Povos indígenas celebram missa de ação de graças pela canonização de São José Allamano na Terra Indígena Raposa Serra do Sol

Povos indígenas celebram missa de ação de graças pela canonização de São José Allamano na Terra Indígena Raposa Serra do Sol

A missa ocorreu neste final de semana nos dias 14 a 16 de fevereiro, reunindo mais de 150 indígenas das regiões Surumu, Raposa, Serras e Baixo Cotingo

Povos indígenas celebram missa de ação de graças pela canonização de São José Allamano na Terra Indígena Raposa Serra do Sol
Padre Mugewa Joseph – Raposa Serra do Sol

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Nos dias 14 a 16 de fevereiro, ocorreu a Santa Missa de Ação de Graças pela Canonização de São José Allamano, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A celebração ocorreu na escola do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, no Surumu, reunindo mais de 150 indígenas das regiões Surumu, Raposa, Serras e Baixo Cotingo, além de missionários da Consolata e lideranças religiosas.

A missa foi presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, Bispo da Diocese de Roraima, e contou com a participação de Dom Zenildo Luiz, Bispo da Prelazia de Borba. O evento marcou não apenas a gratidão pela canonização de São José Allamano, mas também relembrou a caminhada dos povos indígenas junto aos missionários da Consolata desde sua chegada à região em 1948.

Segundo o padre Mugewa Joseph, organizador do evento, destacou que a canonização de Allamano é um sinal do amor de Deus pelos mais sofridos e marginalizados. “O milagre que levou à sua canonização é um chamado à conversão pessoal e social, especialmente para aqueles que interferem nos direitos dos povos indígenas”, afirmou. A intenção da missa foi dedicada à luta dos indígenas contra o marco temporal e a PEC 48, pedindo a intercessão de São José Allamano para que alcancem vitória em suas causas.

Homenagens

Durante a celebração, também foram homenageados dois missionários da Consolata que completaram 10 anos de ordenação sacerdotal: Pe. James Murimi, da missão Maturuca, e Pe. Victor Wafula Mbesi, da missão Cantagalo. A presença desses religiosos reforçou o vínculo entre a Igreja e as comunidades indígenas, destacando o trabalho missionário de promoção da vida, da cultura e dos direitos dos povos originários.

José Allamano

José Allamano, fundador dos Institutos dos Missionários da Consolata e das Irmãs Missionárias da Consolata, foi canonizado em 20 de outubro de 2024, no Vaticano, durante o Dia Mundial das Missões. Sua canonização foi resultado do reconhecimento de um milagre ocorrido na Missão Catrimani, na Amazônia brasileira, onde um indígena Yanomami foi curado de forma inexplicável após a intercessão de Allamano.

O Papa Francisco, durante a cerimônia de canonização, destacou que Allamano e os outros 14 novos santos canonizados naquele dia “viveram o estilo de Jesus: o serviço”. O pontífice também enfatizou a importância da atenção aos mais pobres e vulneráveis, citando especificamente o povo Yanomami e a necessidade de proteger seus direitos e territórios contra a exploração.

A Missão Catrimani, localizada na Amazônia brasileira, próxima à fronteira com a Venezuela, é um exemplo do legado de São José Allamano. Desde 1965, os missionários da Consolata têm trabalhado em defesa da vida, da cultura e do território do povo Yanomami, enfrentando desafios como a mineração ilegal e a poluição dos rios. O modelo de missão baseado no respeito e no diálogo promovido por Allamano tem sido fundamental para a construção de laços de amizade e alianças em prol do bem viver.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa

Presidência da CNBB expressa agradecimento ao Papa Francisco pela acolhida em audiência, em Roma, no último dia 6 de fevereiro

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou neste sábado, 15 de fevereiro, uma “Carta ao Papa Francisco” em agradecimento pela acolhida do Santo Padre em audiência no último dia 6 de fevereiro, no Vaticano. De 4 a 10 de fevereiro deste ano, cumprindo uma tradição, a presidência da CNBB foi recebida em audiências nos Dicastérios da Santa Sé, em Comissões e pelo Papa Francisco. Na série de audiências, a presidência da CNBB apresentou ao Santo Padre e aos Dicastérios o processo de Evangelização promovido pela Igreja no Brasil, incluindo o relatório: “CNBB 2024 – No caminho sinodal, rumo ao Ano Jubilar”.

