A Missa de Envio ocorre nesta sexta-feira, 05, às 19h30, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, Bela Vista
Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima
Padre Attilio Santuliana, Fidei donum, de 77 anos, encerra sua missão no estado após 15 anos de serviço pastoral. O missionário retorna à Itália depois de 38 anos de atuação no Brasil. A Diocese de Roraima convida todos os fiéis para a Missa de Envio, que ocorre na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, localizada na Rua Rio Guaíba, 511, bairro Bela Vista.
Padre Attilio chegou ao Brasil em 23 de janeiro de 1987. Antes de atuar em Roraima, trabalhou por mais de vinte anos em Pernambuco, onde viveu experiências que marcaram seu caminho missionário.
Sua vocação surgiu na infância, influenciada pela vida de oração da família e pela experiência como coroinha. Aos 11 anos ingressou no seminário. Foi ordenado diácono em dezembro de 1973 e sacerdote em junho de 1974.
Primeiros anos de missão no Brasil
Ao chegar ao país, sua primeira impressão foi a realidade de pobreza, mas também a disposição e alegria das pessoas. Enfrentou desafios comuns aos estrangeiros como clima, língua e diferenças culturais. Ele recorda que “o primeiro desafio foi o calor, depois a língua, porque sabia quase nada de português. Lembro o impacto cultural, tanto que emagreci 10 quilos. Não fazia trabalhos forçados e, aos poucos, fui me adaptando. Éramos dois e, depois de cinco meses, o bispo nos confiou uma paróquia e assim começou o pastoreio”, disse padre Attilio.
Missão em Roraima
No dia 1º de dezembro de 2010, Padre Attilio chegou à Área Missionária Santa Rosa de Lima, na periferia oeste de Boa Vista. No local, iniciou uma caminhada de quase 15 anos, marcada pela proximidade com as comunidades. Atuou em áreas urbanas e rurais, visitando famílias, celebrando sacramentos, formando lideranças e fortalecendo a vida pastoral.
Sobre sua missão em Roraima, Padre Attilio destaca que “foi uma boa caminhada nesses 15 anos, que a caminhada continuará, que há o oceano no meio, mas que o coração bate. Se minha presença ajudou as pessoas a olhar para frente com confiança e esperança, agradeço a Deus e espero que as sementes plantadas possam produzir”, destacou o sacerdote.
O Padre Lorenzo Dall’Olmo, Fidei donum, missionário da Diocese de Vicenza que atua com Padre Attilio na Área Missionária Santa Rosa de Lima, recorda a missão do padre, destacando que “ele dedicou grande parte da vida ao trabalho pastoral, chegou ainda jovem e permaneceu muitos anos no Brasil. Sua maneira direta de conversar, as visitas aos doentes e seu ritmo de trabalho chamaram atenção. Muitos o reconheceram como o padre dos pobres“, relatou o padre.
O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, agradece a Padre Attilio pelos 15 anos atuando no estado, afirmando que “quero registrar minha ação de graças a Deus e o agradecimento pelo trabalho missionário na diocese. Padre Attilio veio com espírito evangelizador, em encontro com as pessoas, sempre a serviço dos mais frágeis”.
Mensagem de despedida
Em suas palavras às comunidades, Padre Attilio expressa gratidão, lembrando todo o bem recebido, o respeito, a acolhida e o caminhar junto. Ele pede para que “nunca percam a confiança, pois Deus está agindo no meio de nós e age através dos pequenos sinais, que são aqueles que mais comunicam”.
O sacerdote retorna à Espanha levando na bagagem histórias, aprendizagens e o compromisso amadurecido com a comunicação e a Igreja na Amazônia
Luiz Miguel Modino, presbítero espanhol da Arquidiocese de Madri, é uma das vozes mais reconhecidas da comunicação eclesial na Amazônia na última década. Ordenado presbítero em sua diocese de origem em 1998, chegou como padre “fidei donum” à missão no Brasil em 2006, servindo por quase dez anos na Diocese de Rui Barbosa, na Bahia, onde aprofundou sua experiência com a vida comunitária e com a força evangelizadora das pequenas comunidades.
Em 2016, foi enviado para a Amazônia, inicialmente na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, acompanhando comunidades indígenas. Mais tarde, passou à Arquidiocese de Manaus, onde ampliou sua ação missionária (na Área Missionária São José do Rio Negro, Comunidade Nossa Senhora de Fátima no Tarumã Mirim) e assumiu responsabilidades significativas na comunicação da Igreja: atuou na comunicação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), no Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e como assessor de comunicação do Regional Norte 1 da CNBB.
Padre Modino em missão
Ao longo desses anos, tornou-se uma referência na cobertura comunicativa e pastoral dos grandes processos eclesiais da região, especialmente durante o Sínodo para a Amazônia (2018-2019), Assembleia Eclesial ALC (2021) e o Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024). Seu trabalho uniu missão, presença pastoral e comunicação comprometida com a vida dos povos amazônicos, tornando-o uma ponte entre suas histórias e a Igreja no mundo inteiro.
Agora, após quase vinte anos de missão no Brasil, Luiz Miguel Modino retorna à sua Arquidiocese de Madri para assumir novas responsabilidades, levando consigo a riqueza espiritual, humana e pastoral aprendida em solo brasileiro. Nesta entrevista, ele revisita sua trajetória, suas aprendizagens e os desafios vividos em quase duas décadas de missão no Brasil — da Bahia às profundezas da Amazônia, passando por importantes serviços na comunicação eclesial continental.
Padre Luís Miguel, quando você chegou ao Brasil? Onde trabalhou e o que realizou durante tantos anos de missão?
Cheguei ao Brasil em 26 de setembro de 2006 para trabalhar na Diocese de Rui Barbosa, na Bahia. Ali permaneci até fevereiro de 2016, quando fui enviado como missionário na Amazônia. Na Bahia, destaco sobretudo a descoberta da força das pequenas comunidades. Aprendi que a vida da Igreja se sustenta na comunhão, na partilha e na presença próxima do missionário.
