CNBB prevê Fundo Nacional para patrimônio da Igreja Católica

Na coletiva de imprensa realizada na 62ª Assembleia Geral da CNBB, os Bispos abordaram três temas. Leia a matéria completa e confira!

Na manhã desta ultima quinta-feira (23), durante a sétima coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da CNBB, os assuntos em pauta abordados pelos Bispos foram: o 19° Congresso Eucarístico Nacional, o 7° Congresso Americano Missionário (CAM7) e a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.

19º Congresso Eucarístico Nacional

Segundo Dom João Justino de Medeiros Silvaarcebispo de Goiânia, o 19º Congresso Eucarístico Nacional será realizado em Goiânia (GO), entre os dias 3 e 7 de setembro de 2027.  De acordo com o arcebispo, durante a Assembleia Geral da CNBB, os Bispos receberam o convite oficial para o evento, acompanhado do texto-base, que reúne informações e orientações para motivar a participação em todo o país.

O tema escolhido para o Congresso foi “Hóstias vivas no mundo para a glória do Pai”, inspirado na Carta de São Paulo aos Romanos (capítulo 12), na qual o apóstolo exorta os fiéis a se tornarem “hóstias vivas”. De acordo com Dom João, o evento contará com dois formatos de atividades: conferências maiores, destinadas a todos os participantes, e conferências menores, realizadas em grupos reduzidos, favorecendo maior aprofundamento e partilha.

A partir desta inspiração do tema, nós organizamos também o Simpósio Teológico que acontecerá durante o Congresso, simpósio composto por conferências maiores e menores. Maior no sentido de que será para todos os participantes do Simpósio e depois as conferências em grupos menores”, relatou.

Dessa forma, o arcebispo de Goiânia destacou que o Congresso contará com a participação de diversos Bispos. Entre as participações, a expectativa é alta, pois uma das novidades é o convite feito ao Papa Leão XIV para que ele participe do evento:

“A Presidência da CNBB fez o convite oficial, lembrando ao Papa que, em 1980, na primeira visita do Papa São João Paulo II ao Brasil, ele concluiu o Congresso Eucarístico de Fortaleza, voltou em 1991 e concluiu o Congresso Eucarístico de Natal. Isso nos dá uma chama de esperança para que ele se interesse em estar conosco”, contou.

Dom João concluiu ao afirmar que o sentimento é de felicidade pelas inscrições realizadas com mais de 100 bispos, os quais confirmaram presença no Congresso.

Rian TorresRian TorresBispos durante a coletiva de imprensa da Assembleia Geral da CNBB

Congresso Americano Missionário

Outro tema discutido durante a coletiva de imprensa foi o lançamento do Congresso Americano Missionário, que será realizado no ano de 2029, no Brasil. Dom Maurício da Silva JardimBispo de Rondonópolis Guiratinga (MT) e presidente da Comissão do CAM7, falou sobre o processo de preparação que está sendo lançado na Assembleia Geral da CNBB. Em consonância com o tema, o bispo disse que: “uma fé madura é sempre uma fé missionária”.

De acordo com Dom Maurício, essa fé leva cada um a sair de si mesmo e a se tornar uma Igreja em saída. Ao contextualizar o continente americano, o Bispo destacou a tradição dos 50 anos da realização de Congressos Missionários Americanos:

“O primeiro Congresso Missionário Latino-Americano aconteceu na cidade do México, em 1977. O quinto aconteceu na nossa Igreja no Brasil em 1995, na Arquidiocese de Belo Horizonte, com o tema: Vinde, vede e anunciai”, abordou.

7° Congresso Americano Missionário será realizado na Arquidiocese de Curitiba (PR) de 14 a 18 de novembro de 2029. Para Dom Maurício, a natureza desses Congressos Missionários é sempre de animação missionária e cooperação Missionária da IgrejaAnimar as igrejas locais, nossas Arquidioceses, Dioceses e prelazias, para um grande impulso missionário”, afirmou.

Sendo assim, o presidente da Comissão do CAM7 enfatizou que cada Congresso tem como objetivo impulsionar as Igrejas locais para um novo ardor Missionário e isso se dá  por meio de um processo de preparação.

Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país

Por fim, Dom Gregório Paixãoarcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal de Cultura e Educação da CNBB, comunicou sobre a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.

Nas palavras de Dom Gregório, mais de 50% dos patrimônios tombados no Brasil pertencem à Igreja Católica. Sendo assim, precisam ser preservados, pois apresentam o risco de estar em perigo. Diante dos fatos apresentados no Brasil, o Ministério Público alertou a CNBB para que tenham o olhar mais “alargado” sobre o patrimônio cultural brasileiro, especificamente, o patrimônio cultural católico:

“Neste sentido, a nossa comissão também foi provocada pela CNBB para que pudéssemos encontrar possibilidades quanto à preservação, vendo não apenas as necessidades de uma ou outra Diocese, mas de todo o Brasil”, explicou.

O arcebispo de Fortaleza relatou que, dessa maneira, nasceu a necessidade de pensar em um Fundo Nacional para preservar estes patrimônios:

“Conseguimos unir o IPHAN com o Ministério Público, a Universidade Católica do Rio de Janeiro e diversos setores de várias instituições para que pudéssemos pensar um pouco sobre o que é que nós desejamos”, pontuou.

