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Ordenação de jovem indígena marcará o segundo dia do Jubileu dos Povos Indígenas em Surumu


Comunidade se prepara para celebrar 300 anos de evangelização com peregrinação e ordenação diaconal.

O segundo dia do Jubileu dos Povos Indígenas, que está sendo celebrado na comunidade de Surumu, promete ser marcado por momentos de grande emoção e significado para a Igreja de Roraima e os povos originários. As atividades previstas para este sábado (26) incluirão uma peregrinação, em destaque, a ordenação diaconal do jovem indígena Djavan André da Silva, fortalecendo ainda mais os laços entre a Igreja e as comunidades indígenas na comemoração dos 300 anos de evangelização.

A programação começou logo pela manhã, com a concentração de fiéis no Aeroporto de Surumu, seguida por uma peregrinação até o Centro Indígena de Formação. Lá, será realizada uma celebração eucarística especial, tendo como ponto alto a ordenação de Djavan, natural da Diocese de Roraima.

Emoção e gratidão marcarão o momento. O jovem diácono já antecipou a alegria de viver essa ocasião tão especial: “Será um dia de grande alegria, juntamente com as comunidades indígenas e o povo de Deus que ainda continua chegando aqui. Uma alegria imensa de poder celebrar esse jubileu dos povos indígenas junto com a minha ordenação diaconal. Estou muito feliz e grato a Deus pela vida e pela vocação”, afirmou Djavan em preparação para o evento.

A celebração contará também com a presença da irmã Eliane Cordeiro de Souza, das Irmãs Mercedárias da Caridade e presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), que destacou a importância do evento: “Será uma alegria muito grande estar presente em nome da CRB, representando mais de 30 mil religiosos do Brasil. Encontrarei missionários que diariamente entregam suas vidas à causa dos povos originários — nossos irmãos muitas vezes sofridos, perseguidos e explorados. Estaremos juntos nessa causa de Jesus, que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Este Jubileu será um marco histórico, um caminho bonito que pede mais cuidado com a vida e maior dignidade para todos, filhos e filhas amados de Deus”, afirmou.

Reflexões do primeiro dia de Jubileu

Na sexta-feira (25), a programação foi aberta com uma mesa-redonda à tarde, abordando a presença histórica da Igreja entre os povos indígenas de Roraima. Um dos participantes, o professor Jaci Guilherme, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), antecipou os temas que serão discutidos: ” Refletimos sobre a luta dos povos indígenas e o compromisso da Igreja. Esta Igreja, que deixou de ser associada às fazendas e passou a se tornar parte das comunidades indígenas. A partir de Dom Aldo Mongiano, houve uma opção clara pelos povos originários. Foi essa união entre a Igreja e os povos indígenas que levou à criação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), hoje respeitado nacional e internacionalmente”, destacou Jaci.

Sementes de novas vocações

O impacto deste momento histórico também já começa a ser sentido entre os jovens indígenas, como expressou Idelfonso Barbosa da Máso, seminarista indígena da Raposa Serra do Sol, atualmente cursando Teologia no Seminário de Manaus: “A ordenação do Djavan será fruto de muita oração e dedicação dos missionários e das lideranças indígenas. Este momento certamente inspirará e influenciará muitos jovens da nossa Diocese de Roraima. Ver um irmão nosso ser ordenado diácono desperta em nós a vocação missionária e fortalece nossa identidade cultural e religiosa. É uma resposta concreta da fé e da luta do nosso povo”, afirmou Idelfonso, cheio de esperança de que mais jovens sigam o caminho da vocação religiosa.

Fonte: Filipe Gustavo

Fotos : Pablo Sérgio bezerra

Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima

Entre os dias 21 e 23 de abril, Dom Evaristo, juntamente com a equipe diocesana jubilar, realizou a Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima, localizada na periferia de Boa Vista.

Durante a visita, Dom Evaristo percorreu as comunidades que fazem parte da área e conheceu de perto o trabalho desenvolvido pelo Projeto Poço da Samaritana.

A visita jubilar foi encerrada na noite do dia 23, com a celebração eucarística, que contou com a presença da equipe sinodal.

 

 

 

 

 

 

Conheça a história do jovem indígena de Roraima que será ordenado no Jubileu dos Povos Indígenas

Essa é a primeira ordenação indígena em um jubileu dedicado aos povos originários no Brasil.

