DOM VANTHUY É ORDENADO BISPO PARA “NOS AJUDAR A SER UMA IGREJA SEMPRE MAIS ACOLHEDORA DAS CULTURAS”

“Toda vocação é uma escolha para participar plenamente desse amor”.

Boa Vista, sede da diocese de Roraima acolheu neste domingo 4 de fevereiro de 2024 a ordenação episcopal de Mons. Raimundo Vanthuy Neto, bispo eleito da diocese de São Gabriel da Cachoeira, que escolheu como lema: “Servir na Caridade e na Esperança”. Uma celebração marcada por uma realidade indígena presente na igreja local e naquela que o Papa Francisco lhe confiou para ser seu pastor, seu bispo. A benção inicial do Povo Macuxi, a primeira leitura e a apresentação do candidato nessa mesma língua, a benção indígena de um padre de São Gabriel da Cachoeira, a continua presença dos povos indígenas de Roraima na celebração, são detalhes que mostram o desejo da Igreja da Amazônia de acolher a riqueza das culturas dos povos da Amazônia.

Na homilia, o cardeal Steiner começou lembrando as palavras de Jesus no Evangelho: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”, insistindo em que “todos nós fomos escolhidos, buscados, todos nós fomos amados: ‘eu vos amei, como meu Pai me amou’. Fomos desejados, amados com o amor que o Pai amou o seu filho Jesus. No mesmo amor, na mesma intensidade, na mesma afabilidade, fomos e somos amados, amadas. E porque fomos atingidos por um amor inigualável, gratuito, Jesus nos faz um pedido: ‘permanecei no meu amor’”.

Segundo o arcebispo de Manaus, “a realização da nossa vida, a alegria de viver, de saborear a vida vem do amor que recebemos de Jesus. Ele desperta uma alegria plena, realizadora. Um amor que plenifica, cria a verdadeira família, a verdadeira comunidade, a Igreja”, recordando as palavras de Jesus: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Uma frase que o levou a perguntar: “Como nos amou?”, dando ele mesmo a resposta: “ofertando a sua vida”. Dom Leonardo disse que “como a mãe entrega a sua vida no cuidado materno para que os filhos cresçam e cheguem à maturidade de uma vida plena, muito mais fez Jesus. Nos amou até a morte e morte de cruz.

Um amor que aparece definido no Evangelho: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”, afirmando que “é desse amor que vivemos, é nesse amor que nos movemos, é desse amor que nos alimentamos e damos frutos: geramos, educamos, plenificamos vidas”. O cardeal Steiner “esse amor nos escolheu, a esse amor fomos chamados. Esse amor nos encontrou. Nenhuma iniciativa nossa”. Lembrando as palavras de São Bernardo sobre a escolha, o chamado, disse. Isso porque “no amor somos escolhidos, não escolhemos. Nesse amor benevolente somos todos discípulos missionários, todas discípulas missionárias, pois tomados pela dinâmica extraordinária de pertencermos à predileção amorosa de Deus”.

Toda vocação é uma escolha para participar plenamente desse amor. Toda vocação é a possibilidade de permanecer no amor de Jesus e em Jesus viver a graça do Reino. Toda a vocação é um modo de guardar e ser guardado pelo mandamento do amor. É desse amor que toda a vocação e ministério se alimenta e é dinamizado. É no Reino do “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”, que a alegria é plena e realizativa. Toda a vocação é dar a sua vida em resgate por muitos, por todos os que são e não são amigos e amigas de Jesus, mesmo os inimigos”, refletiu o cardeal de Manaus. 

Lembrando a escolha dos Doze para caminhar com Ele e enviá-los a pregar o Reino de Deus, Dom Leonardo Steiner disse que “eles foram as testemunhas da vida, da morte e da ressurreição de Jesus; testemunhas do amor que tudo vivifica e restaura. Nessa missão foram confirmados pelo Espírito Santo, segundo a promessa: ‘Recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, Samaria e até os extremos da terra’”. Isso porque “a missão dos apóstolos de anunciar o Evangelho da vida deveria durar até o fim dos séculos (cf Mt 28,20), por isso, os apóstolos constituíram sucessores (LG, 20)”.

A celebração de ordenação episcopal “visibiliza, mais uma vez, a escolha, o chamado, o envio, a frutificação”. Ele lembrou que “a Igreja aqui reunida invocará o Espírito Santo sobre padre Raimundo Vanthuy e com o gesto milenar da imposição das mãos dos bispos, com a oração de ordenação e a unção, ele recebe o múnus episcopal e participa do colégio dos bispos como sucessor dos apóstolos. Ele participará do múnus dos apóstolos de anunciar, bendizer e cuidar do Reino de Deus, da igreja de São Gabriel da Cachoeira”.

Comentando a primeira leitura, o cardeal disse que “o Espírito e a unção enviam para uma presença de caridade, de amor, de esperança! Hoje, após a invocação do Espírito Santo, a imposição das mãos, a oração de ordenação e a unção com o óleo do crisma, padre Vanthuy poderá dizer com o profeta: ‘O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu’. Vamos impor as mãos na força do Espírito Santo e te ungir, para seres enviado. Enviado para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma e do corpo, pregar a redenção aos cativos no corpo e no espírito; a liberdade aos que estão presos em si mesmos, nas prisões da ganância, da morte, das ideologias; consolar todos os que choram e gemem. Serás enviado para proclamar o tempo da graça, da libertação, da transformação, da salvação, pois levarás na alegria o óleo da caridade e o vinho da esperança (cf. Is 61,1-3ª). Enviado na caridade e na esperança! Não é privilégio, mas uma missão que te é confiada. Enviado para recordar, rememorar, viver na caridade e na esperança”.