Ao concluir seu discurso, Dom Gregório encerrou ao dizer que esta temática será apresentada diante de toda Assembleia dos Bispos, a fim de que tenham a possibilidade de captar com toda a vigilância brasileira e orientar melhor as dioceses, para que possam cuidar desses patrimônios que pertencem a todos os brasileiros e à Igreja Católica

Rian Torres

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Bispos aprovam projeto para criação de Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil

Foi aprovado na sessão desta tarde, 22 de abril, da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Bispos do Brasil (CNBB), o projeto Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil, que reúne um portal de dados da Igreja do Brasil e um sistema de dados para as chancelarias das dioceses.

A plataforma é um repositório de dados coletados e validados juntos às dioceses que reunirá todos os dados referentes à Igreja, como informações sobre bispos, dioceses, padres, diáconos, regionais e históricos. Junto com a plataforma de dados, estará disponível um portal para consulta dos dados públicos por toda sociedade.

O projeto já foi apresentado e validados pelo Conselho Permanente da CNBB e aplicado em 20 dioceses piloto do Brasil, com realidades e níveis de organização diferentes. Segundo dom Ricardo, as principais características é que a gestão dos dados será feito integralmente pela CNBB em uma base única e segura que hoje depende de terceiros.

Equipe responsável pelo CDIC. | Fotos: Marketing Edições CNBB.

 

Sessão Solene pelo bicentenário das relações Brasil Santa Sé

Nesta tarde, os bispos também tiveram uma Sessão Solene de Comemoração do Bicentenário de Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A sessão teve a participação do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, representante diplomático da Santa Sé no país; do arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e do arcebispo de Brasília e presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil-Santa Sé, dom Paulo Cezar Costa.


Em sua fala, o núncio destacou que o bicentenário das relações entre Brasil e Santa Sé remetem a uma trajetória singular e profunda, com benefícios para os dois Estados. “Tanto em termos morais quanto nos mais complexos, essa relação reconheceu-se como um elemento de grande relevância para ambas as partes. E isso não apenas no plano, diplomático, mas também sob o ponto de vista humano, cultural, moral e eclesial”, falou o núncio.

Segundo o núncio, o Brasil representa para a Igreja uma realidade humana e espiritual ampla e densa, ao mesmo tempo que a Igreja representou e continua representando para o Brasil uma “força decisiva da inclusão moral, da elevação espiritual, da promoção da dignidade humana e do amadurecimento”, falou dom Giambattista. “Ao olhar para esse caminho secular, somos convidados a ver o passado com gratidão, o presente com responsabilidade e o futuro com confiança e angústia”, concluiu o núncio.

Dom Jaime falou aos bispos que, ao celebrarem o bicentenário das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, eles são convidados a discernir com responsabilidade os passos que virão pela frente, entre eles a recepção e implementação do acordo nas Igrejas particulares.

O acordo é uma conquista importante que, segundo dom Jaime, traz benefícios não só para a Igreja, mas para toda sociedade. “Quando a assistência religiosa é assegurada em hospitais, presídios e quartéis, protege-se o direito fundamental da pessoa humana. Quando o patrimônio cultural da Igreja é preservado, resguarda-se uma parte essencial da memória nacional. Quando as instituições católicas de ensino atuam com liberdade e responsabilidade, toda a sociedade se beneficia de sua contribuição educativa. E quando a Igreja pode desenvolver suas obras sociais, pastorais e assistenciais com estabilidade jurídica, amplia-se sua capacidade de servir aos mais pobres e vulneráveis”, finalizou o presidente da CNBB.

Liberdade religiosa

Dom Paulo ainda destacou que o acordo Brasil Santa Sé salvaguarda a liberdade religiosa, tão cara à Igreja Católica e, consequentemente, o pleno reconhecimento da liberdade religiosa. “O acordo consagra a verdadeira laicidade do Estado, onde a diversidade religiosa presente no povo é respeitada.”

Citando o texto do acordo que os bispos receberam durante a sessão, dom Paulo explicou que através dele, o Estado brasileiro se mostra parceiro da Igreja Católica. “A sociedade brasileira seguramente seria mais pobre sem a presença e atuação da Igreja”, finalizou dom Paulo.

Fotos: Jaison Alves – Comunicação 62ª AG CNBB.

 FONTE/CRÉDITOS: Por Juliana Mastelini

Papa: como pastor, não posso ser a favor da guerra

“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.

“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé.”

Papa interage com os jornalistas (@Vatican Media)
Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?

Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia “Bem-vindo, Papa Leão”. Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.

Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?

O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.

E as próximas viagens?

Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.

O Papa respondeu a cinco perguntas (@Vatican Media)
Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?

Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.

Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?

Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.

Anneliese Taggart (Newsmax TV – USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?

Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas desde a concepção até a morte natural deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.

Presidência CNBB: solidariedade ao povo venezuelano

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma carta à Presidência da Conferência Episcopal Venezuelana

Na mensagem, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja com a defesa da dignidade humana, da paz, do diálogo e do bem comum, e asseguram orações pela missão pastoral da Igreja na Venezuela e por todo o seu povo.

Estimados irmãos no episcopado,

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil deseja manifestar sua profunda comunhão fraterna com a Igreja que peregrina na Venezuela, neste momento marcado por tensões, sofrimentos e incertezas que atingem o povo venezuelano.

Unimo-nos espiritualmente às vossas orações e iniciativas pastorais, expressando nossa solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas. Como pastores da Igreja na América Latina, partilhamos a dor do povo que sofre e renovamos nossa esperança na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante.

