7ª Assembleia Rede CLAMOR: “Uma oportunidade singular de articulação, de fortalecimento, e sobretudo de interação”

A sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá (Colômbia), acolhe de 24 a 29 de setembro de 2024 a 7ª Assembleia da Rede CLAMOR (Rede Eclesial Latino-americana e Caribenha de Migração, Deslocamento, Refúgio e Tráfico de Pessoas), ligada ao CELAM, que tem como tema “Deus caminha com seu povo”, e conta com mais de 100 participantes de 32 países.

Um momento emocionante, segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers. Ele destacou a presença de “representações de tantos países, e ao mesmo tempo verificando os desafios que temos na área das migrações, das fronteiras”. Segundo o bispo, “é um momento de fortalecermos as redes, os vínculos, e a CNBB não poderia não estar, porque ela esteve no início da Rede CLAMOR, e agora queremos fortalecer ainda mais os nossos trabalhos, principalmente no Brasil, para que possamos responder aos grandes desafios em todas as áreas migratórias, seja ad extra do nosso país como ad intra”, sendo assim, “um momento oportuno para fortalecermos esses vínculos”. Dom Ricardo Hoepers manifestou que “neste final de semana queremos dar o nosso abraço, a nossa benção, em unidade e oração por todos os refugiados e migrantes”.

Segundo a Ir. Rosita Milesi vê a assembleia “é uma oportunidade singular de articulação, de fortalecimento, e sobretudo de interação entre tantos países”. A religiosa destaca “a oportunidade de fortalecer nossas relações entre as nossas organizações, e entre vários países e mesmo continentes”. Uma riqueza que considera “muito singular, porque por mais que leiamos, por mais que possamos ver imagens, notícias, a verdade é que a relação pessoal é algo que tem uma riqueza muito particular, e muitos de nós crescemos efetivamente, nos enriquecemos ao ouvir, ao compartir com outras pessoas de várias nacionalidades, de várias procedências, e sobretudo ouvir os depoimentos de pessoas vítimas de tráfico, pessoas migrantes, pessoas refugiadas, que aqui estão conosco”.

São pessoas que “nos sensibilizam muito além de um simples conhecimento, nos sensibilizam para a vida real, para aquilo que marca a vida das pessoas, aquilo que é muitas vezes um caminho de sofrimento que não conseguimos imaginar, e ouvindo estas pessoas é que o nosso sentimento, o nosso amor, a nossa compaixão, como o Papa Francisco sempre fala, se fortalece e se sensibiliza mais em favor dos irmãos refugiados, migrantes e vítimas de tráfico de pessoas”, sublinhou a religiosa.

Uma assembleia que “tem sido um momento muito forte de articular e fortalecer o trabalho em rede”, também entre as comissões da Rede CLAMOR: a comissão de prevenção ao tráfico de pessoas, comissão de articulação e serviços, a comissão de formação e a comissão de incidência, bem como a comissão de comunicação, disse a Ir. Rose Bertoldo. Ela disse que “a assembleia ajudou a perceber o trabalho que está sendo feito em América Latina e o Caribe, mas também agora alargando para os cinco continentes onde também tem a presença de pessoas que trabalha com a migração e com o tema do tráfico de pessoas”.

A secretária do Regional Norte1 destacou como uma dimensão muito forte, conhecer o trabalho da Rede COATNET, a rede de enfretamento ao tráfico de pessoas, que é coordenada e articulada pela Caritas Internacional, que se soma às demais redes da Vida Religiosa Consagrada, à Rede Talitha Kum e também à Rede CLAMOR, que tem o objetivo de articular, de contribuir para o fortalecimento das redes de prevenção ao tráfico de pessoas, dando visibilidade a esse trabalho de prevenção a partir das datas relacionadas com o tráfico de pessoas. Finalmente, a Ir. Rose Bertoldo insistiu na importância de que na assembleia, cada comissão vai fazer um plano de ação para a continuidade do trabalho 2024-2025.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Papa Francisco recebe presidente e grupo de mulheres da CEAMA, “que está crescendo com uma atitude eminentemente sinodal”

O Papa Francisco não para, é surpreendente ver a agenda de alguém com quase 88 anos. Poucas horas depois de voltar da Bélgica, ele começou a segunda-feira com várias audiências que começaram pouco depois das 7h. Em uma das audiências recebeu o presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), cardeal Pedro Barreto, a quem depois se juntou um grupo de mulheres de diferentes partes do mundo, mulheres que, articuladas pela CEAMA, refletem sobre a figura da mulher na vida da Igreja.

A CEAMA é um exemplo de sinodalidade

A audiência ocorreu no dia em que se iniciou o retiro antes da Segunda Sessão do Sínodo sobre Sinodalidade, que começa seus trabalhos na quarta-feira, 2 de outubro. Não podemos nos esquecer de que, no Relatório Síntese da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal, realizada em outubro de 2023, a CEAMA é vista como um exemplo de sinodalidade.

