Bispos aprovam novas Diretrizes que vão orientar a evangelização no Brasil pelos próximos seis anos

Os bispos do Brasil aprovaram, na manhã desta quarta-feira, 23 de abril, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O documento, que orientará a missão da Igreja no país nos próximos seis anos, foi aprovado por 294 bispos reunidos durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Desde o início da assembleia, em 15 de abril, o episcopado brasileiro se dedicou à leitura, escuta e aprimoramento do texto, elaborado por uma comissão específica. Ao longo desse processo, os bispos, organizados por regionais, apresentaram 656 emendas, das quais a grande maioria foi incorporada à versão final.

Caminho de comunhão e escuta

Antes da aprovação, o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão responsável, dom Leomar Antônio Brustolin, apresentou o texto final com as contribuições acolhidas. Segundo ele, cerca de 90% das sugestões foram integradas, sempre preservando a unidade e o horizonte comum da Igreja no Brasil.

“Fizemos o melhor possível para que esse texto seja a expressão real da nossa caminhada comum”, destacou.

A aprovação foi marcada por um gesto de reconhecimento coletivo: os bispos aplaudiram de pé o trabalho da comissão. O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, ressaltou o caráter espiritual do processo:

“Creio que temos em mãos um verdadeiro Pentecostes. Isto é obra do Espírito, não nossa, é do Espírito de Deus”.

Leitura de bastidores e significado das novas diretrizes

Em reflexão sobre o processo, o vice-presidente da REPAM, dom Pedro Brito, destacou que as novas diretrizes chegam após um período de prorrogação das anteriores, inicialmente previstas para serem concluídas em 2023.

“As antigas diretrizes deveriam ter sido finalizadas em 2023, mas acabaram sendo prorrogadas por alguns fatores importantes, como a necessidade de incorporar as conclusões do Sínodo e também pela morte do Papa Francisco, que provocou o cancelamento da Assembleia do ano passado. Esses elementos fizeram com que o processo fosse estendido, gerando uma expectativa grande pela aprovação das novas diretrizes agora.”

Dom Pedro também chamou atenção para o clima vivido na assembleia no momento que antecedeu a votação final do texto.

“Eu nunca vi, em tantos anos de assembleia, uma reação como essa: toda a assembleia se levantou e aplaudiu a equipe antes mesmo da votação. Isso pode ser lido como um sinal de alívio, depois de um processo longo, mas também como reconhecimento de que as diretrizes trazem algo novo e importante para a Igreja.”

Avanços para a missão e cuidado da Casa Comum

O presidente da REPAM, dom Evaristo Pascoal Spengler, ressaltou o caráter sinodal do processo e destacou avanços importantes presentes nas novas diretrizes.

“A participação na Assembleia dos Bispos do Brasil foi uma experiência muito significativa de uma Igreja que caminha em sinodalidade. A redação das Diretrizes foi um processo de cerca de quatro anos, envolvendo todos os bispos, com muitas contribuições dos regionais e uma vivência profunda de escuta.”

Dom Evaristo apontou dois elementos centrais como novidades no documento.

“Destaco dois aspectos importantes: a criação, pela primeira vez, do Ministério do Cuidado da Casa Comum, que deve ser impulsionado onde já existe e criado onde ainda não está presente; e o reconhecimento dos povos indígenas como evangelizadores, dentro da perspectiva do povo de Deus em missão.”

Segundo ele, esses pontos refletem uma Igreja em diálogo com os territórios e com a realidade dos povos.

“A Igreja tem aprendido muito nesse encontro do Evangelho com os povos indígenas, especialmente pela sua experiência comunitária, pelo cuidado com a ecologia integral e pela vivência da partilha e da gratuidade. As sementes do Verbo estão presentes em suas culturas.”

Para o presidente da REPAM, esses avanços fortalecem o compromisso com uma Igreja cada vez mais aberta ao cuidado da vida e da Casa Comum.

Igreja em missão: próximos passos

As diretrizes, após ajustes finais, devem ser publicadas pelas Edições CNBB nas próximas semanas.

Durante a assembleia, também foram apresentados outros temas relevantes para a caminhada da Igreja no Brasil. Entre eles, o 19º Congresso Eucarístico Nacional, previsto para setembro de 2027, em Goiânia (GO), com o tema “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”.

Outro destaque foi a apresentação das Edições CNBB, responsável pela publicação dos documentos oficiais da Igreja no país. Entre as novidades, está o desenvolvimento de um aplicativo com a Bíblia e a biblioteca digital da CNBB, que reunirá conteúdos oficiais com acesso facilitado e ferramentas de leitura, incluindo a prática da Lectio Divina. incluindo a prática da Lectio Divina.

Fonte: Repam 

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