Em visita a Roraima, Vera Lúcia Engerhar falou sobre presença das comunidades luteranas, desafios da região e parceria com outras igrejas

A pastora sinodal Vera Lucia Engelhardt, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, está em Roraima para uma visita pastoral à comunidade luterana de Boa Vista. Durante entrevista à Rádio Monte Roraima, ela falou sobre a presença da igreja na Amazônia, os desafios enfrentados pelas comunidades e a atuação em pautas sociais e ambientais.
Como pastora sinodal, Vera é responsável pela coordenação das atividades das comunidades luteranas que integram o Sínodo da Amazônia. A área reúne comunidades no noroeste de Mato Grosso, além dos estados de Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima.
Durante a visita a Roraima, a pastora participou de atividades com a comunidade luterana de Boa Vista e acompanhou demandas locais.
“Na função que exerço como pastora sinodal, tenho a responsabilidade de coordenar todas as atividades das comunidades luteranas na região amazônica. Por isso, realizamos visitas periódicas às comunidades. Neste momento, vim à comunidade luterana de Boa Vista para fazer essa visita pastoral, estar com a comunidade, celebrar, ouvir e também orientá-la naquilo que necessita e requer dessa tarefa sinodal”, disse Vera.
Presença luterana na Amazônia
A presença organizada da Igreja Luterana na Amazônia começou a se fortalecer a partir da década de 1970, com a chegada de famílias migrantes de outras regiões do país. Em Roraima, os primeiros luteranos chegaram nesse período e formaram a comunidade de Boa Vista.
A pastora também destacou a relação histórica entre as comunidades de Boa Vista e Manaus. Segundo ela, a comunidade manauara surgiu a partir do trabalho realizado por integrantes da igreja em Roraima.
Atualmente, o Sínodo da Amazônia reúne nove paróquias e cinco comunidades com funções paroquiais distribuídas pelos estados da região. Em Boa Vista, a comunidade mantém atividades com crianças, adolescentes, jovens e mulheres, além da participação em ações voltadas à população migrante.
Desafios
Entre os principais desafios apontados por Vera está a sustentabilidade das comunidades, especialmente a participação de pessoas dispostas a atuar de forma voluntária nas atividades.
A pastora também citou a necessidade de ampliar a formação de pessoas da própria Amazônia para o estudo teológico e o exercício do ministério religioso na região.
Para ela, um dos objetivos da igreja é fortalecer a presença nas comunidades amazônicas e fazer com que a instituição esteja inserida na realidade local.
Justiça socioambiental
Durante a entrevista, Vera também falou sobre a atuação da Igreja Luterana na área ambiental. Segundo ela, no último concílio da igreja, realizado em agosto, foi aprovada uma política de justiça socioambiental para ser implementada pelas comunidades a partir de 2027.
Entre as propostas estão o uso de energias renováveis, a redução de produtos descartáveis, o reaproveitamento de materiais e o consumo consciente. A proposta também prevê ações de conscientização desde as atividades com crianças e adolescentes.
A pastora afirmou que a iniciativa busca relacionar a fé com práticas de cuidado com o meio ambiente e com as pessoas.
Diálogo com outras igrejas
A atuação conjunta com outras denominações religiosas também faz parte da presença da Igreja Luterana na Amazônia. A pastora Vera Lúcia Engelhardt destacou que a instituição mantém uma perspectiva ecumênica e citou a parceria com a Igreja Católica em ações voltadas ao cuidado com pessoas em situação de vulnerabilidade e ao bem comum.
“Nós somos uma igreja ecumênica. Então, sempre trabalhamos em parceria com igrejas irmãs. Nós não somos concorrentes uns dos outros, umas das outras, mas trabalhamos juntos e juntas. Com a Igreja Católica, sempre tivemos uma parceria muito bonita e especial. Em muitos lugares, conseguimos unir forças para trabalhar e dar esse testemunho em conjunto”, destacou a pastora sinodal.
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