A presidir a liturgia eucarística o cardeal Stanislaw Dziwisz, que há 44 anos estava ao lado do Papa Wojtyła no momento em que ele foi atingido. Após a celebração na Basílica de São Pedro será realizada uma procissão ao túmulo do Pontífice polonês.
Em 13 de maio de 1981, ou seja, 44 anos atrás, João Paulo II foi vítima de um atentado na Praça São Pedro. Para recordar o ocorrido, ao final da tarde desta terça-feira (13/05), às 18h do horário local (13h no horário de Brasília), na Basílica Vaticana, o cardeal Stanislaw Dziwisz – na época secretário do Pontífice polonês – presidirá uma missa com participação aberta aos fiéis. Após a celebração litúrgica, será realizada uma procissão do altar da Cátedra de São Pedro até o túmulo de São João Paulo II.
A Praça São Pedro lotada no dia do atentado a JP II
Balas desviadas por uma mão providencial
Naquele dia de 1981, às 17h17, o Papa Wojtyła estava fazendo o giro na praça de papamóvel, antes da tradicional Audiência Geral de quarta-feira, quando de repente desmaiou, ferido por tiros disparados por Ali Agca. O Papa foi rapidamente transferido para o Hospital Gemelli, em Roma. Ele foi operado, lutou entre a vida e a morte e foi salvo. Ele sempre esteve convencido de que Nossa Senhora de Fátima, cuja memória litúrgica é celebrada em 13 de maio, havia “desviado as balas” e salvado a sua vida.
Uma cápsula das balas disparadas por Ali Agca
A ajuda da Mãe Celestial
Um ano após o atentado, João Paulo II visitou Fátima para agradecer à Virgem Maria. Aos fiéis que o ouviam, ele disse: “gostaria de lhes dizer em confidência que, quando ocorreu o atentado na Praça de São Pedro há um ano, quando recuperei a consciência, meus pensamentos imediatamente correram para este Santuário para agradecer ao Coração da Mãe Celestial. Em tudo o que aconteceu, eu vi – e repetirei isso várias e várias vezes – o cuidado maternal especial de Maria”.
“Dou-lhes as boas-vindas, representantes da mídia de todo o mundo. Agradeço o trabalho que realizaram e realizam neste tempo que, para a Igreja, é essencialmente um tempo de Graça”, disse o Papa Leão XIV durante o encontro com a imprensa mundial.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV encontrou-se, nesta segunda-feira (12/05), na Sala Paulo VI, no Vaticano, com a imprensa mundial.
“Dou-lhes as boas-vindas, representantes da mídia de todo o mundo. Agradeço o trabalho que realizaram e realizam neste tempo que, para a Igreja, é essencialmente um tempo de Graça.”
Depois dessas palavras de boas-vindas no início de seu discurso, Leão XIV prosseguiu, citando o “Sermão da Montanha”, no Evangelho de Mateus, em que Jesus proclamou: “Felizes os que promovem a paz”.
Ouça e compartilhe
O modo como comunicamos é de fundamental importância
Segundo o Pontífice, esta é uma bem-aventurança que nos interpela a todos e chama quem trabalha nos meios de comunicação “ao compromisso de levar adiante uma forma de comunicação diferente, que não busque o consenso a todo custo, não se revista de palavras agressivas, não abrace o modelo da competição, não separe nunca a busca da verdade do amor com que devemos humildemente buscá-la”.
“A paz começa em cada um de nós: no modo como olhamos os outros, ouvimos os outros, falamos dos outros. Neste sentido, o modo como comunicamos é de fundamental importância: devemos dizer “não” à guerra das palavras e das imagens, devemos rejeitar o paradigma da guerra.”
A solidariedade da Igreja aos jornalistas presos
A seguir, Leão XIV reiterou “a solidariedade da Igreja aos jornalistas presos por terem buscado e relatado a verdade”, pedindo sua libertação.