O Relatório Síntese diz sobre a CEAMA: “Sem subestimar o valor da democracia representativa, o Papa Francisco responde às preocupações de alguns de que o Sínodo poderia se tornar um órgão deliberativo de maioria, privado de seu caráter eclesial e espiritual, colocando em risco a natureza hierárquica da Igreja. Alguns temem ser forçados a mudar; outros temem que nada mude e que haja pouca coragem para seguir a tradição viva. Algumas perplexidades e oposições também escondem o medo de perder o poder ou os privilégios que dele derivam. De qualquer forma, em todos os contextos culturais, os termos ‘sinodal’ e ‘sinodalidade’ indicam um modo de ser Igreja que articula comunhão, missão e participação. Um exemplo disso é a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), fruto do processo sinodal missionário nessa região”.

Um Papa animado pela renovação da Igreja

Ao sair da audiência, o cardeal peruano destacou que viu o Papa Francisco “animado por tudo o que ele está fazendo em nível de Igreja nesse processo de renovação”. O Cardeal Barreto falou ao Papa sobre a Conferência Eclesial da Amazônia, enfatizando que “está muito perto de seu coração, mas ao mesmo tempo ele está ciente de que é como uma pequena planta que está crescendo e crescendo com uma atitude eminentemente sinodal”.

Depois deste encontro com o Papa Francisco, o presidente da CEAMA disse que “me sinto muito mais forte, porque é o Espírito Santo que está guiando a Igreja através dele, e através, neste caso para a Amazônia, da CEAMA”, mostrando sua alegria pelo encontro.

A Igreja é mulher, mãe

Sobre a audiência com as mulheres, o cardeal a definiu como “uma experiência inédita, ter nove mulheres de diferentes continentes”, destacando a presença da irmã Laura Vicuña Pereira Manso, uma das vice-presidentes da CEAMA, enfatizando o fato de “ver o Papa tão feliz com elas, escutando-as e encorajando-as. Afirmou que a Igreja é mulher, mãe que acolhe a todos”, destacou o cardeal, ‘encorajando-nos a continuar caminhando juntos na Igreja sinodal’.

A Ir. Laura Vicuña Pereira Manso, catequista franciscana, expressou sua alegria pelo encontro com o Papa Francisco. A vice-presidente da CEAMA destacou o fato de serem mulheres de todo o mundo, com as quais “reafirmamos o caminho sinodal que a Igreja vem fazendo das mulheres que estão nas periferias das periferias”.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Retiro prepara os participantes da Assembleia Sinodal para estarem “como Moisés no Sinai, na presença do Senhor”

Podemos dizer que a Segunda Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, onde um dos seus membros é o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da CNBB, Cardeal Leonardo Steiner, já começou, não os trabalhos, que se iniciam na quarta-feira, 2 de outubro, após a missa de abertura, mas o retiro prévio, para estar “como Moisés no Sinai, na presença do Senhor”, como destacou o Secretário Geral do Sínodo, Cardeal Mario Grech.

Como ser uma Igreja sinodal em missão?

A reflexão começou com uma pergunta: “Como podemos ser uma Igreja sinodal em missão?”, feita por Madre Maria Ignazia Angelini. A monja beneditina convidou os membros do Sínodo a “abrir espaço para a escuta atônita que nos reposiciona e nos prepara para este novo começo de caminhar juntos”. Isso na festa de São Jerônimo, o homem rude e colérico que se deixou transformar pela Sagrada Escritura.

Analisando o Evangelho do dia, ela destacou que ele mostra “o início da etapa decisiva” de Jesus, fazendo um paralelo com o Sínodo. “A missão tem sua origem na paixão, na atração invencível de Deus pelos últimos”, e no modo de estar com Jesus, enfatizou. Junto com isso, ela enfatizou a arte do diálogo, a sede de Deus, uma lógica que não está presente na cultura atual, mediada pela “lógica dos negócios, do poder, do mercado, do fitness. Ou por lógicas evasivas”. Para isso, é necessário, como sugere o Papa Francisco, “uma narrativa que supere a solidão e os silêncios”, como forma de abordar o diálogo sinodal e, assim, conhecer “a fonte que corre e corre, embora seja noite”, nas palavras de São João da Cruz.

Um lugar sagrado de encontro com o Senhor

Uma assembleia que é se sentar juntos, “um lugar sagrado de encontro com o Senhor que está presente onde ‘dois ou três’ se reúnem em seu nome”, como disse o Cardeal Grech. Por isso, ele insistiu que “ou entramos nessa perspectiva de oração, de fé, de encontro com Deus, ou não assumimos um estilo sinodal autêntico, não vivemos uma experiência de sinodalidade”, porque o protagonista é o Espírito Santo.

