Irmã Sofia Bouzada: A Primeira Mulher Chanceler no Regional Norte 1 da Igreja Católica.

Em uma entrevista inspiradora, Ir. Sofia compartilha sua vocação, trajetória e trabalho na Diocese de Roraima.

No mundo da Igreja Católica, onde os papéis de liderança frequentemente são ocupados por homens, a nomeação de Ir. Sofia Bouzada como chanceler no Regional Norte no dia 04 de fevereiro de 2024, marca um momento histórico. Em uma entrevista especial com Rejane Silva no programa Manhã Viva, a Ir. Sofia, que também é secretária da Cúria da Diocese de Roraima, compartilhou sua jornada vocacional e sua experiência de trabalho na diocese.

O Papel de Chanceler

Ir. Sofia iniciou a entrevista esclarecendo a função do chanceler dentro da estrutura da Igreja Católica. “O Código de Direito Canônico determina que em cada cúria diocesana deve haver um chanceler, que atua como notário e secretário da cúria”, explicou. “A principal função do chanceler é garantir que os documentos da cúria sejam devidamente reduzidos a escrito e conservados em seu arquivo. É um cargo importante, pois ele é responsável pela gestão documental, emissão de documentos oficiais, coleta de dados e outras funções administrativas.”

Uma Jornada de Vocação e Serviço

Ir. Sofia Bouzada, uma franciscana missionária da Mãe do Divino Pastor, nasceu em Galícia, na Espanha. “Eu sou de Santiago de Compostela, terra de peregrinação, hospitalidade e acolhimento,” compartilhou com entusiasmo. “Venho de uma família cristã, muito amorosa e unida, com fortes raízes na espiritualidade franciscana.”

Ela descreveu sua vocação como uma jornada de busca e descoberta. “Sempre fui uma mulher peregrina, inquieta e aventureira,” disse. “Conheci as irmãs franciscanas desde criança e sempre me senti atraída pela missão, pela fraternidade e pelo serviço aos pobres.”

Ir. Sofia se formou em Pedagogia na Universidade de Salamanca e, durante esse período, fez um discernimento profundo sobre sua vocação. “Foi um tempo de muita aventura, conquistas e experiências de Deus,” lembrou. “Participei de voluntariado, representatividade cristã na universidade e, eventualmente, escolhi a vida consagrada.”

Desde então, Ir. Sofia tem servido em diversas partes do mundo, incluindo a Venezuela, onde trabalhou com refugiados colombianos, e a África, onde passou quase seis anos em missões no interior e na capital de Angola. “Na África, a vida é muito simples e junto ao povo,” disse. “Você vive sem água corrente, sem energia elétrica e aprende a fazer de tudo, desde ajudar em partos até consertar estradas.”

Em 2018, Ir. Sofia foi convidada a fundar uma presença missionária no Brasil. “Foi uma aventura nova, chegando sem conhecer nada nem ninguém,” contou. “Viemos três irmãs no início, e depois outras irmãs e voluntários foram se juntando a nós. Nossa missão sempre teve a marca da interculturalidade e do acolhimento.”

Desafios e Conquistas na Diocese de Roraima

Ir. Sofia falou sobre seu papel pioneiro como chanceler e secretária da Cúria da Diocese de Roraima. “Primeiro, vejo isso como um serviço, não como um cargo,” enfatizou. “A igreja deve ser desmasculinizada e desclericalizada, como chama o Papa Francisco, tornando-se uma igreja servidora e samaritana.”

Ela descreveu o momento em que foi chamada para assumir o papel de chanceler como um processo de discernimento profundo. “Foi uma fidelidade à igreja e um compromisso de transformação desde dentro,” explicou. “Vivo este serviço de maneira muito simples, como Francisco de Assis nos ensinou.”

A nomeação de Ir. Sofia como chanceler, teve uma grande repercussão. “Recebi mensagens de muitas partes do mundo, e fiquei surpresa com a repercussão,” disse. “O direito canônico permite que mulheres e leigos ocupem essa função, mas na prática, poucas mulheres têm essa oportunidade. No Brasil, somos menos de quatro, e na Espanha, talvez nem cinco.”

Ela ressaltou a necessidade de abrir mais portas para mulheres na igreja. “Devemos continuar abrindo essas portas e transformando a igreja para que seja verdadeiramente sinodal,” afirmou. “Precisamos de uma igreja mais justa e representativa.”

Inspirando Novas Gerações

Ir. Sofia também compartilhou sua visão para o futuro da igreja. “A igreja precisa ser uma presença viva no mundo, especialmente em áreas vulneráveis,” disse. “A minha experiência com migrantes e refugiados em Roraima tem sido transformadora. Nós, como igreja, devemos estar ao lado dos mais pobres e vulneráveis, oferecendo apoio e esperança.”

Ela encorajou as jovens a considerarem a vida consagrada como uma vocação cheia de propósito e significado. “Ser religiosa franciscana é uma aventura de fé, amor e serviço,” disse. “É uma vida de entrega total a Deus e aos outros, vivendo em fraternidade e simplicidade.”

A trajetória de Ir. Sofia Bouzada é um testemunho poderoso de dedicação, serviço e transformação dentro da Igreja Católica. Sua nomeação como chanceler no Regional Norte 1 não é apenas um marco histórico, mas também um chamado à igreja para abraçar a diversidade e a inclusão. Como ela mesma disse, “Estamos todos chamados a ser uma igreja sinodal, servidora e transformadora, onde todos têm um lugar e uma voz.”

São Francisco Solano, Padroeiro dos Missionários da América Latina

Origens

Nasceu em Montilla, Espanha, no ano de 1549. Pertencente a uma família abastada e de nobre ascendência, os pais, Mateus Sanches Solano e Ana Gimenez, eram cristãos fervorosos.