“Agradecidos pelo acolhimento paterno quando de nossa audiência com Vossa Santidade no último dia 06 de fevereiro e, em nome dos Bispos do Brasil, manifestamos nossa comunhão fraterna e orações, expressando nossa profunda solidariedade neste momento em que Vossa Santidade se encontra em tratamento de saúde”, diz um trecho do documento.

Orações e cuidado

Na carta, a presidência da CNBB além do agradecimento pela acolhida em Roma, manifesta também a sua proximidade e cuidado ao Santo Padre, reconhecendo estar ciente de sua internação no hospital Agostino Gemeli para tratamento da bronquite.

“Elevamos nossas preces ao Bom Deus por sua pronta recuperação. (…) Em nossas comunidades espalhadas por todo o Brasil, o povo de Deus une-se em orações fervorosas, suplicando ao Senhor que lhe conceda saúde renovada e forças para continuar sua missão apostólica. Que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda junto a seu Filho pela sua pronta restauração”, diz o documento.

A presidência da CNBB reafirma também, no documento, a sua comunhão e obediência ao Sucessor de Pedro, “renovando nosso compromisso de caminhar juntos na construção de uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária e misericordiosa”.

fonte:Cnbb

Líderes da Igreja Católica do Brasil, América Latina e Caribe se reúnem na CNBB para debater a participação da Igreja na COP30

As Presidências da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e da Rede Eclesial para a América Latina e o Caribe (SELACC) se reunirão em Brasília nos dias 17 e 18 de fevereiro de 2025 para se preparar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30).

O encontro se concentrará no envolvimento da Igreja com a COP 30, que será realizada em novembro de 2025, na cidade Belém (PA). Os participantes discutirão as prioridades da Igreja para a COP 30, bem como estratégias de incidência e comunicação.

A reunião também incluirá uma revisão do trabalho recente da Igreja sobre mudanças climáticas, incluindo as seguintes reuniões:

* Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA)
* COP28
* COP16

Serviço

  • Reunião dia 17 – SE/Sul Quadra 801 Conjunto “B” 70.200-014. BRASÍLIA – DF
  • Reunião dia 18 – SGAN 905, Conjunto C, Asa Norte, CEP 70790-050, Brasília – DF

Contato imprensa: Eduardo (51) 99620-0094

Encontro das Pastorais Sociais: Fortalecimento do trabalho em rede e da sinodalidade

O Centro de Espiritualidade Crosta Rosa acolheu neste sábado 15 de fevereiro de 2025 o Encontro das Pastorais Sociais e Organismos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Foi “um momento de partilha da caminhada e também de lazer”, segundo a Ir. Rosiene Gomes, articuladora das Pastorais Sociais no Regional Norte1.

O encontro iniciou com a apresentação dos participantes, momento em que cada um falou sobre as perspectivas de cada pastoral e organismo para 2025, mostrando “o desejo de caminhar juntos neste processo de sinodalidade da nossa Igreja”, segundo a religiosa. Ela destacou que “todos apreciaram muito bem a experiência uns dos outros. São momentos gratificantes que enriquecem e fortalecem sempre mais a caminhada como Igreja no nosso Regional.”

As Pastorais Sociais e Organismos do Regional Norte 1 acolheram o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima, chegado recentemente no Regional, que presidiu a Eucaristia. “Uma presença muito bonita, uma presença também encorajadora, que anima sempre mais a caminhada, as lideranças, as pessoas que se dispõem a fazer esse processo de caminhada na nossa Igreja”, disse a Ir. Rosiene Gomes.

“O encontro das Pastorais Sociais e Organismos da CNBB Regional Norte 1 tem por objetivo a partilha da caminhada das pastorais sociais, o fortalecimento do trabalho em rede, bem como o fortalecimento da sinodalidade entre as pastorais e os organismos do Regional Norte 1”, segundo a secretária executiva do Regional, Ir. Rose Bertoldo. A religiosa enfatizou que “esse encontro foi marcado pela partilha das perspectivas de cada pastoral e organismo para 2025, bem como também alinhar a agenda da caminhada de cada um de cada uma, sempre nessa dinâmica do caminho em conjunto, nessa dimensão de caminhar junto, compartilhando, também as esperanças.”

“Na parte da tarde, foi um momento de lazer nessa dinâmica da integração entre as coordenações, um tempo de convivência, um tempo também de leveza, de descanso”, disse a Ir. Rose. Ela destacou igualmente a presença de dom Samuel, “que celebrou e refletiu com a gente, trazendo presente a importância da caminhada das pastorais sociais nessa dimensão de todas as igrejas do Regional Norte 1. Sendo esse sinal de profecia a presença viva de quem alimenta esse cuidado com a vida, a vida dos mais pobres nas igrejas locais.”

A articuladora da Caritas Regional, Marcia Maria Miranda, salientou que “para as pastorais do regional, esse é um momento de comunhão, de partilha e também de convivência. E é um momento muito importante e significativo para o fortalecimento das nossas ações.”

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

REPAM-Brasil e o compromisso com a Amazônia: desafios para o futuro e a COP 30

REPAM-Brasil e o compromisso com a Amazônia: desafios para o futuro e a COP 30

O presidente da Rede, Dom Evaristo Pascoal Spengler, destacou a importância do Plano Estratégico da entidade, que servirá como guia para as ações nos estados.

                                                                                                

REPAM-Brasil e o compromisso com a Amazônia: desafios para o futuro e a COP 30

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) segue desempenhando um papel fundamental na defesa da vida, dos povos e da biodiversidade da Amazônia. Criada em 2014, a entidade atua em toda a Amazônia Legal, abrangendo nove estados brasileiros e seis regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Em 2024, a REPAM-Brasil completa uma década de existência e, para os próximos anos, traçou um Plano Estratégico com diretrizes até 2030. O presidente da Rede, Dom Evaristo Pascoal Spengler, destaca a importância desse planejamento para fortalecer a atuação da entidade.

“Após um longo período de escuta, elaboramos o Plano Estratégico da REPAM-Brasil, que servirá como nossas principais linhas de ação para os próximos anos. Nossa rede conta com 16 comitês distribuídos pelo território amazônico e envolve dioceses, pastorais sociais e movimentos populares”, afirma o bispo.

Para o biênio 2024-2025, a Rede pretende fortalecer a iniciação à vida cristã e a pastoral vocacional, incentivando jovens a discernirem suas vocações, seja para o sacerdócio, diaconato ou vida religiosa. Além disso, há um forte engajamento na Campanha da Fraternidade de 2025, que abordará o tema “Fraternidade e Ecologia Integral”. Segundo Dom Evaristo, o compromisso da REPAM-Brasil incluirá incidência política junto ao Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, buscando promover o cuidado com a Casa Comum.

O desafio da COP 30

Outro ponto de grande relevância para a REPAM-Brasil em 2025 será a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorrerá em Belém do Pará, marcando os dez anos do Acordo de Paris. O evento será um marco para o Brasil, que assumirá o papel de anfitrião em meio a desafios climáticos globais, como financiamento para mitigação das mudanças climáticas, transição energética e combate ao desmatamento.

A Igreja Católica já iniciou sua mobilização, organizando eventos preparatórios conhecidos como pré-COPs. Segundo Dom Evaristo, encontros estão programados para acontecer em Belém, em março, e em Manaus, em maio. Além disso, cada diocese realizará debates regionais sobre a crise climática e a responsabilidade cristã diante da preservação ambiental.

“A COP 30 é um grande evento, mas é apenas um momento. O verdadeiro desafio é como podemos transformar a realidade da destruição ambiental que enfrentamos. Essa transformação precisa acontecer de forma sistemática, com um compromisso que ultrapasse os 11 dias da COP em Belém”, ressalta o bispo.

Com o fortalecimento da REPAM-Brasil e a mobilização para a COP 30, a Igreja reforça seu compromisso com a Amazônia e com as futuras gerações. A defesa dos povos e territórios amazônicos continua sendo uma prioridade para a instituição, que busca unir fé, consciência ecológica e ação concreta para garantir a preservação da maior floresta tropical do mundo.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo

Projeto Geoficinas promove conexão entre geografia e comunidade em Boa Vista

Projeto Geoficinas promove conexão entre geografia e comunidade em Boa Vista

As atividades ocorrerão de fevereiro a agosto de 2025, na Casa da Caridade Papa Francisco.

Projeto Geoficinas promove conexão entre geografia e comunidade em Boa Vista

                                                                      

A Universidade Federal de Roraima (UFRR), em parceria com a Cáritas Diocesana de Roraima, lançou o projeto Geoficinas: Um Diálogo Entre Conhecimento Científico e Benefício Comunitário. A iniciativa busca aproximar a ciência geográfica da comunidade, promovendo oficinas dinâmicas e educativas para adolescentes de 13 a 17 anos.

Com um total de 30 vagas, o projeto será dividido em duas turmas:

  • Matutina: 9h às 12h
  • Vespertina: 14h às 17h

As atividades ocorrerão de fevereiro a agosto de 2025, na Casa da Caridade Papa Francisco, localizada na Rua Floriano Peixoto, 402 – Centro, em Boa Vista. O objetivo é despertar nos jovens o interesse pela geografia, incentivando a compreensão da história territorial do Brasil e o impacto das questões socioeconômicas e ambientais na sociedade.

A estudante Noreles, participante do projeto, destacou a importância das Geoficinas para os jovens migrantes:
“Acho que esse projeto faz muito sentido para os migrantes e venezuelanos. Passei a conhecer melhor o país onde moramos, compreendendo que não se trata apenas de municípios e estados, mas de uma história territorial mais ampla. Essa é uma grande oportunidade para todos os jovens.”

Já Jéssica, estudante de Geografia da UFRR e uma das facilitadoras do projeto, ressaltou a relevância da iniciativa:
“Nosso objetivo é aproximar a universidade da população local e mostrar que a Geografia vai muito além da localização de estados e municípios. Ela nos permite compreender a história e a dinâmica do território. As oficinas acontecem todas as terças e quintas-feiras, das 19h às 21h, na Cáritas. As inscrições podem ser feitas pelo Instagram da Cáritas Roraima e do Levante Popular da Juventude de Roraima. Além das aulas regulares, teremos workshops abertos ao longo do semestre.”

O projeto Geoficinas é uma ação da UFRR e da Cáritas com a educação e a inclusão social, proporcionando aos jovens uma nova perspectiva sobre a geografia e sua importância na construção do conhecimento sobre o território brasileiro.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo

4ª Assembleia Eletiva da Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima Discute o Futuro da Ação Pastoral e a Dignidade dos Migrantes

4ª Assembleia Eletiva da Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima Discute o Futuro da Ação Pastoral e a Dignidade dos Migrantes

O encontro, realizado na Casa da Caridade, busca fortalecer as ações externas aos migrantes e promover reflexões sobre o papel da Igreja nesse context

4ª Assembleia Eletiva da Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima Discute o Futuro da Ação Pastoral e a Dignidade dos Migrantes

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Nos dias 14 e 15 de fevereiro, a Diocese de Roraima está realizando a IV Assembleia Eletiva da Pastoral dos Migrantes, reunindo agentes de pastoral de todo o estado com o tema “Peregrinos e Peregrinas da Esperança” e o lema “Caminha Humildemente com Teu e Nosso Deus”. O encontro, realizado na Casa da Caridade, busca fortalecer as ações externas aos migrantes e promover reflexões sobre o papel da Igreja nesse contexto.

A coordenadora da Pastoral dos Migrantes, Irmã Terezinha Lucia Santin, ressaltou a importância do evento, destacando que, desde 2018, a Pastoral vem realizando encontros e assembleias a cada dois anos. “A cada biênio, promovemos a Assembleia Eletiva, onde os agentes dos migrantes de todo o Estado escolhem, de maneira cooperativa, uma nova equipe pastoral. Este ano, estamos nos reunindo para refletir e renovar nosso compromisso com a caminhada ao lado dos migrantes”, explicou Irmã Terezinha. Ela enfatizou ainda que as cidades mais desenvolvidas do mundo são aquelas que abrigam o maior número de migrantes, que, muitas vezes, se tornam protagonistas das transformações nas comunidades em que vivem.

Maria Ozania, secretária executiva da Coordenação Colegiada do Serviço Pastoral dos Migrantes, falou sobre o impacto nacional da pastoral, que está presente em 19 estados do Brasil. “Nosso trabalho, em parceria com a CNBB e com a Igreja do Brasil, tem como objetivo aliviar o sofrimento dos migrantes, proporcionando mais dignidade e dignidade àqueles que chegam ao nosso país em busca de uma vida melhor”, destacou Maria Ozania.

Orielen Marques, membro da Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima, explicou que o encontro foi uma oportunidade para refletir sobre as ações realizadas no biênio e eleger uma nova equipe que acompanhará os migrantes nos próximos dois anos. “Além das discussões internacionais, tivemos uma análise de conjuntura com o professor João da Universidade Federal de Roraima e, agora, contamos com a participação de Daniel Seida, da Justiça e Paz, para discutir as questões sociais, ambientais e econômicas que impactam os migrantes”, afirmou Orielen.

A assembleia também contou com a participação de Osânia, do Serviço Pastoral dos Migrantes Nacional, que apresentou os 40 anos da pastoral no Brasil e o lema da Semana do Migrante. O encontro segue até o final da tarde do dia 15 de fevereiro, com o objetivo de fortalecer o compromisso da Igreja com a acolhida e a dignidade dos migrantes, que continuam a buscar esperança em um novo lugar para recomeçar suas vidas.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo

Irmãs Franciscanas iniciam missão pastoral em Roraima, e Diocese celebra jubileu com foco na evangelização e nos povos indígenas.

Irmãs Franciscanas iniciam missão pastoral em Roraima, e Diocese celebra jubileu com foco na evangelização e nos povos indígenas.

Junto com o bispo de Roraima, Dom Evaristo, as irmãs participaram do programa Manhã Viva, com Rejane Silva.

Irmãs Franciscanas iniciam missão pastoral em Roraima, e Diocese celebra jubileu com foco na evangelização e nos povos indígenas.

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Nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, o programa Manhã Viva recebeu a visita do bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, e das irmãs franciscanas que chegaram recentemente ao estado para iniciar uma nova missão pastoral.

As irmãs Patrícia, da Diocese de Marília (Garça-SP), Bore Nika, e Eliane do Carmo, de Rio Grande da Serra (SP), estão pela primeira vez em Roraima. Elas pertencem à Congregação de Cristo Rei, fundada em 1459, em Veneza, na Itália, por um grupo de terciárias. No Brasil, a congregação tem sede em Rio Grande da Serra (SP) e atua em diversas regiões do país, incluindo Garça (SP) e Campo Erê (SC).

Durante a entrevista, Dom Evaristo destacou a importância da presença das irmãs em Roraima. “O último município que temos a alegria de mencionar é aquele onde agora temos uma presença comprometida da Igreja, com a participação de irmãs que serão de grande ajuda no acompanhamento das pastorais e das comunidades locais. A presença contínua de missões é fundamental para o crescimento dessas comunidades e para a formação dos cristãos que vivem naquela região.”

A Irmã Patrícia explicou a missão da Congregação de Cristo Rei foi fundada por irmãs. “ Ao longo da história, passamos por diversas supressões, mas sempre mantivemos nossa missão viva. Nosso carisma é anunciar o Senhor onde houver necessidade, especialmente em situações de vulnerabilidade. Atualmente, estamos presentes em várias localidades da Itália, na Guiné-Bissau, na Albânia e, no Brasil, expandimos nossa atuação para São Luís neste ano jubilar.”

A Irmã Eliane do Carmo expressou sua expectativa em relação à nova missão. “Nossa expectativa inicial é conhecer de fato a realidade, pois é algo muito diferente de tudo o que já vivenciamos. Queremos estar presentes e ajudar, sendo uma presença fraterna ao lado daqueles que mais precisam.”

Jubileu Ordinário e Jubileu dos Povos Indígenas

“A nossa Igreja tem a felicidade de celebrar dois jubileus: o Jubileu Ordinário, convocado pelo Papa Francisco, que acontece a cada 25 anos em toda a Igreja, com o tema ‘Peregrinos da Esperança’. Esse tema nos lembra que nossa vida é uma caminhada rumo à casa de Deus. Para vivenciar esse tempo especial, nossa Diocese tem três Igrejas Jubilares: a Catedral, a Igreja Matriz e a Reitoria de Nossa Senhora Aparecida. Nesses locais, os fiéis podem participar da Santa Missa, se confessar e obter a indulgência plenária.” Explicou Dom Evaristo sobre a celebração dos jubileus na Igreja.

Outro momento significativo será o Jubileu dos Povos Indígenas, marcado para 26 de abril, na região de Sumaúma. Durante o evento, também ocorrerá a ordenação diaconal do seminarista Javan, da etnia Macuxi, natural da Serra da Missão, em Malacacheta.

“É uma grande alegria para nós termos essa nova esperança com mais uma ordenação. Depois, ele também será designado presbítero para servir ao Povo de Deus em nossa Diocese”, destacou o bispo.

A participação das irmãs franciscanas e a reflexão sobre os jubileus reforçam o compromisso da Igreja com a evangelização e a assistência às comunidades de Roraima. A nova missão das religiosas marca um passo importante para o fortalecimento da presença pastoral na região.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo

Irmã Dorothy Stang: uma vida dedicada aos pobres e à defesa da Amazônia

A figura de irmã Dorothy Stang é um símbolo de coragem, fé e compromisso com os mais vulneráveis. Religiosa estadunidense da Congregação de Nossa Senhora de Namur, Dorothy foi brutalmente assassinada em 2005, em Anapu, no Estado do Pará, por sua incansável luta pelos direitos dos pobres e pela preservação da Amazônia. Agora, sua memória será honrada na Basílica de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, em Roma, local que celebra os “Novos Mártires” da Igreja.

Na sexta-feira, 10 de janeiro, a Comunidade de Santo Egídio realiza uma vigília de oração em memória da irmã Dorothy. Durante a cerimônia, duas memórias preciosas serão acolhidas: um punhado de terra do local onde foi assassinada e uma camisa que usava. Esses objetos são um testemunho tangível de sua vida e martírio, lembrados no recente Sínodo para a Amazônia.

Para a Igreja Católica, o termo “mártir” refere-se àqueles que deram a vida pela fé e pelo Evangelho. O martírio é considerado a forma mais elevada de testemunho cristão, pois implica sacrificar a própria vida por amor a Deus e ao próximo. Irmã Dorothy é reconhecida como mártir por seu compromisso com a justiça social e a defesa do meio ambiente, valores profundamente enraizados no Evangelho.

Chegando ao Brasil em 1966, irmã Dorothy dedicou-se à educação e à organização das comunidades amazônicas. Fundou escolas, criou um sindicato de agricultores e ensinou técnicas de agricultura sustentável. Sua missão ia além de proteger a floresta: ela ajudava os povos originários e os agricultores a entenderem seus direitos e a viverem com dignidade.

Mas sua luta pela Amazônia atraiu a hostilidade de grandes interesses econômicos. Enfrentando madeireiros e proprietários de terras que devastavam o meio ambiente, Dorothy foi ameaçada várias vezes. Em resposta, disse com convicção: “Não fugirei e não abandonarei a luta desses camponeses que não têm proteção, no meio da floresta. Eles têm o direito sacrossanto a uma vida melhor, numa terra onde possam viver e produzir com dignidade, sem devastar o meio ambiente”.

Em 12 de fevereiro de 2005, a irmã Dorothy foi assassinada com seis tiros. Sua morte trouxe à tona as injustiças enfrentadas pelos defensores da Amazônia e mobilizou a atenção internacional para a violência contra os que lutam por justiça socioambiental.

A vigília em sua memória, presidida por dom Fabio Fabene, arcebispo e secretário do Dicastério para as Causas dos Santos, contará com a presença de familiares de Dorothy, irmãs de sua congregação e jovens da Comunidade de Santo Egídio. Esse encontro é um convite a todos para refletirem sobre a vida e o legado da irmã Dorothy, que permanece como um exemplo de fé em ação e coragem frente às adversidades.

A memória de Dorothy Stang transcende fronteiras e nos desafia a agir em prol dos marginalizados e do planeta. Seu martírio nos inspira a construir uma sociedade mais justa, em que a vida humana e a criação sejam respeitadas e protegidas. Como ela mesma ensinou, a luta pela justiça e pela dignidade é sagrada, e sua missão permanece viva em cada pessoa que defende os direitos humanos e o meio ambiente.

Há 20 anos era assassinada Ir. Dorothy Stang

Na noite de sexta-feira, 10, foi realizada uma vigília na Basílica de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, em Roma, em homenagem à religiosa estadunidense assassinada por sua luta pelos direitos dos povos indígenas e contra o desmatamento no país sul-americano. Teóloga Laurie Johnston: “nela, a missão cristã ia além da espiritualidade pessoal, incluindo o compromisso com os esquecidos, com as vítimas da degradação ambiental e das desigualdades sociais”

William Gallone – Cidade do Vaticano

Religioda, missionária, mártir, mas sobretudo uma mulher comprometida contra o desmatamento e pelos direitos das populações indígenas brasileiras, Irmã Dorothy Stang “foi um exemplo de como colocar em prática a Encíclica Laudato si do Papa Francisco, o que fazia dela uma pessoa incômoda e porque, há vinte anos, foi morta a tiros por uma série de criminosos”.

Assim começou, falando à mídia vaticana, a professora Laurie Jonhston, docente de Teologia no Emmanuel College de Boston, que na noite de sexta-feira, 10 de janeiro, participou da vigília em memória da Irmã Dorothy, presidida pelo secretário do Dicastério para as Causas dos Santos, dom Fabio Fabene, no Santuário dos Novos Mártires na Igreja San Bartolomeo all’Isola, em Roma, organizado pela Comunidade de Sant’Egidio.

As Memórias da Irmã Dorothy

 

Durante o evento, foram entregues duas preciosas lembranças da Irmã Dorothy Stang, religiosa da Congregação de Nossa Senhora de Namur, nascida em Dayton, Ohio, em 1931 e assassinada em 2005 em Anapu, no Pará brasileiro: um punhado de terra proveniente do local do assassinato e uma camisa usada pela freira estadunidense, cuja figura foi lembrada no recente Sínodo para a Amazônia.

Terra e camisa, elementos símbolo da dedicação e sacrifício, de quem suja as mãos permanecendo apegado à vida cotidiana, necessários para uma pessoa que – como recorda a professora Johnston – “para difundir a sua mensagem partiu das bases: ensinou aos povos indígenas o respeito e a importância da floresta, que não deve ser agredida e pisoteada, mas sim protegida e amada, pois é patrimônio de todos, especialmente daqueles que nela vivem.

Irmã Dorothy ministrou cursos e encontros para capacitar mulheres camponesas, fez estudar os direitos sociais, as políticas públicas para a saúde, a maternidade e a sexualidade. Sem nunca esquecer a importância da Bíblia, voltada a descobrir e aprofundar o papel da mulher como instrumento necessário para alcançar a libertação de um povo”.

O dia do assassinato

 

Gerar consciência, abrir espaços, lutar por justiça. “Talvez precisamente pela sua dedicação a certos compromissos tornou-se uma pessoa incômoda, a ser removida”, comenta Johnston.

O assassinato ocorreu em 12 de fevereiro de 2005. Como de costume, a Irmã Dorothy estava a caminho para visitar algumas famílias indígenas na floresta. Ele já havia recebido ameaças de morte, mas até então sempre respondia: “Não vou fugir, nem abandonar a luta desses agricultores, que vivem sem proteção, no meio da floresta”.

Com um sorriso, a Irmã Dorothy dizia que “ninguém mata uma senhora com mais de 70 anos”. No entanto, naquela manhã, a gangue de homens armados recusou até mesmo o dinheiro oferecido em troca de sua vida.

O conflito com a população local havia atingido níveis insuportáveis ​​e as habilidades da Irmã Dorothy haviam gerado resultados tão chocantes quanto irritantes. Assim, seis tiros disparados pelos inimigos da natureza, da população local, da criação, mataram Irmã Dorothy.