Para percorrer o caminho da assembleia, que ele confiou a Maria, o Secretário Geral do Sínodo propôs tirar “as sandálias dos pés, despojar-nos de toda resistência à voz do Espírito Santo, atravessar o deserto e caminhar junto com o povo de Deus em direção à terra da Promessa de Deus”, despojar-se de “vestimentas, abordagens e padrões que ontem poderiam ter sentido, mas hoje se tornaram um fardo para a missão e colocam em risco a credibilidade da Igreja”. Tudo isso “para que a Assembleia Sinodal que hoje inicia seu caminho seja um Pentecostes renovado, para que o Evangelho de Jesus continue a tornar fecunda a vida de toda a humanidade e para que sejamos sinodais e missionários”.

Escuta paciente, imaginativa, inteligente e de coração aberto

As meditações do primeiro dia do retiro continuaram com as orientações do dominicano Timothy Radcliffe, que iniciou suas palavras fazendo um apelo à busca na escuridão. Um primeiro passo para ser uma Igreja sinodal missionária, como pede a Assembleia Sinodal, é “ouvir com paciência, imaginação, inteligência e com o coração aberto”. Isso se deve ao fato de que “ouvir Deus e nossos irmãos e irmãs é a disciplina da santidade”.

O dominicano usou quatro cenas de ressurreição do Evangelho de João para guiar as meditações: “Procurando no escuro”, “O quarto trancado”, “O estranho na praia” e “Café da manhã com o Senhor”, observando que “cada uma delas lança alguma luz sobre como ser uma Igreja sinodal missionária em nosso mundo crucificado”. Com relação ao primeiro, ele disse que “nosso mundo está ainda mais obscurecido pela violência do que há um ano”, e que, como Maria Madalena, “nós também estamos reunidos neste Sínodo para buscar o Senhor”, em uma sociedade ocidental indiferente e em uma Igreja na qual há dúvidas se o Sínodo conseguirá alguma coisa. Ele pediu esperança, para sermos buscadores, de maneiras diferentes, para vivermos “de uma nova maneira e falarmos em uma nova linguagem”, para “vivermos juntos mais profundamente a vida ressuscitada”, para fazermos perguntas, pois “Perguntas não são proibidas aqui”, lembrando o lema da Academia Dominicana em Bagdá.

Ninguém pode ser excluído na Igreja

Radcliffe chamou a imitar a compaixão de Maria Madalena, de tantos santos e santas, daqueles que, sem conhecer Cristo, estão cheios de compaixão. Algo necessário em um mundo que “está cheio de choro”, citando exemplos disso: o Oriente Médio, a Ucrânia, a Rússia, o Sudão e Myanmar.  A partir daí, enfatizou que “este sínodo será um momento de graça se olharmos uns para os outros com compaixão e virmos pessoas que estão como nós, buscando”. Isso é para superar aqueles que podem se sentir excluídos, pois “Maria Madalena também nos lembra como as mulheres são frequentemente excluídas das posições formais de autoridade na Igreja”.

Para o dominicano, “santidade é estar vivo em Deus”, e por isso “o desafio para nós é ajudar uns aos outros a respirar profundamente o rejuvenescedor Espírito Santo”, convidou os participantes da Assembleia Sinodal. Refletindo sobre liderança, ele definiu como sua primeira tarefa “conduzir o rebanho para fora dos pequenos apriscos e para o ar fresco do Espírito Santo”, conclamando a “sermos pregadores do Evangelho da vida abundante”, refletindo sobre algumas possíveis atitudes dos participantes da assembleia, aos quais disse que “podemos aceitar o risco de sermos feridos porque o Senhor nos deu a sua paz”.

Não se fechar num mundo estreito

Radcliffe advertiu que “nosso próprio amor pela Igreja, de formas totalmente diferentes, pode fechar-nos num mundo estreito,”, citando exemplos disso, levando-nos a “olhar para o umbigo eclesiástico, observando os outros, prontos para detectar seus desvios e denunciá-los”. Para isso, ele deixou claro que “este sínodo não é um lugar para negociar mudanças estruturais, mas para optar pela vida, pela conversão e pelo perdão”. Ele conclamou os participantes a “superar toda a violência que está em nossos corações: pensamentos e palavras violentas”. Isso porque “nenhuma discórdia pode destruir nossa paz em Cristo, porque somos um só Nele”.

O dominicano advertiu que “alguns dogmas do nosso tempo são salas fechadas sem oxigênio: relativismo, todos os tipos de fundamentalismo, materialismo, nacionalismo, cientificismo, fundamentalismo religioso. Eles prendem as pessoas em imaginações pequenas e temerosas”, pedindo uma abertura baseada nos “grandes ensinamentos de nossa fé” e buscando como “convidar as pessoas de nosso tempo a entrar no amplo espaço de nossa fé”.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Steiner: Segunda Sessão da Assembleia Sinodal, “a sinodalidade em vista da missão”

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, é um dos membros da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que realiza de 2 a 27 de outubro sua Segunda Sessão. A poucas horas de iniciar os trabalhos, o cardeal lembra os passos dados até agora no processo sinodal.  