Neste sábado (26), a Diocese de Roraima celebra um momento histórico para a Igreja e para os povos originários: a ordenação diaconal do seminarista Djavan André da Silva, jovem indígena do povo Macuxi. A celebração será presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima, no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, na Comunidade Indígena Surumu, durante o Jubileu dos Povos Indígenas.

É neste solo de memória, resistência e fé que será celebrado o 1º Jubileu dos Povos Indígenas do país, dentro das comemorações dos 300 anos de evangelização na região amazônica e em sintonia com o Jubileu da Esperança, convocado pelo Papa Francisco (In memorian) para o ano de 2025.

A ordenação diaconal representa o primeiro grau do sacramento da ordem, caracterizando-se como um ministério de serviço à Igreja e às comunidades. Para Djavan, esse chamado é, acima de tudo, um sinal de fé e entrega. “Para mim é um chamado que me fortalece. A cada dia Deus tem me chamado e eu tenho respondido com o meu sim para continuar aqui na Igreja de Roraima a evangelização”, afirmou o futuro diácono.

Dom Evaristo Spengler expressa sua alegria nessa nova etapa vocacional de Djavan. Segundo o bispo, o jovem “foi convidado a servir a Deus nessa nossa Diocese de Roraima. A sua vocação é um grande sinal do amor de Deus e da sua fidelidade para com os povos indígenas e todo o povo de Deus.”

Nascido em 12 de abril de 1997, na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Djavan recebeu aos 13 anos o sacramento da Eucaristia, e em 2015, a Crisma. Seu processo vocacional começou cedo, ainda na comunidade. “Meu processo vocacional surge ali na Comunidade Indígena, onde meus pais moram, onde aquele povo que habita a Terra Indígena, a maioria do povo Macuxi, onde eu também faço parte”, relembra.

Em 2016, Djavan ingressou no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista. No ano seguinte, foi para Manaus, onde continuou sua formação no Seminário Arquidiocesano São José. Entre 2017 e 2023, cursou Filosofia e Teologia. Em 2023, retornou a Roraima para dar continuidade à sua caminhada pastoral.

vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo, destaca a sensibilidade pastoral e a disposição missionária de Djavan, que fez estágio pastoral em diversas comunidades.

Vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo – Foto: Dennefer Honorato 

“Ele é uma vocação do nosso tempo, do nosso povo, da nossa Igreja local. Um jovem que cresceu, amadureceu na fé, sempre aberto ao diálogo, à escuta e à vida comunitária. Ele fez a escolha de servir e agora será ordenado diácono no meio do seu povo, na terra onde nasceu”.

Durante sua formação, Djavan realizou estágios pastorais em comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas, entre elas, a Raposa Serra do Sol, o Baixo Rio Branco, Pacaraima, Caracaraí, Iracema e a Área Missionária Santa Rosa de Lima, onde exercerá seu ministério diaconal. O vigário geral da Diocese, Padre Josimar Lobo, que acompanhou de perto sua trajetória, destacou: “É uma vocação diocesana que surge no meio das comunidades para as comunidades”.

Seus pais, Djacir Melchior da Silva e Sarlene André,  foram fundamentais em sua formação cristã. ” Ver meu filho Djavan se tornando diácono no Jubileu dos Povos Indígenas enche meu coração de orgulho. Desde criança ele foi diferente – obediente, calmo e dedicado aos estudos. Quando nos mudamos para a cidade para que ele e os irmãos pudessem estudar, foi Dom Roque quem nos ajudou a entender sua vocação. Ele comparou esse processo ao amadurecer de uma manga: devagar, no tempo certo. Hoje, como povo Macuxi, vemos nele a realização de um sonho coletivo – ter nosso primeiro diácono indígena ordenado em terras sagradas do Surumu, onde nossos ancestrais resistiram, disse o pai.

Segundo a Sarlene André, este é um sonho realizado, “Antes mesmo de Djavan nascer, eu sonhava: ‘Se for menino, que seja padre’. Desde pequeno ele mostrava esse chamado – brincava de celebrar missa com bolachas e reunia as crianças da comunidade. Aos 12 anos, me disse firmemente: ‘Mãe, não vou casar’. Chorava muito, pois ele é meu caçula, mas sempre apoiei seu sonho. Quando entrou no seminário, entendi que Deus estava cumprindo aquela promessa. Agora, ver seu nome ligado ao primeiro Jubileu dos Povos Indígenas me enche de alegria. Rezo para que ele seja luz não só para nossa família, mas para todos os povos originários que buscam seu lugar na Igreja.”