“A Igreja reconhece nestas testemunhas, penso naqueles que relatam a guerra mesmo à custa da própria vida, a coragem de quem defende a dignidade, a justiça e o direito dos povos à informação, porque só os povos informados podem fazer escolhas livres. O sofrimento destes jornalistas presos interpela a consciência das Nações e da Comunidade internacional, chamando-nos a todos a salvaguardar o bem precioso da liberdade de expressão e de imprensa.”
Agradecimento pelo “serviço à verdade”
A seguir, Leão XIV agradeceu aos comunicadores pelo seu “serviço à verdade”.
“Vocês estiveram em Roma nestas semanas para contar a Igreja, a sua variedade e, ao mesmo tempo, a sua unidade. Vocês acompanharam os ritos da Semana Santa; depois, contaram a história da dor pela morte do Papa Francisco, que, no entanto, ocorreu à luz da Páscoa. Essa mesma fé pascal nos introduziu no espírito do Conclave, que os viu particularmente ocupados em dias cansativos; e, também nessa ocasião, vocês conseguiram narrar a beleza do amor de Cristo que nos une a todos e nos torna um só povo, guiados pelo Bom Pastor.”
Uma comunicação capaz de nos tirar da “Torre de Babel”
Leão XIV recordou, em seu discurso, que “vivemos tempos difíceis de percorrer e contar, que são um desafio para todos nós e dos quais não devemos fugir. Pelo contrário, pedem a cada um de nós, em nossos diferentes papéis e serviços, para nunca ceder à mediocridade. A Igreja deve aceitar o desafio dos tempos e, da mesma forma, não pode haver comunicação e jornalismo fora do tempo e da história. Como nos lembra Santo Agostinho, que disse: «Vivamos bem e os tempos serão bons. Nós somos os tempos»”.
Segundo o Papa Leão XIV, “um dos desafios mais importantes hoje é promover uma comunicação capaz de nos tirar da “Torre de Babel” em que às vezes nos encontramos, da confusão de linguagens sem amor, muitas vezes ideológicas ou tendenciosas. Por isso, o seu serviço, com as palavras que vocês usam e o estilo que vocês adotam, é importante“.
Comunicação, criação de ambientes humanos e digitais
“A comunicação, de fato”, disse o Pontífice, “não é apenas a transmissão de informações, mas a criação de uma cultura, de ambientes humanos e digitais que se tornam espaços de diálogo e discussão”.
“Olhando para a evolução tecnológica, essa missão se torna ainda mais necessária. Penso, em particular, na inteligência artificial com seu imenso potencial, que exige, no entanto, responsabilidade e discernimento para orientar os instrumentos para o bem de todos, para que possam produzir benefícios para a humanidade. Essa responsabilidade diz respeito a todos, na proporção da idade e dos papéis sociais.”
“Queridos amigos, com o tempo aprenderemos a conhecer-nos melhor. Vivemos, podemos dizer juntos, dias realmente especiais”, partilhados “por todos os meios de comunicação: TV, rádio, internet, redes sociais”.
Desarmar a comunicação do ódio e do preconceito
“Gostaria que cada um de nós pudesse dizer deles que eles nos revelaram um pouco do mistério da nossa humanidade e que nos deixaram um desejo de amor e de paz”, disse o Papa Leão XIV, recordando o convite do Papa Francisco em sua última mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado em 1º de junho próximo:
“Desarmemos a comunicação de todo preconceito, rancor, fanatismo e ódio; purifiquemo-la da agressividade. Não precisamos de uma comunicação estrondosa e muscular, mas de uma comunicação capaz de ouvir, de acolher a voz dos frágeis que não têm voz. Desarmemos as palavras e ajudaremos a desarmar a Terra. Uma comunicação desarmada e desarmante permite-nos partilhar uma visão diferente do mundo e agir de modo coerente com a nossa dignidade humana.”