Reafirmamos, com convicção, que o diálogo sincero, iluminado pela verdade, pela justiça, pelo respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das Nações, é o único caminho capaz de promover o bem comum, fortalecer a democracia e construir uma convivência social marcada pela reconciliação e pela paz duradoura.

Que o Espírito Santo continue a sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza a todos, e conduzindo o povo venezuelano pelos caminhos da unidade e da esperança. Que Nossa Senhora de Coromoto interceda por todo o povo venezuelano.

Saudações em Cristo,

Dom Jaime Cardeal Spengler

Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS

Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia -GO

1 º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa

Arcebispo da Arquidiocese De Olinda e Recife – PE

2° Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF

Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

São Leão Magno, o 45º Papa da Igreja Católica

Origens 

São Leão Magno é natural da Toscana, tornou-se diácono da Igreja de Roma por volta do ano 430. Dez anos depois, Leão foi enviado pela imperatriz Plácida para pacificar a Gália, disputada pelo general Aécio e o prefeito pretoriano Albino. Após alguns meses, faleceu o Papa Sisto III. Leão, seu conselheiro, foi o Sucessor. Sua consagração como Pontífice – o 45º da história – ocorreu em 29 de setembro de 440.

Convenceu Átila a mudar de ideia
No ano 452 d.C., a península italiana tremia diante dos Hunos, liderados por Átila. Grande parte do norte já havia caído nas garras do invasor. As cidades de Aquileia, Pádua e Milão tinham sido conquistadas, saqueadas e arrasadas. Átila avançava na sua contínua corrida e se encontrava perto de Mântua, no rio Mincio. Ali, a história se detém e se forma. Leão Magno, eleito Papa doze anos antes, guiou uma delegação de Roma para se encontrar com Átila, o qual dissuadiu a continuar a guerra de invasão. A lenda – retomada depois por Raphael, nos afrescos das “Salas do Vaticano” – narra que o líder dos hunos se retirou após ter visto aparecer, atrás de Leão, os Apóstolos Pedro e Paulo, armados de espadas.

Impediu a cidade de ser incendiada
Três anos depois, em 455, foi ainda o “Papa Magno”, embora desarmado, a deter, às portas de Roma, os Vândalos da África, guiados pelo rei Genserico. Graças à sua intervenção, a cidade foi saqueada, mas não incendiada. Permaneceram intactas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo fora dos Muros e de São João em Latrão. Nas Basílicas, a população encontrou abrigo e se salvou.

São Leão Magno: defendeu a Doutrina da Igreja 

Defesa da Doutrina
A vida de Leão, porém, não consistiu apenas no seu compromisso com a paz, que levou adiante com coragem e sem cessar. O Pontífice dedicou-se muito também à defesa da doutrina. Foi ele que, de fato, inspirou o Concílio Ecumênico de Calcedônia – atual Kadiköy, na Turquia; que reconheceu e afirmou a unidade das duas naturezas em Cristo: humana e divina; rejeitou a “heresia de Eutiques”, que negava a essência humana do Filho de Deus. A intervenção de Leão no Concílio foi feita através de um texto doutrinal fundamental: o “Tomo de Leão” contra Flaviano, bispo de Constantinopla. O documento foi lido publicamente aos 350 padres conciliares, que o acolheram por aclamação, afirmando: “Pedro falou pela boca de Leão, que ensinou segundo a piedade e a verdade”.

Escritos
Sustentador e promotor da primazia de Roma, o “Pontífice Magno” deixou para a história quase 100 sermões e cerca de 150 cartas, nos quais demonstra ser teólogo e pastor, zeloso com a comunhão entre as várias Igrejas, sem jamais esquecer as necessidades dos fiéis. Foi para eles que incentivou as obras de caridade em uma Roma dominada pela escassez e pobreza, pelas injustiças e superstições pagãs; colocou em prática todas as ações necessárias para manter constantemente a justiça e “oferecer amorosamente a clemência, porque sem Cristo nada podemos fazer, mas com Ele tudo é possível”.

O Primeiro sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”

Pontificado
Seu Pontificado, que durou 21 anos, colecionou várias primazias: foi o primeiro Bispo de Roma a ser chamado Leão. O primeiro sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”. O primeiro Papa, que por sua pregação, foi também um dos dois únicos Papas – o outro foi Gregório Magno – a receber, em 1754, por desejo do Papa Bento XIV, o título de “Doutor da Igreja”.

Páscoa
A morte de Leão Magno ocorreu em 10 de novembro de 461. Segundo alguns historiadores, ele foi também o primeiro Papa a ser sepultado na Basílica Vaticana. Suas relíquias, ainda hoje, são conservadas na Capela de Nossa Senhora do Pilar, na Basílica de São Pedro.

Oração contra o desânimo (composta por São Leão Magno):

Não desista nunca: nem quando o cansaço se fizer sentir, nem quando os teus pés tropeçarem, nem quando os teus olhos arderem, nem quando os teus esforços forem ignorados, nem quando a desilusão te abater, nem quando o erro te desencorajar, nem quando a traição te ferir, nem quando o sucesso te abandonar, nem quando a ingratidão te desconcertar, nem quando a incompreensão te rodear, nem quando a fadiga te prostrar, nem quando tudo tenha o aspecto do nada, nem quando o peso do pecado te esmagar. Invoque sempre a Deus, junte as mãos, reze, sorria… E recomece!