“Pelo sacramento da Ordem o bispo recebe o dom da caridade pastoral de Cristo. A caridade pastoral cria a comunhão e desperta para a plenificação da vida segundo o Evangelho. Um modo da caridade é a compaixão, compadecer-se dos frágeis, dos que foram colocados à margem, seja pela cultura, seja pelo sistema econômico. Cuidar das comunidades com amor paterno-materno, sendo bondoso e compassivo com os doentes e todos os necessitados no corpo e no espírito. Com uma vida simples e sóbria, ativa e generosa, estar com os últimos da nossa sociedade e colocá-los ao centro da comunidade cristã. Como bispo deixar-se tomar pela ‘fantasia da caridade’ para encontra modos de acolhimento, de transformação, de inspiração, de proximidade e acolhida”, lembrou o cardeal citando Pastores Gregis, nº 20.

Dom Leonardo Lembrou as palavras de Papa Francisco aos irmãos do Prado onde fala da “fantasia da caridade”, onde lhes convida “a regressar continuamente à magnífica figura do vosso fundador, a meditar sobre a sua vida, a pedir a sua intercessão. A experiência espiritual que ele viveu intensamente – uma compaixão imensa pelos pobres, a compreensão e a partilha dos seus sofrimentos e, ao mesmo tempo, uma contemplação do despojar-se de Cristo que se fez um deles – foi a fonte do seu fervor apostólico (cf. Papa Francisco, 2018). A criatividade, a fantasia da caridade do Bem-aventurado Antônio Chévrier, será também a fantasia do teu ministério episcopal. O teu ministério tenha a força e a dinamicidade de promover, ‘globalizar’ a caridade”.

Globalização onde, segundo o cardeal, “a delicadeza de caridade eleva, ilumina, consola, se inclina, lava os pés da existência. A delicadeza da caridade que olha nos olhos a violência, não teme o poder da dominação, do dinheiro, do poder. Na delicadeza da caridade, o bispo quando ensina, ao mesmo tempo santifica e governa o Povo de Deus; enquanto santifica, também ensina e governa; quando governa, também ensina e santifica”. Ele lembrou que “Santo Agostinho ensina que a totalidade do ministério episcopal é amoris officium, o ‘ofício do amor’”.

Segundo o presidente do Regional Norte1 da CNBB, “o bispo é enviado como esperança! Não somente porque anuncia ao mundo a esperança do Reino, mas porque é presença de esperança no Ressuscitado. Profeta da esperança! Ser profeta, testemunha e servo da esperança. Infundir confiança e proclamar perante quem quer que seja as razões da esperança cristã”, segundo diz a Primeira Carta de Pedro. “Profeta, testemunha e servo da esperança sobretudo nas realidades onde o esquecimento de Deus e o esquecimento dos pobres é palpável, onde os indígenas são violentados. Onde falta a esperança, também a fé é posta em questão. O amor enfraquece, quando o horizonte da esperança desaparece. A esperança que o Ressuscitado trouxe à luz”, enfatizou.

Citando Santo Agostinho, ele disse que a “esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. O cardeal destacou que “por ser profeta da esperança, o bispo é inquieto, insatisfeito, sonhador, transformador, deixa-se tomar pelo movimento da geração, da transfiguração. A esperança na sua filha indignação, indica o sentido do anúncio e da visibilização do reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça do amor e da paz”, recordando as palavras do Prefácio. Ele insistiu em que “o bispo pode ser tomado de indignação, quando guiado e tomado pela verdade, a justiça e paz. E porque vive do Reino, a coragem o impulsiona a propor, ensinar, refletir, questionar, procurar e indicar o caminho da justiça, da equidade, da fraternidade”.

O bispo é um convite à esperança, pois fala duma realidade que está enraizada no mais fundo do ser humano. Fala duma sede, duma aspiração, dum anseio de plenitude, de vida bem-sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor. A esperança desperta ousadia, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna, atraente e sublime. Caminhe na esperança, o Povo de Deus a ti confiado seja ungido com a esperança, e toda a tua evangelização esteja guiada pela esperança que nasce do Espírito Santo!”, afirmou Dom Leonardo inspirado nas palavras de Papa Francisco.

Ele enfatizou que “a esperança na indignação e na coragem é sonhadora e criativa. Papa Francisco nos diz que devemos ser criativos, inconformados, dinâmicos, sonhadores, corajosos. Na indignação e na coragem inculturar o Evangelho, viver uma espiritualidade inculturada, celebrar a fé, a esperança e caridade nas culturas locais”.

Se dirigindo ao novo bispo, Dom Leonardo lhe disse: “o teu ministério episcopal na diocese mais indígena do Brasil, possa nos ajudar a ser uma Igreja sempre mais acolhedora das culturas. Uma Igreja que tenha sempre mais rostos multiformes que manifestem melhor a riqueza inesgotável do Evangelho na Amazônia. As filhas da esperança, a indignação e a coragem, movimentem os teus e nossos sonhos indicados por Papa Francisco: preservar a riqueza cultural da Amazônia que a caracteriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana; guardar zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna a casa comum da Amazônia, a vida transbordante que enche os rios e as florestas; evangelizar as comunidades cristãs para que sejam capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos. Uma Igreja na Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos originários, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida (QA, nº 6-7). A esperança de que todos os filhos e filhas de Deus e todas as criaturas participem do Reino definitivo”.

“Realmente são lindas as filhas da esperança, pois nascidas do amor”, disse o cardeal, citando o texto evangélico: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Daí a necessidade de “ser impulsionado pela caridade e pela esperança e despertar as comunidades para que vivam da esperança e da caridade”.

