Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira inicia sua missão como bispo da Prelazia do Marajó (PA), com a celebração da posse que será realizada na catedral da prelazia, na cidade de Soure, neste sábado 27 de julho. Nomeado no dia 03 de novembro de 2023, dom José Ionilton era bispo da Prelazia de Itacoatiara (AM).
Na celebração, que acontece às 19 horas no horário local, e será transmitida pelas redes sociais da Prelazia do Marajó, participa o Nuncio apostólico, dom Giambattista Diquattro, e mais de 15 bispos do Regional Norte2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, do qual faz parte a igreja local do Marajó, do Regional Norte1, onde dom José Ionilton foi bispo desde 2017, e de outros regionais do Brasil.
Da celebração participam vários agentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que tem dom José Ionilton Lisboa de Oliveira como presidente, padres, religiosas, representantes do laicato, familiares e amigos de dom Ionilton chegados de vários estados do Brasil.
Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1
Serão os dias 26 e 27 na Casa da Caridade Papa Francisco.
Nos dias 26 e 27 de julho, a Casa da Caridade Papa Francisco recebe o Encontro Diocesano do Serviço Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima. Neste ano, o evento destaca a participação de duas palestrantes: Maria Ozania Silva, do Serviço Pastoral de Migrantes nacional, vinda de Goiás, e a Prof. Marcia Oliveira, da Universidade Federal de Roraima. Ambas abordarão o tema complexo e urgente do tráfico humano, destacando sua relevância na atual crise migratória.
Maria Ozania Silva
Maria Ozania Silva, do Serviço Pastoral de Migrantes nacional, traz sua experiência para compartilhar estratégias e iniciativas da SPM na acolhida e proteção de migrantes. Seu trabalho é reconhecido por promover a integração social e a defesa dos direitos dos migrantes em todo o Brasil.
Prof. Marcia Oliveira
A Prof. Marcia Oliveira, da Universidade Federal de Roraima, é uma especialista em estudos migratórios e direitos humanos. Com vasta experiência acadêmica e prática, ela traz ao encontro uma perspectiva aprofundada sobre os desafios enfrentados pelos migrantes em Roraima, especialmente em relação ao tráfico humano.
Sua palestra abordará as dinâmicas do tráfico humano na região, destacando as vulnerabilidades específicas enfrentadas pelos migrantes. A prof. Marcia discutirá as ações necessárias para fortalecer as redes de proteção e prevenção, além de compartilhar pesquisas e dados atualizados sobre o tema. Sua contribuição é crucial para ampliar o entendimento e a capacidade de resposta da comunidade frente a essa questão urgente.
Tema do Encontro: “Migração e Casa Comum”
O tema do encontro deste ano, “Migração e casa comum: Alarga o espaço de tua tenda”, propõe uma reflexão sobre a necessidade de expandir nossa missão de acolhida e proteção aos migrantes. A frase, inspirada no livro de Isaías, nos convoca a abrir nossos corações e mentes, criando espaços de segurança e inclusão para todos.
O Enfrentamento ao Tráfico Humano
O tráfico humano é uma das questões mais complexas e desafiadoras enfrentadas pelas comunidades que acolhem migrantes. Envolve exploração, violação de direitos humanos e redes criminosas que se aproveitam das vulnerabilidades de pessoas em busca de segurança e melhores oportunidades.
Compromisso e Ação
O Encontro Diocesano do Serviço Pastoral dos Migrantes 2024 é uma plataforma essencial para unir esforços na defesa dos direitos humanos e na proteção dos migrantes. As contribuições de Maria Ozania Silva e da Prof. Marcia Oliveira são fundamentais para inspirar ações concretas e fortalecer as redes de apoio em Roraima.
Ao enfrentarmos juntos os desafios do tráfico humano e outros obstáculos à dignidade dos migrantes, reiteramos nosso compromisso com a justiça social e a construção de um futuro onde todos possam viver com segurança e respeito. A presença e o engajamento da comunidade são essenciais para ampliar nossa tenda e transformar realidades.
