DOM VANTHUY É ORDENADO BISPO PARA “NOS AJUDAR A SER UMA IGREJA SEMPRE MAIS ACOLHEDORA DAS CULTURAS”

“Toda vocação é uma escolha para participar plenamente desse amor”.

Boa Vista, sede da diocese de Roraima acolheu neste domingo 4 de fevereiro de 2024 a ordenação episcopal de Mons. Raimundo Vanthuy Neto, bispo eleito da diocese de São Gabriel da Cachoeira, que escolheu como lema: “Servir na Caridade e na Esperança”. Uma celebração marcada por uma realidade indígena presente na igreja local e naquela que o Papa Francisco lhe confiou para ser seu pastor, seu bispo. A benção inicial do Povo Macuxi, a primeira leitura e a apresentação do candidato nessa mesma língua, a benção indígena de um padre de São Gabriel da Cachoeira, a continua presença dos povos indígenas de Roraima na celebração, são detalhes que mostram o desejo da Igreja da Amazônia de acolher a riqueza das culturas dos povos da Amazônia.

Na homilia, o cardeal Steiner começou lembrando as palavras de Jesus no Evangelho: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”, insistindo em que “todos nós fomos escolhidos, buscados, todos nós fomos amados: ‘eu vos amei, como meu Pai me amou’. Fomos desejados, amados com o amor que o Pai amou o seu filho Jesus. No mesmo amor, na mesma intensidade, na mesma afabilidade, fomos e somos amados, amadas. E porque fomos atingidos por um amor inigualável, gratuito, Jesus nos faz um pedido: ‘permanecei no meu amor’”.

Segundo o arcebispo de Manaus, “a realização da nossa vida, a alegria de viver, de saborear a vida vem do amor que recebemos de Jesus. Ele desperta uma alegria plena, realizadora. Um amor que plenifica, cria a verdadeira família, a verdadeira comunidade, a Igreja”, recordando as palavras de Jesus: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Uma frase que o levou a perguntar: “Como nos amou?”, dando ele mesmo a resposta: “ofertando a sua vida”. Dom Leonardo disse que “como a mãe entrega a sua vida no cuidado materno para que os filhos cresçam e cheguem à maturidade de uma vida plena, muito mais fez Jesus. Nos amou até a morte e morte de cruz.

Um amor que aparece definido no Evangelho: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”, afirmando que “é desse amor que vivemos, é nesse amor que nos movemos, é desse amor que nos alimentamos e damos frutos: geramos, educamos, plenificamos vidas”. O cardeal Steiner “esse amor nos escolheu, a esse amor fomos chamados. Esse amor nos encontrou. Nenhuma iniciativa nossa”. Lembrando as palavras de São Bernardo sobre a escolha, o chamado, disse. Isso porque “no amor somos escolhidos, não escolhemos. Nesse amor benevolente somos todos discípulos missionários, todas discípulas missionárias, pois tomados pela dinâmica extraordinária de pertencermos à predileção amorosa de Deus”.

Toda vocação é uma escolha para participar plenamente desse amor. Toda vocação é a possibilidade de permanecer no amor de Jesus e em Jesus viver a graça do Reino. Toda a vocação é um modo de guardar e ser guardado pelo mandamento do amor. É desse amor que toda a vocação e ministério se alimenta e é dinamizado. É no Reino do “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”, que a alegria é plena e realizativa. Toda a vocação é dar a sua vida em resgate por muitos, por todos os que são e não são amigos e amigas de Jesus, mesmo os inimigos”, refletiu o cardeal de Manaus. 

Lembrando a escolha dos Doze para caminhar com Ele e enviá-los a pregar o Reino de Deus, Dom Leonardo Steiner disse que “eles foram as testemunhas da vida, da morte e da ressurreição de Jesus; testemunhas do amor que tudo vivifica e restaura. Nessa missão foram confirmados pelo Espírito Santo, segundo a promessa: ‘Recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, Samaria e até os extremos da terra’”. Isso porque “a missão dos apóstolos de anunciar o Evangelho da vida deveria durar até o fim dos séculos (cf Mt 28,20), por isso, os apóstolos constituíram sucessores (LG, 20)”.

A celebração de ordenação episcopal “visibiliza, mais uma vez, a escolha, o chamado, o envio, a frutificação”. Ele lembrou que “a Igreja aqui reunida invocará o Espírito Santo sobre padre Raimundo Vanthuy e com o gesto milenar da imposição das mãos dos bispos, com a oração de ordenação e a unção, ele recebe o múnus episcopal e participa do colégio dos bispos como sucessor dos apóstolos. Ele participará do múnus dos apóstolos de anunciar, bendizer e cuidar do Reino de Deus, da igreja de São Gabriel da Cachoeira”.

Comentando a primeira leitura, o cardeal disse que “o Espírito e a unção enviam para uma presença de caridade, de amor, de esperança! Hoje, após a invocação do Espírito Santo, a imposição das mãos, a oração de ordenação e a unção com o óleo do crisma, padre Vanthuy poderá dizer com o profeta: ‘O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu’. Vamos impor as mãos na força do Espírito Santo e te ungir, para seres enviado. Enviado para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma e do corpo, pregar a redenção aos cativos no corpo e no espírito; a liberdade aos que estão presos em si mesmos, nas prisões da ganância, da morte, das ideologias; consolar todos os que choram e gemem. Serás enviado para proclamar o tempo da graça, da libertação, da transformação, da salvação, pois levarás na alegria o óleo da caridade e o vinho da esperança (cf. Is 61,1-3ª). Enviado na caridade e na esperança! Não é privilégio, mas uma missão que te é confiada. Enviado para recordar, rememorar, viver na caridade e na esperança”.

“Pelo sacramento da Ordem o bispo recebe o dom da caridade pastoral de Cristo. A caridade pastoral cria a comunhão e desperta para a plenificação da vida segundo o Evangelho. Um modo da caridade é a compaixão, compadecer-se dos frágeis, dos que foram colocados à margem, seja pela cultura, seja pelo sistema econômico. Cuidar das comunidades com amor paterno-materno, sendo bondoso e compassivo com os doentes e todos os necessitados no corpo e no espírito. Com uma vida simples e sóbria, ativa e generosa, estar com os últimos da nossa sociedade e colocá-los ao centro da comunidade cristã. Como bispo deixar-se tomar pela ‘fantasia da caridade’ para encontra modos de acolhimento, de transformação, de inspiração, de proximidade e acolhida”, lembrou o cardeal citando Pastores Gregis, nº 20.

Dom Leonardo Lembrou as palavras de Papa Francisco aos irmãos do Prado onde fala da “fantasia da caridade”, onde lhes convida “a regressar continuamente à magnífica figura do vosso fundador, a meditar sobre a sua vida, a pedir a sua intercessão. A experiência espiritual que ele viveu intensamente – uma compaixão imensa pelos pobres, a compreensão e a partilha dos seus sofrimentos e, ao mesmo tempo, uma contemplação do despojar-se de Cristo que se fez um deles – foi a fonte do seu fervor apostólico (cf. Papa Francisco, 2018). A criatividade, a fantasia da caridade do Bem-aventurado Antônio Chévrier, será também a fantasia do teu ministério episcopal. O teu ministério tenha a força e a dinamicidade de promover, ‘globalizar’ a caridade”.

Globalização onde, segundo o cardeal, “a delicadeza de caridade eleva, ilumina, consola, se inclina, lava os pés da existência. A delicadeza da caridade que olha nos olhos a violência, não teme o poder da dominação, do dinheiro, do poder. Na delicadeza da caridade, o bispo quando ensina, ao mesmo tempo santifica e governa o Povo de Deus; enquanto santifica, também ensina e governa; quando governa, também ensina e santifica”. Ele lembrou que “Santo Agostinho ensina que a totalidade do ministério episcopal é amoris officium, o ‘ofício do amor’”.

Segundo o presidente do Regional Norte1 da CNBB, “o bispo é enviado como esperança! Não somente porque anuncia ao mundo a esperança do Reino, mas porque é presença de esperança no Ressuscitado. Profeta da esperança! Ser profeta, testemunha e servo da esperança. Infundir confiança e proclamar perante quem quer que seja as razões da esperança cristã”, segundo diz a Primeira Carta de Pedro. “Profeta, testemunha e servo da esperança sobretudo nas realidades onde o esquecimento de Deus e o esquecimento dos pobres é palpável, onde os indígenas são violentados. Onde falta a esperança, também a fé é posta em questão. O amor enfraquece, quando o horizonte da esperança desaparece. A esperança que o Ressuscitado trouxe à luz”, enfatizou.

Citando Santo Agostinho, ele disse que a “esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. O cardeal destacou que “por ser profeta da esperança, o bispo é inquieto, insatisfeito, sonhador, transformador, deixa-se tomar pelo movimento da geração, da transfiguração. A esperança na sua filha indignação, indica o sentido do anúncio e da visibilização do reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça do amor e da paz”, recordando as palavras do Prefácio. Ele insistiu em que “o bispo pode ser tomado de indignação, quando guiado e tomado pela verdade, a justiça e paz. E porque vive do Reino, a coragem o impulsiona a propor, ensinar, refletir, questionar, procurar e indicar o caminho da justiça, da equidade, da fraternidade”.

O bispo é um convite à esperança, pois fala duma realidade que está enraizada no mais fundo do ser humano. Fala duma sede, duma aspiração, dum anseio de plenitude, de vida bem-sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor. A esperança desperta ousadia, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna, atraente e sublime. Caminhe na esperança, o Povo de Deus a ti confiado seja ungido com a esperança, e toda a tua evangelização esteja guiada pela esperança que nasce do Espírito Santo!”, afirmou Dom Leonardo inspirado nas palavras de Papa Francisco.

Ele enfatizou que “a esperança na indignação e na coragem é sonhadora e criativa. Papa Francisco nos diz que devemos ser criativos, inconformados, dinâmicos, sonhadores, corajosos. Na indignação e na coragem inculturar o Evangelho, viver uma espiritualidade inculturada, celebrar a fé, a esperança e caridade nas culturas locais”.

Se dirigindo ao novo bispo, Dom Leonardo lhe disse: “o teu ministério episcopal na diocese mais indígena do Brasil, possa nos ajudar a ser uma Igreja sempre mais acolhedora das culturas. Uma Igreja que tenha sempre mais rostos multiformes que manifestem melhor a riqueza inesgotável do Evangelho na Amazônia. As filhas da esperança, a indignação e a coragem, movimentem os teus e nossos sonhos indicados por Papa Francisco: preservar a riqueza cultural da Amazônia que a caracteriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana; guardar zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna a casa comum da Amazônia, a vida transbordante que enche os rios e as florestas; evangelizar as comunidades cristãs para que sejam capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos. Uma Igreja na Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos originários, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida (QA, nº 6-7). A esperança de que todos os filhos e filhas de Deus e todas as criaturas participem do Reino definitivo”.

“Realmente são lindas as filhas da esperança, pois nascidas do amor”, disse o cardeal, citando o texto evangélico: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Daí a necessidade de “ser impulsionado pela caridade e pela esperança e despertar as comunidades para que vivam da esperança e da caridade”.

O cardeal Steiner chamou a repetir as palavras de Paulo na segunda leitura: “Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a perseverança da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa gratidão à Igreja de Roraima, pelo testemunho de esperança e de caridade. Agradecemos a Deus e à Igreja em Roraima por ofertar à Igreja este irmão que recebe hoje a ordenação episcopal. Sabemos que o Evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força do Espírito Santo; e isso, com toda a abundância”, agradecendo a Dom Evaristo Spengler por “enviar para São Gabriel da Cachoeira este irmão que hoje é ordenado bispo da Igreja Católica”.

Igualmente agradeceu a dom Edson Damian, a quem dom Raimundo Vanthuy vai suceder e à Igreja de São Gabriel da Cachoeira “pelo testemunho, por nos provocar a sermos uma Igreja sempre atenta e desperta para a causa dos povos indígenas e os pobres. Louvamos e bendizemos pela diocese de São Gabriel”. Também agradeceu aos pais, à família de Dom Raimundo Vanthuy, “pelo dom da vida e pela fé que lhe deram como alimento e bebida. Deus os abençoe. Irá com a benção a vossa benção”.

Ao novo bispo lhe disse, “na caridade e na esperança caminharemos contigo. Sentirás a presença colegial dos bispos de nosso Regional e a força da oração do teu povo. Não estarás só. Contigo desejamos ser profetas, testemunhas e servos da esperança e da caridade. Estaremos contigo em comunhão”.

IGREJA DE RORAIMA PARTICIPA DA ORDENAÇÃO EPISCOPAL DO MONSENHOR RAIMUNDO VANTHUY NETO

A celebração acontece na manhã deste domingo no Ginásio Totozão

Neste domingo, 04, a Diocese de Roraima celebra a ordenação do novo bispo Raimundo Vanthuy Neto, para São Gabriel da Cachoeira no interior do Amazonas, a cerimônia ocorre no ginásio Totozão e contou com a presença de milhares de fiéis de todo país. 

A primeira parte da cerimônia iniciou com a entrada dos diáconos carregando a Nossa Senhora da Consolata e com suas esposas, representando os 75 anos da presença dos missionários da Consolata no estado.

Logo após, o novo bispo dom Vanthy Neto, acompanhado de dom Leonardo Steiner, dom Evaristo Spengler, dom Edson Damian, na qual foram acolhidos pelos indígenas da etnia macuxi com cantos Macuxi maruai.

A celebração da eucaristia foi presidida pelo cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), concelebrada pelo bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, e os anteriores, Dom Mário Antônio, Dom Roque Paloschi e Dom Edson Damian. Os bispos de outras dioceses como Afogados da Ingazeira (PE), Maranhão e Pará e Manaus (AM), além de padres, religiosos e religiosas, e pessoas da diocese de São Gabriel também participaram da ocasião.

Passa nestes dias por Roraima a Relíquia do Bem aventurado Antônio Chevrier, fundador do PRADO, fraternidade que pe. Vanthuy participa,  o ícone, escrito pelo pe. Mário Castro e a Relíquia, trazida pelo responsável do Prado no Brasil e pelo Assistente geral do Instituto de Vida Apostólica.

A Ordenação Episcopal do nosso Padre Vanthuy, filho desta Igreja de Roraima cujo ministério episcopal hoje lhe é confiado, já se compreende desde a raiz como um ministério em chave missionária, do Cristo que aponta para a Amazônia, da Igreja Diocesana de Roraima que dá de sua pobreza!

(Matéria em atualização)

Quem é Dom Vanthuy Neto

Pe. Raimundo Vanthuy Neto, nasceu no sertão nordestino em 10 de Maio de 1973, em Pau dos Ferros / alto oeste do Rio Grande do Norte, na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Diocese de Mossoró, filho de uma família de quatro irmãos (Tarcísio, Urbano, Etevaldo) e duas irmãs (Taneide e Vaneide), batizado na festa de S. Pedro em 29 de junho de 1973 pelo padre Manoel Caminha Freire (In memoriam). Foi alfabetizado na escola das Filhas da Caridade, o patronato Alfredo Fernendes, sua primeira professora ainda vive, Ir. Geralda Araújo, fez sua primeira comunhão em 1983, presidida pelo então Pe. Dário Tórbolli (In memoriam), missionário de Trento, na Diocese de Mossoró. Com seus pais Manoel Urbano e Vicência Martins, irmãos e irmãs, migrou à Amazônia na década de 1980, vão morar primeiro em Itaituba – Pará, ali, na paróquia da Catedral de Santana, foi Crismado por Dom Capistrano (In memoriam). Acolhido na Diocese de Roraima, começa a participar da Legião de Maria e foi catequista na Paróquia da Consolata, ali participou da Escola de Formação de Teologia para leigos. Em 1991 ingressou no Seminário S. José da Arquidiocese de Manaus, na companhia de Revislande Santos e Mário Castro (In memoriam), onde fez seus estudos de Filosofia e Teologia, no então CENESCH – Centro de Estudos do Comportamento Humano, ordenado Diácono em 11 de julho de 1999 e Presbítero em 3 de junho de 2001, por Dom Apparecido José Dias (In memoriam). Mestre em Teologia, com especialização em Missiologia – (1998/2000) pela então Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção – SP, com dissertação: Dirigir Almas e Servir ao Jeito de Muitos – A missão dos Beneditinos junto aos Povos Indígenas de Roraima – 1909/1948. Foi acompanhado pelo então teólogo ligado ao CIMI, Pe. Paulo Suess. Fez seu estágio diaconal na Paróquia Sagrada Família – Diocese de Santos/SP (1998/2000), na companhia do Pe. Valdeci e Dom David Picão (In memoriam). Foi diretor e professor do Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia – ITEPES 2014/17), hoje Faculdade Católica do Amazonas, colabora com os estudos sobre o Cristianismo e Povos Indígenas na Amazônia. Acompanha a vida Eclesial desta região com seus encontros inter-regionais de Bispos desde 1997, quando se celebrou os 25 anos do Documento de Santarém, participou como auditor do Sínodo para a Amazônia 2019 em Roma. Na vida pastoral, foi pároco nas Paróquias: Nossa Senhora Consolata (2001/2004), Catedral Cristo Redentor e Matriz Nossa Senhora do Carmo (2005/2013) em Boa Vista, padre cooperador da Catedral de Nossa Senhora da Conceição e capelão do Colégio Auxiliadora, das Irmãs Salesianas em Manaus. De volta à Roraima em 2018, foi vigário da Área Missionária do Município do Cantá, acompanhou a Coordenação de Evangelização e Pastoral da Diocese (2002/2005), atualmente com pe. Giogio Dal Ben respondia como Reitor da Casa Vocacional – Seminário Menor e da Reitoria Nossa Senhora Aparecida, muito colaborou na Formação das Lideranças Leigas na Escola de Teologia e Pastoral da Diocese de Roraima, na escola de Liturgia e na Escola para o Diaconato Permanente. Pe. Vanthuy é membro do Instituto Secular – Associação dos Padres do PRADO, colaborou no Conselho Nacional do Prado no Brasil 2017/2023, participou o Ano Internacional Pradosiano em Lyon – França. Atualmente é membro do Colégio de Consultores, do Conselho Presbiteral e colabora como chanceler da Diocese de Roraima. O Santo Padre, o Papa Francisco o nomeou Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira em 08 de novembro do ano passado de 2023. Escolheu como lema: Servir na Caridade e na Esperança, ele será o pastor daquela Igreja Particular. Marcada pelos seus 23 povos originários e pela presença missionária dos Salesianos e Salesianas, a família espiritual de Dom Bosco. 

São Cornélio de Cesareia, centurião temente a Deus

Referência Bíblica
Partes da vida de São Cornélio de Cesareia são registradas nos Atos dos Apóstolos, no capítulo 10. “Havia em Cesareia um homem por nome Cornélio. Centurião da corte e religioso, ele e todos de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente”. (cf. At 10,1-2)

Particularidade
Cornélio de Cesareia era centurião, que quer dizer o responsável por parte da infantaria do exército romano, dando ordens que deveriam ser imediatamente obedecidas. Cornélio, junto com a sua família e seus amigos, foi assim o primeiro dos não-judeus incircuncisos a tornar-se cristão. Esta ocasião histórica levou Pedro a exclamar: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas, mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (cf. Atos 10, 34-35).

Um Evangelizador
Deus o visitou por meio de um anjo, que lhe indicou São Pedro, por isso uma das imagens artísticas que retrata o santo é a do seu diálogo com um anjo. São Pedro, que também teve uma visão, foi à casa de Cornélio. Foi aí que aconteceu a abertura da Igreja para a evangelização dos pagãos e dos estrangeiros. No outro dia, Pedro chegou em Cesareia. Cornélio o estava esperando, tendo convidado seus parentes e amigos mais íntimos. Não somente ele queria encontrar-se com o Senhor, como também queria o mesmo para todos os seus parentes e amigos.

Relação com Pedro
Cornélio ouviu da boca do primeiro Papa da Igreja: “Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro” (At 10,28). Assim, São Pedro começou a evangelizar e, de repente, no versículo 44: “Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a Santa Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos, pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. Então, Pedro tomou a palavra: “Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias” (At 10,44-48).

Primeiro Bispo de Cesareia
São Cornélio tornou-se o primeiro bispo em Cesareia. Deus pôde contar com ele para a obra que até nos dias de hoje alcança a humanidade: o Evangelho.

A minha oração
“Senhor Jesus, eu também, mesmo fraco e pecador, comprometo-me Contigo no anúncio da Sua Palavra. Dá-me a graça do Batismo no Espírito Santo, para que eu seja cheio de amor por Ti, como foi São Cornélio de Cesareia. Assim seja.”

São Cornélio de Cesareia, rogai por nós!

Padre Vanthuy Neto será ordenado bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira neste domingo, 04

O evento histórico que ficará marcada na Diocese de Roraima ocorre no Ginásio Totozão em Boa Vista.

Neste próximo domingo, 04 de fevereiro, ocorrerá a ordenação episcopal do padre Raimundo Vanthuy Neto, nomeado pelo Papa Francisco, como Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.  O evento é aberto ao público e será realizada em Boa Vista – RR, às 8h30, no Ginásio Totozão.

 A celebração, será presidida pelo Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).

O início do Ministério Apostólico e Pastoral como Bispo da Igreja do Alto Rio Negro será no dia 11 de fevereiro. A celebração de posse canónica como Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira – AM, será realizada 8h no Ginásio Arnaldo Coimbra, na cidade de São Gabriel da Cachoeira.

Segundo o bispo de Diocese de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler,  faz parte do rito de ordenação de um bispo a entrega de insígnias que são símbolos ou sinais visíveis da missão do bispo entre eles os sinos estão anel o ábaco e a mitra.

O anel o bispo recebe no dedo anelar da mão direita como símbolo de amor e fidelidade e da união com a igreja, esposa de Cristo. Ele deverá usar o anel sempre dentro e fora da celebrações. outro sinal e a mitra que é símbolo da santidade que o bispo chamado a viver como entrega de amor como foi Jesus. Outro sinal e o báculo; o Báculo lembra Jesus, o bom pastor que dá vida pelas suas ovelhas também o bispo chamada cuidar das ovelhas especialmente as mais fragilizados, isso envolve acompanhar, escutar, conduzir e animar num processo de comunhão, participação e missão”. Completou.

Evento histórico

Esta é a primeira vez que o estado de Roraima realizará a ordenação episcopal de um padre, para se tornar bispo em uma região amazônica.

 O padre Vanthuy Neto, novo bispo de São Gabriel da Cachoeira, deve assumir a diocese da cidade amazonense em fevereiro.  “A Igreja de Roraima me fez padre da Amazônia, com uma preocupação principal do cuidado com os povos indígenas, com a casa comum”. Segundo Mons. Vanthuy, “eu fui gestado na Igreja de Roraima e no Seminário São José de Manaus.

Ele fala ainda sobre os desafios a serem enfrentados ao assumir uma nova diocese.

“O primeiro desafio, é o da comunicação. São Gabriel é a região mais plural que o Brasil tem. São vinte três povos, mais de dezoito línguas. Segundo é o isolamento, São Gabriel ainda é muito isolado, (…) agora que começa a chegar uma internet de melhor qualidade em São Gabriel através do Starlink. E pra mim o primeiro sinal da minha vida vai ser ficar calado, escutar até porque alguns eu não vou compreender por causa da língua. Segundo amá-los como eles são, porque o amor também ama os limites e os defeitos. O primeiro passo é esse, ouvir, escutar, estar atento amar aquele povo e quero pedir a Deus uma graça muito grande de paciência. Eu sou nordestino, eu tenho um ritmo e lá o ritmo é outro”, enfatizou.

Relembre

Em novembro de 2023, o Pontífice então nomeou como novo bispo do terceiro maior município brasileiro em extensão territorial, localizado na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, o Pe. Raimundo Vanthuy Neto, do clero de Roraima, reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida e do Seminário Propedêutico.

A biografia de Pe. Raimundo Vanthuy Neto

Padre Raimundo Vanthuy Neto nasceu em 10 de maio de 1973, em Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, diocese de Mossoró. Em 1991 ingressou no Seminário São José da arquidiocese de Manaus, onde fez seus estudos de Filosofia e Teologia no então Centro de Estudos do Comportamento Humano. Foi ordenado diácono em 11 de julho de 1999 e presbítero em 3 de junho de 2001.

Mestre em Teologia, com especialização em Missiologia (1998/2000) pela então Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Fez seu estágio diaconal na Paróquia Sagrada Família – diocese de Santos (1998/2000). Foi diretor e professor do Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia – ITEPES (2014/17), hoje Faculdade Católica do Amazonas. Colabora com os estudos sobre o Cristianismo e Povos Indígenas na Amazônia. Acompanha a vida eclesial desta região com seus encontros inter regionais de bispos desde 1997, quando se celebrou os 25 anos do Documento de Santarém. Participou como auditor do Sínodo para a Amazônia 2019.

Na vida pastoral, foi pároco nas Paróquias: Nossa Senhora Consolata (2001/2004), Catedral Cristo Redentor e Matriz Nossa Senhora do Carmo (2005/2013) em Boa Vista; vigário da Área Missionária do Município do Cantá; acompanhou a Coordenação de Evangelização e Pastoral da Diocese (2002/2005); padre cooperador da Catedral de Nossa Senhora da Conceição; atualmente Reitor da Casa Vocacional – Seminário Menor e Reitoria Nossa Senhora Aparecida; ajuda na Formação das Lideranças Leigas na Escola de Teologia Pastoral da diocese de Roraima e na Escola para o diaconato permanente.

Padre Vanthuy é membro do Instituto Secular – Associação dos Padres do Prado; colaborou no Conselho Nacional do Prado no Brasil (2017/2023); viveu o Ano Internacional Pradosianoem Lyon – França. Atualmente é membro do Colégio de Consultores, do Conselho Presbiteral e colabora como chanceler da Diocese de Roraima.

Santa Veridiana, protetora e intercessora das presidiárias

Origens
Italiana, Santa Veridiana nasceu em Castelfiorentino, na Toscana, em 1182. De família nobre, ela gozava de grande prestígio.

Cotidiano
Seu tio, muito rico, encarregou-a de ser administradora de seus bens. Ela assumiu tal cargo, pois viu nisso maior oportunidade de praticar a caridade.

Sobrenatural
Conta-se que, certo dia, seu tio, após acumular muitos alimentos, vendeu-os por um alto preço, por causa da carestia da época. Quando o comprador chegou, o celeiro estava sem nada. Veridiana havia dado tudo aos pobres. O tio enfureceu-se e pediu ao comprador um prazo de 24 horas para encontrar uma solução. No dia seguinte, o celeiro foi encontrado miraculosamente cheio.

Virgem e reclusa, Santa Veridiana é intercessora das presidiárias e dos presídios femininos

Solidão e penitência
Após peregrinar ao túmulo de São Tiago de Compostela, que era a grande meta dos peregrinos cristãos após a recente perda da Terra Santa aos muçulmanos, Veridiana sentiu maior desejo de solidão e penitência. Seus contemporâneos, para conservá-la próxima, edificaram-lhe uma cela onde a santa viveu por 34 anos. Por uma janelinha, ela assistia à Missa, falava com as visitas e recebia o escasso alimento para conservá-la viva.

Interessante
Por ser contemporânea de São Francisco de Assis, recebeu a visita do Santo símbolo de humildade em 1221, quando foi admitida na Ordem Terceira dos Franciscanos.

Badalar dos sinos
Conta-se que sua morte, em 1º de fevereiro de 1242, aos 60 anos, foi anunciada pelo repicar dos sinos de Castelfiorentino sem que ninguém tivesse tocado.

Devoção
O culto de Santa Veridiana, adotado pela congregação Vallombrosana, foi aprovado pelo Papa Clemente VII 300 anos após sua morte, e é muito popular na Toscana, Itália. É invocada como protetora dos presídios femininos e intercessora das presidiárias. O fato deu-se por, em 1865, após Repressão Napoleônica, autoridades civis da Itália revogarem o uso do então Mosteiro de Santa Veridiana, para se tornar um presídio feminino.

Iconografia
Em sua vida reclusa, Santa Veridiana foi fortemente atormentada pelo mal. Relata-se que ela viveu em sua cela durante décadas com duas cobras. Não se sabe objetivamente se foram dois animais literalmente ou alusão a dois tormentos malígnos sobrenaturais.

Minha oração
“Senhor Jesus, se Santa Veridiana venceu o mal, mesmo convivendo com ele e sendo assolada tantas e tantas vezes, eu Te peço: dai-me a graça de não desistir dos meus propósitos de bondade, conversão, oração e penitência. Amém!”

Santa Veridiana, rogai por nós!

São João Bosco, fundador da Sociedade Salesiana

Origens
Nasceu perto de Turim, na Itália, em 16 de agosto de 1815. Muito cedo, conheceu o que significava a palavra sofrimento, pois perdeu seu pai tendo apenas dois anos. Sofreu incompreensões por causa de um irmão muito violento. Dom Bosco quis ser sacerdote, mas sua mãe o alertava: “Se você quer ser padre para ser rico, eu não vou visitá-lo, porque nasci na pobreza e quero morrer nela”.

Vida Sacerdotal
Logo, Dom Bosco foi crescendo diante do testemunho de sua mãe Margarida, uma mulher de oração e discernimento. Ele teve de sair muito cedo de casa, mas aquele seu desejo de ser padre o acompanhou. Entrou para o seminário em 1835, e, em junho de 1841, aos 26 anos de idade, ele recebeu a graça da ordenação sacerdotal. 

Ousado e cheio do Divino Espírito Santo
Um homem carismático, Dom Bosco sofreu. Desde cedo, ele foi visitado por sonhos proféticos que só vieram a se realizar ao longo dos anos. Um homem sensível, de caridade com os jovens, que se fez tudo para todos. Dom Bosco foi ao encontro da necessidade e da realidade daqueles jovens que não tinham onde viver e necessitavam de uma nova evangelização, de acolhimento. Um sacerdote corajoso, mas muito incompreendido. Foi chamado de louco por muitos, devido à sua ousadia e docilidade ao Divino Espírito Santo.

São João Bosco: Dedicou-se aos jovens

Devoto da Santíssima Virgem Auxiliadora
Dom Bosco, criador dos oratórios, e por meio deles as catequeses e orientações profissionais foram surgindo para os jovens. Enfim, Dom Bosco era um homem voltado para o céu, e por isso enraizado com o sofrimento humano, especialmente dos jovens. Grande devoto da Santíssima Virgem Auxiliadora, foi um homem de trabalho e oração. 

Juventude
Exemplo para os jovens, foi pai e mestre, como encontramos citado na liturgia de hoje. São João Bosco foi modelo, mas também soube observar tantos outros exemplos. Em 1859, tendo o auxílio de Papa Pio IX, fundou a Congregação dos Salesianos dedicada à proteção de São Francisco de Sales, que foi o santo da mansidão. Isso Dom Bosco foi também para aqueles jovens e para muitos, inclusive aqueles que não o compreendiam.

São João Bosco e a Canção Nova

Canção Nova
Para a Canção Nova, para a Igreja e para todos nós, ele é um grande intercessor porque viveu a intimidade com Nosso Senhor. Homem orante, de um trabalho santificado, em tudo viveu a inspiração de Deus. Deixou uma grande família, um grande exemplo de como viver na graça, fiel ao Nosso Senhor Jesus Cristo.

Páscoa
Em 31 de janeiro de 1888, tendo se desgastado por amor a Deus e pela salvação das almas, ele partiu, mas está conosco no seu testemunho e na sua intercessão. 

Via de Santificação
Foi beatificado por Pio XI em 2 de junho de 1929 e canonizado pelo mesmo em 1 de abril de 1934. Por ocasião do centenário de sua morte, São João Paulo II o declarou “pai e mestre da juventude”.

Oração a São João Bosco:

Oh, Dom Bosco Santo, que com tão grande amor e zelo cultivastes as múltiplas formas de ação católica que hoje florescem na Igreja, concedei a suas associações o maior progresso e desenvolvimento. Redobrai, em todos os corações, a devoção à Santíssima Eucaristia e a Maria Auxiliadora dos cristãos.

Acrescentai neles o amor ao Papa, o zelo pela propagação da fé, um solícito esmero pela educação da juventude e grandes entusiasmos para suscitar novas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias. Fazei que, em cada uma das nações, fomente-se e inicie a guerra contra a blasfêmia, o mal falar e a imprensa ímpia; fazendo surgir em todas as partes novos cooperadores para as diversas formas de apostolado recomendadas pelo Vigário de Cristo.

Infundi em todos os corações católicos a chama de vosso zelo, para que, vivendo em caridade difusiva, possam, ao fim de suas vidas, recolher o fruto das muitas obras boas praticadas durante ela.

Rezar um Pai-Nosso, Deus te salve e Glória.

Minha oração

“Pai e mestre da juventude, foste um modelo e espelho do Bom Pastor, sinal do amor paterno de Deus para conosco. Cuidai e preenchei o coração dos órfãos, das carências familiares afetivas e efetivas, seja nosso pai e protetor. Rogai para que outros também o imitem na mesma paternidade e bondade. Amém.”

São João Bosco, rogai por nós!

Santa Jacinta Marescotti, um exemplo de dedicação total a Deus

Origens
Santa Jacinta Marescotti, que tinha como nome de batismo Clarice, nasceu no ano de 1585, em Roma. Pertencia a uma família muito nobre, religiosa, com posses, mas que possuía, principalmente, a devoção e o amor acima de tudo. Seus pais eram o príncipe Marco Antônio Marescotti e Otávia Orsini, os dois faziam de tudo para que os filhos conhecessem Jesus e recebessem uma ótima educação.

Educação Religiosa
Ainda menina, foi enviada para um convento para a sua educação, numa escola franciscana. Sua irmã Inocência já era uma religiosa franciscana. Os pais desejavam para Clarice o mesmo caminho que a irmã seguia. No entanto, já moça, ela tinha o desejo de se casar e constituir sua família. Conheceu um jovem marquês por quem se apaixonou, mas coube-lhe o destino dele se casar com Ortênsia, sua irmã mais nova.

Franciscana
Decepcionada, Clarice decidiu não perdoar o pai por ter entregue à irmã o homem com quem ela queria se casar. Começou, então, a tomar outros caminhos para sua vida, entregando-se cada vez mais ao pecado. Desse modo, seu pai a enviou ao Mosteiro de São Bernardino, em Viterbo, onde ela havia estudado ainda pequena. Clarice não desanimou, recebeu o nome de Jacinta e submeteu-se ao hábito. Professou seu voto de castidade e tornou-se Terciária Franciscana, mas não fez os votos de pobreza, não abriu mão de suas roupas refinadas nem de uma moradia refinada.

Santa Jacinta Marescotti abandonou os luxos e as riquezas 

Reflexão
Viveu desta maneira por 15 anos, até que, com o assassinato do pai, ela começou a questionar a importância dos títulos, dos bens e do luxo. Em seguida, ela adoeceu seriamente e compreendeu que o Senhor a aguardava. Invocou ao Senhor dizendo: “Ó Deus, eu Vos suplico, dai sentido à minha vida, dai-me esperança, dai-me salvação”. Curando-se da enfermidade, pediu perdão às coirmãs,  abriu mão de todo o luxo e dedicou-se a uma total entrega ao Senhor.

Provações e Doação Total
Os próximos 24 anos de sua vida foram de privações e de doação ao próximo, especialmente aos pobres e doentes. Com o auxílio financeiro de velhos amigos, conseguiu dirigir obras que prestavam assistência sociais aos necessitados; fundou asilos e orfanatos. Tudo o que recebia, dedicava aos pobres.

Páscoa
Santa Jacinta Marescotti faleceu em 30 de janeiro de 1640, foi sepultada na igreja do convento onde se converteu, em Viterbo. Foi canonizada em 24 de maio de 1807 pelo Papa Pio VII.

Minha oração

“Por teu exemplo de desapego e pobreza, nos conduza a colocar Deus em primeiro lugar na nossa vida. Que vivamos buscando o essencial ao invés das riquezas desse mundo. Rogai para os mais favorecidos que tenham a generosidade de partilhar os seus bens e ajudar o próximo que mais sofre. Amém.”

Santa Jacinta Marescotti, rogai por nós!

São Constâncio, bispo de Perúgia

Origens
São Constâncio é o primeiro bispo de Perúgia. Era um jovem cristão, notável pelo espírito de mortificação e generosidade que tinha para com os pobres e necessitados. Aos 30 anos, foi chamado a governar a Igreja de Perúgia, Itália, e cumpriu todas as suas obrigações episcopais como um pastor zeloso para seu povo.

Perseguição de Marco Aurélio
Enfrentou, por muito tempo, a perseguição de Marco Aurélio, imperador romano. Durante as perseguições, foi preso algumas vezes. Foi preso, pela primeira vez, após ter se recusado a adorar os ídolos. Preso em termas aquecidas a temperaturas altíssimas, Constâncio saiu ileso do martírio. Ao ser preso, acabou por converter os guardas, e foi liberto.

São Constâncio: condenado por Marco Aurélio

Páscoa
Sob uma nova acusação, o imperador mandou chamá-lo novamente. Foi condenado a caminhar sobre o carvão em brasa, mas nenhum suplício foi capaz de fazê-lo renegar a sua fé. Miraculosamente, foi liberto, mas, quando preso pela terceira vez, no ano 178, acabou sendo decapitado. A primeira catedral da cidade de Perúgia foi construída no lugar de sua sepultura.

Minha oração

“Por vezes, forçado ao martírio, mas milagrosamente foste sinal da força divina. Usado por Deus para promover a fé e testemunhar a ação do Senhor, que nós também possamos nos abrir aos dons de Deus. Amém.”

São Constâncio, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados em 29 de janeiro 

Santos Timóteo e Tito, bispos

Origens 

Santos Timóteo e Tito eram bispos e ambos colaboradores do Apóstolo dos Gentios, São Paulo. 

São Timóteo, bispo de Éfeso

Origens
Timóteo nasceu em Listra, próximo de Tarso. Sua mãe era judia e o educou na religião hebraica. Desde pequeno, tinha um grande amor pela Sagrada Escritura.

Evangelização
Sua vida foi marcada pela evangelização e pela santidade de São Paulo e também por São João Evangelista. São Paulo, no início de sua segunda visita missionária, foi tocado pelo testemunho de São Timóteo. Escolheu-o para ser seu companheiro de viagem, pois era estimado pelo povo de Listra e Icônio.

São Paulo sobre Timóteo
A respeito dele, certa vez, São Paulo escreveu em uma de suas cartas: “A Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!” (II Timóteo 1,2). Nesta carta, é possível perceber que ele foi fruto de uma evangelização que atingiu não somente a ele, mas também sua família: “Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria. Confesso a lembrança daquela tua fé tão sincera que foi primeiro a de tua avó Loide e de tua mãe, Eunice e, não tenho a menor dúvida, habita em ti também”. (II Timóteo 1,4-5)

Viajou com São Paulo
Acompanhando São Paulo nas viagens, atravessou a Ásia Menor e foi até a Macedônia. E, seguidamente, foi para Atenas, onde foi enviado para a cidade de Tessalônica, e dali prosseguiu para Corinto, colaborando na evangelização dos cristãos.

Primeiro Bispo de Éfeso
Timóteo ficou reconhecido como um pastor valoroso. Foi o primeiro bispo de Éfeso, e nesse contexto conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista São João.

Páscoa
Conta-nos a tradição que, no ano de 95, o santo havia sido atingido por pagãos resistentes à Boa Nova do Senhor e, por isso, foi martirizado. São Timóteo, homem de oração, um apóstolo de entrega total a Jesus Cristo, viveu a fé em família, mas também propagou a fé para que todos conhecessem Deus, que é paz.

Dois santos e um amigo em comum: São Paulo

São Tito, bispo de Creta

Conversão de São Paulo, apóstolo

Origens
Saulo, que depois tomou o nome de Paulo, nasceu em Tarso, capital da Cilícia. Da tribo de Benjamim, era judeu de nação. Logo, ele recebeu também o título de cidadão romano. O seu pai pertencia à seita dos fariseus, ou seja, pertencia ao grupo dos judeus que exerciam a profissão de observar a lei e de seguir a moral mais severa.

Amor ao Estudo
Passou os primeiros anos de sua vida em Tarso, estudando as ciências gregas. Dotado de muito amor ao estudo, foi estudar na escola de Gamaliel, em Jerusalém, para aprofundar-se no conhecimento da lei, buscando colocá-la em prática.

O Cristianismo
Quando estudava, conheceu o Cristianismo, que era tido como um seita na época. Tornou-se, então, um grande inimigo dessa religião e dos seguidores dessa. Tanto que a Palavra de Deus testemunha que, na morte de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja, ele fez questão de segurar as capas daqueles que o apedrejaram, como uma atitude de aprovação.

Conversão de São Paulo, um exemplo para refletir

Determinado a destruir o Cristianismo
Autorizado a buscar e identificar os cristãos, prendia-os, enfim, acabava com o Cristianismo. O intrigante é que São Paulo pensava estar agradando a Deus. Ele fazia seu trabalho por zelo, mas, de maneira violenta, sem discernimento. Era um fariseu que buscava a verdade, mas fechado à Verdade Encarnada.

Da Ira à Conversão
Sua ira contra os cristãos crescia à medida dos bons resultados. Obteve do sumo sacerdote, Caifás, poderes discricionários para pesquisar a vida de todos os cristãos e de os castigar. São Paulo entrava nas sinagogas, açoitava aqueles que acreditavam em Jesus e colocava em execução todos os meios para obrigar os cristãos a blasfemarem contra o santo nome de Cristo.

Testemunho
Encontramos, no capítulo 9, dos Atos dos Apóstolos, o testemunho: “Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos, a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem essa doutrina. Durante a viagem, estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’. Saulo então diz: ‘Quem és, Senhor?’. Respondeu Ele: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão’. Trêmulo e atônito, disse Saulo: ‘Senhor, que queres que eu faça?’ respondeu-lhe o Senhor: ‘Levanta-te, entra na cidade, aí te será dito o que deves fazer’”.

Pelas águas do Batismo, torna-se Paulo

O Batismo
O batismo de Saulo é apresentado por Ananias, um cristão comum, mas dócil ao Espírito Santo. Apareceu-lhe o Senhor em visão e disse-lhe: “Levanta-te, e vai à rua que se chama Direita, e procura em casa de Judas a um chamado Saulo de Tarso, porque ele está ali orando”. Procurando Saulo no local indicado, colocou as mãos sobre ele, dizendo: “Saulo, o Senhor Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que recebas a visita e sejas cheio do Espírito Santo”. Saulo levantou-se cheio de alegria. Ananias declarou-lhe o que o Senhor lhe tinha dado a entender a respeito de sua vocação e o batizou (cf. At 9).

A Festa
A festa litúrgica da conversão de São Paulo, própria da Igreja latina, apareceu no século VI. A comemoração do dia 25 de janeiro tem o intuito de considerar as várias facetas do Apóstolo por excelência. Pertence a Jesus desde o momento em que, no caminho para Damasco, foi vencido pelo amor de Cristo e transformou-se no maior Apóstolo do Evangelho.

Minha oração

“Na conversão de Paulo, percebemos que perseguir a Igreja é perseguir o próprio Cristo, por isso, rogamos a conversão e mudança daqueles que hoje procuram fazer o mal para os cristãos. Que, nessa inimizade, surja as maiores graças de transformação de vida. Amém.”

São Paulo, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados em 25 de janeiro