PACARAIMA, A FRONTEIRA ONDE A IGREJA ALARGA SUA TENDA CADA DIA

Pacaraima é local onde a Igreja alarga sua tenda cada dia, se tornando casa de acolhida.

Pacaraima, uma pequena cidade na fronteira com a Venezuela, era um local desconhecido, que se tornou manchete dos jornais com o início da migração venezuelana. A cidade mudou o rosto, em dez anos sua população dobrou, e hoje 50 por cento são venezuelanos. Pacaraima é local onde a Igreja alarga sua tenda cada dia, se tornando casa de acolhida, mas ao mesmo tempo lugar de diversas formas de exploração, com episódios que são claros exemplos das dificuldades que enfrentam os migrantes em muitos lugares do planeta.

Uma realidade de sofrimento e esperança

A missão que a Comissão Episcopal Especial para o Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está realizando em Roraima, com visitas à Guiana e a Venezuela, permite conhecer uma realidade que encerra muitas macelas, situações de sofrimento que muitas vezes não aparecem, mas acontecem, provocando aflição em pessoas que carregam histórias de vidas feridas.

Em Pacaraima, uma cidade marcada pelas filas, por pessoas deambulando nas ruas, a acolhida é realizada pelo poder público, principalmente pelo exército brasileiro, por organismos internacionais e por diversas instituições, dentre elas a Igreja católica. São diversos os espaços de acolhida, destinados a diversos públicos, dentre eles povos indígenas, mulheres com crianças, famílias, idosos. O refúgio dos povos indígenas abriga cinco povos diferentes chegados da Venezuela, fugindo da fome, da violência, do garimpo e de muitas outras situações adversas. No Brasil eles querem constituir comunidades indígenas, onde os diversos povos possam reconduzir sua vida.

Foto: Cláudia Pereira   

A Igreja acompanha os migrantes

A Casa São José, abrigo para mulheres e crianças, foi criado em 2020 pelas Irmãs de São José de Chambery. As condições em que se encontravam as mulheres, que sofriam diversas formas de maltrato, exploração e tráfico de pessoas, levou as religiosas, sem nenhum recurso, nem ajuda, a iniciar uma verdadeira aventura. Aos poucos as ajudas chegaram, primeiro da Operação Acolhida do Governo Brasileiro, que até hoje fornece alimentação, e depois de muitas pessoas, de diversos lugares do Brasil e do mundo, sensibilizadas depois da invasão do abrigo em 2021. Um tempo de “muito sacrifício, muito choro”, diz nas lágrimas a religiosa que coordena o espaço, junto com voluntárias venezuelanas, que conhecem melhor a cultura das mulheres que lá chegam. Atualmente a passagem é mais rápida, no máximo um mês, no início algumas mulheres ficavam até seis meses, porque não tinham aonde ir.

As irmãs de São José de Chambery também acompanham a primeira associação de migrantes venezuelanos no Brasil no ramo da panificação, a Padaria São José, um sonho de ter pão em todas as mesas, de levar o pão às comunidades mais necessitadas, mais distantes de Pacaraima. Um sonho que foi iniciado no salão da paróquia e onde depois de dois anos trabalham sete pessoas, que tem seu espaço de atendimento, ajudando os venezuelanos que cada dia entram pela fronteira. Criar essa associação não foi fácil, mas o apoio da diocese de Roraima fez possível sua legalização.

Outros dois projetos da Igreja católica são o Projeto Porta Aberta, com capacidade para 50 pessoas, que acostumam ficar duas semanas, acolhendo aqueles que esperam a interiorização no Brasil. Oferece café da manhã, almoço e janta, e desde novembro de 2023 passaram mais de 120 famílias. Igualmente o projeto com idosos, que durante o dia oferece diversas atividades aos idosos, ambos projetos coordenados pelo padre Jesus Fernández de Bobadilla.

Indiferença diante da migração e o tráfico de pessoas

Dessa missão participam o bispo de Picos (PI) e membro da comissão, dom Plinio José Luz da Silva, que, diante do tráfico dos seres humanos, denuncia “a indiferença da sociedade, também da Igreja, em diversas regiões”. Diante disso, o bispo afirma que estamos diante de “algo que é escondido, mas que existe, e ele precisa ser considerado e combatido”. Um assunto que quando é falado, “não dá nenhum impacto, o pessoal não quer discutir sobre esse determinado assunto, entrar nos fatos”. Ele destaca que na própria CNBB não se fala nesse assunto, ele mesmo veio conhecer a comissão agora que foi convidado para fazer parte, “mas não tinha conhecimento desse trabalho que era feito”, sublinhando “o desconhecimento e por tanto desinteresse” sobre a temática.

Diante dessa realidade, “eu vejo a necessidade da divulgação para prevenir”. Do mesmo modo que outras realidades que tem a ver com os pobres e a injustiça social são debatidas pelas Pastorais Sociais, o bispo de Picos insiste na necessidade de divulgação, de que nos subsídios da CNBB para as diversas campanhas, seja contado a realidade, como acontece em Roraima, onde “as pessoas ficam vulneráveis diante da migração, as pessoas ficam desfavorecidas de todos os recursos”, o que faz com que as organizações criminosas encontrem a oportunidade para usar os migrantes como mercadoria.