Vida e legado do santo são celebrados com uma programação especial de festas e devoção
São Cristóvão, cuja festa é celebrada em 25 de julho, é conhecido como o santo padroeiro dos viajantes e motoristas. Segundo a tradição, ele era um homem de grande estatura e força, que dedicou sua vida ao serviço de Cristo. A história conta que, ao carregar um viajante através de um rio perigoso, Cristóvão descobriu que estava carregando o próprio Cristo.
Adriele Lima, parte da comunidade de São Cristõval conta um pouco de sua história: ”Nesse caminho de conversão, ele conhecia um eremita que ensinou pra ele a palavra, instruiu como servir a Deus. Com o tempo ele foi então morar perto de um rio muito difícil de atravessar e decidiu que ali ele ajudaria as pessoas nessa travessia. Um dia uma criança, um menino, pede sua ajuda e ele colocou essa criança nos hombros e caminhou pelo rio. Só que a cada passo que ele dava, o menino pesava cada vez mais. E em um certo momento Cristovão perguntou por que o menino pesava tanto e o menino respondeu que ele era Cristo e que ele estava carregando um peso do mundo nos hombros. E ao chegar ao outro lado do rio, acreditou no que tinha vivido e saiu a pregar. Então, ele foi ganhar o nome de Cristo, ou após a sua conversão, ao cristianismo e Cristo, CRISTÕVAL significa que ele que carregou Cristo.”
Este ato de serviço e devoção fez dele um símbolo de proteção e segurança para aqueles que estão em movimento.A importância de São Cristóvão transcende o simples ato de proteger viajantes; ele também representa a confiança e a fé em momentos de jornada e mudança. Sua vida é um exemplo de fé prática e dedicação ao próximo, o que o torna uma figura inspiradora para muitos.
Programação da comunidade
A comunidade de Asa Branca, localizada na Rua Horácio Mardel de Magalhães, 302, na Igreja Santos Arcanjos, preparou uma programação especial para celebrar São Cristóvão. As festividades começaram com um tríduo no dia 22 de julho até o dia 24. No dia 25 de julho, às 19:30h, será realizada uma missa em honra a São Cristóvão, um momento de profunda devoção e agradecimento ao santo protetor. Esta missa será o ponto alto das celebrações litúrgicas, reunindo a comunidade em um ato de fé e gratidão.
As festividades serão encerradas com um arraial no sábado, 27 de julho, a partir das 19h. O arraial promete ser um evento vibrante, com comidas típicas. É uma oportunidade para os membros da comunidade se reunirem em um ambiente festivo e compartilharem a alegria e a fraternidade que marcam esta data especial.
São Cristóvão nos lembra da importância de ter fé em nossa jornada, seja ela física ou espiritual. Sua vida e exemplo nos inspiram a confiar e buscar proteção em momentos de incerteza e mudança. Em um mundo cheio de desafios e viagens, tanto literais quanto figurativas, que possamos sempre encontrar a força e a coragem para seguir em frente, assim como São Cristóvão fez. Que sua presença abençoe nossos caminhos e que sua história continue a nos motivar a servir e proteger uns aos outros, com a mesma devoção e amor que ele demonstrou em sua vida.
O lançamento ocorrerá no dia 22 de julho de forma presencial na sede da CNBB, em Brasília, com início às 14h30; o evento terá transmissão ao vivo pelas redes do Cimi
POR ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lança na próxima segunda-feira (22), às 14h30, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2023. O evento de lançamento da publicação anual do Cimi ocorrerá na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no St. de Embaixadas Sul Quadra 801 Conjunto B – Asa Sul, em Brasília (DF), e será transmitido ao vivo pelo canal de youtube do Cimi.
O Relatório, organizado em três capítulos e 19 categorias de análise, apresenta um retrato das diversas violências e violações praticadas contra os povos indígenas em todo o país. Para a produção do documento foram sistematizados dados obtidos através de informações dos regionais do Cimi, de comunidades indígenas e de veículos de comunicação, além de fontes públicas oriundas da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e de secretarias estaduais de saúde.
