Dom Evaristo Spengler: Na Amazônia, pensar em um novo modelo de economia, que não destrua a natureza

Bispos da Amazônia, dentre eles a presidência da REPAM-Brasil, se reuniram ao longo da última semana com diversos ministérios do Governo Federal. Segundo dom Evaristo Spengler, bispo da diocese de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, ao longo de quase 10 anos, “a REPAM fez um papel muito importante na escuta dos povos da Amazônia”, destacando o processo do Sínodo para a Amazônia.

O sofrimento provocado pela grande seca

Diante da situação bastante trágica que a Amazônia está vivendo, “com eventos climáticos que tem provocado uma grande seca e isolamento de comunidades, porque a água dos rios baixou muito por falta de chuva”, dom Evaristo Spengler denuncia que “nós temos comunidades isoladas sem comida, sem água”, e junto com isso a morte dos peixes pelo aumento da temperatura da água. Diante dessa realidade, a REPAM-Brasil, segundo seu presidente se perguntou pelo seu papel neste momento da história.

O primeiro passo foi realizar durante setembro e outubro uma grande escuta com a participação da Cáritas, Comissão Pastoral da Terra, Comissão Pastoral dos Pescadores, Conselho Indigenista Missionário e os comitês locais da REPAM dos nove estados da Amazônia brasileira. Segundo o bispo de Roraima, “isso gerou um grande diagnóstico com muitas reivindicações”. Diante dos resultados a REPAM se questionou “como agora dar uma resposta ao nosso povo que clama por direitos que não estão sendo respeitados neste momento”, e “decidiu-se ir a Brasília para uma grande incidência política”, destacou o presidente da REPAM-Brasil.

Uma agenda cheia e variada

Ao longo da semana percorreram 13 ministérios, foram ao Supremo Tribunal Federal, Ministério Público e procuraram entidades parceiras que defendem a Amazônia e estão preocupados com o Meio Ambiente. Em uma agenda variada, a primeira reivindicação foi “uma atenção a esses povos que agora estão com fome e sede na Amazônia, de modo especial com atenção com comida, mas também com a criação de políticas públicas que possam gerar um sustento digno para o nosso povo da Amazônia”, ressaltou dom Evaristo Spengler.

Junto com esse assunto imediato, ele disse ter sido tratado questões relacionadas com a crise climática, que atinge todo o Brasil com secas prolongadas e enchentes em algumas regiões, consequência do aquecimento global, com fenómenos como “El Niño”. Dom Evaristo Spengler lembrou da alerta do Papa Francisco desde o início de seu ministério, sobretudo com a Laudato Sí, pedindo atenção muito grande de preservação com a casa comum. Um chamado que continuou com o recente lançamento da Laudate Deum, onde diz, segundo lembra o bispo, que “o caminho que nós tomamos é um caminho suicida, porque o ser humano é a única espécie que pode ser suicida”, o que se manifesta na falta de preocupação com a vida no presente e para as gerações futuras.

A bomba já estourou

O bispo de Roraima diz ter ficado impactado por uma frase escutada ao longo da semana: “a bomba já estourou e nós ainda não ouvimos o ruido”, chamando a pensar em um novo modelo de economia, que não destrua a natureza, que não use tantos combustíveis fósseis e sim energias renováveis. Igualmente disse ter sido abordado a questão indígena, a questão do Marco Temporal, que está sendo tratada no Senado, uma realidade que atinge aos povos indígenas, ameaçados pela invasão das terras, pelo garimpo, que está trazendo doenças, fome e quebra do modelo harmonioso que eles viviam.

Um exemplo disso é a alta concentração de mercúrio nas pessoas moram na Amazônia em consequência do garimpo no Brasil e em outros países vizinhos, chegando a ter 32 vezes mais do que o permitido pela saúde pública. Do mesmo modo, com relação aos conflitos agrários se faz necessário investir na demarcação das terras indígenas e de áreas de preservação ambiental, para evitar conflitos que levam a ameaçar pessoas, inclusive a ser mortas, por estar defendendo os direitos da Amazônia, de seus povos e do Meio Ambiente. Igualmente denunciou os grandes projetos desenhados para a Amazônia, ferrovias, estradas, hidroelétricas, como a do Bem Querer, em Roraima, que terá um grande impacto ambiental para uma produção pequena de energia, atingindo terras indígenas e a vida dos peixes.

Ministérios com diferentes visões

Uma visita onde ele diz ter percebido que há ministérios preocupados com o meio ambiente, mas também tem outros preocupados com o desenvolvimento a qualquer custo. Dom Evaristo Spengler destaca a importância de uma reunião com a Secretaria da União e a Casa Civil onde foi recolhida toda essa pauta de demandas e promessa de uma resposta oficial do Governo em três meses, afirmando que “a REPAM vai continuar monitorando os encaminhamentos a partir dessa resposta que nos deem”.

Foi abordada a questão da desintrusão dos garimpeiros das terras indígenas, algo que define como um enxugar gelo, dado que os garimpeiros, pessoas vulneráveis e pobres, que muitas vezes estão lá como um trabalho quase escravo, esperam voltar quanto antes para o garimpo. O bispo demanda políticas públicas que garantam sua sustentabilidade. Uma situação que é vivida na região Yanomami, que vai demorar uns anos para que possa voltar a como estava antigamente.

Políticas que provocam um grave impacto ambiental

Na questão do Meio Ambiente, o bispo de Roraima falou dos dados apresentados pela ministra Marina Silva, sobre a redução neste ano no desmatamento na Amazônia, números que ainda não são suficientes. Uma postura que é diferente no Ministério das Minas e Energia, que diante da possibilidade de um apagão no Brasil, disse ser necessário criar cada vez mais energia. Nesse sentido, o bispo afirma que mesmo diante da preocupação por energias renováveis não se para a busca por petróleo na Amazônia, algo que provoca um grave impacto ambiental.