Minha oração

“Doutor nas ciências de Cristo, sábio no conhecimento do Mestre dos mestres, sejamos vossos discípulos e nos tornemos grandes conhecedores de Deus. Que quanto mais O conhecemos, mais O amemos e adoremos, O exaltemos acima de tudo! Amém.”

São Leão Magno, rogai por nós!

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da infância espiritual

Origens

Santa Teresinha do Menino Jesus nasceu em Alençon (França), no dia 02 de janeiro de 1873. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos e 271 dias. Nascida em uma família de ótimas condições financeiras e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula, Teresa; quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa, que também se tornaram freiras (Maria, Paulina, Leônia e Celina). 

Amadurecimento na dor

À primeira vista, parece que Teresinha foi santa desde a sua infância, porém, sua história revela um caminho de amadurecimento à custa de muitos sofrimentos, como por exemplo, a perda de sua mãe quando tinha 4 anos e 8 meses por conta do câncer; a ida de suas irmãs para o Carmelo; separar-se de seu pai e vê-lo sofrer de problemas psiquiátricos; por fim, a tuberculose e outros problemas de enfermidade nos seus últimos anos de vida. Tudo isso levou essa mulher a oferecer-se em holocausto à Misericórdia Divina, dia após dia de sua vida, com muita simplicidade e pequenez.

“Não quero ser santa pela metade, escolho tudo.”

Nossa Senhora do sorriso

Depois da morte de sua mãe, a menina desenvolveu uma grande sensibilidade. Ela se achava sempre entristecida e abatida, chorava muito. Porém, aos 10 anos, ela fez uma experiência com Nossa Senhora que ficou em sua vida: “No dia 13 de maio de 1883, festa de Pentecostes, do meu leito, virei meu olhar para a imagem de Maria e, de repente, a imagem pareceu-me bonita, tão bonita que nunca tinha visto nada semelhante. Seu rosto exalava uma bondade e ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o sorriso encantador da Santíssima Virgem. Todas as minhas penas se foram naquele momento, e lágrimas escorreram de meus olhos, de pura alegria. Pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, foi por causa das orações que eu tive a graça do sorriso da Rainha do Céu” (História de uma alma).

Do Menino Jesus…

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez uma profunda experiência com o Natal, tendo o Menino Jesus como doador de uma “total conversão”, aos seus 13 anos de idade, no ano de 1883. Depois disso, sua vida foi transformada e ela começou a dar grandes passos na vida espiritual. Esse fato foi tão importante, a ponto de levá-la a assumir o nome de Teresinha do Menino Jesus.

Entrada no Mosteiro das Carmelitas

Com a autorização do Papa Leão XIII, Santa Teresinha do Menino Jesus pôde entrar no Mosteiro das Carmelitas, em Lisieux, com apenas 15 anos de idade. Ao entrar no Carmelo, dedicou-se a rezar pela conversão das almas e pelos sacerdotes. Porém, trazia em seu coração o grande desejo de ser missionária, queria anunciar o evangelho aos cinco continentes do mundo. Até que descobriu no amor um caminho de perfeição: “no coração da Igreja, serei o amor. Assim, serei tudo, e nada impossibilitará meu sonho de tornar-se realidade” (História de uma alma). Logo após a sua morte, seria colocada como padroeira universal das missões católicas pelo Papa Pio XI.

A infância espiritual

Através do amor, desenvolveu a infância espiritual ou pequena via. Essa consiste na extrema confiança em um Deus que é Pai, o que foi consequência do seu relacionamento com seu pai Luís. Ele levou sua filha a olhar a Deus como um pai bondoso, amoroso e misericordioso. Por isso, Santa Teresinha do Menino Jesus pôde confiar e se lançar sem reservas nos braços d’Aquele que a leva como um elevador através de sua graça. Esse relacionamento filial gerou um transbordar de caridade, generosidade e gratuidade por parte da santa que desembocou na vivência com suas irmãs religiosas. 

Santa Teresinha do Menino Jesus: extrema humildade

Em sua extrema humildade, acreditava que o caminho era ser como criança diante de Deus, assim buscava sempre rebaixar-se na vida fraterna e amar sem reservas. Tudo isso levou-a a renovar a espiritualidade carmelita de João da Cruz (Doutor do “tudo ou nada”), vendo nessa caridade gratuita o caminho perfeito. “No crepúsculo desta vida, aparecerei diante de vós (Deus) com as mãos vazias” (História de uma alma), ou seja, nem apresentar méritos ou obras, simplesmente confiando no amor gratuito de Deus, que é Pai e nos salva (Cf. 1 Jo 4, 17). Essa experiência fez com que o Papa João Paulo II a proclamasse doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997.

Páscoa

Em seu leito de morte, com apenas 24 anos, Santa Teresinha do Menino Jesus, disse suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”. Após a sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos que se tornaram mundialmente reconhecidos. Assim realizou a sua promessa de espalhar uma chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. Sua beatificação aconteceu em 1923; e foi canonizada por Pio XI em 1925, que a chamava de “uma palavra de Deus”.