Ele destaca que “continuamos o caminho da sinodalidade proposto por Papa Francisco”, relatando os passos dados desde o início do processo: “Nos reunimos nas nossas igrejas particulares, nas conferências episcopais, nas conferências continentais e entramos na Primeira Sessão do Sínodo. O Sínodo na Primeira Sessão nos ofereceu um Documento de Síntese, depois nós refletimos mais uma vez nas nossas igrejas particulares”.

O cardeal Leonardo Steiner enfatiza que “agora iniciamos a Segunda Sessão, uma Igreja sinodal em missão, tomando a missionariedade como centro da sinodalidade, a sinodalidade em vista missão”, sublinhando que “será uma riqueza para todos nós”.

Aquele que é chamado o cardeal da Amazônia, disse que “nós que vivemos na Amazônia, que já procuramos entrar dentro desse espírito sinodal para a missão, queremos também dar a nossa contribuição, uma Igreja sinodal em missão”. Não podemos esquecer que na Igreja da Amazônia essa é uma dinâmica presente desde o Encontro de Santarém, realizado em 1972, que marcou as linhas prioritárias da evangelização na Amazônia: encarnação na realidade e evangelização libertadora. Uma dinâmica impulsionada no Sínodo para a Amazônia, que realizou sua Assembleia Sinodal em outubro de 2019, e reforçada em 2022, na comemoração dos 50 anos do Encontro de Santarém.

O arcebispo de Manaus enfatiza “a missão, anunciar o Reino de Deus, Jesus Cristo crucificado, ressuscitado, a plenitude do Reino de Deus, que é anunciado. Nós não anunciamos a Igreja, nós anunciamos Jesus crucificado, ressuscitado, o Reino de Deus plenificado”.

Finalmente, o cardeal Steiner destaca que “a Segunda Sessão, certamente há de nos oferecer elementos práticos, há de nos ajudar na orientação para continuarmos e sermos uma Igreja cada vez mais sinodal, para sermos uma Igreja sempre mais missionária, que anuncia o Reino de Deus e a sua justiça”.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja

Origens 

Sofrônio Eusébio Jerônimo é o nome completo de São Jerônimo. Nasceu em Estridão, atual Croácia. Não se sabe a data exata do seu nascimento, estima-se que seja por volta de 347. De família cristã e rica, São Jerônimo recebeu uma sólida educação e, ajudado pelos seus pais, completou os estudos em Roma. Ali, deu-se à vida mundana, deixando-se levar pelos prazeres. Porém, logo se arrependeu, recebeu o Batismo e seguiu a vida contemplativa. 

Vida 

Jerônimo estudou por toda a vida, viajando a Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos, no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo.

Primeira Tradução da Bíblia para o Latim

Chamado pelo Papa

Voltou para Roma em 382, chamado pelo Papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia (do grego e do hebraico) para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda a sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se “Vulgata” e tornou-se oficial no Concílio de Trento.

Suas obras

Romano de formação, Jerônimo era um enciclopédico. Sua obra literária revelou o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, em grego, em hebraico, escritor de estilo rico, puro e eloquente ao mesmo tempo. Dono de personalidade e temperamento fortíssimo, sua passagem despertava polêmicas ou entusiasmos.

Retirada para Belém

Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando, com um novo livro. Suas violências verbais não perdoavam ninguém. Teve palavras duras para Ambrósio, Basílio e para com o próprio Agostinho. Mas sempre amenizava as intemperanças do seu caráter para que prevalecesse o direito espiritual.

Dedicação à Palavra de Deus

Páscoa

São Jerônimo passou o resto da sua vida em Belém, onde sempre se dedicou à Palavra de Deus, à defesa da fé, ao ensino da cultura clássica e cristã e ao acolhimento dos peregrinos. Faleceu em sua cela, nas proximidades da Gruta da Natividade, em 30 de setembro, provavelmente no ano 420. 

Contribuição Póstuma

Este santo homem, impetuoso e, muitas vezes, polêmico e divergente, era odiado, mas também muito querido. Não era fácil dialogar com ele, porém deu uma contribuição ao Cristianismo, com seu testemunho de vida e seus numerosos escritos. Com efeito, deve-se a ele a primeira tradução da Bíblia para o latim, chamada Vulgata: traduziu os Evangelhos do grego e o Antigo Testamento do hebraico; ainda hoje, a Vulgata, embora revisada, é o texto oficial da Igreja de língua latina. 