“Vocês estão na linha de frente narrando conflitos e esperanças de paz, situações de injustiça e pobreza, e o trabalho silencioso de muitos por um mundo melhor. Por isso, peço-lhes que escolham com consciência e coragem o caminho da comunicação da paz”, concluiu o Papa Leão XIV.
A reabertura, ao término da oração do Regina Caeli, contou com a presença do camerlengo Farrell, do secretário de Estado Parolin, do substituto Peña Parra, do secretário para as Relações com os Estados Gallagher e do regente da Casa Pontifícia Sapienza.
Ao final da oração do Regina Caeli, neste domingo, 11 de maio, o Papa Leão XIV reabriu o apartamento papal do Palácio Apostólico, removendo os selos colocados na tarde de 21 de abril, após a morte do Papa Francisco.
A reabertura ocorreu na presença do Camerlengo da Santa Igreja Romana, cardeal Kevin Joseph Farrell; do secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin; do substituto para os Assuntos Gerais, dom Edgar Peña Parra; do secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais, dom Paul Richard Gallagher; e do regente da Casa Pontifícia, monsenhor Leonardo Sapienza.
Cardeais se reuniram na Capela Sistina para votar no sucessor de Francisco; ainda não se sabe o escolhido.
Foto reprodução: (ANSA)/ Vatican News
Nesta quinta-feira, 08, um dia hitórico, a fumaça branca da chaminé da Capela Sistina acaba de anunciar aos fiéis e ao mundo que um novo bispo de Roma, Sucessor de Pedro, foi eleito. Mas o que aconteceu sob as abóbadas com afrescos de Michelangelo alguns minutos antes, e o que ocorrerá até o anúncio do nome do novo Papa, pronunciado após o “Habemus Papam” do Balcão das Bênçãos da Basílica de São Pedro pelo cardeal protodiácono, o francês Dominique Mamberti?
O rito de aceitação
De acordo com o que é estabelecido e regulamentado pelo Ordo rituum Conclavis e pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, um cardeal presente na Capela Sistina alcançou a maioria necessária, e a eleição ocorreu canonicamente. O primeiro dos cardeais por ordem e idade, ou, se fosse o eleito, o segundo, em nome de todo o Colégio de eleitores, pediu, em latim, o consentimento do eleito com as seguintes palavras: “Aceita sua eleição canônica como Sumo Pontífice? E assim que recebeu o consentimento, ele lhe fez a pergunta: “Como deseja ser chamado?”. Em seguida, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, atuando como notário e tendo dois mestres de cerimônias como testemunhas, redigiu um documento atestando a aceitação do novo Pontífice e o nome que ele escolheu.
Conclusão do Conclave
O Conclave, especifica a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, termina depois que o novo Papa dá seu consentimento à sua eleição, “a menos que ele disponha de outra forma”. Portanto, podem entrar na Capela Sistina o substituto da Secretaria de Estado, o Secretário para as Relações com os Estados e qualquer outra pessoa que deve tratar com o Pontífice eleito as coisas que são necessárias no momento.
A fumaça e a “Sala das lágrimas
Terminado o rito de aceitação, todas as cédulas e outras escrituras usadas para a eleição foram queimadas, e a fumaça branca atestou que um novo Pontífice havia sido eleito. Enquanto os fiéis na Praça São Pedro aplaudem e o mundo inteiro espera para saber o nome do novo Papa, o eleito deixa a Capela Sistina e entra na sacristia, a chamada “Sala das Lágrimas”. Ali, com a ajuda do mestre das Celebrações Litúrgicas, ele veste uma das três roupas papais prontas.