O cardeal Steiner chamou a repetir as palavras de Paulo na segunda leitura: “Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a perseverança da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa gratidão à Igreja de Roraima, pelo testemunho de esperança e de caridade. Agradecemos a Deus e à Igreja em Roraima por ofertar à Igreja este irmão que recebe hoje a ordenação episcopal. Sabemos que o Evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força do Espírito Santo; e isso, com toda a abundância”, agradecendo a Dom Evaristo Spengler por “enviar para São Gabriel da Cachoeira este irmão que hoje é ordenado bispo da Igreja Católica”.

Igualmente agradeceu a dom Edson Damian, a quem dom Raimundo Vanthuy vai suceder e à Igreja de São Gabriel da Cachoeira “pelo testemunho, por nos provocar a sermos uma Igreja sempre atenta e desperta para a causa dos povos indígenas e os pobres. Louvamos e bendizemos pela diocese de São Gabriel”. Também agradeceu aos pais, à família de Dom Raimundo Vanthuy, “pelo dom da vida e pela fé que lhe deram como alimento e bebida. Deus os abençoe. Irá com a benção a vossa benção”.

Ao novo bispo lhe disse, “na caridade e na esperança caminharemos contigo. Sentirás a presença colegial dos bispos de nosso Regional e a força da oração do teu povo. Não estarás só. Contigo desejamos ser profetas, testemunhas e servos da esperança e da caridade. Estaremos contigo em comunhão”.

IGREJA DE RORAIMA PARTICIPA DA ORDENAÇÃO EPISCOPAL DO MONSENHOR RAIMUNDO VANTHUY NETO

A celebração acontece na manhã deste domingo no Ginásio Totozão

Neste domingo, 04, a Diocese de Roraima celebra a ordenação do novo bispo Raimundo Vanthuy Neto, para São Gabriel da Cachoeira no interior do Amazonas, a cerimônia ocorre no ginásio Totozão e contou com a presença de milhares de fiéis de todo país. 

A primeira parte da cerimônia iniciou com a entrada dos diáconos carregando a Nossa Senhora da Consolata e com suas esposas, representando os 75 anos da presença dos missionários da Consolata no estado.

Logo após, o novo bispo dom Vanthy Neto, acompanhado de dom Leonardo Steiner, dom Evaristo Spengler, dom Edson Damian, na qual foram acolhidos pelos indígenas da etnia macuxi com cantos Macuxi maruai.

A celebração da eucaristia foi presidida pelo cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), concelebrada pelo bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, e os anteriores, Dom Mário Antônio, Dom Roque Paloschi e Dom Edson Damian. Os bispos de outras dioceses como Afogados da Ingazeira (PE), Maranhão e Pará e Manaus (AM), além de padres, religiosos e religiosas, e pessoas da diocese de São Gabriel também participaram da ocasião.

Passa nestes dias por Roraima a Relíquia do Bem aventurado Antônio Chevrier, fundador do PRADO, fraternidade que pe. Vanthuy participa,  o ícone, escrito pelo pe. Mário Castro e a Relíquia, trazida pelo responsável do Prado no Brasil e pelo Assistente geral do Instituto de Vida Apostólica.

A Ordenação Episcopal do nosso Padre Vanthuy, filho desta Igreja de Roraima cujo ministério episcopal hoje lhe é confiado, já se compreende desde a raiz como um ministério em chave missionária, do Cristo que aponta para a Amazônia, da Igreja Diocesana de Roraima que dá de sua pobreza!

(Matéria em atualização)

Quem é Dom Vanthuy Neto

Pe. Raimundo Vanthuy Neto, nasceu no sertão nordestino em 10 de Maio de 1973, em Pau dos Ferros / alto oeste do Rio Grande do Norte, na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Diocese de Mossoró, filho de uma família de quatro irmãos (Tarcísio, Urbano, Etevaldo) e duas irmãs (Taneide e Vaneide), batizado na festa de S. Pedro em 29 de junho de 1973 pelo padre Manoel Caminha Freire (In memoriam). Foi alfabetizado na escola das Filhas da Caridade, o patronato Alfredo Fernendes, sua primeira professora ainda vive, Ir. Geralda Araújo, fez sua primeira comunhão em 1983, presidida pelo então Pe. Dário Tórbolli (In memoriam), missionário de Trento, na Diocese de Mossoró. Com seus pais Manoel Urbano e Vicência Martins, irmãos e irmãs, migrou à Amazônia na década de 1980, vão morar primeiro em Itaituba – Pará, ali, na paróquia da Catedral de Santana, foi Crismado por Dom Capistrano (In memoriam). Acolhido na Diocese de Roraima, começa a participar da Legião de Maria e foi catequista na Paróquia da Consolata, ali participou da Escola de Formação de Teologia para leigos. Em 1991 ingressou no Seminário S. José da Arquidiocese de Manaus, na companhia de Revislande Santos e Mário Castro (In memoriam), onde fez seus estudos de Filosofia e Teologia, no então CENESCH – Centro de Estudos do Comportamento Humano, ordenado Diácono em 11 de julho de 1999 e Presbítero em 3 de junho de 2001, por Dom Apparecido José Dias (In memoriam). Mestre em Teologia, com especialização em Missiologia – (1998/2000) pela então Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção – SP, com dissertação: Dirigir Almas e Servir ao Jeito de Muitos – A missão dos Beneditinos junto aos Povos Indígenas de Roraima – 1909/1948. Foi acompanhado pelo então teólogo ligado ao CIMI, Pe. Paulo Suess. Fez seu estágio diaconal na Paróquia Sagrada Família – Diocese de Santos/SP (1998/2000), na companhia do Pe. Valdeci e Dom David Picão (In memoriam). Foi diretor e professor do Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia – ITEPES 2014/17), hoje Faculdade Católica do Amazonas, colabora com os estudos sobre o Cristianismo e Povos Indígenas na Amazônia. Acompanha a vida Eclesial desta região com seus encontros inter-regionais de Bispos desde 1997, quando se celebrou os 25 anos do Documento de Santarém, participou como auditor do Sínodo para a Amazônia 2019 em Roma. Na vida pastoral, foi pároco nas Paróquias: Nossa Senhora Consolata (2001/2004), Catedral Cristo Redentor e Matriz Nossa Senhora do Carmo (2005/2013) em Boa Vista, padre cooperador da Catedral de Nossa Senhora da Conceição e capelão do Colégio Auxiliadora, das Irmãs Salesianas em Manaus. De volta à Roraima em 2018, foi vigário da Área Missionária do Município do Cantá, acompanhou a Coordenação de Evangelização e Pastoral da Diocese (2002/2005), atualmente com pe. Giogio Dal Ben respondia como Reitor da Casa Vocacional – Seminário Menor e da Reitoria Nossa Senhora Aparecida, muito colaborou na Formação das Lideranças Leigas na Escola de Teologia e Pastoral da Diocese de Roraima, na escola de Liturgia e na Escola para o Diaconato Permanente. Pe. Vanthuy é membro do Instituto Secular – Associação dos Padres do PRADO, colaborou no Conselho Nacional do Prado no Brasil 2017/2023, participou o Ano Internacional Pradosiano em Lyon – França. Atualmente é membro do Colégio de Consultores, do Conselho Presbiteral e colabora como chanceler da Diocese de Roraima. O Santo Padre, o Papa Francisco o nomeou Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira em 08 de novembro do ano passado de 2023. Escolheu como lema: Servir na Caridade e na Esperança, ele será o pastor daquela Igreja Particular. Marcada pelos seus 23 povos originários e pela presença missionária dos Salesianos e Salesianas, a família espiritual de Dom Bosco. 