O levantamento reúne dados sobre violações contra os direitos territoriais indígenas, como conflitos, invasões, danos e morosidade na regularização dos territórios; violências contra a pessoa, como assassinatos e ameaças; e violações por omissão do poder público, como desassistência nas áreas da saúde e da educação, mortalidade na infância e suicídios.
O ano de 2023 deu início ao terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de quatro anos de uma gestão abertamente anti-indígena e que anunciava que não demarcaria “um centímetro de terras indígenas”, havia grande expectativa em relação à política indigenista do novo governo, anunciada desde a campanha eleitoral como um tema central e simbolizada pela criação do inédito Ministério dos Povos Indígenas (MPI).
Apesar da promessa de mudanças profundas no novo ciclo e da importante decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou inconstitucional a tese do marco temporal, houve poucos avanços nas demarcações e o ano foi marcado por um contexto de ataque aos direitos indígenas, especialmente por parte do Congresso Nacional, com a promulgação da Lei 14.701/2023.
Este cenário se refletiu na continuidade de altos índices de violência contra indígenas e na ocorrência de muitos conflitos e de invasões aos territórios tradicionais. O relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – dados de 2023 apresenta um retrato deste período, com a sistematização de dados atualizados sobre assassinatos, suicídios, mortalidade na infância e a atualização da lista de terras e demandas territoriais dos povos indígenas com pendências administrativas para sua regularização.
“Os povos indígenas do sul ao norte vivenciaram, no decorrer de 2023, dois momentos: o primeiro, o da esperança e euforia pelo novo governo que anunciava compromisso e respeito aos seus direitos; e o segundo, o da frustração diante de uma realidade praticamente inalterada, quando se percebeu que as maquinações políticas prevaleceram”, apontam Lucia Helena Rangel e Roberto Antonio Liebgott, coordenadores da publicação, na introdução do relatório.
No lançamento, estarão presentes lideranças indígenas e representantes do Cimi e organizações parceiras da causa. Dentre eles, Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, presidente do Cimi e arcebispo de Manaus (AM); Luis Ventura, secretário executivo do Cimi; Lucia Helena Rangel e Roberto Antonio Liebgott, organizadores do relatório; Ana Carolina Mira Porto, cineasta e antropóloga; Nailton Muniz, Pataxó Hã-Hã-Hãe, cacique na Terra Indígena (TI) Caramuru – Catarina Paraguassu, no sudoeste da Bahia; e Vilma Vera, liderança Avá-Guarani do tekoha Y’Hovy, na TI Tekoha Guasu Guavirá, no oeste do Paraná.
A festa acontece nesta terça feira (16), na paróquia matriz Nossa Senhora do Carmo em Boa Vista.
Boa Vista homenageia a padroeira, na celebração da Nossa Senhora do Carmo, com o tema “Não Desprezeis as Nossas Súplicas, em Nossas Necessidades!“. As comemorações, que começaram no dia 7 de julho, se estendem até o dia 16 de julho, oferecendo uma especial programação de missas, tríduos, arraial e momentos de oração.
Padre Mauro, responsável pela paróquia de Nossa Senhora do Carmo, faz um convite especial a todos os fiéis. O Padre Mauro destaca a importância de participar desses momentos de fé. “Nossa Senhora do Carmo é um símbolo de amor e intercessão. Ao celebrarmos sua festa, renovamos nossa devoção e pedimos sua intercessão em nossas vidas. Não desprezemos suas súplicas, mas confiemos em seu amparo”, destaca o padre.
O ponto alto das celebrações será no dia 16 de julho, data em que a Igreja celebra oficialmente Nossa Senhora do Carmo. Este período é marcado por profunda espiritualidade e devoção, fortalecendo a fé e a união entre os fiéis.
Confirma a programação de hoje em Boa Vista.
Esses momentos de celebração são essenciais para a vida espiritual e comunitária. Participar das festividades de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Boa Vista é uma oportunidade de renovar a fé, agradecer pelas bênçãos recebidas e pedir a intercessão divina em nossas necessidades. É um tempo de união, reflexão e alegria, onde a comunidade se fortalece e se une em torno de valores espirituais e culturais que transcendem o cotidiano.
