Ceama

Encontro dos Bispos da Amazônia: Um Encontro para a História – Cardeal Pedro Barreto

Ceama

Com profundo sentido pastoral e em chave sinodal, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) anuncia com alegria a realização do Encontro de Bispos da Amazônia, que será realizado pela primeira vez,de 17 a 20 de agosto de 2025, na cidade de Bogotá, Colômbia.

Este encontro, convocado pela CEAMA, reunirá os bispos das jurisdições eclesiais amazônicas dos nove países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela) que compartilham o bioma. Será uma ocasião privilegiada para fortalecer a colegialidade episcopale continuar a dar passos na construção de uma Igreja com face amazônica, sinodal, profético e comprometido com a vida dos povos e da Casa Comum.

Uma experiência inédita de comunhão e missão

El Cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA, destacou o caráter histórico deste encontro:

“Nos encontraremos pela primeira vez na América Latina, todos nós que servimos ao Senhor como bispos e pastores da Igreja. O bispo preside a Igreja particular, mas também temos a responsabilidade de viver a colegialidade episcopal além das nossas próprias fronteiras. A língua amazônica não conhece fronteiras.”

O encontro acontece num ano particularmente significativo para a vida da Igreja. Em 2025, 60 anos do Concílio Vaticano II, um evento que promoveu o caminho da renovação eclesial numa perspectiva sinodal, e também recorda a cinco Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano, com especial destaque para a segunda, realizada em Medellín (1968), que concretizou as diretrizes conciliares para a nossa região.

Inspirado pelo Sínodo para a Amazônia e pelo pontificado de Francisco

O Cardeal Barreto também lembrou a proximidade constante do Papa Francisco com a Amazônia:

Desde o início do seu pontificado, o Papa tinha a Amazônia como foco. Em julho de 2013, no Rio de Janeiro, ele já nos dizia que precisávamos relançar o processo de evangelização nessa região.

O Encontro será também uma oportunidade para avaliar os frutos do Sínodo para a Amazônia (2019) e os cinco anos de existência da CEAMA como espaço sinodal de escuta, discernimento e ação eclesial no território.

Um espaço de diálogo entre gerações

O encontro contará com bispos com vasta experiência na região, além de novos pastores que se juntam com entusiasmo à jornada amazônica.

“Que alegria é estarmos reunidos, todos e cada um de nós: aqueles que já têm alguma experiência nesta jornada amazônica, e aqueles jovens bispos, pastores das Igrejas particulares, que juntos podem dar esse rosto amazônico à nossa Igreja”, disse o Cardeal Barreto.

Uma Igreja que caminha junta na vida do território

Com este apelo, a CEAMA reafirma o seu compromisso com uma Igreja que caminha ao ritmo do povo, que escuta os clamores da Amazônia, que cuida de sua biodiversidade e se deixa transformar por suas culturas.

Este Encontro não é apenas um encontro institucional, mas sim uma expressão concreta da sinodalidade missionária, onde os pastores poderão compartilhar seus desafios, experiências, aprendizados e propostas para continuar construindo juntos uma Igreja com o sabor, a cor e o coração da Amazônia.

“Que Deus nos abençoe e esperamos vocês com muito amor.”, conclui o Cardeal Barreto.

Fonte: CEAMA – CONFERÊNCIA ECLESIAL DA AMAZÔNIA

 

Na Assunção de Maria, Papa pede coragem para escolher a vida

Na Assunção de Maria, Papa pede coragem para escolher a vida

No dia da Solenidade da Assunção de Maria, Leão XIV celebrou a Missa na comunidade paroquial de Castel Gandolfo, em sua homilia, recordou que o “sim”

Na Assunção de Maria, Papa pede coragem para escolher a vida

VATICAN MEDIA

Nesta sexta-feira, 15 de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, festa litúrgica que no Brasil será comemorada no próximo domingo, 17/08. Por esta ocasião, o Papa Leão XIV presidiu a Santa Missa na Paróquia São Tomás de Villanova, em Castel Gandolfo, onde cumpre a segunda etapa do seu período de descanso. Esta foi a segunda vez que o Santo Padre celebrou na comunidade paroquial local.

Na homilia, o Pontífice recordou que “em Maria de Nazaré está a nossa história, está a história da Igreja imersa na humanidade comum. Tendo encarnado nela, o Deus da vida e da liberdade venceu a morte. Sim, hoje contemplamos como Deus vence a morte, sem nunca prescindir de nós”.

A fecundidade de Maria

 

Leão XIV sublinhou que o “sim” de Maria, unido ao de Cristo na cruz, continua vivo “nos mártires do nosso tempo, nas testemunhas da fé e da justiça, da mansidão e da paz”, e convidou cada fiel a escolher “como e para quem viver”.

Refletindo sobre o Evangelho da Visitação, proposto pela liturgia para esta Solenidade, o Papa destacou que, no encontro de Maria com Isabel, “a surpreendente fecundidade da estéril Isabel confirmou Maria na sua confiança: antecipou a fecundidade do seu ‘sim’, que se prolonga na fecundidade da Igreja e de toda a humanidade, quando a Palavra renovadora de Deus é acolhida”.

Para o Santo Padre, o cântico do Magnificat da Mãe de Deus fortalece a esperança dos humildes e famintos, lembrando que “parecem impossíveis as promessas de Deus, mas quando nascem os vínculos com os quais opomos o bem ao mal, a vida à morte, então vemos que ‘nada é impossível a Deus’ (Lc 1, 37)”.

O Papa alertou também contra a fé que “envelhece” nas comunidades dominadas pelo bem-estar material e pela acomodação, e afirmou que a Igreja “rejuvenesce graças ao Magnificat” dos pobres, perseguidos e construtores da paz. “Muitos deles são mulheres, como a idosa Isabel e a jovem Maria: mulheres pascais, apóstolas da Ressurreição. Deixemo-nos converter pelo seu testemunho!”, exortou.

Um chamado à confiança

Ao concluir a homilia, Leão XIV convidou os fiéis a verem na Assunção de Maria um sinal do destino que Deus deseja para todos: “Ela é-nos dada como sinal de que a Ressurreição de Jesus não foi um evento isolado, uma exceção”, e completou:

“Maria é aquele entrelaçamento de graça e liberdade que impele cada um de nós à confiança, à coragem, ao envolvimento na vida de um povo. […] Não tenhamos medo de escolher a vida! Pode parecer perigoso, imprudente. Quantas vozes estão sempre lá a sussurrar-nos: ‘Quem te obriga a fazer isso? Pensa nos teus interesses’. São vozes de morte. Em contrapartida, nós somos discípulos de Cristo. É o seu amor que nos impele, corpo e alma, no nosso tempo. Como indivíduos e como Igreja, já não vivemos para nós mesmos. É precisamente isto – e só isto – que difunde a vida e a faz prevalecer. A nossa vitória sobre a morte começa precisamente agora.”

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS

Jovem Indígena professa Votos Perpétuos neste sábado na Diocese de Roraima

Jovem Indígena professa Votos Perpétuos neste sábado na Diocese de Roraima

A Celebração Eucarística ocorre na comunidade indígena da Barata, e será marcada por uma programação cultural e religiosa

Jovem Indígena professa Votos Perpétuos neste sábado na Diocese de Roraima
Foto: Kayla Silva – Rádio FM Monte Roraima

Neste final de semana, a Igreja Católica celebra a Vocação Religiosa Consagrada. Na Diocese de Roraima, a celebração ocorre no dia 16 de agosto, com a Profissão Religiosa da Irmã Lucimara Martins Da Silva, jovem indígena do povo Wapichana, da Congregação das Irmãs Franciscanas Bernardinas. A programação começa pela manhã, às 8h, e segue durante o dia, encerrando-se com celebração eucarística, às 17h30, na quadra poliesportiva da Escola Estadual Indígena Hermenegildo Sampaio, na Comunidade Indígena da Barata, no Município de Alto Alegre.

Irmã Lucimara, de 30 anos, filha de Nely da Silva Martins e Aníbal Neves da Silva, se prepara para um momento decisivo em sua trajetória religiosa: a profissão dos votos perpétuos. Na vida consagrada, esses votos de pobreza, obediência e castidade, representam a entrega total a Deus e à missão da Igreja. Ao professá-los de forma perpétua, a religiosa assume de maneira definitiva sua pertença à congregação, reafirmando o compromisso de viver segundo suas regras e dedicar a vida integralmente ao serviço do Evangelho.

Para Irmã Lucimara Martins, esta vocação nasceu no seio de sua família e na vida em comunidade. “Minha família sempre teve essa experiência profunda, uma participação ativa na igreja. E a minha experiência no grupo de jovens, na catequese, tudo isso, influenciou nesse despertar vocacional. A minha família é bem religiosa, minha mãe e meu pai sempre participaram da igreja. Então, a minha vocação surgiu dessa experiência, ela teve essa base na comunidade, na vida de igreja e na vida da família”
 
Lucimara foi acompanhada por irmãs do Ceará, onde morou por anos, e também em Porto Velho, casa mãe da congregação. A Ministra Provincial, Irmã Gilbetânia de Andrade, que acompanhou o início da trajetória vocacional da religiosa destaca a missão da jovem:

“Percebi que a irmã Lucimara foi desde sempre uma jovem muito leve, muito livre, e isso é uma das qualidades muito boas para quem deseja ser franciscana.  Porque na espiritualidade franciscana, tendo como ideal de vida o nosso pai, São Francisco, temos que de fato ter uma vida mais leve, sem esse peso de estrutura, sem medo de ser feliz. Para Francisco, a regra de vida era o Evangelho, e se você tinha amor a Jesus Cristo e queria colocar em prática o Evangelho, então isso era a regra de vida. E São Francisco destaca ‘preguem com a vida. Se for necessário, usem as palavras’. Então, a Lucimara sempre essa jovem muito livre, muito humana, muito fraterna e muito amiga.”

A Irmã também ressaltou a alegria de acolher na congregação uma religiosa indígena:

“Saber que a congregação acolhe alguém que é indígena e se autodeclara, é de uma grande alegria nós, pois, nos desafia a nos abrirmos ao novo e a acolher coisas que podem ser diferentes e ao mesmo tempo original”.

Foto: Kayla Silva – Rádio FM Monte Roraima 

A mãe de Lucimara, Nely da Silva Martins, recorda que o sonho da filha nasceu ainda na infância:

“Desde criança ela tinha o sonho de ser freira. No início eu brigava muito com ela porque ela queria passar o dia na igreja, ela queria passar o dia cantando e orando. Só que eu não deixava muito, porque eu tinha muita coisa para ela me ajudar a fazer. Mas sempre foi desde criança. Ela cresceu, fez a primeira comunhão, fez a Crisma, e depois disso ela escolheu que queria morar em Alto Alegre com as irmãs”. Nely também destaca que Lucimara vai levar a cultura indígena ao Sul do Brasil, onde muitos irão conhecer a Amazônia através dela e conhecer também a comunidade da Barata.

Foto: Kayla Silva – Rádio FM Monte Roraima 

PROGRAMAÇÃO:

16 de agosto (sábado) – CENTRO CULTURAL MACUXANA

08h00 – Oração da manhã
08h20 – Recepção das lideranças convidadas
08h40 – Apresentação da dança parixara wapixana
(grupo de dança dona Ana)
09h00 – Apresentação da dança parixara macuxi
(grupo de dança dona Cacilda)
09h20 – Apresentação de músicas regionais
10h00 – Apresentação do grupo Cultural SAURIPÍ IPÌNÌNKÌTO
(Comunidade Sucuba)
10h20 – Apresentação do grupo de dança parixara ASSOCIAÇÃO KAIPÓ
10h40 – Exposições de artesanatos indígenas e grafismos – fundo musical com o grupo Kaipó
11h30 – Pausa para o almoço 

13h00 – Animação com os grupos musicais presentes
13h30 – Exposições dos carismas das congregações religiosas
15h00 – Apresentações dos missionários da diocese de Roraima, Ceará e Rio Grande do Sul

17h30 – Encerramento com a Celebração Eucarística dos votos da Irmã Lucimara
Local: Quadra Poliesportiva Hermenegildo Sampaio

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

 

Missa de abertura marca o início da Semana Nacional da Família na Diocese de Roraima

Missa de abertura marca o início da Semana Nacional da Família na Diocese de Roraima

A Celebração Eucarística será presidida por Dom Evaristo Spengler, às 8h30, na Comunidade N. Sra. do Perpétuo Socorro

Missa de abertura marca o início da Semana Nacional da Família na Diocese de Roraima
Foto: Pascom diocesana

A Semana Nacional da Família começa neste domingo,10 de agosto, com a Missa de Abertura na Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Paróquia Santos Arcanjos, às 8h30, presidida por Dom Evaristo Spengler, bispo da Diocese de Roraima, com o tema “É tempo de júbilo em nossa vida”.

A Programação integra as celebrações deste mês vocacional, em que a Igreja Católica dedica cada domingo a uma vocação. Neste segundo domingo, a igreja celebra-se a Vocação Matrimonial.

O assessor da Pastoral Familiar, Padre Jefferson de Almeida afirma que a vocação matrimonial é berço das vocações:

“O Matrimônio, junto com o sacramento da ordem, sacramento de missão. É uma vocação chamada a servir. Assim como o ministro ordenado serve a igreja, dispensando sacramentos para o povo de Deus, a vocação matrimonial serve a família, berço das vocações. É no seio familiar que surge todas as demais vocações.”

O padre também destaca que “a igreja traz essa importância fundamental para o sentido de ser família. Nosso Senhor Jesus nos ensina que todo aquele que ouve a palavra de Deus e a põe em prática se torna sua mãe, seu irmão e sua irmã. Também nós somos convidados, dentro da nossa família, a nos tornar a família de Jesus.”, conclui o sacerdote.

A coordenadora da Pastoral Familiar, Márcia Lima, enfatiza a missão de ser família:

“Está principalmente na educação, na fé dos nossos filhos, das nossas crianças, dos nossos jovens, que pertencem à nossa família. Essa educação familiar, pensando nos valores da fé cristã que brota do Evangelho de Jesus Cristo, os valores apresentados por cada família é realmente a principal função. Então, ser família hoje, que é a primeira vocação humana que aparece na Bíblia, é graça. É graça para o cristão e também é a nossa missão maior.”

No dia 16 de agosto, ocorre a III Caminhada das Famílias. Os fiéis sairão em peregrinação da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, localizada na Rua Bento Brasil com Floriano Peixoto, n° 1140, no Centro de Boa Vista, rumo ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, às 17h. Na chegada será celebrada a Missa de Encerramento.

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

 

Diocese de Roraima realiza Jubileu dos Vocacionados neste sábado (09), em unidade com o Ano Jubilar 2025

Diocese de Roraima realiza Jubileu dos Vocacionados neste sábado (09), em unidade com o Ano Jubilar 2025

Diocese de Roraima realiza Jubileu dos Vocacionados neste sábado (09), em unidade com o Ano Jubilar 2025
Serviço de Animação Vocacional durante um encontro em Mucajaí

Neste sábado, 9 de agosto, a Diocese de Roraima realiza o Jubileu dos Vocacionados. A celebração busca reunir jovens para o discernimento e a vivência da vocação com entusiasmo e compromisso.