Dom Plinio destaca a necessidade de a comissão conhecer a realidade para saber enfrentar os ataques à vida, essa chaga na vida das vítimas. Ele afirma que “esta missão, ela enriquece a gente com um conhecimento para que possa argumentar para a sociedade aquilo que a gente conhece”, o que demanda da comissão estar “permanentemente nessa investigação”, em vista de divulgar fatos nos meios de comunicação, o que ele considera fundamental, “as pessoas precisam tomar conhecimento do que está acontecendo e possam reconhecer em volta da realidade local, casos que são ocultos”.

Foto: Cláudia Pereira   

Defender a vida sempre

Como Igreja, “nós precisamos defender a vida, desde a sua concepção até o fim último”, como missão da Igreja, segundo o bispo. Ele destaca que “essa vida, ela está realmente envolta na realidade”, afirmando que “o maior sofrimento do povo é gerado por uma sociedade da indiferença, da divisão de valores, da falta de oportunidades de viver dignamente, principalmente os mais pobres, os mais vulneráveis, que são os primeiros a sentir esse impacto”. Ele denuncia iniciativas dentro da Igreja católica que “praticamente excluem de sua missão essa parte de olhar a pessoa como um todo, na sua dignidade”.

O bispo enfatiza que “há situações em que só a gente falar na palavra pobre, já são discriminadas por grupos religiosos que fazem seu trabalho na parte intimista”, algo aparece na linguagem que leva as pessoas a pedir, “para mim, para minha família, não se abre espaço para a fraternidade, para a solidariedade”. Diante disso, ele considera a Campanha da Fraternidade como “um exemplo positivo de que a Igreja realmente se preocupa com a pessoa como um todo, principalmente nesse momento em que ela fica vulnerável em seus direitos, sua dignidade”.

Histórias de vida, de pessoas acompanhadas pela Igreja, que escuta de forma atenta para poder identificar as dores, as violências, que ajuda os migrantes a conhecer seus direitos e as ameaças. Migrantes que na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, muitos deles em condições muito precárias, em ocupações, muitas vezes lideradas por mulheres, que reconhecem e agradecem o apoio da Igreja católica.

 FONTE/CRÉDITOS: Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encerrado o Seminário Regional das Pastorais Sociais: Formar lideranças atuantes de forma qualificada na realidade

“A Amizade Social e o compromisso sociopolítico da fé na construção do bem viver dos povos”, foi o tema do Seminário Regional das Pastorais Sociais realizado na Maromba de Manaus de 07 a 09 de junho de 2024, com a participação de 50 representantes das igrejas locais do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Um seminário que tinha como objetivo principal, “contribuir na formação de lideranças para atuarem nas pastorais sociais, organismos e igrejas locais de forma mais qualificada, fortalecendo as mesmas, bem como as iniciativas no cuidado da vida a partir da fraternidade e amizade social”. O Seminário que o Ir. Danilo Bezerra considera “de fundamental importância para nos fortalecer enquanto Regional na luta pela justiça, pela fraternidade, pela solidariedade”.

O irmão Marista, que trabalha na diocese de Roraima, destacou a importância de ir para as bases para “trabalhar essa formação sociopolítica”, de ir às ruas, de “ajudar às pessoas a viver de fato o Jesus de Nazaré, a viver de fato o Jesus do Evangelho, aquele Jesus que testemunha a Palavra de Deus, testemunha a amizade, a fraternidade, a justiça e o amor, e ao mesmo tempo anuncia tudo isso e denuncia os opressores”.

O religioso, que foi um dos representantes do Regional Norte1 na 6ª Semana Social Brasileira, ajudou, junto aos outros participantes, a ecoar as reflexões desse “Mutirão Nacional pela Vida, por Terra, Teto e Trabalho. O Brasil que queremos: O Bem Viver dos Povos Rumo ao Projeto Popular”, sendo apresentado como as Pastorais Sociais no Regional têm se envolvido e os passos a serem dados daqui para frente, buscando algo concreto que chegue na base. Igualmente, foram colocadas sugestões para construção do Grito dos Excluídos, assim como compromissos a ser levados para as igrejas locais em vista de realizar escolas de Fé e Política e as eleições municipais de 2024.

A articuladora das Pastorais Sociais e Organismos no Regional Norte1, Ir. Rosiene Gomes, destacou que “as Pastorais Sociais integram a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, considerando de suma importância esses momentos de formação, “para que as lideranças sejam atuantes de forma qualificada na nossa realidade”. A religiosa ressaltou que “em nosso Regional, a Igreja caminha com a disponibilidade desses homens e mulheres que fazem parte, que integram essas pastorais, e são multiplicadores na base”.

Falando sobre os desafios, cada vez maiores, a Ir. Rosiene Gomes disse que depois das dificuldades vividas durante a pandemia, “agora estamos tentando fazer com que haja um re-encantamento com esse trabalho que era feito antes, quando as lideranças eram mais ativas, mais comprometidas”, considerando o Seminário como uma forma de “reanimar essa ação evangelizadora, essa ação pastoral que foi ficando aos poucos fria”. Para isso, a religiosa fez um chamado a dar continuidade entre todos e todas a dar continuidade a esse trabalho, “continuar a levar esperança, alegria”, caminhar juntos como lideranças, em vista de uma Igreja com um rosto de alegria, de esperança para todos.

O Seminário foi concluído com o encaminhamento de propostas com relação ao trabalho das Pastorais Sociais e Organismos que fazem parte do Regional Norte1. Com relação às eleições municipais do mês de outubro, foi tirado como compromisso que cada igreja local e as Pastorais Sociais contribuam na reflexão nos grupos de base com relação à questão política, em vista de contribuir para eleger pessoas que possam representar aquilo que as pastorais, as dioceses e prelazias trabalham no cuidado e defesa da vida.

