“Em nota, bispos da Amazônia pedem manutenção dos vetos no licenciamento ambiental”

Notícia

Os bispos católicos da Amazônia brasileira divulgaram uma carta pública em que manifestam preocupação com os rumos da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025). No documento, eles expressam apoio aos 63 vetos presidenciais sancionados por Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que sua revogação pelo Congresso significaria uma ameaça grave ao meio ambiente e aos povos amazônicos.

Segundo os bispos, os vetos representaram uma barreira necessária contra os pontos mais danosos do projeto original, garantindo a integridade mínima dos processos de licenciamento. “A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia”, afirmam no texto.

Pontos de atenção levantados na carta

Mesmo com os vetos, os bispos alertam que a nova lei ainda apresenta riscos significativos para a proteção da Amazônia:

  • Fragilização dos estudos de impacto: brechas que podem comprometer a qualidade das avaliações ambientais, sobretudo em empreendimentos de grande porte.
  • Pressão sobre órgãos ambientais: prazos reduzidos podem forçar aprovações apressadas sem a devida análise técnica.
  • Precedentes perigosos: abertura para novas flexibilizações, como já ocorreu no Amazonas, onde decreto estadual reduziu de 80% para até 50% a proteção em áreas de reserva legal.
  • Licença por Adesão e Compromisso (LAC): risco de autodeclaração sem estudos técnicos, esvaziando a atuação de órgãos ambientais e ignorando a crise climática.
  • Impactos sociais: possibilidade de aumento de migrações forçadas por desastres climáticos e degradação ambiental, afetando sobretudo populações vulneráveis como mulheres, crianças e povos indígenas.

A carta critica o “paradigma tecnocrático” e o uso do marketing para justificar projetos com elevado impacto ambiental sem transparência sobre suas consequências. Citando a Laudato Si’ e a Laudate Deum, os bispos denunciam a lógica que coloca interesses econômicos acima da vida dos povos e da preservação da Casa Comum.

“Na realidade, falta um verdadeiro interesse pelo futuro destas pessoas, porque não lhes é dito claramente que, na sequência de tal projeto, terão uma terra devastada, condições muito mais desfavoráveis para viver e prosperar, uma região desolada, menos habitável, sem vida e sem a alegria da convivência e da esperança, para além do dano global que acaba por prejudicar a muitos mais.” (Laudate Deum, 29, citado na carta).

Os bispos reafirmam que a Amazônia, com 60% da floresta tropical do planeta e 15 a 20% da água doce mundial, é essencial para o equilíbrio climático global. Por isso, defendem que qualquer flexibilização inadequada no licenciamento representa risco planetário.

O documento faz um chamado direto à mobilização popular e ao compromisso dos parlamentares:

“Conclamamos a sociedade brasileira e todos os cidadãos comprometidos com um futuro sustentável a exigirem que seus parlamentares votem pela manutenção dos vetos presidenciais, preservando as regras ambientais mais rigorosas.”

Ao final, os bispos reforçam o compromisso profético da Igreja na defesa da vida, da Amazônia e dos povos tradicionais, sustentados pela esperança cristã:

“Seguimos vigilantes, comprometidos e com esperança, pois a esperança não decepciona” (Rm 5,5). 

Leia na íntegra a carta e também pode ser acessada aqui

NOTA DOS BISPOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA   

Sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Proteção da Casa Comum   

“Então Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31)  

À sociedade brasileira e aos povos amazônicos,   

O Brasil tem vivido muitas tentativas de mudanças na legislação ambiental que ameaçam a proteção dos nossos biomas, especialmente da Amazônia, e uma das mais impactantes foi a do PL 2.159/2021. Este Projeto de Lei, conhecido como “Lei Geral do Licenciamento Ambiental”, foi proposto pelo Congresso Nacional, com o objetivo declarado de modernizar e agilizar os processos de licenciamento ambiental no Brasil. O projeto estabelecia novos marcos regulatórios para o licenciamento de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, modificando substancialmente a sistemática atual de avaliação de impactos ambientais.   

Em sua versão original, o PL previa significativas flexibilizações nos procedimentos de licenciamento, incluindo a possibilidade de procedimento de licença única, transferência de competências para os estados e municípios sem critérios técnicos adequados, e redução de prazos para análise de projetos complexos, dentre outros retrocessos. Após intensa tramitação no Congresso Nacional e mobilização de diversos setores da sociedade, o projeto foi aprovado e enviado à Presidência da República.   

Em agosto de 2025, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PL 2.159/2021 – que se tornou a Lei nº 15.190/2025 –, com 63 vetos, eliminando os dispositivos considerados mais prejudiciais ao meio ambiente e mantendo apenas aqueles aspectos considerados tecnicamente viáveis para aprimoramento dos processos de licenciamento.    

Diante deste contexto, nós, bispos católicos da Amazônia brasileira, dirigimo-nos ao povo brasileiro para manifestar nossa posição sobre esta nova legislação e seus possíveis impactos sobre a proteção ambiental e os povos amazônicos. O fazemos impulsionados pela força da Palavra criadora de Deus “a quem pertence a terra e tudo que nela há” (cf Dt 10,14). Deste modo, somamos nossa voz a de tantos homens e mulheres que se fazem partícipes de uma responsabilidade perante a terra que é de Deus e que implica a nós, dotados de inteligência, respeitar as leis da natureza e os delicados equilíbrios entre os seres deste mundo. (cf. Laudato Si’, 68)  

Declaramos nosso apoio aos vetos do Presidente da República que “após criteriosa avaliação técnica e jurídica, vetou 63 trechos do texto. As decisões seguem quatro diretrizes principais: garantir a integridade do processo de licenciamento, que proteja o meio ambiente e promova o desenvolvimento sustentável; assegurar os direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas; dar segurança jurídica a empreendimentos e investidores; incorporar inovações que tornem o licenciamento mais ágil, sem comprometer sua qualidade. A decisão mantém avanços relevantes para a celeridade e eficiência de processos de licenciamento ambiental e assegura que o novo marco legal esteja alinhado à Política Nacional de Meio Ambiente, à Constituição Federal e à Lei Complementar 140. Com os vetos, o novo marco do licenciamento ambiental nasce mais sólido e equilibrado, fortalecendo a proteção dos ecossistemas, conferindo previsibilidade aos investimentos e reduzindo riscos de judicialização”.  A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia.    