Oração:

“Meu Deus, ofereço-vos todas as ações que farei hoje, nas intenções e para a glória do Sagrado Coração de Jesus. Quero santificar as batidas do meu coração, meus pensamentos e obras mais simples, unindo-os aos seus méritos infinitos, e reparar minhas faltas, lançando-as na Fornalha de seu Amor Misericordioso. Oh, meu Deus! Peço-vos para mim e para aqueles que me são caros a graça de cumprir perfeitamente vossa santa vontade, de aceitar por vosso amor as alegrias e as penas desta vida passageira, para que estejamos um dia reunidos no Céu, por toda a eternidade. Assim seja.” (Obras completas de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, Oração 10).

Minha oração

“ Ó querida santinha da simplicidade e da infância, ensinai-nos a amar Jesus em nosso cotidiano, naquilo que é mais simples e ordinário. Ajudai-nos, também, a viver a vida com toda a gratuidade que é própria do amor. Pela tua intercessão, seremos o amor na Igreja. Amém!”

“Em nota, bispos da Amazônia pedem manutenção dos vetos no licenciamento ambiental”

Notícia

Os bispos católicos da Amazônia brasileira divulgaram uma carta pública em que manifestam preocupação com os rumos da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025). No documento, eles expressam apoio aos 63 vetos presidenciais sancionados por Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que sua revogação pelo Congresso significaria uma ameaça grave ao meio ambiente e aos povos amazônicos.

Segundo os bispos, os vetos representaram uma barreira necessária contra os pontos mais danosos do projeto original, garantindo a integridade mínima dos processos de licenciamento. “A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia”, afirmam no texto.

Pontos de atenção levantados na carta

Mesmo com os vetos, os bispos alertam que a nova lei ainda apresenta riscos significativos para a proteção da Amazônia:

  • Fragilização dos estudos de impacto: brechas que podem comprometer a qualidade das avaliações ambientais, sobretudo em empreendimentos de grande porte.
  • Pressão sobre órgãos ambientais: prazos reduzidos podem forçar aprovações apressadas sem a devida análise técnica.
  • Precedentes perigosos: abertura para novas flexibilizações, como já ocorreu no Amazonas, onde decreto estadual reduziu de 80% para até 50% a proteção em áreas de reserva legal.
  • Licença por Adesão e Compromisso (LAC): risco de autodeclaração sem estudos técnicos, esvaziando a atuação de órgãos ambientais e ignorando a crise climática.
  • Impactos sociais: possibilidade de aumento de migrações forçadas por desastres climáticos e degradação ambiental, afetando sobretudo populações vulneráveis como mulheres, crianças e povos indígenas.

A carta critica o “paradigma tecnocrático” e o uso do marketing para justificar projetos com elevado impacto ambiental sem transparência sobre suas consequências. Citando a Laudato Si’ e a Laudate Deum, os bispos denunciam a lógica que coloca interesses econômicos acima da vida dos povos e da preservação da Casa Comum.

“Na realidade, falta um verdadeiro interesse pelo futuro destas pessoas, porque não lhes é dito claramente que, na sequência de tal projeto, terão uma terra devastada, condições muito mais desfavoráveis para viver e prosperar, uma região desolada, menos habitável, sem vida e sem a alegria da convivência e da esperança, para além do dano global que acaba por prejudicar a muitos mais.” (Laudate Deum, 29, citado na carta).

Os bispos reafirmam que a Amazônia, com 60% da floresta tropical do planeta e 15 a 20% da água doce mundial, é essencial para o equilíbrio climático global. Por isso, defendem que qualquer flexibilização inadequada no licenciamento representa risco planetário.

O documento faz um chamado direto à mobilização popular e ao compromisso dos parlamentares:

“Conclamamos a sociedade brasileira e todos os cidadãos comprometidos com um futuro sustentável a exigirem que seus parlamentares votem pela manutenção dos vetos presidenciais, preservando as regras ambientais mais rigorosas.”

Ao final, os bispos reforçam o compromisso profético da Igreja na defesa da vida, da Amazônia e dos povos tradicionais, sustentados pela esperança cristã:

“Seguimos vigilantes, comprometidos e com esperança, pois a esperança não decepciona” (Rm 5,5). 

Leia na íntegra a carta e também pode ser acessada aqui

NOTA DOS BISPOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA   

Sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Proteção da Casa Comum   

“Então Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31)  

À sociedade brasileira e aos povos amazônicos,   

O Brasil tem vivido muitas tentativas de mudanças na legislação ambiental que ameaçam a proteção dos nossos biomas, especialmente da Amazônia, e uma das mais impactantes foi a do PL 2.159/2021. Este Projeto de Lei, conhecido como “Lei Geral do Licenciamento Ambiental”, foi proposto pelo Congresso Nacional, com o objetivo declarado de modernizar e agilizar os processos de licenciamento ambiental no Brasil. O projeto estabelecia novos marcos regulatórios para o licenciamento de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, modificando substancialmente a sistemática atual de avaliação de impactos ambientais.   

Em sua versão original, o PL previa significativas flexibilizações nos procedimentos de licenciamento, incluindo a possibilidade de procedimento de licença única, transferência de competências para os estados e municípios sem critérios técnicos adequados, e redução de prazos para análise de projetos complexos, dentre outros retrocessos. Após intensa tramitação no Congresso Nacional e mobilização de diversos setores da sociedade, o projeto foi aprovado e enviado à Presidência da República.   