Minha oração

“Grande tradutor e divulgador da Palavra de Deus, foste tão íntimo das escrituras e nos ensinaste esse belo caminho para a união com Cristo. Dai-nos amor à Palavra, dedicação em lê-la, rezá-la e meditá-la como tu mesmo tiveste. Amém.”

São Jerônimo, rogai por nós!

Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, soldados do exército celeste

Origens 

Os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael são investidos de cargos diferentes. Celebrados, antes, em datas diferentes, mas, com as reformas do Concílio Vaticano II, agora são recordados em um só dia. A memória litúrgica ocorre em 29 de setembro. 

A Bíblia os lembra com missões específicas: Miguel, o adversário de Satanás; Gabriel, o anunciador; e Rafael, o ajudante. O título de arcanjo deriva da ideia de uma corte celestial na qual os anjos estão presentes de acordo com diferentes graus e dignidades. 

Os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael ocupam as esferas mais altas das hierarquias angélicas. Eles têm a tarefa de conservar a transcendência e o mistério de Deus, ao mesmo tempo que tornam presente e perceptível a sua proximidade salvífica.

São Miguel, o Príncipe que luta contra o mal

Segundo a tradição, o Arcanjo Miguel é o príncipe que luta contra o mal, de cujos assaltos defende perenemente a fé e a Igreja. Além disso, é reconhecido o poder da intercessão, muito venerada tanto no Oriente como no Ocidente.

No mundo, são incontáveis as catedrais, os santuários, os mosteiros, as capelas dedicados ao Arcanjo Miguel. Seu nome é citado cinco vezes na “Sagrada Escritura”, deriva da expressão “Mi-ka-El”, ou seja, “quem é como Deus?”. Pela sua popularidade secular, o Anjo guerreiro que, com a sua espada desembainhada, vigia, do Castelo Santo Anjo, a Cúpula de São Pedro, é também centro de numerosas histórias e anedotas. Uma delas remonta ao dia 13 de outubro de 1884.

Após a celebração da Missa, na Capela Vaticana, Leão XIII permanece inerte por uns dez minutos. Seu rosto, dizem as testemunhas, revela, ao mesmo tempo, terror e maravilha. A seguir, o Papa Pecci vai depressa ao seu escritório, senta-se à mesa e escreve de impulso uma oração ao Arcanjo Miguel. Meia hora depois, chama o Secretário e lhe entrega a folha de papel, pedindo-lhe para ser imprensa e enviada a todos os Bispos do mundo, para que a súplica fosse recitada no final da Missa. Leão XIII narra ter tido, naqueles poucos minutos, uma estarrecedora visão de “legiões de demônios” que atacavam a Igreja, quase a ponto de destruí-la, e de ter assistido a intervenção defensiva e decisiva do Arcanjo.

São Gabriel, o mensageiro de Deus

O Anjo Gabriel fez o anúncio a Maria. No Evangelho de Lucas, lemos “foi enviado”; logo, o Arcanjo Gabriel é o mensageiro de Deus, encarregado de explicar à “Virgem, prometida a um homem da casa de Davi, chamado José”, o modo com o qual Deus deveria se encarnar.

Mencionado várias vezes no Antigo e no Novo Testamento, São Gabriel, mensageiro por excelência, é o Padroeiro das Comunicações, além disso, foi declarado também Padroeiro da Rádio Vaticano.

Os episódios bíblicos dos quais Gabriel é protagonista são narrados no Livro do profeta Daniel. O Arcanjo aparece a Daniel para explicar-lhe o significado de uma visão misteriosa (Dn 8,15-18), enquanto, em outra (Dn 9,20- 27), preanuncia certos eventos. Ainda no Evangelho, em Lucas, ele comunica a Zacarias sobre o nascimento do seu filho João (Lc 1, 8-20). Assim, Gabriel revela, de modo bem mais claro, ser uma criatura celeste, estar na presença de Deus e ser seu mensageiro.

São Rafael, a medicina de Deus

A história do arcanjo Rafael é narrada no Livro de Tobias, na época da revolta dos Macabeus. O núcleo central do livro é a viagem empreendida por Tobias para recuperar, em uma terra distante, um crédito de seu pai que se tornou indigente, com o acompanhamento de outro viajante.

Durante uma parada no rio Tigre, um grande peixe atacou o jovem, que se assustou, mas, depois, encorajado pelo viajante — que era o arcanjo Rafael disfarçado —, pegou o peixe, do qual, sempre por orientação do viajante, arrancou o coração, o fígado e a bílis do peixe e os colocou no alforje.

Quando estavam quase chegando ao destino final, o Arcanjo insistiu para que Tobias se hospedasse na família de alguns parentes, onde conheceu sua prima Sara, que a lei de Moisés lhe reservou como esposa. A jovem já estava comprometida com sete homens, todos assassinados no tálamo nupcial pelo demônio Asmodeus, por ciúme da jovem. Sara casou-se com Tobias. A nova tentativa de Asmodeus foi derrotada pelo coração e o fígado do peixe, que o viajante sugeriu colocar em um braseiro, para que a fumaça afugentasse o demônio.