Pais do jovem Djavan. Senhor Djacir Melchior da Silva e Sarlene André. Foto: Diocese de Roraima.

Djavan também conta com o apoio de pessoas que marcaram sua caminhada, como sua madrinha de batismo, Deolinda Melchior da Silva. Segundo ela, “essa ordenação representa um chamado, é um convite para os jovens, principalmente indígenas que estão iniciando na fé. Ele é um exemplo”.

O seminarista partilha o sentimento que o move nesta caminhada: “É uma caminhada vocacional que exige muito empenho, esforço, dedicação, disponibilidade, na qual a gente se entrega mesmo para o serviço da Igreja.” E conclui com emoção: “Mãe, meu sonho vai ser realizado.”

Dom Evaristo acredita que esta ordenação será exemplo para tantos jovens que querem seguir essa vocação. “Assim como o Djavan respondeu ao chamado de Deus, certamente muitos outros jovens também atenderão a este chamado”, afirmou.

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

 

Missa Crismal na diocese de Roraima: “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade”

A diocese de Roraima celebrou no dia 15 de abril a Missa dos Santos Óleos, “um dia de alegria e de festa!”, segundo o bispo diocesano, dom Evaristo Spengler. Ele disse que “a missa crismal deste ano é especial”, dado que a diocese celebra 300 anos de evangelização e o Papa convocou o Ano Jubilar, fazendo um chamado a caminhar como peregrinos e peregrinas da esperança.

Ungidos para servir

O bispo lembrou a presença de mais de 20 novos missionários na diocese, que foram apresentados. Em sua reflexão falou sobre o óleo da Aliança. Ele enfatizou que “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade onde estamos inseridos.” Dom Evaristo refletiu sobre os três vasos sagrados presentes na celebração: o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o óleo do Santo Crisma.

Segundo o bispo, o óleo “é um sinal sagrado.” Analisando o texto de Isaias 61, sublinhou que “pelo batismo, Deus nos escolheu para sermos ‘sacerdotes do seu povo’ para levar a alegria do Evangelho aos que sofrem, para sermos instrumentos de misericórdia.” Junto com isso, ele vê que “o óleo é para romper correntes e esquemas.” No Salmo 88, o bispo destacou que “esta unção não é para nosso prestígio”, ressaltando que “essa é a nossa missão: vida a serviço.”

Já em Apocalipse 1,5-8, dom Evaristo enfatizou que “esta unção nos compromete: somos chamados a ser profetas que denunciam as injustiças, sacerdotes que santificam o mundo no amor, pastores que governam com humildade e serviço. Somos povo de Deus, todos ungidos e chamados para ungir.” Por sua vez, no Evangelho (Lc 4,16-21), sublinhou que ‘o óleo do Crisma nos recorda que, como presbíteros, religiosos/as e leigos, não somos meros funcionários do sagrado. Somos outros ‘cristos’ – ungidos – para estar no mundo a serviço do Evangelho. Como presbíteros, nosso ministério não é um status, mas um chamado ao serviço, especialmente aos mais pobres. Como religiosos e religiosas somos convocados para servir e testemunhar a profecia do Reino de Deus. Os leigos e as leigas são chamados, a partir do seu Batismo e Confirmação, a serem ‘sal da terra, luz do mundo’ (cf. Mt 5,13-16), e fermento na massa (Lc 13,20-21).”

Significado dos Óleos

Na benção dos óleos descobrimos, segundo o bispo, que “Deus, no seu amor, caminha conosco em todas as etapas marcantes da vida. E nos unge, nos consagra, nos cura e nos envia em missão. É o amor do próprio Deus que se faz presença, fidelidade e ternura.” Isso porque “cada óleo é expressão do amor e do cuidado de Deus, de um carisma, de um serviço e de um ministério específico.”

Dom Evaristo Spengler refletiu sobre o sentido de cada um deles: o óleo da consagração, o óleo da cura e o óleo da missão. No Óleo da Consagração, destacou que “somos chamados a viver o amor até o extremo.” Algo que acontece no Batismo, pois “não somos reis para dominar, mas para servir”; na Crisma, que “nos envia para a missão de viver e testemunhar a fé recebida no batismo”; e na Ordenação, em que “o candidato se entrega totalmente a serviço da Igreja, povo de Deus, neste caminho sinodal.”