O presidente da REPAM-Brasil disse ter “alguma esperança de que algo pode avançar a partir daqueles que são mais sensíveis no governo”, mas sabendo que sendo um governo de coalizão se faz necessário negociar. Nesse sentido, ele questiona sobre o porquê os 42 territórios indígenas que já estão prontos para serem demarcados, eles demoram tanto para serem executados, vendo atrás disso negociações políticas, cedendo naquilo que é social para ganhar naquilo que é econômico.

O papel da Igreja

A Igreja tem um papel importante nessas negociações, segundo o bispo, que destacou que “o Papa Francisco tem feito isso de uma forma exemplar”, mesmo sem ter sido percebido por muita gente. Igualmente Dom Evaristo Spengler destacou o papel da Conferência Episcopal do Brasil, que “tem assumido com grande maestria esse desejo do Papa Francisco de preservação da casa comum”, apoiando com força os bispos da Amazônia, que “se encontram e buscam cada vez mais dar consistência àquilo que o Papa deseja e um cuidado maior com a casa comum”.

Ele chama à conscientização de todos, cristão e não cristãos, “porque todos vivemos no mesmo Planeta”, lembrando das palavras do Papa no Sínodo para a Amazônia, onde disse que “esse não é um problema apenas civil, social, mas diante de um pecado que brada aos céus, onde nós destruímos aquilo que é a Criação do próprio Deus, é uma questão de fé, uma questão religiosa”.

Responsabilidade no consumo

Nesse sentido, o bispo chama à responsabilidade pessoal no consumo, por exemplo de carne bovina, que vai levar a um maior desmatamento da Amazônia, o que demanda redução no consumo de carne. Também a refletir sobre o consumismo desenfreado, buscando um consumo responsável, chamando a “uma revisão de vida, das opções, além de toda essa questão estrutural que são os modelos económicos que devem ser modificados daqui para frente de uma forma muito mais radical”.

O bispo de Roraima destaca que os povos indígenas foram muito citados em todas as abordagens que vieram das bases, sobretudo o que faz referência aos seus territórios e suas formas de vida. Segundo ele, “os indígenas nos dão um grande exemplo de cuidado da casa comum”, citando a reserva indígena dos Waimiri Atroari, única parte da estrada entre Manaus e Roraima, com quase 800 km, onde a natureza está intacta e os animais são cuidados, insistindo em que “os indígenas são mestres no cuidado da casa comum”.

“Proteger das agressões que vem acontecendo é um dever da Igreja”, segundo o bispo. Isso fez com que essa questão fosse várias vezes abordada, especialmente quando se tratava do Marco Temporal, o cuidado diante dos agressores que vem em busca de minério, de madeira. Isso fez com que “a agenda em Brasília tivesse uma prioridade com os nossos povos indígenas”, ressaltou.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Conselho Diocesano de Evangelização (CDE) encerra o ano com preparativos para a Assembleia Diocesana

Ocorreu no sabado (25), no Colégio Claretiano acompanhados pelo Dom Evaristo Spengler, demas representantes religiosos e membros.

No dia 25 de novembro, sábado, aconteceu o último Conselho Diocesano de Evangelização (CDE) da Organização Católica para o Desenvolvimento e a Evangelização (OCDE) deste ano. O evento, realizado nas dependências do Colégio Claretiano, no auditório da instituição, tem como principal objetivo afinar os preparativos para a Assembleia Diocesana que se avizinha.

Convocação Abrangente: Envolvendo Todos os Segmentos Diocesanos

Para este CDE, Acompanha Dom Evaristo Spengler Bispo de Roraima e participaram os coordenadores diocesanos das pastorais, serviços, movimentos e organismos da diocese. Além disso, os vigários, padres responsáveis pelas áreas missionárias e paróquias, bem como todos os padres, participam ativamente. A convocação se estende também aos representantes das congregações religiosas, diáconos e leigos, assegurando uma representação diversificada de todos os segmentos que compõem a rica tapeçaria diocesana.

Coordenado pela equipe da Coordenação Diocesana de Evangelização, o foi um momento de reflexão, planejamento e alinhamento de estratégias para fortalecer a ação evangelizadora na região. Este CDE desempenha um papel importante na preparação para a Assembleia Diocesana, que representa um marco importante na vida da diocese.

As pautas do dia foram:

Oração inicial oferecida pela Pastoral Familiar e palavras de Dom Evaristo, em sinodalidad seguimos en missao com  coraçoes ardentes e pes a caminho .

O Padre Lucio Nicoletto, Vigario geral, destacou a importancia do caminho junto, nestos 300 anos de fidelidade e novos desafios em uma igreja sinodal.

O Bispo, Dom Vanthuy Neto, deu um  histórico sobre as assembleias diocesanas. Seguidamente do impacto da presença da diocese e das assembleias diocesanas, na sociedades roraimenses, com a Prof. Marcia Maria de Oliveira. 

O Encontro encerrou com apresentações das equipes de trabalho por area, paroquia e serviços.

Colaboradores Especiais para uma Caminhada Significativa

A jornada de preparação para a Assembleia Diocesana contará com a colaboração de pessoas especializadas que auxiliarão os participantes nessa caminhada. É um momento significativo de troca de experiências, aprendizado e alinhamento de propósitos, consolidando o trabalho que já está sendo realizado e direcionando os esforços para os desafios e oportunidades que estão por vir.

Com a assembleia diocesana no horizonte, o Conselho Diocesano de Evangelização encerra o ano de forma estratégica, promovendo a unidade e a sinergia entre os diversos setores da diocese. É uma oportunidade valiosa para fortalecer os laços comunitários, aprofundar o compromisso evangelizador e consolidar o trabalho conjunto em prol da missão da OCDE na região.

Celebrando 25 Anos de Dedicação: Jubileu de Prata do Padre Revislande dos Santos Araújo

Uma Jornada de Fé e Serviço à Comunidade

No dia 25 de novembro, a Diocese de Roraima se reúne para celebrar um marco significativo na vida do Padre Revislande dos Santos Araújo: seus 25 anos de ministério presbiteral. A ocasião será marcada por uma emocionante Missa Eucarística de ação de graças, na Paróquia de Nossa Senhora da Consolata, no sábado, às 18h.