300 anos de fidelidade e novos desafios, numa Igreja Sinodal
“Ele chamou a si os Doze e começou a enviá-los dois a dois” (Mc. 6, 7a). Aos presbíteros, Diáconos, Religiosas(os), Leigas(os), Seminaristas e a quem interessar possa. Comunico as seguintes nomeações para o Serviço Pastoral na Diocese de Roraima
Padres Lorenzo Dall’Olmo e Carlos Carrasco destacam a importância do amor e da missão durante celebração emotiva.
Nesta sexta-feira, 12 de julho, foi realizada uma missa de ação de graças para comemorar o quinto aniversário da Caritas Diocesana de Roraima, na Casa da Caridade Papa Francisco. A celebração foi oficiada pelos padres Lorenzo Dall’Olmo e Carlos Carrasco, que trouxeram palavras de encorajamento e esperança para todos os presentes.
O evento reuniu diversas autoridades e colaboradores, entre eles Irmã Terezinha Santin, presidenta da Caritas Diocesana, representantes da Fé e Alegria, Pastoral dos Migrantes e todos os que trabalham na Casa da Caridade. A missa foi marcada por cânticos, orações e momentos de profunda emoção, celebrando não apenas o aniversário da instituição, mas também a força e resiliência da comunidade.
Em sua homilia, o Padre Lorenzo Dall’Olmo enfatizou a importância do amor e da perseverança na missão da Caritas , mesmo diante das dificuldades. “Este aniversário nos lembra da importância de continuar a missão, pois Deus sempre acredita em nós, mesmo que, às vezes, nós não acreditemos nele. O amor é a base de tudo o que fazemos, e é através dele que superamos os desafios e seguimos em frente”, destacou o Padre Lorenzo.
Padre Carlos Carrasco da Diocese de Sevilla na Espanha e que está em Roraima há um mês, compartilhou sua experiência de mais de 17 anos de trabalho com a Caritas. Ele refletiu sobre a preciosa mistura cultural presente em Roraima e a importância desse momento de mudança. “Estamos vivenciando um período significativo de transformação, onde diferentes culturas se encontram e se enriquecem mutuamente. É essencial que aproveitemos essa diversidade para crescer e fortalecer nossa comunidade, sobre tudo aprender da força e o exemplo das comunidade indígenas”, afirmou o Padre Carlos.
A presença de Padre Carlos trouxe uma perspectiva internacional à celebração, ressaltando a conexão global da Caritas e a importância do apoio mútuo entre diferentes regiões. Suas palavras tão emotivas, foram recebidas com grande apreço pelos presentes, que sentiram a força de suas palavras e o comprometimento de sua missão.
A Irmã Terezinha Santin, agradeceu a todos os colaboradores e parceiros da Caritas, ressaltando o impacto positivo que a organização tem tido na vida de muitos. “A Cáritas é uma luz de esperança para muitos que enfrentam dificuldades. Juntos, somos mais fortes e podemos fazer a diferença na vida de muitos”, disse Irmã Terezinha.
A Casa da Caridade Papa Francisco, local do evento, estava repleta de alegria e gratidão. Os cânticos e as preces trouxeram um clima de gratidão, celebração e espiritualidade, envolvendo todos em um sentimento de união e fé. Ao final da celebração, os padres Lorenzo Dall’Olmo e Carlos Carrasco, abençoaram os presentes, renovando o compromisso de todos com a missão da Caritas . A celebração foi encerrada com uma oração conjunta, pedindo forças para continuar a caminhada e agradecer pelas bênçãos recebidas.
As palavras dos padres e a participação ativa da comunidade reforçaram a importância do amor, da perseverança e da união para superar desafios e continuar a missão de servir ao próximo. A celebração deixou a todos com um profundo senso de propósito e esperança para o futuro.