Bálsamo das Feridas da Humanidade

O Óleo da Cura, ele e visto pelo bispo como “Bálsamo das Feridas da Humanidade”. Ele falou de diversas doenças, pedindo pessoas ungidas para o cuidado da casa comum, pessoas ungidas para ajudar na superação de extremismos e de exclusões, pessoas ungidas para ajudar a superar as gritantes desigualdades em uma sociedade que acumula riqueza à custa dos pobres. Uma cura que também precisa o ser humano, segundo o bispo de Roraima.

Do óleo da Missão, o bispo destacou que ele é “a fidelidade ao evangelho no percurso da missão, que nos prepara para o encontro com o Esposo, o Cristo.” Dom Evaristo advertiu que “não podemos nos conformar com uma fé superficial ou apenas herdada da família ou da tradição. Somos chamados a fazer um encontro pessoal e comunitário com o Cristo Morto-Ressuscitado.” Para isso, “nós, os cristãos, somos chamados a viver em estado de vigilância ativa, cultivando uma vida de fé, de oração e de boas obras, sem nos deixar levar pela negligência ou pelo comodismo espiritual. A missão do cristão não é apenas crer, mas testemunhar com ações concretas o amor de Deus no mundo. Isso significa colocar em prática o que assumimos no nosso Batismo e confirmamos na Crisma.”

Sentido do óleo em cada ministério

O bispo fez um chamado aos presbíteros, para que eles “não deixem secar o óleo da unção, do primeiro amor, da entrega total em seus corações, em suas mãos, em seus pés. Vão às periferias sociais e às fronteiras existenciais, e contemplem a consolação de Deus, a presença de Deus, o amor de Deus.” Um óleo que não é “guardar para si”, é para “gastar nos caminhos enlameados e esburacados.”

Aos religiosos e religiosas, ele pediu ser o “bom perfume” de Deus para evangelizar as mais variadas realidades. Para ser “uma presença terna e fraterna, especialmente em meio aos mais vulneráveis.” Aos leigos e leigas, o bispo lembrou que eles são “ungidos para santificar o mundo a partir de dentro de cada realidade.” Por isso lhes pediu que “sejam protagonistas da evangelização, assumindo cada vez mais a missão de animar e fortalecer as comunidades, sendo uma presença cristã autêntica na sua família, no seu trabalho, na roda de amigos, em todas as realidades da vida.”

Finalmente, aos enfermos e idosos, lhes disse que “a vida de vocês é um óleo precioso que unge a Igreja com o perfume da paciência e da fé. Em um mundo que idolatra a juventude, a produtividade e a velocidade, a paciência dos idosos e dos enfermos é um antídoto contra a cultura do descarte. Através da aceitação serena das dores e dos limites impostos pela idade, vocês são testemunhas de que a vida tem valor em todas as suas fases e em todas as situações!” Para isso, dom Evaristo pediu a intercessão de Maria, que chamo de “Arca da Aliança”, para que “nos ensine a ser, como Ela, vasos transbordantes de graça.”

Fotos: João Felipe Cláudio Amaral – Rádio Monte Roraima

Fonte: Luis Miguel Modino – CNBB Regional norte 1

 

 

 

 

 

 

 

 

Retiro Anual dos Missionários(as) da Diocese de Roraima

Nos dias 14 e 15 de abril, foi realizado o Retiro dos Missionários e Missionárias da Diocese, em preparação para a Páscoa.

O encontro teve início no dia 14, propocionando um tempo de espiritualidade e comunhão fraterna. O retiro encerra na noite do dia 15 com a Missa do Crisma, momento em que ocorre a benção dos Santos Oléos e a renovação das promessas sacerdotais.

A Diocese de Roraima recebe com alegria os novos missionários

A Diocese de Roraima acolhe com alegria e gratidão os novos missionários que chegam para fortalecer a evangelização em nosso Estado. Vindos de diferentes regiões do Brasil e até de outros países, esses missionários foram enviados por suas congregações com o desejo de servir, partilhar experiências e viver a espiritualidade junto ao povo de nossa diocese.

Ao todo, são cinco novos missionários — entre padre, religiosas e uma leiga — que atuarão em diferentes paróquias e áreas pastorais, com destaque para as regiões periféricas.

A Irmã Maria da Penha, da Congregação de São José, foi enviada da Bahia para atuar em Pacaraima. Ela expressou sua admiração e gratidão pela acolhida:

“Olhar para essa igreja me deixa muito confiante, porque é uma igreja humanizada, fraterna, que aponta para a defesa da vida. É uma igreja com um jeito diferente de ser, de acolher, um lugar de proteção e cuidado. Eu agradeço muito por estar aqui.”

A Irmã Maria Elena, Franciscana Bernadina, também compartilhou sua alegria:

“É uma alegria estar aqui nessa nova missão. A gente tem que desapegar e se apegar ao novo que está chegando com alegria. Para mim está sendo muito bom participar, porque estou conhecendo os novos missionários, que eu não conhecia. E eu estou sentindo que é uma diocese muito aberta, com um bispo muito fraterno que acolhe a todos.”

Conheça os novos missionários:
• Irmã Maria Luzia – Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria

• Irmã Maria da Penha – Congregação de São José

• Irmã Maria Elena – Franciscana Bernadina

• Giulia Bagnara – Leiga missionária da Itália

• Pe. José (Pepe) Castillo, SJ

Encenação da Paixão de Cristo em Boa Vista celebra 15 anos com cenas inéditas e preparo espiritual

O evento ocorre na sexta-feira,18, às 18 horas, no palco Aderval da Rocha Ferreira na Praça Germano Augusto Sampaio no bairro Pintolândia.

Foto: Evangelista Siqueira

A Diocese de Roraima, por meio da Juventude da Área Missionária São Raimundo Nonato, promove a XV Encenação da Paixão de Cristo em Boa Vista. O evento acontecerá na sexta-feira Santa, 18 de abril, às 18h, no palco Aderval da Rocha Ferreira na Praça Germano Augusto Sampaio no bairro Pintolândia, zona Oeste da Capital.

Mais de 90 pessoas estão envolvidas no evento que este ano completa 15 anos de existência e traz como novidades novas cenas da história Bíblica. Cenários e figurinos estão sendo minunciosamente preparados, após uma pesquisa realizada pela equipe em documentos históricos, filmes e consultas a religiosos especialistas no tema.

A experiência começou na Comunidade Sant’Ana, há 15 anos atrás, quando os jovens da área missionária resolveram promover a primeira encenação em frente à igreja. “A apresentação foi um sucesso e despertou nos jovens de outras comunidades o desejo de participarem. Com isso, o evento passou a fazer parte do calendário de atividades das comunidades e o grupo foi aumentando a cada ano”, disse o responsável pela comunicação do evento, Evangelista Siqueira.

Com base no que a bíblia descreve e com as orientações dos religiosos da Diocese, a encenação retrata os últimos acontecimentos da vida de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição. Cenários, figurino, iluminação e momento de oração completam a dinâmica do evento.

Os jovens, que há três meses estão ensaiando, também participaram de momentos de formação e retiros espirituais para melhor compreenderem o Mistério Pascal de Cristo e conhecer os personagens que irão interpretar.

ENSAIOS – Os ensaios da XV Encenação da Paixão de Cristo estão ocorrendo todos os sábados e domingos na comunidade São Raimundo Nonato que fica localizada na rua Solon Rodrigues Pessoa, 1873, no bairro Santa Luzia. 

Encontro de chanceleres do Regional Norte 1: “Se a Igreja não é encarnada, a chancelaria é uma alfândega”

Os e as chanceleres das igrejas locais que fazem parte do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estão reunidos nos dias 3 e 4 de abril de 2025 na Casa de Espiritualidade Crostarosa de Manaus. Um encontro que pretende refletir sobre a “Missão do/a chanceler numa Igreja Sinodal com rosto amazônico”.

Chancelaria numa Igreja sinodal

Uma missão assumida por padres, diáconos permanentes, religiosas e leigas, que tiveram como ponto de partida uma reflexão sobre o conceito de chanceler na dimensão eclesiológica sinodal, seu perfil e sua função, buscando criar sensibilidade de Regional, interajuda, numa mentalidade não clerical, com a assessoria do bispo auxiliar de Manaus, dom Zenildo Lima.

O encontro é uma novidade, sendo uma oportunidade para conhecer, aprofundar, esclarecer, receber orientações desde a ajuda mútua, e assim responder às necessidades da Igreja e acompanhar a vida das dioceses e prelazias, o que faz com que o encontro seja de grande valia para os participantes, pudendo superar as dificuldades e desafios.

Chancelaria como expressão de comunicação da Igreja

O bispo auxiliar de Manaus refletiu sobre como a chancelaria pode ser expressão de comunicação da Igreja, sobre a lógica e dinâmicas de comunicação da Igreja, ajudando a encontrar as pessoas em suas individualidades. Dom Zenildo Lima insistiu em que o chanceler lida com pessoas que chegam com seus pedidos e exigências, não chegam com problemas.

