São Lourenço e a fecundidade da semente!

Conta a história que o imperador Valeriano pediu que Lourenço entregasse todos os bens da Igreja.

2025.08.10 SAN LORENZO, diacono e martire

A festa de São Lourenço, diácono e mártir, nesta segunda-feira, 10 de agosto, é um grande testemunho do silêncio e do poder de uma semente! Conta a história que o imperador Valeriano, em meados do século III, pediu que Lourenço entregasse todos os bens da Igreja, dos quais era administrador. Apontando para uma multidão de pobres e doentes que, todos os dias, amparava e cuidava, disse: «este é o tesouro da Igreja!». Três dias depois, Lourenço foi morto, por ordem de Valeriano, queimado sobre uma grelha.

De fato, o critério de amadurecimento que São Paulo sugere na Primeira Leitura permanece sempre atual: «Quem semeia pouco, colherá também pouco; e quem semeia com largueza colherá também com largueza» (2Cor 9,6-10). Trata-se do esforço na semeadura, não tanto da preocupação com o fruto. A marca de quem assume semear deve ser, como continua Paulo, «semear com alegria».

Alguns poderiam pensar que a semeadura de São Lourenço fracassou. Na verdade, semear também é saber perder: «se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto» (Jo 12,24-26). Perder a vida pode tornar-se um modo de ganhar a vida, porque a largueza não se mede pelo sucesso, mas pela capacidade de fazer a vida tornar-se mais vida. Não por acaso, a tradição cristã aprendeu a dizer: «o sangue dos mártires é semente de novos cristãos».

Jean Valjean, no leito de morte, ao final de Os Miseráveis, de Victor Hugo, sentencia: «Morrer não é nada, não viver é que é horrível!». Talvez esteja aí uma das grandes perguntas deixadas por São Lourenço: o que estamos fazendo da nossa vida?

A maior herança não é aquilo que acumulamos, mas aquilo que semeamos. A largueza da nossa história não será medida pelo tamanho dos frutos que conseguimos enxergar, mas pela generosidade com que fomos capazes de entregar a vida. Afinal, uma semente só se torna fecunda quando aceita desaparecer na terra. São Lourenço nos ensina: viver é semear! E semear é acreditar que a vida entregue por amor nunca é perdida.

Por Pe. Maicon A. Malacarne

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