Sua formação passou pelo colégio jesuíta, ingressando, mais tarde, na Ordem Franciscana. O que mais ansiava era ser um missionário. Porém, adiou os planos para cuidar dos doentes, principalmente os mais pobres na Espanha, que foram devastados pela peste. Ele acabou contraindo a doença, mas logo se recuperou.

Missão na América Latina 

Em 1589, Francisco foi escalado para uma missão evangelizadora no novo continente latino-americano. Durante o caminho, eles enfrentaram uma forte tempestade, que fez o navio encalhar em um banco de areia. Porém, com sua presença e palavra de fé, acalmou as pessoas. Com isso, acabou batizando muitos passageiros e também os escravos negros que viajavam com eles. Logo depois, o que Francisco dissera aconteceu. Um outro navio os avistou e  chegaram a salvo ao destino: Lima, no Peru.

Quinze anos de apostolado 

Durante os quinze anos de apostolado, vivenciou vários milagres como: a cura de doentes com o toque de seu cordão de franciscano, livrou totalmente uma vasta região da praga dos gafanhotos e o dom de aprender facilmente as novas línguas e catequizar a cada tribo em seu próprio dialeto.

Páscoa

Passou os últimos cinco anos de sua vida em Lima. Francisco Solano morreu em julho de 1610 enquanto os frades cantavam  o Credo. Suas últimas palavras foram:  “Glorificetur Deus”. Foi canonizado pelo Papa Bento XIII em 27 de dezembro de 1726.

Minha oração

“São Francisco Solano, Padroeiro dos Missionários da América Latina, dai-nos o anseio de sermos missionários e nunca desistir de anunciar as maravilhas de Deus. Amém.”

São Francisco Solano, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados em 18 de Julho:

  • Comemoração do São Bartolomeu dos Mártires, bispo, que, nascido em Lisboa, ingressou na Ordem dos Pregadores e foi nomeado para a sede episcopal de Braga. († 1590)
  • Na Via Tiburtina,  a comemoração dos santos Sinforosa e sete companheiros – CrescenteJulianoNemésioPrimitivoJustinoEstacteu e Eugénio – mártires, que suportaram o martírio com diversos géneros de tortura, como irmãos em Cristo. († s. III-IV)
  • Em Milão, na Ligúria, região da Itália, São Materno, bispo, que, restabelecida a liberdade da Igreja, trasladou com grande solenidade de Lódi para a sua cidade os corpos dos mártires Nabor e Félix. († s. IV)
  • Em Doróstoro, na Mésia, na Bulgária, Santo Emiliano, mártir, que, destruiu o altar dos ídolos para impedir o sacrifício e, por isso, foi atirado para uma fornalha. († 362)
  • Em Bréscia, na Venécia, atualmente na Lombardia, região da Itália, São Filastro, bispo, cuja vida e morte foram louvadas por São Gaudêncio, seu sucessor. († c. 397)
  • Em Forlimpópuli, na atual Emília-Romanha, também região da Itália, São Rufilo, bispo, que é considerado o primeiro a governar esta Igreja e ter conduzido a Cristo todo o povo rural deste território. († s. V)
  • Em Metz, na Austrásia, atualmente na França, Santo Arnolfo, bispo, que foi conselheiro de Dagoberto, rei da Austrásia, e depois, renunciando ao cargo, se retirou para a vida eremítica nos montes Vosgos. († 640)
  • Em Constantinopla, na Turquia, Santa Teodósia, monja e mártir. Ela morreu por defender uma antiga imagem de Cristo que o imperador Leão ordenava remover do seu palácio. († s. VIII)
  • Em Utrecht, na Géldria da Austrásia, atualmente na Holanda, São Frederico, bispo, que foi exímio conhecedor da Sagrada Escritura e se consagrou com grande zelo à evangelização dos Frisões. († 838)
  • Em Ségni, no Lácio, região da Itália, São Bruno, bispo, que trabalhou e sofreu muito pela renovação da Igreja e, por isso, obrigado a deixar a sua sede episcopal, encontrou refúgio em Montecassino. († 1123)
  • Em Cracóvia, na Polónia, São Simão de Lipnica, presbítero da Ordem dos Menores que, impelido pela sua caridade, encontrou a morte no cuidado dos empestados moribundos. († 1482)
  • Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, na França, o Beato João Baptista de Bruxelas, presbítero de Limoges e mártir, que, morreu durante a Revolução Francesa. († 1794)
  • Em Nam Dinh, hoje no Vietnam, São Domingos Nicolau Dinh Dat, mártir, que, morreu estrangulado por ser cristão a mando do imperador Minh Mang. († 1859)
  • Em Krystonópil, na Ucrânia, a Beata Tarcísia (Olga Mackiv), virgem da Congregação das Irmãs Escravas de Maria Imaculada e mártir.  († 1944)

Beato Inácio de Azevedo e companheiros mártires 

Origens

Nasceu em Portugal, no Porto, em 1527, filho de D. Emanuel e Dona Vielante, ambos descendentes de famílias lusitanas ricas e nobres. Recebeu cuidadosa educação e tornou-se o administrador dos bens familiares aos 18 anos de idade. 

Companhia de Jesus

Após um retiro realizado em Coimbra, decidiu-se pela vida religiosa, entrando na Companhia de Jesus em 1548; era a idade dos grandes ideais, dos sonhos e das grandes esperanças. Revelou-se logo excelente religioso; suas austeridades tiveram de ser moderadas pelo seu provincial, o padre Simão Rodriguez. Não terminara, aos 26 anos de idade, o seu curso de teologia, quando foi nomeado reitor do Colégio Santo Antônio em Lisboa.

Tornou-se vice-provincial em 1556. Depois de terminados seus estudos, foi mandado a Braga para assessorar o bispo da cidade na reforma da diocese. Mais tarde, foi eleito por sua comunidade para ir a Roma para a eleição do novo responsável Geral. 

