CARDEAL STEINER: “AMAZÔNIA NÃO É SÓ ÁGUA E FLORESTA, É POVO ACOLHEDOR E RELIGIOSIDADE MUITO PROFUNDA”

A Amazônia foi pauta da Coletiva de Imprensa do sexto dia da 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), segunda-feira, 24 de abril. Os “porta-vozes” da Igreja no Brasil no bioma foram o arcebispo de Manaus (AM), cardeal dom  Leonardo Steiner, que preside a Comissão Especial para a Amazônia da CNBB, e o bispo de Roraima (RR), presidente da Repam-Brasil e presidente da Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB, dom Evaristo Spengler.

A coletiva, na avaliação do cardeal Steiner, foi uma oportunidade para mostrar a importância que a Amazônia tem para a Igreja e para o mundo, uma região que “não é só água e floresta”, enfatizou. Ele destacou também o fato de o povo ser extremamente acolhedor, com uma religiosidade muito profunda e um ritmo de vida marcado pelas águas.

Cardeal Leonardo Steiner. Foto: Jaison Alves – Comunicação 60º AG CNBB

Dom Leonardo apontou também as dificuldades pelas quais passam a Amazônia, citando como exemplo o avanço do garimpo responsável pela tragédia do Povo Yanomami. Situação que também se repete no Pará, com o Povo Munduruku, gravemente atingido pelo mercúrio.

O cardeal citou também o desmatamento, que é muito grande, com regiões onde não têm mais mata; a pesca predatória e o assassinato do jornalista inglês Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira, mortos por ajudar os indígenas a defender seus direitos.

O cardeal Steiner ressaltou que a agressão à questão indígena foi muito forte nos últimos anos, contraditoriamente durante a gestão de um presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) contrário aos povos indígenas. Dom Leonardo lembrou de sua visita ao Povo Yanomami, quando levou “a palavra de conforto do Papa Francisco e da presidência da CNBB”, dizendo ter ficado estarrecido com as acusações que os indígenas faziam.

O cardeal enfatizou as palavras de um casal, quando disse: “estamos perdendo a nossa alma, a nossa espiritualidade”, algo que o bispo definiu como perder as motivações para existir e para estar vivo. Ele destacou a importância do Ministério dos Povos Indígenas e da FUNAI, dirigidos por duas indígenas.

Dom Leonardo ressaltou a união estre os bispos na Amazônia e a grande presença dos leigos e leigas na missão de evangelizar. Junto com isso destacou ainda a grande solidariedade: “nunca vi tanta solidariedade na minha vida como em Manaus no tempo da pandemia”. Só na arquidiocese de Manaus, ele informou que foram atendidas mais de 100 mil pessoas, uma amostra, de acordo com ele, do “espírito de solidariedade que existe em nosso povo”.

Laudato Si’ e Amazônia Sem Fome

Dom Evaristo Spengler apresentou a Igreja da Amazônia, desde sua experiência na prelazia de Marajó e na diocese de Roraima. Nestas duas regiões, experimentou e experimenta uma Igreja muito viva, com grande religiosidade popular, onde a vida de fé perpassa todas as ações no dia a dia do povo. Em sua fala, ele explicou como estão sendo desenvolvidas a Laudato Si’´ e “Amazônia sem Fome”, campanhas que “transbordam do coração do Papa Francisco”.

O bispo também chamou a atenção para a realidade dos migrantes venezuelanos, uma realidade que aumentou a cada ano, com uma média de entrada de 500 pessoas por dia. O prelado destacou ainda a belíssima ação da Igreja de Roraima com os migrantes. A Igreja tem se colocado muito ao serviço, insistiu, mostrando números do que a Igreja local faz na alimentação e ajuda jurídica aos migrantes.

Dom Leonardo enfatizou que “o Santo Padre sempre mostrou um carinho muito grande pela Amazônia”, como algo que está no seu coração, destacando que, em sua avaliação, a criação de um cardeal da Amazônia é um modo dele expressar a sua proximidade com toda a Amazônia e o povo de lá. O Papa, segundo o cardeal, está preocupado pela depredação do bioma. “Ele está pensando na humanidade, ele está pensando na Mãe Terra”, disse. O arcebispo de Manaus destacou ainda que o Sumo  Pontífice tem um carinho pelo modo de ser Igreja na Amazônia, com o protagonismo dos leigos e as pequenas comunidades.

