Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos

Local onde nasceram as primeiras assembleias indígenas de Roraima recebe encontro que resgata memória, e resistência dos povos da Raposa Serra do Sol.

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos
Foto Lucas Rosseti – Rádio Monte Roraima fm

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, palco de uma das mais emblemáticas lutas pela demarcação de terras no Brasil, volta a ser centro de mobilização, memória e espiritualidade com a realização do Jubileu dos Povos Indígenas neste fim de semana. O evento ocorrerá na região do Surumu, onde a caminhada pela autonomia e pelos direitos dos povos originários de Roraima teve início ainda na década de 1970.

Mais que uma celebração, o Jubileu marca um reencontro com a história e com os princípios que nortearam as primeiras assembleias dos tuxauas, líderes tradicionais que, enfrentando violência e invasões, decidiram se unir para proteger suas terras, culturas e modos de vida. Foi justamente em uma dessas assembleias, realizada na comunidade Barro, em 1971, que germinou a semente de uma grande organização indígena.

Padre Giorgio Dal Bem, missionário italiano que chegou à Raposa Serra do Sol em 1972 e fundou a Missão Maturuca, destaca a profundidade histórica e espiritual deste momento:


“A partir da Palavra, passou-se a um projeto de Deus, e essa jornada foi muito frutífera. Em 1977, houve uma reunião histórica aqui chamada de ‘ou vai ou racha’, na qual algumas lideranças do povo decidiram abandonar a bebida e a desunião, buscando garantir a vida do povo indígena e da comunidade. Desde então, desenvolveram muitos projetos ao longo dessa história.”

Esse encontro, conhecido como a Assembleia do Vai ou Racha, ocorreu na comunidade indígena Maturuca, e representou um divisor de águas. Além de romper com o uso de bebidas alcoólicas, que fragilizavam as comunidades, as lideranças decidiram fortalecer a unidade entre as regiões. Dessa decisão nasceram os conselhos regionais — estruturas que permitiram maior articulação e resistência frente à exploração ilegal das terras por fazendeiros, garimpeiros e outros invasores.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR), hoje referência na luta pelos direitos indígenas, teve suas raízes lançadas nesses encontros. A formalização do CIR ocorreu em 1990, logo após a transformação de Roraima em estado, mas a trajetória de organização coletiva vinha de duas décadas antes. Um dos primeiros conselheiros regionais foi o tuxaua Gabriel Macuxi, da região Raposa.

A terra Raposa Serra do Sol foi por décadas alvo de disputas e violência. A luta pelo reconhecimento e pela demarcação durou mais de 30 anos, com confrontos que deixaram marcas profundas nas comunidades. Muitos indígenas foram expulsos, outros assassinados, mas a resistência permaneceu firme. Em 2005, a terra foi finalmente homologada, tornando-se um marco jurídico e político para os direitos indígenas no Brasil.

Projetos como “Uma vaca para o índio”, lançado em 1980 para incentivar a criação comunitária de gado, também surgiram nesse contexto de reconstrução e fortalecimento das comunidades. O projeto permanece até hoje como símbolo da autonomia econômica indígena.

Além da luta pela terra, o Jubileu celebra também conquistas em áreas essenciais como saúde e educação. A criação do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, a formação de professores e agentes de saúde indígena, e a implantação do Grupo de Proteção e Vigilância Territorial (GPVIT) são frutos desse longo percurso de resistência.

O evento deste fim de semana é uma continuidade do Jubileu de Ouro da Missão Maturuca, celebrado em 2023 com grandes momentos de espiritualidade, como a romaria com a Cruz Peregrina, a missa solene com Crisma e homenagens às lideranças e missionários que caminharam junto aos povos. Na ocasião, Dom Evaristo Pascoal Spengler destacou: “Essa missão é um testemunho de compromisso e transformação.”

 

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima

Entre os dias 21 e 23 de abril, Dom Evaristo, juntamente com a equipe diocesana jubilar, realizou a Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima, localizada na periferia de Boa Vista.

Durante a visita, Dom Evaristo percorreu as comunidades que fazem parte da área e conheceu de perto o trabalho desenvolvido pelo Projeto Poço da Samaritana.

A visita jubilar foi encerrada na noite do dia 23, com a celebração eucarística, que contou com a presença da equipe sinodal.

 

 

 

 

 

 

Conheça a história do jovem indígena de Roraima que será ordenado no Jubileu dos Povos Indígenas

Essa é a primeira ordenação indígena em um jubileu dedicado aos povos originários no Brasil.

Neste sábado (26), a Diocese de Roraima celebra um momento histórico para a Igreja e para os povos originários: a ordenação diaconal do seminarista Djavan André da Silva, jovem indígena do povo Macuxi. A celebração será presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima, no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, na Comunidade Indígena Surumu, durante o Jubileu dos Povos Indígenas.

É neste solo de memória, resistência e fé que será celebrado o 1º Jubileu dos Povos Indígenas do país, dentro das comemorações dos 300 anos de evangelização na região amazônica e em sintonia com o Jubileu da Esperança, convocado pelo Papa Francisco (In memorian) para o ano de 2025.

A ordenação diaconal representa o primeiro grau do sacramento da ordem, caracterizando-se como um ministério de serviço à Igreja e às comunidades. Para Djavan, esse chamado é, acima de tudo, um sinal de fé e entrega. “Para mim é um chamado que me fortalece. A cada dia Deus tem me chamado e eu tenho respondido com o meu sim para continuar aqui na Igreja de Roraima a evangelização”, afirmou o futuro diácono.

Dom Evaristo Spengler expressa sua alegria nessa nova etapa vocacional de Djavan. Segundo o bispo, o jovem “foi convidado a servir a Deus nessa nossa Diocese de Roraima. A sua vocação é um grande sinal do amor de Deus e da sua fidelidade para com os povos indígenas e todo o povo de Deus.”

Nascido em 12 de abril de 1997, na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Djavan recebeu aos 13 anos o sacramento da Eucaristia, e em 2015, a Crisma. Seu processo vocacional começou cedo, ainda na comunidade. “Meu processo vocacional surge ali na Comunidade Indígena, onde meus pais moram, onde aquele povo que habita a Terra Indígena, a maioria do povo Macuxi, onde eu também faço parte”, relembra.

Em 2016, Djavan ingressou no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista. No ano seguinte, foi para Manaus, onde continuou sua formação no Seminário Arquidiocesano São José. Entre 2017 e 2023, cursou Filosofia e Teologia. Em 2023, retornou a Roraima para dar continuidade à sua caminhada pastoral.

vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo, destaca a sensibilidade pastoral e a disposição missionária de Djavan, que fez estágio pastoral em diversas comunidades.

Vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo – Foto: Dennefer Honorato 

“Ele é uma vocação do nosso tempo, do nosso povo, da nossa Igreja local. Um jovem que cresceu, amadureceu na fé, sempre aberto ao diálogo, à escuta e à vida comunitária. Ele fez a escolha de servir e agora será ordenado diácono no meio do seu povo, na terra onde nasceu”.

Durante sua formação, Djavan realizou estágios pastorais em comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas, entre elas, a Raposa Serra do Sol, o Baixo Rio Branco, Pacaraima, Caracaraí, Iracema e a Área Missionária Santa Rosa de Lima, onde exercerá seu ministério diaconal. O vigário geral da Diocese, Padre Josimar Lobo, que acompanhou de perto sua trajetória, destacou: “É uma vocação diocesana que surge no meio das comunidades para as comunidades”.

Seus pais, Djacir Melchior da Silva e Sarlene André,  foram fundamentais em sua formação cristã. ” Ver meu filho Djavan se tornando diácono no Jubileu dos Povos Indígenas enche meu coração de orgulho. Desde criança ele foi diferente – obediente, calmo e dedicado aos estudos. Quando nos mudamos para a cidade para que ele e os irmãos pudessem estudar, foi Dom Roque quem nos ajudou a entender sua vocação. Ele comparou esse processo ao amadurecer de uma manga: devagar, no tempo certo. Hoje, como povo Macuxi, vemos nele a realização de um sonho coletivo – ter nosso primeiro diácono indígena ordenado em terras sagradas do Surumu, onde nossos ancestrais resistiram, disse o pai.