A primeira cerimônia, a homenagem e o ‘Te Deum”
Ao retornar à Capela Sistina, o recém-eleito Pontífice senta-se na cátedra e uma breve cerimônia é realizada, iniciada com uma saudação do primeiro cardeal da Ordem dos Bispos. O primeiro dos cardeais presbíteros lê então uma passagem do Evangelho, que pode ser “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” ou “Apascenta as minhas ovelhas”. Por fim, o cardeal protodiácono recita uma oração pelo recém-eleito Sucessor de Pedro. Em seguida, todos os cardeais eleitores presentes, de acordo com a ordem de precedência, desfilam em frente ao novo Pontífice para manifestar sua homenagem, seu obséquio e obediência. Em seguida, todos juntos cantam o hino do “Te Deum”, entoado pelo Papa recém-eleito.
Oração do novo Papa na Capela Paulina
O cardeal protodiácono Dominique Mamberti chega ao Balcão das Bênçãos e anuncia ao povo a eleição e o nome do novo Pontífice com a fórmula “Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam!”. Enquanto isso, o Papa eleito, ao sair da Capela Sistina para ir ao Balcão, entra na Capela Paulina, onde se detém para rezar, em silêncio, diante do Santíssimo Sacramento, e depois retoma sua caminhada em direção ao Balcão, de onde dirige sua saudação e dá a primeira bênção apostólica “Urbi et Orbi”.
Depois de uma longa espera, a fumaça deveria ter saído por volta das 19 horas de Roma e só saiu 21 horas, podemos dizer que na primeira votação ninguém alcançou os 89 votos que são necessários para se tornar o sucessor de Pedro, mas também o sucessor de Francisco, o primeiro Papa latino-americano.
133 eleitores, 89 votos necessários
Milhares de pessoas se juntaram em volta da Praça de São Pedro esperando o resultado de uma votação que iniciou depois do “extra omnes”, as palavras com as quais é exigido que saiam da Capela Sistina aqueles que não participam do Conclave. 133 eleitores, dentre eles sete brasileiros, participam de um momento singular da vida da Igreja.
Pessoas chegadas de todos os cantos do mundo ficaram na expectativa, ainda mais pela demora com que saiu a fumaça pela primeira vez. Pessoas que ainda lembram de Francisco com um sentimento de gratidão. Sua falta faz com que as pessoas desejem uma eleição que faça com que a cadeira de Pedro volte a ser ocupada.
Uma noite de reflexão
Como era esperado, depois desta primeira votação, a noite desta quarta-feira será uma oportunidade para refletir e assim buscar um maior consenso, que ajude a alcançar os votos dois terços dos cardeais eleitores. Mesmo com a demora, teria sido uma grande surpresa que alguém tivesse sido eleito neste primeiro dia de Conclave.
Na quinta-feira, o programa diz que, sempre que não seja eleito o novo Papa, os cardeais, que iniciam seus trabalhos com uma missa às 8 horas, realizarão quatro votações, duas na manhã e duas na tarde. A fumaça deve sair, se não houver atraso de novo, ao meio-dia de Roma e às 19 horas. Se o Papa fosse eleito na segunda votação do Conclave, haverá fumaça branca por volta das 10:30 da manhã. Se ele fosse eleito na quarta votação, a fumaça seria por volta das 17:30, sempre no horário de Roma.
Para ser eleito, o novo Papa deve alcançar 2/3 dos votos dos cardeais eleitores.
Foto reprodução Youtube Vatican News
Ainda não foi desta vez. Reunidos para duas votações na Capela Sistina na manhã desta quinta-feira, segundo dia do Conclave, os 133 cardeais votantes ainda não chegaram a um consenso em torno do nome do próximo Sucessor de Pedro. A indicar, a fumaça preta que saiu da chaminé instalada no telhado da Capela Sistina por volta das 11h50, sob o olhar das cerca de 12 mil pessoas presentes na Praça São Pedro e das câmaras e lentes de jornalistas de todo o mundo.
Os 133 cardeais eleitores ainda não escolheram o novo Papa. Para esta quinta-feira (08/05) estão previstas mais quatro votações.
Concluídas as votações da manhã, os cardeais retornam à Casa Santa Marta e às 15h45 novamente o traslado para o Palácio Apostólico, para mais uma rodada de votações na Capela Sistina. Prováveis horários da fumaça: após as 17h30 e por volta das 19h.