Em agosto de 2025, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PL 2.159/2021 – que se tornou a Lei nº 15.190/2025 –, com 63 vetos, eliminando os dispositivos considerados mais prejudiciais ao meio ambiente e mantendo apenas aqueles aspectos considerados tecnicamente viáveis para aprimoramento dos processos de licenciamento.    

Diante deste contexto, nós, bispos católicos da Amazônia brasileira, dirigimo-nos ao povo brasileiro para manifestar nossa posição sobre esta nova legislação e seus possíveis impactos sobre a proteção ambiental e os povos amazônicos. O fazemos impulsionados pela força da Palavra criadora de Deus “a quem pertence a terra e tudo que nela há” (cf Dt 10,14). Deste modo, somamos nossa voz a de tantos homens e mulheres que se fazem partícipes de uma responsabilidade perante a terra que é de Deus e que implica a nós, dotados de inteligência, respeitar as leis da natureza e os delicados equilíbrios entre os seres deste mundo. (cf. Laudato Si’, 68)  

Declaramos nosso apoio aos vetos do Presidente da República que “após criteriosa avaliação técnica e jurídica, vetou 63 trechos do texto. As decisões seguem quatro diretrizes principais: garantir a integridade do processo de licenciamento, que proteja o meio ambiente e promova o desenvolvimento sustentável; assegurar os direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas; dar segurança jurídica a empreendimentos e investidores; incorporar inovações que tornem o licenciamento mais ágil, sem comprometer sua qualidade. A decisão mantém avanços relevantes para a celeridade e eficiência de processos de licenciamento ambiental e assegura que o novo marco legal esteja alinhado à Política Nacional de Meio Ambiente, à Constituição Federal e à Lei Complementar 140. Com os vetos, o novo marco do licenciamento ambiental nasce mais sólido e equilibrado, fortalecendo a proteção dos ecossistemas, conferindo previsibilidade aos investimentos e reduzindo riscos de judicialização”.  A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia.    

Reconhecemos que os vetos presidenciais representaram uma contenção necessária aos aspectos mais danosos do projeto original. A manutenção de critérios nacionais para licenciamento, evitando a transferência total de responsabilidades para os estados, preserva padrões mínimos de proteção que consideramos fundamentais. O veto ao procedimento que permitiria a expedição simultânea de todas as licenças, também demonstra preocupação com a avaliação adequada dos impactos ambientais.    

Contudo, permanecemos vigilantes, pois mesmo com os vetos, a nova legislação mantém dispositivos que flexibilizam procedimentos ambientais em momento crítico para nosso planeta e especialmente para a Amazônia.    

Do ponto de vista técnico, chamamos atenção para os seguintes riscos:   

  1. Fragilização dos Estudos de Impacto: Mesmo com os vetos, permanecem brechas que podem comprometer a qualidade e profundidade das avaliações ambientais, especialmente para empreendimentos de grande porte na região amazônica.   
  2. Pressão sobre Órgãos Ambientais: A nova lei mantém prazos que podem pressionar órgãos de fiscalização a aprovar licenças sem análise adequada, considerando a complexidade dos ecossistemas amazônicos.   
  3. Risco de Precedente: A aprovação parcial desta legislação pode abrir caminho para futuras flexibilizações mais severas, especialmente considerando as pressões setoriais persistentes. Como o que acaba de ocorrer no Estado do Amazonas com o Decreto n° 52.216/2025, publicado no dia 28/08/2025 que, segundo o governo, “busca conciliar regularização ambiental e desenvolvimento sustentável, dentro dos limites legais”. Entretanto, a medida permite que a vegetação nativa obrigatória em reservas legais seja reduzida de 80% para até 50%. Especialistas alertam para risco de aumento no desmatamento e prejuízos às comunidades tradicionais que serão as mais prejudicadas.   
  4. A derrubada dos vetos, por parte do Congresso Nacional, pode causar impactos ambientais significativos ao enfraquecer o licenciamento ambiental brasileiro por meio da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), uma autodeclaração sem estudos técnicos e alternativas, que flexibiliza a aprovação de atividades sem a devida avaliação de riscos, desvinculando-a da outorga de água e ignorando a crise climática. O projeto original também esvazia o controle de órgãos ambientais e a atuação de entes federados.   
  5. O afrouxamento na legislação ambiental por parte do Congresso Nacional pode ampliar significativamente os impactos ambientais, como desastres climáticos e degradação da terra, que forçam a migração de populações inteiras, criando novas correntes migratórias, muitas vezes em condições de vulnerabilidade e desigualdade. Esses deslocamentos, conhecidos como migrações ambientais ou climáticas, afetam desproporcionalmente grupos como mulheres, crianças e povos indígenas, que sofrem com a insegurança alimentar e a perda de meios de subsistência. A falta de recursos e infraestrutura, combinada com fatores de desigualdade, intensifica a necessidade de migração, levando a processos migratórios forçados e desordenados que geram novos conflitos socioambientais. Esta preocupação foi expressa pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ ao abordar a “raiz humana da crise ecológica.” (LS, 101ss)   