Igualmente foi incentivado o trabalho em rede das diversas pastorais e organismos, preparando a celebração do Jubileu 2025, algo que será abordado na Assembleia Regional Norte1 no mês de setembro, em vista da realização de uma grande celebração, tendo presente o Jubileu da Esperança. Nessa perspectiva, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Steiner, motivou as Pastorais Sociais para trazer presente algum marco que ajude a ver o tempo do Jubileu como esperança a partir das pastorais e organismos do Regional. Dom Leonardo agradeceu muito a participação de todos, reforçando alguns encaminhamentos feitos durante o Seminário.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Beato Estêvão Sandór

Origem religiosa

Beato Estêvão Sandór, filho de Estêvão, ferroviário, e de Maria Fekete, dona de casa, nasceu em Szolnok, Hungria, no dia 26 de novembro de 1914, foi o primeiro de três irmãos. Desde pequeno, recebeu uma religiosidade profunda de seus pais, cujos ensinamentos fez com que ele fosse um auxílio e um exemplo de estudos e orações para os seus irmãos; e era considerado pelos amigos como um menino bom, cortês e alegre.

Carisma Salesiano

Como São João Bosco entre os jovens, o beato Estêvão também era uma referência para os seus amigos. E, ao ler um Boletim Salesiano, conheceu Dom Bosco e teve em si o profundo desejo de ser parte da congregação. Falou com seu diretor espiritual e com os seus pais, que, depois de muita insistência do filho, aceitaram o seu ingresso.

A gráfica e as armas

Em 1936, entrou na casa salesiana de Budapeste e ali fez os primeiros dois anos de aspirantado, frequentando o curso de técnico-impressor na Escola de Artes Gráficas de Dom Bosco, até ser convocado para as forças armadas por causa da guerra.

Primeira profissão

Em 1939, foi oficialmente liberado das funções militares e, após um ano de noviciado, realizou, como leigo irmão, os seus primeiros votos. Isso se deu no dia 08 de setembro de 1940.

A exemplo de Dom Bosco

Com uma comovente alegria, o beato passou a ensinar nos cursos profissionais, a ajudar nos oratórios e a cuidar e promover a Juventude Operária Católica. Foi considerado um exemplo de educador, como seu pai na fé São João Bosco.

Fim da Segunda Guerra Mundial

Em 1942, o salesiano recebeu uma Medalha de Prata de valor militar pelo que fizera das trincheiras: um oratório festivo em meio aos desalentos da guerra.

Ao fim, ajudou a erguer e a reconstruir a sociedade material e moralmente, além disso, dedicou-se, em especial, aos jovens mais pobres e necessitados.

Profissão Perpétua

Em 1946, professou os seus votos perpétuos como Salesiano Irmão e continuou a ensinar Artes Gráficas até o início da perseguição cristã em 1949.

Sándor precisou deixar a sua tipografia, porém, continuou o seu apostolado com a juventude de forma clandestina.

Martírio

Em julho de 1952, foi preso e nunca mais foi visto. Um documento oficial certifica o processo e a condenação à morte, tendo sido executado por enforcamento no dia 8 de junho de 1953. A beatificação aconteceu em 19 de outubro de 2013.

Família Salesiana

A Comunidade Canção Nova, como parte da Família Salesiana, tendo como patronos São João Bosco e Nossa Senhora Auxiliadora, celebra com louvores a Deus todos os santos e beatos salesianos, que, inspirados na alegria do fundador, se entregaram à evangelização e à salvação das almas.

A minha oração

“Meu amado Jesus, diante do testemunho do Beato Estêvão, eu quero pedir-Te a graça de dedicar-me inteira e alegremente ao Teu serviço, exercendo as funções necessárias sempre com o Teu nome nos lábios e o Teu amor nos atos. Não me deixes afastar do apostolado que o Senhor mesmo me confiou, que ele me seja instrumento de santificação e canal de salvação para os meus irmãos. Amém!”

Beato Estêvão Sandór, rogai por nós!

Santo Antônio Maria Gianelli

Santo Antônio Maria Gianelli

Santo Antônio Maria Gianelli

Nascimento e vocação

Antônio Maria Gianelli nasceu em Cereta, perto de Chiavari, na província de Gênova, em 12 de abril de 1789. Entrou no seminário aos 19 anos e foi ordenado sacerdote quatro anos depois. Professor de letras e retórica, para receber o novo bispo, Lambruschini, organizou, em Gênova, uma peça intitulada “A reforma do seminário”, que teve um eco notável. Religioso, Bispo de Bobbio, fundou a Congregação das Filhas de Maria Santíssima do Horto e brilhou pelo empenho e exemplo brilhante de dedicação às necessidades dos pobres, à salvação das almas e na promoção da santidade do clero.

Fundador

De 1826 a 1838, foi pároco em Chiavari. Este período é marcado por uma série de inovações pastorais e pela criação de várias instituições, como o próprio seminário. Sob o inusitado nome de “Sociedade Econômica”, foi criada uma instituição cultural e assistencial confiada por Dom Gianelli “aos cuidados das Damas da Caridade” para a educação gratuita das meninas pobres: uma caridade que confia às Damas da Caridade. É o primeiro passo para as Filhas de Maria Santíssima do Horto.

Episcopado e dedicação ao clero

Em 1838, foi eleito bispo de Bobbio. Ajudado pelos lígures, ele reconstruiu sua congregação com o nome de Oblatos de Santo Afonso. Morreu em 7 de junho de 1846; dois anos antes, havia criado uma pequena congregação missionária para pregar ao povo e organizar o clero, sendo um grande atuante na formação da Igreja. Foi canonizado por Pio XII.  

