O encontro internacional promovido pelo CELAM, pela CAL e pela OEA, de 25 a 27 de agosto, reúne experiências de prevenção, recuperação e integração.

Não se trata apenas de falar sobre drogas. Nem apenas de falar sobre quem as consome. No Vaticano, o diálogo internacional sobre a resposta baseada na fé às drogas e ao recrutamento criminoso de jovens trouxe à tona uma questão mais profunda: que tipo de comunidades são necessárias para que um adolescente ou jovem encontre nelas um senso de pertencimento, acolhimento, dignidade e um projeto de vida antes que outros ocupem esse lugar.
De 25 a 27 de agosto, representantes da América Latina e do Caribe, juntamente com experiências provenientes da Ásia, África e Europa, participam do encontro “Resposta baseada na fé às drogas e ao recrutamento criminoso de jovens: um diálogo da América Latina e do Caribe para o mundo”, promovido pela Pastoral Latino-Americana de Acompanhamento e Prevenção de Dependências (PLAPA) do CELAM, pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e pela Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD) da OEA.
Por meio da metodologia das “Conversas no Espírito”, são criados espaços de escuta, reflexão, ressonância e discernimento coletivo para identificar desafios comuns e possíveis respostas. O congresso será encerrado com uma audiência com o Santo Padre Leão XIV, a quem serão apresentadas as conclusões deste evento.
A iniciativa tem suas raízes em uma experiência que surgiu na Argentina durante o período em que Jorge Mario Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires: a “Grande Família” do “Hogar de Cristo”, voltada para a recuperação de jovens afetados por dependências e para acompanhá-los em sua reintegração social. A partir daí, a experiência começou a se expandir para a América Latina e, posteriormente, a se articular com a OEA. O resultado desse percurso é um método de acompanhamento que agora busca ampliar seu alcance por meio de um manual elaborado coletivamente.
Denise Ferreira, coordenadora nacional da Pastoral da Sobriedade do Brasil e que participa do evento, destacou à Rádio Vaticano – Vatican News, a relevância de integrar os esforços de organizações religiosas e voluntárias no enfrentamento dessas problemáticas.
Capilaridade pastoral e a força do voluntariado
Presença nas bases: a Igreja Católica possui uma ampla capilaridade que alcança periferias, centros urbanos, zonas rurais e comunidades vulneráveis, permitindo que as ações preventivas cheguem onde o Estado nem sempre está presente.
Rede de voluntários: no Brasil, a Pastoral da Sobriedade atua em articulação direta com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mobilizando voluntários comprometidos em oferecer acolhimento e auxílio na busca por sentido de vida.
Troca de experiências globais: o fórum no Vaticano possibilita o intercâmbio de práticas bem-sucedidas adotadas por diferentes países no tratamento e na prevenção às dependências.
A família como primeiro núcleo de proteção: Durante o encontro, ressaltou-se que a prevenção eficaz passa pelo fortalecimento do convívio e do diálogo familiar. O ambiente doméstico deve se consolidar como um espaço seguro e acolhedor para impedir que adolescentes e jovens busquem pertencimento em redes de criminalidade.
Convivência afeto-protetiva: o diálogo constante entre pais e filhos cria um refúgio seguro, reduzindo a vulnerabilidade dos jovens ao aliciamento externo.
Perguntas fundamentais de acompanhamento: a Pastoral orienta as famílias a manterem um acompanhamento atento por meio de três questionamentos básicos:
Onde o seu filho está neste momento?
Com quem ele está?
O que ele está fazendo?
Estratégia transversal nas ações da Igreja
Para além das iniciativas voltadas especificamente à dependência química, Denise Ferreira destacou a necessidade de aprofundar o debate sobre a prevenção ao recrutamento criminal em diversas frentes pastorais. A proposta é criar estratégias transversais que envolvam a catequese, a Pastoral Familiar e lideranças leigas, garantindo um enfrentamento sistêmico e contínuo dessa problemática nas comunidades.
FONTE/CRÉDITOS: Sebastián Sansón Ferrari, Silvonei José — Vatican News
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