A fraternidade deveria ser uma necessidade na vida de todo ser humano, na vida da sociedade como um todo. Uma atitude que nos leva a ver o outro como um irmão, como uma irmã, a acolher aquele que chega perto de nós, também aquele que é diferente, aquele que vem de longe, o estrangeiro, o migrante, tantas vezes vítima de exclusão, de desrespeito em seus direitos fundamentais.
Estamos celebrando a Semana do Migrante, que nos desafia a alargar a nossa tenda, a criar espaços de acolhida em nossa vida, em nossas famílias, em nossas comunidades eclesiais. A migração é um fenómeno que tem diversas causas, e uma delas é as mudanças climáticas. Daí o tema da 39ª Semana do Migrante, que nos leva a refletir sobre o cuidado da casa comum.
A migração forçada é uma realidade presente no mundo, são muitas as pessoas obrigadas, por diferentes motivos, a deixar tudo para trás e se aventurar numa nova experiência de vida, as vezes longe, muito longe de casa, de tudo aquilo que dava segurança na vida da pessoa. Se adentrar num novo modo de vida, numa cultura diferente, numa língua que custa entender e falar.
Nessas situações, o perigo aumenta e o risco de se tornar vítimas das diversas explorações que fazem parte do tráfico de pessoas aumenta. As redes do crime organizado se aproveitam da vulnerabilidade dessas pessoas, exploradas sem escrúpulo por criminosos sem entranhas, sem a mínima empatia com os outros seres humanos.
Combater essas situações é um dever para quem tem fé, mas ao mesmo tempo se faz necessário “acolher, promover, acompanhar e integrar”, segundo insiste o Papa Francisco. Um compromisso comum que vai além quando ele é assumido por todos, quando todo mundo se envolve e olha o futuro com esperança.
Eu estou disposto arrimar o ombro? Descubro a necessidade de me comprometer para que a vida daqueles que passam por momentos de dificuldade possam melhorar? Em minha vida tem lugar para aqueles que procuram uma vida melhor, para aqueles que por diversos motivos foram obrigados a iniciar a vida longe de onde eles viviam?
Nos questionarmos sobre essa realidade pode ajudar os outros a ter vida em plenitude, a evitar situações de sofrimento. Ser fraternos é o caminho para um mundo melhor, para concretizar o Evangelho, a proposta de Jesus, que sempre pensa nos últimos, naqueles que por diversos motivos sofrem, mas querem continuar caminhando e construindo um mundo melhor para todos e todas.
Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1
Muitas pessoas, movidas pelo preconceito, condenam os migrantes, todos os migrantes. Conhecer a realidade de onde eles vêm, nos ajuda a entender os motivos que levam essas pessoas a deixar tudo para trás e se aventurar numa nova vida, desconhecida, nem sempre fácil. Daí a importância da missão que a Comissão Episcopal Especial de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está realizando de 17 a 23 de junho na diocese de Roraima, com visitas em Bonfim e Lethem, o principal passo fronteiriço entre a Guiana e o Brasil, e em Pacaraima e Santa Elena de Uairén, passo fronteiriço entre a Venezuela e o Brasil.
A Igreja do Vicariato do Caroní
Santa Elena de Uairén é sede do Vicariato Apostólico do Caroní, uma Igreja com rosto indígena, que desde 1922 acompanha a vida do povo pemón, habitantes da Grande Sabana, numa tentativa de ser uma Igreja inculturada. Um território de 80 mil quilómetros, com grandes dificuldades de deslocamento, algo que desafia a ação missionária.
Uma Igreja que quer caminhar junto com a diocese de Roraima, com objetivos comuns, numa Igreja sem fronteiras. Aos poucos isso vai se concretizando no trabalho da Caritas, nas experiências de formação e trabalho pastoral comum. Um caminhar junto que é motivo de gratidão para o bispo do Vicariato do Caroní, dom Gonzalo Ontiveros, que insiste na solidariedade da Igreja brasileira com o povo venezuelano. Uma visita que o bispo vê como experiência de escuta sinodal, que deve ajudar para avançar em caminhos comuns.