Para ser eleito, o novo Papa deve alcançar 2/3 dos votos dos cardeais eleitores.
Presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, a Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, na manhã desta quarta-feira, 7 de maio, preparou espiritualmente o Colégio Cardinalício para a eleição do novo Sucessor de Pedro, com um apelo à orientação do Espírito Santo. Em sua homilia, o Decano destacou a importância da oração, do amor cristão e da comunhão eclesial. Concluiu com um apelo à unidade e à escolha sábia para conduzir a Igreja em tempos desafiadores.
A Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, celebrada na manhã desta quarta-feira, 7 de maio, na Basílica de São Pedro, marca o início do processo de eleição do novo Papa. Presidida pelo Cardeal Decano, dom Giovanni Battista Re, e concelebrada pelos membros do Colégio Cardinalício, o rito solene reuniu milhares de fiéis, que já vivem a expectativa pela escolha do Sucessor de Pedro. Em sua homilia, o Decano exortou os presentes à oração confiante, à escuta atenta do Espírito Santo e ao cultivo da comunhão fraterna:
“Nos Atos dos Apóstolos, lê-se que, após a ascensão de Cristo ao céu e enquanto aguardavam o dia de Pentecostes, todos perseveravam unidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus (cf. At 1,14). É exatamente isso o que nós também estamos fazendo, a poucas horas do início do Conclave, sob o olhar da Virgem Maria, colocada ao lado do altar nesta Basílica que se ergue sobre o túmulo do Apóstolo Pedro.”
Invocar o Espírito Santo: atitude justa e necessária
De forma serena e, ao mesmo tempo, precisa, o cardeal Re expressou o sentimento comum da Igreja neste momento decisivo: “Sentimos unido a nós todo o povo de Deus, com seu sentido de fé, de amor ao Papa e de espera confiante.” E acrescentou:
“Estamos aqui para invocar a ajuda do Espírito Santo, para implorar sua luz e sua força, a fim de que seja eleito o Papa de que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história.”
O Decano destacou o peso espiritual do momento e a gravidade da responsabilidade confiada aos cardeais eleitores: “Rezar, invocando o Espírito Santo, é a única atitude justa e necessária, enquanto os Cardeais eleitores se preparam para um ato de máxima responsabilidade humana e eclesial e para uma escolha de excepcional importância; um ato humano pelo qual se deve deixar de lado qualquer consideração pessoal, tendo na mente e no coração apenas o Deus de Jesus Cristo e o bem da Igreja e da humanidade.”
Amor: distintivo da fé cristã
Ao refletir sobre o Evangelho proclamado na liturgia, o cardeal concentrou sua meditação na mensagem central da Última Ceia: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,13), e destacou que este ensinamento de Jesus é o verdadeiro distintivo da fé cristã:
“O amor que Jesus revela não conhece limites e deve caracterizar os pensamentos e ações de todos os seus discípulos, que devem sempre demonstrar amor autêntico em seu comportamento e empenhar-se na construção de uma nova civilização — aquela que Paulo VI chamou de ‘civilização do amor’. O amor é a única força capaz de mudar o mundo.”
Comunhão e fidelidade ao evangelho
Referindo-se à qualidade fundamental dos pastores — o amor até a entrega total de si mesmos — o Decano afirmou que, nos textos litúrgicos da celebração eucarística, lê-se o convite ao amor fraterno, à ajuda recíproca e ao empenho em favor da comunhão eclesial e da fraternidade humana universal. E completou:
“Entre as tarefas de cada Sucessor de Pedro está a de promover a comunhão: comunhão de todos os cristãos com Cristo, dos bispos com o Papa, e entre os próprios bispos. Não uma comunhão autorreferencial, mas totalmente orientada para a união entre as pessoas, os povos e as culturas — sempre com o objetivo de que a Igreja seja ‘casa e escola de comunhão’. Além disso, há um forte apelo à manutenção da unidade da Igreja, conforme o caminho indicado por Cristo aos Apóstolos. A unidade da Igreja, desejada por Cristo, não significa uniformidade, mas uma comunhão sólida e profunda na diversidade, desde que se mantenha a plena fidelidade ao Evangelho.”
Ato de fé e responsabilidade
“A eleição do novo Papa não é uma simples sucessão de pessoas, mas é sempre o Apóstolo Pedro que retorna”, afirmou Re, reiterando que o Papa “é a rocha sobre a qual a Igreja é edificada” (cf. Mt 16,18). Referindo-se ao local onde os cardeais expressarão seu voto, o Decano destacou que “os cardeais eleitores expressarão seu voto na Capela Sistina, onde, como diz a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, ‘tudo concorre para avivar a consciência da presença de Deus, diante do qual deverá cada um apresentar-se um dia para ser julgado’.” E evocou as palavras do Papa São João Paulo II no Tríptico Romano:
“Nas horas da grande decisão através do voto, a imagem imponente de Cristo Juiz, pintada por Michelangelo, lembrará a cada um a grande responsabilidade de colocar as ‘chaves supremas’ nas mãos certas.”
O mundo de hoje espera muito da Igreja
Ao concluir sua homilia, dom Giovanni Battista Re fez um apelo confiante à oração de toda a Igreja:
“Oremos para que Deus conceda à Igreja o Papa que melhor saiba despertar as consciências de todos e as energias morais e espirituais na sociedade atual, caracterizada por um grande progresso tecnológico, mas que tende a esquecer Deus. O mundo de hoje espera muito da Igreja para a salvaguarda daqueles valores fundamentais — humanos e espirituais — sem os quais a convivência humana nem será melhor nem beneficiará as gerações futuras. Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos auxilie com sua materna intercessão, para que o Espírito Santo ilumine as mentes dos cardeais eleitores e os torne concordes na eleição do Papa de que o nosso tempo necessita.”
O projeto do Papa tem sido um processo no qual os cardeais têm progredido nos últimos dias. As congregações gerais, que terminam na terça-feira, têm esboçado perfis que estão sendo gradualmente revelados e estão se concretizando em nomes. O que é necessário, ou pelo menos esperado, é um Papa, ou melhor, um papado, que não faça ouvidos moucos ao que o povo de Deus. O sensus fidei fidelium, está pedindo que o sucessor de Pedro continue o legado de Francisco, sem esquecer que ele continuará uma caminhada de quase dois mil anos.
Nem fotocópia nem ruptura
Sem buscar uma fotocópia, eleger um Papa que não rompa com o anterior e se abra ao futuro para que essa corrente milenar continue a mover a vida da Igreja e da humanidade. Essa relação com a humanidade é um ponto chave. E nisso, ninguém pode negar, ou ignorar, o legado de Francisco, um ícone para os próximos papados do que é um rosto mais humano da Igreja.
Entre as qualidades do primeiro Papa latino-americano estava sua capacidade de ser compreendido, de sair do roteiro, de lançar slogans, com seu sotaque característico de Buenos Aires, de traduzir a profundidade do Evangelho na linguagem simples dos pobres. Não nos esqueçamos de que quando a Igreja complica a linguagem, a maioria das pessoas desligam. Em Francisco, encontramos palavras que curaram os corações dos descartados, que foram um bálsamo samaritano para uma humanidade ferida. Palavras que construíam pontes, mesmo com aqueles que pensavam diferente, defendendo a diversidade como uma riqueza no caminho da unidade.
Escutar, propor, não impor, abraçar
Quem quer que ocupe a cadeira de Pedro não pode ignorar o fato de que a Igreja é fiel ao Deus de Jesus Cristo quando se encarna, quando escuta, quando propõe e não impõe, quando abraça, quando carrega a ovelha perdida nos ombros, quando não fecha as portas para ninguém. Esses são elementos-chave na missão da Igreja, que é seu alicerce, e que ela deve realizar no mundo, que nunca pode ser visto como um inimigo. Pelo contrário, é para o mundo que o próximo pontífice deve dar respostas que ajudem a humanidade a encontrar caminhos de paz, modos de acolher os migrantes, atitudes que garantam que todos sejam respeitados como pessoas.
Isso nos leva a alguns princípios que marcarão o próximo papado: Um comunicador e interlocutor, com o poder político, com o universo religioso e com o mundo virtual e tecnológico; um evangelizador sem meias medidas, que seja testemunha da Boa Nova com coragem e parresia, sem medo de assumir novos métodos que ajudem a aprofundar a mensagem cristã; um promotor do caminhar juntos, que escuta, que se deixa aconselhar por pessoas de dentro e de fora da Igreja, que avança no caminho da ministerialidade, da transparência em todos os campos, também na gestão dos recursos.
Poucas horas antes de se trancar na Capela Sistina, o mundo está olhando para o Vaticano. Mas também, e acima de tudo, o santo povo de Deus, que reza para que os 133 cardeais encontrem um pastor na semana em que a Igreja se prepara para celebrar o Domingo do Bom Pastor. Um pastor para conduzir as ovelhas, para continuar a confirmá-las na fé, como Pedro fez, como Francisco fez.
Medellín, Santarém, Aparecida, Francisco, o Sínodo para a Amazônia, a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). Muitos outros poderiam ser citados, mas esses são exemplos claros de que o atual momento eclesial tem muito a ver com um processo que começou há 60 anos na América Latina.
O Vaticano II marca a vida da Igreja
A Igreja do continente com o maior número de católicos, mais de 400 milhões, é, sem dúvida, a que melhor entendeu e colocou em prática a doutrina do Vaticano II. E, embora alguns digam o contrário, é verdade que poucos, o último concílio ecumênico é o que marca a vida da Igreja universal, mas especialmente da Igreja que vive sua fé na América Latina e no Caribe.
Na América Latina e no Caribe encontramos uma Igreja viva e profética, uma Igreja onde o Batismo é entendido como um sacramento que é o fundamento da vida eclesial. É uma Igreja ministerial, com protagonismo leigo, especialmente das mulheres. Muitas mulheres deste continente são a força motriz da vida das milhares de comunidades espalhadas pelo continente. Nas serras andinas, no meio dos rios e das florestas da Amazônia, nas periferias de muitas cidades, a Igreja continua viva graças ao compromisso das mulheres.
Uma Igreja com um caminho comum
Uma Igreja que, embora não seja fácil, está comprometida com um caminho comum há 70 anos. O Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM) tem sido uma luz que tem guiado a caminhada da Igreja no continente, uma colegialidade episcopal que não foi alcançada em outros continentes. O CELAM formou muitos católicos, não apenas clérigos e religiosos, mas também, e acima de tudo, leigos. Esse conselho episcopal tem sido uma voz profética em defesa dos descartados, dos povos originários, dos migrantes, dos afrodescendentes, de todos, de todos, de todos.
Os 23 cardeais da América Latina e do Caribe que entrarão na Capela Sistina na tarde desta quarta-feira representam um número nunca antes visto. No conclave de 2013, no qual Francisco, o primeiro Papa latino-americano, foi eleito, havia 20 eleitores. Sabemos que esse não é um grupo decisivo, mas ninguém pode negar o peso que eles podem ter no processo de votação.
Um conclave diversificado
Tudo depende de sua duração, algo imprevisível no conclave mais diversificado dos últimos séculos, no qual a presença de curiais e italianos diminuiu significativamente, e o número de países representados aumentou para 71. Além disso, o número de eleitores subiu para 133, ultrapassando em muito o número de 120 determinado por Paulo VI. Esse número aumenta para 89 o número de votos necessários para ser eleito.