A trajetória sacerdotal do Padre Revislande teve início sob a influência de sua mãe, uma figura que desempenhou um papel importante em sua jornada espiritual. Originária da Guiana Inglesa, ela fez parte da Missão Santo Inácio, situada às margens do rio Tacutu, na fronteira entre a Guiana e o Brasil. Em suas palavras, o padre relembra: “Eu tive influência da minha mãe que veio da Guiana Inglesa, que fez parte da Missão Santo Inácio”.

Após seu rito de ordenação, o padre celebrou uma significativa missa na Missão Santo Inácio, marcando o início oficial de sua vida sacerdotal. Seu percurso espiritual continuou nas igrejas de Boa Vista, onde foi batizado na Igreja Matriz, recebeu sua Primeira Comunhão, Crisma e Oração de Diácono na Igreja Santa Luzia. A transição para o sacerdócio foi vivida na Igreja Consolata, onde também realizou estágio de diácono e passou seus primeiros três meses como padre.

Ao celebrar este Jubileu de Prata, a comunidade se une para parabenizar o Padre Revislande pelo exemplo notável de dedicação ao sacerdócio. Suas palavras ecoam o espírito de serviço, conforme expresso em Lucas 22,27: ”Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. Que esta celebração seja um testemunho inspirador de fé, serviço e comprometimento para toda a comunidade.

Bispo da Igreja Católica realiza agenda com os ministérios da Pesca e Aquicultura e da Justiça para dialogar sobre as situações dos povos amazônidas

Dom Evaristo Pascoal Spengler, Bispo de Roraima, realizou dois encontros nos Ministérios da Pesca e Aquicultura e da Justiça na tarde desta segunda-feira (20)

O primeiro encontro ocorreu com o Secretário Nacional da Pesca, Cristiano Wellington Noberto Ramalho, para dialogar sobre os impactos da seca na Amazônia, sustentabilidade dos pescadores, acordos de pesca e o benefício dos pescadores.  

Na ocasião, Dom Evaristo ressaltou a atuação e missão da Rede, que está a serviço da vida e dos povos na Amazônia. Ele explicou que a Rede tem acompanhado com muita preocupação a seca na região e as diversas violações de direitos humanos e socioambientais que os povos amazônidas vêm sofrendo.  

O bispo destacou também a necessidade de ações emergenciais junto aos ribeirinhos, pescadores e comunidades para facilitar o acesso ao seguro dos pescadores. Além disso, enfatizou a importância de maior presença do Ministério na região amazônica.  

Cristiano Ramalho, secretário da pasta, agradeceu o encontro e falou sobre o momento importante da parceria, destacando o papel significativo da Igreja na formação social e política de muitas lideranças de movimentos populares, sociais e políticos ao longo da história. “A gente fala do nosso respeito aqui do Ministério dessa tradição do compromisso que a Igreja Católica sempre teve, e do papa Francisco que é essa grande referência para a Humanidade, com pautas inclusive de reparação histórica, com as causas libertadoras”, destacou Ramalho.  

Ao final da reunião, o secretário do Ministério propôs uma metodologia de diálogo com a pauta levada por Dom Evaristo e os outros representantes da Igreja, não apenas para responder às demandas, mas para discutir juntos os pontos apresentados na reunião.  

O objetivo da mobilização é articular soluções para a realidade da seca que assola milhões de pessoas no bioma amazônico, mas uma reflexão que seja também propositiva, que oriente a efetivação de políticas públicas nos estados e pelo Governo Federal.  

Também estiveram presentes no encontro, Cristiane Braz, consultora jurídica da pasta, Helen Moya, engenheira ambiental do Ministério e Jocemar Tomasino Mendonça, diretor do departamento de territórios pesqueiros e ordenamento. Pela REPAM-Brasil, participaram a Irmã Maria Irene Lopes, Secretária Executiva da REPAM-Brasil e Melillo Dinis, assessor jurídico e de incidência política da Rede. 

Diálogo sobre os defensores de Direitos Humanos na Amazônia 

No final da tarde de segunda-feira (20), o bispo foi recebido por Flávio Dino, ministro da Justiça e Segurança Pública, a pauta da reunião abordou diversas instâncias da situação dos defensores e defensoras de Direitos Humanos na Amazônia e políticas de proteção para territórios ameaçados. 

A comitiva da REPAM entregou ao ministro Flávio Dino um dossiê com toda a escuta nos nove estados do Brasil. “Apresentamos ao ministro Dino os problemas dos povos indígenas, dos povos ribeirinhos sobre a situação da Amazônia na questão ambiental, sobre a migração e reivindicações de direitos dos amazônidas e tivemos uma recepção bastante calorosa da parte dele, inclusive se comprometeu em responder pontualmente cada uma das demandas: do tráfico humano, violência sexual, demarcação da terra indígena. O diálogo foi aberto, para nós foi muito importante essa acolhida e também percebi que tem uma seriedade na busca de soluções”, destaca Dom Evaristo, presidente da REPAM-Brasil. 

“O Ministério da Justiça é apenas uma parte imediata, depois se exige as políticas públicas de continuidade e é por isso que nós também vamos percorrer outros Ministérios outras instâncias aqui em Brasília para que esse mosaico possa ser contemplado e que cada um possa assumir aquilo que lhe compete”, afirma.  

O bispo destaca ainda a gravidade da situação de violação de direitos da Amazônia e dos povos indígenas e comunidades tradicionais, que são os guardiões dessa biodiversidade com seus modos próprios de vida. “É necessário que haja incentivo para estas comunidades e povos para que possa se desenvolver de proteger o seus territórios sendo eles protagonistas e tendo autonomia em seus territórios para isso é preciso políticas de proteção, fiscalização e de sustentabilidade eu espero que o espaço possa ter auxiliado a refletir a grave crise socioambiental o que vivemos e nível planetário e de compromissos sérios em prol da Amazônia e dos povos amazônicos repensarem os modelo econômico que produz a destruição do meio ambiente e o extermínio dos povos originários”.  

Programação  

A agenda de diálogos segue até a sexta-feira, 24 de novembro, com encontros e reuniões entre os bispos da Amazônia e a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e representantes de outros ministérios, como Povos Indígenas, Direitos Humanos, Assistência Social e Combate à Fome e Minas e Energia.  