Papa João Paulo II, discurso aos Jovens de Gianelli

Homem inteligente e clarividente, culto e sensível às correntes ideológicas da época, sabia muito bem que a meditação pessoal das Verdades reveladas por Jesus pode criar convicções firmes que formam consciências e iluminam as mentes. A meditação, de fato, ajuda a manter vivo o contato com o Senhor, fortalece a vontade, traz à tona os defeitos que devem ser corrigidos, eleva o tom da vida, faz respirar uma atmosfera mais elevada e serena.

A minha oração

Pedimos ao nosso santo que ensine o caminho da meditação e que, através desta, possamos ser usados pelo Senhor no serviço pastoral, no trabalho cotidiano. Que o seu exemplo e virtude sejam sempre caminho de esperança e caridade para nós, por Cristo nosso Senhor. Amém!

Santo Antônio Maria Gianelli, rogai por nós!

São Norberto, apóstolo da Eucaristia

São Norberto, apóstolo da Eucaristia

São Norberto, apóstolo da Eucaristia

Família nobre e vida mundana

Norberto nasceu numa família de nobres por cerca do ano 1080, em Gennep ou Xanten, no norte da Renânia (atual Alemanha). Ainda criança, foi apresentado ao Capítulo da Catedral de São Vítor em Xanten, onde, mais tarde, foi ordenado subdiácono. O Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Henrique V, notou o carisma e os dons de Norberto, nomeando-o como seu conselheiro pessoal na corte imperial. Ali, Norberto viveu uma vida mundana.

Mudança de Vida

No ano de 1115, após cair do seu cavalo e quase morrer numa tempestade, Norberto se arrependeu e assumiu uma vida de penitência. Ordenado diácono e sacerdote no mesmo dia, ele peregrinou pelo país, pregando a Palavra de Deus, denunciando os abusos dos clérigos e reconciliando inimigos. Uma das mais antigas pinturas de Norberto o retratam com o livro dos Evangelhos e um ramo de oliveira representando a paz. Criticado e perseguido pelos membros da hierarquia, Norberto solicitou e obteve a aprovação do Papa Gelásio II como pregador itinerante.

Fundador

Mais tarde, o Papa Calixto II o encorajou a fundar uma comunidade religiosa na diocese de Laon, no norte da França. Ali, no vale desolado e de difícil acesso de Prémontré, no norte da França, na noite de Natal do ano de 1121, Norberto fundou sua ordem religiosa, a Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses. Ele escolheu a Regra de Santo Agostinho, tornando-se um dos mais ávidos reformadores do seu tempo. A comunidade era marcada pela vida austera, pela pobreza e pela intensa vida litúrgica e de oração, mas, acima de tudo, pela completa fidelidade ao ideal de vida comunitária retratado na Regra de Agostinho.

Episcopado

Embora relutante, em 25 de julho de 1126, Norberto foi ordenado arcebispo de Magdeburgo e deixou a liderança de sua Ordem aos cuidados de Hugo de Fosses, para trabalhar no pastoreio dessa vasta arquidiocese na fronteira nordeste do Sacro Império Romano-Germânico. Durante seus anos como arcebispo, Norberto lutou energicamente pela liberdade da Igreja em relação aos príncipes e provou-se como ardente defensor do Romano Pontífice. Ele foi indispensável na deposição do antipapa Anacleto II e no retorno do Papa Inocêncio II à Sé Petrina. Enfraquecido pelos vários trabalhos e viagens, Norberto retornou à Magdeburgo, onde morreu em 06 de junho de 1134. 

Apóstolo da Eucaristia

Como “Apóstolo da Eucaristia”, a reverente contemplação de Norberto fixa-se no ostensório em sua mão direita. Muitos dos milagres atribuídos a São Norberto ocorreram no contexto do Santo Sacrifício da Missa: milagres de cura, de exorcismo e de reconciliação. De fato, São Norberto insistia em celebrar a missa antes de assumir qualquer trabalho, pois tão grande era a sua fé no poder da Eucaristia. No início de sua conversão, quando ele abriu mão de literalmente tudo que possuía, ele reteve consigo apenas os artigos necessários para a celebração da Missa enquanto ele viajava a pé pela Europa. Era de tal forma, que ele podia celebrar a Eucaristia diariamente — embora não fosse uma prática comum na época um sacerdote celebrar tão frequentemente, apenas nos domingos. O ostensório realmente só entrou em uso muito depois, mas, durante os tempos conturbados da revolta protestante, ele se tornou uma expressão artística da tão conhecida devoção Eucarística de São Norberto.

A minha oração

“Grande bispo e pastor das almas, ajudai-nos a viver com sinceridade e verdade os sacramentos, tendo como centro da nossa vida a Eucaristia. Que Jesus seja cada dia mais amado e adorado, e nós sejamos seus fiéis seguidores. Amém!”

São Norberto, rogai por nós!

São Bonifácio, apóstolo da Alemanha e monge beneditino

São Bonifácio, apóstolo da Alemanha e monge beneditino

São Bonifácio, apóstolo da Alemanha e monge beneditino

São Bonifácio, seu nome verdadeiro Vinfrido (Wynfrith ou Winfrid; com o mesmo significado em anglo-saxão), e cognominado Apóstolo dos Germanos.

Percurso formativo

Nasceu em Crediton, no condado de Devon, no sudoeste da Inglaterra, filho de uma família abastada; foi contra a vontade do pai quando, ainda muito jovem, escolheu a vida monástica. Estudou teologia nos mosteiros beneditinos de Adescancastre, perto de Exeter, e de Nursling, entre Winchester e Southampton, tendo por mestre, neste último, o abade Winbert, e acabou tornando-se professor no mosteiro. Foi ordenado padre aos 30 anos. Escreveu a  primeira gramática de latim produzida na Inglaterra.

Enviado pelo Papa

Em 716, deslocou-se, como missionário, à Frísia, para ajudar São Vilibrordo na conversão dos Frísios, habitantes locais que falavam um idioma semelhante ao anglo-saxão com que ele pregava, mas os seus esforços redundaram em nada a partir do momento em que se declarou a guerra entre Carlos Martel, prefeito do palácio do reino dos Francos, e Redebaldo I dos Frísios. Retornou, por isso, ao seu mosteiro de Nursling. Seu segundo deslocamento ao continente europeu iniciou-se em 718. Foi a Roma, onde conheceu o Papa Gregório II.

Enviado à Germânia

A fim de demonstrar a sua submissão à Diocese de Roma, o Papa lhe deu o nome de Bonifácio, tradução literal de Vinfrido, e foi enviado à Germânia, com a missão de evangelizar e de reorganizar a Igreja nessa região ainda bárbara. Ao longo dos cinco anos seguintes, Bonifácio viajou por territórios que modernamente fazem parte dos Estados alemães de Hessen, Turíngia, e ainda pela região neerlandesa da Frísia.

Bispado como marco histórico

30 de novembro de 722, foi feito bispo de todos os territórios da Germânia que ele trouxera para as mãos da Igreja. Um acontecimento-chave da sua vida ocorreu em 723, quando derrubou o carvalho sagrado dedicado ao deus Thor, perto da moderna cidade de Fritzlar, no norte do Hesse, e construiu uma pequena capela no local onde hoje se ergue a catedral de Fritzlar, e onde se viria a estabelecer a primeira sede de bispado na Alemanha ao norte do antigo limes romano, junto do povoado fortificado franco de BuraBurgo, numa montanha próxima da cidade, junto do rio Éder. Este acontecimento é considerado como o início formal da cristianização da Germânia. Em 732, deslocou-se de novo a Roma para comunicar ao Papa os eventos ocorridos desde o último encontro, e Gregório III conferiu-lhe o pálio, como sinal da investidura no arcebispado, tendo autoridade sobre toda a Germânia. Bonifácio partiu de novo para a Alemanha e batizou centenas de saxões.

Primeiro Arcebispado

Durante a sua visita a Roma, em 737-738, foi formalmente feito o legado papal para a Germânia. Em 745, elevou Mogúncia à condição de Sé metropolitana, onde se estabeleceu como seu primeiro arcebispo. Posteriormente, partiu em direção à Baviera, onde estabeleceu os bispados de Salzburgo, Ratisbona, Freisinga e Passau. Em 742, um dos seus discípulos, Estúrmio, fundou a Abadia de Fulda, não muito longe de Fritzlar. Embora Estúrmio seja o fundador oficial, Bonifácio esteve muito envolvido na constituição da nova abadia. Nos territórios francos, do Hesse e da Turíngia, Bonifácio fundou as dioceses de Buraburgo, Würzburgo e Erforte; ao ser ele a designar os bispos de cada uma das dioceses, pôde consolidar a sua independência face aos poderes senhoriais dos carolíngios. Apesar disso, continuou a organizar sínodos provinciais anuais no reino dos francos, tendo em vista a reorganização eclesiástica do mesmo, mantendo embora uma turbulenta relação com o novo rei dos francos, Pepino o Breve, que viria a coroar em Soissons em 751.

Morreu pela evangelização

Bonifácio jamais perdeu a esperança de converter os frísios, e, em 754, retomou à Frísia com um pequeno grupo de seguidores. Batizou um grande número de pagãos e marcou um encontro para a confirmação dos novos batizados num local perto de Dokkum, entre Franeker e Groninga. Contudo, em vez dos seus convertidos, um bando de pagãos armados apareceu e assassinou o arcebispo Bonifácio. Os seus restos mortais viriam a ser enterrados na abadia de Fulda (atual Catedral de Fulda). São Bonifácio foi declarado santo e mártir pelas Igrejas Católica Romana e Ortodoxa Oriental, sendo celebrado a 5 de junho, data da sua morte. 

Reconhecimento Papal

O Papa Pio XII, na Encíclica Ecclesiae fastos, de 5 de junho de 1954, dirigida às igrejas da Inglaterra, Alemanha, Áustria, França, Bélgica e Holanda comemorou o XII centenário da morte deste bispo e mártir.

A minha oração

São Bonifácio, grande pai dos povos germânicos, nós pedimos para eles a graça de uma nova conversão, uma restauração. Protegei-os, defendei-os da morte eterna, inclusive das astúcias do mal, e aos seus descendentes as graças necessárias. 

São Bonifácio, rogai por nós!

São Marcelino Champagnat: O Santo Educador da Juventude

Um coração ardente pela educação e fé, que hoje inspira a Família Marista

No dia 6 de junho, celebramos São Marcelino Champagnat, um santo que dedicou sua vida à educação e evangelização da juventude. Marcelino José Benedito Champagnat nasceu em 20 de maio de 1789, na aldeia de Marlhes, próxima a Lyon, França. Nono filho de uma família de camponeses pobres, mas profundamente religiosos, sua vida foi marcada por uma devoção fervorosa à Maria, a Mãe de Deus.

Desde cedo, Marcelino demonstrou um grande amor pela educação, mas também enfrentou enormes desafios. Após um trauma na escola, onde viu um colega ser castigado pelo professor, ele abandonou os estudos para ajudar seu pai na lavoura. Foi apenas aos quatorze anos, incentivado pelo pároco local, que Marcelino redescobriu sua vocação religiosa e ingressou no seminário de Verrièrres, superando muitas dificuldades devido à sua falta de escolaridade anterior.

Em 1816, aos vinte e sete anos, Marcelino foi ordenado sacerdote. Motivado por sua infância difícil e guiado pelo Espírito Santo, ele se dedicou a resolver os problemas enfrentados pelos jovens de sua época, especialmente a falta de educação religiosa e moral. Durante uma visita a um rapaz doente, Marcelino percebeu a gravidade da ignorância religiosa e decidiu agir. Assim, nasceu a Congregação dos Irmãos Maristas, uma ordem leiga dedicada à catequese e educação.

A obra de Marcelino cresceu rapidamente, e ele se desligou de suas atividades paroquiais para se dedicar inteiramente à missão marista. Ele estabeleceu que os membros da Congregação seriam irmãos leigos, focados na educação e catequese de crianças, jovens e adultos. Durante sua vida, Marcelino testemunhou o crescimento e a aceitação global da Família Marista, cuja educação é hoje referência em muitas partes do mundo.

São Marcelino Champagnat faleceu em 6 de junho de 1840, aos cinquenta e um anos. Sua canonização foi realizada pelo Papa João Paulo II em 1999, e ele é reverenciado como o “Santo da Escola” e um precursor dos modernos métodos pedagógicos que excluem o castigo.

Declaração de Ir. Ernesto Sánchez Barba, Superior Geral

Ir. Ernesto Sánchez Barba, Superior Geral da Congregação Marista, relembra a missão de São Marcelino com estas palavras:

“São Marcelino anunciou o Evangelho com o coração ardente. Foi sensível às necessidades espirituais e educacionais do seu tempo, sobretudo a ignorância religiosa e as situações de abandono vividas em particular pela juventude. (…) Peçamos ao Senhor a graça de termos um coração ardente como o de Marcelino Champagnat, para reconhecê-lo e sermos suas testemunhas”. Neste 6 de junho celebramos e rezamos em comunhão com todos os lugares que compõem a família marista global, especialmente com aqueles que sofrem situações difíceis. Coloquemo-nos nas mãos de Maria, nossa Boa Mãe, que nos inspira e nos acompanha diariamente em nossa vida e missão marista.

Celebração Eucarística em Boa Vista

Em honra a São Marcelino Champagnat, a congregação marista da Diocese de Roraima convida todos a participar da Celebração Eucarística no dia 5 de junho às 19:30, na Igreja Nossa Senhora de Nazaret, na Rua Altair Pereira de Melo 304, bairro Cidade Satélite de Boa Vista. Este será um momento de união e oração pela missão educacional e evangelizadora marista, inspirada pela vida e obra de São Marcelino.

Que sua dedicação e amor pela educação continuem a inspirar gerações e a promover um mundo mais justo e iluminado pela fé.

Dom Lúcio Nicoletto é ordenado bispo na catedral de Padova, para continuar sua missão em São Félix do Araguaia

A catedral de Padova (Itália) acolheu no dia 1º de junho de 2024 a ordenação episcopal de dom Lúcio Nicoletto, bispo eleito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Missionário no Brasil desde 2005, o novo bispo foi missionário na diocese de Roraima desde 2016 até sua nomeação episcopal, no dia 13 de março de 2024, data em que Papa Francisco completou 11 anos de sua eleição para ocupar a cadeira de Pedro.

A celebração foi presidida pelo arcebispo de Cuiabá (MT), dom Mário Antônio da Silva, que foi bispo de Roraima enquanto dom Lúcio Nicoletto era missionário nessa diocese. Dentre os bispos do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, concelebraram o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler, o bispo de São Gabriel da Cachoeira, dom Raimundo Vanthuy Neto e o bispo emérito de Parintins, dom Giuliano Frigenni. Também concelebrou o arcebispo de Porto Velho, dom Roque Paloschi, que já foi bispo da diocese de Roraima, e outros bispos brasileiros. Igualmente se fizeram presentes presbíteros da diocese de Roraima e da Prelazia de São Felix do Araguaia, assim como da Vida Religiosa e do laicato.

Na homilia, o arcebispo de Cuiabá destacou que “Jesus é modelo de um pastor, que não busca o próprio interesse, ao contrário, dona a própria vida a todos aqueles que aceitam a sua proposta”, destacando que ele é o verdadeiro pastor, que cura, ama e dá a vida pelas suas ovelhas, destacando a mútua dependência entre o pastor e as ovelhas. Dom Mário Antônio disse ao novo bispo que a missão principal de seu ofício apostólico é conduzir os fiéis à unidade da Igreja para a salvação, buscando criar no povo a consciência de criar uma sociedade justa e fraterna, “a justiça deve permear todas as relações sociais e interpessoais”, enfatizou o arcebispo de Cuiabá.

Os bispos do Brasil presentes na celebração entregaram ao novo bispo, à sua mãe e ao bispo da diocese de Padova, alguns presentes, feitos pelos indígenas, como expressão de sinodalidade, de comunhão, agradecendo, nas palavras do cardeal Steiner, por tanto que a Igreja do Brasil tem recebido da Igreja da Itália, e agradecendo ao novo bispo por ter aceitado a nova missão que a Igreja lhe confia como bispo da prelazia de São Félix do Araguaia, “para servir e amar aquela Igreja”, segundo disse dom Vanthuy, a um povo que “lhe espera como sinal de esperança de Jesus Cristo, do Reino”.

Em nome da Igreja de Roraima, seu bispo, dom Evaristo Spengler, disse que no coração daquela Igreja, “hoje só há gratidão, gratidão por você ser esse missionário que deixou sua terra, pronto para entregar-se de corpo e alma ao povo que encontrou”. O bispo destacou em dom Lúcio o fato de ter sido um homem de comunhão com a Igreja do Regional Norte1 e a Igreja da Amazônia, “que quer buscar cada vez mais ser uma Igreja presente junto ao povo sofredor, os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, uma Igreja que mostra o rosto misericordioso de Deus”.

Dom Lúcio Nicoletto, no final da celebração, iniciou sua intervenção agradecendo a todas as pessoas que prepararam a ordenação, refletindo sobre o sentido da Eucaristia, no dia em que na Itália é celebrado Corpus Christi, e sobre a caridade. Ele lembrou suas palavras ao povo da prelazia de São Felix do Araguaia pouco depois de ser eleito bispo: “A graça da missão chegou à minha vida como um vento forte, um furacão que me mudou profundamente a partir do caminho da lógica da encarnação. E foi no encontro com a Amazônia, no caminho junto ao amado povo da Igreja de Roraima que aprendi que ‘A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia’. Este armar a tenda manifestou-se como um irrenunciável anúncio central da boa nova: anunciar aos povos o Evangelho de Jesus Cristo e de seu Reino como fonte de sentido e de libertação”, destacando a importância da missão em sua vida, e agradecendo a sua família e a todos os que acompanharam sua vida de fé desde seu nascimento, em sua formação e missão, na Itália e no Brasil.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB 

CONSELHO DE LEIGOS DE RORAIMA PARTICIPA DA 42ª ASSEMBLEIA NACIONAL EM MANAUS

Evento destaca o papel dos leigos na Igreja e reúne representantes de todo o país.

Manaus recebeu a 42ª Assembleia Geral Ordinária do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), que ocorre de 30 de maio até 2 de junho na Casa de Retiro Maria de Loreto. O evento reune cerca de 200 participantes, incluindo representantes das nove dioceses e prelazias do Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima. Organizada pelo Conselho de Leigos do Regional e pelo CNLB, a Assembleia contou com a presença significativa do Conselho de Leigos de Roraima, conformada por: Lincoln Almeida, María Joselha Silva,  Lúcia Alberto, Vanessa Xavier, Elisangela Dias, Maria Sueli, Eduardo Freitas, e Tarcília Vieira.

A programação iniciou no dia 30 com a celebração de abertura, seguida pela Solenidade de Corpus Christi. Francisco Meireles, presidente do Conselho de Leigos do Regional Norte 1, destacou que a temática central foi “Cristãos leigos e leigas, testemunhas do reino” com o lema “Não podemos nos calar sobre aquilo que vimos e ouvimos” (Atos 4,20). “Vamos concluir no domingo, na alegria, com uma missa amazônica para animar cada vez mais os nossos leigos e leigos de todo o Brasil”, afirmou Meireles.

Sônia Gomes de Oliveira, presidente do CNLB, ressaltou a importância de realizar a assembleia em Manaus. “É o local onde nós conseguimos perceber esse testemunho, o testemunho do reino, o testemunho de justiça, o testemunho de paz, o testemunho de igualdade. Então, para nós, é uma alegria muito grande estar aqui para viver, beber nessa fonte do testemunho”, disse Sônia.

O evento foi marcado por momentos de reflexão e análise da conjuntura social, política e eclesial do Brasil, iluminadas pela Palavra de Deus. Durante a Assembleia, foram firmados compromissos baseados em três grandes eixos: Integridade da Criação, Sociedade de Justiça e Paz e Igreja Sinodal. Esses compromissos abordaram desde a questão ambiental na Amazônia até a promoção da justiça social e a corresponsabilidade entre leigos, clero e vida religiosa consagrada.

O Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 – AM/RR, Cardeal Leonardo Steiner, enfatizou a importância do evento para a Igreja Católica. “Este momento possa ajudar a compreender a importância do leigo na igreja. Para a nossa arquidiocese e para o Norte 1, é muito importante porque nós queremos partilhar e receber as experiências dos outros regionais da CNBB. É uma organização que está cada vez mais tentando dinamizar a presença laical na igreja”, destacou Steiner.

Além das discussões e compromissos, a Assembleia faz parte de um itinerário de três anos para celebrar o Jubileu de Ouro do Conselho de Leigos no Brasil em 2025. As palavras-chaves escolhidas para nortear esse triênio são profecia (2023), testemunho (2024) e memória (2025), simbolizando a trajetória e a missão do laicato no país.

A Assembleia culmina no dia 2 de junho com uma missa amazônica, um momento de celebração e renovação do compromisso dos leigos e leigas com a Igreja e a sociedade. “A gente está nessa caminhada, organizando e vamos concluir no domingo, na alegria, com uma missa amazônica para animar cada vez mais os nossos leigos e leigos de todo o Brasil”, concluiu Francisco Meireles.

 FONTE/CRÉDITOS: Arquidiocese de Manaus

Delegação da Diocese de Roraima marcará presença no congresso nacional do Jubileu de 70 anos da CRB nacional

O evento ocorre entre os dias 30 de maio até o dia 2 de junho em Fortaleza

A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) celebra seu 70º aniversário, consolidando-se como uma presença significativa e relevante na sociedade brasileira. Fundada em 1954, a CRB tem sido um farol dos valores do Evangelho e tem contribuído ativamente para a construção de um mundo mais justo e compassivo através de suas inúmeras iniciativas e projetos.

Atualmente, a CRB conta com 525 congregações associadas e mais de 30.000 religiosas e religiosos que atuam em diversas áreas, desde a educação e a saúde até a defesa dos direitos humanos e o cuidado com o meio ambiente. Este vasto exército de servidores deixou uma marca indelével em inúmeras comunidades, trazendo esperança e apoio onde é mais necessário.

Celebração do 70º Aniversário

Para comemorar suas sete décadas de serviço, a CRB organizou uma série de eventos e atividades ao longo do ano. Estas celebrações não apenas honram o passado e o presente da organização, mas também olham para o futuro, destacando a necessidade de continuar avançando na missão de levar os valores do Evangelho a todos os cantos do Brasil.

Entre os eventos destacados, incluem-se conferências, seminários e oficinas que abordam temas relevantes como justiça social, igualdade de gênero, ecologia integral e paz. Além disso, serão realizados atos litúrgicos e celebrações eucarísticas em diferentes regiões do país, reunindo milhares de pessoas para refletir sobre o papel vital das religiosas e religiosos na sociedade atual.

Participação da Diocese de Roraima

A delegação da Diocese de Roraima, liderada pela Ir. Josiane Horta, Coordenadora Regional da CRB, estará presente nas celebrações de encerramento do Ano Jubilar, que ocorrerão em Fortaleza-CE, de 30 de maio a 2 de junho de 2024. Ir. Josiane compartilhou suas expectativas para o evento, destacando a importância desse momento para a vida religiosa consagrada no Brasil:

“Nesse momento tão significativo, estou me dirigindo a Fortaleza para celebrar junto com todos os religiosos e religiosas os 70 anos da CRB. Esse é um momento importante para nós, vida religiosa consagrada, que vive sua vocação no meio do povo. Estou indo em nome do núcleo de Roraima, representando todas as comunidades, todos os consagrados e consagradas. Junto comigo também irão outras irmãs e consagrados de nossa diocese. Participaremos desse tempo de graça, de 30 de maio a 3 de junho, encontrando várias realidades e celebrando a presença profética da vida religiosa no Brasil. Desde já conto com vossas orações, rezem por nós.”

A delegação composta por:

Ir. Rita Lopes de Lima (Filha da Caridade)
Ir. Angela Maria Falchetto (Salesiane)
Ir. Angela Maria Mabazo Santana ( Franciscanas Missionárias Mãe do Divino Pastor)
Ir. Maria da Graças da Silva(Irmãs de São José)
Ir. Joana Francisca Rege (Irmãs de São José)
Ir. Ana Maria da Silva ( Irmãs de São José)
Ir. Mary Agnes de Mwnangi ( Missionárias Consolata)
E a Ir. Josiane Horta (Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores) Ir. Josiane Souza Horta

Tema e Encerramento das Atividades

O encerramento das atividades do Ano Jubilar será marcado pelo tema “CRB 70 Anos – Memória, Mística, Profecia e Esperança” e pelo lema “Permaneci no meu Amor” (Jo 15,9). Este evento promete ser um momento de profunda reflexão, celebração e projeção para o futuro, onde os religiosos e religiosas são convidados a unir-se em gratidão e renovar seu compromisso com a missão de servir e promover a esperança para um mundo melhor.

Impacto e Projetos Chave da CRB no Brasil e Roraima

A CRB tem sido instrumental na criação e apoio de numerosos projetos que transformaram vidas e comunidades. Entre estes, destacam-se:

  • Educação e Formação: As congregações associadas à CRB fundaram e geriram escolas, universidades e centros de formação profissional, oferecendo educação de qualidade a milhares de jovens e adultos.
  • Saúde e Bem-Estar: A atenção à saúde é outro pilar fundamental, com hospitais, clínicas e programas de saúde comunitária que atendem aos doentes e necessitados, especialmente em áreas rurais e remotas.
  • Defesa dos Direitos Humanos: A CRB tem sido uma voz forte na luta pelos direitos humanos, trabalhando para erradicar a exploração, a violência e a injustiça em todas as suas formas. Acolher e proteger os mais vulneraveis e em Roraima, sendo estado fronteriço com outros paises levar a missão de cuidar dos migrantes, refugiados e indígenas.
  • Cuidado com o Meio Ambiente: Em resposta ao apelo do Papa Francisco na encíclica “Laudato Si'”, a CRB impulsionou inúmeras iniciativas ecológicas, promovendo a sustentabilidade e o respeito pela criação.

Olhando para o Futuro

À medida que a CRB celebra seu 70º aniversário, renova seu compromisso de continuar sendo uma força positiva e transformadora na sociedade brasileira. Com um espírito de fé e esperança, as religiosas e religiosos da CRB continuam sua missão de levar luz aos lugares mais escuros, construir pontes de amor e compreensão e trabalhar incansavelmente por um mundo mais justo e compassivo para todos.

O legado da CRB é um testemunho eloquente do poder da fé em ação e do impacto duradouro que o serviço altruísta pode ter na construção de uma sociedade melhor.