Segundo a Sarlene André, este é um sonho realizado, “Antes mesmo de Djavan nascer, eu sonhava: ‘Se for menino, que seja padre’. Desde pequeno ele mostrava esse chamado – brincava de celebrar missa com bolachas e reunia as crianças da comunidade. Aos 12 anos, me disse firmemente: ‘Mãe, não vou casar’. Chorava muito, pois ele é meu caçula, mas sempre apoiei seu sonho. Quando entrou no seminário, entendi que Deus estava cumprindo aquela promessa. Agora, ver seu nome ligado ao primeiro Jubileu dos Povos Indígenas me enche de alegria. Rezo para que ele seja luz não só para nossa família, mas para todos os povos originários que buscam seu lugar na Igreja.”

Pais do jovem Djavan. Senhor Djacir Melchior da Silva e Sarlene André. Foto: Diocese de Roraima.

Djavan também conta com o apoio de pessoas que marcaram sua caminhada, como sua madrinha de batismo, Deolinda Melchior da Silva. Segundo ela, “essa ordenação representa um chamado, é um convite para os jovens, principalmente indígenas que estão iniciando na fé. Ele é um exemplo”.

O seminarista partilha o sentimento que o move nesta caminhada: “É uma caminhada vocacional que exige muito empenho, esforço, dedicação, disponibilidade, na qual a gente se entrega mesmo para o serviço da Igreja.” E conclui com emoção: “Mãe, meu sonho vai ser realizado.”

Dom Evaristo acredita que esta ordenação será exemplo para tantos jovens que querem seguir essa vocação. “Assim como o Djavan respondeu ao chamado de Deus, certamente muitos outros jovens também atenderão a este chamado”, afirmou.

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

 

O corpo do Papa Francisco da Casa Santa Marta à Basílica de São Pedro

O corpo do Papa Francisco no interior da Basílica vaticana  (ANSA)

Vatican News

Da sua residência na Casa Santa Marta à Basílica de São Pedro, onde os restos mortais do Papa Francisco, que faleceu na segunda-feira de Páscoa, receberão a homenagem dos fiéis antes da Missa das Exéquias programada para sábado. Primeiro a oração introdutória na capela da Casa Santa Marta, depois a procissão com os cardeais, os patriarcas, o cardeal Camerlengo Kevin Farrell e o mestre das celebrações papais, dom Diego Ravelli. Sobre os ombros dos “sediários” pontifícios, o caixão como corpo do Papa percorreu a Via della Sacrestia, passando pela Praça dos Protomártires Romanos e saindo para a Praça São Pedro pelo Arco dos Sinos. Vinte mil pessoas, com longos aplausos, saudaram a passagem do corpo do Papa Francisco. A procissão chegou ao interior da Basílica e, em frente ao Altar da Confissão, o caixão com o corpo do Papa foi colocado no chão. Às 11h o início a homenagem dos fiéis. A Basílica permanecerá aberta até a meia-noite. Amanhã, a abertura está programada para as 7h e o fechamento à meia-noite. Na sexta-feira, véspera do funeral, ela estará aberta das 7h às 19h.

Fonte/créditos: Vaticans News

CNBB suspende sua 62ª Assembleia Geral em virtude da morte do Papa

Reunião anual do episcopado brasileiro foi transferida para 2026; decisão foi deliberada em reunião extraordinária do Conselho Permanente da CNBB.

Com o falecimento do Papa Francisco, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu suspender sua 62ª Assembleia Geral que seria realizada de 30 de abril a 9 de maio em Aparecida (SP). 

O Conselho Permanente da CNBB reuniu-se ontem, de forma extraordinária, para deliberar a respeito. Com a complexidade de encontrar novas datas e locais para a realização da Assembleia ainda este ano, decidiu-se transferi-la para 2026. A nova data é de 15 a 24 de abril. 

Entre os temas centrais da 62ª Assembleia Geral da CNBB estavam a missão da Igreja no Brasil e da realidade brasileira. De forma particular, destaque para a recepção do Sínodo sobre a Sinodalidade e aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).

Dentre os bispos que participam da Assembleia Geral, alguns são cardeais e se preparam para ir a Roma para o Conclave. Atualmente, o Brasil tem oito cardeais, dos quais sete votam, por não terem completado a idade de 80 anos, definida como limite para a participação como um cardeal eleitor. Mas todos podem ser votados. São eles:

– o arcebispo de São Paulo (SP), Cardeal Odilo Scherer (75 anos)

– o arcebispo emérito de Aparecida (SP), Cardeal Raymundo Damasceno Assis (88 anos)

– o arcebispo emérito de Brasília (DF), Cardeal João Braz de Aviz (77 anos)

– o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), Cardeal Orani João Tempesta (74 anos)

– o arcebispo de Salvador (BA), Cardeal Sérgio da Rocha (65 anos)

– o arcebispo de Brasília (DF), Cardeal Paulo Cezar Costa (57 anos)

– o arcebispo de Manaus (AM), Cardeal Leonardo Steiner (74 anos)

– o arcebispo de Porto Alegre (RS), Cardeal Jaime Spengler (64 anos)

 FONTE/CRÉDITOS: Com informações: CNBB

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu

Encontro marca 300 anos de evangelização com seminário, peregrinação e ordenação diaconal de jovem indígena.

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu
Fotos: Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima Fm

Nos dias 25 e 26 de abril de 2025, a Diocese de Roraima realizará o Jubileu dos Povos Indígenas, no Centro Indígena de Formação e Cultura (Surumu), na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, território marcado pela resistência e pela história de luta dos povos originários.

 O evento, que integra as comemorações pelos 300 anos de evangelização na região, também celebra o Jubileu da Esperança — convocado pelo Papa Francisco (In Memoriam) para 2025. Em meio à dor da perda do Pontífice, que dedicou seu pontificado aos pobres e marginalizados e à defesa dos povos indígenas, a Diocese optou por manter a programação como forma de honrar seu legado de esperança e compromisso com os mais vulneráveis.

Sob o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, a programação inclui reflexões, testemunhos, celebrações culturais e uma grande peregrinação, culminando com a Ordenação Diaconal do seminarista indígena Djavan André da Silva, um jovem Macuxi, se tornará o primeiro diácono de sua etnia. O momento celebra a harmonia entre a fé católica e as culturas tradicionais

Fotos: Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima Fm

“Surumu é um lugar sagrado de luta e esperança. Aqui, reafirmamos nosso compromisso com os povos originários, especialmente diante das ameaças do garimpo ilegal e do Marco Temporal”, destacou o bispo de Roraima, dom Evaristo Pascoal Spengler.

  Dom Leonardo Steiner, presidente do CIMI, dirigiu-se afetuosamente aos presentes, saudando especialmente os irmãos e irmãs indígenas. “Queridos irmãos e queridas irmãs, queridos irmãos indígenas, queridas irmãs indígenas, querido irmão Dom Evaristo.   Quantas lutas, quantas mortes, quantas lutas e quantas conquistas, porque viveram da esperança. A esperança fortifica o coração de cada um, de cada uma, e que essa luta nós possamos fazer juntos, para que a dignidade, a cultura, a fé de cada um, de cada uma, de cada povo, possa ser levada em consideração e sejam respeitadas. Deus abençoe a cada um. Vamos viver esse ano jubilar na esperança”, finalizou.

Programação

25 de abril – Sexta-feira

08h às 17h – Seminário “Memória e compromisso da Igreja de Roraima com

os povos indígenas”

Um espaço de escuta, partilha e análise sobre a caminhada da Igreja junto aos povos indígenas, reconhecendo lutas, avanços e desafios, à luz do Evangelho e da missão eclesial na Amazônia.

26 de abril – Sábado

08h30 – Concentração no Aeroporto de Surumu

09h00 – Peregrinação rumo ao Centro Indígena de Formação

Celebração Eucarística com a Ordenação Diaconal de Djavan André da Silva

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima fm

Exéquias do Papa Francisco: sábado na Praça São Pedro

O Vaticano anunciou os detalhes das exéquias do Papa Francisco. Em 23 de abril, o corpo será trasladado à Basílica de São Pedro. A Missa das Exéquias será celebrada em 26 de abril, seguida do sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior.

Vatican News

O Departamento de Celebrações Litúrgicas do Vaticano anunciou os detalhes das exéquias do Papa Francisco. A cerimônia segue as indicações estabelecidas no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, documento que rege os ritos funerários do Pontífice Romano.

Traslado para a Basílica de São Pedro

Na quarta-feira, 23 de abril, às 9h (horário local), o corpo do Papa Francisco será trasladado da Capela da Casa Santa Marta até a Basílica de São Pedro. A condução da urna será precedida por um momento de oração, presidido pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana.

A procissão seguirá pela Praça Santa Marta e pela Praça dos Protormártires Romanos, saindo pelo Arco dos Sinos até a Praça de São Pedro, entrando em seguida na Basílica Vaticana pela porta central. Diante do Altar da Confissão, o cardeal camerlengo conduzirá a Liturgia da Palavra, após a qual será aberto o período de visitação à urna mortuária do Papa Francisco.

Exéquias e sepultamento

No sábado, 26 de abril, às 10h (horário local), será celebrada a Missa das Exéquias, que marca o primeiro dia do Novendiali (novenário), os nove dias de luto e orações em honra ao Pontífice falecido. A celebração ocorrerá no átrio da Basílica de São Pedro e será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício.

Ao final da celebração eucarística, ocorrerão os ritos da Última Commendatio e da Valedictio — despedidas solenes que marcam o encerramento das exéquias. Em seguida, o caixão do Papa será levado novamente para o interior da Basílica de São Pedro e, de lá, transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, onde será realizada a cerimônia de sepultamento.

Diversos chefes de Estado e de governo já anunciaram oficialmente sua presença para prestar homenagem ao Pontífice falecido.

Fonte: Vaticans News

Papa Francisco falece por derrame cerebral e parada cardíaca irreversível, confirma Vaticano

Declaração de óbito, assinada pelo Prof. Andrea Arcangeli (Diretor de Saúde do Vaticano), atesta morte registrada por exame eletrocardiotanatográfico.

Papa Francisco (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

O mundo está de luto nesta segunda-feira, 21, com o falecimento do Papa Francisco, aos 88 anos. O Vaticano divulgou oficialmente que o pontífice, cujo nome de batismo era Jorge Mario Bergoglio, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de parada cardiorrespiratória irreversível, às 7h35 desta manhã, em sua residência na Casa Santa Marta.

Em comunicado emocionado, a Santa Sé afirmou: “Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza anunciamos a volta à Casa do Pai de nosso amado Santo Padre Francisco. Sua vida foi um dom total ao serviço de Deus e da Igreja”.

O Papa vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses. Entre fevereiro e março deste ano, ficou hospitalizado por 37 dias devido a uma grave insuficiência respiratória causada por pneumonia bilateral. Apesar das limitações, no Domingo de Páscoa, ele abençoou os fiéis na Praça de São Pedro em uma emocionante aparição pública.

Causas da morte detalhadas pelo Vaticano

O professor Andrea Arcangeli, diretor do Departamento de Saúde do Vaticano, assinou a declaração de óbito, que aponta como causas diretas do falecimento:

  • Derrame cerebral
  • Coma
  • Parada cardiorrespiratória irreversível

O documento também menciona condições pré-existentes que debilitavam sua saúde:

  • Insuficiência respiratória aguda por pneumonia bilateral
  • Bronquiectasias múltiplas
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes tipo 2

A morte foi confirmada por exame eletrocardiotanatográfico. “Declaro, segundo minha ciência e consciência, que as causas do óbito são as acima descritas”, afirmou Arcangeli no relatório oficial.