Padre Vanthuy Neto será ordenado bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira neste domingo, 04

O evento histórico que ficará marcada na Diocese de Roraima ocorre no Ginásio Totozão em Boa Vista.

Neste próximo domingo, 04 de fevereiro, ocorrerá a ordenação episcopal do padre Raimundo Vanthuy Neto, nomeado pelo Papa Francisco, como Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.  O evento é aberto ao público e será realizada em Boa Vista – RR, às 8h30, no Ginásio Totozão.

 A celebração, será presidida pelo Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).

O início do Ministério Apostólico e Pastoral como Bispo da Igreja do Alto Rio Negro será no dia 11 de fevereiro. A celebração de posse canónica como Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira – AM, será realizada 8h no Ginásio Arnaldo Coimbra, na cidade de São Gabriel da Cachoeira.

Segundo o bispo de Diocese de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler,  faz parte do rito de ordenação de um bispo a entrega de insígnias que são símbolos ou sinais visíveis da missão do bispo entre eles os sinos estão anel o ábaco e a mitra.

O anel o bispo recebe no dedo anelar da mão direita como símbolo de amor e fidelidade e da união com a igreja, esposa de Cristo. Ele deverá usar o anel sempre dentro e fora da celebrações. outro sinal e a mitra que é símbolo da santidade que o bispo chamado a viver como entrega de amor como foi Jesus. Outro sinal e o báculo; o Báculo lembra Jesus, o bom pastor que dá vida pelas suas ovelhas também o bispo chamada cuidar das ovelhas especialmente as mais fragilizados, isso envolve acompanhar, escutar, conduzir e animar num processo de comunhão, participação e missão”. Completou.

Evento histórico

Esta é a primeira vez que o estado de Roraima realizará a ordenação episcopal de um padre, para se tornar bispo em uma região amazônica.

 O padre Vanthuy Neto, novo bispo de São Gabriel da Cachoeira, deve assumir a diocese da cidade amazonense em fevereiro.  “A Igreja de Roraima me fez padre da Amazônia, com uma preocupação principal do cuidado com os povos indígenas, com a casa comum”. Segundo Mons. Vanthuy, “eu fui gestado na Igreja de Roraima e no Seminário São José de Manaus.

Ele fala ainda sobre os desafios a serem enfrentados ao assumir uma nova diocese.

“O primeiro desafio, é o da comunicação. São Gabriel é a região mais plural que o Brasil tem. São vinte três povos, mais de dezoito línguas. Segundo é o isolamento, São Gabriel ainda é muito isolado, (…) agora que começa a chegar uma internet de melhor qualidade em São Gabriel através do Starlink. E pra mim o primeiro sinal da minha vida vai ser ficar calado, escutar até porque alguns eu não vou compreender por causa da língua. Segundo amá-los como eles são, porque o amor também ama os limites e os defeitos. O primeiro passo é esse, ouvir, escutar, estar atento amar aquele povo e quero pedir a Deus uma graça muito grande de paciência. Eu sou nordestino, eu tenho um ritmo e lá o ritmo é outro”, enfatizou.

Relembre

Em novembro de 2023, o Pontífice então nomeou como novo bispo do terceiro maior município brasileiro em extensão territorial, localizado na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, o Pe. Raimundo Vanthuy Neto, do clero de Roraima, reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida e do Seminário Propedêutico.

A biografia de Pe. Raimundo Vanthuy Neto

Padre Raimundo Vanthuy Neto nasceu em 10 de maio de 1973, em Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, diocese de Mossoró. Em 1991 ingressou no Seminário São José da arquidiocese de Manaus, onde fez seus estudos de Filosofia e Teologia no então Centro de Estudos do Comportamento Humano. Foi ordenado diácono em 11 de julho de 1999 e presbítero em 3 de junho de 2001.

Mestre em Teologia, com especialização em Missiologia (1998/2000) pela então Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Fez seu estágio diaconal na Paróquia Sagrada Família – diocese de Santos (1998/2000). Foi diretor e professor do Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia – ITEPES (2014/17), hoje Faculdade Católica do Amazonas. Colabora com os estudos sobre o Cristianismo e Povos Indígenas na Amazônia. Acompanha a vida eclesial desta região com seus encontros inter regionais de bispos desde 1997, quando se celebrou os 25 anos do Documento de Santarém. Participou como auditor do Sínodo para a Amazônia 2019.

Na vida pastoral, foi pároco nas Paróquias: Nossa Senhora Consolata (2001/2004), Catedral Cristo Redentor e Matriz Nossa Senhora do Carmo (2005/2013) em Boa Vista; vigário da Área Missionária do Município do Cantá; acompanhou a Coordenação de Evangelização e Pastoral da Diocese (2002/2005); padre cooperador da Catedral de Nossa Senhora da Conceição; atualmente Reitor da Casa Vocacional – Seminário Menor e Reitoria Nossa Senhora Aparecida; ajuda na Formação das Lideranças Leigas na Escola de Teologia Pastoral da diocese de Roraima e na Escola para o diaconato permanente.

Padre Vanthuy é membro do Instituto Secular – Associação dos Padres do Prado; colaborou no Conselho Nacional do Prado no Brasil (2017/2023); viveu o Ano Internacional Pradosianoem Lyon – França. Atualmente é membro do Colégio de Consultores, do Conselho Presbiteral e colabora como chanceler da Diocese de Roraima.

A Diocese de Roraima se fez representada no Seminário a Caminho do Jubileu 2025

A Diocese de Roraima se fez representada no Seminário a Caminho do Jubileu 2025 realizado no auditório João XXIII no complexo da Casa Dom Luciano da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB).
O evento promovido pela CNBB nos dias 29 e 30 de janeiro de 2024, contou com a presença de mais de 300 representantes dos regionais, comissões e organismos pastorais da CNBB.
O Cardeal Dom Rino Fisichella, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, responsável pela animação do Jubileu em nível internacional esteve presente e trouxe uma mensagem do Papa Francisco dirigida aos participantes do seminário.
O Jubileu será celebrado em toda Igreja durante todo ano de 2025 e pretende ser um ano de oração, de articulação e de unidade de toda a igreja ao Papa Francisco. As desigualdades sociais e as migrações como uma das diversas consequências diretas das injustiças sociais serão temas centrais e oportunos do Jubileu. Será um tempo de profunda revisão e conversão pastoral. O Jubileu é tempo de graça e celebração nos pequenos grupos e nos grandes eventos de toda a igreja. Uma das características do jubileu é a realização de uma peregrinação a algum centro de fé para recordar que todos e todas somos “Peregrinos da Esperança” em um tempo marcado pelo desencantamento.


O tempo do jubileu é um tempo de misericórdia e um convite a viver a justiça em todas as suas dimensões, especialmente num mundo que tem investido tanto nas guerras que matam e expulsam tantos irmãos e irmãs de seus territórios.
O Papa Francisco exalta que “a graça do jubileu reaviva em nós, Peregrinos da Esperança, o desejo dos bens celestes e derrame ao mundo inteiro a alegria e a paz”.

Texto/ Foto Reprodução: Professora Márcia Maria de Oliveira

Falecimento do Bispo Emérito Dom Walter Azevedo Deixa Luto na Diocese de São Gabriel da Cachoeira

O presbítero tinha 97 anos e vivia na sede da Comunidade Salesiana de Dom Bosco, na Zona Leste de Manaus.

No início da tarde deste domingo (28), a Diocese de São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas, lamentou a perda do bispo emérito Dom Walter Azevedo, aos 97 anos de idade. O religioso faleceu em sua residência na sede da Comunidade Salesiana de Dom Bosco, localizada na Zona Leste de Manaus, onde vivia.

Dom Walter dedicou grande parte de sua vida à fé e à missão religiosa, sendo membro da congregação dos salesianos. Nomeado bispo-coadjutor de São Gabriel da Cachoeira pelo Papa João Paulo II em 1986, assumiu como titular da diocese dois anos mais tarde, exercendo sua função até janeiro de 2002, quando se aposentou ao atingir a idade de 75 anos. Seu lema episcopal, “In Novitate Spiritus”, refletia sua dedicação à renovação espiritual.

Natural de São Paulo, nascido em 8 de maio de 1926, Dom Walter ingressou na congregação salesiana em janeiro de 1944, sendo ordenado sacerdote em dezembro de 1953. Sua trajetória pastoral incluiu papéis como conselheiro, catequista e professor em Santa Catarina e São Paulo até 1972.

Ao longo de sua vida, Dom Walter adquiriu conhecimento acadêmico relevante, obtendo a láurea em Missiologia na Universidade Pontifícia Urbaniana entre 1973 e 1978. Sua experiência missionária iniciou-se em 1976, no Norte do país, destacando-se pelo trabalho em Rondônia nos três anos subsequentes.

O religioso ocupou o cargo de inspetor da Inspetoria São Domingos Sávio de 1979 a 1985. Em 1986, enquanto estava em Roma no Dicastério das Missões, a Santa Sé o escolheu como Bispo coadjutor da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, no alto rio Negro. Após um ano nessa função, assumiu a diocese por 16 anos como sucessor de Dom Miguel Algna.

Mesmo após se tornar bispo emérito, Dom Walter continuou seu compromisso missionário. Trabalhou por três anos na Missão Yanomami de Maturacá, contribuindo para a produção de livros de catequese em português e Yanomami. Desde 2007, tornou-se membro do Centro Salesiano de Formação (CESAF), desempenhando papéis como professor e confessor, além de contribuir ativamente nas celebrações litúrgicas e formações na Área Missionária Santos Mártires.

Em novembro de 2018, transferiu-se para a comunidade salesiana do Colégio Dom Bosco, onde passou seus últimos anos. Ainda não há informações sobre o velório e sepultamento do bispo. O legado de Dom Walter Azevedo permanecerá vivo nas memórias da comunidade religiosa e na história da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SABEDORIA DO CORAÇÃO: MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 58º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES

A mensagem de Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é dedicada ao tema da Inteligência Artificial e a sabedoria do coração.

A mensagem de Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é dedicada ao tema da Inteligência Artificial e a sabedoria do coração. Segundo o Pontífice, “apenas recuperando uma sabedoria do coração é que poderemos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana”.

Foi divulgada, nesta quarta-feira (24/01), festa litúrgica de São Francisco de Sales, a mensagem do Papa Francisco para o 58° Dia Mundial das Comunicações Sociais. A reflexão proposta pelo pontífice neste ano tem como título “Inteligência artificial e sabedoria do coração: para uma comunicação plenamente humana”. O texto retoma as mensagens precedentes e a discussão levantada pelo Papa na mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano.

Confira o texto na íntegra.

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

para o LVIII Dia Mundial das Comunicações Sociais

(12 de maio de 2024)

Inteligência artificial e sabedoria do coração:

para uma comunicação plenamente humana

Queridos irmãos e irmãs!

A evolução dos sistemas da chamada «inteligência artificial», sobre a qual já me debrucei na recente Mensagem para o Dia Mundial da Paz, está a modificar de forma radical também a informação e a comunicação e, através delas, algumas bases da convivência civil. Trata-se duma mudança que afeta não só aos profissionais, mas a todos. A rápida difusão de maravilhosas invenções, cujo funcionamento e potencialidades são indecifráveis para a maior parte de nós, suscita um espanto que oscila entre entusiasmo e desorientação e põe-nos inevitavelmente diante de questões fundamentais: O que é então o homem, qual é a sua especificidade e qual será o futuro desta nossa espécie chamada homo sapiens na era das inteligências artificiais? Como podemos permanecer plenamente humanos e orientar para o bem a mudança cultural em curso?

A partir do coração

Antes de mais nada, convém limpar o terreno das leituras catastróficas e dos seus efeitos paralisadores. Já há um século Romano Guardini, refletindo sobre a técnica e o homem, convidava a não se inveterar contra o «novo» na tentativa de «conservar um mundo belo condenado a desaparecer». Ao mesmo tempo, porém, com veemência profética advertia: «O nosso posto é no devir. Devemos inserir-nos nele, cada um no seu lugar (…), aderindo honestamente, mas permanecendo sensíveis, com um coração incorruptível, a tudo o que nele houver de destrutivo e não-humano». E concluía: «Trata- se – é verdade – de problemas de natureza técnica, científica e política; mas só podem ser resolvidos passando pelo homem. Deve-se formar um novo tipo humano, dotado duma espiritualidade mais profunda, duma nova liberdade e duma nova interioridade».[1]

Neste tempo que corre o risco de ser rico em técnica e pobre em humanidade, a nossa reflexão só pode partir do coração humano.[2] Somente dotando-nos dum olhar espiritual, apenas recuperando uma sabedoria do coração é que poderemos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana. O coração, entendido biblicamente como sede da liberdade e das decisões mais importantes da vida, é símbolo de integridade e de unidade, mas evoca também os afetos, os desejos, os sonhos, e sobretudo é o lugar interior do encontro com Deus. Por isso a sabedoria do coração é a virtude que nos permite combinar o todo com as partes, as decisões com as suas consequências, as grandezas com as fragilidades, o passado com o futuro, o eu com o nós.

Esta sabedoria do coração deixa-se encontrar por quem a busca e deixa-se ver a quem a ama; antecipa-se a quem a deseja e vai à procura de quem é digno dela (cf. Sab 6, 12-16). Está com quem aceita conselho (cf. Pr 13, 10), com quem tem um coração dócil, um coração que escuta (cf. 1 Re 3, 9). É um dom do Espírito Santo, que permite ver as coisas com os olhos de Deus, compreender as interligações, as situações, os acontecimentos e descobrir o seu sentido. Sem esta sabedoria, a existência torna-se insípida, pois é precisamente a sabedoria que dá gosto à vida: a sua raiz latina sapere associa-a ao sabor.

Oportunidade e perigo

Não podemos esperar esta sabedoria das máquinas. Embora o termo inteligência artificial já tenha suplantado o termo mais correto utilizado na literatura científica de machine learning (aprendizagem automática), o próprio uso da palavra «inteligência» é falacioso. É certo que as máquinas têm uma capacidade imensamente maior que os seres humanos de memorizar os dados e relacioná-los entre si, mas compete ao homem, e só a ele, descodificar o seu sentido. Não se trata, pois, de exigir das máquinas que pareçam humanas; mas de despertar o homem da hipnose em que cai devido ao seu delírio de omnipotência, crendo-se sujeito totalmente autónomo e autorreferencial, separado de toda a ligação social e esquecido da sua condição de criatura.