Do ponto de vista ético, preocupa-nos o crescente paradigma tecnocrático, “um modo desordenado de conceber a vida e a ação do ser humano que contradiz a realidade até o ponto de a arruinar” (LS 101). “A decadência ética do poder real é disfarçada pelo marketing e pela informação falsa, mecanismos úteis nas mãos de quem tem maiores recursos para influenciar a opinião pública através deles. Com a ajuda destes mecanismos, quando se pretende iniciar um projeto com forte impacto ambiental e elevados efeitos poluidores, iludem-se os habitantes da região falando do progresso local que se poderá gerar ou das oportunidades económicas, ocupacionais e de promoção humana que isso trará para os seus filhos. Na realidade, porém, falta um verdadeiro interesse pelo futuro destas pessoas, porque não lhes é dito claramente que, na sequência de tal projeto, terão uma terra devastada, condições muito mais desfavoráveis para viver e prosperar, uma região desolada, menos habitável, sem vida e sem a alegria da convivência e da esperança, para além do dano global que acaba por prejudicar a muitos mais.  (Laudate Deum 29)   

A Igreja está presente neste território há séculos e tem uma história de compromisso com a vida nesta região, vida de seus povos e de toda realidade criada. Conhecemos profundamente a realidade amazônica, e somos testemunhas diretas dos impactos de empreendimentos mal licenciados sobre comunidades tradicionais, povos indígenas e ecossistemas únicos.    

A Amazônia abriga 60% da floresta tropical do planeta, contém 15-20% da água doce mundial e regula o clima global. Qualquer flexibilização inadequada de seu licenciamento ambiental representa risco não apenas local, mas planetário. Esta responsabilidade transcende questões puramente técnicas e toca o cerne da vocação a qual fomos chamados: cultivar e guardar a terra.  

(cf. Gn 2,15)   

Conclamamos a sociedade brasileira e todos os cidadãos comprometidos com um futuro sustentável a exigirem que seus parlamentares votem pela manutenção dos vetos presidenciais e pela rejeição de quaisquer propostas que enfraqueçam o licenciamento ambiental, preservando as regras ambientais mais rigorosas.  

Reconhecemos que os vetos impediram os piores aspectos do projeto original, trazendo um alívio diante das investidas devastadoras e demonstrando que a mobilização social e a pressão técnica qualificada podem surtir efeito. No entanto, esta vitória parcial não deve gerar complacência.   

Como Igreja profética, mantemo-nos firmes na defesa da casa comum e dos povos da Amazônia. Continuaremos vigilantes, oferecendo nossa voz e nossa presença pastoral sempre que a proteção ambiental e os direitos dos povos amazônicos estiverem ameaçados. Sustentamos em nossa ação evangelizadora o empenho pela plenitude de vida oferecida por Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10)   

 O momento exige de todos nós, responsabilidade máxima com o futuro da Amazônia e do planeta. Os vetos presidenciais ofereceram uma oportunidade de correção de rota, mas a trajetória futura dependerá da vigilância permanente da sociedade. Seguimos vigilantes, comprometidos e com esperança.   

 “…a esperança não decepciona.” (Rm 5,5)  

Assinam a carta, os Bispos:   

Dom Adolfo Zon Pereira – Bispo do Alto Solimões-AM 

Dom Adriano Ciocca Vasino – Bispo Emérito de São Félix-MT 

Dom Antônio de Assis Ribeiro – Bispo de Macapá-AP 

Dom Antônio Fontinele de Melo – Bispo de Humaitá-AM 

Dom Armando Martin Gutierrez – Bispo de Bacabal-MA 

Dom Benedito Araújo – Bispo de Guajará-Mirim-RO 

Dom Bernardo Johannes Bahlmann – Bispo de Óbidos-PA 

Dom Carlos Henrique Silva Oliveira – Bispo de Tocantinópolis-TO 

Dom Carlos Verzeletti – Bispo de Castanhal-PA 

Dom Dominique Marie You – Bispo de Conceição do Araguaia-PA 

Dom Édson Taschetto Damian – Bispo Emérito de São Gabriel da Cachoeira-AM 

Dom Elio Rama – Bispo de Pinheiro-MA 

Dom Erwin Kräutler – Bispo Prelado Emérito de Xingu/Altamira-PA 

Dom Evaldo Carvalho dos Santos – Bispo de Viana-MA 

Dom Evaristo Pascoal Spengler – Bispo de Roraima-RR 

Dom Flávio Giovenale – Bispo de Cruzeiro do Sul-AC 

Dom Francisco Lima Soares – Bispo de Carolina-MA 

Dom Gilberto Pastana de Oliveira – Arcebispo de São Luís-MA 

Dom Giovane Pereira de Melo – Bispo de Araguaina-TO 

Dom Giuseppe Luigi Spiga – Bispo de Grajaú-MA 

Dom Irineu Roman – Arcebispo de Santarém-PA 

Dom Ivanildo Oliveira Almeida – Bispo de Cametá-PA 

Dom Jacy Diniz Rocha – Bispo de São Luiz de Cáceres -MT 

Dom João Aparecido Bergamasco – Bispo de Primavera do Leste/Paranatinga-MT 

Dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom José Albuquerque de Araújo – Bispo de Parintins-AM 