Motivações, dificuldades, pedidos dos migrantes
Segundo uma pesquisa da Caritas do Vicariato do Caroní, desde 2022 o ingresso de venezuelanos no Brasil, o 5º país aonde chega mais venezuelanos, tem aumentado. 23% eram migrantes de volta a Venezuela, 22% gente que vai e volta, e 55% por cento migrantes sem intenção de voltar. 74% por centos dos migrantes são mulheres. Entre as motivações está a reunificação familiar, a falta de emprego e os salários muito baixos na Venezuela, falta de serviços médicos e medicamentos. Entre as dificuldades no caminho, os migrantes sofrem com a falta de água potável, falta de lugares para banho e hospedagem, falta de dinheiro, falta de documentação para ingressar em outro país. Eles pedem alimentos, muitos não sabiam se iriam comer no outro dia, dinheiro para o dia a dia, serviço de saúde.
Como alternativas para resolver as dificuldades, é pedido pelas pessoas em trânsito, mais pontos de informação sobre os requisitos para sair do país, pontos de acompanhamento socioemocional, espaços de higiene adequados e para adquirir água potável. Poucas pessoas relatam situações de tráfico de pessoas, mas também é certo que nem sempre se tem a possibilidade de uma conversa mais pausada. Mesmo assim, são relatadas situações que sofrem os migrantes, especialmente cubanos, vítimas das máfias. Uma realidade que também atinge às comunidades indígenas, segundo relatam as lideranças indígenas locais, que destacam a falta de saúde como a causa principal de migração dos indígenas.
O trabalho da Comissão de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da CNBB
Diante dessa realidade, foram lembradas as palavras do Papa Francisco: “se nós queremos cooperar com nosso Pai celestial na construção do futuro, façamo-lo junto com nossos irmãos e irmãs migrantes e refugiados. Construamo-lo juntos!”. São desafios enfrentados pela Comissão de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da CNBB, segundo o bispo de Tubarão e presidente da comissão, dom Adilson Busin, que destacou o trabalho em comum que está sendo realizado.
A migração é um fenómeno mundial, o que tem ampliado as rotas migratórias, segundo a professora da Universidade Federal de Roraima, Márcia de Oliveira, que faz parte de um grupo de estudo que tem descoberto a exploração que sofrem os migrantes, vítimas de redes organizadas criminosas, nos traslados, relatando situações vividas pelos migrantes, principalmente mulheres, inclusive menores, que não são denunciadas, diante das ameaças que sofrem e o medo que isso provoca. Dificuldades que os migrantes continuam sofrendo já no Brasil, nos traslados internos, com situações de trabalho análogo à escravidão, com grupos especializados na exploração dos migrantes. Diante disso, a professora faz um chamado a ficar atentos e denunciar esse tipo de situações de exploração e tráfico de pessoas.
O trabalho pastoral da comissão para o tráfico de pessoas, segundo a Ir. Eurides Alves de Oliveira, leva a refletir sobre o trabalho de evangelização e promoção humana, como apelo do Evangelho na defesa da vida dos vulneráveis, “um apelo urgente para nossa ação evangelizadora se queremos ser fiéis ao Evangelho e a uma Igreja em saída”, segundo a religiosa. Ela refletiu sobre as palavras de Francisco no final da última assembleia da Rede Talitha Kum, onde definiu o tráfico de pessoas como um mal sistémico e que tem muitas raízes, muitas causas, como algo programado por um sistema que não coloca as pessoas no centro e sim o lucro. Essa realidade do tráfico de pessoas é muito presente no Brasil, mas pouco denunciada, ressalta a Ir. Eurides, daí a importância do trabalho da comissão, apresentando seus objetivos.