 FONTE/CRÉDITOS: Com informações: Vatican News

Diocese de Roraima presta homenagem ao Papa Francisco com Missa nesta segunda-feira

A missa em homenagem ao Papa ocorrerá na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Boa Vista.

A Diocese de Roraima realiza, nesta segunda-feira (21), às 18h, uma Santa Missa em intenção pela Páscoa do Papa Francisco. A celebração ocorrerá na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Boa Vista, reunindo fiéis e autoridades religiosas em um momento de fé, gratidão e despedida.

O falecimento do Papa Francisco, ocorrido na madrugada desta segunda-feira, marca profundamente a Igreja Católica em todo o mundo. Em Roraima, a dor da perda se une ao reconhecimento por tudo o que o pontífice representou para a Igreja, especialmente para a Amazônia e os povos mais vulneráveis.

Papa Francisco / Foto Vaticam News Copyright Vatican Media©

O Bispo de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, em coletiva de imprensa no auditório da Rádio Monte Roraima Fm, relembrou com emoção o legado do Papa Francisco, destacando sua simplicidade, humanidade e compromisso com os pobres, os migrantes, a paz e o cuidado com a Casa Comum.

“Francisco foi um Papa diferente desde o início. Ao ser eleito, escolheu o nome inspirado em São Francisco de Assis, um santo que deixou a riqueza da casa do pai para viver com os pobres e os leprosos. Esse nome já indicava o tipo de Papa que ele seria: simples, próximo, humano. Um líder que não quis manto vermelho, que escolheu viver em uma casa simples junto aos bispos, que servia seu próprio café e caminhava entre as pessoas como um igual”, contou Dom Evaristo.

O bispo de Roraima também compartilhou lembranças pessoais com o Papa, como os encontros durante o Sínodo para a Amazônia e a visita ad limina em 2022. Em um desses momentos, Dom Evaristo mostrou a Francisco uma foto de sua primeira comunhão, no dia em que se celebrava o aniversário daquele sacramento na vida do Papa. “Ele olhou a foto, sorriu e confirmou: ‘Sou eu’. Guardarei esse momento com muito carinho”, relatou.

Foto arquivo pessoal.

Francisco foi o primeiro Papa latino-americano da história da Igreja e teve papel crucial na visibilidade das causas amazônicas, sociais e ambientais dentro do Vaticano. Ele promoveu uma Igreja sinodal, missionária e comprometida com os pobres, os povos indígenas e os esquecidos do mundo.

“Estamos diante da perda do maior líder espiritual do século XXI. Um homem que dialogava com todos: religiosos, não religiosos, de diferentes crenças. Ele aproximava pessoas e construiu pontes onde existiam muros. Sua voz era um clamor pela paz e pela justiça”, afirmou Dom Evaristo.

Nota oficial da Diocese de Roraima

Em nota de pesar publicada nesta segunda-feira, a Diocese de Roraima destacou o impacto global e local do pontificado de Francisco:

“Francisco surpreendeu o mundo com sua eleição, com a escolha do seu nome, com a alegria e o sorriso sincero. Ele quebrou protocolos com gestos concretos e com seu jeito simples. Com profetismo e segurança, animou a Igreja e abordou temas e situações difíceis. Trouxe uma fé comprometida com a justiça social, a misericórdia e o cuidado com os pobres e com a casa comum.”

“Promoveu uma Igreja missionária e sinodal, reencantando a vivência do batismo e destacando o protagonismo dos leigos e das mulheres. Trouxe a Amazônia para o centro da Igreja, colocando em pauta as questões socioambientais, culturais e ministeriais. Inspirado por São Francisco de Assis, o Papa foi uma voz incansável na defesa dos mais pobres, dos migrantes e na denúncia da exclusão.”

A nota foi assinada por Dom Evaristo Pascoal Spengler, que encerra o comunicado com um convite à oração e à continuidade do legado deixado pelo Papa:

“Com a certeza da ressurreição e da vitória da vida, convidamos a todos a rezar pela Igreja Universal e manter viva a chama da esperança e da misericórdia que Francisco acendeu.”

Celebração em Boa Vista

A Missa desta segunda-feira, às 18h, será um momento de unidade e reflexão, em que a Diocese convida toda a comunidade para render graças pela vida e missão do Papa Francisco. A celebração também marca o início de um período de vacância na liderança da Igreja, até a escolha do novo pontífice pelos cardeais reunidos em conclave.

Missa de páscoa do Papa Francisco ocorrerá na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Boa Vista.

“Rezamos para que o próximo Papa continue esse caminho de misericórdia e missão. A Igreja não pode retroceder. Francisco nos ensinou que a Igreja é casa para todos, e que não somos melhores do que ninguém. Somos chamados à santidade, caminhando juntos”, afirmou Dom Evaristo.

Confira a nota da Diocese na íntegra:

FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa -Rádio Monte Roraima FM

Nota de Falecimento do Papa Francisco

Nota de Falecimento do Papa Francisco

* 17-12-1936   †21-04-2025

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,70)

É com profundo pesar que a Igreja em Roraima e em todo mundo recebe a notícia da Páscoa definitiva do Papa Francisco, ocorrida na madrugada desta segunda feira, início do Tempo Pascal. Ele que sempre confiou na misericórdia de Deus, agora retorna à Casa do Pai, onde viverá a plenitude do Reino da Vida.

Francisco surpreendeu o mundo, com sua eleição, com a escolha do seu nome, com a escolha do lugar onde foi morar, com a sua alegria e o seu sorriso sincero. Ele quebrou protocolos com gestos concretos na vivência da fé e com seu jeito simples e próximo das pessoas. Com profetismo e segurança animou a Igreja e abordou temas e situações difíceis. Ele é o primeiro papa latino-americano da história da Igreja, e trouxe uma visão de fé comprometida com a justiça social, a misericórdia e o cuidado com a casa comum e os mais pobres.

Francisco volta ao melhor da Igreja, às fontes da inspiração da fé. Promoveu uma Igreja missionária e sinodal em saída permanente, reencantando a vida cristã na vivência do batismo, no acolhimento, na misericórdia, destacando o protagonismo dos leigos e das mulheres.

Francisco colocou a Amazônia em pauta na Igreja, trazendo-a da periferia para o centro. Com a convocação do Sínodo para a Amazônia, colocou no coração da Igreja e no centro das reflexões teológicas e pastorais grandes temas ligados às questões socioambientais, culturais, ministeriais, povos originários, diálogo com os diferentes, que inspira a Igreja toda a abrir caminhos novos, rumo às periferias, e no cuidado com a Casa Comum.

Inspirado por São Francisco de Assis, o Papa é uma voz incansável na defesa e no cuidado para com os pobres, denunciando a economia da exclusão e o “deus dinheiro”. Sua encíclica Laudato Si’ (2015) mudou significativamente o debate ecológico, ligando a crise ambiental à injustiça social e propondo uma “conversão ecológica”. Na encíclica Fratelli Tutti (2020) reforçou seu chamado à fraternidade universal, convidando a acolher, proteger, promover e integrar aos migrantes, refugiados e a todos os sem pátria.

Pessoalmente, minha vida também foi profundamente marcada pelo Papa Francisco, pela minha nomeação como bispo, em 2016, a convivência e a proximidade no Sínodo para a Amazônia e na visita ad limina em 2022.

Neste momento de dor e gratidão, com a certeza da ressureição e da vitória da vida, que celebramos na Páscoa, convidamos a todos a rezar pela Igreja Universal e manter viva a chama da esperança e da misericórdia que Francisco acendeu. Que seu exemplo nos guie e que ele, agora, participe da plenitude do Reino da Vida.

Viva a alegria dos bem aventurados!

Boa Vista-RR, 21 de abril de 2025

Dom Evaristo Pascoal Spengler, OFM

Bispo de Roraima