Em relação à presença da Eucaristia nas comunidades da Amazônia, disse pensar que é necessário dar passos em algumas direções. Isso numa Igreja que é missionária, citando o exemplo da arquidiocese de Manaus, onde depois da Assembleia Sinodal está se preparando “leigos e leigas em cada comunidade para levar a Palavra de Deus nas casas”. Ele falou de processos que geram mudanças, de repensar a formação nos seminários com padres ao serviço das comunidades. O cardeal questionou até que ponto é justo que muitas comunidades na Amazônia só tenham acesso à Eucaristia duas vezes por ano quando este sacramento é o centro da vida cristã.  Algumas comunidades, segundo dom Evaristo, têm acesso à Eucaristia apenas uma vez por ano.

Em relação às Igrejas Irmãs destacou a dimensão missionária do projeto e a existência de missionários e missionárias que doam sua vida na Amazônia, mas também apontou a falta de voluntários para a missão das igrejas de outras regiões do país. Junto com isso, relatou ainda a difícil situação do garimpo na Terra Yanomami e a destruição que este está provocando na floresta e na vida dos indígenas, sendo muitos deles cooptados pelo garimpeiros. Igualmente denunciou a situação do alcoolismo, exploração e abuso sexual na região. Segundo o cardeal, a Igreja na Amazônia é chamada a se somar num caminho que os indígenas estão realizando.

Por padre Luiz Modino (Norte 1) - Comunicação 60ª AG CNBB.

Dom Jaime Spengler novo Presidente da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem um novo presidente. Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, foi eleito o 14º presidente da CNBB, depois de ter sido vice-presidente nos últimos quatro anos. A eleição, que contou com a participação de mais de 300 bispos, aconteceu no 6º dia da 60ª Assembleia Geral da CNBB, que se realiza em Aparecida de 19 a 28 de abril de 2023, no terceiro escrutínio com 210 votos, em que era necessária a maioria simples.

Nascido em Gaspar (SC), em 6 de setembro de 1960, o novo presidente da CNBB, que sucede a Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG), pertence à Ordem dos Frades Menores, onde ingressou no dia 20 de janeiro de 1982. Realizou a Profissão Solene no dia 8 de setembro de 1985, sendo ordenado presbítero no dia 17 de dezembro de 1990.

Após fazer o doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum, nos anos de 1995 a 1998, Dom Jaime Spengler trabalhou sobretudo no campo da formação, sendo nomeado bispo auxiliar de Porto Alegre em 10 de novembro de 2010 pelo Papa Bento XVI, sendo ordenado bispo no dia 5 de fevereiro de 2011. Pouco mais de dois anos depois, aos 18 de setembro de 2013, o Papa Francisco o nomeou Arcebispo de Porto Alegre.

O novo presidente, em breve encontro com os jornalistas os agradeceu pelo seu papel muito importante na evangelização. Dom Jaime Spengler disse acolher sua nomeação “com muita humildade, com tanta simplicidade, com temor e tremor, mas orientado pela fé”. Com esse espírito disse se colocar a serviço da CNBB durante os próximos quatro anos, esperando poder fazer “um trabalho à altura daquilo que é a Conferência na história do nosso Brasil”.

Em relação às perspectivas, Dom Jaime Spengler, vice-presidente na atual gestão, enfatizou que deseja que “seja uma continuidade a esse processo que nós estamos vivendo”, em referência à sinodalidade, destacando a primeira iniciativa do Celam e depois do Papa Francisco. O arcebispo de Porto Alegre se referiu ao processo de escuta, como algo que precisa avançar, insistindo no espírito da sinodalidade, que o espírito de comunhão e participação possa crescer e se consolidar na Igreja.

Finalmente, Dom Jaime Spengler chamou a ajudar no processo sinodal para que a obra da evangelização possa avançar, para promover o Evangelho do Crucificado – Ressuscitado, ressaltando que “se queremos ajudar a transformar nossa comunidades, o Evangelho é a referência”.

Fonte: Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Analise conjuntura social

60ª Assembleia CNBB, análise de conjuntura social: “Ação, concreta, responsável e ética, que una a todos em torno de nosso futuro”

Abordar os grandes desafios da sociedade brasileira tem sido o propósito da análise de conjuntura social apresentada aos bispos no primeiro dia da 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que está sendo realizada em Aparecida de 19 a 28 de abril de 2023.

Elaborada pelo Grupo de Análise de Conjuntura da CNBB – Padre Thierry Linard, a análise, apresentada por Dom Francisco Lima, parte da ideia da dificuldade de realizá-la em um momento histórico “em que as transformações, possivelmente, estão mais velozes que a nossa própria percepção”, e quer ser um instrumento que ajude na vivência dos próximos passos da CNBB. O início de 2023 é visto como “uma espécie de kairós, em uma conjuntura que se apresentou com diversos e complexos elementos logo após as eleições nacionais de outubro”, o que se concretizou em “estratégias de resistência ante a mudança no Poder Executivo”, buscando “tentar mudar a realidade eleitoral” fora da Constituição, o que foi combatido pelo Poder Judiciário, chegando em um ponto final em que “a democracia foi vitoriosa!”.

O texto relata as diversas posições dentro das Forças Armadas, a cooptação por parte de setores radicalizados das Polícias Militares de muitos Estados e a Polícia Rodoviária Federal, a saída do país do Ex-presidente, ou o ataque aos poderes da República no domingo 8 de janeiro de 2023, por adeptos mais radicais do “bolsonarismo”, visto como “uma articulação de forças empresariais, financeiras, políticas e sociais”. Diante dessa realidade, os analistas afirmam que “o governo Lula está posto, mas ainda não está totalmente composto!”, um governo que iniciou seu mandato com um caráter popular, com a presença na posse do Presidente da República de “homens e mulheres carregados de histórias e lutas”.

O mundo está marcado por incertezas, pelo que o Papa Francisco define como “uma guerra mundial em pedaços”, que está conduzindo ao “parto de um outro mundo multipolar”, com tensões surgidas dos mesmos velhos motivos: economia, território, tecnologia e terror. Isso num mundo determinado pela desigualdade social, pelo aumento da imigração, pela crise da democracia representativa, o incremento das tecnologias digitais, o recrudescimento de governos autocráticos e de movimentos autoritários cada vez mais atuantes, a partir de estratégias de desinformação, com eleições polarizadas e sociedades divididas. Tudo isso repercute na realidade latino-americana, que é analisada, mostrando um olhar sobre como o processo eleitoral brasileiro de 2022 impactou no reordenamento geopolítico global e regional.

O texto apresenta os grandes desafios brasileiros, no campo da economia, marcado pela financeirização, o neoliberalismo e o lucro financeiro, que se contrapõe à “deterioração dos serviços públicos essenciais oferecidos a parcelas imensas do povo brasileiro”; no campo da política, abordando a questão da governabilidade e governança pública e a atual realidade política que o Brasil vive, analisando os passos que estão sendo dados entre os diferentes poderes da República.

No campo da política foi refletido sobre sua relação com a religião, mostrando como uma questão crucial o uso da religião “para a manipulação político-eleitoral ou para a difusão de discursos de ódio e fake News”, inclusive para a ascensão da extrema-direita. Do mesmo modo, foi refletido sobre a militarismo e sua relação com a política, que incide na democracia e aumenta as polarizações.

No campo da sociedade e da cultura, a análise de conjuntura social reflete sobre o drama da desigualdade social e racial, consequência das “muitas e severas sequelas da crise econômica causada pela pandemia”, que levou 33,1 milhões de pessoas a passar fome no Brasil, ao aumento de jovens que nem estudam, nem trabalham, a um maior endividamento da população, com um racismo estrutural e cotidiano que machuca o tecido social brasileiro. No mesmo campo, o drama socioambiental e cuidado com a Casa Comum, destacando a determinação do governo Lula na reconstrução da agenda ambiental brasileira. Isso tem se concretizado numa maior valorização dos povos indígenas, com a criação do Ministério dos Povos Indígenas e ações estratégicas e integradas para o combate ao desmatamento, e a mineração.

A análise aborda a questão do desarmamento e a cultura da paz frente às violências, com o novo governo enfrentando desde o primeiro dia da política de incentivo ao armamento da população, uma urgência diante dos ataques às escolas nos últimos dias. Também foi abordada a crise do pertencimento e o problema das identidades, insistindo em que “parece ter-se perdido a referência da comunidade”.

Finalmente, a análise apresentou sinais dos tempos e de esperança, destacando os resultados do diálogo do governo federal com os outros poderes, o protagonismo dos movimentos sociais e o respeito aos conselhos de controle social, o multilateralismo nas relações internacionais. Diante disso se destaca a importância da formação política, da educação, vendo como uma urgência um grande projeto de pacificação nacional. Para isso, “o nosso mais importante sinal é o da ação, concreta, responsável e ética, que una a todos em torno de nosso futuro. A maior esperança é esperançar-nos todos os dias e em todas as circunstâncias. Sem medo, pois a esperança é a nossa coragem!”.

NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO, DOM EVARISTO, VISITOU A RÁDIO MONTE RORAIMA FM

O 10° bispo da Diocese de Roraima, participou do programa Manhã Viva.

Foto: Lucas Rossetti

Nesta quarta-feira, dia 29 de março, o novo bispo, Dom Evaristo Pascoal Spengler, celebra mais um ano de vida. E na manhã deste dia natalício, o nosso bispo diocesano esteve na Rádio FM Monte Roraima.  Junto ao padre Josimar Lobo, Dom Evaristo participou do programa Manhã Viva.

O bispo falou um pouco sobre suas primeiras atividades e ações na Diocese de Roraima. “Eu estou próximo a Semana Santa, em preparação, estarei em um retiro na próxima semana com missionários, padres e religiosos, e na terça-feira a noite celebraremos a Missa do Santos Óleos, Missa da Unidade e Missa do Crisma. E na semana seguinte eu viajo para a assembleia anual dos bispos do Brasil que acontece em Aparecida”, disse.

Durante a entrevista, Dom Evaristo ainda comentou sobre esse dia tão especial na qual está completando 64 anos de idade. “ Uma alegria porque a gente percebe quando viemos para Roraima, onde vamos é a fé que nos liga. Então saindo de Marajó, onde estava minha família, sair de Angola onde ficou minha família angolana, mas, chegando aqui já encontrei outra família, e agradeço a Deus por ter dado essa graça”, comentou.

Em comemoração, nosso bispo vai celebrar uma missa hoje  às 18h30 na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O Padre Josimar Lobo, reforça o convite para os fiéis e também complementa dizendo que o bispo não é só de Boa Vista e sim de Roraima.

“Estamos convidando aos padres, religiosos, todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de falar com o bispo a prestigiar essa missa que acontece às 18h30 na igreja matriz. Nosso diferencial é esse, nossa diocese é única no estado todo, que a nossa distância é um pouco de desafio, ao mesmo tempo nos provoca e interpela para realizar a missão”, comentou padre.

Após a entrevista, Dom Evaristo junto a familiares, amigos e colaboradores da Rádio Monte Roraima FM participou de um café da manhã. Na ocasião, Renato Francisco Spengler, irmão do Bispo Diocesano, falou sobre o nosso sacerdote.

“É uma pessoa muito querida, é uma pessoa com coração muito grande, sempre com um sorriso largo, é uma pessoa muito amada não só pela família, mas também pelos seus colegas e amigos de Marajó. Só de viajar essa distância, você observa o quando Evaristo é querido”, disse.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo – Monte Roraima FM

Pe. Josimar Presidente da FECJA, Dom Evaristo e Rejane Silva

PASCOM RR – Fará 1º Encontro de Formação

Nos dias 13 e 14 de Abril de 2023.
A Pastoral da Comunicação – PASCOM fará o 1º encontro de Formação Diocesana, com a presença da Irmã Helena Corazza.
Público alvo: Padres, Religiosos e Religiosas, Leigos e leigas, Catequistas, Agentes de Pastorais, Movimentos, Ministros da palavra.

Material formativo incluso, com investimento de R$ 20,00 reais.
Após preenchimento do formulário de inscrição entraremos em contato para confirmar a inscrição. Comprovante de pagamento ou dúvidas através do número (95) 991161603.
Link de inscrição: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScwkq167kk-zXGCah6P7O4JgNRBehLjgd25bz8KIUSN1IeGLw/viewform

Dom Evaristo Spengler inicia sua missão na Igreja de Roraima

DCIM\101MEDIA\DJI_0194.JPG

Dom Evaristo reafirma o compromisso da Igreja de Roraima com os indígenas e migrantes.

Padre Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Ser acolhido pelos que não contam é um sinal de Deus, que faz opção por aqueles que a sociedade descarta. Os povos indígenas e os migrantes venezuelanos, vítimas de preconceito na sociedade roraimense, foram os protagonistas da acolhida ao novo Bispo da Diocese de Roraima na frente da Catedral Cristo Redentor.

Com a presença dos bispos do Regional Norte1 e de outros prelados provenientes de diferentes cantos do Brasil e da Venezuela, dentre eles seus dois predecessores, dom Mário Antônio da Silva e dom Roque Paloschi, presbíteros, Vida Religiosa e representantes da paróquias e comunidades, dom Evaristo Spengler tomou posse, pelas mãos do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo Metropolita de Manaus, da Igreja que o Papa Francisco lhe confiou, mostrando em suas palavras e seu sorriso no rosto a alegria deste momento.

Os povos indígenas e os migrantes são protagonistas na Igreja de Roraima, algo que mais uma vez se fez presente na liturgia, com a proclamação das leituras em espanhol e na língua indígena macuxi, assim como alguns dos cantos e momentos marcantes da celebração. Uma liturgia cheia de símbolos, com rosto amazônico, na Solenidade da Anunciação do Senhor e no dia em que a Igreja de Roraima inicia a preparação para os 300 anos de evangelização em 2025.

o Dom Evaristo Spengler inicia sua missão na Igreja de Roraima

Desde o Mistério da Anunciação, dom Evaristo destacou como Deus enviou seu anjo a uma região desprezada, para assim encarnar a um Messias que quis ser parte do povo pobre e que revelou que “o Reino de Deus está presente especialmente lá onde todas as pessoas podem circular”. Isso pela figura de Maria, que supera seus medos para assumir o plano de Deus, pois acima de tudo “ela carrega no coração a certeza de que Deus caminha com ela e com o povo pobre”, insistindo dom Evaristo em superar os medos, pois “o excesso de medo nos paralisa”, lembrando alguns medos “que nos fazem muito mal”, e junto com isso “nos impede caminhar e construir um futuro coerente e mais autêntico com o Evangelho”.

Daí, o novo bispo da diocese de Roraima fez ver a urgência de “construir uma Igreja da esperança e da confiança em Deus”, lembrando do 3º Ano Vocacional que a Igreja do Brasil está celebrando, insistindo em que “todos somos chamados a ser Povo de Deus a caminho e a fortalecer nossas Comunidades Eclesiais de Base”, e fazendo um chamado a todos a assumir a sua vocação na Comunhão e na Missão, “sem medo de caminhar juntos e de construir comunidades servidoras, a exemplo de Maria”.

É a exemplo de Maria, que “esta Igreja particular ouve o chamado de Deus pelo clamor do povo”, algo que foi assumido pelos missionários que ao longo de 300 anos “chegavam com muito sacrifício de deslocamentos, de comunicação, de recursos e aqui deixaram-se consumir no testemunho do evangelho vivo”, insistiu Dom Evaristo Spengler. Uma Igreja que “nunca deixou-se pautar por aplausos os críticas, mas pela fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo”, inclusive até dar a vida como aconteceu com o Padre Caleri. “Uma Igreja, sem medo, como Maria”.

No momento atual, “a Igreja não pode silenciar diante da tragédia dos Yanomami, diante de suas terras invadidas pelo garimpo, que lhes rouba o território, a saúde, a paz, os meios de produção de alimentos, enfim a vida”, denunciou dom Evaristo. Daí ele insistiu que “a Igreja de Roraima reafirma mais uma vez o seu compromisso com os povos indígenas na defesa de sua vida e de seus territórios”. Um compromisso que também se faz extensivo aos migrantes, destacou o Bispo, que “deseja acolhê-los e inseri-los nesta terra”, muitos deles participantes da vida das comunidades da Diocese.

Refletindo sobre o Ministério do Bispo e o tríplice ministério, dom Evaristo Spengler insistiu em que “mais importante do que o Bispo é a Igreja”, e fez uma profissão de fé, mostrando a Igreja em que ele crê: Uma Igreja fiel ao Evangelho; uma Igreja servidora do mundo e promotora da Vida, principalmente lá onde ela se encontra mais ameaçada; uma Igreja aliada e parceira dos pobres, povos indígenas, migrantes, mulheres, jovens e famintos; numa Igreja de Comunidades, da Palavra, que faz a experiência da partilha e é ensaio do Reino; uma Igreja que buscar testemunhar a sinodalidade, corresponsável desde o Batismo; uma Igreja toda ministerial; uma Igreja profética; uma Igreja responsável pela Casa Comum, que ama, cuida e defende nossa “Irmã Mãe Terra”.

Numa Igreja três vezes centenária, dom Evaristo disse se sentir “tranquilo e bastante seguro, não por causa das minhas forças, mas por causa da Igreja”, que ele definiu marcada pelo “testemunho, fidelidade e profetismo”. Um caminho que disse querer percorrer desde seu “compromisso com o Regional Norte1 em busca do fortalecimento dos laços de comunhão”, algo que também faz com a CNBB, em sua missão no Enfrentamento ao Tráfico humano e com a REPAM.

No final da celebração foi momento de agradecimento ao novo bispo, também ao administrador diocesano durante a sede vacante, o padre Lúcio Nicoletto. Uma Igreja que com a chegada de dom Evaristo se sente “beijada pelo Espírito de Deus”, destacando no novo Bispo seu despojamento, e sendo acolhido por todos e todas os que caminham nesta Igreja de Roraima, profética e missionária, que unidos com seu novo Bispo querem caminhar para águas mais profundas, dizendo como Maria: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em nós segundo a vossa palavra”.

Uma acolhida do clero, que lhe fizeram ver que o novo Bispo não está sozinho e pode contar com os padres em seu novo ministério, também da Vida Religiosa, que disse para ele que Deus lhe conferira muitas forças de se colocar ao serviço dos mais pobres junto com os consagrados e consagradas. O novo bispo também foi acolhido pelo prefeito da cidade lhe mostrando que é muito bem-vindo à cidade de Boa Vista, sede da Diocese de Roraima, a quem o administrador diocesano agradeceu pela ajuda nos mais de 10 meses em que desempenhou essa missão, pedindo ao novo Bispo que ajude sua nova Igreja a não ter medo de avançar para águas mais profundas e a caminhar juntos como Igreja sinodal.

Encontro com a Pastoral Indigenista dá início ao trabalho de Dom Evaristo Spengler na Diocese de Roraima

Um dia depois do início de sua missão como Bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, junto com alguns bispos do Regional Norte1 e outras pessoas que participaram da celebração de acolhida ao novo bispo, se encontraram com a Pastoral Indigenista de Roraima, o que pode ser entendido como o desejo de Dom Evaristo de continuar incentivando uma das prioridades diocesanas nas últimas décadas, uma dinâmica assumida com grande determinação pelos últimos bispos.

A Pastoral Indigenista na Diocese de Roraima sempre teve que remar contra uma sociedade local anti indígena, um apoio aos povos indígenas que levou a Diocese a pagar um alto preço, até o ponto de episódios em que a Diocese, pelo seu apoio aos povos indígenas foi definida como nociva à sociedade de Roraima.

A Pastoral Indigenista apresentou as linhas prioritárias que está desenvolvendo, insistindo na defesa do território como prioridade. A Pastoral busca não ser protagonistas e sim acompanhantes, acompanhando o Movimento Indígena que nasceu a partir da Igreja católica. Desde a Pastoral Indigenista da Diocese de Roraima é destacada a importância das mulheres no movimento indígena, pois elas permanecem na luta até o final. Outras prioridades assumidas é o resgate cultural, vivenciar a espiritualidade, enfrentar o desmonte dos direitos, a invasão de garimpeiros ou o agronegócio.

Para a Pastoral Indigenista da Diocese de Roraima é importante o tema da representatividade indígena e o diálogo inter-religioso e intercultural. Do mesmo modo, se busca combater o racismo estrutural, buscando o fortalecimento da língua indígena, e abordar a questão da saúde mental nas comunidades.

Na Pastoral Indigenistas da Diocese de Roraima existem testemunhos de vida que mostram o grande compromisso de muitos missionários e missionárias com as causas indígenas. Um desse testemunhos foi dado pela Ir. Mary Agnes Njeri Mwangi, religiosa da Consolata, que vive na Missão Catrimani desde o ano 2000, pudendo ser considerada um exemplo do que significa a missão no meio aos povos indígenas, numa experiência missionária que é determinada pela presença em meio do povo, gratuitamente, sem esperar resultados. Escutar suas vivências ao longo de mais de duas décadas é uma verdadeira aula de missionariedade em meio ao povo Yanomami, historicamente perseguidos no Estado de Roraima, como foi mostrado mais uma vez diante da grave crise que estão vivendo nos últimos anos.

Do trabalho da Pastoral Indigenista e da Igreja de Roraima, os próprios indígenas destacam que o grande passo dado é ter feito com que os indígenas em Roraima, depois de séculos de atitudes contrárias, sejam considerados hoje como sujeitos da sociedade de Roraima, conseguir que eles fossem vistos como gente.

A reflexão feita durante o encontro com a Pastoral Indigenista da Diocese de Roraima ajudou a entender que essa problemática não se resolve de um dia para outro, destacando que a paciência, sabedoria e coragem dos missionários e das lideranças ao longo de tantos anos deram os frutos que estão sendo recolhidos hoje. Um trabalho pelo qual Dom Evaristo Spengler agradeceu a todos os missionários e missionárias que dedicam sua vida ao trabalho missionário com os povos indígenas e àqueles que tem realizado essa missão ao longo da caminhada da Diocese de Roraima. 

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Início do Ministério Pastoral e Apostólico de Dom Evaristo – Ritos Iniciais

Com prazer, aqui estão algumas atualizações sobre a posse canônica:

No início da posse canônica de um novo bispo, é comum haver uma cerimônia solene na catedral da diocese. Durante essa cerimônia, o bispo eleito é recebido pela comunidade diocesana e por representantes do clero e da sociedade civil.

Após a entrada solene, é lida a carta apostólica do Papa que nomeia o Bispo para a diocese. Esta carta é um documento oficial que estabelece as responsabilidades e deveres do bispo na sua nova função. Depois, o bispo faz a profissão de fé e faz um juramento de fidelidade ao Papa e à Igreja.

Em seguida, é feita a leitura da Carta Apostólica “Quo mandato”, que estabelece as normas gerais para a posse canônica de um bispo. Essa carta enfatiza a importância do bispo em manter a unidade da Igreja, promover a santidade e defender a verdade da fé católica.

Outra Carta Apostólica importante que é lida durante a cerimônia de posse é a “Pastores Gregis”. Essa carta estabelece as orientações e responsabilidades específicas dos bispos na administração da diocese, incluindo a pastoral, a administração dos sacramentos e a promoção da justiça social.

Após a leitura dessas cartas apostólicas, o bispo recebe o báculo, o símbolo do seu ministério pastoral. Em seguida, ele é conduzido até a cátedra, o assento do bispo na catedral, onde se senta como o novo pastor da diocese. Seguidamente e diante do povo é anunciado e abençoado. Felices de ter novo Bispo, ele nos regala um momento de felicidade saludando ao povo presente.

Os indigenas do Estado de Roraima com canticos e oferendas parabenizam em um ato de compromisso, a Pastoral dos migrantes faz entrega da Cruz de Tão com fotos da realidade migrante do Estado de Roraima.

A posse canônica é um momento importante na vida de uma diocese e da Igreja como um todo, pois marca o início de um novo capítulo na história da comunidade católica local e a continuação da missão de Cristo na terra.

Foto e Texto: Líbia Lopez