Segundo a coordenadora do Serviço de Animação Vocacional da Diocese, irmã Antônia Storti, o Jubileu é um convite especial a todos os fiéis, em especial aos jovens, para que reconheçam e abracem sua vocação.

“É importante que cada pessoa se reconheça e celebre a própria vocação. A vocação não é só dos padres, das irmãs ou dos casais, mas é de cada pessoa. Porque cada pessoa sente no coração esse impulso de se colocar a serviço dos outros.”

A religiosa também ressalta a importância de viver este momento como Igreja unida:

“É importante poder celebrar este momento, sobretudo juntos, pois podemos reconhecer que somos um povo vocacionado porque somos um povo chamado, e somos chamados porque somos amados. É importante celebrar essa nossa consciência: a de ser amado por Deus e de, continuamente, ser chamado por Ele.”

A programação do Jubileu dos Vocacionados começa às 16h, com a concentração na Paróquia São Francisco das Chagas. Após a concentração, os fiéis seguem em peregrinação até o Santuário Nossa Senhora Aparecida.
Às 18h, será celebrada a Santa Missa. Após a missa, os fiéis participam de um momento especial de fraternidade, com cantos, apresentações culturais e outras atividades.

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

 

Vaticano defende solução de dois Estados e cessar-fogo em Gaza

Vaticano defende solução de dois Estados e cessar-fogo em Gaza

Vaticano defende solução de dois Estados e cessar-fogo em Gaza
VATICAN MEDIA

O terrorismo nunca pode ser justificado; no entanto, “o direito à autodefesa deve ser exercido dentro dos limites tradicionais da necessidade e da proporcionalidade”. A Santa Sé reiterou isso, com firmeza e dor, durante a conferência de alto nível das Nações Unidas sobre a “resolução pacífica da questão palestina e a implementação da solução dos dois Estados”, promovida pela França e pela Arábia Saudita e encerrada em 30 de julho, em Nova Iorque. O observador permanente, arcebispo Gabriele Caccia, pediu com urgência “um cessar-fogo imediato, a libertação de todos os reféns israelenses, a restituição dos corpos dos falecidos, a proteção de todos os civis palestinos em conformidade com o direito internacional humanitário e o acesso irrestrito à ajuda humanitária”, reiterando ao mesmo tempo a condenação ao ataque perpetrado em 7 de outubro de 2023 pelo Hamas contra os israelenses.

A preocupação com a crise humanitária

A Santa Sé, segundo as palavras de Caccia, “permanece profundamente preocupada com o agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza”, daí o apelo à comunidade internacional para uma resposta imediata e coordenada ao “deslocamento em massa de famílias”, ao “colapso dos serviços essenciais”, à “fome crescente” e à “privações generalizadas” que “abalam a consciência humana”. O arcebispo destacou o impacto do conflito sobre os civis, mencionando o número de crianças mortas, a destruição de casas, hospitais e locais de culto, com referência especial ao “recente ataque à igreja da Sagrada Família, que feriu ainda mais uma comunidade já provada”. Um evento que gerou profunda angústia, considerando o papel dos cristãos na região, que há muito se propõem como “presença moderadora e estabilizadora, promovendo o diálogo e a paz”.

A solução dos dois Estados, única via viável

A convicção da Santa Sé é de que “a solução dos dois Estados, baseada em fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente, é a única via viável e justa para uma paz duradoura e equitativa”. E há testemunhos concretos disso nos importantes passos já dados, como o reconhecimento formal do Estado de Israel através do Acordo Fundamental de 1993 e o reconhecimento do Estado da Palestina por meio do Acordo Global de 2015. Outro ponto essencial, segundo destacou Caccia, é o firme apoio aos “direitos inalienáveis do povo palestino, incluindo o direito à autodeterminação”, bem como às “legítimas aspirações” dos palestinos “a viver em liberdade, segurança e dignidade dentro de um Estado independente e soberano”.

A importância de Jerusalém

O observador permanente, ao encerrar sua intervenção, lembrou a importância “religiosa e cultural universal” de Jerusalém, cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, e por isso convocada a possuir um status que “transcenda as divisões políticas e garanta a preservação de sua identidade única”. O apelo de Caccia, repetido ao longo do tempo pela Santa Sé, é por um “estatuto especial garantido internacionalmente, capaz de assegurar a dignidade e os direitos de todos os seus habitantes e dos fiéis das três religiões monoteístas, a igualdade perante a lei das suas instituições e comunidades, preservando o caráter sagrado da cidade e seu patrimônio religioso e cultural excepcional”. Um documento que também assegure “a proteção dos Lugares Santos”, bem como “o direito de acesso irrestrito a eles e de praticar o culto”. Um estatuto que preserve ainda, quando aplicável, o “status quo”. Em Jerusalém, segundo a posição da Santa Sé, “ninguém deveria ser alvo de intimidações. É, portanto, deplorável que os cristãos se sintam cada vez mais ameaçados na Cidade Velha de Jerusalém”.

Promover um diálogo inclusivo e paciente

A esperança expressa pelo arcebispo, que concluiu sua intervenção citando o Papa Leão XIV e seu apelo pelo fim “da barbárie da guerra”, é de que “numa época em que a força é frequentemente considerada um pré-requisito para a paz”, o encontro realizado em Nova Iorque possa servir para lembrar que “somente por meio de um diálogo paciente e inclusivo é possível alcançar uma resolução justa e duradoura dos conflitos”.

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS

Notícias/Religião

O nome “Sentinelas da Manhã”, dado pelo Papa João Paulo II aos jovens durante o Jubileu de 2000, é ainda mais pertinente nestes dias do Jubileu. Aproximadamente 25.000 jovens que vieram a Roma para o Jubileu dos Jovens, dormem em colchonetes e sacos de dormir, nos pavilhões da Fiera di Roma, na periferia oeste da capital. Faltam poucos minutos para as sete da manhã, mas alguns, ainda esfregando os olhos por causa do sono, já se movimentam para se reunir em oração. Alguns estão recitando as Laudes. Um grande grupo de jovens franceses também está reunido em um grande círculo: rezando e planejando a programação do dia.

Café da manhã italiano para todos

Outros estão tomando café da manhã em mesas de madeira dispostas ao longo do corredor que separa os nove pavilhões onde acabaram de passar a noite. Cada pavilhão tem sua própria e eficiente distribuição de produtos para o café da manhã: croissants, geleias, torradas, sucos de frutas. Os jovens observam os voluntários prepararem a primeira refeição do dia. Será que ficarão satisfeitos com o café da manhã “à italiana”?

As placas das dezenas de ônibus estacionados entre os pavilhões revela suas nacionalidades: vêm da Polônia, Portugal, França, Espanha e dezenas de outros países. Mais de 250 chuveiros e uma fila interminável de banheiros portáteis também foram instalados entre os pavilhões. Os madrugadores já estão usando os banheiros para escovar os dentes ou lavar o rosto.

De Paris, uma peregrina de “última hora”

Naturalmente, há uma estrutura inflável, posicionada entre duas enormes pilhas de garrafas d’água, abrigando um posto médico móvel. Os médicos já estão ocupados nas primeiras horas da manhã. Na fila está Eulalie Lescure, 26 anos, de Paris, que acaba de acompanhar uma amiga ao médico. Ela descreve sua partida com um sorriso, descrevendo-se como uma “peregrina de última hora”: “Comprei a passagem para Roma há uma semana e não estava muito preparada. Vim sozinha, mas me juntei com um grupo de cerca de 3.000 pessoas e, claro, todos os dias encontro novos peregrinos.”

Eulalie já havia participado da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa e pode comparar as duas experiências. Já dormi aqui duas noites. Dormi bem. O único problema eram as luzes: só as apagavam à 1h da manhã e voltavam a acender às 5h. Resumindo, tivemos apenas quatro horas de escuridão. As acomodações são espartanas, mas tudo bem. Não vim para ficar em um hotel cinco estrelas. Não é esse o ponto. Acho que nos hospedar aqui é uma boa ideia. Em Lisboa, fui voluntário, aqui estou vivenciando o Jubileu como peregrino. Assisti à missa de abertura do Jubileu da Juventude na Praça de São Pedro. Foi muito bonito, principalmente ver o Papa. Visitamos o centro de Roma e a Basílica de São João de Latrão, e conheci muitos italianos, espanhóis e portugueses.

Três anos de arrecadação de fundos para Roma

Nuno Riberio, 31 anos, natural do Porto, é português. Veio a Roma com um grupo de 29 pessoas: estar aqui agora é uma recompensa merecida pelos seus muitos esforços. “Há três anos que organizamos iniciativas na nossa cidade com o objetivo de angariar fundos para esta viagem a Roma. Esperamos poder desfrutar plenamente de todas as iniciativas organizadas para nós. Mal podemos esperar”, confessa com alguma emoção, “para nos encontrarmos novamente com o Papa neste fim de semana.”

Dormir num pavilhão de feiras com milhares de outros jovens não é uma experiência quotidiana. “Viemos com bom equipamento de campismo”, explica Nuno, “por isso dormir aqui, nestes pavilhões, não foi um problema. Passamos bem as noites que aqui pernoitamos” O único pequeno problema — um verdadeiro sinal dos tempos — é carregar os nossos smartphones. “Os vouchers de refeição são reservados por meio de um aplicativo. Por isso, o smartphone tem de estar sempre carregados. Conseguimos carregá-lo, mas nem sempre foi fácil”, conclui Nuno. Depois, o pensamento dirigido aos muitos jovens provenientes de países em guerra. “É maravilhoso conhecer pessoas de outras partes do mundo e partilhar as suas experiências. O que nós, jovens, podemos fazer é recolher informações sobre o que se passa nos países das pessoas que conhecemos, mesmo sobre lugares e situações com as quais não estamos familiarizados. Há muitos países em guerra, sobre os quais nós, jovens, não sabemos nada.”

                                                                                                                                                         ANSA/Fabio Cimaglia

Na Fiera di Roma, um mundo em miniatura vivendo em paz

Muitas línguas, muitas culturas, muitas maneiras diferentes de se comportar. Hoje em dia, os pavilhões da Fiera di Roma oferecem um vislumbre representativo de um mundo em miniatura, com seus desafios de compartilhar espaços e recursos comuns que devem ser suficientes para todos. Como no mundo adulto, também aqui a cooperação de todos é necessária para conviver e viver em paz.

“Estou hospedada na Domus, uma residência reservada para voluntários como eu, que fazem a segurança na Basílica de São Pedro. Mas quando soube dessa iniciativa aqui na Fiera di Roma, vim fazer a segurança aqui”, conta Sofia Colonna, 22 anos, de Messina. “Sou responsável – explica – pela segurança do Pavilhão 7. Meu trabalho, juntamente com os outros voluntários do meu grupo, é garantir que os peregrinos se sintam confortáveis em seu pavilhão e que prevaleça um clima de serenidade.”

Quem trabalha com segurança conhece bem os ingredientes da coexistência pacífica. “Os jovens peregrinos são todos muito animados, mas tudo aqui acontece dentro dos limites da educação católica, então há um forte senso de educação e um desejo de colaboração. A colaboração dos peregrinos”, conclui Sofia, que estará de plantão na Fiera di Roma até 4 de agosto e na Praça de São Pedro até o final de setembro, “é essencial para ajudar a criar uma atmosfera positiva”.

Jovens guardiões da água

Durante o Jubileu da Juventude, a ACEA (empresa responsavel pela distribuição de pagua em Roma) garantirá o abastecimento de água por meio de uma tubulação especialmente construída em Torvergata e do envio de caminhões-pipa para apoiar os eventos programados. Além disso, ao longo da semana, a empresa educará milhares de jovens, orientando-os a descobrir seu papel como “guardiões da água” e demonstrando que cada um deles representa a “gota” decisiva para um futuro sustentável.

A Acea criou um sistema dedicado de distribuição de água com aproximadamente 16 km de extensão. Durante o evento, a infraestrutura fornecerá aproximadamente 3,5 milhões de litros de água. A Acea também distribuirá aproximadamente um milhão de litros de água aos jovens peregrinos por meio de 95 caminhões-pipa estrategicamente localizados nos principais eventos que ocorrerão nos próximos dias, especialmente na Vela di Calatrava e na Fiera di Roma. Um total de 4,5 milhões de litros de água serão distribuídos durante o Jubileu da Juventude.

 

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS

Tráfico de pessoas: mais uma prova de desumanidade

Estamos nos tornando desumanos. Mais uma prova disso é o tráfico de pessoas, um crime cada vez mais presente em nossa sociedade. Ontem, 30 de julho, Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, foi mais uma oportunidade para refletir sobre uma das violações mais graves dos direitos humanos, uma ferida que machuca tanta gente mundo afora.

Um crime lucrativo

Um crime dos mais lucrativos, que só perde para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Esse tipo de crime tem aumentado nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o tráfico de pessoas aumentou 60% no Brasil. As redes sociais têm se tornado instrumento para aliciar milhares de pessoas, sobretudo mulheres. As quadrilhas atuam, muitas vezes na impunidade, mas também é verdade que aos poucos as autoridades têm articulado estratégias mais eficazes para combater esse crime.

Como nos posicionamos diante dessa realidade, diante desse crime? Fazemos o que está em nossa mão para combatê-lo? Trabalhamos como sociedade para ajudar as pessoas a ter o conhecimento suficiente que lhes permita não cair nas armadilhas do tráfico de pessoas? Acolhemos as vítimas e as ajudamos a se reerguer?

Não podemos ser cúmplices

As palavras de Papa Francisco: “Se fecharmos nossos olhos e ouvidos, se permanecermos indiferentes, seremos cúmplices”, são um chamado de atenção para a sociedade, mas especialmente para nós católicos. A indiferença diante dos problemas, do sofrimento dos outros, parece ter se instalado no coração da humanidade. Nossos corações vão se endurecendo, se tornando um coração de pedra, sem capacidade de se compadecer, de viver a compaixão diante do sofrimento alheio. Uma atitude que tem que nos levar a refletir, a cada um, cada uma de nós, mas também a todos e todas como humanidade.

Denunciar as violações, formar consciências, acolher os feridos tem que se tornar uma exigência se não queremos deixar de lado nossa humanidade. Ficar calados é uma atitude que não pode ser aceita, uma atitude que nos desumaniza. Não podemos esquecer que o ser humano começou ser considerado como tal quando mostrou capacidade de se compadecer diante do sofrimento do outro.

Uma postura profética

Um sentimento de compaixão que tem que estar presente naqueles que têm fé. Essa fé tem que nos levar a assumir uma postura profética, a perder o medo de nos comprometermos e lutar para acabar com esse crime que tanto atinge a vida de pessoas inocentes. O compromisso de cada um, de cada uma, o compromisso de todos e todas é decisivo para superar aquilo que condiciona a vida de tantas pessoas inocentes: o tráfico de pessoas.

Não deixemos passar mais uma oportunidade para refletir, para nos conscientizarmos da necessidade de agir firmemente em defesa das vítimas. Elas têm que ser a prioridade sempre, não podemos renunciar a isso. Cada pessoa que é salva é mais uma vida que é recuperada. Depende de cada um, cada uma de nós, avançar nesse caminho.

Editorial Rádio Rio Mar

“Carta de Demandas: Vozes do Território da Amazônia para a COP30” é entregue ao enviado especial da ONU com apelo por justiça climática enraizada

Documento reúne quase mil vozes da Amazônia Legal e apresenta propostas concretas para enfrentar a crise climática a partir da proteção dos modos de vida tradicionais e da sociobiodiversidade.

Em 2025, pela primeira vez, o Brasil sediará a Conferência das Partes (COP30), o evento climático mais importante do mundo. A COP é o espaço onde governos, cientistas e sociedade civil se reúnem para discutir soluções globais para a crise climática. No entanto, as vozes dos territórios mais impactados pela destruição ambiental seguem sendo marginalizadas desses debates.

Foi para mudar essa lógica que nasceu a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, uma articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), que busca garantir participação ativa de povos da floresta, movimentos sociais e comunidades tradicionais antes, durante e depois da COP30 — fortalecendo sua incidência a partir dos próprios territórios.

Escuta territorial e incidência concreta

Como parte dessa mobilização, 18 rodas de conversa foram realizadas em cinco estados da Amazônia Legal — Pará, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso e Roraima — reunindo 964 participantes, com ampla maioria de mulheres lideranças (72,5%). Os encontros aconteceram em localidades como Santarém, Ananindeua, Afuá, Marabá, Paulino Neves, Araguaína, Bacabal, Cuiabá, entre outras.

Dessas escutas coletivas nasceu a Carta de Demandas: Vozes do Território da Amazônia para a COP30, entregue ao Enviado Especial da ONU para COP30 Joaquim Belo e que será apresentada como contribuição às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil.

Segundo Irmã Irene Lopes, secretária executiva da REPAM-Brasil, a iniciativa tem como foco a democratização do debate climático:

“A cartilha ‘ABC das COPs’ foi o ponto de partida das rodas de conversa. Ela explica o que é a conferência do clima da ONU e por que a COP30 é tão importante. Essa agenda costuma ficar restrita a salas de reunião e a grupos privilegiados. Com as rodas, tiramos essa discussão desses espaços e levamos para quem mais sente os efeitos da crise: as comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas, pescadoras e extrativistas. A carta nasce dessa escuta real e enraizada.”

A força das rodas de conversa nos territórios


Metodologia desenhada da roda de conversa na Comunidade Alegria, no município de Timbiras (MA).
 
A metodologia das rodas de conversa, realizada em cinco estados da Amazônia Legal, foi o coração do processo de escuta popular que deu origem à Carta de Demandas. Ao todo, foram 18 encontros em comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e quilombolas do Pará, Tocantins, Maranhão, Roraima e Mato Grosso — com destaque para cidades e municípios como Santarém, Ananindeua, Marabá, Paulino Neves, Araguaína, Bacabal, Afuá, Cuiabá e diversos outros.

Um dos momentos marcantes foi a roda de conversa, no Quilombo Catucá, em 4 de junho, na zona rural da Diocese de Bacabal (MA). Mobilizada pelas mulheres do território, em parceria com a irmã Alessandra e com apoio da REPAM-Brasil, a roda de conversa foi realizada em articulação com a Escola Quilombola Catucá. O encontro fortaleceu o protagonismo das mulheres negras na luta pelo bem viver e reuniu partilhas profundas sobre os efeitos das mudanças climáticas, a escassez de água e as dificuldades enfrentadas no cultivo de hortaliças afetadas pelo calor extremo.

Durante a atividade, Arlete Gomes, coordenadora de projetos da REPAM, acompanhou as mulheres quilombolas em visitas aos quintais produtivos da comunidade:

“Foi emocionante ver como essas mulheres resistem todos os dias às mudanças do clima. Elas plantam, colhem, cuidam da terra, mesmo com o calor castigando as hortas e a água ficando mais escassa. É desse chão, desses corpos-territórios, que surgem as propostas mais potentes para a COP30.”

Arlete destaca que a legitimidade da carta está enraizada nesse processo:
“Toda a comunidade participou: crianças, jovens, anciões, donas de casa, produtoras. As cartas foram escritas à mão, desenhadas. Elas são o espelho dos territórios mais distantes da Amazônia. Recebemos muitas falas dizendo: ‘a carta me representa’. Isso mostra que a escuta foi real.”

Para ela, o método foi mais que um instrumento de consulta — foi também um gesto político de devolução de voz:

“As rodas permitiram capilarizar o debate climático e integrar os povos da floresta à agenda global com afeto, sabedoria e incidência concreta.”
 

Quilombola Catucá – MA (Divulgação: REPAM-Brasil)
 
 
Justiça climática começa onde a floresta vive

O documento denuncia que as mudanças climáticas já afetam profundamente a vida nas comunidades: doenças respiratórias causadas pela fumaça das queimadas, escassez de alimentos, secas severas, contaminação de rios e avanço de doenças infecciosas são apenas alguns exemplos.
A carta também alerta para os impactos das grandes obras de infraestrutura, como a construção e ampliação de rodovias federais (como a BR-319 e BR-163), que têm colocado em risco comunidades inteiras e acelerado o desmatamento. O avanço de empreendimentos sem consulta prévia às comunidades viola direitos constitucionais e amplia a vulnerabilidade de povos tradicionais diante da crise climática.

Propostas prioritárias da Carta de Demandas

Entre os principais pontos do documento estão:
Criação de planos emergenciais para enfrentar secas, fumaça e queimadas;
Moratória de obras de infraestrutura sem consulta prévia às comunidades;
Proteção de defensoras e defensores ambientais;
Acesso universal à água potável e ar puro como direitos inegociáveis;
Incentivo à agroecologia como estratégia de mitigação e autonomia;
Participação efetiva dos povos da Amazônia nas políticas climáticas.

Compromisso com o território

A escolha de Joaquim Belo para receber a carta carrega um simbolismo profundo. Líder extrativista com longa trajetória na defesa das comunidades tradicionais da Amazônia, ele atua hoje como secretário de Formação e Comunicação do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), organização que presidiu por três mandatos. Ao longo dos anos, tem participado ativamente de conselhos e comitês voltados à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Sua presença como enviado especial da COP30 representa não apenas uma missão institucional, mas também o compromisso de alguém que vem do próprio território e entende, na pele, o que está em jogo.
Ao receber a carta, Joaquim destacou o valor da solidariedade aprendida com a floresta, com os rios e com quem sempre cuidou desse ambiente:

“Foi nesse chão que aprendi o que é ser solidário — com a natureza, com o povo, com a vida. A carta expressa isso com força: o valor da floresta, da biodiversidade e de quem cuida. A gente sente isso na pele. Essa floresta cuida de todos nós. Esse rio cuida de todos nós. E esse ambiente, hoje, está sendo maltratado.”

Ele reforçou que essa luta exige alianças com a natureza e responsabilidade com o futuro:

“Sempre digo que a gente precisa caminhar junto com a diversidade, com a floresta, com os rios. Eles estavam aqui antes de nós — e precisam continuar existindo para as próximas gerações. Essa é a responsabilidade que levamos à COP30: apontar soluções reais, em nome do que nos antecede e do que virá.”

E concluiu com um compromisso firme:
“Vou fazer dela um bom uso naquilo que couber pra defender. Quero que vocês acreditem nisso. É o que fiz a minha vida toda.”

A entrega da Carta de Demandas: do Território da Amazônia para a COP30 marca, assim, um passo decisivo para uma COP30 com raízes nos territórios e olhos no futuro. Porque justiça climática não se escreve de cima para baixo — ela se constrói com quem nunca deixou de resistir

 FONTE/CRÉDITOS: Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil

Papa Leão XIV expressa apoio aos cristãos vítimas de violência e perseguição

Papa Leão XIV expressa apoio aos cristãos vítimas de violência e perseguição

O Pontífice lembrou os cinquenta anos da declaração de Helsinque que deram início a uma nova era geopolítica favorecendo uma reaproximação

Papa Leão XIV expressa apoio aos cristãos vítimas de violência e perseguição
VATICAN MEDIA

Ao término da audiência geral desta quarta-feira, Leão XIV renovou seu pesar pelo recente ataque terrorista na República Democrática do Congo em que morreram mais de quarenta cristãos. O Pontífice lembrou os cinquenta anos da declaração de Helsinque que deram início a uma nova era geopolítica favorecendo uma reaproximação entre o Oriente e o Ocidente, animada pelo desejo de garantir a segurança no contexto da Guerra Fria, e destacou a participação ativa da Santa Sé na Conferência de Helsinque. Foi a exortação do Santo Padre ao término da audiência geral desta quarta-feira (30/07), realizada na Praça São Pedro, ao retomar o habitual encontro semanal com fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo.

”Renovo meu profundo pesar pelo brutal ataque terrorista ocorrido na noite de 26 para 27 de julho em Komanda, no leste da República Democrática do Congo, onde mais de quarenta cristãos foram mortos na igreja durante uma vigília de oração e em suas casas. Ao confiar as vítimas à amorosa misericórdia de Deus, rezo pelos feridos e pelos cristãos em todo o mundo que continuam a sofrer violência e perseguição, exortando aqueles com responsabilidades locais e internacionais a trabalharem juntos para evitar tragédias semelhantes”, essa foi a exortação do Santo Padre ao término da audiência geral desta quarta-feira (30/07), realizada na Praça São Pedro, ao retomar o habitual encontro semanal com fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo. 

Em seguida, o Pontífice lembrou que na próxima sexta-feira, 1º de agosto, recorre o cinquentenário da assinatura da Ata Final de Helsinque. “Motivados pelo desejo de garantir a segurança no contexto da Guerra Fria, 35 países inauguraram uma nova era geopolítica, promovendo uma reaproximação entre o Oriente e o Ocidente”, destacou o Papa Leão XIV, ressaltando a participação ativa da Santa Sé.

Aquele evento também marcou um interesse renovado pelos direitos humanos, com especial atenção à liberdade religiosa, considerada um dos fundamentos da então incipiente arquitetura de cooperação, de Vancouver a Vladivostok. A participação ativa da Santa Sé na Conferência de Helsinque, representada pelo arcebispo Agostino Casaroli, contribuiu para fomentar o compromisso político e moral com a paz. Hoje, mais do que nunca, é essencial preservar o “espírito de Helsinque”, perseverar no diálogo, fortalecer a cooperação e fazer da diplomacia o meio privilegiado para prevenir e resolver conflitos.

 FONTE/CRÉDITOS: VATICAN NEWS