Depois do casamento, Tobias voltou para a casa paterna e quis recompensar o viajante por toda a sua ajuda. Chamando de lado o pai e filho, o viajante revelou a sua identidade. Explicou-lhes que, devido às orações e caridade deles, ele havia sido enviado por Deus para curá-los e guiá-los. E falando de si mesmo, lhes disse: “Eu sou Rafael, um dos sete Anjos, sempre prontos para entrar na presença da majestade do Senhor”.

Minha oração

“Pelos Arcanjos, pedimos a proteção da nossa Igreja, das nossas famílias, nosso trabalho e saúde. Onde houver o mal, defendei-nos e protegei-nos, ao mesmo tempo nos ilumine contra toda a tentação do demônio. Sede nossos companheiros e amigos na caminhada rumo ao Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!”

Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, rogai por nós!

São Venceslau, o pacífico duque da Boêmia

Origens 

São Venceslau nasceu em Praga, República Checa, em 907. Foi educado como cristão por sua avó Santa Ludmila. Sucedeu a seu pai, Vratislau, antes de morrer, quando ainda muito jovem, tornando-se duque da Boêmia. Isto despertou em sua mãe, Draomira, a ira e a vingança, pois ela preferia o segundo filho, Boleslau.

Reinado

Cristianizou o seu país como um verdadeiro nobre. Pacífico na administração do reino e misericordioso para com os pobres; redimiu um grupo inumerável de escravos pagãos que estavam à venda em Praga, para que fossem batizados. Certa vez, decidiu fazer um duelo para não envolver seus soldados na guerra, mas seu adversário se reconciliou com ele. 

O Trono Roubado

Antes que isso acontecesse, a mãe tomou à força o poder e começou uma grande e desumana perseguição aos cristãos. Assim, por sua maldade e impopularidade junto ao povo, foi deposta pelos representantes das províncias, que fizeram prevalecer a vontade do rei Vratislau, elevando ao trono seu filho Venceslau. 

Imediatamente, seguindo o conselho da avó, Venceslau levou de volta ao reino o cristianismo. Quando soube disso, Draomira ficou tão transtornada que contratou alguns assassinos para dar fim à vida da velha e bondosa senhora, que morreu enquanto rezava, estrangulada com o próprio véu.

Inveja de Draomira

Draomira sabia que ainda havia mais uma pedra em seu caminho impedindo seus planos maldosos e sua perseguição ao povo cristão. Venceslau era um obstáculo difícil, pois, em muito pouco tempo, já tinha conquistado a confiança, a graça e a simpatia do povo, que via nele um verdadeiro líder, um exemplo a ser seguido. 

Páscoa

Draomira e Boleslau, inconformados com a popularidade de Venceslau, arquitetaram um plano diabólico para acabarem com sua vida. Morreu em 935. Boleslau atacou Venceslau enquanto ele ia sozinho, como costumava fazer, à igreja. Mãe e filho, porém, não tiveram tempo de saborear o poder e o trono roubado de Venceslau, pois, em poucos dias, Draomira teve uma morte trágica e Boleslau foi condenado pelo imperador Oton I.

Relíquia 

O seu corpo foi sepultado na igreja de São Vito, em Praga. Desde então, passou a ser cultuado como santo. A Hungria, a Polônia e a Boêmia têm em São Venceslau seu protetor e padroeiro. Mais tarde, no século XVIII, a Igreja inscreveu São Venceslau no calendário litúrgico, marcando o dia 28 de setembro para a sua festa.

Minha oração

“Tu foste nobre de sangue, mas muito mais nobre na alma, dai aqueles que são os líderes a mesma nobreza e dedicação para o povo que necessita. Embuti a fé nos teus devotos e com teu exemplo fortaleça o caminho cristão. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

São Venceslau, rogai por nós!

São Vicente de Paulo, padroeiro das Associações de Caridade

Origens 

São Vicente de Paulo nasceu em 1581, em cidade da Gasconha, região da França, no seio de uma família de camponeses. Embora tenha passado a sua adolescência no campo, a sua perspicácia foi percebida por um benfeitor, que lhe ofereceu a oportunidade de estudar.

Vida Sacerdotal  

Em 1600, com apenas 19 anos, foi ordenado sacerdote, mas obteve o diploma em teologia somente em 1604. Abriu uma escola particular, mas teve muitos gastos. Além disso, durante uma viagem marítima de Marselha a Narbonne, seu navio foi atacado por piratas: Vicente foi preso e vendido como escravo em Túnis. Ao receber sua alforria, dois anos depois, voltou para França, graças ao seu terceiro patrão, que, no entanto, se converteu ao cristianismo.