MJSP DEBATE VIOLAÇÕES DE DIREITOS NA AMAZÔNIA

Ministro Flávio Dino conversou com o presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica, Dom Evaristo Pascoal Spengler, para buscar soluções relacionadas a ess

Demarcação de terras indígenas; respeito às comunidades tradicionais, quilombolas, afrodescendentes, mulheres, juventude e indígenas; retirada de garimpeiros de áreas de exploração e implementação de política pública que os contemple na geração de renda; prevenção e combate ao garimpo ilegal, narcotráfico, tráfico humano e exploração sexual e feminicídio. Essas foram algumas das demandas apresentadas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, nesta segunda-feira (21), por uma comitiva que representou a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam Brasil) – ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) -, em audiência no Palácio da Justiça.

O ministro conversou com o presidente da instituição, Dom Evaristo Pascoal Spengler, e afirmou que vai analisar cada uma das demandas apresentadas, como o reforço na política de segurança pública em áreas de conflitos, o aumento do contingente de polícia especializada em questões agrárias e mais iniciativas que desenvolvam assistências às necessidades básicas de migrantes na região, entre outras.

De acordo com Flávio Dino, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a adoção de práticas e políticas imediatas. Na sequência, é necessário haver políticas públicas de continuidade por parte de outros órgãos do governo federal. Nesse sentido, o ministro recebeu um documento contendo uma lista de demandas e um retrato da situação na região, a partir de dados coletados pela instituição nos estados que compõem a Amazônia.

Indígenas e migrantes

“O ministro recebeu a síntese do nosso trabalho, que veio das bases da Amazônia, e agora vai encaminhar às respectivas áreas do Ministério para responder a cada uma dessas demandas”, afirmou Dom Evaristo Pascoal Spengler, também bispo da Diocese de Roraima. O religioso disse que se preocupa, principalmente, com a situação dos yanomami e os migrantes, especialmente os oriundos da Venezuela. Além, também, de problemas relacionados ao tráfico de drogas, violência sexual e demarcação de terras indígenas.

Segundo Dom Evaristo, o diálogo com o MJSP foi aberto, o que demonstra, em suas palavras, seriedade na busca de soluções. “O ministro nos disse que as soluções nem sempre são tão fáceis, mas que ele está trabalhando em estruturas de defesa, seja dos povos indígenas ou do meio ambiente, além do combate ao tráfico humano e exploração sexual e feminicídio, por exemplo”, ressaltou.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

A PASTORAL FAMILIAR ENCERROU ENCONTROS PREPARATÓRIOS PARA O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO

Quinze casais, decididos a unir suas vidas nas paróquias de nossa diocese.

No dia 18 de novembro, às 17:00, na sala de reuniões da prelazia, celebramos o encerramento dos oito encontros preparatórios para o Sacramento do Matrimônio. Quinze casais, decididos a unir suas vidas nas paróquias de nossa diocese, receberão a certificação conquistada ao longo deste inspirador itinerário.

Durante esses encontros, acompanhamos de perto esses casais, desenvolvendo um roteiro de itinerário vivencial de acompanhamento personalizado para o Sacramento do Matrimônio. Esse roteiro não apenas orienta os casais, mas também enriquece a igreja, ajudando-a a encontrar nos diálogos familiares a essência da base da sociedade: a família.

Aprendemos valiosas lições com esses casais, reforçando a importância da família como igreja doméstica. O processo de formação dos futuros casais é vital para que a igreja e a sociedade possam compreender e apoiar a família como alicerce da comunidade.

No emocionante encontro de encerramento, o Padre Jefferson liderará discussões sobre as principais pastorais, serviços e movimentos da nossa diocese. Além disso, abordará o engajamento pastoral desses casais, proporcionando um processo formativo embasado na sagrada escritura e na doutrina da igreja católica sobre o casamento.

Acreditamos que esses casais contribuirão significativamente para nossa jornada, assim como nós, enquanto igreja, desejamos fortalecer nossa relação com eles. Os casais interessados em participar da formação para noivos em 2024, é só procurar a secretaria da diocese de Roraima

Solenidade de Cristo Rei do Universo

Origens 

Em 325, ocorreu o primeiro Concílio Ecumênico na cidade de Niceia, Ásia Menor. Na ocasião, foi definida a divindade de Cristo contra as heresias de Ario: “Cristo é Deus, Luz da luz, Deus verdadeiro do Deus verdadeiro”. No ano de 1925, Pio XI proclamou o modo melhor para superar as injustiças: o reconhecimento da realeza de Cristo. 

A Data

A data original da festa de Cristo Rei era o último domingo de outubro, mas, com a nova Reforma de 1969, foi transferida para o último domingo do Ano Litúrgico. Desta forma, fica claro que Jesus Cristo, o Rei, é a meta da nossa peregrinação terrena. Os textos bíblicos mudam em todos os três anos (Ano A, B e C) para que possamos conhecer, plenamente, a figura de Jesus.

Encíclica Quas Primas do Papa Pio XI

Um Convite

Na Encíclica do Papa Pio XI, o Papa instituiu a festividade de Cristo Rei, realizando um convite para que o Cristo reine em nossa mente, e para que possamos agir com uma perfeita submissão, devendo estar firme e constante aos assentimentos, às verdades reveladas e à Doutrina de Cristo.

Cristo Reina

O Cristo reina, e precisamos estar em Sua Vontade, obedecendo às leis e aos preceitos divinos. Precisamos permitir que Ele reine em nosso coração, amando a Deus mais do que qualquer outra coisa, e estar unido somente a Ele. 

Rei do Universo

O Cristo reina no corpo e nos membros que, como instrumentos, devem ser oferecidos a Deus e devem servir à santidade interior das almas. Se estas coisas forem colocadas em ações, mais facilmente serão levadas à perfeição.

Cristo reina!

