Missa de Nossa Senhora Aparecida em Boa Vista destaca defesa da vida, dos povos indígenas e da Amazônia

Missa em Boa Vista destacou a fé, a justiça social e a proteção da Amazônia.

Missa de Nossa Senhora Aparecida em Boa Vista destaca defesa da vida, dos povos indígenas e da Amazônia
Kayla Silva

Celebrado em 12 de outubro, o Dia de Nossa Senhora Aparecida homenageia a padroeira do Brasil e representa uma das datas mais importantes do calendário católico. Em Boa Vista, a devoção à santa tem raízes históricas que remontam ao período dos padres beneditinos, quando uma pequena imagem foi colocada na Igreja Matriz da Missão de Nossa Senhora do Carmo. Em 1968, foi fundada uma comunidade dedicada a Nossa Senhora Aparecida e, em 1984, teve início a Romaria Diocesana, que se consolidou como uma das principais manifestações religiosas de Roraima.

A data foi marcada por uma celebração que reuniu fé e compromisso com a transformação da sociedade. A missa em honra à padroeira do Brasil foi presidida pelo bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, e destacou a importância de colocar os ensinamentos do Evangelho em prática, especialmente na defesa da vida e dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade.

Durante a homilia, a devoção mariana foi apresentada como um chamado à ação, à solidariedade e à atenção ao sofrimento do próximo. Ao refletir sobre o exemplo de Maria, Dom Evaristo ressaltou que a fé não deve afastar os cristãos dos problemas enfrentados pela sociedade.

“A verdadeira devoção mariana nunca nos cega diante da realidade do sofrimento dos irmãos”, afirmou o bispo.

A reflexão abordou questões sociais, com destaque para os direitos trabalhistas e previdenciários, o acesso à saúde, a proteção das mulheres e dos jovens e a garantia dos direitos dos povos indígenas. Na mensagem apresentada pelo religioso, a vivência da fé também exige posicionamento diante de situações que ameaçam a dignidade humana.

Fé, consciência política e proteção da Amazônia

A homilia também trouxe uma mensagem sobre a responsabilidade dos eleitores e os riscos da manipulação religiosa. Ao pedir a intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo povo brasileiro, Dom Evaristo relacionou a devoção à necessidade de escolhas conscientes e à defesa dos direitos coletivos.

“Maria ilumina o nosso povo nas urnas”, declarou, ao fazer um alerta contra a venda de votos e o uso da religião para enganar os fiéis.

A proteção da Amazônia e dos povos indígenas também esteve entre os temas abordados. O bispo criticou interesses que, segundo ele, ameaçam a riqueza do país e os direitos dos povos originários, reforçando a necessidade de compromisso com a preservação ambiental e com as populações mais vulneráveis.

Ao longo da reflexão, a mensagem central foi a de que a devoção a Nossa Senhora deve estar associada à prática do Evangelho. “A verdadeira devoção mariana nos torna discípulos missionários de Jesus”, afirmou Dom Evaristo, ao destacar o compromisso dos cristãos com a transformação da realidade.

Celebração também marca envio de missionários

Outro momento da missa foi o envio de missionários, em referência ao mês de outubro, dedicado às missões na Igreja Católica. Durante a celebração, Dom Evaristo agradeceu aos missionários do regional pela partilha da fé e pelo serviço desenvolvido na Diocese de Roraima.

O envio missionário representa o compromisso de anunciar o Evangelho e levar a mensagem cristã às comunidades. O momento também reforçou a dimensão missionária da celebração, que associou a devoção mariana à responsabilidade de servir ao próximo e atuar junto à população.

Ao final da homilia, o bispo pediu a proteção de Nossa Senhora para as famílias, os jovens, as crianças e aqueles que se dedicam à evangelização. Em oração, recorreu à intercessão da padroeira para fortalecer o trabalho missionário da Igreja.

“Maria, Rainha das Missões, acompanhai a obra evangelizadora em todos os recantos da Terra. Abençoai os nossos missionários e missionárias e guardai o vosso povo na esperança”, rezou.

A celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida em Boa Vista reuniu, assim, a tradição religiosa e o chamado à vivência concreta da fé, com atenção à justiça social, à defesa dos povos indígenas, à preservação da Amazônia e à missão evangelizadora da Igreja.

FONTE/CRÉDITOS: Luana de Oliveira

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