Catequista

Em 1612, tornou-se pároco de uma igreja em Clichy, na periferia de Paris. No entanto, conheceu o Cardeal Pierre de Bérulle, que foi seu diretor espiritual, por muito tempo. Desta forma, começou suas atividades como catequista. 

A Desigualdade

Em 1613, foi encarregado da formação dos filhos dos Marqueses de Gondi, onde permaneceu quatro anos. Ali, percebeu o enorme abismo entre ricos e pobres, não só do ponto de vista material e social, mas também cultural e moral. 

Sua preocupação com a pobreza foi compartilhada pela Marquesa Gondi, que colocou uma grande quantidade de dinheiro à sua disposição, para que fosse instituída uma obra de pregação quinquenal entre os camponeses das suas terras. São Vicente de Paulo deixou temporariamente o castelo para ir trabalhar em uma pequena paróquia na periferia de Châtillon-le-Dombez.

Primeira Célula da Caridade Vicentina 

A primeira coisa que Vicente fez como pároco foi cuidar de uma família doente, que não tinha o que comer, porém, percebeu que, quando o dinheiro acabasse, a família voltaria à sua indigência de antes. Buscou outro meio, mais eficiente e em longo prazo, para ajudar. Em 20 de agosto de 1617, nasceu a primeira célula da Caridade Vicentina, que foi confiada, segundo os ditames da sociedade, às mulheres, que foram chamadas “Servas dos Pobres”. A instituição cresceu de modo extraordinário, obtendo, em tempo recorde, a aprovação do Bispo de Lyon. 

Filhas da Caridade

São Vicente de Paulo voltou ao castelo de Gondi, mas para tratar da promoção humana e material dos camponeses. Depois, transferiu-se para Paris, porque é nas grandes metrópoles que as diferenças sociais, entre quem tem tudo e quem não tem nada, são maiores: sentiu que era ali que devia intervir. 

Na capital, muitas senhoras nobres, ansiosas de fazer beneficência, quiseram contribuir financeiramente para as obras de “Monsieur Vincent”: assim, em 1617, nasceram as Damas da Caridade.

 A obra mais importante que realizaram foi a abertura de um hospital municipal. Porém, as senhoras não conseguiam atender às necessidades mais humildes. 

Por isso, em 1633, Vicente fundou uma Congregação feminina, inovadora para a época: as Filhas da Caridade, que não seriam “monjas”, distantes do mundo e dedicadas à contemplação, mas “freiras”, irmãs dos últimos, que vivem ao lado deles no mundo e deles cuidam diariamente. Ainda hoje, as Filhas da Caridade são a maior família religiosa feminina da Igreja.

Congregação da Missão

A obra incessante de São Vicente de Paulo não se limitou apenas à comunidade das Irmãs. Começou a pregar a Palavra de Deus nas aldeias, onde muitos sacerdotes se uniram a ele. Assim, nasceu uma nova comunidade, que contava com a ajuda financeira da família Gondi: a Congregação da Missão, mais tarde conhecida como Lazaristas, cuja sede foi o convento de São Lázaro. 

Páscoa

São Vicente de Paulo faleceu em Paris, em 27 de setembro de 1660, com a idade de 79 anos. Não deixou nenhuma obra escrita, a sua única obra ou a sua obra-prima foi a Caridade. Morreu como exemplo de caridade, do verdadeiro amor, que não fazia distinção entre o de Deus e o ao próximo. 

Legado

A espiritualidade vicentina foi fundada na dupla descoberta de Cristo e dos pobres. Acreditam na igualdade entre a oração e ação, no compromisso com o mundo e para o mundo. Concretiza-se com a evangelização e a promoção humana. Seus filhos religiosos se inspiram apenas nas “Regulae”, que encarnam as características do espírito vicentino: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo pela salvação das almas.

Via de Santificação

A beatificação de São Vicente de Paulo ocorreu no dia 21 de agosto de 1729 pelo Papa Bento XIII. A celebração de canonização foi realizada em 16 de junho de 1737, pelo Papa Clemente XII, na Basílica do Vaticano. Em 1885, o Papa Leão XIII o proclamou padroeiro de todas as Associações católicas de caridade.

Minha oração

“Vós, que fostes admiravelmente dedicado aos pobres, ensinai-nos a sermos atentos para com essas realidades. Os nossos irmãos mais fragilizados, dê a eles a graça da salvação e do encontro com Cristo. Dai força aos grupos vicentinos que dão continuidade a vossa obra. Amém!”

São Vicente de Paulo, rogai por nós!