Um Recomeço

A Solenidade nos chama a um recomeço, um novo caminho para os fiéis e aqueles que estão fora de seu reino ansiando e aceitando uma nova vida em Cristo, que nos acolhe pela sua infinita misericórdia. Que possamos trazer e nos aproximar de Cristo, não com relutância, mas com prazer, amor e mais santos. E que nossa vida seja conforme as leis do Reino divino, para que colhamos frutos felizes e abundantes; e, considerados por Cristo como servos bons e fiéis, nos tornamos participantes com Ele no Reino celestial de sua eterna felicidade e glória.

Minha oração

“ Senhor Jesus Cristo, lhe damos o trono do nosso coração e da nossa família. Rei em tudo o que somos e fazemos, em tudo o que nos pertence. Sabemos que debaixo do teu reinado seremos felizes e satisfeitos. Amém!”

Cristo Rei do Universo, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados em 20 de novembro

  • Em Antioquia, na Síria, hoje Antakya, na Turquia, São Basílio, mártir. († s. III)
  • Em Ástigi, na Hispânia Bética, hoje Écija, na Espanha, São Crispim, bispo e mártir. († s. III)
  • Em Doróstoro, na Mésia, hoje Silistra, na Bulgária, São Dásio, mártir. († c. s. IV)
  • Em Turim, na Ligúria, hoje no Piemonte, região da Itália, os santos OctávioSolutor e Adventor, mártires. († s. IV)
  • Em Vercelas, na Ligúria, no atual Piemonte, São Teonesto, mártir, em cuja honra Santo Eusébio edificou uma basílica. († a. 313)
  • Em Benevento, na Campânia, também na região da Itália, São Doro, bispo. († s. V)
  • Em Chalons-sur-Saône, na Borgonha, agora na França, São Silvestre, bispo, que aos quarenta anos do seu sacerdócio, pleno de dias e de virtudes, foi ao encontro do Senhor. († c. 520-530)
  • No monte Jura, no território de Lião, na atual França, Santo Hipólito, abade e bispo. († c. 770)
  • Em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia, São Gregório Decapolita, monge. († 842)
  • Na Inglaterra, Santo Edmundo, mártir. († 869)
  • Em Hildesheim, na Saxónia da Germânia, hoje na Alemanha, São Bernuardo, bispo. († 1022)
  • Na Calábria, região da Itália, São Cipriano, abade de Calamízzi, que conservou fielmente as normas e os exemplos dos Padres orientais. († c. 1190)
  • Em Hanoi, no Tonquim, hoje no Vietnam, São Francisco Xavier Can, mártir. († 1837)
  • Em Véroli, no Lácio, região da Itália, a Beata Maria Fortunata, da Ordem de São Bento. († 1922)
  • Próximo de Valência, na Espanha, as beatas Ângela de São José e catorze companheiras, virgens e mártires, uma era superiora geral e as outras religiosas da Congregação da Doutrina Cristã. († 1936)
  • Em Picadero de Paterna,perto de Valência, a Beata Maria dos Milagres Ortells Gimeno, virgem da Ordem das Clarissas Capuchinhas e mártir. († 1936)

Santo Edmundo, rogai por nós! 🙏

Fim de Semana de Formações na Diocese de Roraima destaca compromisso com migrantes e pessoas idosas

Encontros promovidos pela Pastoral dos Migrantes e Pastoral da Pessoa Idosa reforçam valores sinodais e promovem dignidade na terceira idade

Durante o último fim de semana, a Diocese de Roraima foi palco de intensas atividades de formação, promovendo o encontro de duas pastorais comprometidas com a promoção de valores fundamentais: a Pastoral dos Migrantes e a Pastoral da Pessoa Idosa.

Na sede da Casa da Caridade Papa Francisco e no Auditório da Rádio Monte Roraima FM, as atividades transcorreram entre os dias 17 e 19 de novembro, reunindo membros das duas pastorais e representantes de diversas paróquias da região. O evento contou com a participação de Dom Evaristo Splenger, Bispo de Roraima, que prestigiou ambos encontros.

Pastoral dos Migrantes: Reflexão Sinodal e Planejamento para o Futuro

A Pastoral dos Migrantes realizou seu III Encontro de Formação Diocesano, focando no tema “Migrantes: Lugar teológico em perspectiva sinodal”. Entre os dias 17 e 18, os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar a espiritualidade da ação missionária, seguindo a perspectiva sinodal da igreja. A palestrante principal, Irmã Maria do Carmo dos Santos, conduziu discussões valiosas sobre a temática, enquanto os presentes traçaram um planejamento para o ano de 2024.

O encontro reuniu não apenas membros da Pastoral dos Migrantes, mas também padres de diversas paróquias, agentes pastorais dos diferentes serviços da sede e dos municípios do interior de Roraima. A presença de Dom Evaristo Splenger acrescentou um significado especial ao evento.

Pastoral da Pessoa Idosa: Valorização e Dignidade na Terceira Idade

Simultaneamente, a Pastoral da Pessoa Idosa promoveu um Encontro de Formação nos dias 18 e 19, focando na Coordenação regional norte 1. Líderes e coordenadores da PPI reuniram-se para discutir missões, receber formação e informações sobre o Sistema de Informação da Pastoral da Pessoa Idosa (SIGPPI) e o aplicativo PPI Mobile.

O aplicativo, desenvolvido com o objetivo de auxiliar o acompanhamento digital da pessoa idosa, representa um esforço voluntário dos líderes formados pela Pastoral da Pessoa Idosa. O encontro visou fortalecer o compromisso da pastoral em assegurar a dignidade e a valorização integral das pessoas idosas, promovendo a promoção humana e espiritual, respeitando seus direitos.

A Pastoral da Pessoa Idosa, que opera sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político, tem como missão proporcionar um processo educativo de formação continuada para as pessoas idosas, suas famílias e comunidades. O intuito é que, respeitosamente, famílias e comunidades possam conviver com as pessoas idosas como protagonistas de sua auto-realização.

O fim de semana de formações na Diocese de Roraima não apenas fortaleceu os laços comunitários, mas também reforçou o compromisso dessas pastorais em construir uma sociedade mais justa e solidária, onde migrantes e pessoas idosas sejam reconhecidos e valorizados em sua plenitude.

Celebração e Gratidão: Catedral Cristo Redentor Inicia Festa de Cristo Rei e Comemora 51 Anos

Momento litúrgico marca o encerramento do ano litúrgico e celebra o legado de fé da Catedral na capital de Roraima

A cidade de Boa Vista se prepara para uma semana de celebrações especiais, pois a imponente Igreja Catedral Cristo Redentor dará início à tão aguardada Festa de Cristo Rei na próxima segunda-feira, 20 de novembro. O evento, que coincide com os 51 anos da presença da igreja na capital de Roraima, promete ser um momento de reflexão, devoção e agradecimento.

Tradição e Devoção na Festa de Cristo Rei

A Festa de Cristo Rei, que é celebrada anualmente pela Igreja Católica, marca o encerramento do ano litúrgico e precede o período do Advento e Natal. Este momento litúrgico, instituído pelo Concílio Vaticano II, serve como uma lembrança anual da soberania de Jesus como Rei do Universo. A Catedral Cristo Redentor, como Diocese de Roraima, escolheu esse período não apenas para celebrar a fé, mas também para agradecer pelos 51 anos de construção e acolhida à comunidade católica na capital.

Programação Variada para Todos os Fiéis

A festividade contará com uma programação diversificada, incluindo apresentações da banda e coral do renomado Instituto Boa Vista de Música (IBVM), conhecido por sua contribuição para a expressão artística e cultural na região. Além disso, momentos de espiritualidade serão proporcionados através da reza do terço e noites de oração, proporcionando aos fiéis a oportunidade de se conectarem mais profundamente com sua fé. Confere a Programação:

O ponto culminante da celebração será a missa no último domingo do mês, dia 26 de novembro com Missa as 9h30 e 19h30, que não apenas encerrará as festividades, mas também reunirá a comunidade para expressar sua gratidão e devoção ao Cristo Rei.

Uma Jornada de Fé e Gratidão

Ao longo desses 51 anos, a Catedral Cristo Redentor tem sido não apenas um marco arquitetônico, mas um centro de espiritualidade e união para os católicos de Boa Vista. A Festa de Cristo Rei e o aniversário da igreja são oportunidades únicas para a comunidade expressar sua gratidão pela jornada de fé, esperança e amor que têm vivenciado sob a égide do padroeiro, Cristo Rei.

Que a semana de celebrações seja repleta de bênçãos e que a Catedral Cristo Redentor continue a ser um farol de luz espiritual na vida da comunidade católica de Boa Vista.

Mensagem do Papa Francisco para o VII Dia Mundial dos Pobres

“Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” (Tb 4, 7)

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O VII DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII Domingo do Tempo Comum
19 de novembro de 2023

«Nunca afastes de algum pobre o teu olhar» (Tb 4, 7)

1. O Dia Mundial dos Pobres, sinal fecundo da misericórdia do Pai, vem pela sétima vez alentar o caminho das nossas comunidades. Trata-se duma ocorrência que se está a radicar progressivamente na pastoral da Igreja, fazendo-a descobrir cada vez mais o conteúdo central do Evangelho. Empenhamo-nos todos os dias no acolhimento dos pobres, mas não basta; a pobreza permeia as nossas cidades como um rio que engrossa sempre mais até extravasar; e parece submergir-nos, pois o grito dos irmãos e irmãs que pedem ajuda, apoio e solidariedade ergue-se cada vez mais forte. Por isso, no domingo que antecede a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, reunimo-nos ao redor da sua Mesa para voltar a receber d’Ele o dom e o compromisso de viver a pobreza e servir os pobres.

Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” (Tb 4, 7). Esta recomendação ajuda-nos a compreender a essência do nosso testemunho. Deter-se no Livro de Tobite, um texto pouco conhecido do Antigo Testamento, eloquente e cheio de sabedoria, permitir-nos-á penetrar melhor no conteúdo que o autor sagrado deseja transmitir. Abre-se diante de nós uma cena de vida familiar: um pai, Tobite, despede-se do filho, Tobias, que está prestes a iniciar uma longa viagem.
O velho Tobite teme não voltar a ver o filho e, por isso, deixa-lhe o seu “testamento espiritual”. Foi deportado para Nínive e agora está cego; é, por conseguinte, duplamente pobre, mas sempre viveu com a certeza que o próprio nome exprime: “O Senhor foi o meu bem”. Este homem que sempre confiou no Senhor, deseja, como um bom pai, deixar ao filho não tanto bens materiais, mas sobretudo o testemunho do caminho que há de seguir na vida. Por isso diz-lhe: “Lembra-te sempre, filho, do Senhor, nosso Deus, em todos os teus dias, evita o pecado e observa os seus mandamentos. Pratica a justiça em todos os dias da tua vida e não andes pelos caminhos da injustiça” (Tb 4, 5).

2. Como salta à vista, a recordação, que o velho Tobite pede ao filho para guardar, não se reduz simplesmente a um ato da memória nem a uma oração dirigida a Deus. Faz referência a gestos concretos, que consistem em praticar boas obras e viver com justiça. E a exortação torna-se ainda mais específica: “Dá esmolas, conforme as tuas posses. Nunca afastes de algum pobre o teu olhar, e nunca se afastará de ti o olhar de Deus” (Tb 4, 7).

Muito surpreendem as palavras deste velho sábio. Não esqueçamos, de facto, que Tobite perdeu a vista precisamente depois de ter praticado um ato de misericórdia. Como ele próprio conta, desde a juventude que se dedicou a obras de caridade, “dando muitas esmolas aos meus irmãos, os da minha nação que comigo tinham sido levados cativos para a terra dos assírios, em Nínive (…), fornecendo pão aos esfomeados e vestindo os nus e, se encontrava morto alguém da minha linhagem, atirado para junto dos muros de Nínive, dava-lhe sepultura” (Tb 1, 3.17).

