Santa Rita de Cássia, intercessora das famílias e das causas impossíveis

Uma infância cheia de devoção

A pequena periferia de Roccaporena, na Úmbria, foi berço de Margarida Lotti, provavelmente por volta de 1371, chamada com o diminutivo de “Rita”. Seus pais, humildes camponeses e pacificadores, procuraram dar-lhe uma boa educação escolar e religiosa na vizinha cidade de Cássia, onde a instrução era confiada aos Agostinianos. Naquele contexto, amadurece a devoção a Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino, que Rita escolheu como seus protetores.

Mulher e mãe dedicada

Por volta de 1385, a jovem se uniu em matrimônio com Paulo de Ferdinando de Mancino. A sociedade de então era caracterizada por diversas contendas e rivalidades políticas, nas quais seu marido estava envolvido. Mas a jovem esposa, através da sua oração, serenidade e capacidade de apaziguar, herdadas pelos pais, o ajudou a viver, aos poucos, como cristão de modo mais autêntico. Com amor, compreensão e paciência, a união entre Rita e Paulo tornou-se fecunda, embelezada pelo nascimento de dois filhos: Giangiacomo e Paulo Maria. Porém, a espiral de ódio das facções políticas da época acometeram seu lar doméstico.

Assassinato do esposo e perdão

O esposo de Rita, que se encontrava envolvido também por vínculos de parentela, foi assassinado. Para evitar a vingança dos filhos, escondeu a camisa ensanguentada do pai. Em seu coração, Rita perdoou os assassinos do seu marido, mas a família Mancino não se resignou e fazia pressão, a ponto de desatar rancores e hostilidades. Rita continuava a rezar, para que não fosse derramado mais sangue, fazendo da oração a sua arma e consolação. 

Doença dos filhos

Entretanto, as tribulações não faltaram. Uma doença causou a morte de Giangiacomo e de Paulo Maria; seu único conforto foi pensar que, pelo menos, suas almas foram salvas, sem mais correr o risco de serem envolvidos pelo clima de represálias, provocado pelo assassinato do marido. Tendo ficado sozinha, Rita intensificou sua vida de oração, seja pelos seus queridos defuntos, seja pela família de Mancino, para que perdoasse e encontrasse a paz.  

Pedido recusado

Com a idade de 36 anos, Rita pediu para ser admitida na comunidade das monjas agostinianas do Mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia. Porém, seu pedido foi recusado: as religiosas temiam, talvez, que a entrada da viúva de um homem assassinado pudesse comprometer a segurança do Convento. No entanto, as orações de Rita e as intercessões dos seus Santos protetores levaram à pacificação das famílias envolvidas na morte de Paulo de Mancino e, após tantas dificuldades, ela conseguiu entrar para o Mosteiro.

Monja Agostiniana

Narra-se que, durante o Noviciado, para provar a humildade de Rita, a Abadessa pediu-lhe para regar o tronco seco de uma planta, e sua obediência foi premiada por Deus, pois a videira, até hoje, é vigorosa. Com o passar dos anos, Rita distinguiu-se como religiosa humilde, zelosa na oração e nos trabalhos que lhe eram confiados, capaz de fazer frequentes jejuns e penitências. Suas virtudes tornaram-se famosas até fora dos muros do Mosteiro, também por causa das suas obras de caridade, juntamente com algumas coirmãs; além da sua vida de oração, ela visitava os idosos, cuidava dos enfermos e assistia aos pobres.

A Santa das rosas

Cada vez mais imersa na contemplação de Cristo, Rita pediu-lhe para participar da Sua Paixão. Em 1432, absorvida em oração, recebeu a ferida na fronte de um espinho da coroa do Crucifixo. O estigma permaneceu, por quinze anos, até a sua morte. No inverno, que precedeu a sua morte, enferma e obrigada a ficar acamada, Rita pediu a uma prima, que lhe veio visitar em Roccaporena, dois figos e uma rosa do jardim da casa paterna. Era janeiro, período de inverno na Itália, mas a jovem aceitou seu pedido, pensando que Rita estivesse delirando por causa da doença. Ao voltar para casa, ficou maravilhada por ver a rosa e os figos no jardim e, imediatamente, os levou a Rita. Para ela, estes eram sinais da bondade de Deus, que acolheu no Céu seus dois filhos e seu marido.

Veneração de Rita

Santa Rita expirou na noite entre 21 e 22 de maio de 1447. Devido ao grande culto que brotou logo depois da sua morte, o corpo de Rita nunca foi enterrado, mas mantido em uma urna de vidro. Rita conseguiu reflorescer, apesar dos espinhos que a vida lhe reservou, espalhando o bom perfume de Cristo e aquecendo tantos corações no seu gélido inverno. Por este motivo e em recordação do prodígio de Roccaporena, a rosa é, por excelência, o símbolo de Rita.

A minha oração

“Rita, grande intercessora das famílias, a ti pedimos verdadeiras graças de conversão sobre aqueles aos quais amamos. Tuas rosas são sinais de salvação, por isso, te pedidos a paciência e o perdão, a oração e intercessão, ajuda-nos de forma concreta nesta luta. Amém!”

Santa Rita de Cássia , rogai por nós!