Rede CLAMOR Brasil celebra Dia Mundial do Migrante e Refugiado com missa e oferece roteiro de oração

No próximo dia 29 de setembro, a Rede CLAMOR Brasil se une à celebração do 110º Dia Mundial do Migrante e Refugiado, promovendo uma iniciativa especial para apoiar aqueles que enfrentam as dificuldades da migração. Com o tema escolhido pelo Papa Francisco: “Deus caminha com o seu povo”, a Rede CLAMOR convoca a todos a participar de uma missa que será presidida pelo padre jesuíta, Jerfferson Amorim, no Centro Cultural de Brasília (CCB), às 11h.

Além disso, a Rede lança um roteiro de oração e um comentário à carta papal, reforçando a importância da acolhida e da solidariedade em tempos de crise.  A carta do Papa Francisco destaca a urgência de criar um ambiente seguro e acolhedor para migrantes e refugiados, que muitas vezes são vítimas de situações de vulnerabilidade e exploração, como o tráfico humano.

A Rede CLAMOR Brasil, comprometida em colaborar com essas populações, enfatiza que a oração e a conscientização são fundamentais para promover a dignidade humana e o respeito aos direitos dos migrantes. O roteiro de oração, disponível em plataformas digitais das Instituições que fazem parte da Rede, ou ainda ao final do texto, convida comunidades e indivíduos a refletirem sobre o tema e a se unirem em apoio à causa. 

Além do aspecto espiritual, a Rede CLAMOR Brasil atua diretamente no enfrentamento do tráfico humano, promovendo ações de sensibilização e assistência às vítimas. A iniciativa deste ano busca não apenas celebrar, mas também mobilizar a sociedade civil a se engajar em práticas de acolhida e proteção, contribuindo para a construção de um futuro mais justo e inclusivo. Com a união de esforços, a Rede CLAMOR espera inspirar uma mudança significativa na forma como os migrantes e refugiados são tratados, reafirmando que cada vida conta e merece ser respeitada. 

Clique (aqui) e acesse o roteiro celebrativo.
Clique (aqui) e acesse a carta da Rede Clamor.

 
Por Alan Matheus Gloss / Secretário da Rede CLAMOR Brasil 

Acabar com a exploração sexual e o tráfico de mulheres e crianças depende de todos nós

A exploração sexual e o tráfico de mulheres e crianças são um crime cada vez mais presente na sociedade, que demanda o compromisso de todos e todas em vista de seu enfrentamento e erradicação. Na última segunda-feira, 23 de setembro, foi comemorado o Dia Mundial contra a exploração sexual e o tráfico de mulheres e crianças, mais uma oportunidade para conscientizar e sensibilizar os governos, a sociedade e as empresas sobre o tráfico de pessoas.

O tráfico de mulheres e crianças é uma grave violação dos direitos humanos, e não podemos ficar em silêncio diante dessa realidade, denunciar a exploração sexual e o tráfico de pessoas em todas as suas formas se torna uma exigência, que ninguém pode renunciar a ela, pois estamos diante de uma história antiga, que manifesta a desigualdade, discriminação e violência.

Violar a dignidade das pessoas é algo que não é aceitável, tratar os outros como mercadoria que pode ser comprada e vendida pelo maior lance, sempre que necessário, é uma realidade que não pode continuar mais em nossa sociedade. Não podemos esquecer que as principais vítimas são as mulheres e meninas. É por isso que desde 1999, todo 23 de setembro é lembrado esse crime e a necessidade de combatê-lo.

Estamos falando de um crime altamente lucrativo, que reporta altos benefícios, gerando 32 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Lucro gerado em consequência dos cerca de 2,5 milhões de pessoas que são traficadas em todo o mundo. Entre as vítimas, 65% são mulheres e meninas, e 92% das vítimas de tráfico são traficadas para fins de exploração sexual.

A exploração sexual de crianças e adolescentes ocorre principalmente no ambiente familiar, por pessoas próximas e de confiança das crianças e da família. Nos últimos anos, as redes sociais são ferramentas poderosas tanto para a exploração quanto para a conscientização. Os traficantes estão usando cada vez mais a tecnologia para traçar o perfil de suas vítimas, recrutar, controlar e explorá-las, especialmente depois da pandemia da COVID-19.

Nesse combate, é fundamental educar as crianças e as adolescentes sobre o uso seguro da internet, mostrando a necessidade de denunciar comportamentos suspeitos. Igualmente, o mundo virtual se tornou um instrumento de conscientização, que permite atingir um público mais amplo. Se faz necessário ações preventivas e de combate em busca da erradicação.

Cada um, cada uma de nós, temos que tomarmos consciência da necessidade de nos envolvermos no combate. Também depende de nós que esse crime possa ser superado e que a sociedade atual possa ser um mundo melhor para todos e todas, especialmente para os mais vulneráveis. Estar do lado das vítimas sempre é uma exigência para todos nós, nada justifica nenhum tipo de exploração e tráfico, e para isso as vítimas esperam nosso compromisso.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar