminho, semeia entre pedras, entre espinhos, até encontrar a terra boa. Semeia, semeia sempre. Teimosamente semeia. Não houve lugar onde as sementes não caíssem. E semeou, espalhou, espargiu como se desejasse que toda a terra recebesse o dom da semente. Não que distribuísse as sementes, pois era generoso demais em apenas entregar ou deixar cair.

Ao lançar com a mão semeadora, buscava espaços para que a semente pudesse germinar, mais, frutificar. Sementes irradiadoras não porque sobrassem, mas porque ele procura e busca o lugar para germinar e frutificar. Talvez possam crescer também à beira do caminho, talvez até entre pedras, talvez até entre espinhos. E na medida em que acompanhamos a palavra que é lançada em todas as direções, em todos os espaços, somos tomados de uma espécie de encanto, admiração pela abundância, a generosidade do semeador. Esperança de quem ao semear deseja germinação, frutificação. A sementeira foi feita pelos apóstolos e pelos profetas, mas é Jesus quem semeia, nos diz Santo Agostinho.

Semeando, pois, entre as nações, o que disse Cristo? Um semeador saiu a semear. No outro texto, os semeadores foram enviados para colher. Agora, o semeador sai para semear. Não se queixa, no entanto, do trabalho. Com efeito, que importa que o grão de trigo caia beiro do caminho sobre as pedras ou entre espinhos? Se ele se deixasse desencorajar por esses lugares ingratos, não avançaria e não chegaria até a terra boa. É de nós que fala o texto, nos diz Santo Agostinho.

Ele está a falar de cada um de nós. Seremos esse caminho, essas pedras, esses espinhos? Somos a terra boa? Dispomos o nosso coração para produzir 30 vezes, 60 vezes, 100 vezes, poderíamos dizer mil vezes. 30 vezes, mil vezes, sempre trigo, apenas trigo. A graça, a força da Palavra. Não sejamos mais esse caminho onde a semente é pisada por quem passa e onde o nosso inimigo agarra. Nem essas pedras onde a terra é pouco profunda faz germinar rapidamente um grão que não consegue resistir ao calor do sol. Nunca mais esses espinhos, as ambições deste mundo, esse hábito de fazer o mal. E conclui Santo Agostinho, com efeito, que coisa pior pode haver do que aplicar todos os esforços a uma vida que impede chegar à plenitude da vida? Que coisa mais infeliz que escolher a vida para perder a vida? Que coisa mais triste que temer a morte para sucumbir ao poder da morte? Arranquemos os espinhos, preparemos o terreno, recebamos a semente, aguentemos até a colheita, aspiremos por poder dar muito fruto.

Então, queridos irmãos, queridas irmãs, dispomos a nossa pessoa, o nosso ser, para sermos aqueles, aquelas que produzem 100 vezes mais, 60 vezes mais, 30 vezes mais. Não sejamos esse caminho onde a semente é pisada por quem passa, não sejamos as pedras com pouca umidade, não sejamos os espinhos que sufocam a graça da Palavra. Jesus é o semeador, mas ao mesmo tempo a semente.

A Palavra, a Palavra que saiu de Deus e veio semear, e semeia e continua a semear sempre, senão não estaríamos aqui, senão não faríamos um pré-congresso vocacional, se não tivéssemos recebido a graça da Palavra, a semente da Palavra de Deus. A generosidade e a gratuidade de quem semeia não está preocupado com o grão de trigo que cai à beira do caminho, sob as pedras ou entre os espinhos. Ele se deixa desencorajar por esses lugares ingratos? Não, porque senão não avançaria até a terra boa. Não importa o terreno, as dificuldades ou contrariedades, muito menos as perspectivas de sucesso da colheita. O que importa é semear, é espargir.

Como Deus, queridos irmãos e irmãs, é extraordinário, está insistentemente semeando em cada um de nós. Semeando em cada um de nós em todas as nossas situações existenciais em todos os nossos fechamentos e distrações em todas as nossas rejeições e afastamentos em todas as nossas recusas assim mesmo ele semeia não deixa de semear sejamos então terra boa.

A terra é boa, o semeador o mesmo e as sementes as mesmas, e, no entanto, como é que um deu 100, outro 60, outro 30? Aqui a diferença depende também de quem recebe, isto é, de cada um de nós. Porque mesmo sendo a terra boa, há muita diferença entre uma parcela do terreno e outra. Pois vê que a culpa não é do lavrador, nem da semente, mas da terra que recebe. Na transformação, queridos irmãos, queridas irmãs, somos enviados como semeadores e semeadoras.

Pré-Congresso Vocacional

O cardeal recordou a participção dos irmãos e irmãs que participaram do pré-Congresso Vocacional Regional. Ele foi uma preparação para o Congresso Vocacional Nacional, que terá como tema “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão” e acontecerá na cidade de Aparecida (SP), de 4 a 6 de setembro de 2026.

“Somos todos, por graça da semente, somos todos discípulos missionários, discípulas missionárias, somos todos vocacionados a semear a Palavra. Somos todos enviados para sermos testemunhas do Reino novo. O batismo nos vocacionou, nos vocacionou para o anúncio, para o testemunho. Todas as vocações na Igreja são enviadas para entregar e oferecer a semente da esperança. Da vida que possa desabrochar em plenitude, semear grãos de esperança, semear a paz que deixa resplandecer a liberdade. Semear energia e vitalidade para enfrentar as dificuldades da vida, semear consolo, semear ousadia e conforto para reerguer os caídos, semear amor e consolo com o bálsamo dos nossos pés cansados, abundância e generosidade, sim, semear sempre, abundantemente”, explicou o cardeal.

O arcebispo resgatou o ensinamento da primeira leitura, onde o profeta Isaías nos diz que a “Palavra que sai de minha boca não voltará vazia. Antes, realizará tudo que for da minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi ao enviá-la”. Segundo cardeal, essas palavras nos recordam que “somos enviados como semeadores e semeadoras para que a Palavra de Deus justifique em todos os corações”. Ele acrescentou que o Evangelho de hoje “nos incita a perceber que apesar do aparente fracasso, a Palavra, no entanto, frutifica. Recordemos, a Palavra de Deus não voltará sem produzir fruto, se formos um terreno bom e generoso”.

“Ó Jesus, a todos generosamente ofereceis vossa Palavra, vossa doutrina. Como não faz o semeador de extinção na terra que lavra, mas semeia simplesmente e generosamente em toda parte, assim também vós, na pregação, não distingues o rico do pobre. O douto do ignorante, o fervoroso do preguiçoso, o corajoso do covarde, mas a todos indistintamente entregais a semente da Palavra. A todos ofereceis a salvação”, finalizou o arcebispo com esta oração.

Por Emmanuel Grieco

Regional Norte 1 da CNBB inicia Pré-Congresso Vocacional em Manaus

Regional Norte 1 da CNBB inicia Pré-Congresso Vocacional em Manaus

De 10 a 12 de julho de 2026, no Centro de Formação Maromba, em Manaus.

Regional Norte 1 da CNBB inicia Pré-Congresso Vocacional em Manaus
CNBB – NORTE 1

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou o Pré-Congresso Vocacional. Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão” e lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46). De 10 a 12 de julho de 2026, no Centro de Formação Maromba, em Manaus. O encontro é uma preparação colaborativa para o 5º Congresso Vocacional do Brasil, promovido pela CNBB.

A primeira noite contou com uma apresentação do SAV Regional por Dom José Albuquerque, bispo da Diocese de Parintins e referencial nacional do SAV e por Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. Em sua fala, Dom Zenildo Lima recordou que desde a década de 70 os bispos pensavam em um formato de Igrejas Locais que correspondessem às realidades da Amazônia.

Embora existisse uma profunda gratidão à “forte da presença das congregações missionárias”, alguns nomes do episcopado da época desejam que se constituísse um Igreja com rostos pertencentes ao território amazônico. Nomes como Dom Adalberto Marzi, no Alto Solimões e Dom Gutemberg Regis, em Coari. Dom Jorge Marskell, em Itacoatiara, Dom Arcângelo Cerqua, em Parintins, e Dom João de Sousa Lima em Manaus tiveram a percepção do o sínodo hoje chama de “Igreja com rosto amazônico”.

“São lideranças que pensaram isso: A gente tem que levar para frente a vida dessa Igreja. Somos profundamente agradecidos aos missionários Ad Gentes que atravessaram o oceano para vir para cá, mas temos que ter o projeto de Igreja. Um dos mais lúcidos, nesse sentido, foi o bispo de Coari (Dom Gutembeg Regis) que pensou um projeto muito claro de agentes autóctones não somente clero, né?! Depois então começamos um caminho de pastoral vocacional”, explicou o bispo.

Caminho vocacional

Ao recordar o caminho vocacional do regional, Dom Zenildo lima destacou que inicialmente a animação da Pastoral Vocacional era feita por presbíteros. Nas décadas de 70 e 80, a pastoral procurava compreender o homem e a mulher amazônidas. Isto é, havia uma preocupação com a pessoa com a qual se trabalharia, nas palavras do bispo, “um peso antropológico”.

“Depois, num outro momento da nossa animação vocacional, sempre dentro desse projeto de Igreja, a gente pensou assim, precisamos diversificar a ministerialidade. Então, a preocupação de ter clero local sempre foi um desafio para as nossas dioceses e prelazias. Mas, sobretudo, a preocupação de uma Igreja que fosse servida além do ministro presbítero, outros ministros também. Nos últimos anos, a gente retomou muito esse discurso da ministerialidade”, recordou bispo.

Ao pensar sobre a ministerialidade, o bispo recordou que as últimas diretrizes do nosso regional “a comunidade aparece como um elemento muito significativo”. E relembrou que o cardeal Leonardo Steiner, tem insistido nos seus recentes discursos que “onde tem a comunidade, tem a igreja”. Uma abordagem a partir da comunidade que permite sua diversidade de sujeitos.

Homens e mulheres comprometidos

Inicialmente a animação vocacional envolvia os presbíteros. Depois, as mulheres da vida religiosa construíram um legado da animação. Também os cristãos leigos e leigas sempre estiveram presentes. A exemplo na Diocese de Parintins, que conta com da presença de casais, da vocação matrimonial dentro dessa perspectiva da animação vocacional”, afirmou Dom Zenildo Lima.

Ainda que a animação vocacional do regional transmita a sensação de constantes recomeços, o auxiliar enfatizou que eles nunca iniciam do zero. Esses recomeços são sempre construídos em cima daquilo que em algum momento da história já foi trabalhado. Por esse motivo, é capaz de formar discípulos missionários, comprometidos com a realidade e com o exercício de serviços ministeriais na Amazônia.

“Comprometidos com a realidade histórica dessa região, comprometidos com as questões socioambientais, comprometidos com a questão do cuidado com a casa comum. Comprometidos com algumas lutas que a gente trava, algumas questões que são permanentes para nós, como o combate à violência, o combate ao tráfico de pessoas, essas coisas que foram entrando na nossa pauta, mas não simplesmente como um ponto solto dentro da dinâmica pastoral”, disse Dom Zenildo Lima.

Frutos do trabalho missionário

Dom José Albuquerque destacou que a presença de rostos amazônicos no encontro é fruto do trabalho de missionários vindos de “diversas partes do Brasil e do mundo”. Eles contribuíram para que nos compreendêssemos como vocacionados. Com isso, a Igreja na Amazônia assumiu uma forte característica missionária. Com “o cheiro das ovelhas”, que pisa no chão, na lama, que anda de rabeta, de canoa, enfrenta temporais, que dorme em rede”.

“É uma igreja que é marcada por essa dimensão missionária, que isso é muito original. E é também uma igreja onde a força dos cristãos leigos e leigas é inegável. Principalmente das mulheres. As mulheres são protagonistas. Ai de nós bispos e padres, se não fossem as religiosas, as leigas, nos mais diversos serviços pastorais. A força da mulher aqui é algo muito bonito, que a gente precisa também saber valorizar. E as mulheres não estão assim como auxiliares, não são apenas assessoras, são protagonistas”, pontuou o bispo.

A expectativa do Congresso Nacional é fortalecer a consciência de que a comunidade eclesial é o ambiente fundamental para a animação, discernimento e vivência vocacional. Essa promoção de uma cultura vocacional, traz como novidade a perspectiva de uma nova linguagem para alcançar as novas realidades.

Com assessoria de Pe. Valmir de Costa, RCJ, Religioso Rogacionista. Doutor em Filosofia e Coordenador do Departamento de Formação do Instituto de Pastoral Vocacional. Os mais de 70 participantes enfatizam a missão como elemento constitutivo do Serviço de Animação Vocacional.

 FONTE/CRÉDITOS: Por Emmanuel Grieco

“Antes de te chamar, Deus te amou”, afirma Dom Arnaldo Neto durante missa com os padres de Jundiaí e Roraima.

“Antes de te chamar, Deus te amou”, afirma Dom Arnaldo Neto durante missa com os padres de Jundiaí e Roraima.

A celebração reuniu missionários das duas dioceses e integrou a programação pelos 10 anos do Projeto Igrejas Irmãs.

“Antes de te chamar, Deus te amou”, afirma Dom Arnaldo Neto durante missa com os padres de Jundiaí e Roraima.
Foto: Kayla Silva

A celebração eucarística desta quinta-feira (9), na Prelazia da Diocese de Roraima, reuniu padres das dioceses de Roraima e Jundiaí (SP) como parte da programação da visitar pastoral que celebra os 10 anos do  Projeto Igrejas Irmãs – Norte 1/Sul.

Durante a homilia, o bispo da diocese de Jundiaí, Dom Arnaldo Neto, destacou que a missão nasce do amor de Deus e lembrou que todo missionário é chamado, antes de tudo, a viver essa experiência.

“Antes de sermos chamados e enviados, somos todos amados por Deus”, disse.

Dom Arnaldo também ressaltou que o anúncio do Evangelho se manifesta na realidade amazônica, juntos aos povos indígenas e migrantes. Segundo ele, a missão compartilhada entre as duas dioceses é um testemunho do Reino de Deus e dos frutos gerados ao longo da última década.

Foto: Kayla Silva

Um dos pioneiros da missão, o padre José Roberto, que atuou em Roraima no inicio do projeto, em 2015, afirmou que a experiência marcou profundamente sua caminhada sacerdotal.

Para ele, os desafios pastorais enfrentados fortaleceram seu ministério e proporcionaram um grande aprendizado sobre a realidade da Igreja na Amazônia.

“Foi uma oportunidade muito boa, um aprendizado muito grande. Levo essa experiência para toda a minha vida sacerdotal”, contou.

Padre José Roberto também destacou a hospitalidade do povo roraimense e agradeceu o carinho recebido durante a missão.

Outro missionário pioneiro, padre Noberto Savietto, relembrou o impacto do primeiro contato com a Igreja na Amazônia. Apesar das diferenças culturais e das grandes distâncias, afirmou que a acolhida das comunidades tornou a experiência enriquecedora.

Já o padre Diego Araújo, que esteve no Sul de Roraima como seminarista em 2019 e retornou neste ano como sacerdote, destacou o crescimento das comunidades. Segundo ele, foi possível perceber o amadurecimento da vida pastoral e da participação dos fiéis em São Luiz, São João da Baliza e Caroebe