Vida missionária

Assim, em 1565, este Geral, que outro não foi senão são Francisco Borja, confiou a Inácio a inspeção das missões das Índias e do Brasil. Essa visita durou cerca de três anos. A evangelização do Brasil começara há apenas 16 anos, mas a Companhia de Jesus já estava em sete tribos do interior e no litoral possuía escolas e seminários. Em seu relatório, Inácio pedia reforços. São Francisco de Borja ordenou-lhe que recrutasse em Portugal e na Espanha elementos para o Brasil, e que os chefiasse.

Após cinco meses de exercícios religiosos e preparativos, partiram, a 5 de junho de 1570, Azevedo e 39 companheiros, no navio mercante São Tiago. Trinta outros seguiam num barco de guerra da esquadra comandada por Dom Luís de Vasconcelos, então governador do Brasil. Oito dias depois, alcançavam a ilha da Madeira, onde Dom Luís decidiu permanecer a fim de esperar ventos mais favoráveis. Mas o capitão de São Tiago preferiu demandar às ilhas Canárias, apesar de se falar em perigosos piratas, sobretudo franceses. 

Os mártires

São Tiago, perto da Grande Canária, antes de seguir para Las Palmas, onde faria escala, ancorou num pequeno porto, onde Inácio foi aconselhado a deixar o barco. Todavia, inspirado talvez por Deus, o bem-aventurado preferiu permanecer a bordo. Deixando o pequenino ancoradouro, a nau alcançou o alto-mar, onde foi alcançada pelo corsário francês Jacques Sourie, que partira de La Rochelle para capturar os jesuítas.

Após séria luta corpo a corpo, São Tiago foi dominado pelos calvinistas; Sourie declarou salvar a vida de todos os sobreviventes com exceção dos jesuítas; estes foram então friamente degolados, com exceção de um, o cozinheiro, que foi tomado como escravo e era coadjutor temporâneo. Mas o número de mártires foi 40, pois degolaram também um postulante, recrutado durante a viagem. Assim morreu Inácio de Azevedo. De seus 40 companheiros de martírio, nove eram espanhóis e os demais portugueses. O culto desses mártires foi confirmado por Pio IX em 1854.

A minha oração

“Rogamos aos mártires que nos ajudem a anunciar a Palavra de Deus com coragem e com um espírito missionário sempre fortificado. Pelo testemunho deles, possamos ser homens e mulheres evangelizadores por Cristo Nosso Senhor. Amém!”

Bem-aventurados Mártires, rogai por nós!

Nossa Senhora do Carmo, Virgem do Escapulário

Os primeiros monges 

Os primeiros carmelitas, em fins do século XII depois de Cristo (mais de dois mil anos depois da vida do profeta Elias), decidiram formar uma comunidade no Monte Carmelo. O Monte Carmelo é conhecidíssimo pela sua beleza, o nome significa “jardim”. Os primeiros monges eram cavaleiros cruzados, que cansados da violência e injustiça daquelas guerras para conquistar a Terra Santa das mãos dos mouros, ali se refugiaram, sedentos de uma vida mais autenticamente evangélica.

Atraídos ao Monte Carmelo, pela fama e tradição do profeta Elias, ali fundaram uma capela e em torno dela construíram seus quartos ou “celas”. Isto foi por volta de 1155. Dedicaram-se a uma vida de penitência e reparação pelos abusos dos cruzados; exercitaram-se na prática da oração e união com Deus e a trabalhos manuais. Escolheram Elias como Pai Espiritual e exemplo de vida monástica de oração e testemunho Profético em meio a um mundo dominado pelas injustiças.

Consagrados a Maria

Dedicaram uma capelinha a Virgem Maria e, sob sua proteção, imitavam suas virtudes. Chamaram Maria de “Senhora” do lugar, segundo os costumes feudais, e renderam a ela serviço de dedicada doação dos primeiros carmelitas. Os peregrinos e cruzados que os visitaram começaram a chamá-los Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. 

O reconhecimento

Mais ou menos no ano de 1209, os irmãos decidiram formalizar a sua vida, pedindo uma Regra de vida ao bispo Alberto, patriarca de Jerusalém. Ele lhes escreveu uma regra muito simples. Com o tempo, quando já na Europa, viajaram a Roma para apresentar ao Papa o pedido de aprovação da nova Ordem.

No ano de 1226, o Papa Honório III concedeu a aprovação à Ordem. Com esta aprovação, os irmãos viveram com o ideal de se unirem continuamente ao Senhor, a toda e em cada obra, a exemplo de Elias, seu Pai Espiritual, e de sua Mãe e protetora, a Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe do Carmelo.

Divisão e perseguição

No ano de 1235, os mouros fizeram uma perseguição contra os cristãos, e por isso os carmelitas dividiram-se em dois grupos: um que permaneceu no Monte Carmelo – os monges foram massacrados e o mosteiro incendiado; o segundo grupo refugiou-se na Sicília, Creta, Itália e, finalmente, na Inglaterra, no ano de 1238.

São Simão e o Escapulário

Na Inglaterra, os irmãos fundaram um mosteiro em Aylesford e iniciaram um novo tempo. Lá, viveram por parte de um grupo a rejeição da Ordem. Imitando o exemplo dos primeiros Irmãos, o Prior Geral dos Carmelitas, São Simão Stock, recorreu à oração.

Diz a tradição: na noite do dia 16 de julho de 1251, Simão dirigiu-se a Virgem Maria e pediu-lhe o “privilégio feudal”, a proteção da “Senhora” sobre seus vassalos em tempos de perseguição e dificuldades. Neste momento, rezou esta famosa oração: “Flor do Carmelo, vide florida. Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável. Doce Mãe, mas sempre Virgem, Sede propícia aos carmelitas, Ó Estrela do Mar”. Logo, apareceu-lhe a própria Virgem Maria rodeada de anjos. Entregou-lhe o Escapulário que tinha em suas mãos e disse-lhe: “Recebe, meu filho muita amado, este Escapulário de tua Ordem, sinal de meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem com ele morrer, não se perderá. Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e de amor eterno”.

Depois disso, Simão chamou todos os frades e explicou o que havia acontecido. Acrescentaram o Escapulário ao hábito e começaram a cantar esta maravilhosa aventura da Virgem Maria para ajudar os carmelitas. Depois, adaptou-se  o Escapulário grande a uma forma menor para o povo, e muitos começaram a usá-lo, como sinal de amor a Virgem Maria e símbolo de vida cristã fixa em Deus.

Pedido em Fátima 

No dia 13 de outubro de 1917, na última aparição de suas aparições na Cova da Iria, em Fátima, a Virgem Maria uniu três devoções marianas: a espiritualidade do Escapulário; oração do Santo Rosário; e a consagração ao seu Imaculado Coração. Logo depois da aparição, os três pastorinhos de Fátima tiveram visões. Na primeira delas, ao lado de São José, apareceu Nossa Senhora do Rosário, com o Menino Jesus ao colo. Em seguida, surgiu como Nossa Senhora das Dores, junto com seu Filho, o Homem das dores (cf. Is 53, 3), que passava por grandes sofrimentos.

Na terceira e última visão, “gloriosa, coroada como Rainha do Céu e da Terra, a Santíssima Virgem apareceu como Nossa Senhora do Carmo, tendo o Escapulário à mão”. No ano de 1950, perguntaram à Irmã Lúcia o motivo da Virgem do Carmo aparecer com o Escapulário nas mãos. Em resposta, ela disse: “É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”. Pouco tempo depois, no dia 11 de fevereiro de 1950, o Santo Padre, Papa Pio XII, providencialmente convidou toda a Igreja Universal a “’colocar, em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário, que está ao alcance de todos’; entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste”.

A minha oração

“Ó Virgem do Carmo, Virgem do Escapulário, livrai-nos de todo mal, de toda a doença maligna e das perseguições do inimigo. Assim como ajudai-nos a viver intimamente unidos a ti e ao teu filho Jesus. Amém!”

Nossa Senhor do Carmo, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados em 16 de julho:

  • Em Anastasiópolis, na Galácia, na hodierna Turquia, Santo Antíoco, mártir, irmão de São Platão. († s. III-IV)
  • Em Sebaste, na antiga Arménia, hoje Sivas, na Turquia, Santo Atenógenes, corepíscopo e mártir. († c. 305)
  • Em Jersey, ilha do Mar do Norte, Santo Helério, eremita, que, segundo a tradição, sofreu o martírio. († s. VI)
  • Em Maastricht, no Brabante, região da Austrásia, atualmente na Holanda, os santos Monulfo e Gondulfo, bispos. († s. VI/VII)
  • Em Saintes, no Hainaut, na atual França, os santos mártires Reinilde, virgem, Grimoaldo e Gondulfo, que, segundo a tradição sofreram o martírio. († c. 680)
  • Em Córdova, na Andaluzia, região da Espanha, São Sisenando, diácono e mártir. († 851)
  • No mosteiro de Chiemsee, na Baviera, região da atual Alemanha, a Beata Irmengarda, abadessa. († 866)
  • A paixão do Beato Simão da Costa, religioso da Companhia de Jesus e o último dos mártires da nau «São Tiago». († 1570)
  • Em Viana do Castelo, no mosteiro da Santa Cruz, em Portugal, o Beato Bartolomeu dos Mártires, bispo de Braga. († 1590)
  • Em Warwich, na Inglaterra, os beatos João Sugar, presbítero, e Roberto Grissold, mártires. († 1604)
  • Em Cunhaú, cidade próxima de Natal, no Brasil, os beatos André de Soveral, presbítero da Companhia de Jesus, e Domingos Carvalho, mártires. († 1645)
  • Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, na França, os beatos Nicolau Savouret, da Ordem dos Frades Menores Conventuais, e Cláudio Béguignot, da Ordem Cartusiana. († 1794)
  • Em Orange, na França, as beatas Amada de Jesus (Maria Rosa de Gordon) e seis companheiras, virgens e mártires. († 1794)
  • No território de Saint-Sauveur-le-Vicomte, na Normandia, região da França, Santa Maria Madalena Postel, virgem que  fundou a Congregação das Filhas da Misericórdia. († 1846)
  • Em Lujiapo, localidade próxima de Qinghe, no Hebei, província da China, os santos Lang Yangzhi, catecúmena, e Paulo Lang Fu, seu filho, mártires. († 1900)
  • Em Zhangjiaji, localidade próxima de Ningjin, também no Hebei, Santa Teresa Zhang Hezhi, mártir. († 1900)

Fontes:

  • vatican.va e vaticannews.va
  • Martirológio Romano – liturgia.pt
  • Liturgia das Horas
  • Livro “Relação dos Santos e Beatos da Igreja” – Prof Felipe Aquino [Cléofas 2007]
  • Ordem do Carmo

Diocese de Roraima Recebe Visita do Padre Jair Oliveira Costa para Curso de Música Litúrgica

Evento, dirigido a cantores, instrumentistas, lideranças da liturgia, catequistas e músicos, aborda a importância da música na celebração eucarística e ocorre de 5 a 9 de julho.

A Diocese de Roraima recebe com alegría ao Padre Jair Oliveira Costa, da Diocese de Guarulhos, São Paulo, e assessor de música litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Reconhecido por seu trabalho e dedicação à música litúrgica, Padre Jair estará conduzindo um curso que promete ser uma experiência enriquecedora para todos os participantes.

O curso, que acontece de 5 a 9 de julho na Prelazia, tem como objetivo principal capacitar cantores, instrumentistas, lideranças da liturgia, catequistas e músicos em geral da diocese para a importância da música na celebração eucarística. A música litúrgica é importante na vivência da fé, ajudando a congregar a comunidade, elevar o espírito e facilitar a reflexão sobre as mensagens do evangelho.

Padre Jair Oliveira Costa ressaltou a importância desse curso ao afirmar que a música, assim como em um filme, não é apenas para ser cantada, mas também para refletir sobre as emoções e compreender a palavra do evangelho. ”A questão da música litúrgica é sempre um desafio, porque não é simplesmente
cantar músicas emocionantes, ou músicas católicas, ou músicas de evangelização. É de viver o mistério que está sendo celebrado junto com a comunidade, de modo que a comunidade se sinta tocada pelo mistério, também pelo canto, assim como a palavra toca, os sinais litúrgicos, os sinais sacramentais toca uma pessoa que toda a comunidade seja envolvida também pela música.”

Segundo ele, a música litúrgica deve ser vista como uma ferramenta poderosa que toca o coração dos fiéis e enriquece a experiência da celebração ”Por isso, o desafio da música litúrgica que eu percebo é ligar a assembleia que celebra, o rito que está sendo celebrado, com uma música adequada, que seja adequada ao rito, e adequada a assembleia também.”

Conteúdo Programático

O curso está estruturado para abordar diversos temas de relevância para a música litúrgica. Entre os tópicos a serem discutidos estão:

  1. Canto litúrgico com fundamentação bíblica
  2. Canto dos Salmos no Ofício da Missa
  3. Celebração da palavra e sacramentos
  4. Ano litúrgico e pastoral litúrgica
  5. Ensaios de cantos e construção de repertório

Importância da Música na Liturgia

Padre Jair enfatiza que a música na liturgia não é apenas um complemento, mas uma parte integral da celebração. Ele compara a música litúrgica à trilha sonora de um filme, que não apenas acompanha a história, mas também a intensifica, ajudando o público a se conectar emocionalmente com o enredo. ”Quem acompanha filmes, já sabe que cada filme tem um estilo de música, tanto música cantada, como a trilha sonora, até como é feito os sonoros, é como se fosse um personagem a mais que convence a gente do argumento do filme no cinema. A música é muito trabalhada para conseguir captar, segurar a atenção de quem está assistindo. Mas na liturgia, se a gente trabalha a liturgia e a música, considerando o rito, o que o rito quer dizer, as leituras, o que as leituras que é de rica, aí isso potencializa a celebração de um tal jeito que envolve tudo mundo e as pessoas sessente assim tocadas por esse mistério.”

Padre Jair fez um convite especial a todas as comunidades, áreas e povo diocesano a participarem dessa integração da liturgia em suas comunidades. Ele enfatizou que a música litúrgica é um meio poderoso de vivenciar e transmitir a fé, e que a participação de todos é fundamental para fortalecer a vida espiritual da diocese.

A música litúrgica é uma expressão profunda de fé e devoção, e cursos como este são fundamentais para manter viva essa tradição. A Diocese de Roraima, ao receber o Padre Jair Oliveira Costa, está dando um passo importante para fortalecer a música litúrgica em suas celebrações, oferecendo aos seus membros uma oportunidade valiosa de aprendizado e crescimento.

Padre Jair concluiu com uma mensagem inspiradora: “A música é uma linguagem universal que tem o poder de unir, inspirar e transformar. Que este curso seja uma oportunidade para todos nós aprofundarmos nossa fé e nosso compromisso com a liturgia, fazendo com que nossas celebrações sejam verdadeiramente vivas e significativas. Que possamos juntos cantar e celebrar a nossa fé com todo o nosso coração e alma.”

Formatura do Curso de Português na Casa Caridade Papa Francisco Celebra Integração e Esperança

Universidade Federal de Roraima e Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima unem forças para capacitar migrantes venezuelanos

Nesta quinta feira, 04 de julho, a Casa Caridade Papa Francisco se encheu de emoção e alegria ao celebrar a formatura do curso de Português para migrantes, realizado em uma parceria entre a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima e Caritas Diocesana. Este momento marcou a conclusão de três meses de dedicação e esforço de migrantes venezuelanos que se dedicaram em aprender a língua portuguesa, essencial para sua integração e oportunidades no Brasil.

O curso, iniciado há três meses, foi ministrado por alunos do curso de Relações Internacionais da UFRR, que, além de compartilhar conhecimentos, adquiriram uma experiência prática valiosa em ensino e interação multicultural. A formatura celebrou o sucesso dos novos formandos, destacando a importância da solidariedade e da cooperação entre instituições para acolher e apoiar os migrantes em situações de vulnerabilidade.

A parceria entre a UFRR e a Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima é um passo importante para oferecer oportunidades educacionais e sociais aos migrantes, proporcionando-lhes as ferramentas necessárias para reconstruir suas vidas em um novo país. A cerimônia contou com a presença de: Irma Terezinha Santin coordenadora da Pastoral dos Migrantes e Presidenta da Caritas Diocesana; o Prof João Carlos Jarochinski Silva, coordenador da Cátedra Sérgio Vieira de Mello e professor da UFRR, professores das turmas de português, alumnos do curso de Relaciones Internacionais da UFRR, Agentes pastorais, familiares e amigos dos formandos, todos unidos em um espírito de celebração e esperança.

O Prof João Carlos Jarochinski Silva, destaca a importancia deste passo académico: ‘‘Um projeto de extensão muito rico, a gente alcançou os resultados que desejavamos, mostrando em terminos de conteúdo, em terminos de empatia, em relação a temática; conhecimentos sobre a realidade dos migrantes, na defesa do seus direitos. Agradecemos essa oportunidade de ofertar o curso de português, que traz uma nova perspectiva de integração dos migrantes aqui no Brasil.”

Os formandos receberam seus certificados com orgulho, conscientes de que dominar o português é um passo fundamental para alcançar seus sonhos e contribuir positivamente para a sociedade brasileira. A alegria nos rostos e os aplausos calorosos do público refletiram o impacto profundo deste projeto, que vai além da sala de aula, promovendo a inclusão, o respeito e a dignidade para todos os participantes.

Este evento memorável é um testemunho do poder transformador da educação e da importância de parcerias comunitárias que visam o bem-estar e a integração dos migrantes. A Casa Caridade Papa Francisco, como sempre, se destacou como um farol de esperança e apoio, reforçando seu compromisso com a caridade e a justiça social.

Enquanto os formandos se aventuram em novos desafios, a continuidade de iniciativas como esta se faz essencial para garantir que mais migrantes tenham acesso a oportunidades de aprendizado e crescimento, fortalecendo os laços de solidariedade e humanidade em Roraima.

Reportagem e fotos: Libia López

CANONIZAÇÃO DE ALLAMANO: MILAGRE EM RORAIMA FORTALECE FÉ DA FAMÍLIA CONSOLATA

O Papa Francisco anunciou nesta segunda-feira, 1º de julho, a canonização de José Allamano, no dia 20 de outubro de 2024, em Roma.

O milagre atribuído à intercessão do Bem-aventurado Allamano ocorreu na floresta amazônica brasileira, no estado de Roraima, onde Sorino, um homem da etnia Yanomami, foi atacado por uma onça que feriu gravemente a sua cabeça, abrindo-lhe a caixa craniana; era 7 de fevereiro de 1996, o primeiro dia da novena ao Bem-aventurado Allamano.

Transportado para o Hospital de Boa Vista, socorrido pelas Missionárias da Consolata, que nunca deixaram de pedir sua recuperação por intercessão do Pai Fundador, Sorino recuperou milagrosamente a saúde em poucos meses e ainda hoje vive em sua comunidade indígena.

O processo diocesano para analisar o suposto milagre foi realizado em março de 2021 em Boa Vista, enquanto o processo do Dicastério para as Causas dos Santos foi concluído em 23 de maio de 2024, com a aprovação do decreto que reconheceu o milagre.

É um momento muito significativo para toda a família Consolata, composta por Padres, Irmãos, Irmãs, Leigos e Leigas.

A Irmã Renata Conti e o Padre Giacomo Mazzotti, que atualmente acompanham a postulação, falam sobre o significado da canonização do Bem-aventurado Allamano.

Em uma mensagem, os Superiores Gerais dos dois Institutos, o Padre James Lengarin, IMC, e a Madre Lucia Bortolomasi, MC, escreveram:

“Sua canonização é para todos nós um imenso presente que nos convida a ouvi-lo para aproveitar cada vez mais a riqueza de sua santidade. Que nossos olhos e corações estejam fixos em nosso Fundador para ouvi-lo e olhar para sua santidade, que nos estimula a continuar sua missão de maneira séria e profunda”.

Fonte: https://consolataamerica.org/pt/allamano-santo-em/

 FONTE/CRÉDITOS: Por Irmã Stefania Raspo e Padre Jaime C. Patias, comunicação geral MC e IMC.

NA TRILHA DO ENFRENTAMENTO AO TRÁFICO DE PESSOAS

A Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disponibiliza a versão atualizada da publicação* “Nas trilhas do enfrentamento ao tráfico de pessoas”* que pode ser acessada gratuitamente.



https://cepastcnbb.org.br/wp-content/uploads/2023/08/cartilha-2aEdicao-2024-web_compressed.pdf

Dom Evaristo Spengler: “Nossa Igreja não seria tão rica se não tivesse ficado do lado dos indígenas e do lado dos migrantes”

DOM EVARISTO SPENGLER: “NOSSA IGREJA NÃO SERIA TÃO RICA SE NÃO TIVESSE FICADO DO LADO DOS INDÍGENAS E DO LADO DOS MIGRANTES”

Na manhã desta sexta-feira, a comissão concedeu entrevista a imprensa, para falar sobre as ações e visitas que ocorreram em Bonfim e Pacaraima.

Dom Evaristo Spengler: “Nossa Igreja não seria tão rica se não tivesse ficado do lado dos indígenas e do lado dos migrantes”
Lucas Rosseti

Acompanhar os migrantes é prioridade, não a única, mas uma das mais importantes, na diocese de Roraima. As Pastorais Sociais da diocese, que tem sua sede na Casa da Caridade Papa Francisco, se empenham de diversos modos em seu acompanhamento, mesmo diante da escassez de recursos e de pessoas para levar em frente essa missão. Muitas mãos que se juntam para construir um futuro melhor, para gerar vida, para tantas pessoas vulneráveis, buscando apaziguar seu sofrimento. Nesse sentido, são muitos os projetos sociais que mostram o rosto samaritano da Igreja de Roraima, até o ponto de o bispo afirmar que “Nossa Igreja não seria tão rica se não tivesse ficado do lado dos indígenas e do lado dos migrantes”.

Em coletiva de imprensa foi dado a conhecer aos meios de comunicação locais o trabalho da Comissão Episcopal Especial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que está em missão na diocese de Roraima de 17 a 23 de junho, com visitas na Guiana e na Venezuela. Uma comissão que segundo lembrou seu presidente, o bispo da diocese de Tubarão (SC), dom Adilson Pedro Busin, faz parte da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB e que, na estrutura da Cúria Vaticana, estaria dentro do guarda-chuva do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.

O bispo ressaltou que a CNBB se preocupa sempre com a dimensão social, lembrando que a comissão, criada em 2016, formada por bispos, religiosos, religiosas, leigos e leigas, é um dos frutos da Campanha da Fraternidade de 2014, que teve como tema “Fraternidade e Tráfico Humano”. Dom Adilson Busin lembrou as palavras do Papa Francisco, que define o tráfico de pessoas como “uma chaga aberta que envergonha a humanidade”. A comissão já fez uma visita em Roraima em 2018, um estado com grande imigração fronteiriça.

O bispo lembrou que o tráfico humano faz parte da migração de forma velada e silenciada. Daí a importância de pisar o chão, escutar as pessoas, ver, para poder levar adiante a missão de vigiar e dar resposta como Igreja a essa problemática. Ele insistiu na importância de cutucar, de recordar à sociedade a realidade do tráfico de pessoas. Para isso, a comissão existe para ajudar a esclarecer, a manter as antenas atentas, para escutar as vítimas e descobrir em seus rostos o rosto do Senhor.