A RUC apela a novos modelos de formação inspirados nas culturas originárias

A Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC) está reunida na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) para o II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum. O encontro busca construir pontes entre o Norte e o Sul com as universidades, segundo Emilce Cuda, secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina. Um congresso, promovido pelo Cardeal Prevost, agora Leão XIV, e pelo Cardeal Tolentino, que gere conexão entre os diversos atores, que provoque, por meio dos painéis, um debate entre todos, com a participação de todos, reforçou a teóloga argentina.

O sonho cultural

Seguindo os sonhos do Papa Francisco em Querida Amazônia, o Congresso abordou o sonho cultural em seu segundo dia de trabalhos. Vale lembrar, como Francisco disse aos participantes do primeiro encontro da RUC, realizado no Vaticano em 2023, que “cultura é o que permanece depois que esquecemos o que aprendemos“. É por isso que alertou sobre os universitários de laboratório e a necessidade de formar na linguagem da cabeça, do coração e da mão.

O estado atual da nossa Casa Comum estimula a reflexão e a ação nas universidades em vista do desenvolvimento sustentável, levando ao ensino pelo exemplo e a trabalhar a incidência, como destacou Rafaela Diegoli, do Instituto Tecnológico de Monterrey. Não podemos ignorar as palavras de Francisco, que disse que “profissionais de sucesso não podem ser formados em sociedades fracassadas“. Uma realidade que exige entender como aplicar a tecnologia em cada contexto, conhecê-la para adotá-la e aderir a ela, como disse Alejandro Guevara, da Universidade Ibero do México.

Novas abordagens educacionais

De acordo com María Eugenia García Moreno, da Universidade Mayor de San Andrés, na Bolívia, são necessárias abordagens diferentes das tradicionais na educação. Essas abordagens oferecem formação universitária para aqueles sem educação formal, mas que possuem conhecimento ancestral. O desafio é pensar de forma sustentável para agir de forma sustentável, o que exige uma mudança cultural e uma formação integral, como propõe Ester Sánchez, da Universidade Nacional de Cuyo, na Argentina.

Falar em Biodiversidade e Tecnologia é um dos grandes desafios hoje. O argentino Axel Barceló, da Fundação H. A. Barceló, reconhecendo o papel da tecnologia como uma ferramenta que reduz o trabalho, ele vê a necessidade de a humanidade controlar essa tecnologia. A biodiversidade é uma questão fundamental para a COP 30, afirma Peter Rozic, da Universidade de Oxford, que enfatizou a importância da ecologia integral, que “quer ouvir o chamado da Terra, que estamos matando, o chamado dos pobres, dos defensores do território“. Uma biodiversidade que está ligada ao tema cultural, refletindo sobre a importância de codificar práticas de biodiversidade em diversas línguas indígenas.

Levar em consideração os povos indígenas

Nesse sonho social, o caminho do Rio até Belém deve, segundo John Martens, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, levar em conta o conhecimento dos povos indígenas para que a educação seja integral. Isso ocorre porque o verdadeiro conhecimento é sabedoria, com um componente ético e religioso. Nesse sentido, Eugenio Martín de Palma, da Universidade de Santa Fé, Argentina, afirma a necessidade de trabalhar os ensinamentos de Francisco em relação ao tema das universidades, visto que um novo modelo de universidade está surgindo. Ele estava se referindo ao que Francisco chamou de Universidade do Sentido, que, em contraste com o modelo racionalista e cientificista da modernidade, exalta cada homem e o homem inteiro.

Temos que ter consciência da necessidade de aprender a trabalhar com o que temos, disse Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus e diretor da Faculdade Católica do Amazonas. Com base em seu conhecimento sobre comunidades indígenas e ribeirinhas, ele enfatizou a necessidade de preservar a memória para preservar a cultura, olhando para trás e tendo em mente o que o futuro reserva. Algo que ele vê no Encontro das Águas, fenômeno natural em Manaus, onde por 14 km os rios Negro e Solimões continuam se misturando até formar o Amazonas. A partir daí, ele pediu que se questione até que ponto a tecnologia nos ajuda a fazer memória e como a pesquisa universitária dá valor à memória.

Mudança nos modelos de formação

Esses conteúdos levaram os participantes a refletir em grupos que ajudaram a descobrir perspectivas. Trata-se de redefinir elementos que ajudem a mudar os modelos de formação, com novas práticas e propostas que reflitam o compromisso social das universidades para além das soluções acadêmicas ou tecnológicas, com planejamento, promovendo mecanismos que reduzam as lacunas de conhecimento e com planos locais que fomentem o compromisso comunitário com o cuidado da nossa casa comum.

Devemos abordar os conflitos e impactos ambientais de forma responsável, reconhecendo que os desastres socioambientais não são apenas o resultado de novos fenômenos naturais, mas também de disputas pelo acesso ao habitat. Da mesma forma, como garantir os direitos trabalhistas em diálogo com os novos formatos gerados pela tecnologia e pela terceirização. O desafio é levar conhecimento para além da universidade, transferir cultura e criar espaços interculturais que promovam o cuidado com a nossa casa comum. Daí a importância da conscientização para reconhecer o presente que recebemos da biodiversidade.