A chancelaria é mais do que um trabalho com papeis, com documentos, é evangelizar. “O objeto do nosso trabalho são pessoas, não são documentos”, enfatizou dom Zenildo Lima, colocando diversos exemplos concretos de quem são essas pessoas, mas sublinhando que são sempre pessoas. Na Igreja da Amazônia isso tem se concretizado a partir do conceito de encarnação, um conceito que aparece em Santarém 1972, sendo retomado 50 anos depois, buscando assim ser hospital de campanha e não alfândega, segundo diz o Papa Francisco.

Necessidade da encarnação

Se a Igreja não é encarnada, a cúria é burocrática, a chancelaria é uma alfândega”, disse o bispo auxiliar de Manaus. Não se trata de eficiência e sim de evangelização, segundo dom Zenildo. Ele lembrou que a chancelaria não pode ser uma estrutura pesada, refletindo sobre a Constituição Apostólica “Praedicate Evangelium” do Papa Francisco, que trata sobre a Cúria Romana e seu serviço à Igreja no mundo, e suas repercussões nas igrejas locais. O bispo auxiliar apresentou alguns elementos presentes no Magistério em relação à Cúria, no Concílio Vaticano I, Vaticano II e os Códigos de Direito Canônico.

Na perspectiva do Concílio Vaticano II, da Pastores Gregis, as características dos colaboradores da Cúria têm a ver com a competência, zelo pastoral e integridade da vida cristã, preparação teológica e técnica, fazendo um chamado aos bispos a escutá-los, a realizar trabalhos evangelizadores e evitar uma mentalidade burocrática.

Chancelaria na estrutura da Igreja

Na perspectiva do Sínodo sobre a Sinodalidade, a partir do Documento Final do Sínodo, dom Zenildo destacou o coração da sinodalidade e refletiu sobre as motivações que sustentam a sinodalidade e suas concreções, do ser, estruturar e fazer da Igreja. Nessa perspectiva, a chancelaria tem a ver com a estrutura da Igreja, sendo instrumento que ajuda o bispo a governar a Igreja.

Nesse sentido, o bispo refletiu sobre as novas relações em torno à chancelaria, sobre o fato de no Regional Norte 1 a chancelaria seja exercida por mulheres, por diáconos permanentes. Igualmente, sobre os processos, sobre o jeito de fazer os discernimentos, tomar as decisões e acompanhar essas decisões. Mas também sobre os vínculos, que leva a entender a chancelaria como um serviço à Igreja local no horizonte da evangelização, do serviço às pessoas, como expressão e salvaguarda da sinodalidade na Igreja local.

Chancelaria a serviço da memória

O serviço da chancelaria em chave sinodal tem a ver com a redação dos documentos, que deve ter presente o conjunto da Igreja local, não se reduzindo a um ato isolado, também com o registro, em vista da própria memória da Igreja particular, como ferramenta a serviço da memória, bem como um testemunho da encarnação eclesial em determinado período da história.

Um encontro que aborda as atribuições, competências e responsabilidades do/a chanceler em vista da corresponsabilidade e a missão dentro e fora da Igreja sinodal. Uma temática que está em relação com a dimensão pastoral e sinodal da missão da Igreja com rosto amazônico e as prioridades para Ação Evangelizadora no Regional Norte 1 da CNBB. Tudo isso numa dinâmica de partilha de experiências da missão de chanceler nas igrejas locais, igrejas com fragilidade estrutural, mas que quer avançar nesse caminho em vista de um serviço organizado.

Chancelaria que conhece a Pastoral

Tudo isso, segundo insistiu dom Zenildo Lima, desde uma visão ampla, conhecendo e assumindo os planos de evangelização da Igreja local, do Regional, da Igreja do Brasil e da Igreja universal. Ninguém pode esquecer que o Direito Canónico está ao serviço do serviço pastoral, pois “aplicar o Direito exige conhecer a pastoral e exige conhecer a evangelização”, segundo o bispo auxiliar de Manaus.

Nesse sentido, ele refletiu sobre as implicações das Diretrizes para a Ação Evangelizadora na chancelaria, numa Igreja Discípula Missionária, que assume e vivencia a ministerialidade de forma dinâmica. Uma Igreja discípula da Palavra, se questionando até que ponto a Palavra inspira a estrutura da Igreja, dado que a Palavra inspira e permite o diálogo e a escuta, permite a interculturalidade. Uma Igreja servidora e defensora da vida, com causas comuns, que atende os vulneráveis e articula o serviço de fé e cidadania.

Fonte: Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

 

A ministerialidade das mulheres chanceleres no Regional Norte 1

Na Igreja da Amazônia, a ministerialidade especifica-se de modos poucos comuns em outras realidades eclesiais. São expressões ministeriais que tem a ver com uma Igreja Sinodal com rosto amazônico, uma Igreja sustentada no Batismo, uma Igreja em que as mulheres assumem espaços de responsabilidade, que historicamente não tinham um rosto feminino à sua frente.

Padre Modino – Regional Norte 1

Na diocese de Roraima, a chancelaria é assumida pela irmã. Sofia Quintans Bouzada, enquanto na prelazia de Tefé é uma leiga, Juliana de Souza Martins, que desempenha esse serviço. Isso é uma novidade na práxis, que de modo nenhum contradiz o Direito Canônico, mas que tem que ser visto como um processo de mudança neste momento histórico que a Igreja universal e a Igreja da Amazônia estão vivendo.

As reformas que o Papa Francisco vai introduzindo na Cúria Vaticana, com nomeação de mulheres para postos de responsabilidade, aos poucos também vão se fazendo presentes em algumas igrejas locais. O serviço da chancelaria, tradicionalmente assumido por padres, agora exercido por mulheres, é um exemplo disso. Segundo a chanceler da prelazia de Tefé, “com todo esse convite do Papa, a gente percebe também que os nossos bispos também se abrem a esse novo.” É uma aposta dos bispos para as mulheres estar nesses espaços, como é a chancelaria, que mostra que “nossos bispos também estão neste caminho de abertura da Igreja, para esse momento novo com a inserção das mulheres nessas funções”, sublinha Juliana de Souza Martins.

A ministerialidade das mulheres chanceleres no Regional Norte 1

As mulheres maioria nas comunidades

Ninguém pode esquecer que “as mulheres fazemos parte das comunidades de base, somos a maioria nas comunidades, somos as que alentamos os processos, acompanhamos as pastorais, estamos como verdadeiras diaconisas nas igrejas locais”, segundo a Ir. Sofia Quintans. A religiosa afirma que assumir esses serviços “é simplesmente reconhecer aquilo que já fazemos no dia a dia na igreja local, nas comunidades de base.” A chanceler da diocese de Roraima, afirma que “com nossa competência e nosso modo de ser e estar, ajudamos também para que esta Igreja seja inclusiva, integre a todos, todos, todos, como disse o Papa Francisco, e haja processos novos de relação, processos de inclusão e outra nova sensibilidade incorporada nos processos eclesiais, nas tomadas de decisão, na formação, em tudo.”

A irmã Sofia insiste em que “a mulher faz parte da Igreja, fazemos parte da Igreja faz muito tempo, e nos reconhecermos como chanceleres é algo que é possível na Igreja faz muito tempo. Só que temos inércias incorporadas e se faz necessário quebrar essas inércias.” De fato, as mulheres na chancelaria enfrentam diversos desafios, que em primeiro lugar surgem da grande responsabilidade assumida, da confiança depositada nelas para vivenciar um processo que é uma corresponsabilidade com o Ministério Pastoral do bispo.

A chanceler da diocese de Roraima destaca a necessidade do respeito muito profundo à caminhada histórica da Igreja local, “e tentar fazer de ponte com as comunidades, as paróquias, áreas missionárias, áreas indígenas, com a caminhada pastoral da Igreja, com a realidade local e os novos desafios da realidade migratória, dos povos indígenas e também com os desafios dos missionários”, sublinhando que a importância da Cúria ser um lugar de hospitalidade, de encontro e de Igreja em saída, de fazer uma caminhada em conjunto, sinodal.

A ministerialidade das mulheres chanceleres no Regional Norte 1

A capacidade e o papel das mulheres

Olhando para a Igreja da Amazônia, Juliana de Souza Martins reflete sobre o desafio de reconhecer que o papel da chanceler e do chanceler é um papel importantíssimo, fundamental, dentro da cúria, dar visibilidade. No plano da ministerialidade feminina, uma dinâmica que teve um grande impulso no atual pontificado, se faz necessário da parte das mulheres, “nos dar conta da capacidade e do papel que nós temos dentro da Igreja. Às vezes, com o desafio, por sermos ainda uma Igreja muito masculina, muito paternal.”