Os passos a seguir
De acordo com dom Gonzalo Ontiveros, Santa Elena é um lugar de passagem, o migrante chega ao terminal de ônibus e geralmente estão esperando-o para ir diretamente para Pacaraima, ou diretamente para Boa Vista, o que significa que o Vicariato de Caroní tem pouco contato com os migrantes, que em alguns casos vão de táxi de Caracas ou de outras cidades da Venezuela diretamente para o Brasil. Os poucos que ficam, ressalta o bispo, vão para algumas comunidades, que são muito vulneráveis, onde são acompanhados. Nessas comunidades, eles constroem suas cabanas e começam a viver por um tempo. Essas comunidades são visitadas pelos agentes pastorais do Vicariato, conhecendo de onde eles vêm, quantos membros fazem parte da família, uma pastoral de contato direto com eles e de assistência espiritual, com celebrações da Eucaristia.
O número de migrantes tem aumentado em 2024, enfatiza o bispo, que fala do processo eleitoral que realizará eleições em 28 de julho, o que gera expectativas, e cujo resultado afetará diretamente o processo migratório, algo que deve levar o Vicariato a pensar, pois poderia provocar uma onda de migração de cinco milhões de venezuelanos, enfatiza Dom Ontiveros. Nessa dinâmica, o bispo afirma que “estamos plenamente preparados, junto com a diocese de Roraima, para trabalhar a partir da Cáritas e da atenção aos migrantes, trabalhando em equipe, em comunhão, para ver que coisas podemos continuar fazendo para atender os migrantes e as vítimas do tráfico humano”.
Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1
Por: Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1
De 17 a 23 de junho de 2024, a Comissão Episcopal Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está realizando uma missão no Estado de Roraima, na fronteira com a Guiana e a Venezuela. Uma comissão que segundo seu presidente, dom Adilson Pedro Busin, bispo da diocese de Tubarão (SC), tem entre seus objetivos “a conscientização, a incidência política e eclesial”.
Integrante da comissão, a Rede Um Grito Pela Vida participa da ação.
Tráfico de pessoas, uma realidade escondida
A missão ajuda a “trazer a temática do tráfico humano, que ele é escondido, inclusive as vítimas são escondidas”, ressalta o bispo. Estamos diante de um problema social mundial, que o Papa Francisco tanto insiste. A incidência deve ser dupla, segundo dom Busin, “ad intra da própria Igreja, para nós tomarmos consciência desse problema grave, dessa chaga da humanidade, como diz o Papa Francisco, e da sociedade”.
Diante da realidade de Roraima, com uma ebulição migratória e tantas “fronteiras porosas”, a visita da comissão quer com que “essa temática do tráfico humano seja exibido, visibilizado, seja sentido, que chegue ao coração, à mente das pessoas, no mundo da política e na sociedade, com políticas públicas que venham a enfrentar o tráfico de pessoas”, destaca o presidente da comissão.
Roda de conversa na Guina – Foto: Cláudia Pereira
Fronteira Brasil-Guiana: vulnerabilidades comuns
Na fronteira entre o Brasil e a Guiana, o fluxo de venezuelanos, cubanos e haitianos é constante. Os migrantes chegam muitas vezes em situação de extrema pobreza, sendo muito grande a demora para conseguir documentação, que é tramitada em Boa Vista, com uma lista de espera de mais de cem migrantes em Bonfim, que pelo fato de não ter documentação são vítimas fáceis das redes de exploração. Tanto em Bonfim (Brasil), como em Lethem (Guiana), uma região com predominância de indígenas Wapichana, os povos originários não se submetem às fronteiras dos brancos, a Igreja católica dá assistência aos migrantes, sempre de portas abertas para dividir o pouco que eles têm.
Na região de fronteira, as vulnerabilidades são comuns, uma delas é o tráfico de mercúrio, usado no garimpo ilegal, com vínculos estreitos com fações do crime organizado, que produz graves doenças e diversas explorações na população local e nos migrantes, e que nos leva a refletir sobre o tema da 39ª Semana do Migrante, “Migração e Casa Comum”. Para superar as diversas vulnerabilidades, a CEPEETH, fiel a Jesus de Nazaré, que quer vida em abundância para todos e todas, apresentou materiais que sistematizam o trabalho da Igreja do Brasil no enfrentamento ao tráfico de pessoas, que é crime e tem que ser denunciado, somando com diversas instâncias eclesiais, em vista de incidir nas mudanças estruturais que levem o poder público a assumir sua função, a criar políticas públicas, que muitas vezes surgem a partir da mobilização.