Sempre busquei ser não apenas uma presença sacramental, mas uma presença evangélica que ajude o povo a descobrir que o Evangelho é fonte de vida e que na vivência na comunidade a gente vai dando sentido ao nosso batismo e descobrindo as diversas vocações às quais estamos chamados por Deus.
Padre Modino em um encontro com o Papa Francisco – cardeal Barreto
Depois dessa etapa tão bonita no Nordeste, você chegou à querida Amazônia. Como foram seus primeiros anos em São Gabriel da Cachoeira?
Em São Gabriel da Cachoeira, onde mais de 90% da população é indígena, acompanhei comunidades nas paróquias de Pari-Cachoeira e em Cucuí. Ali aprendi algo essencial: o povo espera mais do que sacramentos; espera presença. Aprendi a andar “sem pressa”, como diziam os comunitários.
A Amazônia tem outra relação com o conceito de tempo e o espaço. “Longe” ou “perto” não têm o mesmo sentido que em outros lugares. Ir até a última comunidade, chegar onde quase ninguém chega, é fundamental.
Essa vivência também tive em Manaus, especialmente na Área Missionária São José do Rio Negro, nas comunidades ribeirinhas. O missionário precisa estar com os últimos, com aqueles que ficam mais longe, e ser uma presença que alegra a vida do povo com nossa visita.
Nestes últimos anos você também se dedicou muito ao trabalho de comunicação para a Igreja da Amazônia e Latino-americana. O que esse serviço significou para você?
Para mim, na comunicação da Igreja temos que entender que comunicar é evangelizar. Quando testemunhamos aquilo que faz parte da vivência do povo, descobrimos que comunicar as histórias, as dores, as lutas e a fé dos povos da Amazônia é tornar visíveis as sementes do Verbo presentes na vida do povo e nas comunidades. As pessoas vão entendendo que através da simplicidade a Igreja vai crescendo e ajuda o povo a encontrar o sentido da sua vida. Sempre vivi a comunicação como parte da missão.
Isso agradeço as comunidades que acompanhei, que sempre entenderam que minhas ausências (pelo trabalho na REPAM, no CELAM e no Regional Norte 1 da CNBB), faziam parte da missão, e isso me ajudou muito a servir com liberdade e disponibilidade. Sabiam que eu era o pároco, que acompanhava a vida das comunidades, mas sabiam da outra missão que tinha. Através das comunidades, descobri narrativas profundas da fé que pude compartilhar com a Igreja no continente e no mundo.
Quais foram os momentos mais marcantes nesses anos de comunicação missionária?
Sem dúvida, a cobertura dos Sínodos em Roma, do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024) mas especialmente o Sínodo para a Amazônia (2018-2019), foi muito marcante. Ali, como comunicadores, ajudamos o mundo a reconhecer as riquezas dos povos da Amazônia e da Igreja na região.
Outro aspecto marcante foi contar as histórias do povo. As pessoas mais simples comunicam o Evangelho sem verniz. É um testemunho muito mais singelo e mais claro. As vezes os que temos aprofundado mais nos estudos teológicos podemos ter um discurso mais teórico. Os tantos homens e mulheres que assumem ministérios nas comunidades e testemunham isso para os outros, é fruto da experiencia de vida, da fé em Deus e do coração. Dar visibilidade a essas vivências de pessoas dedicadas muitos anos ao serviço das comunidades da Amazônia é tarefa fundamental para qualquer comunicador da Igreja.
Muitas vezes ficamos fascinados ao entrevistar cardeais e bispos, mas vemos que o Evangelho brota com força nas mãos e nos testemunhos dos ministros e ministras que servem silenciosamente suas comunidades de base.
Agora você retorna à sua Arquidiocese de origem, em Madri. Quais são as perspectivas para esta nova etapa?
Estamos ao serviço da Igreja. Quando comecei a trabalhar na equipe de comunicação da REPAM, consultei o então arcebispo de Madri, naquela época o Cardeal Osoro. Ele me disse: “eu lhe peço e, se não achar ruim, lhe mando que assuma essa missão”. Volto para Madri em obediência ao chamado da Igreja na qual fui ordenado.
A gente nunca pode esquecer o que prometeu no dia da ordenação presbiteral: obediência e respeito ao bispo. Agora, o arcebispo atual, Cardeal Cobo, pede minha presença em Madri. Assim que volto tranquilo e agradecido à Igreja do Brasil, e disponível para servir nas necessidades atuais da Arquidiocese de Madri e do que precisem de mim neste momento.
Para concluir: o que você leva no coração dessa vivência de tantos anos no Brasil?
Levo o testemunho de vida de muitas pessoas profundamente comprometidas com a vida da Igreja e na vida das comunidades. São muitas as pessoas que passam pela minha mente agora que me preparo para uma nova missão. Sobretudo levo a vivência de uma Igreja que entende que o batismo é o sacramento fundamental na vida eclesial e que a partir dele nasce toda ministerialidade.
Promover os ministérios laicais foi algo que aprendi aqui no Brasil e que levo comigo pra Igreja da Espanha que ainda é muito mais clerical. Devemos entender isso: o ministério ordenado é importante na vida da Igreja, ninguém nega isso. Mas a ministerialidade laical é fundamental para que a Igreja possa ter esta capilaridade que muitas vezes nos falta e assim concretizar essa “Igreja em saída” e sinodal, como tanto apostou o Papa Francisco e como o Papa Leão XIV tem impulsionado com força no seu Magistério, avançando como Igreja onde caminhamos todos, onde todos tem espaço e sentimos a necessidade de avançar juntos.
Nota do Vatican News:
Padre Modino, como nós sempre o chamamos, foi e continua sendo um grande colaborador da Rádio Vaticano – Vatican News. Ao longo de muitos anos ele foi nossos olhos, ouvidos e presença na realidade da Amazônia, na realidade da nossa Igreja entre os indígenas, ribeirinhos, sacerdotes, bispos e cardeais. Nosso muito obrigado por uma vida de doação à Igreja e à comunicação. Agora com nova missão e novos desafios. Certamente, teremos também um olhar e ouvidos em Madri. Obrigado padre Modino pela caminhada que fizemos juntos e que continuaremos a fazer. E obrigado, em nome de todos os nossos leitores e ouvintes, pela grande “mão”, pela ajuda que nos deu para entender o que é a Igreja na Amazõnia.
A programação conta com procissão luminosa, celebração eucarística e arraial
Foto: João Felipe – Pascom diocesana
Celebra-se nesta segunda-feira, 8 de dezembro, o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. A data marca um dogma central da fé católica: o de que a Virgem Maria foi concebida sem a mancha do pecado original.
O padre Vitor Hugo, pároco da Paróquia São Jerônimo, explica a origem da devoção a Nossa Senhora da Conceição. “A devoção tem raízes muito antigas na história da Igreja e é uma das expressões mais tradicionais da fé mariana no mundo católico. Essa devoção surge porque Maria foi concebida sem pecado original e, assim, pôde gerar o Filho de Deus sem pecado.”
O dogma é fundamentado na passagem bíblica em que o Anjo Gabriel saúda Maria, anunciando que ela seria a Mãe do Salvador. Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX reconheceu oficialmente e declarou solenemente o dogma da Imaculada Conceição.
Segundo o padre Vitor Hugo, ela é importante porque revela a grandeza do plano de Deus para a salvação do mundo e mostra que Deus preparou Maria de forma única para ser mãe de Jesus.
Em Boa Vista, a Comunidade Nossa Senhora da Imaculada Conceição, da Paróquia São Jerônimo, celebra esta solenidade com procissão, missa e arraial.
Na manhã do dia 8, a programação começa com a alvorada sonora e o terço, às 6h. À tarde, às 17h, haverá a procissão luminosa. Às 18h30, será realizada a missa festiva em honra a Nossa Senhora, presidida pelo bispo diocesano Dom Evaristo Spengler. Após a missa, haverá o arraial com comidas típicas e bingo.
PROGRAMAÇÃO
Dia 05 – Sexta-feira | 19h30 Santa Missa com bênção dos objetos Tema: “Maria, passa na frente e cuida da nossa gente.”
Dia 06 – Sábado | 19h30 Missa Penitencial com bênção das águas Tema: “Com Maria, celebrar a reconciliação e o perdão do Senhor.”
Dia 07 – Domingo | 8h00 Missa com Unção dos Enfermos
Dia 08 – Segunda-feira
Alvorada sonora e terço
17h00 – Procissão luminosa
18h30 – Missa festiva
A comunidade fica localizada na Rua Raimundo Penafort, 446, no Bairro Buritis.
Foto: Da direita para a esquerda, Padre Luís Botteon, Padre Benedetto Zampieri, ao centro o responsável, Padre Rafael Coccato; Padre Mattia Bozzolan; o leigo Jorge Romagnoni; e, agachados, o Padre Mário Gamba e Padre Massimo Valente.
Na tarde desta segunda-feira, 1º de dezembro, a Rádio Monte Roraima recebeu a visita do responsável pelo Centro Missionário da Diocese de Pádua, padre Rafael Coccato, e do leigo Jorge Romagnoni, colaborador do Centro Missionário.
A visita à diocese é apenas pastoral. O responsável veio encontrar os padres que atuam em Roraima. Eles permanecem no estado até o dia 6 e, em seguida, seguem viagem para o Amazonas, onde visitarão Dom Lúcio Nicolletto, de São Félix do Araguaia.
As doações podem ser entregues até 15 de dezembro na Casa da Caridade Papa Francisco
Foto: Kayla Silva
A Casa da Caridade Papa Francisco acolhe diariamente pessoas em situação de vulnerabilidade. Inspirada na passagem bíblica “Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber.” (Mt 25,35), a instituição lançou uma campanha de Natal com o objetivo de atender famílias que são acompanhadas ao longo do ano.
A Casa da Caridade atende mais de 2.000 pessoas. Para este Natal, a previsão é alcançar até 500 famílias. Além de alimentos, também serão recebidas doações de roupas e brinquedos.
Em carta de sensibilização, o bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, fez um apelo à comunidade. “É por isso que, com humildade e esperança, dirigimo-nos a você e à sua comunidade para fazer um apelo de solidariedade. Precisamos unir forças para continuar salvando vidas e mantendo acesa a luz da esperança para aqueles que enfrentam tantas escuridões.”
Foto: Kayla Silva
A campanha solicita a colaboração da comunidade por meio de uma coleta especial de alimentos não perecíveis, destinados às famílias atendidas pela Casa da Caridade Papa Francisco. As doações podem ser entregues até 15 de dezembro, às 12h, para possibilitar a organização das cestas e a distribuição antes do Natal.
Horário de recebimento das doações: de segunda a sexta-feira, na Casa da Caridade Papa Francisco, localizada na Rua Floriano Peixoto, 402 B, Centro.
Em mensagem à comunidade, a secretaria executiva da Cáritas, Joelma Costa expandiu o convite para as igrejas que desejam fazer parte dessa ação. “Faço o chamado para as paróquias que tiverem interesse em realizar a coleta e entregar na Cáritas. Estamos disponíveis para que elas também participem dessa ação.”
Papa Leão XIV pede ao cardeal Steiner “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”
Foto: O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner.
O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner comunicou ao clero nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, que Papa Leão XIV lhe pediu “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”.
Código de Direito Canônico: apresentar a renúncia aos 75 anos
O Código de Direito Canônico, no número 401, parágrafo 1, afirma: “Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”.
No dia 06 de novembro de 2025 o cardeal Steiner completou 75 anos e apresentou ao Santo Padre sua renúncia. Em resposta ao pedido do arcebispo de Manaus, Papa Leão XIV, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, comunicou sua decisão diante desse pedido.
Continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus
Em carta assinada pelo Núncio Apostólico, dom Giambattista Diquattro, com data de 17 de novembro de 2025, lida na reunião do clero, foi comunicado que “o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 15 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Eminência ao governo pastoral da Arquidiocese de Manaus, e ao mesmo tempo roga a Vossa Eminência que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”.
O Núncio Apostólico disse que a decisão Pontifícia “deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Arquidiocese”. O texto recolhe igualmente que “o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Eminência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus”.
A leiga consagrada Maria de Lourdes Guarda, apóstola das pessoas com deficiência no Brasil, tem virtudes heroicas confirmadas pelo Papa
A Igreja reconhece entre seus novos veneráveis a brasileira Maria de Lourdes Guarda, leiga consagrada que viveu quase cinquenta anos imobilizada e transformou a própria dor em fonte de evangelização e apoio às pessoas com deficiência. Durante a audiência concedida nesta sexta-feira, 21 de novembro, ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, o Papa Leão XIV autorizou a promulgação dos decretos que confirmam suas virtudes heroicas. Na mesma ocasião, foram aprovados os decretos relativos ao martírio, em ódio à fé, de dois sacerdotes italianos mortos pelas tropas nazistas em 1944, padre Ubaldo Marchioni e padre Martino Capelli, que em breve serão proclamados beatos. Também tiveram reconhecidas suas virtudes heroicas o arcebispo Enrico Bartoletti, dom Gaspare Goggi e a religiosa australiana Maria do Sagrado Coração (Maria Glowrey).
Maria de Lourdes Guarda com Santa Dulce dos Pobres
Maria de Lourdes, apóstola das pessoas com deficiência no Brasil
Nascida em 1926 na cidade de Salto, no Estado de São Paulo, de família de origens italianas, Maria de Lourdes Guarda enfrentou desde a juventude uma séria lesão na coluna que, aos 21 anos, a deixou paralisada da cintura para baixo, confinada a um rígido colete de gesso e, mais tarde, imobilizada de forma permanente. Mesmo impedida de ingressar na vida religiosa tradicional, encontrou seu caminho de consagração no Instituto Secular Caritas Christi, no qual professou seus votos em 1970. Ao longo de quase cinco décadas vividas entre hospitais e a própria casa, Maria de Lourdes transformou sua enfermidade em missão apostólica, auxiliada por intensa vida de oração e profunda devoção eucarística.
No contato com as Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, amadureceu uma espiritualidade de oferecimento e consolação. Seu quarto de hospital converteu-se em ponto de referência para encontros, partilhas e orientações espirituais. Mesmo sofrendo com doenças renais e uma grave gangrena que levou à amputação de uma perna, jamais deixou de acolher quem a procurava em busca de conselho, conforto e força na fé. Por dez anos, coordenou nacionalmente a “Fraternidade das Pessoas com Deficiência”, empenhando-se pela inclusão social, pelo reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência e pela formação de agentes pastorais. Faleceu em 5 de maio de 1996, vítima de um câncer na bexiga, com fama de santidade já difundida e fortalecida após sua morte.
Maria de Lourdes Guarda com Dom Hélder Câmara
Pe. Ubaldo: o sacerdote morto pelos nazistas diante do altar
O primeiro dos dois sacerdotes mártires, padre Ubaldo Marchioni, nasceu em Vimignano di Grizzana Morandi, província de Bolonha, em 1918. Entrou no seminário aos dez anos e foi ordenado aos 24, tornando-se ecônomo da paróquia de San Martino di Caprara em março de 1944, numa região então ocupada pelas tropas alemãs em conflito com os grupos de resistência. Durante os meses de violência e represálias, permaneceu ao lado de sua comunidade, partilhando com os paroquianos o medo, a fome e as incertezas da guerra. No dia 29 de setembro de 1944, enquanto se dirigia ao Oratório dos Anjos da Guarda para celebrar a Missa, parou na igreja de Santa Maria Assunta di Casaglia para resguardar as espécies eucarísticas e oferecer abrigo a mulheres e crianças aterrorizadas pela aproximação dos soldados nazistas.
Tentou negociar a liberdade dos refugiados, recomendando aos homens que fugissem para os bosques, mas todas as tentativas fracassaram. As mulheres e as crianças foram conduzidas ao cemitério e executadas. Padre Ubaldo foi então levado novamente à igreja e trucidado diante do altar, com tiros na cabeça, num gesto que revelou o desprezo dos nazistas pela fé cristã e confirmou o caráter de martírio odium fidei. Assassinado aos 26 anos, acolheu conscientemente o risco da morte por permanecer junto aos fiéis, mesmo tendo possibilidade de se salvar.
Sacerdotes italianos assassinados pelos nazistas
Padre Martino Capelli: martírio em Pioppe di Salvaro
O segundo sacerdote martirizado, padre Martino Capelli, nasceu em 1912 em Nembro, província de Bérgamo, e entrou aos 17 anos no postulantado da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. No verão de 1944 dirigiu-se a Salvaro para auxiliar o pároco idoso de San Michele, apesar da região estar entre as mais violentamente atingidas pelo avanço nazista.
Recusou-se a abandonar o povo, mesmo sendo alertado pelos confrades sobre o risco iminente. Quando, em 29 de setembro de 1944, os nazistas perpetraram o massacre de Creda, padre Capelli correu para socorrer os agonizantes, sendo capturado e obrigado a transportar munição. Foi detido junto com o salesiano padre Elia Comini e dezenas de civis, muitos deles sacerdotes posteriormente libertados. Encerrado numa estrebaria em Pioppe di Salvaro, confortou e confessou os prisioneiros. Na noite de 1º de outubro de 1944, foi morto com padre Comini e um grupo de pessoas consideradas “inaptas ao trabalho”. Os corpos foram dispersos no rio Reno. Seu martírio é reconhecido como odium fidei, motivado pelo desprezo dos nazistas pelo ministério sacerdotal, e também como martírio ex parte victimae, pela escolha consciente de permanecer com os fiéis.
Dom Enrico Bartoletti: o “timoneiro” do pós-Concílio
O arcebispo Enrico Bartoletti nasceu em 1916 em Calenzano e foi ordenado sacerdote aos 22 anos. Tornou-se figura central na recepção do Concílio Vaticano II na Itália, exercendo forte influência pastoral e intelectual. Reitor de seminários em Florença, colaborou na proteção de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Nomeado bispo auxiliar de Lucca em 1958, mais tarde se tornou arcebispo, antes de ser chamado por Paulo VI para servir como secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana num período particularmente complexo para o país. Sua morte precoce, em 1976, interrompeu um ministério marcado pela mediação, pelo diálogo e pela implementação das diretrizes conciliares.
Padre Gaspare, o jovem discípulo de São Luís Orione
Gaspare Goggi nasceu em 1877, encontrou São Luís Orione aos 15 anos e se tornou um de seus mais próximos colaboradores na nascente Pequena Obra da Divina Providência. Sacerdote aos 26 anos, distinguiu-se como confessor muito procurado e como guia espiritual em Roma, onde serviu como reitor da igreja de Sant’Anna dei Palafrenieri. Mesmo de saúde frágil, dedicou-se incansavelmente aos pobres e aos peregrinos. Morreu em 1908, aos 31 anos, já reconhecido como “pequeno santo” pelos fiéis.
Irmã Maria Glowrey com os doentes (Courtesy of the Catholic Women’s League of Victoria and Wagga Wagga Inc. All rights reserved)
Irmã Maria do Sagrado Coração: médica australiana e missionária na Índia
Nascida em 1887, Maria Glowrey formou-se em medicina na Austrália e, inspirada por modelos femininos de missão e cuidado, mudou-se para a Índia em 1920, onde professou votos na Sociedade de Jesus, Maria e José, tornando-se irmã Maria do Sagrado Coração. Atendeu mulheres e crianças em contexto de extrema pobreza e desenvolveu um vasto apostolado médico, fundando instituições, formando profissionais e promovendo a ética cristã na saúde. Criou em 1943 a Catholic Health Association of India, hoje uma das maiores redes católicas de assistência médica do mundo. Morreu em 1957, deixando um legado marcante de serviço e evangelização.
Líderes empresariais, trabalhadores, movimentos populares e a Igreja Católica reuniram-se para um diálogo social.
Organizar a esperança é um desafio para todo cristão. No caso da Igreja Católica, essa tarefa é particularmente relevante em 2025, ano do Jubileu da Esperança, um empenho especial.
O pavilhão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), na Zona Verde da COP30, acolheu um painel no dia 18 de março, cujo ponto de partida foi se estamos fazendo o suficiente para avançar nesse caminho. Uma questão que trataram de responder Kalil Cury Filho, Subdiretor de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP); Hernán Coronado, Especialista Regional em Comunidades Indígenas do Escritório Latino-Americano da Organização Internacional do Trabalho; Kaira Reece, Secretária de Desenvolvimento Sustentável da União dos Trabalhadores das Américas; Patricia Gualinga, Vice-Presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA); e dom Reginaldo Andrietta, coordenador da Rede Eclesial de Trabalho Organizado (RETO) do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM).
Uma Ponte Jubilar na COP
Líderes empresariais, trabalhadores, movimentos populares e a Igreja Católica reuniram-se para um diálogo social. Este encontro representa mais um passo em uma ponte do Jubileu à COP e, portanto, ao progresso na ação climática, como destacou o moderador do painel, padre Anderson Pedroso, presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe (ODUCAL).
Devemos partir da ideia de que “o trabalho em rede é fundamental”, enfatizou Kaira Reece. A líder sindical ressaltou o papel dos sindicatos na representação dos direitos dos trabalhadores, também em relação ao clima e à transição energética, que afetam suas vidas. Isso porque a crise climática impacta particularmente as pessoas vulneráveis, incluindo aquelas que vivem em condições precárias de trabalho.
A Importância do Trabalho Coletivo
O trabalho coletivo é instrumento para enfrentar as mudanças climáticas, um trabalho de colaboração que envolve a todos, destacou Kalil Cury Filho. O líder empresarial enfatizou a importância do comportamento de cada um, mostrando as iniciativas que estão sendo realizadas como sobre economia circular, “em ciranda, todos de mãos dados”. Ele disse que “não adianta só a tecnologia, se você não tiver o elemento humano, não vai”.
Para mitigar as mudanças climáticas, Hernán Coronado afirmou que é necessário que as vozes de todos os grupos sejam representadas. O objetivo é construir uma governança climática com a participação de todos, incluindo as vozes indígenas. Nesse sentido, ele destacou o papel de liderança dos povos indígenas, das comunidades locais e dos jovens na COP30. O objetivo é contribuir para uma transição que ocorra com respeito, melhores condições de vida, emprego formal e garantia de plenos direitos trabalhistas.
CEAMA, um clamor da terra
Patrícia Gualinga falou em nome da CEAMA, que nasceu de um clamor e de uma terra, de baixo para cima, um lento processo de construção em resposta à realidade do bioma amazônico e às diversas crises presentes na sociedade. Sua vice-presidente destacou o apoio da CEAMA às comunidades locais e o fato de que esta conferência participa pela primeira vez de uma COP, apresentando assim a realidade amazônica e as demandas dos povos indígenas em relação à demarcação de seus territórios e sua participação nos espaços de tomada de decisão.
A líder indígena equatoriana enfatizou que os territórios indígenas são os mais bem preservados. Em resposta, denunciou a falta de financiamento e expressou o desejo dos povos indígenas de serem “donos de suas próprias decisões”. Nesse sentido, a CEAMA pode apoiar os povos indígenas, aprendendo com seus gritos. Para Gualinga, é fundamental reconhecer o conhecimento ancestral dos povos indígenas como conhecimento científico, visto que pode ajudar a enfrentar a crise climática.
Ecologia Integral na Igreja Latino-Americana
O Acordo de Paris está gerando progresso real, mas este precisa ser acelerado, segundo dom Reginaldo Anndrietta, que cita fontes da ONU. Uma dificuldade reside na atitude das nações mais poderosas, que estão dificultando o progresso. Para o bispo de Jales, a ecologia integral tem sido uma dinâmica na Igreja Latino-Americana há décadas, seguindo o ensinamento papal sobre o assunto desde a Populorum Progressio de Paulo VI e o próprio Magistério da Igreja no continente. Conceitos como desenvolvimento humano integral, a convergência da tecnologia e uma economia a serviço dos interesses do poder como fator de desequilíbrio estão presentes nesse Magistério.
Em relação ao mundo do trabalho, a Igreja em cada país tem desenvolvido o trabalho pastoral no mundo do trabalho, elemento estruturante da vida social, incentivando o diálogo com os diversos atores sociais. Isso é urgente, dada a alta porcentagem de informalidade no mercado de trabalho no continente e as condições de pobreza. O bispo brasileiro enfatizou que o Papa Francisco colocou o trabalho no centro e refletiu repetidamente sobre a realidade do trabalho.
De forma semelhante, Leão XIV abraçou o trabalho como ponto central de seu pontificado. Nessa perspectiva, em Dilexi te, ele afirma que “é necessário continuar denunciando a ditadura de uma economia que mata” e a necessidade de apoiar os movimentos populares e seus líderes, destacando a importância da solidariedade e do trabalho como elemento central para garantir a democracia. Diante disso, o bispo questionou se a COP é democrática e elogiou as manifestações da sociedade civil, especialmente dos mais afetados pela crise ambiental. Por fim, insistiu que os acordos serão insuficientes se não forem implementados.
Dignificando a Vida
Nesse contexto, a importância da Laudato Si’ e o reconhecimento do trabalho, que dá sentido à vida das pessoas, é algo que Kalil Cury Filho enfatiza, expressando sua esperança para o futuro. Na mesma linha, Kaira Reece destacou o progresso necessário na defesa da dignidade da vida, “que deve ser primordial na tomada de decisões, na busca do desenvolvimento sustentável para e pelo povo”. Tudo isso visa alcançar um modelo de trabalho que assegure a dignidade humana.
Por sua vez, Hernán Coronado insistiu na necessidade de continuar a fortalecer a liderança e a participação dos povos e comunidades indígenas, e de situar a discussão num nível horizontal. Patricia Gaulinga questionou se a COP é inclusiva, defendendo o renascimento da Laudato Si’, que abrange a todos e incorpora o conhecimento dos povos indígenas. Dom Reginaldo Andrietta considera este diálogo socioambiental um espírito necessário na busca de objetivos comuns e de entendimento.
Os combustíveis fósseis são um dos principais culpados pelas mudanças climáticas, contribuindo decisivamente para o aumento da temperatura global. O abandono do seu uso e a promoção de novos estilos de vida, educação e formação para uma conversão ecológica estrutural foram o tema de discussão do painel realizado no Pavilhão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), na Zona Verde da COP30, que ocorre em Belém de 10 a 21 de novembro de 2025.
Os participantes do debate, em 18 de novembro, foram Juan Esteban Belderrain, assessor do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM); Carlos Greco, reitor da Universidade de San Martín (Argentina) e membro da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC); Darío Bossi, presidente da Rede Igreja e Mineração; e dom Lizardo Estrada, secretário-geral do CELAM. Um painel moderado por Agustina Rodríguez Saa, presidente da RUC.
RUC: Formando Líderes Conectados ao Território
Um painel que, nas palavras de sua moderadora, buscou refletir sobre o papel da educação no abandono dos combustíveis fósseis e na adoção de novos estilos de vida. Essa é uma das forças motrizes da RUC, uma rede que reúne universidades públicas e privadas, seculares e religiosas, garantindo a diversidade. A rede nasceu da inspiração da Laudato Si’, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris.
Mais de 200 reitores da RUC se encontraram com o Papa Francisco em 2023, como lembrou Rodríguez Saa. O pontífice enfatizou a necessidade de formar líderes e sua conexão com o território. Não podemos esquecer que a RUC tem presença na América Latina, na Península Ibérica e no Reino Unido. Isso confere maior importância à sua participação na COP30, dado o conhecimento que essas universidades têm do território.
Aceitando os Limites
Darío Bossi abordou a questão dos combustíveis fósseis sob a perspectiva dos limites, especificamente a ausência de limites na sociedade atual, que põe em risco as gerações passadas e futuras. Este é um limite sobre o qual a comunidade científica vem alertando em relação à Mãe Terra, que se depara com o conceito central do capitalismo: o crescimento. O problema reside em conciliar crescimento e limites, especialmente diante de falsas soluções e verdades, “um desafio filosófico e cristão que devemos abraçar”, enfatizou o missionário comboniano.
O caminho a seguir envolve aceitar e lidar com os limites, confrontar a crescente desigualdade e responsabilizar aqueles que geram as maiores emissões. Requer a capacidade de cultivar uma vida que transcenda o consumo e o desperdício, abraçando a sobriedade feliz e aprendendo a viver feliz com menos. A transformação deve começar com a compreensão dos limites e suas implicações para a vida cotidiana, no transporte, na produção e na diversificação dos investimentos.
O Papel Profético da Igreja
O documento das Igrejas do Sul, em preparação para a COP30, do qual a CELAM é signatária, “Um Apelo à Justiça Climática e à Nossa Casa Comum”, norteou a intervenção de dom Lizardo Estrada. Este documento exige “ações transformadoras dos Estados, fundamentadas na dignidade humana, no bem comum, na solidariedade e na justiça social, priorizando os mais vulneráveis, incluindo nossa irmã Mãe Terra”.
O Secretário-Geral da CELAM delineou alguns elementos necessários para a geração de novos estilos de vida. Isso envolve evitar impactos irreversíveis, buscando soluções que unam justiça, ecologia e dignidade humana, superando paradigmas tecnocráticos e extrativistas, com políticas climáticas baseadas na equidade e em responsabilidades comuns, porém diferenciadas. É essencial levar em consideração as cosmovisões e práticas dos povos e comunidades locais, enfatizou Estrada.
Para isso, o envolvimento das Igrejas é necessário, levando à rejeição de falsas soluções e à defesa da justiça climática; eliminar os combustíveis fósseis; rejeitar a mercantilização da natureza; condenar o capitalismo verde; fortalecer a resiliência e a resistência das comunidades; defender a soberania dos povos indígenas; promover novos paradigmas baseados na solidariedade, na justiça social, na cooperação e no respeito aos limites; implementar programas educativos sobre o cuidado da nossa casa comum; cultivar a espiritualidade em todas as esferas; e criar o Observatório da Igreja para a Justiça Climática.
Isso está ligado a uma série de exigências feitas aos Estados quanto à implementação de mecanismos de governança climática com a participação ativa e vinculativa de todos. É necessário proteger as populações vulneráveis das mudanças climáticas por meio de um pacto climático global e de um financiamento climático transparente e acessível que transcenda as soluções puramente baseadas no mercado. Para tanto, as Igrejas do Sul Global clamam por uma conversão ecológica, inspirada pela espiritualidade do cuidado. Isso envolve educação em consciência ecológica, comunhão com as vítimas e o fomento do diálogo e da profecia eclesial.
Gerar Novos Agentes de Transformação
A educação é o principal meio de alcançar as mudanças necessárias para enfrentar a crise climática, segundo Juan Esteban Belderrain. Ele questionou a falta de representação do mundo educativo nos espaços de tomada de decisão, destacando a importância do painel.
O desafio, nas palavras do consultor do CELAM, é a necessidade de moldar o conteúdo educacional, uma questão que gera conflitos e dificulta o consenso. Devemos buscar uma educação para novos estilos de vida, o que exige a compreensão de que não há consenso sobre isso. Tudo isso visa gerar novos agentes de transformação. Isso vai além de materiais didáticos que abordam a sustentabilidade e exige uma transformação da lógica e das relações institucionais.
Uma dinâmica em vista de evitar o que ele chama de “efeito vacina” do discurso, que nos desafia a ajudar a conscientizar de que a mudança climática é uma consequência do atual sistema de produção capitalista. Essa conscientização necessária, como disse Paulo Freire, não basta; devemos ir além, oferecendo aos estudantes a possibilidade de outra lógica, de outra forma de se relacionar com a natureza. Belderrain alertou sobre a “globalização da impotência“, como a descreveu Leão XIV, que nos leva a encarar os problemas com a consciência de que não podemos mudá-los.
Educar para transformar
Na universidade, o fundamento é trabalhar com o conhecimento para transformar a vida das pessoas por meio da educação, o que representa uma responsabilidade, afirmou Carlos Greco. O objetivo é uma autonomia responsável construída por meio do engajamento com a realidade que enfrenta. Nessa perspectiva, a universidade gera conhecimento que fomenta a compreensão da realidade da qual fazemos parte. Este processo abrange todo o processo educativo e estende-se a outros grupos, exigindo acordos institucionais que nos ajudem a compreender que não possuímos a verdade absoluta e que nos permitam construir novos processos.
Para Greco, a universidade assume o compromisso com a educação, entendendo que os estudantes assumirão uma responsabilidade social de trabalhar pelo bem comum, o que vai além do diploma que recebem. Isto exige um conhecimento transversal, visando cultivar a consciência de que o que produzirão é para o bem comum e para a sustentabilidade, gerando assim uma consciência prática baseada no conhecimento teórico e transmitindo às suas comunidades a consciência de criar um mundo melhor. Tudo isto se fundamenta no fato de que estes estudantes serão os líderes que moldarão as políticas públicas no futuro.
O desafio é concretizar “um capitalismo comprometido com o verdadeiro desenvolvimento, e não apenas com o crescimento”, sublinha o reitor. Isto requer investimento por parte dos governos, um desafio para os países do Sul Global, dados os seus elevados níveis de endividamento. Daí a necessidade de perdoar a dívida externa para melhorar as condições nos países em desenvolvimento, investindo na educação, um verdadeiro mecanismo de transformação social, concluiu.
A Cúpula dos Povos, o movimento mais importante em volta da COP30, encerrou suas atividades neste 16 de novembro
Mais de 23.000 credenciados, de mais de 60 países, além de muitas pessoas que passaram nas diversas atividades realizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Dentre eles diversas pastorais, movimentos e organismos da Igreja católica.
Compromisso da Igreja com os marginalizados
Uma presença da Igreja católica que o bispo da diocese de Brejo (Maranhão), e presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes, considera muito importante, “nesse sentido do testemunho, do compromisso com os marginalizados e marginalizadas”. No dia em que a Igreja católica celebra a Jornada Mundial dos Pobres, o bispo enfatizou que “isso requer de nós um testemunho, um compromisso e uma luta pela vida. E eu diria que essa luta pela vida é luta pelo território livre dos povos, é luta pela dignidade, é luta pelo direito, é luta para que a justiça social, a justiça socioambiental seja de fato realizada no nosso meio”.
Dom Valdeci ressaltou que “as pastorais sociais, os organismos do povo de Deus têm esse compromisso grande de assumir a luta juntamente com os movimentos populares, com aqueles e aquelas que lutam por vida, vida humana e vida do Planeta”. Nessa perspectiva, quando o Brasil acolhe a COP30, o bispo insistiu em que “a Igreja católica precisa ouvir mais as comunidades tradicionais, os povos originários e aprender também, ter essa humildade de aprender também para que de fato possa cumprir o seu papel e testemunhar Cristo. Cristo que sofreu, Cristo que foi perseguido e assim também são os nossos povos e nossas comunidades”.
Finalmente, o bispo da diocese de Brejo, disse que “precisamos assumir cada vez mais, ouvindo o grito de tantos irmãos e irmãs que ainda hoje são torturados, são marginalizados. Precisamos dar esse passo no compromisso e fidelidade ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”.
A voz de Raoni Metuktire
A clausura da Cúpula dos Povos contou com a presença de uma das maiores lideranças indígenas do Brasil e do mundo, Raoni Metuktire. O indígena do povo Kayapó, que foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano, pediu união entre todos, fazendo um apelo pela “continuidade para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal neste universo, querem destruir esta terra”. Diante das mudanças climáticas, das guerras, ele pediu o respeito um pelo outro e poder viver em paz nessa terra. Junto com isso, o cacique Raoni pediu “dar continuidade nessa missão de poder defender a vida”.
O cacique do povo Kayapó chamou ao diálogo com as autoridades, com os estados, em vista de acabar com o desmatamento, o garimpo e a exploração da terra. Ele pediu proteção e cuidado para os povos indígenas, sobretudo na área da saúde. Finalmente, Raoni refletiu sobre as consequências das mudanças climáticas, advertindo sobre o caos muito grande que pode acontecer “se não tivermos a consciência de defender o que resta”.
Declaração da Cúpula e Carta das Infâncias
A Cúpula dos Povos elaborou uma declaração onde mostram sua disposição para assumir “a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos”, ressaltando que “somos a unidade na diversidade”. O texto afirma que “não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados”. Para isso apostam nos “intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade”. Um texto que analisa a realidade atual em sete pontos para depois fazer 15 propostas. Para avançar nesse caminho, fizeram um chamado a unificar forças mediante a organização dos povos.
Também foi apresentada a Carta das Infâncias na Cúpulas dos povos, que se reuniram em Belém (PA) para conversar sobre o clima. O texto denuncia o aumento da temperatura e suas consequências na vida das crianças. Elas afirmam que “Nós somos natureza, o planeta é natureza. A natureza é tudo!”, e pedem “um futuro bonito para viver”. Para isso “Temos que cuidar e proteger a AMAZÔNIA”, destacam as crianças, que fazem uma longa lista de propostas e exigências, dado que “queremos continuar vivos e vivas! Crescer num mundo bonito, num mundo que ainda respire. Com esperança e sem medo!”
Levar em conta a sociedade civil
Tanto a declaração como a carta foram apresentadas ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e ao Governo Federal do Brasil, representado pelas ministras Sônia Guajajara, Marina Silva e o ministro Guilherme Boulos. Corrêa de Lago recordou o recordou o pedido do presidente Lula da COP30 levar em conta a sociedade civil. Nesse sentido, ele destacou a importância dos textos, que serão levados à reunião de alto nível onde são tomadas as decisões.
Sônia Guajajara insistiu em que a democracia precisa da participação do povo, que deve ser escutado. A ministra dos Povos Indígenas definiu os participantes da cúpula como “os maiores guardiães da vida, seja no território, seja nas periferias das grandes cidades, dos quilombos”. Ela enfatizou a presença indígena na Zona Azul, com mais de 900 representantes, que ajudam a mudar o foco das discussões.
Mensagem do presidente Lula
A ministra Marina Silva leu a mensagem do presidente Lula à Cúpula dos Povos. Ele disse que “a COP30 não seria viável sem a participação de vocês”, ado que “o combate à mudança do clima precisa da mobilização e contribuição de toda a sociedade, não só dos governos. O entusiasmo e o engajamento de vocês são fundamentais para que possamos seguir nessa luta. Vocês são portadores da força e da legitimidade dos que almejam o melhor”.
O presidente do Brasil insistiu na urgência da mudança e defendeu o desenvolvimento sustentável, e “um mundo em paz, mais solidário, menos desigual, livre da pobreza, da fome e da crise”. É por isso que “não podemos adiar as decisões que estão sendo debatidas há tantos anos”. Para isso, ele pediu “mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare e reverta o desmaiado e mobilize recursos”. Daí que “não podemos sair de Belém sem decisões”, o que faz com que as negociações até o final da COP sejam fundamentais, um espaço onde ele irá participar.
Uma chave de esperança
Marina Silva relatou sua história de vida na Amazônia, marcada em sua infância pela pobreza e o trabalho semiescravo. A ministra relatou alguns elementos que fazem parte da atual realidade climática e os esforços do governo brasileiro para diminuir os incêndios e o desmatamento. Finalmente, ela fez um apelo ao envolvimento de todos no cuidado do meio ambiente, e disse ver a Cúpula dos Povos como “uma chave de esperança”.
Guilherme Boulos mostrou sua alegria diante das Marcha dos Povos realizada no sábado 15 de novembro, com a participação de mais de 70.000 pessoas. Segundo o ministro da Secretaria Geral da Presidência “vocês fizeram e estão fazendo a diferença nessa COP”. Ele parabenizou a presidente da COP30 por ter ido escutar os apelos da Cúpula dos Povos. Boulos denunciou a responsabilidade das grandes corporações e dos Países do Norte Global diante da atual realidade climática.