Realmente o homem sempre teve experiência de não se bastar a si mesmo, e procura superar a sua vulnerabilidade valendo-se de todos os meios. Partindo dos primeiros instrumentos pré-históricos, utilizados como prolongamento dos braços, passando pelos meios de comunicação como extensão da palavra, chegamos hoje às máquinas mais sofisticadas que funcionam como auxílio do pensamento. Entretanto cada uma destas realidades pode ser contaminada pela tentação primordial de se tornar como Deus sem Deus (cf. Gen 3), isto é, a tentação de querer conquistar com as próprias forças aquilo que deveria, pelo contrário, acolher como dom de Deus e viver na relação com os outros.

Cada coisa nas mãos do homem torna-se oportunidade ou perigo, segundo a orientação do coração. O próprio corpo, criado para ser lugar de comunicação e comunhão, pode tornar-se instrumento de agressão. Da mesma forma, cada prolongamento técnico do homem pode ser instrumento de amoroso serviço ou de domínio hostil. Os sistemas de inteligência artificial podem contribuir para o processo de libertação da ignorância e facilitar a troca de informações entre diferentes povos e gerações. Por exemplo, podem tornar acessível e compreensível um património enorme de conhecimentos, escrito em épocas passadas, ou permitir às pessoas comunicarem em línguas que lhes são desconhecidas. Mas simultaneamente podem ser instrumentos de «poluição cognitiva», alteração da realidade através de narrações parcial ou totalmente falsas, mas acreditadas – e partilhadas – como se fossem verdadeiras. Basta pensar no problema da desinformação que enfrentamos, há anos, no caso das fake news[3] e que hoje se serve da deep fake, isto é, da criação e divulgação de imagens que parecem perfeitamente plausíveis mas são falsas (já me aconteceu a mim também ser objeto delas), ou mensagens-áudio que usam a voz duma pessoa, dizendo coisas que ela própria nunca disse. A simulação, que está na base destes programas, pode ser útil nalguns campos específicos, mas torna-se perversa quando distorce as relações com os outros e com a realidade.

Já desde a primeira onda de inteligência artificial – a das redes sociais – compreendemos a sua ambivalência, suas possibilidades, mas também seus riscos e patologias associadas. O segundo nível de inteligências artificiais geradoras marca, indiscutivelmente, um salto qualitativo. Por conseguinte é importante ter a possibilidade de perceber, compreender e regulamentar instrumentos que, em mãos erradas, poderiam abrir cenários negativos. Os algoritmos, como tudo o mais que sai da mente e das mãos do homem, não são neutros. Por isso é necessário prevenir propondo modelos de regulamentação ética para contornar os efeitos danosos, discriminadores e socialmente injustos dos sistemas de inteligência artificial e contrastar a sua utilização para a redução do pluralismo, a polarização da opinião pública ou a construção do pensamento único. Assim reitero aqui a minha exortação à «Comunidade das Nações a trabalhar unida para adotar um tratado internacional vinculativo, que regule o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial nas suas variadas formas».[4] Entretanto, como em todo o âmbito humano, não é suficiente a regulamentação.

Crescer em humanidade

Somos chamados a crescer juntos, em humanidade e como humanidade. O desafio que temos diante de nós é realizar um salto de qualidade para estarmos à altura duma sociedade complexa, multiétnica, pluralista, multirreligiosa e multicultural. Cabe a nós questionar-nos sobre o progresso teórico e a utilização prática destes novos instrumentos de comunicação e conhecimento. As suas grandes possibilidades de bem são acompanhadas pelo risco de que tudo se transforme num cálculo abstrato que reduz as pessoas a dados, o pensamento a um esquema, a experiência a um caso, o bem ao lucro, com o risco nosobretudo de que se acabe por negar a singularidade de cada pessoa e da sua história, dissolvendo a realidade concreta numa série de dados estatísticos.

A revolução digital pode tornar-nos mais livres, mas certamente não conseguirá fazê-lo se nos prender nos modelos designados hoje como echo chamber (câmara de eco). Nestes casos, em vez de aumentar o pluralismo da informação, corre-se o risco de se perder num pântano anônimo, favorecendo os interesses do mercado ou do poder. Não é aceitável que a utilização da inteligência artificial conduza a um pensamento anônimo, a uma montagem de dados não certificados, a uma desresponsabilização editorial coletiva. A representação da realidade por big data (grandes dados), embora funcional para a gestão das máquinas, implica na realidade uma perda substancial da verdade das coisas, o que dificulta a comunicação interpessoal e corre o risco de danificar a nossa própria humanidade. A informação não pode ser separada da relação existencial: implica o corpo, o situar-se na realidade; pede para correlacionar não apenas dados, mas experiências; exige o rosto, o olhar, a compaixão e ainda a partilha.

Penso na narração das guerras e naquela «guerra paralela» que se trava através de campanhas de desinformação. E penso em tantos repórteres que ficam feridos ou morrem no local em efervescência para nos permitir a nós ver o que viram os olhos deles. Pois só tocando pessoalmente o sofrimento das crianças, das mulheres e dos homens é que poderemos compreender o caráter absurdo das guerras.

A utilização da inteligência artificial poderá proporcionar um contributo positivo no âmbito da comunicação, se não anular o papel do jornalismo no local, antes pelo contrário se o apoiar; se valorizar o profissionalismo da comunicação, responsabilizando cada comunicador; se devolver a cada ser humano o papel de sujeito, com capacidade crítica, da própria comunicação.

Interrogativos de hoje e de amanhã

E surgem, espontâneas, algumas questões: Como tutelar o profissionalismo e a dignidade dos trabalhadores no campo da comunicação e da informação, juntamente com a dos utentes em todo o mundo? Como garantir a interoperabilidade das plataformas? Como fazer com que as empresas que desenvolvem plataformas digitais assumam as suas responsabilidades relativamente ao que divulgam daí tirando os seus lucros, de forma análoga ao que acontece com os editores dos meios de comunicação tradicionais? Como tornar mais transparentes os critérios subjacentes aos algoritmos de indexação e desindexação e aos motores de pesquisa, capazes de exaltar ou cancelar pessoas e opiniões, histórias e culturas? Como garantir a transparência dos processos de informação? Como tornar evidente a paternidade dos escritos e rastreáveis as fontes, evitando o para-vento do anonimato? Como deixar claro se uma imagem ou um vídeo retrata um acontecimento ou o simula? Como evitar que as fontes se reduzam a uma só, a um pensamento único elaborado algoritmicamente? E, ao contrário, como promover um ambiente adequado para salvaguardar o pluralismo e representar a complexidade da realidade? Como podemos tornar sustentável este instrumento poderoso, caro e extremamente energívoro? Como podemos torná-lo acessível também aos países em vias de desenvolvimento?

A partir das respostas a estas e outras questões compreenderemos se a inteligência artificial acabará por construir novas castas baseadas no domínio informativo, gerando novas formas de exploração e desigualdade ou se, pelo contrário, trará mais igualdade, promovendo uma informação correta e uma maior consciência da transição de época que estamos a atravessar, favorecendo a escuta das múltiplas carências das pessoas e dos povos, num sistema de informação articulado e pluralista. Dum lado, vemos assomar o espetro duma nova escravidão, do outro uma conquista de liberdade; dum lado, a possibilidade de que uns poucos condicionem o pensamento de todos, do outro a possibilidade de que todos participem na elaboração do pensamento.

A resposta não está escrita; depende de nós. Compete ao homem decidir se há de tornar-se alimento para os algoritmos ou nutrir o seu coração de liberdade, sem a qual não se cresce na sabedoria. Esta sabedoria amadurece valorizando o tempo e abraçando as vulnerabilidades. Cresce na aliança entre as gerações, entre quem tem memória do passado e quem tem visão de futuro. Somente juntos é que cresce a capacidade de discernir, vigiar, ver as coisas a partir do seu termo. Para não perder a nossa humanidade, procuremos a Sabedoria que existe antes de todas as coisas (cf. Sir 1, 4), que, passando através dos corações puros, prepara amigos de Deus e profetas (cf. Sab 7, 27): há de ajudar-nos também a orientar os sistemas da inteligência artificial para uma comunicação plenamente humana.

Roma – São João de Latrão, 24 de janeiro de 2024.

[Francisco]

[1] Cartas do Lago de Como (Brescia 52022), 95-97.

[2] Em continuidade com as anteriores Mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dedicadas a «encontrar as pessoas onde estão e como são» (2021), «escutar com o ouvido do coração» (2022) e «falar com o coração» (2023).

[3] Cf. Mensagem para o LII Dia Mundial das Comunicações (2018): «“A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz».

[4] Mensagem para o LVII Dia Mundial da Paz : 1 de janeiro de 2024, 8.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Pascom Brasil, com informações de Vatican News.

Centenário de Fé: Boa Vista Celebra São Sebastião, Símbolo de Devoção

Uma Jornada de Promessas, Tradição e União em Homenagem ao Santo Protetor que Transcende Gerações

No último sábado, Boa Vista celebrou com grande festividade o centenário da igreja de São Sebastião. Esta celebração é mais do que uma tradição centenária; é uma promessa que perdura há quase um século, um símbolo sólido de fé e devoção que une a comunidade em torno do legado deste grande santo.

A história remonta a 1883, quando Guiderm de Holanda, Bessa e o Capitão Bessa chegaram ao Vale do Rio Branco. Após uma misteriosa morte do gado, Guidermina fez uma promessa a São Sebastião, desencadeando assim a construção da igreja que se tornaria tão significativa para a comunidade. A conclusão da obra em 1924 foi possível graças às doações e leilões realizados em homenagem a São Sebastião.

No dia da celebração, uma procissão percorreu o centro da cidade, seguida por uma missa solene presidida por Dom Evaristo, bispo de Roraima, e o clero da diocese de Roraima. Fiéis devotos participaram em massa, testemunhando a importância desta tradição ao longo dos anos.

Eduardo, um devoto fervoroso, compartilhou conosco sua ligação pessoal com São Sebastião. Após a conclusão da construção, as filhas de Guidermina e Cecília assumiram a liderança nos eventos religiosos dedicados ao santo. Irmã Rita, cuja mãe zelou pela capela por trinta e dois anos, compartilhou sobre a devoção a São Sebastião e a importância deste compromisso.

Ao longo dos anos, a tradição cresceu, transformando-se em uma das maiores festas do município. Djavan, seminarista em experiência pastoral em Boa Vista, enfatizou a importância deste grande santo na vida da comunidade.

Assim, a festa de São Sebastião em Boa Vista continua a unir a comunidade em torno da fé e entre os fiéis. Esta celebração centenária representa a força da devoção e a tradição que transcende gerações, marcando um legado significativo para todos os que participam desta festividade especial.

Fotos: PAscom Catedral
Produção : Lucas Rossetti e Angelica Alves

O livro Mitos do povo indígena Macuxi

O livro Mitos do povo indígena Macuxi, que em Roraima vive sobretudo na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Os mitos do livro são registros do bispo beneditino Dom Alcuíno Meyer, recolhidos entre 1926 e 1948.
A organização do livro com os mitos na língua original Macuxi e tradução para o português e o inglês são do missionário canadense de Scarboro e grande linguista, Pe. Ronaldo MacDonell. A edição é da Diocese de Roraima, 2011.