Ninguém descartaria a possibilidade de um novo papa latino-americano. Isso significaria continuar o legado de Francisco, um sentimento amplamente aceito pelos cardeais eleitores. Poucos querem romper com o último pontífice, alguém em quem muitos veem aquele que encheu a Igreja de vida por meio do poder do Espírito. Um Espírito que está presente na Igreja latino-americana e que trouxe para o Vaticano e para a Igreja universal o primeiro papa vindo desse continente.
Gratidão a Francisco
Um Papa a quem a maioria do catolicismo e da humanidade expressa um sentimento de gratidão, reconhecendo o trabalho árduo e admirável de alguém que trabalhou até o último dia em defesa da paz, dos mais vulneráveis e da própria Igreja, sobretudo aquela que vive sua fé nas periferias. Eu não diria que entre os 23 eleitores latino-americanos há um clone de Francisco, já que o próximo pontífice virá, com toda probabilidade, dos 133 eleitores.
O que ninguém pode negar é que vários desses eleitores latino-americanos dariam continuidade a um papado que tem sido capaz de responder aos desafios que a Igreja e a humanidade têm exigido nos últimos 12 anos. A necessidade de continuar nesse caminho está presente no pensamento da maioria dos 133 cardeais que elegerão o sucessor do primeiro papa latino-americano. A possibilidade de que seu sucessor venha novamente dessas terras é uma possibilidade que não se ousa descartar. O mundo aprovou e reconheceu o trabalho de Francisco, então por que não continuar na mesma direção por mais algum tempo?
As Congregações Gerais, reuniões dos cardeais em preparação ao Conclave que inicia da tarde desta quarta-feira, 7 de maio, foram encerradas na manhã desta terça-feira. O cheiro da fumaça está cada vez mais presente no Vaticano. Isso tem feito com que o número de jornalistas, se fala de 4.000 acreditados, tenha aumentado nos últimos dias.
Cardeais convocados em Santa Marta
Da última congregação, a décimo terceira, participaram 170 cardeais, 130 eleitores, e interviram 26. Hoje de tarde e amanhã, até 7 da manhã, os cardeais eleitores entrarão na Casa Santa Marta e celebrarão às 10 da manhã de Roma a Missa Pro Elegendo Pontífice. Juntos emitiram um comunicado denunciando que longe de avançar nos processos de paz na Ucrania, Médio Oriente e outras regiões do mundo, tem se intensificado os ataques, especialmente contra a população civil. Diante disso, eles apelam por um cessar-fogo e pedem orações aos fiéis católicos por uma paz justa e permanente.
Nas intervenções foi falado dos abusos, economia, sinodalidade, promoção da paz, cuidado da casa comum e do diálogo ecuménico. Do próximo Papa esperam que ele seja pontífice, construtor de pontes, pastor, mestre em humanidade, imagem de uma Igreja samaritana em um mundo marcado pelas guerras, a violência e a polarização. Os cardeais pediram mais reuniões do Colégio Cardinalício, em vista de se conhecer melhor, e foi falado sobre os mártires e os conflitos que atingem à liberdade religiosa.
Horários do Conclave e das fumatas
O diretor da Sala Stampa vaticana, Matteo Bruni, informou que na manhã desta terça-feira foi quebrado o anel do pescador, que portou Francisco em seu pontificado. Ele revelou que na tarde da quarta-feira os cardeais irão sair de Santa Marta às 15:45 para dar início à oração na Capela Paulina às 16:30 horas, antes de entrar em procissão na Capela Sistina. A partir de quinta-feira, os cardeais irão sair de Santa Marta 7:45 da manhã, sempre no horário de Roma, para celebrar missa às 8 horas na Capela Paulina e depois entrarão na Capela Sistina, onde antes das votações terá um momento de oração.
Os horários orientativos das fumaças serão 10:30, só se houver fumaça branca, meio-dia, tanto se houver fumaça branca ou preta, 17:30, só no caso da fumaça branca, e 19 horas, tanto branca quanto preta.