Dom José Altevir da Silva – Bispo da Prelazia de Tefé – AM 

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira – Bispo do Marajó-PA 

Dom José Maria Ribeiro – Bispo de Abaetetuba-PA 

Dom José Moreira da Silva – Bispo de Porto Nacional – TO 

Dom Júlio Endi Akamine – Arcebispo de Belém-PA 

Dom Leonardo Ulrich Steiner – Cardeal Arcebispo de Manaus-AM 

Dom Lucio Nicoletto – Bispo de São Félix-MT 

Dom Marcos Piatek – Diocese de Coari-AM 

Dom Mário Antônio da Silvia – Arcebispo de Cuiabá-MT 

Dom Neri José Tondello – Bispo de Juína-MT 

Dom Paulo Andreolli – Bispo Auxiliar de Belém-PA 

Dom Pedro Brito Guimarães – Arcebispo de Palmas-TO 

Dom Pedro Conti – Bispo Emérito de Macapá – AP

Dom Philip Dickmans – Bispo de Miracema do Tocantins-TO 

Dom Raimundo Possidônio Carrera da Mata – Bispo de Bragança do Pará-PA 

Dom Raimundo Vanthuy Neto – Bispo de São Gabriel da Cachoeira-AM 

Dom Roque Paloschi – Arcebispo de Porto Velho-RO 

Dom Samuel Ferreira de Lima – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom Sebastião Bandeira Coelho – Bispo de Coroatá-MA 

Dom Valentim Fagundes de Meneses – Bispo de Balsas 

Dom Vilsom Basso – Bispo de Imperatriz-MA 

Dom Vital Corbellini – Bispo de Marabá-PA 

Dom Wellington de Queiroz Vieira – Bispo de Cristalândia-TO 

Dom Wilmar Santin – Bispo de Itaituba-PA 

Dom Zenildo Lima da Silva – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva – Bispo de Borba-AM

A Palavra caminho de mudança e não de justificativa de nossos erros

Uma ajuda para caminhar no cotidiano. Será que vemos desse modo a Palavra de Deus? O Mês da Bíblia deveria ser uma oportunidade para aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus, para nos aproximarmos dela. Estamos diante de mais do que um texto do passado, pois ela é atualidade que nos questiona e nos leva a refletir sobre nossa vida pessoal e comunitária.

Esperança

No Brasil, a Igreja católica nos oferece há muitos anos a possibilidade de estudar um livro da Bíblia. Em 2025 a Carta aos Romanos vai cobrar uma dimensão especial, em vista de nos ajudar a transformar a realidade atual à luz da proposta divina. A ênfase desse escrito paulino é a esperança, uma temática que acompanha o caminhar da Igreja católica em 2025, em que estamos celebrando o Jubileu da Esperança.

De fato, a esperança é atitude decisiva na vida dos discípulos e discipulas de Jesus. A esperança sustenta nosso relacionamento com Deus, nossa fé N´Ele. São Paulo afirma que a “esperança não decepciona” e nós somos chamados a descobrir na Palavra o caminho que nos ajuda a superar os momentos de desesperança, a encontrar o caminho a seguir, uma realidade cada vez mais presente na vida da humanidade.

Ser sinal de esperança

O que fazer para ser sinal de esperança para tantas pessoas desesperançadas? Como potencializar a escuta, o diálogo, o discernimento que nos ajude a encontrar caminhos de esperança para a sociedade e para cada pessoa? Até que ponto experimentamos a presença do Espírito como aquele que ilumina nossa vida, que fecunda nossa existência, que nos leva a crescer em esperança?

Vivemos um momento histórico em que a vida das pessoas, a vida de muitos inocentes está sendo ameaçada de modo constante. A dor e a morte tem se instalando como ameaças para boa parte da humanidade. O ódio vai gerando sentimentos de desconfiança, de enfrentamento, fazendo minguar a esperança nas pessoas. Uma realidade que demanda de uma esperança crescente, que cabe a nós gerar as condições para que as pessoas possam recuperá-la.

Entender o papel da religião

Podemos encontrar similitudes entre os primeiros anos do cristianismo, momento em que foi escrita a Carta aos Romanos, e o atual momento histórico. Um texto que promove uma reflexão em volta da solidariedade, da acolhida de Deus a todos, da necessidade de entender que a religião não pode ser usada em função de uma ideologia ou de uma política que pretende ser usada em benefício de pequenos grupos.

Uma carta que nos leva a descobrir a necessidade de cuidar das pessoas, de todas as pessoas, a cuidar da Casa Comum, assumir a Ecologia Integral. A Bíblia sempre nos leva a olhar para fora, a no buscar nela uma justificativa para nossos posicionamentos pessoais ou grupais. Não nos sirvamos da Palavra e sim vejamos a Palavra como caminho de mudança, de conversão, como instrumento que nos aproxima de Deus e dos outros.

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Luis Miguel Modino

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Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa

Celebração marcou o Dia do Catequista e reuniu representantes de paróquias urbanas, comunidades do interior e áreas indígenas.

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa
Foto divulgação

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No domingo, 31 de agosto, a Diocese de Roraima promoveu o Jubileu dos Catequistas, em celebração ao Dia do Catequista. O evento reuniu catequistas de paróquias de Boa Vista, comunidades do interior e áreas indígenas, que se encontraram em um momento de fé, partilha e espiritualidade.

A programação começou às cinco da tarde, com uma peregrinação que saiu da Igreja São Francisco em direção ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. A caminhada culminou com a Santa Missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Pascoal Spengler, e concelebrada por diversos sacerdotes, religiosos e religiosas.

Foto: Divulgação

Durante a celebração, foi destacada a missão e a vocação dos catequistas como pilares fundamentais da Igreja na formação cristã e na transmissão da fé. O Jubileu foi marcado por momentos de oração e celebração, reforçando a importância do serviço catequético para a vida da Diocese de Roraima.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa