Dom Luis Marín: “A sinodalidade é irreversível e marcará o futuro da Igreja”

Um dos grandes legados deixados por Francisco é a promoção da sinodalidade, que “não é uma invenção dele, mas faz parte do que a Igreja é em si mesma”. Essa é a opinião do subsecretário da Secretaria Geral do Sínodo, Dom Luis Marín de San Martín, que se diz otimista, ressaltando que “a sinodalidade é irreversível e marcará o futuro da Igreja”.

Ele destaca a “abertura ao Espírito” do último Papa como uma herança muito profunda. Com relação ao próximo pontífice, espera que se esforce pela paz, que se comprometa com a vida e sua dignidade e que promova a cultura cristã, em diálogo com o mundo. Para o Papa que será eleito no Conclave que começa em 7 de maio, ele pede “nosso apoio e fidelidade, seja ele quem for”.

Poucos dias após a morte do Papa Francisco, a atmosfera é de pré-conclave e expectativa de outro Papa. Para alguém que trabalhou em um dos elementos fundamentais do pontificado de Francisco, especialmente nos últimos anos, como a sinodalidade, apesar da morte do Papa da sinodalidade, podemos dizer que a sinodalidade ainda está tão viva quanto antes?

O Papa Francisco promoveu resolutamente a sinodalidade porque ela é uma dimensão constitutiva da Igreja. Isso é atestado pela Sagrada Escritura, pela eclesiologia, pela patrística, pela história e pelo direito canônico. A sinodalidade está viva e nunca poderá morrer, porque não é uma invenção de Francisco, mas faz parte do que a Igreja é em si mesma. Nosso compromisso é ajudar a torná-la um modo de vida em toda a Igreja e em tudo o que é Igreja. Acredito sinceramente que esse é um compromisso com a coerência como cristãos.

O próximo Papa será, de alguma forma, obrigado a continuar nessa linha de sinodalidade?

A Igreja não retrocede no tempo, ela sempre vai para frente, vive no presente e olha para o futuro; voltar ao passado é impossível. Pretender fazer isso só gera frustração e melancolia. O próximo papa, é claro, continuará a desenvolver a linha eclesiológica do Concílio Vaticano II, da qual a sinodalidade é um fruto maduro. No entanto, há espaço para nuances, estilos, acentos e prioridades. Mas sou muito otimista, a sinodalidade é irreversível e marcará o futuro da Igreja.

Não devemos esperar um Francisco II, mas que elementos de seu pontificado o próximo pontífice deve ter em mente?

Cada papa é diferente. Ele não é e não pode ser uma fotocópia do anterior. Cada um tem sua própria personalidade, sua própria maneira de ver a vida, suas próprias características, sua cultura e formação; cada pessoa é diferente. Entretanto, se considerarmos os papas dos últimos séculos, veremos que eles têm duas características em comum. Em primeiro lugar, a união com Cristo e a disponibilidade para o Espírito. E, em segundo lugar, o amor pela Igreja e o serviço ao povo de Deus.

O Papa Francisco deixa um legado muito profundo. Eu destacaria, acima de tudo, sua abertura ao Espírito. Isso o tornou um homem muito livre. Gostaria que o próximo Papa continuasse essa linha de abertura, de liberdade. De parresia evangélica.

Ele também foi um Papa muito humano, muito solidário com os homens e mulheres de nosso tempo. Embora fosse um homem de caráter forte e personalidade marcante, encontramos nele um pai que nos acolheu, abraçou, ajudou e caminhou conosco. Ele também foi um Papa que se fez entender, que se conectou com pessoas simples. Aquelas frases concretas e lapidares que ele usou, tão bonitas, tocaram o coração e ficaram com ele. O próximo Papa terá de levar em conta essa herança. Com seu próprio estilo, ele ajudará todos nós, que formamos o povo de Deus, a continuar caminhando com passo firme, com esperança e com o maior entusiasmo possível nos tempos em que vivemos.

E dada a situação que o mundo e a Igreja estão atravessando, quais são as principais questões urgentes que o próximo Papa deve enfrentar?

Com relação ao mundo, a primeira coisa é o compromisso com a paz. É terrível que, mesmo depois de tantos conflitos devastadores no século XX, ainda estejamos comprometidos com a guerra, a força e a destruição. Essa é uma das maiores urgências que temos hoje: a luta pela paz. Para isso, os cristãos devem ser a voz daqueles que não têm voz. E devemos denunciar as injustiças que são tanto a causa quanto a consequência dessas situações.

Também temos um compromisso com a vida e sua dignidade, desde o primeiro momento até o último. A Igreja deve oferecer uma alternativa válida, crível e concreta à cultura da morte, que está avançando.

E, em terceiro lugar, eu gostaria que a Igreja continuasse a gerar cultura cristã, em diálogo com o mundo. Sem se fechar de forma autista em suas seguranças ou se deixar levar pela tentação das trincheiras. É necessário saber ler os sinais de nosso tempo. Às vezes a mensagem não passa porque usamos uma linguagem que não é mais compreendida, estamos ausentes, vivemos ancorados em um mundo que não existe mais.  Precisamos repensar nossa presença tanto na mídia quanto nos fóruns culturais.

Francisco plantou muitas sementes durante seu pontificado, quais são os frutos que foram colhidos e os que ainda estão por vir?

O fruto será, obviamente, a forte vivência da fé cristã e seu testemunho. Ou seja, o encontro experiencial com Cristo e o desafio de comunicá-lo na missão evangelizadora.

As sementes da participação foram lançadas, da corresponsabilidade diferenciada que brota do batismo. Devemos continuar a progredir nesse sentido. Fazemos parte da Igreja, não somos espectadores, mas membros, do corpo de Cristo. Sempre sabendo que toda responsabilidade na Igreja é serviço.  Nessa linha, devemos continuar a desenvolver a colegialidade episcopal, a descentralização e, ao mesmo tempo, a comunhão e a troca de dons entre as Igrejas.

Outra semente é a da unidade pluriforme, a integração da unidade e da pluralidade na Igreja. Primeira unidade (de fé, de sacramentos, de hierarquia). Disso resulta tanto a pluralidade de vocações, carismas e ministérios (superando o clericalismo) quanto a consideração de uma grande variedade de contextos geográficos e culturais nos quais a fé é vivida e expressa. Dada a unidade, pode haver diversas expressões e desenvolvimentos.

Por fim, há a semente da missão. Todos nós somos chamados a evangelizar, a testemunhar até os confins da terra. E para fazer isso juntos, inter-relacionados.  A Igreja movida pelo Espírito é a Igreja viva, dinâmica, aberta, criativa; a Igreja que sai, proclama, dá testemunho; a Igreja que é Cristo no meio do mundo.  E que sabe como fazer com que sua voz seja ouvida.

O senhor fala de serviço e missão, de evangelização. Poderíamos dizer que, em boa parte dos cardeais nomeados por Francisco, mais de 100, essas características foram algo que apareceu nessas nomeações. Será que isso poderia influenciar o Conclave e eleger um Papa servidor, missionário, evangelizador?

Todos os cristãos e, portanto, todos os bispos e cardeais, devem ter essas características: ser servos, missionários e testemunhas do Cristo ressuscitado. Todos nós. O Papa também. Francisco fez escolhas muito claras pelas periferias e deu a elas uma presença e uma voz. Ao procurar e discernir quem será o próximo Papa, os cardeais eleitores levarão em conta essa dimensão universal e inclusiva, com uma visão ampla: trata-se de pensar grande e olhar para o alto e para longe, como dizia São João XXIII.

Pelo seu conhecimento da Cúria, o senhor espera um longo conclave, espera algumas surpresas. Como o senhor prevê o próximo conclave?

Não sou um augúrio nem um adivinho. Entendo a tentação de especular, mas não vou cair nessa. Direi apenas que, pessoalmente, não espero um conclave excessivamente longo. Sobre a eleição do Papa, acho interessante lembrar duas coisas. A primeira é que, ao contrário do que muitos têm repetido, o Papa não é escolhido pelo Espírito Santo, mas pelos cardeais eleitores. Às vezes, podemos cair em um tipo de providencialismo absurdo. O Papa é eleito por seres humanos. O Espírito Santo é invocado. O que os cardeais têm de fazer é estar abertos ao Espírito Santo, discernir qual é a vontade de Deus e não bloqueá-la, mas ser um canal para ela. Daí a importância da oração: a oração dos cardeais eleitores e a nossa oração para ajudá-los.

A segunda coisa que eu gostaria de enfatizar, diante de uma certa confusão sobre a eleição do sucessor de Pedro ou do sucessor de Francisco, é que não se trata de uma escolha exclusiva. Certamente é o bispo de Roma, o sucessor de Pedro, que assume a missão de Pedro: ser a rocha sobre a qual Cristo constrói a Igreja, o fundamento de sua unidade. Isso deve estar claro, com todas as suas consequências.

Mas o sucessor de Francisco também é eleito, aquele que vem depois dele em seu cargo ou função, em continuidade com toda a linha de Papas que o sucederam. Não podemos voltar ao primeiro século, não é o sucessor direto de Pedro que é eleito, não estamos voltando ao tempo de Nero, ao mundo passado. Um papa é eleito para governar e guiar a Igreja em 2025, olhando para o futuro. Em outras palavras, devemos levar em conta o contexto histórico, a nossa realidade.

Os cardeais, portanto, elegerão o sucessor de Francisco como o sucessor de Pedro. Um Papa para o nosso tempo, para os nossos dias; um Papa que, com e a partir de sua fragilidade, dará testemunho do Cristo Ressuscitado e será o fundamento da unidade da Igreja. Um bom pastor que prioriza a busca dos perdidos e desorientados, curando os feridos e comunicando a alegria do Evangelho a todos. Um Papa que, dócil ao Espírito Santo, assumirá riscos e será uma voz para os que não têm voz. Um papa que assumirá a tarefa de promover a reforma da Igreja em todas as suas áreas, para que ela seja cada vez mais como o Senhor quis que fosse.

Convido todos nós a garantir ao novo Papa, a partir de agora e quem quer que ele seja, nosso apoio e fidelidade.

Fonte: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Situação econômica, procedimentos e como ser Igreja hoje marcam a 7ª Congregação Geral

183 cardeais, incluindo 124 eleitores, participaram da sétima Congregação Geral realizada na quarta-feira, 30 de abril, que prepara o Conclave que começará dentro de uma semana, na tarde de 7 de maio. No mesmo dia, às 10h, horário de Roma, a Missa Pro Eligendo Pontifice será celebrada na Basílica de São Pedro, presidida pelo Decano do Colégio de Cardeais, Cardeal Re. Pouco antes de entrar na Capela Sistina, os cardeais rezarão na Capela Paulina do Palácio Apostólico, onde, na tarde de 5 de maio, os oficiais e funcionários do Conclave irão fazer juramento.

Debate sobre a situação econômica da Santa Sé

Na primeira parte da manhã, conforme relatado pelo diretor da Sala Stampa do Vaticano, Mateo Bruni, após um momento de oração e uma meditação de cerca de 40 minutos, novamente conduzida por Dom Donato Ogliari, abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, foi discutida a situação econômica e financeira da Santa Sé, com intervenções dos cardeais Marx, Farrell, Schönborn, Vérgez e Krajewski.

O Cardeal Marx, como coordenador do Conselho para a Economia, apresentou alguns desafios, problemas e propostas sob a perspectiva da sustentabilidade, com o objetivo de garantir que as estruturas econômicas continuem a apoiar a missão do Papado. O Cardeal Farrell, presidente da Comissão de Investimentos, falou sobre as atividades dessa Comissão. O Cardeal Schönborn, como presidente, falou sobre as atividades do IOR. O Cardeal Vérgez deu alguns detalhes sobre a situação do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano. O Cardeal Krajewski, esmoleiro pontifício, falou sobre a atividade do Dicastério da Caridade.

Questões processuais

Na segunda parte da manhã, foi lido um comunicado no qual o Sínodo deu a conhecer duas questões de caráter processual sobre as quais teve a oportunidade de refletir e discutir nos últimos dias. Em primeiro lugar, “com relação aos Cardeais eleitores, a Congregação observou que Sua Santidade o Papa Francisco, ao criar um número de Cardeais superior a 120, como estabelecido no n. 33 da Constituição Apostólica da Santa Sé. 33 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis de São João Paulo II, de 22 de fevereiro de 1996, no exercício de seu poder supremo, dispensou essa disposição legislativa, de modo que os Cardeais que excederam o número limite adquiriram, de acordo com o n. 36 da mesma Constituição Apostólica, o direito de eleger o Romano Pontífice, a partir do momento de sua criação e publicação”.

Em segundo lugar, o Cardeal Giovanni Angelo Becciu observou que este último, tendo em vista o bem da Igreja e a fim de contribuir para a comunhão e a serenidade do Conclave, comunicou sua decisão de não participar do mesmo. “A esse respeito, a Congregação dos Cardeais expressa seu apreço por seu gesto e espera que os órgãos competentes da justiça possam esclarecer definitivamente os fatos”.

Questões abordadas

Entre os temas abordados nos 14 discursos, Bruni destacou a eclesiologia do Povo de Deus, os desafios a serem enfrentados de acordo com as perspectivas dos continentes e regiões de origem dos cardeais. Também foram abordadas questões sociais, relativismo, individualismo, solidão, a centralidade de Jesus na resposta às necessidades do mundo moderno, a necessidade de consolação, evangelização e a responsabilidade da Igreja pela paz.

Outros temas abordados foram a ferida representada pela polarização na Igreja e a divisão da sociedade, a sinodalidade ligada à colegialidade episcopal, também como corresponsabilidade diferenciada para superar a polaridade na Igreja. A vocação para a vida sacerdotal e religiosa, a evangelização e sua relação com a corresponsabilidade foram discutidas, com referências constantes às constituições apostólicas do Vaticano II: Lumen Gentium e Gaudium et Spes.

Orações pelo Conclave

O Colégio de Cardeais convidou o Povo de Deus a viver este momento eclesial como um evento de graça e discernimento espiritual, ouvindo a vontade de Deus. Para isso, sentem a necessidade de contar com o apoio das orações de todos os fiéis, considerando que “esta é a verdadeira força que na Igreja promove a unidade de todos os membros do único Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12,12)”.

O Colégio de Cardeais insistiu que “em vista da enormidade da tarefa que nos espera e da urgência do momento atual, é necessário, acima de tudo, fazer-nos humildes instrumentos da infinita sabedoria e providência de nosso Pai celeste, em docilidade à ação do Espírito Santo. De fato, Ele é o protagonista da vida do Povo de Deus, Aquele a quem devemos escutar, aceitando o que Ele diz à Igreja (cf. Ap 3, 6)”. Para esse fim, eles pedem a companhia da Santíssima Virgem Maria.

FONTE: Luis Miguel Modino – Regional Norte 1

 

Fé e resistência marcam o encerramento do Jubileu dos Povos Indígenas em Roraima

O evento reuniu povos originários de diversas regiões do estado, missionários, religiosas e representantes da Igreja Católica de toda a Diocese de Roraima

Pablo Sérgio Bezerra – Apoio Rádio Monte Roraima
Foi encerrado neste sábado (26) o Jubileu dos Povos Indígenas, realizado na comunidade do Surumu, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O evento reuniu povos originários de diversas regiões do estado, missionários, religiosas e representantes da Igreja Católica de toda a Diocese de Roraima.


Com o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, o Jubileu deste ano foi um tempo de celebração da fé e da resistência dos povos indígenas, reafirmando a presença viva e atuante da Igreja junto às comunidades tradicionais. Durante os dias de programação, aconteceram momentos de espiritualidade, reflexões sobre os desafios enfrentados pelos povos originários, partilhas culturais e celebrações eucarísticas.
O bispo aproveitou o momento para relembrar a luta dos povos indígenas em relação as suas terras.


“Muitas dessas terras foram invadidas por fazendeiros, por garimpeiros e por outros exploradores. Os indígenas que aqui viviam eram explorados como escravos. Perderam suas terras, seus direitos, a sua liberdade. Esse jubileu de Roraima é real e tem um sentido profundo ao ser celebrado, essa terra em que nós pisamos é tradicionalmente dos povos indígenas”, afirmou Dom Evaristo. 


Um ponto marcante do Jubileu foi a ordenação diaconal de Djavan André, o primeiro indígena da Diocese de Roraima a assumir esse ministério. 
Além da ordenação, o Jubileu foi espaço para manifestações culturais, danças, rezas tradicionais e relatos de luta e resistência. As comunidades presentes denunciaram ameaças aos seus territórios, impactos ambientais, desrespeito aos seus direitos e clamaram por justiça e paz para seus povos.


“O jubileu é um programa muito significativo na tradição judaico-cristã, com origem lá na Bíblia, no antigo testamento, do livro do Levítico, capítulo 25, que descreveu o jubileu como um ano de libertação, de restauração a cada 50 anos. Durante o ano jubilar, as dívidas dos pobres eram perdoadas, os escravos eram libertados e as terras que haviam sido vendidas por alguma necessidade eram devolvidas aos seus donos originários”, explicou Dom Evaristo.


Layra Del Pozo, Paroquiana do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, esteve no evento e também destacou a força simbólica do evento.


“Estamos vivendo a mesma liturgia mas com uma visão totalmente diferente a cultura dos povos indígenas, e essa junção da ordenação do Djavan com o jubileu, me mostra que a liturgia vai muito além da vivência dos domingos na capital. Está sendo muito bonito.”


O encerramento foi marcado por uma grande celebração com rituais indígenas e bênçãos, reafirmando a fé de um povo que caminha com os pés na terra e o coração em Deus. O Jubileu deste ano entra para a história da Diocese de Roraima como um marco de renovação espiritual, missão e compromisso com uma Igreja de rosto indígena, amazônico e profético.

 FONTE/CRÉDITOS: Luana de Oliveira – Rádio Monte Roraima FM

Djavan André é Ordenado Primeiro Diácono Indígena da Diocese de Roraima

Ordenação de Djavan une espiritualidade indígena e missão cristã na Raposa Serra do Sol.

Em um marco histórico para a Igreja Católica e para os povos indígenas do Brasil, Djavan André foi ordenado diácono na manhã deste sábado (26), durante as celebrações do Jubileu dos Povos Indígenas, realizado na comunidade do Surumu, localizada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

O rito de ordenação foi presidido por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima, e contou com a presença da família de Djavan, lideranças indígenas, representantes de comunidades católicas de todo o estado e religiosos de várias regiões.

Dom Evaristo falou a respeito da representatividade que o diácono Djavan terá à frente da comunidade indígena e afirmou:

“Djavan, que hoje será diácono nesse chão, nessa cena eucarística, é um dos preciosos frutos dessa longa história de aliança.”

O diácono não escondeu a emoção diante do significado daquele momento tão especial. Ele compartilhou palavras simples, mas carregadas de gratidão e fé:

“É uma alegria imensa estar aqui, onde a Igreja está celebrando o Jubileu dos Povos Indígenas e minha ordenação diaconal. Estou muito feliz e grato a Deus pela vida e pela vocação”, disse o diácono.

Sarlene André, mãe do então diácono Djavan, falou da emoção de ver seu filho sendo ordenado.

”Eu fiquei emocionada por ver meu filho, a gente chora de emoção, ao ver todos dando força para ele. Quero agradecer a todos, os missionários, as irmãs, todo o povo de Boa Vista e de Manaus também que foi onde ele estudou. Eu agradeço à Deus por ter me dado um filho tão obediente”, disse ela emocionada.

“O Jubileu é um programa muito significativo na tradição judaica e cristã. Com origem lá na Bíblia, no livro do Levítico, capítulo 25, descreve-se o Jubileu como um ano de libertação e restauração a cada 50 anos. Durante o ano jubilar, as dívidas dos pobres eram perdoadas e os escravos, libertados. Era um tempo de renovação espiritual e social, refletindo a misericórdia e a justiça de Deus”, reforçou o bispo.

Marcos Costa, da Paróquia Catedral, esteve presente na ordenação de Djavan e afirmou que o momento serviu para reanimar a fé daqueles que clamam por justiça:

“A ordenação serviu para reanimar a nossa fé. A nossa fé em uma Igreja que é peregrina, que está ao lado dos povos, que está ao lado daqueles que clamam por justiça, assim como os povos indígenas aqui de Roraima.”

O Jubileu deste ano, junto à ordenação de Djavan André, se tornou um símbolo vivo dessa caminhada. Um momento que ficará marcado não apenas na história da Diocese de Roraima, mas também na memória dos povos indígenas que seguem firmes, unindo fé, cultura e resistência.

Entenda o que é a ordenação diaconal

A ordenação diaconal é uma cerimônia da Igreja Católica em que a pessoa se torna diácono, alguém que serve à comunidade na fé. O diácono pode pregar, batizar, celebrar casamentos (sem missa) e ajudar nas missas e ações sociais. No caso de Djavan, ele foi ordenado diácono permanente e vai servir especialmente à sua comunidade indígena.

FONTE: LUANA DE OLIVEIRA

FOTOS: RÁDIO MONTE RORAIMA FM

Peregrinação marca manhã do Jubileu dos Povos Indígenas em Surumu


O ato reuniu fiéis, lideranças indígenas e missionários, reforçando o espírito de caminhada e esperança.

A manhã deste sábado (26) foi marcada pela peregrinação rumo ao Centro Indígena de Formação, na comunidade de Surumu, durante o Jubileu dos Povos Indígenas. O ato reuniu fiéis, lideranças indígenas e missionários, reforçando o espírito de caminhada e esperança que inspira este grande momento de celebração dos 300 anos de evangelização.

Às 9h, a concentração de participantes no Aeroporto de Surumu deu início à peregrinação, que percorreu estradas de barro até o Centro, carregando símbolos da fé e da resistência dos povos originários. Para o bispo de Roraima e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Dom Evaristo Spengler, a caminhada traduz o sentido profundo do jubileu.

“Todo jubileu envolve uma peregrinação, para nos lembrar que somos peregrinos neste mundo. O Papa nos recorda que somos peregrinos da esperança, e essa esperança não decepciona. Queremos que este caminho nos ajude a estreitar os laços com a Igreja, a renovar a vida pessoal e a assumir o compromisso com o Deus que caminha conosco”, disse Dom Evaristo durante a celebração.

A peregrinação também preparou o ambiente espiritual para a ordenação diaconal do jovem indígena Djavan André da Silva, momento especial que ocorrerá ainda neste sábado. Segundo o padre Mattia Bezze, a caminhada carrega um duplo significado. “Esta peregrinação é tanto parte do jubileu quanto uma preparação para a ordenação de Djavan. Caminhar juntos simboliza a trajetória da vida, onde queremos trazer a graça do jubileu e celebrar a escolha do Djavan de servir à Igreja”, afirmou.

Para os indígenas da comunidade, a peregrinação foi ainda um resgate da história de luta e conquista dos povos originários. Djacir Melchior da Silva, pai de Djavan, destacou a importância do caminho percorrido.

“Quando a Igreja chegou entre nós, incentivou o olhar para a vida e para a ajuda mútua. Hoje, nesta peregrinação, lembramos das lideranças que iniciaram esse trabalho, conquistaram a terra e deixaram o exemplo para que nossos jovens continuem buscando uma vida digna e livre”, declarou emocionado.

Mensagem aos jovens

Durante a programação, Dom Evaristo deixou uma mensagem especial aos jovens indígenas, convocando-os a continuar a luta por seus direitos.

“Este jubileu é uma memória agradecida pela luta dos povos indígenas por seus direitos, pela terra e pela liberdade. Jovens, não traiam seu povo, não deixem que caminhem sozinhos. É a vez de vocês assumirem essa causa, especialmente agora, diante da ameaça do marco temporal. O direito dos povos indígenas é ancestral e deve ser respeitado. Permaneçam firmes na fé e no compromisso de formar comunidades vivas, alimentadas pelo Evangelho e pelo sonho do Reino de Deus”, concluiu o bispo.

A programação do Jubileu dos Povos Indígenas segue ao longo do dia, com celebrações e a ordenação de Djavan, reforçando a aliança entre a Igreja e os povos indígenas de Roraima.

Fonte: Filipe Gustavo

Fotos: Lucas Rossetti

IMG_4866

Ordenação de jovem indígena marcará o segundo dia do Jubileu dos Povos Indígenas em Surumu


Comunidade se prepara para celebrar 300 anos de evangelização com peregrinação e ordenação diaconal.

O segundo dia do Jubileu dos Povos Indígenas, que está sendo celebrado na comunidade de Surumu, promete ser marcado por momentos de grande emoção e significado para a Igreja de Roraima e os povos originários. As atividades previstas para este sábado (26) incluirão uma peregrinação, em destaque, a ordenação diaconal do jovem indígena Djavan André da Silva, fortalecendo ainda mais os laços entre a Igreja e as comunidades indígenas na comemoração dos 300 anos de evangelização.

A programação começou logo pela manhã, com a concentração de fiéis no Aeroporto de Surumu, seguida por uma peregrinação até o Centro Indígena de Formação. Lá, será realizada uma celebração eucarística especial, tendo como ponto alto a ordenação de Djavan, natural da Diocese de Roraima.

Emoção e gratidão marcarão o momento. O jovem diácono já antecipou a alegria de viver essa ocasião tão especial: “Será um dia de grande alegria, juntamente com as comunidades indígenas e o povo de Deus que ainda continua chegando aqui. Uma alegria imensa de poder celebrar esse jubileu dos povos indígenas junto com a minha ordenação diaconal. Estou muito feliz e grato a Deus pela vida e pela vocação”, afirmou Djavan em preparação para o evento.

A celebração contará também com a presença da irmã Eliane Cordeiro de Souza, das Irmãs Mercedárias da Caridade e presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), que destacou a importância do evento: “Será uma alegria muito grande estar presente em nome da CRB, representando mais de 30 mil religiosos do Brasil. Encontrarei missionários que diariamente entregam suas vidas à causa dos povos originários — nossos irmãos muitas vezes sofridos, perseguidos e explorados. Estaremos juntos nessa causa de Jesus, que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Este Jubileu será um marco histórico, um caminho bonito que pede mais cuidado com a vida e maior dignidade para todos, filhos e filhas amados de Deus”, afirmou.

Reflexões do primeiro dia de Jubileu

Na sexta-feira (25), a programação foi aberta com uma mesa-redonda à tarde, abordando a presença histórica da Igreja entre os povos indígenas de Roraima. Um dos participantes, o professor Jaci Guilherme, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), antecipou os temas que serão discutidos: ” Refletimos sobre a luta dos povos indígenas e o compromisso da Igreja. Esta Igreja, que deixou de ser associada às fazendas e passou a se tornar parte das comunidades indígenas. A partir de Dom Aldo Mongiano, houve uma opção clara pelos povos originários. Foi essa união entre a Igreja e os povos indígenas que levou à criação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), hoje respeitado nacional e internacionalmente”, destacou Jaci.

Sementes de novas vocações

O impacto deste momento histórico também já começa a ser sentido entre os jovens indígenas, como expressou Idelfonso Barbosa da Máso, seminarista indígena da Raposa Serra do Sol, atualmente cursando Teologia no Seminário de Manaus: “A ordenação do Djavan será fruto de muita oração e dedicação dos missionários e das lideranças indígenas. Este momento certamente inspirará e influenciará muitos jovens da nossa Diocese de Roraima. Ver um irmão nosso ser ordenado diácono desperta em nós a vocação missionária e fortalece nossa identidade cultural e religiosa. É uma resposta concreta da fé e da luta do nosso povo”, afirmou Idelfonso, cheio de esperança de que mais jovens sigam o caminho da vocação religiosa.

Fonte: Filipe Gustavo

Fotos : Pablo Sérgio bezerra

Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima

Entre os dias 21 e 23 de abril, Dom Evaristo, juntamente com a equipe diocesana jubilar, realizou a Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima, localizada na periferia de Boa Vista.

Durante a visita, Dom Evaristo percorreu as comunidades que fazem parte da área e conheceu de perto o trabalho desenvolvido pelo Projeto Poço da Samaritana.

A visita jubilar foi encerrada na noite do dia 23, com a celebração eucarística, que contou com a presença da equipe sinodal.

 

 

 

 

 

 

Conheça a história do jovem indígena de Roraima que será ordenado no Jubileu dos Povos Indígenas

Essa é a primeira ordenação indígena em um jubileu dedicado aos povos originários no Brasil.

Neste sábado (26), a Diocese de Roraima celebra um momento histórico para a Igreja e para os povos originários: a ordenação diaconal do seminarista Djavan André da Silva, jovem indígena do povo Macuxi. A celebração será presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima, no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, na Comunidade Indígena Surumu, durante o Jubileu dos Povos Indígenas.

É neste solo de memória, resistência e fé que será celebrado o 1º Jubileu dos Povos Indígenas do país, dentro das comemorações dos 300 anos de evangelização na região amazônica e em sintonia com o Jubileu da Esperança, convocado pelo Papa Francisco (In memorian) para o ano de 2025.

A ordenação diaconal representa o primeiro grau do sacramento da ordem, caracterizando-se como um ministério de serviço à Igreja e às comunidades. Para Djavan, esse chamado é, acima de tudo, um sinal de fé e entrega. “Para mim é um chamado que me fortalece. A cada dia Deus tem me chamado e eu tenho respondido com o meu sim para continuar aqui na Igreja de Roraima a evangelização”, afirmou o futuro diácono.

Dom Evaristo Spengler expressa sua alegria nessa nova etapa vocacional de Djavan. Segundo o bispo, o jovem “foi convidado a servir a Deus nessa nossa Diocese de Roraima. A sua vocação é um grande sinal do amor de Deus e da sua fidelidade para com os povos indígenas e todo o povo de Deus.”

Nascido em 12 de abril de 1997, na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Djavan recebeu aos 13 anos o sacramento da Eucaristia, e em 2015, a Crisma. Seu processo vocacional começou cedo, ainda na comunidade. “Meu processo vocacional surge ali na Comunidade Indígena, onde meus pais moram, onde aquele povo que habita a Terra Indígena, a maioria do povo Macuxi, onde eu também faço parte”, relembra.

Em 2016, Djavan ingressou no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista. No ano seguinte, foi para Manaus, onde continuou sua formação no Seminário Arquidiocesano São José. Entre 2017 e 2023, cursou Filosofia e Teologia. Em 2023, retornou a Roraima para dar continuidade à sua caminhada pastoral.

O vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo, destaca a sensibilidade pastoral e a disposição missionária de Djavan, que fez estágio pastoral em diversas comunidades.

Vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo – Foto: Dennefer Honorato 

“Ele é uma vocação do nosso tempo, do nosso povo, da nossa Igreja local. Um jovem que cresceu, amadureceu na fé, sempre aberto ao diálogo, à escuta e à vida comunitária. Ele fez a escolha de servir e agora será ordenado diácono no meio do seu povo, na terra onde nasceu”.

Durante sua formação, Djavan realizou estágios pastorais em comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas, entre elas, a Raposa Serra do Sol, o Baixo Rio Branco, Pacaraima, Caracaraí, Iracema e a Área Missionária Santa Rosa de Lima, onde exercerá seu ministério diaconal. O vigário geral da Diocese, Padre Josimar Lobo, que acompanhou de perto sua trajetória, destacou: “É uma vocação diocesana que surge no meio das comunidades para as comunidades”.

Seus pais, Djacir Melchior da Silva e Sarlene André,  foram fundamentais em sua formação cristã. ” Ver meu filho Djavan se tornando diácono no Jubileu dos Povos Indígenas enche meu coração de orgulho. Desde criança ele foi diferente – obediente, calmo e dedicado aos estudos. Quando nos mudamos para a cidade para que ele e os irmãos pudessem estudar, foi Dom Roque quem nos ajudou a entender sua vocação. Ele comparou esse processo ao amadurecer de uma manga: devagar, no tempo certo. Hoje, como povo Macuxi, vemos nele a realização de um sonho coletivo – ter nosso primeiro diácono indígena ordenado em terras sagradas do Surumu, onde nossos ancestrais resistiram, disse o pai.

Segundo a Sarlene André, este é um sonho realizado, “Antes mesmo de Djavan nascer, eu sonhava: ‘Se for menino, que seja padre’. Desde pequeno ele mostrava esse chamado – brincava de celebrar missa com bolachas e reunia as crianças da comunidade. Aos 12 anos, me disse firmemente: ‘Mãe, não vou casar’. Chorava muito, pois ele é meu caçula, mas sempre apoiei seu sonho. Quando entrou no seminário, entendi que Deus estava cumprindo aquela promessa. Agora, ver seu nome ligado ao primeiro Jubileu dos Povos Indígenas me enche de alegria. Rezo para que ele seja luz não só para nossa família, mas para todos os povos originários que buscam seu lugar na Igreja.”

Pais do jovem Djavan. Senhor Djacir Melchior da Silva e Sarlene André. Foto: Diocese de Roraima.

Djavan também conta com o apoio de pessoas que marcaram sua caminhada, como sua madrinha de batismo, Deolinda Melchior da Silva. Segundo ela, “essa ordenação representa um chamado, é um convite para os jovens, principalmente indígenas que estão iniciando na fé. Ele é um exemplo”.

O seminarista partilha o sentimento que o move nesta caminhada: “É uma caminhada vocacional que exige muito empenho, esforço, dedicação, disponibilidade, na qual a gente se entrega mesmo para o serviço da Igreja.” E conclui com emoção: “Mãe, meu sonho vai ser realizado.”

Dom Evaristo acredita que esta ordenação será exemplo para tantos jovens que querem seguir essa vocação. “Assim como o Djavan respondeu ao chamado de Deus, certamente muitos outros jovens também atenderão a este chamado”, afirmou.

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

 

Missa Crismal na diocese de Roraima: “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade”

A diocese de Roraima celebrou no dia 15 de abril a Missa dos Santos Óleos, “um dia de alegria e de festa!”, segundo o bispo diocesano, dom Evaristo Spengler. Ele disse que “a missa crismal deste ano é especial”, dado que a diocese celebra 300 anos de evangelização e o Papa convocou o Ano Jubilar, fazendo um chamado a caminhar como peregrinos e peregrinas da esperança.

Ungidos para servir

O bispo lembrou a presença de mais de 20 novos missionários na diocese, que foram apresentados. Em sua reflexão falou sobre o óleo da Aliança. Ele enfatizou que “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade onde estamos inseridos.” Dom Evaristo refletiu sobre os três vasos sagrados presentes na celebração: o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o óleo do Santo Crisma.

Segundo o bispo, o óleo “é um sinal sagrado.” Analisando o texto de Isaias 61, sublinhou que “pelo batismo, Deus nos escolheu para sermos ‘sacerdotes do seu povo’ para levar a alegria do Evangelho aos que sofrem, para sermos instrumentos de misericórdia.” Junto com isso, ele vê que “o óleo é para romper correntes e esquemas.” No Salmo 88, o bispo destacou que “esta unção não é para nosso prestígio”, ressaltando que “essa é a nossa missão: vida a serviço.”

Já em Apocalipse 1,5-8, dom Evaristo enfatizou que “esta unção nos compromete: somos chamados a ser profetas que denunciam as injustiças, sacerdotes que santificam o mundo no amor, pastores que governam com humildade e serviço. Somos povo de Deus, todos ungidos e chamados para ungir.” Por sua vez, no Evangelho (Lc 4,16-21), sublinhou que ‘o óleo do Crisma nos recorda que, como presbíteros, religiosos/as e leigos, não somos meros funcionários do sagrado. Somos outros ‘cristos’ – ungidos – para estar no mundo a serviço do Evangelho. Como presbíteros, nosso ministério não é um status, mas um chamado ao serviço, especialmente aos mais pobres. Como religiosos e religiosas somos convocados para servir e testemunhar a profecia do Reino de Deus. Os leigos e as leigas são chamados, a partir do seu Batismo e Confirmação, a serem ‘sal da terra, luz do mundo’ (cf. Mt 5,13-16), e fermento na massa (Lc 13,20-21).”

Significado dos Óleos

Na benção dos óleos descobrimos, segundo o bispo, que “Deus, no seu amor, caminha conosco em todas as etapas marcantes da vida. E nos unge, nos consagra, nos cura e nos envia em missão. É o amor do próprio Deus que se faz presença, fidelidade e ternura.” Isso porque “cada óleo é expressão do amor e do cuidado de Deus, de um carisma, de um serviço e de um ministério específico.”

Dom Evaristo Spengler refletiu sobre o sentido de cada um deles: o óleo da consagração, o óleo da cura e o óleo da missão. No Óleo da Consagração, destacou que “somos chamados a viver o amor até o extremo.” Algo que acontece no Batismo, pois “não somos reis para dominar, mas para servir”; na Crisma, que “nos envia para a missão de viver e testemunhar a fé recebida no batismo”; e na Ordenação, em que “o candidato se entrega totalmente a serviço da Igreja, povo de Deus, neste caminho sinodal.”

Bálsamo das Feridas da Humanidade

O Óleo da Cura, ele e visto pelo bispo como “o Bálsamo das Feridas da Humanidade”. Ele falou de diversas doenças, pedindo pessoas ungidas para o cuidado da casa comum, pessoas ungidas para ajudar na superação de extremismos e de exclusões, pessoas ungidas para ajudar a superar as gritantes desigualdades em uma sociedade que acumula riqueza à custa dos pobres. Uma cura que também precisa o ser humano, segundo o bispo de Roraima.

Do óleo da Missão, o bispo destacou que ele é “a fidelidade ao evangelho no percurso da missão, que nos prepara para o encontro com o Esposo, o Cristo.” Dom Evaristo advertiu que “não podemos nos conformar com uma fé superficial ou apenas herdada da família ou da tradição. Somos chamados a fazer um encontro pessoal e comunitário com o Cristo Morto-Ressuscitado.” Para isso, “nós, os cristãos, somos chamados a viver em estado de vigilância ativa, cultivando uma vida de fé, de oração e de boas obras, sem nos deixar levar pela negligência ou pelo comodismo espiritual. A missão do cristão não é apenas crer, mas testemunhar com ações concretas o amor de Deus no mundo. Isso significa colocar em prática o que assumimos no nosso Batismo e confirmamos na Crisma.”

Sentido do óleo em cada ministério

O bispo fez um chamado aos presbíteros, para que eles “não deixem secar o óleo da unção, do primeiro amor, da entrega total em seus corações, em suas mãos, em seus pés. Vão às periferias sociais e às fronteiras existenciais, e contemplem a consolação de Deus, a presença de Deus, o amor de Deus.” Um óleo que não é “guardar para si”, é para “gastar nos caminhos enlameados e esburacados.”

Aos religiosos e religiosas, ele pediu ser o “bom perfume” de Deus para evangelizar as mais variadas realidades. Para ser “uma presença terna e fraterna, especialmente em meio aos mais vulneráveis.” Aos leigos e leigas, o bispo lembrou que eles são “ungidos para santificar o mundo a partir de dentro de cada realidade.” Por isso lhes pediu que “sejam protagonistas da evangelização, assumindo cada vez mais a missão de animar e fortalecer as comunidades, sendo uma presença cristã autêntica na sua família, no seu trabalho, na roda de amigos, em todas as realidades da vida.”

Finalmente, aos enfermos e idosos, lhes disse que “a vida de vocês é um óleo precioso que unge a Igreja com o perfume da paciência e da fé. Em um mundo que idolatra a juventude, a produtividade e a velocidade, a paciência dos idosos e dos enfermos é um antídoto contra a cultura do descarte. Através da aceitação serena das dores e dos limites impostos pela idade, vocês são testemunhas de que a vida tem valor em todas as suas fases e em todas as situações!” Para isso, dom Evaristo pediu a intercessão de Maria, que chamo de “Arca da Aliança”, para que “nos ensine a ser, como Ela, vasos transbordantes de graça.”

Fotos: João Felipe Cláudio Amaral – Rádio Monte Roraima

Fonte: Luis Miguel Modino – CNBB Regional norte 1

 

 

 

 

 

 

 

 

Retiro Anual dos Missionários(as) da Diocese de Roraima

Nos dias 14 e 15 de abril, foi realizado o Retiro dos Missionários e Missionárias da Diocese, em preparação para a Páscoa.

O encontro teve início no dia 14, propocionando um tempo de espiritualidade e comunhão fraterna. O retiro encerra na noite do dia 15 com a Missa do Crisma, momento em que ocorre a benção dos Santos Oléos e a renovação das promessas sacerdotais.