Ela reconhece o sofrimento das mulheres, mas também os passos já dados, os avanços, afirmando que “é algo muito presente, muito enraizado ainda dentro da nossa Igreja e às vezes isso acaba nos limitando no nosso pensar e no nosso agir. Mas eu acredito que se nós permanecermos firmes enquanto mulheres, nos reconhecermos como figuras transformadoras, importantíssimas para a evangelização da nossa Igreja, eu acredito que é nesse caminho que a gente deve continuar e persistir.”

A ministerialidade das mulheres chanceleres no Regional Norte 1

Reconhecer os serviços das mulheres

A irmã Sofia faz um chamado às mulheres para um reconhecimento mútuo, um apoio mútuo, para assumir que “temos qualidades e competências, além de uma experiência espiritual muito forte que sustenta a Igreja toda.” Ela também insiste em “reconhecer os nossos serviços que já estamos a vivenciar na Igreja, dentro das comunidades, dentro das pastorais, de lideranças, com ministérios reconhecidos.”

Trata-se de “abrir caminho para outros ministérios que podem ser mesmo reconhecidos, ocupando os espaços, sem ter que pedir licença, dando-nos confiança mútua, mulheres e homens, homens e mulheres, tentando vivenciar essa experiência de missão conjunta, de missão em equipe”, com “conhecimento, responsabilidade, visibilidade, confiança mútua, vivenciando tudo juntos e juntas, em igualdade, com a mesma dignidade, mas em igualdade”, concluiu a religiosa.

Fonte: Vatican News

REPAM-Brasil avançam no diálogo sobre demandas da Amazônia com o Ministro Paulo Teixeira

O Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, recebeu, junto com sua equipe e o presidente do INCRA, César Fernando Schiavon Aldrighi, os bispos da Amazônia para uma devolutiva ao Caderno de Respostas, documento elaborado pelo governo a partir das reivindicações apresentadas pela REPAM-Brasil. O encontro, realizado no ministério, teve como objetivo fortalecer a interlocução entre as comunidades amazônicas e o governo federal, buscando soluções para os desafios enfrentados nos territórios.

A pauta, intitulada A Escuta aos Povos Amazônicos, foi entregue anteriormente à Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR) e sistematiza demandas coletadas em uma ampla consulta territorial. Essa iniciativa surgiu a partir de um compromisso assumido pelo ministro durante a primeira visita da REPAM-Brasil ao governo, em 2023.

Estiveram presentes na reunião Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM-Brasil; Dom Pedro Brito, vice-presidente; Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização; Irmã Irene Lopes, secretária executiva; e o assessor Melillo Dinis.

Entre as principais iniciativas debatidas, destacam-se a implementação de programas informativos, a criação de meios organizativos para facilitar o acesso das comunidades às políticas públicas e o desenvolvimento de um plano de mapeamento territorial.

“A dificuldade não está na inexistência de políticas públicas, mas no acesso a elas. Ribeirinhos, indígenas e extrativistas enfrentam barreiras burocráticas que os impedem de acessar direitos que já existem”, destacou Dom Ionilton Lisboa, bispo da Prelazia do Marajó.

Uma das soluções propostas durante o encontro foi o envolvimento de institutos técnicos e universidades em programas de extensão, facilitando o cadastramento, a documentação e o acesso a financiamentos e créditos. “Essas instituições podem desempenhar um papel fundamental na regularização documental, na estruturação da produção local e no apoio ao acesso aos editais disponíveis”, explicou o ministro Paulo Teixeira.

Além disso, foi definido um compromisso para ampliar a comunicação entre o governo e as comunidades, por meio da realização de lives explicativas sobre o acesso a programas, da elaboração de boletins informativos e da presença mais frequente de agentes públicos nos territórios.

“O tempo é agora. As comunidades precisam estar mobilizadas para garantir que os recursos disponíveis sejam utilizados de maneira eficaz e cheguem a quem mais precisa”, reforçou o ministro.

Dom Evaristo Spengler ressaltou a importância da continuidade desse processo de diálogo: “As questões do povo da Amazônia são sempre novas. Novas demandas surgem constantemente, e a REPAM tem essa missão de ouvir e trazer essas questões ao governo. Muita gratidão pelo idealismo com que vocês trabalham, buscando um mundo mais justo, com menos violência e mais fraternidade.”

Como desdobramento, foi instituído um grupo de trabalho interinstitucional para monitorar e apoiar a execução das iniciativas discutidas. “Nosso desafio é construir pontes entre os recursos disponíveis e as comunidades que mais necessitam, garantindo que o Estado esteja presente de forma ativa e eficiente”, concluiu o ministro Paulo Teixeira.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica