Dom Evaristo Spengler realiza visita pastoral à Diocese de São Mateus, no Espírito Santo

O bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Spengler, está em visita à Diocese de São Mateus, no Espírito Santo. A programação inclui encontros, celebrações, visitas a paróquias e a participação na 22ª Assembleia Geral Diocesana, realizada entre os dias 24 e 26 de julho de 2026.

A assembleia reúne representantes da igreja local para um momento de avaliação da caminhada pastoral e definição das prioridades para a ação evangelizadora da Diocese de São Mateus.

Durante a visita, Dom Evaristo também conhece os trabalhos sociais desenvolvidos pela Igreja, incluindo as ações da Cáritas Diocesana, além de fortalecer os laços de comunhão e partilha entre as dioceses de Roraima e São Mateus.

Foto: Divulgação

Dom Evaristo explicou que a visita faz parte de um momento de aproximação com a diocese irmã e destacou a acolhida recebida durante a programação.

“Estou fazendo uma visita à nossa diocese irmã de São Mateus, que a partir de sexta-feira terá a sua assembleia, da qual também irei participar. Durante esses dias, terça, quarta, quinta e sexta-feira, estarei conhecendo as paróquias e os trabalhos sociais”, afirmou Dom Evaristo.

O bispo contou ainda que foi acolhido por Dom Paulo Dal’bó, bispo da Diocese de São Mateus, e acompanhado pelo padre João Batista, que já esteve em visita à Diocese de Roraima.

“Conhecemos algumas paróquias, o trabalho da Cáritas Diocesana, visitamos o bispo emérito e, à noite, participamos de uma missa solene com grande participação do povo, na paróquia Nossa Senhora de Fátima”, relatou.

Dom Evaristo também ressaltou a relação de oração e fraternidade entre as duas dioceses.

“Aqui todos rezam pela Diocese de Roraima, e nós, Diocese de Roraima, continuaremos a rezar por esta Diocese de São Mateus, de modo especial agora pela sua assembleia diocesana, em que vamos fazer a sua avaliação e tirar as prioridades para a sua ação evangelizadora”, destacou.

A visita reforça os laços de comunhão entre as dioceses e promove a troca de experiências entre as comunidades, fortalecendo a missão da Igreja na evangelização e nos trabalhos sociais.

Igreja Católica celebra nesta quarta-feira (22) Santa Maria Madalena, a “Apóstola dos Apóstolos”

Santa Maria Madalena – Foto: Daniela Silva

Discípula de Jesus é reconhecida como a primeira testemunha da ressurreição de Cristo.

O Dia de Santa Maria Madalena é celebrado nesta quarta-feira, 22 de julho. Na Igreja Católica, a data marca a festa litúrgica da santa, reconhecida como a primeira testemunha da ressurreição de Jesus Cristo e como a “Apóstola dos Apóstolos”.

Maria Madalena foi uma discípula de Jesus Cristo e aparece em diferentes passagens dos Evangelhos. Ela acompanhou Jesus até a cruz e também esteve presente no sepulcro. Segundo o padre Luiz Botteon, reitor do Santuário Nossa Senhora Aparecida, Maria Madalena passou a seguir Jesus e também colaborou com o anúncio do Evangelho.

“para nós cristãos, Maria Madalena é um sinal da discípula de Jesus. Alguém que deixa o passado para trás e segue a proposta de Jesus. E vai com ele, perseverando, até a cruz.”

De acordo com o Evangelho de João, Maria Madalena foi ao sepulcro e encontrou a pedra removida. Depois, ela teria sido a primeira pessoa a ver Jesus ressuscitado e a receber a missão de anunciar aos apóstolos que Ele estava vivo.

O padre Luiz Botteon destaca a importância desse momento na história de Maria Madalena:

“ela tem a graça de ser a primeira mulher a descobrir que Jesus está ressuscitado. Ele aparece para Madalena, dizendo, ‘eu estou vivo, conte para os meus irmãos que eu ressuscitei’.”

Por ter sido a primeira a testemunhar a ressurreição e a anunciar a notícia aos discípulos, Maria Madalena recebe o título de “Apóstola dos Apóstolos”.

A festa litúrgica de Maria Madalena foi elevada à categoria de festa pelo Papa Francisco em 2016, durante o Jubileu da Misericórdia. A decisão buscou ressaltar a importância da discípula na evangelização e como testemunha da ressurreição de Cristo.

Para o padre Luiz Botteon, a mensagem deixada por Maria Madalena continua atual e também representa um chamado para que os cristãos anunciem a fé.

Maria Madalena é celebrada pela Igreja Católica como exemplo de fé, perseverança e compromisso com o anúncio do Evangelho. Sua história também reforça a mensagem central do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo.

Texto: Lauany Gonçalves
Foto: Revista Arautos

Papa entregará em outubro a primeira “Medalha Leão XIV para a Sustentabilidade”

A Universidade Villanova e seu Setor para a Sustentabilidade instituíram a Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade, uma nova honraria internacional destinada a reconhecer pessoas cuja liderança tenha promovido a sustentabilidade, a responsabilidade ecológica e o desenvolvimento humano integral. Segundo explicam os idealizadores em um comunicado, a Medalha pretende homenagear “aqueles cujo trabalho demonstra uma visão holística da sustentabilidade, integrando o cuidado com o meio ambiente, a justiça social, a atenção às populações vulneráveis e a gestão responsável dos recursos econômicos e naturais”. Diferentemente dos prêmios de caráter secular, a distinção considera a ecologia integral como um compromisso ético de cuidar dos marginalizados, aproximando o rigor científico da convicção moral. Os agraciados poderão ser provenientes de qualquer área ou disciplina e serão escolhidos com base no impacto concreto de sua atuação na promoção de um mundo mais sustentável e justo.

A Medalha será entregue pelo Papa em Castel Gandolfo, em outubro

A primeira Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade será entregue pelo Papa Leão XIV, em Castel Gandolfo, durante a Conferência Internacional sobre Sustentabilidade da Universidade Villanova, que terá como tema “Responder ao clamor da terra e dos pobres” e será realizada de 12 a 15 de outubro de 2026. A Conferência reunirá cerca de 300 participantes — entre acadêmicos, pesquisadores, representantes da Igreja, fundações e líderes dos setores público e privado — em um fórum transdisciplinar concebido para transformar o diálogo em ações concretas e colaborativas. O vencedor da primeira edição da Medalha será anunciado em setembro de 2026, antes da Conferência e da cerimônia oficial de premiação, que acontecerá no Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo.

Um prêmio para promover a proteção ambiental e o bem comum

“A Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade reflete uma convicção profundamente enraizada na Universidade Villanova: a de que o cuidado com a nossa casa comum e o cuidado mútuo são inseparáveis”, afirmou o reitor da Universidade Villanova, padre Peter M. Donohue. “Ao reconhecer líderes cujo trabalho promove tanto a proteção ambiental quanto o bem comum, esperamos inspirar um impacto significativo e duradouro em comunidades de todo o mundo”, acrescentou.

A Universidade Villanova e Robert Prevost

A Universidade Villanova, instituição católica agostiniana, mantém um vínculo especial com o Pontífice. O Papa Leão XIV, então Robert Prevost, concluiu a graduação em Matemática na Universidade Villanova em 1977 e, posteriormente, recebeu da instituição o título de doutor honoris causa em Humanidades, em 2014. A Medalha foi instituída como uma honraria permanente, concedida a cada dois anos pela Universidade Villanova, destacando o compromisso contínuo da instituição com a promoção de iniciativas globais de sustentabilidade e o fortalecimento da ecologia integral. A entrega ocorrerá no âmbito da programação oficial da Conferência Internacional sobre Sustentabilidade da Universidade Villanova.

O comitê de seleção dos candidatos

Para a primeira edição do Prêmio, em 2026, os candidatos foram avaliados por um comitê de seleção composto por membros do Conselho de Liderança em Sustentabilidade da Universidade, após um rigoroso processo de análise baseado em critérios multidimensionais de sustentabilidade. A criação da Medalha ocorre em um momento de crescente conscientização sobre a profunda interdependência entre os desafios ambientais e sociais. O prêmio expressa uma visão de sustentabilidade que vai além da simples proteção do meio ambiente, abrangendo também a busca mais ampla pelo bem-estar humano, pela justiça social e pela responsabilidade de longo prazo para com as futuras gerações.

A Conferência Internacional sobre Sustentabilidade

A Conferência Internacional sobre Sustentabilidade de 2026 será realizada entre o Patristicum, em Roma, e o Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo. A realização do encontro em Roma o coloca no centro da doutrina social da Igreja e valoriza os vínculos institucionais exclusivos da Universidade Villanova com a Ordem de Santo Agostinho e com o Vaticano, unindo a ciência ambiental à liderança moral em nível global. A Conferência está sendo desenvolvida em diálogo com diversos parceiros institucionais, entre eles o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e conta com o apoio do Centro de Alta Formação Laudato Si’, instituição vaticana fundada pelo Papa Francisco para promover a formação em ecologia integral, a educação para a sustentabilidade e iniciativas inspiradas na encíclica Laudato si’.

Baggio: por uma ecologia que responda ao clamor da terra e dos pobres

O cardeal Fabio Baggio, diretor-geral do Centro de Alta Formação Laudato Si’, acolheu com satisfação a iniciativa e explicou que: “A Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade homenageia pessoas cujas vidas testemunham o vínculo inseparável entre o cuidado da criação e a promoção da dignidade humana, enraizados na luz da nossa fé. Ao reconhecer esse compromisso extraordinário, a Medalha celebra líderes cujo exemplo inspira as futuras gerações a abraçar uma ecologia integral que responda, com esperança, tanto ao clamor da Terra quanto ao clamor dos pobres”.

Uma Conferência que convida pesquisadores a promover novas perspectivas

Inspirada no magistério do Papa Francisco, especialmente nas encíclicas Laudato si’ e Laudate Deum, bem como nos ensinamentos do Papa Leão XIV, em particular no apelo da Dilexi Te em favor do cuidado dos pobres e dos marginalizados, a Conferência Internacional sobre Sustentabilidade de 2026 concentra sua atenção na crescente convergência entre a degradação ecológica e a desigualdade social. Seu objetivo é enfrentar essa crise convidando pesquisadores que promovam novas perspectivas sobre a sustentabilidade nas ciências, na filosofia, na enfermagem, no direito, na economia, na engenharia, nas ciências humanas e em diversas outras áreas do conhecimento.

CNBB prevê Fundo Nacional para patrimônio da Igreja Católica

Na coletiva de imprensa realizada na 62ª Assembleia Geral da CNBB, os Bispos abordaram três temas. Leia a matéria completa e confira!

Na manhã desta ultima quinta-feira (23), durante a sétima coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da CNBB, os assuntos em pauta abordados pelos Bispos foram: o 19° Congresso Eucarístico Nacional, o 7° Congresso Americano Missionário (CAM7) e a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.

19º Congresso Eucarístico Nacional

Segundo Dom João Justino de Medeiros Silvaarcebispo de Goiânia, o 19º Congresso Eucarístico Nacional será realizado em Goiânia (GO), entre os dias 3 e 7 de setembro de 2027.  De acordo com o arcebispo, durante a Assembleia Geral da CNBB, os Bispos receberam o convite oficial para o evento, acompanhado do texto-base, que reúne informações e orientações para motivar a participação em todo o país.

O tema escolhido para o Congresso foi “Hóstias vivas no mundo para a glória do Pai”, inspirado na Carta de São Paulo aos Romanos (capítulo 12), na qual o apóstolo exorta os fiéis a se tornarem “hóstias vivas”. De acordo com Dom João, o evento contará com dois formatos de atividades: conferências maiores, destinadas a todos os participantes, e conferências menores, realizadas em grupos reduzidos, favorecendo maior aprofundamento e partilha.

A partir desta inspiração do tema, nós organizamos também o Simpósio Teológico que acontecerá durante o Congresso, simpósio composto por conferências maiores e menores. Maior no sentido de que será para todos os participantes do Simpósio e depois as conferências em grupos menores”, relatou.

Dessa forma, o arcebispo de Goiânia destacou que o Congresso contará com a participação de diversos Bispos. Entre as participações, a expectativa é alta, pois uma das novidades é o convite feito ao Papa Leão XIV para que ele participe do evento:

“A Presidência da CNBB fez o convite oficial, lembrando ao Papa que, em 1980, na primeira visita do Papa São João Paulo II ao Brasil, ele concluiu o Congresso Eucarístico de Fortaleza, voltou em 1991 e concluiu o Congresso Eucarístico de Natal. Isso nos dá uma chama de esperança para que ele se interesse em estar conosco”, contou.

Dom João concluiu ao afirmar que o sentimento é de felicidade pelas inscrições realizadas com mais de 100 bispos, os quais confirmaram presença no Congresso.

Rian TorresRian TorresBispos durante a coletiva de imprensa da Assembleia Geral da CNBB

Congresso Americano Missionário

Outro tema discutido durante a coletiva de imprensa foi o lançamento do Congresso Americano Missionário, que será realizado no ano de 2029, no Brasil. Dom Maurício da Silva JardimBispo de Rondonópolis Guiratinga (MT) e presidente da Comissão do CAM7, falou sobre o processo de preparação que está sendo lançado na Assembleia Geral da CNBB. Em consonância com o tema, o bispo disse que: “uma fé madura é sempre uma fé missionária”.

De acordo com Dom Maurício, essa fé leva cada um a sair de si mesmo e a se tornar uma Igreja em saída. Ao contextualizar o continente americano, o Bispo destacou a tradição dos 50 anos da realização de Congressos Missionários Americanos:

“O primeiro Congresso Missionário Latino-Americano aconteceu na cidade do México, em 1977. O quinto aconteceu na nossa Igreja no Brasil em 1995, na Arquidiocese de Belo Horizonte, com o tema: Vinde, vede e anunciai”, abordou.

7° Congresso Americano Missionário será realizado na Arquidiocese de Curitiba (PR) de 14 a 18 de novembro de 2029. Para Dom Maurício, a natureza desses Congressos Missionários é sempre de animação missionária e cooperação Missionária da IgrejaAnimar as igrejas locais, nossas Arquidioceses, Dioceses e prelazias, para um grande impulso missionário”, afirmou.

Sendo assim, o presidente da Comissão do CAM7 enfatizou que cada Congresso tem como objetivo impulsionar as Igrejas locais para um novo ardor Missionário e isso se dá  por meio de um processo de preparação.

Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país

Por fim, Dom Gregório Paixãoarcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal de Cultura e Educação da CNBB, comunicou sobre a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.

Nas palavras de Dom Gregório, mais de 50% dos patrimônios tombados no Brasil pertencem à Igreja Católica. Sendo assim, precisam ser preservados, pois apresentam o risco de estar em perigo. Diante dos fatos apresentados no Brasil, o Ministério Público alertou a CNBB para que tenham o olhar mais “alargado” sobre o patrimônio cultural brasileiro, especificamente, o patrimônio cultural católico:

“Neste sentido, a nossa comissão também foi provocada pela CNBB para que pudéssemos encontrar possibilidades quanto à preservação, vendo não apenas as necessidades de uma ou outra Diocese, mas de todo o Brasil”, explicou.

O arcebispo de Fortaleza relatou que, dessa maneira, nasceu a necessidade de pensar em um Fundo Nacional para preservar estes patrimônios:

“Conseguimos unir o IPHAN com o Ministério Público, a Universidade Católica do Rio de Janeiro e diversos setores de várias instituições para que pudéssemos pensar um pouco sobre o que é que nós desejamos”, pontuou.

Ao concluir seu discurso, Dom Gregório encerrou ao dizer que esta temática será apresentada diante de toda Assembleia dos Bispos, a fim de que tenham a possibilidade de captar com toda a vigilância brasileira e orientar melhor as dioceses, para que possam cuidar desses patrimônios que pertencem a todos os brasileiros e à Igreja Católica

Rian Torres

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Bispos aprovam projeto para criação de Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil

Foi aprovado na sessão desta tarde, 22 de abril, da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Bispos do Brasil (CNBB), o projeto Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil, que reúne um portal de dados da Igreja do Brasil e um sistema de dados para as chancelarias das dioceses.

A plataforma é um repositório de dados coletados e validados juntos às dioceses que reunirá todos os dados referentes à Igreja, como informações sobre bispos, dioceses, padres, diáconos, regionais e históricos. Junto com a plataforma de dados, estará disponível um portal para consulta dos dados públicos por toda sociedade.

O projeto já foi apresentado e validados pelo Conselho Permanente da CNBB e aplicado em 20 dioceses piloto do Brasil, com realidades e níveis de organização diferentes. Segundo dom Ricardo, as principais características é que a gestão dos dados será feito integralmente pela CNBB em uma base única e segura que hoje depende de terceiros.

Equipe responsável pelo CDIC. | Fotos: Marketing Edições CNBB.

 

Sessão Solene pelo bicentenário das relações Brasil Santa Sé

Nesta tarde, os bispos também tiveram uma Sessão Solene de Comemoração do Bicentenário de Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A sessão teve a participação do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, representante diplomático da Santa Sé no país; do arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e do arcebispo de Brasília e presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil-Santa Sé, dom Paulo Cezar Costa.


Em sua fala, o núncio destacou que o bicentenário das relações entre Brasil e Santa Sé remetem a uma trajetória singular e profunda, com benefícios para os dois Estados. “Tanto em termos morais quanto nos mais complexos, essa relação reconheceu-se como um elemento de grande relevância para ambas as partes. E isso não apenas no plano, diplomático, mas também sob o ponto de vista humano, cultural, moral e eclesial”, falou o núncio.

Segundo o núncio, o Brasil representa para a Igreja uma realidade humana e espiritual ampla e densa, ao mesmo tempo que a Igreja representou e continua representando para o Brasil uma “força decisiva da inclusão moral, da elevação espiritual, da promoção da dignidade humana e do amadurecimento”, falou dom Giambattista. “Ao olhar para esse caminho secular, somos convidados a ver o passado com gratidão, o presente com responsabilidade e o futuro com confiança e angústia”, concluiu o núncio.

Dom Jaime falou aos bispos que, ao celebrarem o bicentenário das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, eles são convidados a discernir com responsabilidade os passos que virão pela frente, entre eles a recepção e implementação do acordo nas Igrejas particulares.

O acordo é uma conquista importante que, segundo dom Jaime, traz benefícios não só para a Igreja, mas para toda sociedade. “Quando a assistência religiosa é assegurada em hospitais, presídios e quartéis, protege-se o direito fundamental da pessoa humana. Quando o patrimônio cultural da Igreja é preservado, resguarda-se uma parte essencial da memória nacional. Quando as instituições católicas de ensino atuam com liberdade e responsabilidade, toda a sociedade se beneficia de sua contribuição educativa. E quando a Igreja pode desenvolver suas obras sociais, pastorais e assistenciais com estabilidade jurídica, amplia-se sua capacidade de servir aos mais pobres e vulneráveis”, finalizou o presidente da CNBB.

Liberdade religiosa

Dom Paulo ainda destacou que o acordo Brasil Santa Sé salvaguarda a liberdade religiosa, tão cara à Igreja Católica e, consequentemente, o pleno reconhecimento da liberdade religiosa. “O acordo consagra a verdadeira laicidade do Estado, onde a diversidade religiosa presente no povo é respeitada.”

Citando o texto do acordo que os bispos receberam durante a sessão, dom Paulo explicou que através dele, o Estado brasileiro se mostra parceiro da Igreja Católica. “A sociedade brasileira seguramente seria mais pobre sem a presença e atuação da Igreja”, finalizou dom Paulo.

Fotos: Jaison Alves – Comunicação 62ª AG CNBB.

 FONTE/CRÉDITOS: Por Juliana Mastelini

Papa: como pastor, não posso ser a favor da guerra

“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.

“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé.”

Papa interage com os jornalistas (@Vatican Media)
Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?

Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia “Bem-vindo, Papa Leão”. Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.

Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?

O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.

E as próximas viagens?

Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.

O Papa respondeu a cinco perguntas (@Vatican Media)
Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?

Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.

Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?

Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.

Anneliese Taggart (Newsmax TV – USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?

Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas desde a concepção até a morte natural deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.

Presidência CNBB: solidariedade ao povo venezuelano

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma carta à Presidência da Conferência Episcopal Venezuelana

Na mensagem, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja com a defesa da dignidade humana, da paz, do diálogo e do bem comum, e asseguram orações pela missão pastoral da Igreja na Venezuela e por todo o seu povo.

Estimados irmãos no episcopado,

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil deseja manifestar sua profunda comunhão fraterna com a Igreja que peregrina na Venezuela, neste momento marcado por tensões, sofrimentos e incertezas que atingem o povo venezuelano.

Unimo-nos espiritualmente às vossas orações e iniciativas pastorais, expressando nossa solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas. Como pastores da Igreja na América Latina, partilhamos a dor do povo que sofre e renovamos nossa esperança na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante.

Reafirmamos, com convicção, que o diálogo sincero, iluminado pela verdade, pela justiça, pelo respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das Nações, é o único caminho capaz de promover o bem comum, fortalecer a democracia e construir uma convivência social marcada pela reconciliação e pela paz duradoura.

Que o Espírito Santo continue a sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza a todos, e conduzindo o povo venezuelano pelos caminhos da unidade e da esperança. Que Nossa Senhora de Coromoto interceda por todo o povo venezuelano.

Saudações em Cristo,

Dom Jaime Cardeal Spengler

Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS

Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia -GO

1 º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa

Arcebispo da Arquidiocese De Olinda e Recife – PE

2° Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF

Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

São Leão Magno, o 45º Papa da Igreja Católica

Origens 

São Leão Magno é natural da Toscana, tornou-se diácono da Igreja de Roma por volta do ano 430. Dez anos depois, Leão foi enviado pela imperatriz Plácida para pacificar a Gália, disputada pelo general Aécio e o prefeito pretoriano Albino. Após alguns meses, faleceu o Papa Sisto III. Leão, seu conselheiro, foi o Sucessor. Sua consagração como Pontífice – o 45º da história – ocorreu em 29 de setembro de 440.

Convenceu Átila a mudar de ideia
No ano 452 d.C., a península italiana tremia diante dos Hunos, liderados por Átila. Grande parte do norte já havia caído nas garras do invasor. As cidades de Aquileia, Pádua e Milão tinham sido conquistadas, saqueadas e arrasadas. Átila avançava na sua contínua corrida e se encontrava perto de Mântua, no rio Mincio. Ali, a história se detém e se forma. Leão Magno, eleito Papa doze anos antes, guiou uma delegação de Roma para se encontrar com Átila, o qual dissuadiu a continuar a guerra de invasão. A lenda – retomada depois por Raphael, nos afrescos das “Salas do Vaticano” – narra que o líder dos hunos se retirou após ter visto aparecer, atrás de Leão, os Apóstolos Pedro e Paulo, armados de espadas.

Impediu a cidade de ser incendiada
Três anos depois, em 455, foi ainda o “Papa Magno”, embora desarmado, a deter, às portas de Roma, os Vândalos da África, guiados pelo rei Genserico. Graças à sua intervenção, a cidade foi saqueada, mas não incendiada. Permaneceram intactas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo fora dos Muros e de São João em Latrão. Nas Basílicas, a população encontrou abrigo e se salvou.

São Leão Magno: defendeu a Doutrina da Igreja 

Defesa da Doutrina
A vida de Leão, porém, não consistiu apenas no seu compromisso com a paz, que levou adiante com coragem e sem cessar. O Pontífice dedicou-se muito também à defesa da doutrina. Foi ele que, de fato, inspirou o Concílio Ecumênico de Calcedônia – atual Kadiköy, na Turquia; que reconheceu e afirmou a unidade das duas naturezas em Cristo: humana e divina; rejeitou a “heresia de Eutiques”, que negava a essência humana do Filho de Deus. A intervenção de Leão no Concílio foi feita através de um texto doutrinal fundamental: o “Tomo de Leão” contra Flaviano, bispo de Constantinopla. O documento foi lido publicamente aos 350 padres conciliares, que o acolheram por aclamação, afirmando: “Pedro falou pela boca de Leão, que ensinou segundo a piedade e a verdade”.

Escritos
Sustentador e promotor da primazia de Roma, o “Pontífice Magno” deixou para a história quase 100 sermões e cerca de 150 cartas, nos quais demonstra ser teólogo e pastor, zeloso com a comunhão entre as várias Igrejas, sem jamais esquecer as necessidades dos fiéis. Foi para eles que incentivou as obras de caridade em uma Roma dominada pela escassez e pobreza, pelas injustiças e superstições pagãs; colocou em prática todas as ações necessárias para manter constantemente a justiça e “oferecer amorosamente a clemência, porque sem Cristo nada podemos fazer, mas com Ele tudo é possível”.

O Primeiro sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”

Pontificado
Seu Pontificado, que durou 21 anos, colecionou várias primazias: foi o primeiro Bispo de Roma a ser chamado Leão. O primeiro sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”. O primeiro Papa, que por sua pregação, foi também um dos dois únicos Papas – o outro foi Gregório Magno – a receber, em 1754, por desejo do Papa Bento XIV, o título de “Doutor da Igreja”.

Páscoa
A morte de Leão Magno ocorreu em 10 de novembro de 461. Segundo alguns historiadores, ele foi também o primeiro Papa a ser sepultado na Basílica Vaticana. Suas relíquias, ainda hoje, são conservadas na Capela de Nossa Senhora do Pilar, na Basílica de São Pedro.

Oração contra o desânimo (composta por São Leão Magno):

Não desista nunca: nem quando o cansaço se fizer sentir, nem quando os teus pés tropeçarem, nem quando os teus olhos arderem, nem quando os teus esforços forem ignorados, nem quando a desilusão te abater, nem quando o erro te desencorajar, nem quando a traição te ferir, nem quando o sucesso te abandonar, nem quando a ingratidão te desconcertar, nem quando a incompreensão te rodear, nem quando a fadiga te prostrar, nem quando tudo tenha o aspecto do nada, nem quando o peso do pecado te esmagar. Invoque sempre a Deus, junte as mãos, reze, sorria… E recomece!

Minha oração

“Doutor nas ciências de Cristo, sábio no conhecimento do Mestre dos mestres, sejamos vossos discípulos e nos tornemos grandes conhecedores de Deus. Que quanto mais O conhecemos, mais O amemos e adoremos, O exaltemos acima de tudo! Amém.”

São Leão Magno, rogai por nós!

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da infância espiritual

Origens

Santa Teresinha do Menino Jesus nasceu em Alençon (França), no dia 02 de janeiro de 1873. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos e 271 dias. Nascida em uma família de ótimas condições financeiras e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula, Teresa; quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa, que também se tornaram freiras (Maria, Paulina, Leônia e Celina). 

Amadurecimento na dor

À primeira vista, parece que Teresinha foi santa desde a sua infância, porém, sua história revela um caminho de amadurecimento à custa de muitos sofrimentos, como por exemplo, a perda de sua mãe quando tinha 4 anos e 8 meses por conta do câncer; a ida de suas irmãs para o Carmelo; separar-se de seu pai e vê-lo sofrer de problemas psiquiátricos; por fim, a tuberculose e outros problemas de enfermidade nos seus últimos anos de vida. Tudo isso levou essa mulher a oferecer-se em holocausto à Misericórdia Divina, dia após dia de sua vida, com muita simplicidade e pequenez.

“Não quero ser santa pela metade, escolho tudo.”

Nossa Senhora do sorriso

Depois da morte de sua mãe, a menina desenvolveu uma grande sensibilidade. Ela se achava sempre entristecida e abatida, chorava muito. Porém, aos 10 anos, ela fez uma experiência com Nossa Senhora que ficou em sua vida: “No dia 13 de maio de 1883, festa de Pentecostes, do meu leito, virei meu olhar para a imagem de Maria e, de repente, a imagem pareceu-me bonita, tão bonita que nunca tinha visto nada semelhante. Seu rosto exalava uma bondade e ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o sorriso encantador da Santíssima Virgem. Todas as minhas penas se foram naquele momento, e lágrimas escorreram de meus olhos, de pura alegria. Pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, foi por causa das orações que eu tive a graça do sorriso da Rainha do Céu” (História de uma alma).

Do Menino Jesus…

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez uma profunda experiência com o Natal, tendo o Menino Jesus como doador de uma “total conversão”, aos seus 13 anos de idade, no ano de 1883. Depois disso, sua vida foi transformada e ela começou a dar grandes passos na vida espiritual. Esse fato foi tão importante, a ponto de levá-la a assumir o nome de Teresinha do Menino Jesus.

Entrada no Mosteiro das Carmelitas

Com a autorização do Papa Leão XIII, Santa Teresinha do Menino Jesus pôde entrar no Mosteiro das Carmelitas, em Lisieux, com apenas 15 anos de idade. Ao entrar no Carmelo, dedicou-se a rezar pela conversão das almas e pelos sacerdotes. Porém, trazia em seu coração o grande desejo de ser missionária, queria anunciar o evangelho aos cinco continentes do mundo. Até que descobriu no amor um caminho de perfeição: “no coração da Igreja, serei o amor. Assim, serei tudo, e nada impossibilitará meu sonho de tornar-se realidade” (História de uma alma). Logo após a sua morte, seria colocada como padroeira universal das missões católicas pelo Papa Pio XI.

A infância espiritual

Através do amor, desenvolveu a infância espiritual ou pequena via. Essa consiste na extrema confiança em um Deus que é Pai, o que foi consequência do seu relacionamento com seu pai Luís. Ele levou sua filha a olhar a Deus como um pai bondoso, amoroso e misericordioso. Por isso, Santa Teresinha do Menino Jesus pôde confiar e se lançar sem reservas nos braços d’Aquele que a leva como um elevador através de sua graça. Esse relacionamento filial gerou um transbordar de caridade, generosidade e gratuidade por parte da santa que desembocou na vivência com suas irmãs religiosas. 

Santa Teresinha do Menino Jesus: extrema humildade

Em sua extrema humildade, acreditava que o caminho era ser como criança diante de Deus, assim buscava sempre rebaixar-se na vida fraterna e amar sem reservas. Tudo isso levou-a a renovar a espiritualidade carmelita de João da Cruz (Doutor do “tudo ou nada”), vendo nessa caridade gratuita o caminho perfeito. “No crepúsculo desta vida, aparecerei diante de vós (Deus) com as mãos vazias” (História de uma alma), ou seja, nem apresentar méritos ou obras, simplesmente confiando no amor gratuito de Deus, que é Pai e nos salva (Cf. 1 Jo 4, 17). Essa experiência fez com que o Papa João Paulo II a proclamasse doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997.

Páscoa

Em seu leito de morte, com apenas 24 anos, Santa Teresinha do Menino Jesus, disse suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”. Após a sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos que se tornaram mundialmente reconhecidos. Assim realizou a sua promessa de espalhar uma chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. Sua beatificação aconteceu em 1923; e foi canonizada por Pio XI em 1925, que a chamava de “uma palavra de Deus”.

Oração:

“Meu Deus, ofereço-vos todas as ações que farei hoje, nas intenções e para a glória do Sagrado Coração de Jesus. Quero santificar as batidas do meu coração, meus pensamentos e obras mais simples, unindo-os aos seus méritos infinitos, e reparar minhas faltas, lançando-as na Fornalha de seu Amor Misericordioso. Oh, meu Deus! Peço-vos para mim e para aqueles que me são caros a graça de cumprir perfeitamente vossa santa vontade, de aceitar por vosso amor as alegrias e as penas desta vida passageira, para que estejamos um dia reunidos no Céu, por toda a eternidade. Assim seja.” (Obras completas de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, Oração 10).

Minha oração

“ Ó querida santinha da simplicidade e da infância, ensinai-nos a amar Jesus em nosso cotidiano, naquilo que é mais simples e ordinário. Ajudai-nos, também, a viver a vida com toda a gratuidade que é própria do amor. Pela tua intercessão, seremos o amor na Igreja. Amém!”