Faculdade Católica do Amazonas inicia curso de Realidade Amazônica em Manaus

A Faculdade Católica do Amazonas, em parceria com o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), iniciou o Curso de Extensão Universitária ‘Realidade Amazônica’, no Centro de Formação Maromba, em Manaus. Entre os dias 20 e 30 de julho, os 21 participantes, vindos da Etiópia, Itália, Camarões, Quênia e outras regiões do Brasil, terão a oportunidade de refletir o serviço missionário no chão amazônico.

Fé antecede sinais

Na missa de abertura, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus e reitor da Faculdade Católica, recordou que a Amazônia é o lugar do amor de Deus. Ele enfatizou que “a fé antecede os sinais”, e, por isso, “nós não precisamos de provas reais, concretas, empíricas para afirmar a presença de Deus no meio de nós”, Ele se revela.

 O bispo insistiu que a fé implica adesão e abertura para Deus que se revela na realidade de cada ser humano. Reconhecer essa revelação de Deus “implica querer aprender” e se dispor “a escutar e a caminhar juntos”, o caminho sinodal. Durante os 10 dias de formação, os inscritos participaram de atividades de conhecimento teórico e vivência pastoral nas comunidades da Arquidiocese de Manaus.

“Nessa beleza de Deus. Deus faz com que tudo possibilite o diálogo, quando existe vontade de amar e de servir. Não tem nada que não possa, de fato, ser transformado. Quando há a intenção de semear, de se doar, de poder aprender e de poder também se realizar por aqui”, afirmou Dom Joaquim Hudson.

Durante sua homilia, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, reforça a necessidade de servir as melhor as pessoas. Capela do Centro de Formação Maromba, Manaus, 2026.

Metodologia participativa

A metodologia sinodal, decolonial e intercultural busca configurar os agentes de pastoral nas comunidades eclesiais e serviços pastorais na Região Amazônica. Assim, colaborar para padres, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, participantes do curso sejam capazes de promover propostas concretas de ação libertadora e encarnada na realidade em que estão inseridos.

De acordo com a organização do curso, a exepectitiva é possibilitar uma imersão em informações sistematizadas no território, nas histórias e temáticas contemporâneas da realidade amazônica. Adotando uma reflexão sobre as questões pastorais emergentes para compreender a missão da Igreja, como “amazonizar” a teologia e as práticas missionárias. Além de atividades de campo nas periferias e comunidades ribeirinhas da Arquidiocese de Manaus.

Módulo ‘Inculturação Interculturalidade’ com o professor Dr Bruno Miranda, Auditório do Centro de Formação Maromba. Manaus, 2026.

Conhecimentos teóricos

Entre os conhecimentos teóricos oferecidos, está uma análise de conjuntura da realidade socioambiental, político-econômica, cultural e eclesial da Amazônia. Essa perspectiva inclui o estudo de ‘Cidades na Amazônia‘, com a professora Ma. Deusa Costa. Também uma abordagem sobre a ‘História da Igreja na Amazônia‘, com a professora Dra. Elisângela Maciel e ‘Comunidades Amazônicas‘, ministrada pela Ma. Núbia Gonzaga e Me. Franco Lindemberg.

Nos horizontes geográficos e movimentos sociais na Amazônia, os inscritos aprenderão sobre a ‘Realidade Política e Socioambiental’ com a professora Dra. Socorros Chaves, e ‘Territorialidade, Bioma e Recursos na Amazônia’, ministrada pela professora Dra. Neila Picanço. No que diz respeito a História, cultura e sociedade serão abordadas as ‘Tradições Religiosas da Amazônia: Indígena e Afro’ e ‘Inculturação Interculturalidade’ com o professor Dr. Bruno Miranda.

Ainda nesse eixo, os participantes trabalharam os ‘Aspectos Sociopsicológicos‘ com Ir. Maria Couto e a ‘Igreja Ministerial Amazônica’, com a professora Dra. Andreza Weil. Outro eixo de estudo é a Espiritualidade e vozes da Amazônia, que abordará a ‘Ecologia Integral e Laudato Si’, com o professor Dr. Rodrigo Fadul. ‘Sínodo para a Amazônia e Sinodalidade’ com o professor Dr. Pe. Ricardo Castro e o Manual Proteção de Crianças e Adolescentes e Adultos Vulneráveis (CNBB Norte 1), com a Ir. Roselei Bertoldo.

Grupo dos participantes do curso, professores e membros da Faculdade Católica do Amazonas no final do 1º módulo teórico.

Texto e fotos: Emmanuel Grieco

Comunhão, discernimento e missão digital marcam conferência da Comissão para a Comunicação

Em diálogo com mais de 1.500 agentes da Pastoral da Comunicação reunidos em Aparecida, Dom Valdir José de Castro, Dom Edilson Soares Nobre e Dom Amilton Manoel da Silva refletiram sobre a dimensão humana da comunicação, a missão evangelizadora da Igreja e os desafios do ambiente digital. Mais de 1.500 agentes da.

Em diálogo com mais de 1.500 agentes da Pastoral da Comunicação reunidos em Aparecida, Dom Valdir José de Castro, Dom Edilson Soares Nobre e Dom Amilton Manoel da Silva refletiram sobre a dimensão humana da comunicação, a missão evangelizadora da Igreja e os desafios do ambiente digital.

Mais de 1.500 agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom), representantes dos 19 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participam, entre os dias 24 e 26 de julho, do 9º Encontro Nacional da Pascom, realizado no Santuário Nacional de Aparecida. Com o tema “Evangelização em Movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, o encontro promove dias de formação, espiritualidade e partilha de experiências, convidando os comunicadores a aprofundarem sua identidade missionária e a refletirem sobre os desafios e as possibilidades da evangelização em um mundo cada vez mais conectado.

Na noite de sexta-feira, 24 de julho, a segunda conferência do encontro reuniu os três bispos que integram a Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB: Dom Valdir José de Castro, bispo da Diocese de Campo Limpo e presidente da Comissão; Dom Edilson Soares Nobre, bispo da Diocese de Guarabira (PB); e Dom Amilton Manoel da Silva, bispo da Diocese de Guarapuava (PR). Em um diálogo marcado pela complementaridade das reflexões, os bispos abordaram os desafios e as perspectivas da comunicação evangelizadora, conduzindo os participantes a uma profunda reflexão sobre a missão da Pascom na Igreja e na sociedade contemporânea.

Abrindo a conferência, Dom Valdir José de Castro conduziu a reflexão para a dimensão mais essencial da comunicação: a pessoa humana. Para o bispo, antes de qualquer técnica ou ferramenta tecnológica, comunicar é um ato profundamente humano.

Ao apresentar Jesus Cristo como o comunicador por excelência, Dom Valdir destacou que sua comunicação ia muito além das palavras. Ela acontecia por meio dos gestos, do olhar, da escuta, da proximidade e da compaixão. Inspirado pelas mensagens do Papa Francisco sobre a comunicação, reforçou que o comunicador cristão é chamado a “ir e ver” a realidade, aproximar-se das pessoas, escutá-las com o “ouvido do coração” e estabelecer um diálogo marcado pela cordialidade e pela verdade.

Outro ponto central de sua conferência foi o convite à vivência da comunhão. Segundo ele, a unidade na Igreja não significa uniformidade de pensamentos, mas a capacidade de caminhar juntos mesmo diante das diferenças. Para Dom Valdir, comunicar também é construir pontes e favorecer uma cultura do encontro, onde o diálogo prevalece sobre as divisões.

Na sequência, Dom Edilson Soares Nobre conduziu os participantes por um percurso histórico da comunicação eclesial no Brasil. Recordou que comunicar o Evangelho sempre fez parte da missão da Igreja e citou o trabalho dos primeiros missionários, especialmente o padre José de Anchieta, co-padroeiro do Brasil, que elaborou gramáticas e aprendeu as línguas indígenas para anunciar a Boa Nova de forma compreensível aos povos originários.

O bispo também recordou a evolução dos meios de comunicação católicos ao longo das décadas, passando pelo surgimento das editoras, jornais e emissoras de rádio, até chegar aos atuais desafios da comunicação digital.

Mais do que revisitar a história, Dom Edilson lançou um apelo aos agentes da Pascom: que a pastoral não se limite à cobertura de celebrações e eventos. Segundo ele, a comunicação da Igreja deve revelar seu “rosto samaritano”, tornando visível a presença junto aos pobres, aos que sofrem, aos marginalizados e a todos aqueles que vivem situações de dor e angústia. Para isso, ressaltou que espiritualidade e compromisso social caminham juntos.

O bispo também chamou atenção para a necessidade do discernimento diante do grande volume de informações produzido diariamente pelos meios de comunicação. Em sua avaliação, a missão da Igreja não é simplesmente reproduzir discursos, mas contribuir para a formação de uma opinião pública crítica, iluminada pelo Evangelho e pela doutrina da Igreja.

Encerrando a conferência, Dom Amilton Manoel da Silva voltou o olhar para aquele que definiu como um dos maiores desafios missionários da atualidade: o continente digital.

Ao afirmar que “a comunicação é missão e a missão é comunicação”, o bispo recordou que a iniciativa missionária nasce do próprio Deus, a Missio Dei, e que a Igreja, por sua própria natureza, existe para evangelizar.

No ambiente digital, explicou, é preciso evitar dois extremos: a demonização das redes sociais e a sua idealização. Para Dom Amilton, a presença da Igreja nas plataformas digitais deve ser equilibrada, ética e profundamente comprometida com a promoção da vida e da comunhão.

Como síntese de sua reflexão, apresentou um decálogo para a missão digital, destacando princípios como não ter medo da tecnologia, reconhecer que nenhuma máquina substitui a riqueza das relações humanas e compreender que comunicar significa, antes de tudo, compartilhar a vida e não apenas transmitir informações. Também alertou para o risco do autorreferencialismo e reforçou a importância de que toda ação comunicativa esteja em sintonia com o bispo e com a comunidade eclesial local.

Ao final da conferência, os participantes puderam dirigir perguntas aos três bispos e também ao prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, o jornalista Paolo Ruffini, que havia realizado a conferência de abertura do encontro. O diálogo ampliou ainda mais as reflexões sobre os desafios da evangelização em uma sociedade marcada pelas rápidas transformações culturais e tecnológicas.

Mais do que apresentar conceitos, a conferência evidenciou que a comunicação na Igreja nasce do encontro, da escuta e da missão. Em diferentes perspectivas, humana, histórica e missionária, os três bispos convergiram em um mesmo ponto: comunicar o Evangelho exige muito mais do que dominar ferramentas; requer testemunho, discernimento, comunhão e um coração capaz de se deixar tocar pela realidade do outro.

Assim, o 9º Encontro Nacional da Pascom reafirma sua vocação de fortalecer uma rede de comunicadores comprometidos com uma Igreja em saída, preparada para anunciar a Boa Nova com criatividade, competência e, sobretudo, humanidade. Entre conferências, oficinas e momentos de espiritualidade, Aparecida segue sendo o lugar onde a comunicação se encontra com a missão e onde evangelizar continua sendo, acima de tudo, um ato de proximidade.

Por: Andrea Rodrigues dos Santos – Diocese de Campo Limpo/SP

Fotos: Leonardo Mayer, Pe. Renan Dantas e Maurício Aoki

Dom Evaristo Spengler participa da 22ª Assembleia Geral Diocesana e fortalece laços missionários entre São Mateus e Roraima

A 22ª Assembleia Geral Diocesana de Pastoral conta com a presença de Dom Evaristo Spengler Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima, que visita a Diocese de São Mateus para um momento de partilha, comunhão e fortalecimento da missão da Igreja.

Durante a Assembleia, Dom Evaristo apresentou aos participantes a realidade pastoral, social e missionária da Diocese de Roraima, destacando os desafios e as esperanças vividos pela Igreja na região amazônica. A partilha proporcionou aos representantes das paróquias da Diocese de São Mateus um maior conhecimento da caminhada evangelizadora daquela Igreja Particular, despertando o espírito missionário e a solidariedade entre as comunidades.

Ao acolher o bispo visitante, Dom Paulo Bosi Dal’Bó ressaltou que a Assembleia vive um momento especial ao ampliar o horizonte missionário da Diocese. Segundo ele, a aproximação com Roraima representa um novo passo no projeto de cooperação entre Igrejas, que já contempla comunidades e paróquias irmãs e agora avança para a possibilidade de uma parceria entre dioceses. Dom Paulo também convidou toda a Diocese a rezar pelo êxito da Assembleia e pela missão evangelizadora desenvolvida pela Igreja de Roraima.

Em sua fala, Dom Evaristo agradeceu a acolhida fraterna e destacou que a Diocese de Roraima, embora possua mais de 300 anos de evangelização, continua sendo uma Igreja jovem em sua ação missionária. O bispo explicou que a Diocese conta com poucos padres diocesanos e que sua missão é fortalecida pela presença da vida religiosa e pela cooperação de dioceses irmãs.

Ao dirigir-se aos participantes da Assembleia, Dom Evaristo manifestou o desejo de estreitar os laços entre as duas Igrejas Locais, convidando Dom Paulo, os presbíteros e os fiéis de São Mateus a conhecerem a realidade missionária de Roraima. “Queremos fortalecer essa caminhada com a Diocese de São Mateus”, afirmou, pedindo ainda as orações de toda a comunidade por sua missão na Amazônia.

A presença de Dom Evaristo marca um importante passo no diálogo entre as dioceses de São Mateus e Roraima, que iniciam um processo de discernimento sobre a possibilidade de estabelecer um vínculo de Dioceses Irmãs. A iniciativa busca fortalecer a comunhão eclesial por meio da cooperação missionária, da troca de experiências pastorais e do compromisso comum com a evangelização.

Mais do que uma visita fraterna, o encontro reafirma que a missão da Igreja ultrapassa fronteiras geográficas, unindo comunidades em torno do anúncio do Evangelho e fortalecendo uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária e solidária.