O bispo local, que também é membro da comissão, dom Evaristo Spengler, lembrou sua missão episcopal na Prelazia do Marajó (PA), uma região que desperta muita atenção da mídia com relação ao tráfico de pessoas, exploração sexual, trabalho escravo, afirmando com toda certeza que o que existe em Roraima é bem maior do que no Marajó. Numa região onde as fronteiras têm pouco controle migratório, o que possibilita o tráfico de pessoas, inclusive crianças, também de mercúrio para o garimpo ilegal. Diante disso o bispo denuncia a falta de atuação do poder público, diante de episódios de contrabando de todo tipo, de episódios de aliciamento, de exploração, de coiotes que se aproveitam da falta de conhecimento das pessoas.

Na realidade interna de Roraima, o bispo falou sobre o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, que acaba com a natureza, polui os rios, e apesar da Operação Desintrusão, a força do narco garimpo, financiado nacional e internacionalmente, onde existe tráfico de armas, de drogas, exploração sexual das indígenas, lembrando as palavras de Davi Kopenawa: “o branco vai lá, usa as nossas mulheres, as nossas meninas, como se fosse um prato descartável que jogam fora”, algo que define como realidades muito duras. Diante disso dom Evaristo Spengler denuncia: “O estado não tem assumido ainda o seu papel no enfrentamento ao tráfico de pessoas”.

Nessa perspectiva, a missão da comissão é ajudar a fazer um diagnóstico profundo e descobrir caminhos como Igreja, trabalhando em rede com a sociedade, e cobrar do poder público a sua ação. Isso porque o poder público está deixando a ação na mão da sociedade, das organizações humanitárias.

O aumento do tráfico humano na região de fronteira está relacionado ao aumento das migrações, é algo que aparece nas pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Roraima. A professora dessa instituição, Márcia Maria de Oliveira, destacou que “o migrante é alvo especial da exploração das rotas do tráfico” falando sobre a existência de empresas especializadas no tráfico, no traslado com transportes clandestinos, que tem aumentado nos dois últimos anos em Roraima.

Esses migrantes são depois são destinados a trabalhos sem contrato, não pago, análogo à escravidão, em madeireiras, nos garimpos, em grandes fazendas. As mulheres são as vítimas principais, com aumento do abuso sexual de crianças, segundo a socióloga, que ressaltou que na região o tráfico de pessoas está estreitamente vinculado ao garimpo, que por sua vez está controlado pelo narcotráfico, falando do crescimento dos chamados “prostibares”. Existe um vínculo entre trabalho escravo, sendo os homens as vítimas principais, a exploração sexual, no caso das mulheres, e a exploração de crianças para cavar pequenos túneis nos garimpos.

A comissão, segundo sua secretária executiva, Alessandra Miranda, trabalha na metodologia de atuação e formação junto aos regionais da CNBB e as pastorais sociais. Para isso são elaborados materiais, que seguem o método ver, julgar, agir, ajudando no conhecimento dos protocolos internacionais, e no conhecimento das diversas modalidades do tráfico de pessoas.

Um dos problemas do Estado de Roraima, segundo o bispo local é a falta de interesse do poder público com relação ao tráfico de pessoas. Um exemplo disso foi a audiência pública na Assembleia Legislativa de Roraima em julho de 2023 sobre tráfico de pessoas, onde nenhum deputado participou, mesmo tendo sido todos convidados. Diante disso, dom Evaristo Spengler disse que “se naturalizou, aqui no estado, crimes que são bárbaros: a destruição da natureza, a venda de pessoas, a exploração sexual, parece que estão naturalizados”, denunciando a dificuldade de envolver o poder público do estado nessas causas.

O bispo de Roraima fez um chamado à sociedade roraimense a pensar em quem vota. Ele lembrou que o Papa Francisco tem dito que não podemos transformar o ser humano em mercadoria, comparando a realidade atual dos migrantes com a vivida pelos escravos trazidos da África séculos atrás. São causas a ser enfrentadas na sociedade roraimense e na Igreja, enfatizou dom Evaristo Spengler. Para isso a Igreja de Roraima está estreitando laços com as Igrejas da fronteira, a diocese de Guiana e o Vicariato de Caroní, um caminho comum que esta missão ajudar a avançar.

Se faz necessário de “desnaturalizar uma economia da morte, que foi estabelecida neste estado de Roraima”, enfatizou Márcia de Oliveira. Uma realidade vinculada com o garimpo, com inúmeros casos documentados de tráfico de pessoas, onde acontecem estupro, inclusive estupros coletivos e exploração de crianças. Nessa perspectiva, o relatório sobre a missão, que vai ser elaborado pela comissão, quer elaborar recomendações para o poder público em vista de uma melhor atuação na prevenção do tráfico de pessoas.

 FONTE/CRÉDITOS: Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

DOM ADILSON BUSIN: “A XENOFOBIA É O ÁPICE DA IRRACIONALIDADE”

A Comissão Episcopal Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano, da CNBB está realizando uma missão em Roraima, de 17 a 23 de junho de 2024.

De 17 a 23 de junho de 2024, a Comissão Episcopal Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está realizando uma missão no Estado de Roraima, na fronteira com a Guiana e a Venezuela. Uma comissão que segundo seu presidente, dom Adilson Pedro Busin, bispo da diocese de Tubarão (SC), tem entre seus objetivos “a conscientização, a incidência política e eclesial”.

Tráfico de pessoas, uma realidade escondida

A missão ajuda a “trazer a temática do tráfico humano, que ele é escondido, inclusive as vítimas são escondidas”, ressalta o bispo. Estamos diante de um problema social mundial, que o Papa Francisco tanto insiste. A incidência deve ser dupla, segundo dom Busin, “ad intra da própria Igreja, para nós tomarmos consciência desse problema grave, dessa chaga da humanidade, como diz o Papa Francisco, e da sociedade”.

