Na coletiva de imprensa realizada na 62ª Assembleia Geral da CNBB, os Bispos abordaram três temas. Leia a matéria completa e confira!
Na manhã desta ultima quinta-feira (23), durante asétima coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da CNBB, os assuntos em pauta abordados pelos Bispos foram: o 19° Congresso Eucarístico Nacional, o 7° Congresso Americano Missionário (CAM7) e a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.
19º Congresso Eucarístico Nacional
Segundo Dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia, o 19º Congresso Eucarístico Nacional será realizado em Goiânia (GO), entre os dias 3 e 7 de setembro de 2027. De acordo com o arcebispo, durante a Assembleia Geral da CNBB, os Bispos receberam o convite oficial para o evento, acompanhado do texto-base, que reúne informações e orientações para motivar a participação em todo o país.
O tema escolhido para o Congresso foi “Hóstias vivas no mundo para a glória do Pai”, inspirado na Carta de São Paulo aos Romanos (capítulo 12), na qual o apóstolo exorta os fiéis a se tornarem “hóstias vivas”. De acordo com Dom João, o evento contará com dois formatos de atividades: conferências maiores, destinadas a todos os participantes, e conferências menores, realizadas em grupos reduzidos, favorecendo maior aprofundamento e partilha.
“A partir desta inspiração do tema, nós organizamos também o Simpósio Teológico que acontecerá durante o Congresso, simpósio composto por conferências maiores e menores. Maior no sentido de que será para todos os participantes do Simpósio e depois as conferências em grupos menores”,relatou.
Dessa forma, o arcebispo de Goiânia destacou que o Congresso contará com a participação de diversos Bispos. Entre as participações, a expectativa é alta, pois uma das novidades é o convite feito ao Papa Leão XIV para que ele participe do evento:
“A Presidência da CNBB fez o convite oficial, lembrando ao Papa que, em 1980, na primeira visita do Papa São João Paulo II ao Brasil, ele concluiu o Congresso Eucarístico de Fortaleza, voltou em 1991 e concluiu o Congresso Eucarístico de Natal. Isso nos dá uma chama de esperança para que ele se interesse em estar conosco”, contou.
Dom João concluiu ao afirmar que o sentimento é de felicidade pelas inscrições realizadas com mais de 100 bispos, os quais confirmaram presença no Congresso.
Rian TorresBispos durante a coletiva de imprensa da Assembleia Geral da CNBB
Congresso Americano Missionário
Outro tema discutido durante a coletiva de imprensa foi o lançamento do Congresso Americano Missionário, que será realizado no ano de 2029, no Brasil. Dom Maurício da Silva Jardim, Bispo de Rondonópolis Guiratinga (MT) e presidente da Comissão do CAM7, falou sobre o processo de preparação que está sendo lançado na Assembleia Geral da CNBB. Em consonância com o tema, o bispo disse que: “uma fé madura é sempre uma fé missionária”.
De acordo com Dom Maurício, essa fé leva cada um a sair de si mesmo e a se tornar uma Igreja em saída. Ao contextualizar o continente americano, o Bispo destacou a tradição dos 50 anos da realização de Congressos Missionários Americanos:
“O primeiro Congresso Missionário Latino-Americano aconteceu na cidade do México, em 1977. O quinto aconteceu na nossa Igreja no Brasil em 1995, na Arquidiocese de Belo Horizonte, com o tema: Vinde, vede e anunciai”, abordou.
O 7° Congresso Americano Missionário será realizado na Arquidiocese de Curitiba (PR)de 14 a 18 de novembro de 2029. Para Dom Maurício, a natureza desses Congressos Missionários é sempre de animação missionária e cooperação Missionária da Igreja: “Animar as igrejas locais, nossas Arquidioceses, Dioceses e prelazias, para um grande impulso missionário”,afirmou.
Sendo assim, o presidente da Comissão do CAM7 enfatizou que cada Congresso tem como objetivo impulsionar as Igrejas locais para um novo ardor Missionário e isso se dá por meio de um processo de preparação.
Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país
Por fim, Dom Gregório Paixão, arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal de Cultura e Educação da CNBB, comunicou sobre a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.
Nas palavras de Dom Gregório, mais de 50% dos patrimônios tombados no Brasil pertencem à Igreja Católica. Sendo assim, precisam ser preservados, pois apresentam o risco de estar em perigo. Diante dos fatos apresentados no Brasil, o Ministério Público alertou a CNBB para que tenham o olhar mais “alargado” sobre o patrimônio cultural brasileiro, especificamente, o patrimônio cultural católico:
“Neste sentido, a nossa comissão também foi provocada pela CNBB para que pudéssemos encontrar possibilidades quanto à preservação, vendo não apenas as necessidades de uma ou outra Diocese, mas de todo o Brasil”,explicou.
O arcebispo de Fortaleza relatou que, dessa maneira, nasceu a necessidade de pensar em um Fundo Nacional para preservar estes patrimônios:
“Conseguimos unir o IPHAN com o Ministério Público, a Universidade Católica do Rio de Janeiro e diversos setores de várias instituições para que pudéssemos pensar um pouco sobre o que é que nós desejamos”, pontuou.
Ao concluir seu discurso, Dom Gregório encerrou ao dizer que esta temática será apresentada diante de toda Assembleia dos Bispos, a fim de que tenham a possibilidade de captar com toda a vigilância brasileira e orientar melhor as dioceses, para que possam cuidar desses patrimônios que pertencem a todos os brasileiros e à Igreja Católica.
Foi aprovado na sessão desta tarde, 22 de abril, da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Bispos do Brasil (CNBB), o projeto Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil, que reúne um portal de dados da Igreja do Brasil e um sistema de dados para as chancelarias das dioceses.
A plataforma é um repositório de dados coletados e validados juntos às dioceses que reunirá todos os dados referentes à Igreja, como informações sobre bispos, dioceses, padres, diáconos, regionais e históricos. Junto com a plataforma de dados, estará disponível um portal para consulta dos dados públicos por toda sociedade.
O projeto já foi apresentado e validados pelo Conselho Permanente da CNBB e aplicado em 20 dioceses piloto do Brasil, com realidades e níveis de organização diferentes. Segundo dom Ricardo, as principais características é que a gestão dos dados será feito integralmente pela CNBB em uma base única e segura que hoje depende de terceiros.
Equipe responsável pelo CDIC. | Fotos: Marketing Edições CNBB.
Sessão Solene pelo bicentenário das relações Brasil Santa Sé
Nesta tarde, os bispos também tiveram uma Sessão Solene de Comemoração do Bicentenário de Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A sessão teve a participação do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, representante diplomático da Santa Sé no país; do arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e do arcebispo de Brasília e presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil-Santa Sé, dom Paulo Cezar Costa.
Em sua fala, o núncio destacou que o bicentenário das relações entre Brasil e Santa Sé remetem a uma trajetória singular e profunda, com benefícios para os dois Estados. “Tanto em termos morais quanto nos mais complexos, essa relação reconheceu-se como um elemento de grande relevância para ambas as partes. E isso não apenas no plano, diplomático, mas também sob o ponto de vista humano, cultural, moral e eclesial”, falou o núncio.
Segundo o núncio, o Brasil representa para a Igreja uma realidade humana e espiritual ampla e densa, ao mesmo tempo que a Igreja representou e continua representando para o Brasil uma “força decisiva da inclusão moral, da elevação espiritual, da promoção da dignidade humana e do amadurecimento”, falou dom Giambattista. “Ao olhar para esse caminho secular, somos convidados a ver o passado com gratidão, o presente com responsabilidade e o futuro com confiança e angústia”, concluiu o núncio.
Dom Jaime falou aos bispos que, ao celebrarem o bicentenário das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, eles são convidados a discernir com responsabilidade os passos que virão pela frente, entre eles a recepção e implementação do acordo nas Igrejas particulares.
O acordo é uma conquista importante que, segundo dom Jaime, traz benefícios não só para a Igreja, mas para toda sociedade. “Quando a assistência religiosa é assegurada em hospitais, presídios e quartéis, protege-se o direito fundamental da pessoa humana. Quando o patrimônio cultural da Igreja é preservado, resguarda-se uma parte essencial da memória nacional. Quando as instituições católicas de ensino atuam com liberdade e responsabilidade, toda a sociedade se beneficia de sua contribuição educativa. E quando a Igreja pode desenvolver suas obras sociais, pastorais e assistenciais com estabilidade jurídica, amplia-se sua capacidade de servir aos mais pobres e vulneráveis”, finalizou o presidente da CNBB.
Liberdade religiosa
Dom Paulo ainda destacou que o acordo Brasil Santa Sé salvaguarda a liberdade religiosa, tão cara à Igreja Católica e, consequentemente, o pleno reconhecimento da liberdade religiosa. “O acordo consagra a verdadeira laicidade do Estado, onde a diversidade religiosa presente no povo é respeitada.”
Citando o texto do acordo que os bispos receberam durante a sessão, dom Paulo explicou que através dele, o Estado brasileiro se mostra parceiro da Igreja Católica. “A sociedade brasileira seguramente seria mais pobre sem a presença e atuação da Igreja”, finalizou dom Paulo.
“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.
“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé.”
Papa interage com os jornalistas (@Vatican Media) Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?
Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia “Bem-vindo, Papa Leão”. Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.
Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?
O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.
E as próximas viagens?
Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.
O Papa respondeu a cinco perguntas (@Vatican Media) Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?
Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.
Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?
Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.
Anneliese Taggart (Newsmax TV – USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?
Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas desde a concepção até a morte natural deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.