Reconhecemos que os vetos presidenciais representaram uma contenção necessária aos aspectos mais danosos do projeto original. A manutenção de critérios nacionais para licenciamento, evitando a transferência total de responsabilidades para os estados, preserva padrões mínimos de proteção que consideramos fundamentais. O veto ao procedimento que permitiria a expedição simultânea de todas as licenças, também demonstra preocupação com a avaliação adequada dos impactos ambientais.    

Contudo, permanecemos vigilantes, pois mesmo com os vetos, a nova legislação mantém dispositivos que flexibilizam procedimentos ambientais em momento crítico para nosso planeta e especialmente para a Amazônia.    

Do ponto de vista técnico, chamamos atenção para os seguintes riscos:   

  1. Fragilização dos Estudos de Impacto: Mesmo com os vetos, permanecem brechas que podem comprometer a qualidade e profundidade das avaliações ambientais, especialmente para empreendimentos de grande porte na região amazônica.   
  2. Pressão sobre Órgãos Ambientais: A nova lei mantém prazos que podem pressionar órgãos de fiscalização a aprovar licenças sem análise adequada, considerando a complexidade dos ecossistemas amazônicos.   
  3. Risco de Precedente: A aprovação parcial desta legislação pode abrir caminho para futuras flexibilizações mais severas, especialmente considerando as pressões setoriais persistentes. Como o que acaba de ocorrer no Estado do Amazonas com o Decreto n° 52.216/2025, publicado no dia 28/08/2025 que, segundo o governo, “busca conciliar regularização ambiental e desenvolvimento sustentável, dentro dos limites legais”. Entretanto, a medida permite que a vegetação nativa obrigatória em reservas legais seja reduzida de 80% para até 50%. Especialistas alertam para risco de aumento no desmatamento e prejuízos às comunidades tradicionais que serão as mais prejudicadas.   
  4. A derrubada dos vetos, por parte do Congresso Nacional, pode causar impactos ambientais significativos ao enfraquecer o licenciamento ambiental brasileiro por meio da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), uma autodeclaração sem estudos técnicos e alternativas, que flexibiliza a aprovação de atividades sem a devida avaliação de riscos, desvinculando-a da outorga de água e ignorando a crise climática. O projeto original também esvazia o controle de órgãos ambientais e a atuação de entes federados.   
  5. O afrouxamento na legislação ambiental por parte do Congresso Nacional pode ampliar significativamente os impactos ambientais, como desastres climáticos e degradação da terra, que forçam a migração de populações inteiras, criando novas correntes migratórias, muitas vezes em condições de vulnerabilidade e desigualdade. Esses deslocamentos, conhecidos como migrações ambientais ou climáticas, afetam desproporcionalmente grupos como mulheres, crianças e povos indígenas, que sofrem com a insegurança alimentar e a perda de meios de subsistência. A falta de recursos e infraestrutura, combinada com fatores de desigualdade, intensifica a necessidade de migração, levando a processos migratórios forçados e desordenados que geram novos conflitos socioambientais. Esta preocupação foi expressa pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ ao abordar a “raiz humana da crise ecológica.” (LS, 101ss)   

Do ponto de vista ético, preocupa-nos o crescente paradigma tecnocrático, “um modo desordenado de conceber a vida e a ação do ser humano que contradiz a realidade até o ponto de a arruinar” (LS 101). “A decadência ética do poder real é disfarçada pelo marketing e pela informação falsa, mecanismos úteis nas mãos de quem tem maiores recursos para influenciar a opinião pública através deles. Com a ajuda destes mecanismos, quando se pretende iniciar um projeto com forte impacto ambiental e elevados efeitos poluidores, iludem-se os habitantes da região falando do progresso local que se poderá gerar ou das oportunidades económicas, ocupacionais e de promoção humana que isso trará para os seus filhos. Na realidade, porém, falta um verdadeiro interesse pelo futuro destas pessoas, porque não lhes é dito claramente que, na sequência de tal projeto, terão uma terra devastada, condições muito mais desfavoráveis para viver e prosperar, uma região desolada, menos habitável, sem vida e sem a alegria da convivência e da esperança, para além do dano global que acaba por prejudicar a muitos mais.  (Laudate Deum 29)   

A Igreja está presente neste território há séculos e tem uma história de compromisso com a vida nesta região, vida de seus povos e de toda realidade criada. Conhecemos profundamente a realidade amazônica, e somos testemunhas diretas dos impactos de empreendimentos mal licenciados sobre comunidades tradicionais, povos indígenas e ecossistemas únicos.    

A Amazônia abriga 60% da floresta tropical do planeta, contém 15-20% da água doce mundial e regula o clima global. Qualquer flexibilização inadequada de seu licenciamento ambiental representa risco não apenas local, mas planetário. Esta responsabilidade transcende questões puramente técnicas e toca o cerne da vocação a qual fomos chamados: cultivar e guardar a terra.  

(cf. Gn 2,15)   

Conclamamos a sociedade brasileira e todos os cidadãos comprometidos com um futuro sustentável a exigirem que seus parlamentares votem pela manutenção dos vetos presidenciais e pela rejeição de quaisquer propostas que enfraqueçam o licenciamento ambiental, preservando as regras ambientais mais rigorosas.  

Reconhecemos que os vetos impediram os piores aspectos do projeto original, trazendo um alívio diante das investidas devastadoras e demonstrando que a mobilização social e a pressão técnica qualificada podem surtir efeito. No entanto, esta vitória parcial não deve gerar complacência.   

Como Igreja profética, mantemo-nos firmes na defesa da casa comum e dos povos da Amazônia. Continuaremos vigilantes, oferecendo nossa voz e nossa presença pastoral sempre que a proteção ambiental e os direitos dos povos amazônicos estiverem ameaçados. Sustentamos em nossa ação evangelizadora o empenho pela plenitude de vida oferecida por Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10)   

 O momento exige de todos nós, responsabilidade máxima com o futuro da Amazônia e do planeta. Os vetos presidenciais ofereceram uma oportunidade de correção de rota, mas a trajetória futura dependerá da vigilância permanente da sociedade. Seguimos vigilantes, comprometidos e com esperança.   

 “…a esperança não decepciona.” (Rm 5,5)  

Assinam a carta, os Bispos:   

Dom Adolfo Zon Pereira – Bispo do Alto Solimões-AM 

Dom Adriano Ciocca Vasino – Bispo Emérito de São Félix-MT 

Dom Antônio de Assis Ribeiro – Bispo de Macapá-AP 

Dom Antônio Fontinele de Melo – Bispo de Humaitá-AM 

Dom Armando Martin Gutierrez – Bispo de Bacabal-MA 

Dom Benedito Araújo – Bispo de Guajará-Mirim-RO 

Dom Bernardo Johannes Bahlmann – Bispo de Óbidos-PA 

Dom Carlos Henrique Silva Oliveira – Bispo de Tocantinópolis-TO 

Dom Carlos Verzeletti – Bispo de Castanhal-PA 

Dom Dominique Marie You – Bispo de Conceição do Araguaia-PA 

Dom Édson Taschetto Damian – Bispo Emérito de São Gabriel da Cachoeira-AM 

Dom Elio Rama – Bispo de Pinheiro-MA 

Dom Erwin Kräutler – Bispo Prelado Emérito de Xingu/Altamira-PA 

Dom Evaldo Carvalho dos Santos – Bispo de Viana-MA 

Dom Evaristo Pascoal Spengler – Bispo de Roraima-RR 

Dom Flávio Giovenale – Bispo de Cruzeiro do Sul-AC 

Dom Francisco Lima Soares – Bispo de Carolina-MA 

Dom Gilberto Pastana de Oliveira – Arcebispo de São Luís-MA 

Dom Giovane Pereira de Melo – Bispo de Araguaina-TO 

Dom Giuseppe Luigi Spiga – Bispo de Grajaú-MA 

Dom Irineu Roman – Arcebispo de Santarém-PA 

Dom Ivanildo Oliveira Almeida – Bispo de Cametá-PA 

Dom Jacy Diniz Rocha – Bispo de São Luiz de Cáceres -MT 

Dom João Aparecido Bergamasco – Bispo de Primavera do Leste/Paranatinga-MT 

Dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom José Albuquerque de Araújo – Bispo de Parintins-AM 

Dom José Altevir da Silva – Bispo da Prelazia de Tefé – AM 

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira – Bispo do Marajó-PA 

Dom José Maria Ribeiro – Bispo de Abaetetuba-PA 

Dom José Moreira da Silva – Bispo de Porto Nacional – TO 

Dom Júlio Endi Akamine – Arcebispo de Belém-PA 

Dom Leonardo Ulrich Steiner – Cardeal Arcebispo de Manaus-AM 

Dom Lucio Nicoletto – Bispo de São Félix-MT 

Dom Marcos Piatek – Diocese de Coari-AM 

Dom Mário Antônio da Silvia – Arcebispo de Cuiabá-MT 

Dom Neri José Tondello – Bispo de Juína-MT 

Dom Paulo Andreolli – Bispo Auxiliar de Belém-PA 

Dom Pedro Brito Guimarães – Arcebispo de Palmas-TO 

Dom Pedro Conti – Bispo Emérito de Macapá – AP

Dom Philip Dickmans – Bispo de Miracema do Tocantins-TO 

Dom Raimundo Possidônio Carrera da Mata – Bispo de Bragança do Pará-PA 

Dom Raimundo Vanthuy Neto – Bispo de São Gabriel da Cachoeira-AM 

Dom Roque Paloschi – Arcebispo de Porto Velho-RO 

Dom Samuel Ferreira de Lima – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom Sebastião Bandeira Coelho – Bispo de Coroatá-MA 

Dom Valentim Fagundes de Meneses – Bispo de Balsas 

Dom Vilsom Basso – Bispo de Imperatriz-MA 

Dom Vital Corbellini – Bispo de Marabá-PA 

Dom Wellington de Queiroz Vieira – Bispo de Cristalândia-TO 

Dom Wilmar Santin – Bispo de Itaituba-PA 

Dom Zenildo Lima da Silva – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva – Bispo de Borba-AM

A Palavra caminho de mudança e não de justificativa de nossos erros

Uma ajuda para caminhar no cotidiano. Será que vemos desse modo a Palavra de Deus? O Mês da Bíblia deveria ser uma oportunidade para aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus, para nos aproximarmos dela. Estamos diante de mais do que um texto do passado, pois ela é atualidade que nos questiona e nos leva a refletir sobre nossa vida pessoal e comunitária.

Esperança

No Brasil, a Igreja católica nos oferece há muitos anos a possibilidade de estudar um livro da Bíblia. Em 2025 a Carta aos Romanos vai cobrar uma dimensão especial, em vista de nos ajudar a transformar a realidade atual à luz da proposta divina. A ênfase desse escrito paulino é a esperança, uma temática que acompanha o caminhar da Igreja católica em 2025, em que estamos celebrando o Jubileu da Esperança.

De fato, a esperança é atitude decisiva na vida dos discípulos e discipulas de Jesus. A esperança sustenta nosso relacionamento com Deus, nossa fé N´Ele. São Paulo afirma que a “esperança não decepciona” e nós somos chamados a descobrir na Palavra o caminho que nos ajuda a superar os momentos de desesperança, a encontrar o caminho a seguir, uma realidade cada vez mais presente na vida da humanidade.

Ser sinal de esperança

O que fazer para ser sinal de esperança para tantas pessoas desesperançadas? Como potencializar a escuta, o diálogo, o discernimento que nos ajude a encontrar caminhos de esperança para a sociedade e para cada pessoa? Até que ponto experimentamos a presença do Espírito como aquele que ilumina nossa vida, que fecunda nossa existência, que nos leva a crescer em esperança?

Vivemos um momento histórico em que a vida das pessoas, a vida de muitos inocentes está sendo ameaçada de modo constante. A dor e a morte tem se instalando como ameaças para boa parte da humanidade. O ódio vai gerando sentimentos de desconfiança, de enfrentamento, fazendo minguar a esperança nas pessoas. Uma realidade que demanda de uma esperança crescente, que cabe a nós gerar as condições para que as pessoas possam recuperá-la.

Entender o papel da religião

Podemos encontrar similitudes entre os primeiros anos do cristianismo, momento em que foi escrita a Carta aos Romanos, e o atual momento histórico. Um texto que promove uma reflexão em volta da solidariedade, da acolhida de Deus a todos, da necessidade de entender que a religião não pode ser usada em função de uma ideologia ou de uma política que pretende ser usada em benefício de pequenos grupos.

Uma carta que nos leva a descobrir a necessidade de cuidar das pessoas, de todas as pessoas, a cuidar da Casa Comum, assumir a Ecologia Integral. A Bíblia sempre nos leva a olhar para fora, a no buscar nela uma justificativa para nossos posicionamentos pessoais ou grupais. Não nos sirvamos da Palavra e sim vejamos a Palavra como caminho de mudança, de conversão, como instrumento que nos aproxima de Deus e dos outros.

Picture of Luis Miguel Modino

Luis Miguel Modino

PrevPreviousMissiologia: “A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia”

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa

Celebração marcou o Dia do Catequista e reuniu representantes de paróquias urbanas, comunidades do interior e áreas indígenas.

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa
Foto divulgação

A-A+

No domingo, 31 de agosto, a Diocese de Roraima promoveu o Jubileu dos Catequistas, em celebração ao Dia do Catequista. O evento reuniu catequistas de paróquias de Boa Vista, comunidades do interior e áreas indígenas, que se encontraram em um momento de fé, partilha e espiritualidade.

A programação começou às cinco da tarde, com uma peregrinação que saiu da Igreja São Francisco em direção ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. A caminhada culminou com a Santa Missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Pascoal Spengler, e concelebrada por diversos sacerdotes, religiosos e religiosas.

Foto: Divulgação

Durante a celebração, foi destacada a missão e a vocação dos catequistas como pilares fundamentais da Igreja na formação cristã e na transmissão da fé. O Jubileu foi marcado por momentos de oração e celebração, reforçando a importância do serviço catequético para a vida da Diocese de Roraima.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa

Conselho de Evangelização da Diocese de Roraima discute formação de lideranças

Conselho de Evangelização da Diocese de Roraima discute formação de lideranças

Encontro reuniu representantes de paróquias de Boa Vista e do interior para fortalecer a missão evangelizadora da Igreja no estado.

Conselho de Evangelização da Diocese de Roraima discute formação de lideranças
Foto divulgação.

A-A+

No sábado, 30 de agosto, a Diocese de Roraima realizou a reunião ordinária do Conselho Diocesano de Evangelização (CDE). O encontro teve como tema central a formação de lideranças católicas e de agentes de pastoral, fundamentais para a missão evangelizadora da Igreja.

Os participantes foram divididos em grupos por áreas de evangelização, abrangendo paróquias do centro e da periferia de Boa Vista, além de comunidades missionárias do interior. Durante todo o dia, foram discutidas estratégias e propostas para aprimorar a formação pastoral, visando ampliar o alcance e a eficácia da ação evangelizadora da Diocese.

De acordo com os organizadores, a iniciativa reforça o compromisso da Igreja de Roraima em fortalecer o trabalho das lideranças e garantir que a missão de evangelização chegue a todas as comunidades do estado.

Confira as fotos das reuniões.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa

ALERR sedia exposição fotográfica em homenagem aos 300 anos da Igreja Católica em Roraima

ALERR sedia exposição fotográfica em homenagem aos 300 anos da Igreja Católica em Roraima

Mostra reúne 24 painéis e ficará aberta ao público no hall da Assembleia Legislativa, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

ALERR sedia exposição fotográfica em homenagem aos 300 anos da Igreja Católica em Roraima
Fotos: Jader Souza

Como parte das comemorações pelos 300 anos da presença da Igreja Católica em Roraima, a Assembleia Legislativa (ALERR) recebe uma exposição fotográfica que retrata momentos marcantes da história do catolicismo no estado. A mostra ficará aberta ao público até o dia 5 de setembro, no hall da Casa.

O presidente da Assembleia, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), destacou que as imagens representam um resgate histórico e reforçam o papel da instituição em reconhecer iniciativas que contribuem para a vida da população.

“O catolicismo tem uma trajetória que merece ser reconhecida e respeitada. Por isso, em parceria com a Diocese, fizemos esse resgate da história por meio de imagens, fotografias e relatos”, afirmou.

O deputado Dr. Cláudio Cirurgião (União), que também prestigiou o evento, ressaltou que a exposição evidencia o trabalho da Igreja Católica ao longo dos anos, tanto no campo religioso quanto no social.

“Nós temos muitas histórias bonitas promovidas pela Igreja Católica. Estamos resgatando momentos que não tratam apenas da religiosidade, mas também do trabalho social desenvolvido em prol de pessoas que muitas vezes não têm oportunidades de inserção na sociedade”, frisou.

O bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, lembrou que a atuação da Igreja na região antecede a criação do antigo Território Federal e se confunde com o desenvolvimento do estado.

“Essa exposição traz vidas, histórias e fatos, porque são 300 anos de evangelização”, ressaltou, informando ainda que a mostra terá caráter itinerante e percorrerá outras localidades de Roraima.

A diretora de Relações Institucionais da ALERR, Joselinda Lotas, explicou que a exposição foi montada em parceria com a Diocese e contou com curadoria de Pablo Sérgio Bezerra e Márcio Chaves Lavôr.

“Houve uma curadoria conjunta, com resgate de fotos antigas do início da evangelização em Roraima. É uma oportunidade importante para que a população conheça como começou a atuação da Igreja no estado. Além da visita presencial, as imagens também poderão ser acessadas pelo site da Assembleia”, destacou.

Exposição

A mostra reúne 24 painéis e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no hall da Assembleia Legislativa. As imagens também estão disponíveis no site al.rr.leg.br. Além disso, a sessão especial pode ser revista no YouTube, pelo canal @assembleiarr, ou no aplicativo TV ALERR Play.

 FONTE/CRÉDITOS: Com informações SupCom ALE-RR

Santa Helena, mãe do imperador Constantino

Origens 

Santa Helena, de família plebeia e pagã, nasceu em meados do século III, provavelmente em Drepamin, na Bitínia, no Golfo da Nicomédia (hoje, Turquia); essa cidade, mais tarde, foi chamada Helenópolis, em sua honra, pelo seu filho e futuro imperador Constantino. 

Segundo Santo Ambrósio, Helena exercia o cargo de “estabulária”, ou seja, a estalajadeira encarregada dos estábulos.

A modéstia e a delicadeza de Helena levaram o jovem oficial, Constâncio Cloro, a apaixonar-se por ela, apesar do seu nível social mais elevado. No entanto, quis casar-se com ela, levando-a consigo para Dardania, nos Bálcãs.

A jovem, que não tinha direito ao título honorífico do seu marido, foi uma esposa fiel. No ano 280, em Naisso, na Sérvia, deu à luz ao filho Constantino.

Fragilidades 

Constâncio, esposo de Helena, consentiram-lhe obter, junto com Galério, o título de César (co-regente); mas era preciso ratificar a sua elevação pelo novo sistema político da Tetrarquia. 

Por isso, os imperadores Diocleciano e Maximiano, em 293, obrigaram-no a divorciar-se da sua esposa e de unir-se em matrimônio com a enteada do segundo, Teodora. Isso era possível porque a lei romana não reconhecia o casamento entre nobres e plebeus. Helena foi obrigada a deixar sua família e seu filho. 

Humildade na adversidade 

Helena se fez pequena, afastada da família e do filho, que até então havia educado com dedicação e amor; ela nunca desanimou. Pelo contrário, permaneceu, humildemente, na sombra, enquanto Constantino foi elevado à corte de Diocleciano.

Conversão 

Com a morte de Constâncio em 306, Constantino mandou buscar a mãe para junto de si na Corte. Não sabemos quando se fez cristã; se ela que influiu na conversão de Constantino ou se, como escreve Eusébio de Cesareia, foi ele quem a converteu a ela. Tornou-se uma cristã fervorosa e piedosa.  

Tinha-lhe muito amor e não parou de encher de honras. Entre as suas primeiras medidas, o novo imperador mandou chamar imediatamente a sua mãe, Helena Flávia Júlia, a qual foi condecorada com o título de Augusta. 

Virtude da Humildade 

As honras jamais influenciaram seu coração, pelo contrário, estimularam a sua atenção inata para com o próximo, que se concretizou em dar esmolas, satisfazer as necessidades materiais dos pobres e libertar numerosas pessoas das prisões, das minas e do exílio.

Luminosa e contagiosa, a ponto de muitos perceberem a influência que teve na conversão do seu filho e na promulgação do Edito de Milão, em 313, que concedeu a liberdade de culto aos cristãos após três séculos de perseguição.

Dizem que Helena participava das celebrações religiosas, usando roupas modestas, para se confundir com a multidão, e convidava os famintos para o almoço, servindo-os pessoalmente.

Cruz na Terra Santa

Em 326, um acontecimento perturbou a vida da família: Constantino mandou matar. Primeiro, seu filho Crispo, por instigação da madrasta, Fausta, sua segunda mulher, também suspeita de acometer a sua honra. Diante dessa tragédia, com 78 anos de idade, Helena manteve firme a sua fé fazendo uma peregrinação penitencial à Terra Santa.

Ali, mandou construir duas Basílicas: a da Natividade, em Belém, e a da Ascensão, no Monte das Oliveiras. Essa iniciativa inspirou Constantino a construir também a Basílica da Ressurreição.

No Gólgota, ao mandar destruir os edifícios pagãos, construídos pelos romanos, aconteceu uma prodigiosa descoberta da verdadeira Cruz: o cadáver de um homem, que jazia sobre o madeiro, encontrou milagrosamente a vida. 

Os três cravos que perfuraram o Corpo de Jesus foram doados por Santa Helena para Constantino: um foi encastrado na Coroa de Ferro, conservado na Catedral de Monza, como lembrar que não existe soberano que não deve sucumbir à vontade de Deus. As preciosas relíquias estão guardadas, hoje, na Basílica romana de Santa Cruz de Jerusalém.

Páscoa

Santa Helena morreu em 329, aos 80 anos de idade, em um lugar não identificado. Ainda moribunda, foi assistida por seu filho, que, depois, levou seu corpo para a Via Labicana, em Roma, onde foi sepultado em um mausoléu em sua homenagem. Seu sarcófago de pórfiro, transportado ao Latrão, no século XI, hoje está conservado no Museu Vaticano.

Minha oração

“Querida Helena, que, por teu imenso amor ao catolicismo, influenciaste o teu filho, assim como também uma nação, ajudai as mães de todo o mundo a serem influenciadoras de suas famílias. Por Jesus Nosso Senhor. Amém!”

Santa Helena, rogai por nós!

Solenidade de Corpus Christi: confira a programação nesta quinta (19) em Boa Vista

Solenidade de Corpus Christi: confira a programação nesta quinta (19) em Boa Vista

Procissões, tapetes coloridos e missas especiais marcam a celebração do Corpo de Cristo; veja horários de cada comunidade e o significado da data.

Solenidade de Corpus Christi: confira a programação nesta quinta (19) em Boa Vista
Foto: Pascom Santuário

A-A+

A Igreja Católica celebra nesta quinta-feira (19) a Solenidade de Corpus Christi, que em latim significa “Corpo de Cristo”. É uma data móvel, celebrada sempre 60 dias após o Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade.

Esta solenidade litúrgica foi instituída pelo Papa Urbano IV após o Milagre de Bolsena, quando uma hóstia teria sangrado durante a Santa Missa. A festa de Corpus Christi celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia. É o único dia do ano em que o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas ruas.

Foto: Pascom Santuário

O Vigário Geral da Diocese de Roraima, Padre Josimar Lobo, explica o mistério da solenidade:

“Este mistério fazemos memória quando nos reunimos na comunidade para participarmos da Santa Missa. A cada missa, participamos deste grande milagre, que não é uma simples lembrança, mas uma memória viva. Pois o próprio Cristo, ao reunir-se com os discípulos na Quinta-Feira Santa, disse: ‘Fazei isto em memória de mim’. Por isso, não fazemos uma encenação, não realizamos um teatro ou um acontecimento qualquer, mas celebramos o grande dia em que Jesus, sendo tão grande, quis fazer-se pequeno e permanecer entre nós por meio do milagre da Eucaristia.”

Na festa de Corpus Christi, os fiéis mantêm viva a tradição de confeccionar tapetes ornamentais por onde o Santíssimo Sacramento, exposto no ostensório, passa. Os tapetes coloridos tiveram origem em Portugal e foram trazidos ao Brasil durante a colonização. Para a Igreja Católica, a prática remete à acolhida de Jesus em Jerusalém. Centenas de pessoas criam tapetes multicoloridos com desenhos religiosos, utilizando serragem, flores, pedras, farinha e areia, por onde passam as procissões.

Foto: Angélica Alves – Rádio Monte Roraima fm

Neste ano, paróquias e comunidades da diocese preparam tapetes para a solenidade. A Catedral Cristo Redentor, localizada no centro de Boa Vista, inicia a produção dos tapetes nesta quarta-feira (18), a partir das 14h.

A confecção exige planejamento e trabalho em equipe. O coordenador do dízimo, Leandro Ferreira, explica como a comunidade está se organizando:
“O ‘Segue-me’, os jovens da catequese e os acólitos da Paróquia Catedral estarão todos unidos nesse serviço catequético. Serão aproximadamente 28 metros de tapete com imagens e símbolos religiosos, utilizando cerca de 15 kg de serragem, 30 kg de sal e tinta de xadrez para dar vida e cor a essa arte de fé e esperança.”
No centro de Boa Vista, a Celebração Eucarística ocorrerá após a procissão, que sairá da Paróquia da Consolata às 6h, com a presença do bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler.

Confira a programação

CENTRO
06h – Procissão saindo da Paróquia Nossa Senhora da Consolata para a Catedral
17h às 19h – Adoração ao Santíssimo na Reitoria de Nossa Senhora Aparecida
19h – Santa Missa na Reitoria de Nossa Senhora Aparecida
18h – Missa na Paróquia São Francisco das Chagas
19h – Missa na Igreja Santíssimo Sacramento – Paróquia São Mateus

PARÓQUIAS – PERIFERIA


19h30 – Missa na Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Paróquia Santos Arcanjos (Rua Armando Nogueira, 2003, Asa Branca)
19h30 – Missa na Igreja Nossa Senhora dos Migrantes – Paróquia Frei Galvão (Rua Capricórnio, Jardim Primavera)
18h – Concentração da Paróquia São Jerônimo, 18h30 – Procissão, 19h30 – Missa na Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição, Buritis

ÁREAS MISSIONÁRIAS

Área Missionária São Raimundo Nonato
Manhã – Visita aos doentes
17h – Missa na Comunidade Santa Edwiges
Após a missa – Procissão até a Comunidade Nossa Senhora de Fátima, seguida de Adoração e Benção com o Santíssimo

Área Missionária São João Batista
08h30 – Missa na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora
19h – Missa na Igreja Santíssima Trindade

Área Missionária Santa Rosa de Lima
08h – Missa na Comunidade Nossa Senhora da Luz
17h – Procissão da Comunidade Santa Rosa de Lima até a Igreja Nossa Senhora de Fátima
19h – Missa na chegada da procissão

Área Missionária Sagrado Coração de Jesus
09h – Missa na Comunidade Santa Paulina
19h30 – Missa na Comunidade São José

Área Missionária de Bonfim
19h – Missa na Igreja de São Sebastião (município de Bonfim)

Área Missionária de Pacaraima
09h – Missa na Igreja Sagrado Coração de Jesus
Após a missa – Procissão nas ruas da cidade

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

Enfrentamento ao Tráfico Humano

“Marcas da Fronteira”: Documentário expõe a realidade do tráfico de pessoas em Roraim

O filme traz relatos sobre como o tráfico se disfarça. Foto: Cláudia Pereira
Produção da CEETH-CNBB aborda as conexões entre o crime do tráfico de pessoas, a migração, o garimpo ilegal e a exploração sexual na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.
A Comissão Especial Episcopal para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH-CNBB) lança na próxima sexta-feira, o6 de junho às 19h, o documentário “Marcas da Fronteira – O Tráfico de Pessoas Existe e é Visível”. O filme lança um olhar nas múltiplas facetas desta violência silenciosa em Roraima, conectando a crises humanitárias e socioambientais, como a migração e o avanço do garimpo ilegal.
Filmado durante uma missão da CEETH em Boa Vista, Bonfim, Pacaraima (RR), e nas cidades fronteiriças de Lethem (Guiana) e Santa Elena (Venezuela), o documentário é dividido em duas partes. Inicialmente, expõe a dimensão do problema através de entrevistas e imagens que abordam a violação de direitos humanos, a exploração sexual e o trabalho análogo à escravidão, vulnerabilidades que afetam brasileiros, migrantes e os povos originários.
Participantes da Missão (CEETH-CNBB) durante a visita ao Centro de Referência ao Migrante em Boa Vista, RR. Foto: Cláudia Pereira
Na segunda parte, a produção acompanha de perto o trabalho da comissão em Roraima, destacando a importância da escuta como ferramenta para tirar da invisibilidade as vítimas e suas histórias. O filme aponta a complexidade da região de tríplice fronteira como um fator que facilita a ação de aliciadores e critica a ausência de uma ação do estado integrada para combater o crime de forma eficaz.
“Nosso objetivo não era apenas denunciar, mas dar visibilidade desta violência que existe em Roraima e em todo Brasil. A luta contra o tráfico de pessoas em Roraima, hoje é uma missão em defesa da vida, liderada pela Igreja Católica e por organismos parceiros”, afirma Cláudia Pereira, que assina a direcão e roteiro do filme.
Um dos pontos revelados pelo documentário é a fronteira de Bonfim (RR) com a Guiana, uma rota extremamente vulnerável e sem segurança no fluxo migratório. A região, de predominância do povo indígena Wapichana, são vulneráveis aos assédios de criminosos do tráfico de pessoas para o garimpo ilegal, exploração de mulheres e crianças além dos crimes ambientais.
O filme traz relatos sobre como o tráfico se disfarça. “No geral, as mulheres vão com a promessa de ser cozinheira, mas sabemos que ‘cozinheira’ é um código do garimpo que significa que a pessoa está sendo explorada sexualmente. É uma forma de aliviar essa situação para a família encarar, sem problematizar e denunciar”, explica no documentário a professora e pesquisadora Márcia Maria de Oliveira.
Com um sentimento de esperança e indignação, “Marcas da Fronteira” se firma como um documento essencial para compreender a dinâmica atual do tráfico de pessoas na Amazônia e a relevância da atuação da sociedade civil organizada onde o Estado falha.
O documentário será lançado no dia 06 de junho, às 19h (horário de Brasília) no canal do YouTube da Cepast-CNBB.
https://youtube.com/watch?v=GzIFi9vVokA%3Ffeature%3Doembed
Ficha Técnica:
Realização: Comissão Especial Episcopal de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH-CNBB)
Produção, Reportagem e Imagens: Cláudia Pereira
Direção e Roteiro: Cláudia Pereira e Humberto Capucci
Edição e Finalização: Humberto Capucci
Trilha Sonora: André Luiz Sousa e Ewerton Oliveira
Música: Venezuela – Luis Silva
Apoio: Conferência Episcopal Italiana

REPAM-Brasil realiza reunião da presidência no Jalapão para fortalecer missão e diálogo com as realidades locais

De 27 a 29 de maio, a presidência da REPAM-Brasil esteve imersa no Jalapão, em Tocantins, para uma reunião estratégica com o objetivo de aproximar ainda mais a Rede das realidades locais e fortalecer seu compromisso com a preservação da biodiversidade e a promoção da vida. O local, que une os biomas do Cerrado e da Amazônia, foi escolhido para refletir a complexidade socioambiental que a REPAM-Brasil se dedica a proteger e promover.

A agenda da presidência foi diversificada, combinando visitas a pontos turísticos icônicos, como as famosas Dunas do Jalapão e cachoeiras, com momentos de profunda conexão comunitária e reuniões internas. Durante a visita, um dos pontos altos foi a participação no Festejo da Paróquia Divino Espírito Santo, que teve início na quinta-feira, 29 de maio.

Dom Pedro Brito Guimarães, Arcebispo de Palmas e vice-presidente da REPAM-Brasil, destacou a importância da imersão em uma região de grande diversidade: “Estamos aqui para entender as realidades locais, as vivências das comunidades e as formas de missão que podem ser mais eficazes para a Igreja, tanto no Cerrado quanto na Amazônia. Esta experiência tem sido uma verdadeira oportunidade de aprendizado constante”, afirmou.

Ele também refletiu sobre o cuidado com a criação, citando o Papa Francisco e sua conexão com a tradição de São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas, pela irmã água preciosa de Casta. Estamos aqui, no Jalapão, celebrando os 10 anos da Laudato Si’, agradecendo a Deus por toda a criação e buscando cada vez mais conscientizar a todos sobre a interconexão de tudo. É nossa responsabilidade cuidar desta criação de Deus, sendo zelosos da natureza e de todas as criaturas.”

Dom Evaristo Spengler, Bispo de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, compartilhou sua visão sobre a diversidade da região: “O bioma de outras regiões é repleto de rios, com abundância de água e floresta. No Jalapão, encontramos o cerrado, o capim dourado e uma vasta área de proteção ambiental, o que torna a região um importante ponto de turismo ecológico. Essa visita nos proporciona uma troca rica de sabedorias. O que vivenciamos em outras áreas da Amazônia, o que o povo local experimenta de maneira única, nos ensina a valorizar diferentes formas de convivência com a natureza. O que nos une é a preservação da casa comum a partir da fé.”

Ele também ressaltou o equilíbrio entre o homem e a natureza: “O Gênesis nos coloca a criação feita por Deus; tudo é criatura de Deus – o Sol, a Lua, as águas, as florestas. Aqui, vemos o contato direto com os povos e com o bioma, repleto de água, capim e cerrado. O povo local aprendeu a defender e viver com esse bioma sem destruí-lo. Essa sabedoria, transmitida de geração em geração, nos ensina a coexistir de forma equilibrada com a natureza.”

Dom Ionilton Lima, Bispo da Prelazia do Marajó e Secretário da REPAM, completou: “É fundamental que a Igreja se faça presente nessas regiões para não só anunciar a Palavra, mas também para defender o território e os direitos dos povos tradicionais. O desafio é grande, mas a missão é de muita esperança.”

A Secretária Executiva da REPAM-Brasil, Irmã Irene, também se manifestou sobre o significado do momento vivido no Jalapão: “Em 2025, estamos celebrando os 10 anos da Laudato Si’, e como presente, o Brasil vai receber a Conferência do Clima, a COP30, em Belém. Esse é um grande momento, não só para a Igreja, mas para o planeta, pois trata-se do cuidado com a nossa casa comum. Nós, da REPAM-Brasil e toda a rede eclesial da Pan-Amazônia, estamos nos preparando para esse evento, que será crucial para discutirmos o futuro do nosso planeta e como agir em harmonia com a criação.”

Durante as reuniões, também foram discutidas as preparações para a COP30, que acontecerá em Belém, além de estratégias para ampliar o alcance da atuação da REPAM-Brasil nos diversos territórios da Pan-Amazônia. As questões ambientais e a defesa dos povos tradicionais seguiram como prioridades, com o compromisso de fortalecer a atuação da Igreja nesses contextos.

REPAM-Brasil e CNBB alertam para riscos do

REPAM-Brasil e CNBB alertam para riscos do “PL da Devastação”: flexibilização do licenciamento ambiental ameaça biomas e povos tradicionais

Igreja e ambientalistas veem PL como risco à Amazônia e aos povos tradicionais; texto pode acelerar desmatamento e conflitos por terra.

 

REPAM-Brasil e CNBB alertam para riscos do
Nota-licenciamento-ambiental- Foto reprodução: CNBB

A-A+

A Rede Eclesial Pan-Amazônica no Brasil (REPAM-Brasil) somou-se à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para denunciar os graves impactos do Projeto de Lei 2.159/2021, aprovado pelo Senado no último dia 21 e apelidado de “PL da Devastação” por ambientalistas. O texto, que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental, agora retorna à Câmara dos Deputados e, se aprovado, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em nota pública divulgada nesta segunda-feira (26), a CNBB classificou a proposta como “um grave retrocesso” que “institucionaliza a flexibilização dos mecanismos de proteção da vida, das águas, das florestas e dos povos originários”. A REPAM-Brasil, inspirada pela encíclica Laudato Si’ e pelo conceito de Ecologia Integral, endossou o posicionamento, alertando para os riscos à Amazônia e a outros biomas.

O que está em jogo?

O PL 2.159/2021, aprovado por 54 votos a 13 no Senado, altera radicalmente o licenciamento ambiental no país. Entre as principais mudanças criticadas por especialistas e entidades religiosas estão:

  1. Licença por Autodeclaração: Cria a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), permitindo que empreendimentos de médio impacto obtenham licenças automáticas sem análise técnica prévia, apenas com um formulário preenchido pelo próprio empreendedor.
  2. Fragilização da Fiscalização: Reduz a atuação de órgãos como o Ibama e o ICMBio, dispensando a obrigatoriedade de consulta a comunidades afetadas e a análises de impacto em unidades de conservação.
  3. Ameaça a Territórios Tradicionais: Retira proteções de terras indígenas e quilombolas ainda em processo de demarcação, beneficiando setores como agronegócio e mineração.
  4. Benefícios a Grandes Projetos: Inclui a Licença Ambiental Especial (LAE), que acelera licenças para obras consideradas “estratégicas” pelo governo, como exploração de petróleo na foz do Amazonas.

Igreja e Sociedade Civil em Alerta

A CNBB destacou que o PL desmonta “instrumentos de prevenção de danos socioambientais” e lembra tragédias como Mariana e Brumadinho. “Não há justiça social sem justiça ambiental”, afirmou a entidade, citando o Papa Leão XIV: “Trabalhem por uma justiça ecológica, social e ambiental”.

A REPAM-Brasil reforçou o chamado à resistência: “É urgente rejeitar iniciativas que colocam o lucro acima da vida”, declarou, em referência aos riscos à Amazônia e aos povos que a habitam.

Reações e Próximos Passos

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) já se posicionou contra o projeto, classificando-o como “inconstitucional” e um risco à segurança ambiental. Organizações como o Observatório do Clima e o Instituto Socioambiental (ISA) alertam que a proposta pode multiplicar crimes ambientais.

Enquanto o PL segue para análise da Câmara, a CNBB e a REPAM-Brasil convocam fiéis e a sociedade a pressionar parlamentares. “Neste ano em que celebramos os 10 anos da Laudato Si’ e nos preparamos para a COP30 no Brasil, não podemos aceitar retrocessos”, concluiu a nota.

Leia mais:

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Dennefer Costa – com informações da CNBB, REPAM-Brasil e Observatório do Clima)