São histórias de sofrimento, relatadas por aqueles que lhes acolhem e acompanham, que também são vivenciadas pelos migrantes que passam nesta fronteira, abandona pelo poder público. Diante disso, uma das demandas é a presença da Polícia Federal na fronteira, uma dificuldade diante da falta de pessoal no Estado, mais uma expressão do Estado mínimo, que quer ser instaurado em tantos países, segundo insistiu o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler. Se faz necessário estreitar laços transfronteiriços, juntar forças, buscar propostas concretas, gerar processos conjuntos, uma dinâmica que pode contar com a colaboração da comissão. Ao mesmo tempo não é fácil enfrentar alguns problemas comuns, dada a legislação diferente em cada país, o que demanda maior mobilização popular que crie consciência e possibilite mudanças.
Foto: Cláudia Pereira
Ir ao encontro dos invisíveis
Olhando para dentro da Igreja, dom Adilson Busin insiste em “tomarmos consciência desse problema que faz parte da Igreja que vai ao encontro dos últimos e desses invisíveis, vítimas do tráfico humano”. Para a Igreja do Brasil, na perspectiva do enfrentamento ao tráfico humano, teve grande importância a Campanha da Fraternidade de 2014, “Fraternidade e Tráfico Humano”, um grande marco na conscientização das comunidades, paróquias e dioceses, que amadureceu a criação do grupo de trabalho que depois deu passo à comissão, a quem muitas vezes, dentro da Igreja, é delegado o enfrentamento dessa realidade.
O bispo de Tubarão insiste em “não deixar esquecer, porque as vítimas são esquecidas”, mesmo sabendo que “o tráfico é presente, está na nossa sociedade em suas diversas modalidades”, citando o tráfico de órgãos, a exploração sexual de crianças e adolescentes, o trabalho análogo à escravidão. O bispo faz um chamado a nos conscientizarmos da Doutrina Social da Igreja, ver as vítimas do tráfico humano como “uma das tantas categorias que são vulneráveis, e ao mesmo tempo, uma das categorias mais invisíveis, porque ele é tão sutil, e é difícil de alcançar por causa de toda a problemática que envolve o tráfico de pessoas”.
A tentação de culpar o estrangeiro
Refletindo sobre a Campanha da Fraternidade 2024, “Fraternidade e Amizade Social”, que tem como lema “Vós sois todos irmãos e irmãs”, dom Adilson Busin afirma que “uma das tentações do mundo atual, não só no Brasil, é a polarização que nós vemos, as guerras, a violência, uma sociedade irada, onde nós nos sentimos acuados”. Lembrando que no decorrer da história encontramos os bodes expiatórios, o bispo ressalta que “neste momento em muitos países, e nós temos tentação também no Brasil, de culpar a quem é estrangeiro, quem vem de fora”.
Nessa perspectiva, o presidente da comissão denuncia que “a xenofobia é o ápice da irracionalidade”, fazendo um chamado a olhar a Campanha da Fraternidade de 2024 e o convite do Papa Francisco ao cuidado da casa comum, que o leva a dizer que “não tem ninguém de fora, as fronteiras estão ali, como limites políticos, geográficos, mas é uma contradição do Evangelho olhar o irmão como um problema”. Nessa perspectiva, o bispo sublinha que “os problemas estão aí para que nós como Igreja, como sociedade, como governos e como Nações Unidas, tratemos os migrantes não com esse olhar infeliz de achá-los culpáveis, como causa dos problemas”.
Frente a isso, afirma que “eles estão aí porque são a parte mais frágil de nossas economias, do nosso mundo, das mudanças climáticas”, vendo os migrantes, sobretudo os pobres, como “essa ponta em que aparece mais uma humanidade frágil, e diante de uma humanidade frágil, a Igreja tem que ser profeta e a partir deles buscar a acolhida e diferentes soluções dignitárias para esses problemas”.