Diante da realidade de Roraima, com uma ebulição migratória e tantas “fronteiras porosas”, a visita da comissão quer com que “essa temática do tráfico humano seja exibido, visibilizado, seja sentido, que chegue ao coração, à mente das pessoas, no mundo da política e na sociedade, com políticas públicas que venham a enfrentar o tráfico de pessoas”, destaca o presidente da comissão.

Fronteira Brasil-Guiana: vulnerabilidades comuns

Na fronteira entre o Brasil e a Guiana, o fluxo de venezuelanos, cubanos e haitianos é constante. Os migrantes chegam muitas vezes em situação de extrema pobreza, sendo muito grande a demora para conseguir documentação, que é tramitada em Boa Vista, com uma lista de espera de mais de cem migrantes em Bonfim, que pelo fato de não ter documentação são vítimas fáceis das redes de exploração. Tanto em Bonfim (Brasil), como em Lethem (Guiana), uma região com predominância de indígenas Wapichana, os povos originários não se submetem às fronteiras dos brancos, a Igreja católica dá assistência aos migrantes, sempre de portas abertas para dividir o pouco que eles têm.

Na região de fronteira, as vulnerabilidades são comuns, uma delas é o tráfico de mercúrio, usado no garimpo ilegal, com vínculos estreitos com fações do crime organizado, que produz graves doenças e diversas explorações na população local e nos migrantes, e que nos leva a refletir sobre o tema da 39ª Semana do Migrante, “Migração e Casa Comum”. Para superar as diversas vulnerabilidades, a CEPEETH, fiel a Jesus de Nazaré, que quer vida em abundância para todos e todas, apresentou materiais que sistematizam o trabalho da Igreja do Brasil no enfrentamento ao tráfico de pessoas, que é crime e tem que ser denunciado, somando com diversas instâncias eclesiais, em vista de incidir nas mudanças estruturais que levem o poder público a assumir sua função, a criar políticas públicas, que muitas vezes surgem a partir da mobilização.

São histórias de sofrimento, relatadas por aqueles que lhes acolhem e acompanham, que também são vivenciadas pelos migrantes que passam nesta fronteira, abandona pelo poder público. Diante disso, uma das demandas é a presença da Polícia Federal na fronteira, uma dificuldade diante da falta de pessoal no Estado, mais uma expressão do Estado mínimo, que quer ser instaurado em tantos países, segundo insistiu o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler. Se faz necessário estreitar laços transfronteiriços, juntar forças, buscar propostas concretas, gerar processos conjuntos, uma dinâmica que pode contar com a colaboração da comissão. Ao mesmo tempo não é fácil enfrentar alguns problemas comuns, dada a legislação diferente em cada país, o que demanda maior mobilização popular que crie consciência e possibilite mudanças.

Ir ao encontro dos invisíveis

Olhando para dentro da Igreja, dom Adilson Busin insiste em “tomarmos consciência desse problema que faz parte da Igreja que vai ao encontro dos últimos e desses invisíveis, vítimas do tráfico humano”. Para a Igreja do Brasil, na perspectiva do enfrentamento ao tráfico humano, teve grande importância a Campanha da Fraternidade de 2014, “Fraternidade e Tráfico Humano”, um grande marco na conscientização das comunidades, paróquias e dioceses, que amadureceu a criação do grupo de trabalho que depois deu passo à comissão, a quem muitas vezes, dentro da Igreja, é delegado o enfrentamento dessa realidade.

O bispo de Tubarão insiste em “não deixar esquecer, porque as vítimas são esquecidas”, mesmo sabendo que “o tráfico é presente, está na nossa sociedade em suas diversas modalidades”, citando o tráfico de órgãos, a exploração sexual de crianças e adolescentes, o trabalho análogo à escravidão. O bispo faz um chamado a nos conscientizarmos da Doutrina Social da Igreja, ver as vítimas do tráfico humano como “uma das tantas categorias que são vulneráveis, e ao mesmo tempo, uma das categorias mais invisíveis, porque ele é tão sutil, e é difícil de alcançar por causa de toda a problemática que envolve o tráfico de pessoas”.

A tentação de culpar o estrangeiro

Refletindo sobre a Campanha da Fraternidade 2024, “Fraternidade e Amizade Social”, que tem como lema “Vós sois todos irmãos e irmãs”, dom Adilson Busin afirma que “uma das tentações do mundo atual, não só no Brasil, é a polarização que nós vemos, as guerras, a violência, uma sociedade irada, onde nós nos sentimos acuados”. Lembrando que no decorrer da história encontramos os bodes expiatórios, o bispo ressalta que “neste momento em muitos países, e nós temos tentação também no Brasil, de culpar a quem é estrangeiro, quem vem de fora”.

Nessa perspectiva, o presidente da comissão denuncia que “a xenofobia é o ápice da irracionalidade”, fazendo um chamado a olhar a Campanha da Fraternidade de 2024 e o convite do Papa Francisco ao cuidado da casa comum, que o leva a dizer que “não tem ninguém de fora, as fronteiras estão ali, como limites políticos, geográficos, mas é uma contradição do Evangelho olhar o irmão como um problema”. Nessa perspectiva, o bispo sublinha que “os problemas estão aí para que nós como Igreja, como sociedade, como governos e como Nações Unidas, tratemos os migrantes não com esse olhar infeliz de achá-los culpáveis, como causa dos problemas”.

Frente a isso, afirma que “eles estão aí porque são a parte mais frágil de nossas economias, do nosso mundo, das mudanças climáticas”, vendo os migrantes, sobretudo os pobres, como “essa ponta em que aparece mais uma humanidade frágil, e diante de uma humanidade frágil, a Igreja tem que ser profeta e a partir deles buscar a acolhida e diferentes soluções dignitárias para esses problemas”.

 FONTE/CRÉDITOS: Por Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1