Por causa deste seu testemunho de caridade, viu-se privado de todos os seus bens pelo rei, ficando na pobreza completa. Mas, o Senhor precisava ainda dele! Foi-lhe devolvido o seu lugar de administrador e ele não teve medo de continuar o seu estilo de vida. Ouçamos a sua história, que hoje nos fala também a nós: «Pela festa do Pentecostes, que é a nossa festa das Semanas, mandei preparar um bom almoço e reclinei-me para comer. Mas, ao ver a mesa coberta com tantas comidas finas, disse a Tobias: “Filho, vai procurar, entre os nossos irmãos cativos em Nínive, um pobre que seja de coração fiel, e trá-lo para que participe da nossa refeição. Eu espero por ti, meu filho” (Tb 2, 1-2). Como seria significativo se, no Dia dos Pobres, esta preocupação de Tobite fosse também a nossa! Ou seja, convidar para partilhar o almoço
dominical, depois de ter partilhado a Mesa Eucarística. A Eucaristia celebrada tornar-se-ia realmente critério de comunhão. Aliás, se ao redor do altar do Senhor temos consciência de sermos todos irmãos e irmãs, quanto mais visível se tornaria esta fraternidade, compartilhando a refeição festiva com quem carece do necessário!

Tobias fez como o pai lhe dissera, mas voltou com a notícia de que um pobre fora morto e deixado no meio da praça. Sem hesitar, o velho Tobite levantou-se da mesa e foi enterrar aquele homem. Voltando cansado para casa, adormeceu no pátio; caíram-lhe nos olhos  excrementos de pássaros, e ficou cego (cf. Tb 2, 1-10). Ironia do destino! Pratica um gesto de caridade e sucedelhe uma desgraça… Apetece-nos pensar assim, mas a fé ensina-nos a ir mais a fundo. A cegueira de Tobite tornar-se-á a sua força para reconhecer ainda melhor tantas formas de pobreza ao seu redor. E, mais tarde, o Senhor providenciará a devolver ao velho pai a vista e a alegria de rever o filho Tobias. Quando chegou este momento, “Tobite lançou-se-lhe ao pescoço e, chorando, disse: “Vejo-te, filho, tu que és a luz dos meus olhos!” E continuou: “Bendito seja Deus e bendito o seu grande nome! Benditos os seus santos anjos! Que seu nome esteja sobre nós e benditos
sejam todos os seus anjos, pelos séculos sem fim! Ele puniu-me, mas eis que volto a ver Tobias, o meu filho”” (Tb 11, 13-14).

3. Podemos questionar-nos: Donde tira Tobite a coragem e a força interior que lhe permitem servir a Deus no meio dum povo pagão e amar o próximo até ao ponto de pôr em risco a própria vida? Estamos diante dum exemplo extraordinário: Tobite é um marido fiel e um pai carinhoso; foi deportado para longe da sua terra e sofre injustamente; é perseguido pelo rei e pelos vizinhos de casa… Apesar de ânimo tão bom, é posto à prova. Como muitas vezes nos ensina a Sagrada Escritura, Deus não poupa as provações a quem pratica o bem. E porquê? Não o faz para nos humilhar, mas para tornar firme a nossa fé n’Ele.

Tobite, no período da provação, descobre a própria pobreza, que o torna capaz de reconhecer os pobres. É fiel à Lei de Deus e observa os mandamentos, mas para ele isto não basta. A solicitude operosa para com os pobres torna-se-lhe possível, porque experimentou a pobreza na própria pele. Por isso, as palavras que dirige ao filho Tobias constituem a sua verdadeira herança: “Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” (Tb 4, 7). Enfim, quando nos deparamos com um pobre, não podemos virar o olhar para o lado oposto, porque impediríamos a nós próprios de encontrar o rosto do Senhor Jesus. E notemos bem aquela expressão «de algum pobre», de todo o pobre. Cada um deles é nosso próximo. Não importa a cor da pele, a condição social, a proveniência… Se sou pobre, posso reconhecer de verdade quem é o irmão que precisa de mim. Somos chamados a ir ao encontro de todo o pobre e de todo o tipo de pobreza, sacudindo de nós mesmos a indiferença e a naturalidade com que defendemos um bem-estar ilusório.

4. Vivemos um momento histórico que não favorece a atenção aos mais pobres. O volume sonoro do apelo ao bem-estar é cada vez mais alto, enquanto se põe o silenciador relativamente às vozes de quem vive na pobreza. Tende-se a ignorar tudo o que não se enquadre nos modelos de vida pensados sobretudo para as gerações mais jovens, que são as mais frágeis perante a mudança cultural em curso. Coloca-se entre parênteses aquilo que é desagradável e causa sofrimento, enquanto se exaltam as qualidades físicas como se fossem a meta principal a
alcançar. A realidade virtual sobrepõe-se à vida real, e acontece cada vez mais facilmente confundirem-se os dois mundos. Os pobres tornam-se imagens que até podem comover por alguns momentos, mas quando os encontramos em carne e osso pela estrada, sobrevêm o
fastídio e a marginalização. A pressa, companheira diária da vida, impede de parar, socorrer e cuidar do outro. A parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37) não é história do passado; desafia o presente de cada um de nós. Delegar a outros é fácil; oferecer dinheiro para que outros pratiquem a caridade é um gesto generoso; envolver-se pessoalmente é a vocação de todo o cristão.

5. Damos graças ao Senhor porque há tantos homens e mulheres que vivem a dedicação aos pobres e excluídos e a partilha com eles; pessoas de todas as idades e condições sociais que praticam a hospitalidade e se empenham junto daqueles que se encontram em situações de marginalização e sofrimento. Não são super-homens, mas “vizinhos de casa” que encontramos cada dia e que, no silêncio, se fazem pobres com os pobres. Não se limitam a dar qualquer coisa: escutam, dialogam, procuram compreender a situação e as suas causas, para dar conselhos adequados e indicações justas. Estão atentos tanto à necessidade material como à espiritual, ou seja, à promoção integral da pessoa. O Reino de Deus torna-se presente e visível neste serviço generoso e gratuito; é realmente como a semente que caiu na boa terra da vida destas pessoas, e dá fruto (cf. Lc 8, 4-15). A gratidão a tantos voluntários deve fazer-se oração para que o seu testemunho possa ser fecundo.