Trata-se de começar a ver o mundo de forma diferente, reconhecendo as contribuições do conhecimento ancestral para a educação, sabendo que ele vem do território, que eles protegem com suas próprias vidas. Daí a necessidade de os grandes projetos realizar estudos de impacto cultural e ambiental, usando a tecnologia a serviço da sociedade e das culturas. Isso requer uma educação integral que abranja conhecimento científico e tecnológico, mas que também tenha caráter humanístico e seja um caminho para a responsabilidade ambiental e ética.

Pontes entre a OEI e a RUC

Da Organização dos Estados Ibero-americanos, seu Diretor de Cultura, Raphael Caillou, afirma que a cultura contribui para a inclusão e é um mecanismo importante para a coesão social e a criação de uma cultura de paz. Da mesma forma, ele refletiu sobre a relação entre cultura e o fortalecimento de políticas públicas e o aumento da educação formal. A educação é um espaço de construção de pontes e consensos, afirma, pensando na criação de mecanismos de financiamento para uma educação de qualidade.

Na construção de pontes entre as universidades e a OEI, espaços como este congresso são importantes para criar um roteiro, estratégias compartilhadas e coordenadas entre diversas partes interessadas, mas com problemas comuns e objetivos claros e compartilhados.

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Luis Miguel Modino

Seminaristas e Vida Religiosa realizam formação sobre Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis

Na manhã desta terça-feira, 20 de maio, a Comissão de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis da Arquidiocese de Manaus realizou uma formação no Seminário São José com todos os seminaristas diocesanos, religiosos e religiosas e das comunidades de vida. A formação foi conduzida por Pe. Gilson Pinto e Pietro Bianco Epis, com foco no “Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”.

Causa permanente no Regional Norte 1

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) tem como causa permanente em suas Diretrizes para a Ação Evangelizadora o enfrentamento ao abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes. Uma urgência que tem avançado com passos concretos que ajudam a ir adiante no caminho percorrido pelo Regional e pelas nove igrejas locais que fazem parte dele.

Daí a importância da formação nesse campo com os seminaristas das Igrejas locais que fazem parte do Regional Norte 1, que realizam seu processo formativo no Seminário São José da Arquidiocese de Manaus. O conhecimento dessa realidade representa um elemento fundamental dentro do processo de formação. Daí o empenho da equipe formativa e do reitor, padre Pedro Cavalcante.

Encontros em todos os níveis

O encontro faz parte dos muitos encontros que vem sendo realizados no Regional Norte 1 da CNBB, nas comunidades, paróquias, prelazias, dioceses, movimentos e pastorais. Dentre eles, cabe lembrar o encontro realizado na quinta-feira 15 de maio de 2025 com as atendentes das áreas missionárias e paróquias da Arquidiocese de Manaus, com a assessoria do padre Flávio Gomes dos Santos, Karen Lima do Amaral e Pietro Bianco Epis.

Nesse encontro, além de ser trabalhado o “Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”, foi abordada a questão dos sinais nas crianças que são abusadas, temática que foi aprofundada pela psicóloga Karen Lima do Amaral.

Mais um passo para a Comissão de Escuta e Proteção Crianças, Adolescentes e pessoas Vulneráveis do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que ao longo do ano 2025 vai atingindo todos os níveis: casas religiosas, escolas, diáconos, presbíteros, buscando a orientação diante dessa realidade, segundo afirmou o padre Flávio Gomes dos Santos.

Luis Miguel Modino

Encontro da RUC: “Educar para o cuidado, gerar propostas concretas para organizar a esperança”

Em clima sinodal, buscando caminhar juntos, está sendo realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), de 20 a 24 de maio de 2025, o II Encontro Sinodal de Reitores Universitários para o Cuidado da Casa Comum, com o apoio da Pontifícia Comissão para a América Latina (PCAL). Um encontro realizado em coordenação com o Dicastério para a Cultura e a Educação, o Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM), a Caritas América Latina e Caribe, a Associação de Universidades Confiadas à Companhia de Jesus na América Latina (AUSJAL) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

Dívida Ecológica e Esperança Pública

O encontro tem como tema “Dívida Ecológica e Esperança Pública” e comemora o 10º aniversário da Laudato si’. Em vista de preparar a COP 30, conta com representantes de universidades das Américas, Espanha, Portugal e Reino Unido. O objetivo é “organizar a esperança” e, para isso, durante cinco dias haverá um diálogo sinodal sobre os quatro sonhos propostos pelo Papa Francisco na exortação apostólica “Querida Amazônia”, que incorpora os debates sobre Dívida Pública e Esperança Pública.

Para isso, será seguido o método de ver, discernir e agir, com palestras que motivarão o discernimento em pequenos grupos com base no método sinodal. Isso busca assumir a responsabilidade e trabalhar seriamente para mudar o curso do desenvolvimento, como disse o secretário executivo da RUC, Francisco Piñón. Tudo isso em um congresso onde “estamos fazendo um evento político, estamos nos posicionando”, nas palavras do reitor da PUC-Rio, Anderson Pedroso.