6. No 60º aniversário da Encíclica Pacem in terris, é urgente retomar as palavras do Santo Papa João XXIII quando escrevia: «O ser humano tem direito à existência, à integridade física, aos recursos correspondentes a um digno padrão de vida: tais são especialmente a nutrição, o vestuário, a moradia, o repouso, a assistência sanitária, os serviços sociais indispensáveis. Segue-se daí, que a pessoa tem também o direito de ser amparada em caso de doença, de invalidez, de viuvez, de velhice, de desemprego forçado, e em qualquer outro caso de privação dos meios de sustento por circunstâncias independentes da sua vontade» (n. 11).

Quanto trabalho temos ainda pela frente para tornar realidade estas palavras, inclusive através dum sério e eficaz empenho político e legislativo! Não obstante os limites e por vezes as lacunas da política para ver e servir o bem comum, possa desenvolver-se a solidariedade e a subsidiariedade de muitos cidadãos que acreditam no valor do empenho voluntário de dedicação aos pobres. Isto, naturalmente sem deixar de estimular e fazer pressão para que as instituições públicas cumpram do melhor modo possível o seu dever. Mas não adianta ficar passivamente à espera de receber tudo “do alto”. E, quem vive em condição de pobreza, seja também envolvido e apoiado num processo de mudança e responsabilização.

7. Mais uma vez, infelizmente, temos de constatar novas formas de pobreza que se vêm juntar às outras descritas já anteriormente. Penso de modo particular nas populações que vivem em cenários de guerra, especialmente nas crianças privadas dum presente sereno e dum futuro digno. Ninguém poderá jamais habituar-se a esta situação; mantenhamos viva toda a tentativa para que a paz se afirme como dom do Senhor Ressuscitado e fruto do empenho pela justiça e o diálogo.

Não posso esquecer as especulações, em vários setores, que levam a um aumento dramático dos preços, deixando muitas famílias numa indigência ainda maior. Os salários esgotam-se rapidamente, forçando a privações que atentam contra a dignidade de cada pessoa. Se, numa família, se tem de escolher entre o alimento para se nutrir e os remédios para se curar, então deve fazer-se ouvir a voz de quem clama pelo direito a ambos os bens, em nome da dignidade da pessoa humana.

Além disso, como não assinalar a desordem ética que marca o mundo do trabalho? O tratamento desumano reservado a muitos trabalhadores e trabalhadoras; a remuneração não equivalente ao trabalho realizado; o flagelo da precariedade; as demasiadas vítimas de incidentes, devidos muitas vezes à mentalidade que privilegia o lucro imediato em detrimento da segurança… Voltam à mente as palavras de São João Paulo II: «O primeiro fundamento do valor do trabalho é o próprio homem. (…) O homem está destinado e é chamado ao trabalho, contudo antes de mais nada o trabalho é “para o homem”, e não o homem “para o trabalho”» (Enc. Laborem exercens, 6).

8. Este elenco, já em si mesmo dramático, dá conta apenas de modo parcial das situações de pobreza que fazem parte da nossa vida diária. Não posso deixar de fora, em particular, uma forma de mal-estar que aparece cada dia mais evidente e que atinge o mundo juvenil. Quantas
vidas frustradas e até suicídios de jovens, iludidos por uma cultura que os leva a sentirem-se “inacabados” e “falidos”. Ajudemo-los a reagir a estas instigações nocivas, para que cada um possa encontrar a estrada que deve seguir para adquirir uma identidade forte e generosa.
Éfácil cair na retórica, quando se fala dos pobres. Tentação insidiosa é também parar nas estatísticas e nos números. Os pobres são pessoas, têm rosto, uma história, coração e alma. São irmãos e irmãs com os seus valores e defeitos, como todos, e é importante estabelecer uma
relação pessoal com cada um deles.

O Livro de Tobias ensina-nos a ser concretos no nosso agir com e pelos pobres. É uma questão de justiça que nos obriga a todos a procurar-nos e encontrar-nos reciprocamente, favorecendo a harmonia necessária para que uma comunidade se possa identificar como tal. Portanto,
interessar-se pelos pobres não se esgota em esmolas apressadas; pede para restabelecer as justas relações interpessoais que foram afetadas pela pobreza. Assim «não afastar o olhar do pobre» leva a obter os benefícios da misericórdia, da caridade que dá sentido e valor a toda a
vida cristã.

9. Que a nossa solicitude pelos pobres seja sempre marcada pelo realismo evangélico. A partilha deve corresponder às necessidades concretas do outro, e não ao meu supérfluo de que me quero libertar. Também aqui é preciso discernimento, sob a guia do Espírito Santo, para distinguir as verdadeiras exigências dos irmãos do que constitui as nossas aspirações. Aquilo de que seguramente têm urgente necessidade é da nossa humanidade, do nosso coração aberto ao amor. Não esqueçamos: “Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles” (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198). A fé ensina-nos que todo o pobre é filho de Deus e que, nele ou nela, está presente Cristo: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos,
a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40).

10. Este ano completam-se 150 anos do nascimento de Santa Teresa do Menino Jesus. Numa página da sua História de uma alma, deixou escrito: “Compreendo agora que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não se escandalizar com as suas fraquezas, em edificar-se com os mais pequenos atos de virtude que se lhes vir praticar; mas compreendi, sobretudo, que a caridade não deve ficar encerrada no fundo do coração: “Ninguém, disse Jesus, acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas coloca-a sobre o candelabro para alumiar todos os que estão em casa”. Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, não só os que são mais queridos, mas todos aqueles que estão na casa, sem excetuar ninguém” (Manuscrito C, 12rº: História de uma alma, Avessadas 2005, 255-256).

Nesta casa que é o mundo, todos têm direito de ser iluminados pela caridade, ninguém pode ser privado dela. Possa a tenacidade do amor de Santa Teresinha inspirar os nossos corações neste Dia Mundial, ajudar-nos a «nunca afastar de algum pobre o olhar» e a mantê-lo sempre fixo no rosto humano e divino do Senhor Jesus Cristo.

Roma – São João de Latrão, na Memória de Santo António, Patrono dos pobres, 13 de junho de
2023.

PAPA FRANCISCO

Fonte: Vaticano