O jesuíta compartilhou os passos que estão sendo dados nesta universidade por meio do Projeto Amazonizar, que envolve entender a lógica, a complexidade e a potência da ecologia integral a partir da perspectiva da Querida Amazônia e seus quatro sonhos, com foco no sonho eclesial, renomeado como sonho comunitário, entendendo que a comunidade, mais do que somar forças, é um espaço de entrega de cada indivíduo, “retirando um pouco de si para dar espaço ao que é comum”. Tudo isso porque “o lugar da esperança é a comunidade, um lugar para algo novo nascer”.

Homenagem ao Papa Francisco

Um encontro que é uma homenagem ao Papa Francisco, como disse Agustina Rodríguez Saa, Reitora da Universidade Nacional de Comechingones e Presidente da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum da Argentina. O Papa Francisco é visto como alguém que deixa “uma palavra que irá inspirar e guiar aqueles de nós que acreditam que outra forma de habitar a Terra é possível”. Recordando o chamado a ser ponte que Leão XIV pede, ela pediu para organizar a esperança nas universidades em três níveis: internamente, a partir do aprofundamento da interdisciplinaridade e do diálogo dos saberes; ser comunidade em rede, a partir da diversidade, com pluralidade de vozes unidas sob uma preocupação comum, o cuidado da nossa casa comum e a criação de novos espaços; construindo pontes entre ciência e política, entre academia e sociedade, entre Norte e Sul.

O objetivo é refletir, dialogar e sonhar com novos caminhos para o cuidado da nossa casa comum, segundo o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Mas também para tomar consciência de que “não estamos sozinhos, que precisamos uns dos outros”, como recordou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, Cardeal José Tolentino de Mendoça. Ele fez isso refletindo sobre os desafios, os valores a serem promovidos e os recursos disponíveis, servindo como pontes.

Ideias presentes na mensagem do Papa Leão XIV, que destacou a importância do Congresso como “um trabalho sinodal de discernimento em preparação à COP30” e um espaço para “refletir juntos sobre uma possível remissão entre a dívida pública e a dívida ecológica, proposta que o Papa Francisco havia sugerido em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz”. Para isso, ele encorajou os reitores “nesta missão que assumiram: ser construtores de pontes de integração entre as Américas e com a Península Ibérica, trabalhando pela justiça ecológica, social e ambiental”.

Coordenação Comunitária Internacional

Um caminho que exige a constituição de uma “Coordenação Comunitária Intercontinental para o Desenvolvimento Sustentável“, tema da conferência de abertura, da qual participaram Román Ángel Pardo Manrique, decano de Teologia da Universidade de Salamanca e diretor da Subcomissão Episcopal de Caridade e Ação Social da Conferência Episcopal Espanhola, e Jorge Calzoni, reitor da Universidade de Avellaneda, na Argentina.

Uma reflexão que busca como ser uma comunidade organizada, tendo consciência das dificuldades de organizar a esperança. Para isso, é preciso ir além dos pequenos grupos e educar para o cuidado, gerando propostas concretas para organizar a esperança como RUC. Isso deve levar a uma reflexão sobre o peso da dívida externa dos países, transformando o peso da dívida em um recurso educativo para gerar uma cultura do encontro. Uma reflexão que ofereceu ferramentas para o trabalho em grupo, que juntos contribuíram com elementos para ajudar a desenvolver um documento para a COP30.

Um caminho do Rio para Belém

Este documento é um caminho, o caminho do Rio a Belém, do congresso da RUC à COP30. Não podemos esquecer que as universidades são “uma interface entre a base e os órgãos governamentais”, como destacou Mauricio López Oropeza, diretor do Programa Universitário da Amazônia (PUAM). Um caminho para Belém, que seja um caminho para a periferia, para os excluídos, a longo prazo e com participação popular efetiva.

Construindo pontes, como está sendo feito na Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, de acordo com seu representante no congresso, Christopher Ljungquist. Pontes que levem a Doutrina Social da Igreja aos políticos americanos, trazendo a periferia para o centro para que a periferia possa falar por si mesma, buscando fazer a ponte entre as ideias e a realidade, tarefa na qual a Igreja Católica se destaca.

De fato, afirmou Federico Montero, secretário organizacional da Federação Nacional de Professores Universitários (CONADU), a educação é uma ponte, e o papel do professor é construir essa ponte por meio do processo pedagógico. Para isso, é necessário criar laços comunitários que permitam fortalecer-nos mutuamente, garantir maior participação nos processos decisórios dos processos educativos e fomentar uma educação centrada no trabalho como categoria integral, humanística, com uma visão holística do indivíduo. Ele também reforçou a importância de percorrer o caminho, de entender que a Igreja Católica prepara o terreno para aqueles que conseguem chegar a acordos apoiados por atores sociais com capacidade de torná-los realidade no futuro.

Pontes de Integração, Reconciliação e Fraternidade

O objetivo é construir “Pontes de Integração, Reconciliação e Fraternidade”. Uma reflexão que resume os passos dados no primeiro dia do Congresso com Rita Gajate, Reitora da Universidade Católica de La Plata, e o Arcebispo de Lima, Cardeal Carlos Castillo. Um passo do caos para a ordem, da urgência para o trabalho, da crise para a esperança, como disse Gajate, “a crise não se resolve, ela se habita”.

Em um tempo de amor gratuito, o Cardeal Castillo propôs o avanço da humanidade em todas as suas dimensões, para o qual devemos enfrentar o desafio de reinserir as universidades nos processos da sociedade, nos movimentos invisíveis presentes na vida daqueles que sofrem, iniciativas que muitas vezes são esquecidas. Para isso, as universidades enfrentam o desafio de ir além da elaboração teórica e científica para promover novas formas de conhecimento, para revelar o Deus oculto, que escolhe por último, aqueles de quem Deus regenera a humanidade. Daí o apelo às universidades para que “bebam daquilo que não aparece”, diante de um poder político que não reconhece os problemas do povo.

Comunhão com os jovens

A reitora da Universidade de La Plata defendeu sua paixão por uma universidade: uma universidade aberta, extrovertida, que busque conhecimento, forneça soluções e contribua para um mundo melhor. Isso requer trabalhar em comunhão com os jovens, o que “pode rejuvenescer nossa maneira de ver as coisas”, valorizando os jovens a partir de uma síntese das diversas realidades presentes na sala de aula, com vistas a uma comunhão que leve a universidade a se tornar uma força na resolução dos problemas sociais, por meio do discernimento, da ação e da imaginação do possível.

A universidade deve nos ajudar a seguir em frente, argumentou o cardeal peruano, exortando-nos a ouvir atentamente as novas e complexas situações presentes na sociedade, especialmente entre os jovens. Daí a necessidade de apostar na compreensão dos jovens, de ter paciência e ajudar a sistematizar iniciativas, de promover a reflexão crítica e a sinodalidade, dado que só sairemos disto com o apoio de todos e através do diálogo, como caminho a seguir num mundo muito complexo.

Luis Miguel Modino

Cardeal Tolentino: “Fazer das universidades laboratórios de comunhão e de futuro”

Aos 10 anos da Laudato Si, a Rede Universitária para o Cuidado da Casa Comum (RUC), organizou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) o II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum. Um evento que conta com a apoio do Vaticano através da Pontifícia Comissão para a América Latina (PCAL), que até sua eleição como Papa Leão XIV era presidida pelo cardeal Robert Prevost.

Recepção da Laudato Si nas universidades católicas

Um apoio vaticano que também se concretiza através do Dicastério para a Cultura e a Educação. Seu prefeito, o cardeal José Tolentino de Mendoça, enviou uma mensagem em vídeo, onde ele afirma que, “desde o princípio, as universidades católicas receberam com entusiasmo a mensagem da Laudato si’ e que deu origem a tantos projetos de pesquisa, a tanta criatividade e, sobretudo, a uma consciência eclesial nova”.

https://youtube.com/watch?v=NI9awhXtwEY%3Ffeature%3Doembed

O cardeal português vê na Laudato Si um fator de transformação de mentalidade, oferecendo ao mundo “essa consciência de que não estamos sós, de que precisamos uns dos outros, que tudo está interconexo e que precisamos disputar, ao mesmo tempo, os desafios da casa comum e os desafios da fraternidade”. O prefeito destacou que “em vista da COP30 e neste caminho jubilar de construção de pontes, como diz Papa Leão XIV, é junto que podemos fazer verdadeiramente das nossas universidades e das nossas redes universitárias, laboratórios de comunhão e de futuro”.

Três perguntas

Tolentino referiu-se em sua intervenção a algumas perguntas úteis que o Papa Leão XIV chama a “deixar ressoar no interior da nossa reflexão”. A primeira pergunta: “Quais são, hoje, os desafios mais importantes a enfrentar?”, respondendo que “a universidade não é uma torre de marfim, não é uma bolha ao lado da realidade. A universidade está implicada nos grandes processos de reflexão, de inovação, de qualificação ética, de justiça das nossas sociedades. Só assim a identidade católica se pode verdadeiramente espelhar. Então, a primeira pergunta é essa, de escutar quais são, hoje, os desafios mais urgentes”.

“A segunda pergunta é sobre que valores promover. E essa também é uma interrogação que nos deve fraternizar a todos, porque nós transmitimos conhecimento, projetos, saber. Mas tudo isso, sabemos que sem os valores é ainda insuficiente. Por isso é importante nos colocarmos de acordo sobre que valores fundamentais nós temos de transmitir”, disse o cardeal.

Finalmente, “Quais são os recursos sobre os quais nós podemos contar? Quais são os desafios? Quais são os valores? E quais são os recursos?”. O cardeal respondeu que “um valor é ousar juntos. Um valor é poder reunir duzentas universidades diferentes. Um valor é essa experiência da mística do comum. Porque verdadeiramente a união faz a esperança. A união torna-nos artesãos da paz, do diálogo, dando um testemunho de que é possível vencer a cultura da polarização e do desencontro”.

Ser ponte

Aos participantes do Congresso, ele pediu que “este importante encontro, seja uma ponte, seja a parábola de uma ponte, que nós construímos juntos e oferecemos ao presente como um apor, um contributo que as universidades dedicam ao futuro”.

Luis Miguel Modino

Leão XIV à RUC: “Trabalhem por uma justiça ecológica, social e ambiental”

Com uma grande saudação à Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC), o Papa Leão XIV iniciou suas palavras aos participantes do II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum. Representantes de universidades de todo o continente americano e da Península Ibérica e Reino Unido, se reúnem na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), de 20 a 24 de maio de 2025, para debater de modo sinodal sobre como consolidar o compromisso universitário com o cuidado da Casa Comum. O tema abordado é “Dívida Ecológica e Esperança Pública”.

Apoio do Vaticano

O Vaticano apoia o encontro através da Pontifícia Comissão para América Latina (PCAL) e do Dicastério para a Cultura e a Educação. Um apoio que se fez explícito com as palavras do Papa Leão XIV, presidente da PCAL até sua eleição como pontífice. Ele recordou que o encontro “têm este belo motivo do 10º aniversário do documento do Santo Padre Francisco, a encíclica Laudato si’

O Santo Padre enfatizou que no Congresso será realizado “um trabalho sinodal de discernimento como preparação para a COP30”. Junto com isso que, será um encontro onde “vão refletir juntos sobre uma possível remissão entre a dívida pública e a dívida ecológica, uma proposta que o Papa Francisco havia sugerido em sua mensagem para a Jornada Mundial da Paz”.

Construir pontes de integração

Neste Ano Jubilar, Ano de Esperança, o Papa Leão XIV enfatizou que “esta mensagem é muito importante”. Nessa perspectiva, o pontífice mostrou aos reitores universitários, seu desejo de “encorajá-los nessa missão que assumiram: a serem construtores de pontes de integração entre as Américas e com a Península Ibérica, trabalhando por uma justiça ecológica, social e ambiental”.

Finalmente, o Papa agradeceu “por todos os seus esforços e seu trabalho”. Ao mesmo tempo, os animou a “continuar construindo pontes”. Leão XIV encerrou suas palavras enviando uma bênção, “confiando na graça de Deus que sempre nos acompanha”.

Junto com o 10º aniversário da Laudato si’, o congresso elaborará um documento para ser enviado à COP30, que também será realizada no Brasil, especificamente em Belém do Pará. Nesse contexto, representantes do mundo acadêmico, governamental e eclesiástico, bem como de organizações multilaterais, se reúnem na PUC-Rio. O objetivo é uma proposta sinodal que promova a escuta, o discernimento coletivo e a ação concreta diante da crise socioambiental. É uma oportunidade de levar adiante as propostas iniciais do Papa Leão XIV, que defende a construção de pontes de paz e o desenvolvimento dos povos.

Dom Evaristo Spengler celebra 41 anos de ordenação presbiteral

Dom Evaristo Spengler celebra 41 anos de ordenação presbiteral

Ordenado em 19 de maio de 1984 na Paróquia São Pedro Apóstolo, em Gaspar (SC)

Dom Evaristo Spengler celebra 41 anos de ordenação presbiteral
Foto: Libia Lopes

Nesta segunda-feira (19), Dom Evaristo Pascoal Spengler comemora 41 anos de vida sacerdotal. Ordenado em 19 de maio de 1984 na Paróquia São Pedro Apóstolo, em Gaspar (SC), sua cidade natal, o bispo franciscano da Ordem dos Frades Menores iniciou uma trajetória marcante na Igreja Católica.

Dom Evaristo atuou como vigário em paróquias do Rio de Janeiro e da Diocese de Nova Iguaçu entre 1984 e 1996, além de cumprir missão em Angola de 2001 a 2010. Profissionalmente consagrado em 2 de agosto de 1982, assumiu em 2016 a Prelazia de Marajó (PA), onde se destacou por seu trabalho pastoral até ser nomeado, em 2023, o 10º bispo da Diocese de Roraima – que estava vacante desde a transferência de Dom Mário Antônio da Silva para Cuiabá (MT) em 2022.

Aos 62 anos, o catarinense preside a Comissão de Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB e é reconhecido por sua atuação sinodal e proximidade com as comunidades.

O Vigário Episcopal, Padre Celso Putkammer, deixou uma mensagem especial ao bispo:

“Hoje é o aniversário de ordenação presbiteral de Dom Evaristo, dia em que rezamos a Deus para que continue abençoando sua vida e seu ministério. Que ele permaneça sempre conosco nesta caminhada sinodal. Deus escolhe pessoas para conduzir o povo e presidir na unidade, e Dom Evaristo tem sido essa pessoa: sempre aberto ao Espírito, com um coração sinodal, nos ajudando a discernir os caminhos que devemos seguir. Que Nossa Senhora estenda sobre ele seu manto protetor, guardando seu ministério. Muito obrigado!”

Já o Frei Atílio Battituz, que acompanhou Dom Evaristo em sua jornada vocacional, destacou suas qualidades como pastor:

“Dom Evaristo é um homem muito próximo das pessoas, de fácil acesso, sem burocracia no trato. Sempre sorridente, acolhedor e disposto a incluir a todos. Ele não sabe ser padre, nem bispo, sem as comunidades. Para ele, a Igreja é uma rede de comunidades – sejam paróquias, áreas missionárias ou missões indígenas. A comunidade é a base de tudo. Quero lhe enviar não apenas um abraço, mas o desejo de que nunca lhe falte a força do Espírito Santo, a sabedoria que vem de Deus e o mesmo carinho que você tem por cada pessoa que encontra. Parabéns, paz e bem!”

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

Beato Vital Vladimiro Bajrak, ucraniano perseguido e morto pelos soviéticos

Ucraniano
Vladimiro nasceu na Ucrânia, em 14 de fevereiro de 1907, em uma aldeia na província de Ternopol. 

Infância e vida religiosa
Em 1922, frequentou o ginásio na cidade de Čertkov e, em 4 de setembro de 1924, ingressou na ordem de São Basílio, o Grande, segundo a regra de São Iosafat, tomando o nome monástico de Vitalij. Depois de completar o noviciado em Krechov, estudou teologia nas escolas monásticas de Lavrov, Dobromil e Kristinopol, todas na Ucrânia. 

Serviço na abadia
Aos 26 anos, fez votos solenes e foi ordenado sacerdote em Žovkva, onde foi nomeado vice-responsável do mosteiro e, ao mesmo tempo, coadjutor da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Em julho de 1941, foi nomeado responsável pelo mosteiro em Drogobyč, província de Lviv, substituindo os anteriores presos e mortos, Serafim Baranik e Ioakim Sen’kovskij.

Perseguição
O padre Vitalij foi preso por agentes da NKVD, a polícia política soviética, em 17 de setembro de 1945, acusado de ter participado na aldeia de Turinka de um funeral no túmulo dos militantes ucranianos do exército subversivo em 1941, de ter feito propaganda antissoviética durante um sermão. Também foi perseguido por publicar um artigo falso contra o partido bolchevique no calendário antissoviético “Missioner” de 1942.

Condenação
Em 13 de novembro de 1945, o padre Vitalij foi condenado pelo tribunal militar a 8 anos de prisão e confisco de ativos.

Ele morreu poucos dias antes da Páscoa de 1946, depois de ter sido brutalmente espancado durante o interrogatório: foi levado de volta para a prisão do NKVD em uma maca e enterrado na própria prisão. 

Beatificação
O padre Vitalij Bajrak foi beatificado, em 27 de junho de 2001, durante a visita do Papa João Paulo II à Ucrânia, junto com outros 24 greco-católicos vítimas da perseguição soviética.

A minha oração
“Senhor Jesus, hoje são outros milhares de ucranianos que sofrem por perseguição, além de religiosa, mas civil e desleal. Que a nossa oração console os ucranianos que sofrem e providencie para cada um o renovar da esperança. Assim seja, por intercessão do Beato Vital Vladimiro Bajrak.”

Beato Vital Vladimiro Bajrak, rogai por nós!

Fiéis provenientes inclusive do Brasil estiveram presentes na audiência na Sala Paulo VI

Leão XIV: com o coração na mão, peço para dialogarmos pela paz

Em audiência com cerca de 5 mil pessoas na Sala Paulo VI, o Pontífice fez um discurso por ocasião do Jubileu das Igrejas Orientais que termina nesta quarta-feira (14/05). Leão XVI alertou para o risco de se perder o patrimônio dos cristãos orientais devido à diáspora “por causa da guerra e perseguições, da instabilidade e da pobreza” e fez mais um apelo pelo silêncio das armas: “os povos querem a paz, e eu, com o coração na mão, digo aos líderes das nações: encontremo-nos, dialoguemos, negociemo

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Andressa Collet – Vatican News

O Papa Leão XIV, há quase uma semana da sua eleição como Sucessor de Pedro, encontrou os 5 mil participantes do Jubileu das Igrejas Orientais na Sala Paulo VI, no Vaticano. A audiência nesta quarta-feira (14/05) marcou o dia de encerramento de mais um jubileu temático, o de número 13 deste Ano Santo da esperança, que desde terça-feira (12/05) reuniu fiéis e representantes das Igrejas Orientais Católicas, patriarcas e metropolitas de mais de 10 países, inclusive do Brasil, presentes na audiência com bandeiras do país. Durante dois dias, os participantes celebraram a Divina Liturgia em diferentes ritos, como aquele etíope, armeno, copto e sírio-oriental. Durante a tarde desta quarta-feira (14/05), os peregrinos concluem o jubileu com aquela em rito bizantino na Basílica de São Pedro.

Fiéis provenientes inclusive do Brasil estiveram presentes na audiência na Sala Paulo VI

Fiéis provenientes inclusive do Brasil estiveram presentes na audiência na Sala Paulo VI   (@VATICAN MEDIA)

E uma das primeiras audiências do Pontificado, Leão XIV acolheu os fiéis orientais com uma saudação que o “Oriente cristão repete incasavelmente neste tempo pascal” de fé e esperança sobre a Ressureição de Jesus – “o fundamento indestrutível”: “Cristo ressuscitou. Ressuscitou verdadeiramente!”. O Papa direcionou o olhar, assim, aos “irmãos e irmãs do Oriente, onde nasceu Jesus”, descrevendo-os como “preciosos” pela diversidade de proveniência, história e sofrimentos. 

O perigo de se perder o patrimônio das Igrejas Orientais

“São Igrejas que devem ser amadas”, citando o Papa Francisco, pelos “tesouros inestimáveis”, pela “vida cristã, sinolidade e liturgia”; com “um papel único e privilegiado”, como escreveu também João Paulo II. Já Leão XIII, recordou ainda o Papa, “foi o primeiro a dedicar um documento específico à dignidade das Igrejas” Orientais pela “legítima diversidade da liturgia e da disciplina orientais”. Na Carta Orientalium Dignitas (30 de novembro de 1894), Leão XIII também demonstrou uma preocupação que ainda é atual, pelo fato de muitos fiéis orientados serem “forçados a fugir dos seus território de origem por causa da guerra e perseguições, da instabilidade e pobreza”, correndo o risco de, “ao chegarem no Ocidente, de perder, além da pátria, também a própria identidade religiosa. E, assim, com o passar das gerações, se perde o inestimável patrimônio das Igrejas Orientais”.

Junto a Leão XIII, o Papa se uniu em um apelo  aos “cristãos — orientais e latinos — que, especialmente no Oriente Médio, perseverem e resistam nas suas terras, mais fortes do que a tentação de abandoná-las. Aos cristãos é preciso dar a oportunidade, não apenas com palavras, de permanecer nas suas terras com todos os direitos necessários para uma existência segura. Peço a vocês que se empenhem para isso!”. Uma preservação dos ritos orientais que deve ser promovida “sobretudo na diáspora”, disse o Pontífice. Um pedido dirigido inclusive ao Dicastério para as Igrejas Orientais: “de me ajudar a definir princípios, normas e diretrizes por meio dos quais os Pastores latinos possam apoiar concretamente os católicos orientais da diáspora a preservar as suas tradições vivas e a enriquecer com a sua singularidade o contexto em que vivem”.

“A Igreja precisa de vocês. Quão grande é a contribuição que o Oriente cristão pode nos dar hoje! Como temos necessidade de recuperar o sentido do mistério, tão vivo nas liturgias de vocês, que envolvem a pessoa humana na sua totalidade, cantam a beleza da salvação e inspiram o estupor pela grandeza divina que abraça a pequenez humana!”

Leão XIV enalteceu sobre a preservação dos ritos orientais que deve ser promovida "sobretudo na diáspora"

Leão XIV enalteceu sobre a preservação dos ritos orientais que deve ser promovida “sobretudo na diáspora”   (@VATICAN MEDIA)

Leão XIV e Santa Sé juntos para promover a paz 

O discurso de Leão XIV, então, se dirigiu fortemente por mais um apelo pela paz: “não tanto aquele do Papa, mas o de Cristo, que repete: ‘a paz esteja convosco'”. Uma paz tão necessária “da Terra Santa à Ucrânia, do Líbano à Síria, do Oriente Médio ao Tigré e ao Cáucaso, quanta violência!”, lamentou o Papa, que também convidou a rezar “por essa paz, que é reconciliação, perdão, coragem para virar a página e recomeçar”. A Igreja, insistiu o Pontífice, “não se cansará de repetir: silenciem as armas”:

“Farei todo o possível para que essa paz se difunda. A Santa Sé está à disposição para que os inimigos se encontrem e se olhem nos olhos, para que os povos redescubram a esperança e a dignidade que merecem, a dignidade da paz. Os povos querem a paz, e eu, com o coração na mão, digo aos líderes das nações: encontremo-nos, dialoguemos, negociemos! A guerra nunca é inevitável, as armas podem e devem silenciar, pois não resolvem os problemas, mas os aumentam; porque entrará para a história quem semeará paz, não quem que criará vítimas; porque os outros não são, antes de tudo, inimigos, mas seres humanos: não vilões a serem odiados, mas pessoas com quem falar.”

Papa Leão XIV continua presença pontifícia em Instagram e X

O Papa Leão XIV, que já tinha uma conta no X como cardeal Robert Prevost, optou por manter uma presença ativa nas redes sociais por meio das contas papais oficiais no X e no Instagram.

X e Instagram

Ele continuará a partir deste 13 de maio com as contas @Pontifex usadas no X por Bento XVI e Francisco. São publicadas em nove idiomas (inglês, espanhol, português italiano, francês, alemão, polonês, árabe e latim), atingindo um total de 52 milhões de seguidores.

O conteúdo publicado pelo Papa Francisco, segundo informou o Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. será arquivado em breve em uma seção especial do site institucional da Santa Sé, o vatican.va. No Instagram, a conta se chama @Pontifex – Pope Leo XIV, a única conta oficial do Santo Padre na plataforma, em continuidade à conta @Franciscus do Papa Francisco.

Uma dinâmica iniciada em 2012

O conteúdo publicado na conta @Franciscus permanecerá acessível como arquivo “Ad Memoriam”. A presença dos Papas nas redes sociais iniciou com o Papa Bento XVI, em 12 de dezembro de 2012. Nessa data foi lançada no Twitter a conta @Pontifex, sendo herdada poucos meses depois pelo Papa Francisco. O início da conta no Instagram, com o nome @Franciscus, foi em 19 de março de 2016.

Ao longo de seu pontificado foram publicadas 50 mil postagens nas nove contas de X e na conta do Instagram. Acostumavam ser mensagens curtas evangelizadoras ou exortações em favor da paz, da justiça social e do cuidado com a criação, alcançando grande interação, especialmente em tempos difíceis, especialmente em 202, ano do início da pandemia, em que as mensagens tiveram um alcance de 27 bilhões.

Luis Miguel Modino