A Diocese de Roraima realizará, no dia 19 de julho de 2025, uma solene Celebração Eucarística em ação de graças pelos 300 anos da evangelização em Roraima. A celebração será presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo diocesano, na Catedral Cristo Redentor, em Boa Vista, às 19h.
Com o tema: “300 anos de fidelidade e novos desafios numa Igreja Sinodal”, o evento faz parte das comemorações do Ano Jubilar da Diocese e recorda o início da presença missionária católica em Roraima, iniciada oficialmente em 1725.
A programação do dia começa às 17h, com uma Caminhada Jubilar, saindo da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo em direção à Catedral. Durante o percurso, os fiéis passarão por locais históricos como a Prelazia da Diocese, Igreja São Sebastião, Palácio da Justiça e outros pontos que fazem parte da memória e da identidade da fé católica em Roraima.
Segundo Dom Evaristo Spengler, este é um momento de renovação da fé e do compromisso missionário da Igreja em Roraima.
“Este ano de 2025 é um ano de muita graça para nossa Diocese, porque celebramos 300 anos de evangelização nesta terra. A celebração do dia 19 de julho será o ponto alto do nosso Ano Jubilar. Convido a todos a participarem desta Solene Ação de Graças, quando iremos juntos agradecer a belíssima história que Deus constrói com Seu povo em Roraima. Venha rezar conosco e renovar sua fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo”, afirmou o bispo.
Foto: Arquivo da Diocese de Roraima
Participação de todas as comunidades
Para possibilitar a presença de todos os fiéis, não haverá missas nas comunidades da capital no dia 19. Estão confirmadas as participações das paróquias da capital e do interior, divididas por regiões com seus banners, além de representações de pastorais sociais, movimentos familiares, missões indígenas, organizações humanitárias e movimentos católicos.
Outras atividades do Ano Jubilar
Desde janeiro de 2025, a Diocese tem promovido diversas atividades jubilares, como: Missas e momentos de oração em toda a Diocese; peregrinação da imagem de Nossa Senhora Aparecida pelas comunidades; celebrações específicas com indulgência plenária em igrejas jubilares; encontros com comunidades indígenas e rurais e reflexões e formação sobre o tema jubilar.
A celebração integra também as atividades do Jubileu da Esperança, comemorado pela Igreja Católica em todo o mundo.
Histórico da presença da Igreja Católica em Roraima
A comemoração dos 300 anos de evangelização marca o início oficial da presença missionária católica no atual território de Roraima, datado de 1725, com a chegada dos primeiros missionários carmelitas. Ao longo dos anos, a missão foi reforçada por franciscanos, Diocese de Manaus, beneditinos, e missionários da Consolata.
Durante o período colonial e imperial, a evangelização caminhou lado a lado com a formação das primeiras comunidades cristãs da região. No século XX, a estrutura eclesial se consolidou com a criação da Prelazia do Rio Branco, em 1934, vinculada diretamente à Santa Sé. Com o crescimento populacional e da vida eclesial, a Prelazia foi elevada à Diocese de Roraima em 1979.
Atualmente, a Diocese é liderada por Dom Evaristo Pascoal Spengler e conta com:
Mais de 27 congregações religiosas masculinas e femininas;Cerca de 50 sacerdotes e 70 religiosas em atividade;Aproximadamente 448 comunidades católicas espalhadas pelo estado;Além de 23 pastorais, 20 movimentos eclesiais, 10 organizações humanitárias e centenas de lideranças leigas.
Ao longo de sua trajetória, a Igreja em Roraima tem se destacado não apenas pela evangelização, mas também por sua atuação nas áreas sociais, educacionais, de saúde, direitos humanos e defesa dos povos indígenas. A Diocese é reconhecida por sua ação firme na mediação de conflitos fundiários, na defesa da demarcação de terras indígenas e no acolhimento de populações vulneráveis, como os migrantes.
Nos tempos recentes, diante de desafios como a crise migratória, a Diocese tem mobilizado recursos, voluntários e pastorais para garantir acolhimento, dignidade e integração a quem mais precisa, reafirmando o seu compromisso com o Evangelho e com a justiça social.
Hoje, ao celebrar três séculos de história, a Diocese de Roraima reafirma seu papel como referência de fé, solidariedade e missão, com os olhos voltados para o futuro e a esperança renovada em continuar servindo ao povo de Deus.
FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima FM
Na última quarta-feira (09) de julho de 2025, na Prelazia, a Comissão Diocesana de Liturgia promoveu uma formação voltada para os Ministros da Palavra e os Ministros Extraordinários da sagrada Comunhão.
Estiveram presentes mais de 60 ministros dentre eles, das Paróquias e Áreas missionárias de Boa Vista, e dos Municípios de Mucajaí, Caracaraí, Cantá e Bonfim.
A Comissão de Liturgia, preparou uma semana de formação com a assessoria da Religiosa Irmã Veronice Fernandes – Pia Discípula do Divino Mestre.
Confira a programação da Formação de Liturgia: Neste dia 09/07, foi voltada para os ministros extraordinários da Palavra e Eucaristia.
No dia 10/07, a formação será no município do Cantá, e a noite para os articuladores de Liturgia.
11/07 – A noite para os coordenadores dos Coroinhas.
Foto: Bia Gomes – Comissão Diocesana de LiturgiaIrmã Veronice Fernandes – Pia Discípula do Divino Mestre – Foto: Bia Gomes – Comissão Diocesana de Liturgia
O Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) realizou de 19 a 22 de junho em Aparecida (SP) o 8° Encontro Nacional do Laicato do Brasil e a 43ª Assembleia Nacional, onde foi eleita a nova presidência. Dentre os participantes, os representantes do Regional Norte 1 foram 13, chegados desde a arquidiocese de Manaus, as dioceses de Roraima e Parintins e a prelazia de Tefé.
O tema foi: “Cristãos Leigos e leigas, peregrinos da Esperança agindo na história a serviço do Reino”, tendo como lema: “Sei em quem depositei minha esperança” (2Tm 1, 12). O encontro foi momento celebrativo do Jubileu dos 50 anos do CNLB, fazendo memória de toda a caminhada do Conselho no Brasil em todos os seus regionais e organizações filiadas. Junto com isso, foi momento formativo e de comunhão, de alegria e participação e eleição da nova presidência do CNLB.
A reflexão teve como ponto central a sinodalidade, que foi abordada desde três dimensões: missionariedade, serviço aos pobres e formação laical. As eucaristias, momentos orantes e celebrativos estiveram foram momentos importantes ao longo do encontro sob a proteção e estímulo de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil
Segundo o coorrdenador do laicato no Regional Norte 1, Francisco Meirelles, os participants do Regional Norte 1 “estamos vivenciando esse tempo de graça, de alegria, de fraternidade”, sublinhando que “é um tempo de graça e é um tempo de vivenciar a Esperança.”
Segundo o coordenador do laicato no Regional Norte 1, “somos Peregrinos da Esperança, agindo na história a serviço do Reino. Esse serviço é um serviço de cristãos leigos e leigas que caminha na construção de um mundo mais justo, fraterno, de uma Igreja mais solidária, de uma Igreja mais irmã. E assim vivenciamos esse tempo durante esses quatro dias aqui em Aparecida.”
A presidência eleita para 2025-2028 está composta por Márcio José de Oliveira (Regional Sul 1) como presidente, Marlise Ritter (Sul 4) como vice-presidente, Patrícia Gil Cabral (Norte 1) como secretária-geral, Eder D’Artagnan (Maristas de Champagnat) como segundo secretário, Adriano Massariol Pacheco (Leste 2) como tesoureiro-geral e Kadira Dias (Nordeste 1) como segunda tesoureira.
A assembleia foi encerrada com a Romaria dos Cristãos Leigos e Leigas aos pés de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nacional, onde foi realizada uma grande celebração de envio para dar continuidade ao “tempo de graça, tempo de missão, como Cristãos Leigos e Leigas, agindo na história a serviço do Reino”, segundo Francisco Meirelles.
📅 19 de junho | 🙏 Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo
A Diocese de Roraima convida todos os fiéis a participarem das celebrações de Corpus Christi, um momento especial de fé, adoração e unidade na Eucaristia. Confira a programação em nossas paróquias, áreas missionárias e comunidades:
🟫 Região Pastoral do Centro
06h – Procissão e celebração eucarística ➡️ Saída da Igreja Nossa Senhora da Consolata em direção à Catedral Cristo Redentor
Paróquia São Francisco 🕕 18h – Missa (Igreja São Francisco)
Santuário Nossa Senhora Aparecida 🕔 17h às 19h – Adoração ao Santíssimo 🕖 19h – Santa Missa
Paróquia São Mateus 🕖 19h – Missa na Igreja Santíssimo Sacramento 📍 Rua Cerejeira, 859 – Paraviana
🟫 Região Pastoral das Paróquias e Áreas Periféricas – PAP
Paróquia Santos Arcanjos 🕢 19h30 – Missa 📍 Comunidade N. Sra. do Perpétuo Socorro (Rua Armando Nogueira, 2003 – Asa Branca)
Paróquia Frei Galvão 🕢 19h30 – Missa 📍 Comunidade N. Sra. dos Migrantes (Rua Capricórnio – Jardim Primavera)
Paróquia São Jerônimo 📍 Igreja N. Sra. Imaculada Conceição – Buritis 🕕 18h – Concentração 🕡 18h30 – Procissão 🕢 19h30 – Santa Missa
Área Missionária São Raimundo Nonato 📍 Santa Edwiges – 🕔 17h – Missa ➡️ Procissão até a comunidade Nossa Senhora de Fátima, com adoração e bênção do Santíssimo ✨ Pela manhã: visita aos doentes com os Ministros da Eucaristia
Área Missionária São João Batista 🕣 08h30 – Missa na Nossa Senhora Auxiliadora 🕖 19h – Missa na Santíssima Trindade
Área Missionária Santa Rosa de Lima 🕗 08h – Missa (Nossa Senhora da Luz) 🕔 17h – Procissão (Santa Rosa de Lima) 🕖 19h – Missa (Nossa Senhora de Fátima)
Área Missionária Sagrado Coração de Jesus 🕘 09h – Missa na Comunidade Santa Paulina 🕢 19h30 – Missa na Comunidade São José
Área Missionária de Bonfim 🕖 19h – Missa na Igreja São Sebastião (Cidade de Bonfim)
Área Missionária de Pacaraima 🕘 09h – Missa na Igreja Sagrado Coração de Jesus ➡️ Com procissão pelas ruas da cidade
📢 Participe com sua comunidade dessa grande manifestação pública de fé e amor à Eucaristia. Jesus caminha conosco!
📻 Realização: Rádio Monte Roraima FM 107,9 | Diocese de Roraima – 300 anos de Evangelização
No dia 24 de maio completa 10 anos da encíclica Laudato si´, um documento que impulsou a necessidade de cuidar da Casa Comum. Papa Francisco nos ajudou a ter maior consciência dos clamores da Terra e os clamores dos pobres, a perceber que sem o necessário cuidado, o futuro da humanidade, especialmente dos mais pobres, cada vez é mais complicado.
O texto que agora completa 10 anos tem nos ajudado a entender que a salvação da humanidade e do Planeta exige o compromisso de todos. Nessa perspectiva somos chamados a fomentar a vida em comunidade, superando o individualismo que nos distancia dos outros, mas também nos afasta do mundo, criado por Deus não para ser dominado e sim para ser cuidado.
Para isso se faz necessário entrar no caminho da conversão ecológica, uma proposta que Papa Francisco faz em Laudato si´. A grande questão é se nós queremos entrar nesse caminho de conversão, de mudança de vida que nos aproxime da ecologia integral, que tem em conta o cuidado do ambiente, mas também o cuidado das pessoas.
Um chamado que é para toda a humanidade, mas que cobra uma força maior na Amazônia. Uma região que só aparece citada uma vez na Laudato si´, mas que inspira o texto escrito por Papa Francisco. A vida que flui na Amazônia, nos seus rios, florestas e povos se faz presente na primeira encíclica de Papa Francisco. Ele foi o Papa que voltou os olhos da humanidade para a região amazônica.
O desafio é como dar continuidade a essa dinâmica do cuidado, como nos envolvermos cada vez mais na defesa da Amazônia e dos povos que a habitam. A Laudato si´, 10 anos depois de sua publicação, continua sendo um espelho onde nos olharmos como humanidade, como cristãos, mas também cada um e cada uma de nós, pessoalmente. Assumir a proposta de vida que aparece nas palavras de Papa Francisco é uma demanda que tem plena atualidade hoje.
É tempo de olhar para frente, de continuar sonhando, seguindo a proposta de Papa Francisco na Querida Amazônia, uma exortação que nos ajuda a, reconhecendo os aportes do passado, construir um futuro melhor, sustentado no bem viver. Uma proposta de vida que tem acompanhado os povos originários a construir um modo de vida que enxerga a presença do Criador em todas as criaturas.
Continuemos sonhando com as propostas de Laudato si´, com um modo de vida fundamentado no cuidado do ambiente, no cuidado das pessoas, no cuidado de toda criatura. Continuar sob a guia da Laudato si´ é o melhor modo de continuar o processo iniciado pelo Papa Francisco. Não desistamos no cuidado, pois isso nos faz melhores criaturas e a reconhecer a mão do Criador em tudo e em todos.
Fonte/Créditos: Luis Miguel Modino – CNBB – Regional Norte 1
Ir. Tiziana Merletti será secretária do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, que já é chefiado por uma mulher, a Ir. Simona Brambilla.
Vatican News
O Papa Leão XIV fez a primeira nomeação de uma mulher na Cúria. Trata-se da Ir. Tiziana Merletti, que será secretária do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.
Este departamento do Vaticano que cuida dos religiosos em todo o mundo foi o primeiro na Cúria a ser chefiado por uma mulher. De fato, Francisco nomeou a Ir. Simona Brambilla em janeiro deste ano, substituindo o cardeal brasileiro João Braz de Aviz.
Assim, com a nomeação deste 22 de maio, o Dicastério tem seja a prefeita, seja a secretária mulheres.
Ir.Tiziana Merletti pertence às Irmãs Franciscanas dos Pobres. Ela nasceu em 30 de setembro de 1959 em Pineto, na região dos Abruços, centro da Itália. Em 1986, emitiu a primeira profissão religiosa no Instituto das Irmãs Franciscana dos Pobres. Formou-se em Direito em 1984 e em 1992 fez o Doutorado em Direito Canônico na Pontifícia Universidade Lateranense em Roma.
De 2004 a 2013 foi Superiora-Geral do seu Instituto religioso. Atualmente, é Docente na Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Antonianum em Roma e colabora na qualidade de canonista com a União Internacional das Superioras Gerais.
Leão XIV, o Papa eleito na tarde de quinta-feira, 8 de maio de 2025, como sucessor de Pedro, iniciou seu pontificado. Ele o fez presidindo a Missa de Início de Pontificado, com a participação de boa parte do Colégio de Cardeais, um sinal de comunhão por parte daqueles que o elegeram como sucessor de Pedro e de Francisco. O rito concreto ocorreu entre o Evangelho e a homilia, quando o cardeal Zenari colocou sobre ele o Pálio e o cardeal Tagle colocou no dedo do Papa o Anel do Pescador. Junto com isso, o cardeal Ambongo, entre a entrega do palio e do anel, rezou para que Deus lhe concedesse a benção e reforçar o dom do Espírito.
Um construtor de pontes
Um Papa que, em virtude de estar imbuído de diversas culturas, supõe-se que tenha maior capacidade de construir pontes, uma necessidade em um mundo cada vez mais polarizado, dividido e conflituoso. Uma hora antes do início da missa, o Papa deixou o Palácio do Santo Ofício, onde está morando, para entrar pela primeira vez em um deslumbrante papamóvel branco.
Foi seu primeiro banho com a multidão, na Praça de São Pedro e na Via della Conziliazione, que aos poucos foi se enchendo de peregrinos de todo o mundo. Entre eles estavam os participantes do Jubileu das Confrarias, que neste sábado foram os protagonistas de um momento histórico com a procissão que aconteceu ao redor do Coliseu e do Circo Máximo.
Guardar o patrimônio da fé e olhar para longe
Na homilia, o Papa iniciou lembrando o início das Confissões de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Vós, [Senhor,] e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Vós”. Igualmente, ele lembrou de Papa Francisco, fazendo um relato dos acontecimentos vividos nas últimas semanas, definindo o Conclave como momento para eleger “o novo sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, um pastor capaz de guardar o rico património da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar para longe, para ir ao encontro das interrogações, das inquietações e dos desafios de hoje”.
Leão XIV disse ter sido “escolhido sem qualquer mérito”, se oferecendo como “um irmão que deseja fazer-se servo da vossa fé e da vossa alegria, percorrendo convosco o caminho do amor de Deus, que nos quer a todos unidos numa única família”. Segundo ele, “amor e unidade: estas são as duas dimensões da missão que Jesus confiou a Pedro”. Diante disso, ele questionou: “Como pode Pedro levar adiante essa tarefa?”, respondendo que foi porque “ele experimentou na própria vida o amor infinito e incondicional de Deus, mesmo na hora do fracasso e da negação”.
Não se colocar acima dos outros
A chave é conhecer e experimentar o amor de Deus, “que nunca falha”. Ele refletiu sobre a tentação de no primado de Pedro “ser um líder solitário ou um chefe colocado acima dos outros, tornando-se dominador das pessoas que lhe foram confiadas”, dado que “todos nós, com efeito, somos ‘pedras vivas’ (1 Pe 2, 5), chamados pelo nosso Batismo a construir o edifício de Deus na comunhão fraterna, na harmonia do Espírito, na convivência das diversidades”. O Papa sublinhou uma Igreja fundamentada no Batismo, citando de novo Santo Agostinho: “A Igreja é constituída por todos aqueles que mantêm a concórdia com os irmãos e que amam o próximo”.
Leão XIV mostrou um desejo: “uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado”. Uma atitude necessária, dado que “no nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, a violência, os preconceitos, o medo do diferente, por um paradigma económico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres. E nós queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade”.
Um mundo de paz
Junto com isso, o Papa fez um chamado à unidade “para construirmos um mundo novo onde reine a paz”. Segundo ele, “este é o espírito missionário que nos deve animar, sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo nem nos sentirmos superiores ao mundo; somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo”.
Finalmente, ele disse que “esta é a hora do amor! A caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho”, fazendo, com Leão XIII, mais um chamado à paz. Nessa perspectiva, o Papa pediu que “com a luz e a força do Espírito Santo, construamos uma Igreja fundada no amor de Deus e sinal de unidade, uma Igreja missionária, que abre os braços ao mundo, que anuncia a Palavra, que se deixa inquietar pela história e que se torna fermento de concórdia para a humanidade. Juntos, como único povo, todos irmãos, caminhemos ao encontro de Deus e amemo-nos uns aos outros”.
Fonte/créditos: CNBB – Regional Norte 1 – Luis Miguel Modino
Sobre a questão do abuso “há uma continuidade absoluta, embora com nuances, nos últimos quatro papas”, diz Jordi Bertomeu, Oficial do Dicastério para a Doutrina da Fé e Enviado Pessoal para Missões Especiais. Uma luta contra os abusos que o Cardeal Robert Prevost, agora Leão XIV, assumiu, sem sombra de dúvida. São inaceitáveis as tentativas de difamá-lo e colocar em dúvida sua integridade, originadas em círculos próximos ao Sodalicio de Vida Cristã, com a colaboração da mídia relacionada, que chegou ao ponto de entrar nas congregações gerais antes do Conclave e assediar o então Cardeal Prevost.
Medidas pastorais e não canônicas
De acordo com Bertomeu, na década de 1980, a Igreja na América do Norte percebeu que o direito penal canônico, embora consagrado no Código de Direito Canónico de 1983, não estava sendo aplicado. Desde o Concílio Vaticano II, optou-se por resolver problemas graves de indisciplina com medidas “pastorais”, distinguindo-as das “canônicas”. Na maioria das dioceses, havia uma falta de estrutura judicial e de pessoal treinado, algo que foi percebido pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Ratzinger, a partir das visitas ad limina de bispos do mundo de língua inglesa e da Europa Central. Particularmente nos Estados Unidos, os bispos costumavam resolver os problemas causados por padres pedófilos fazendo acordos financeiros com as vítimas, mas logo perceberam que era quase impossível remover esses padres e diáconos do estado clerical.
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Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e Vulneráveis
Após o pontificado de Bento XVI, veio um papa latino-americano. Francisco, assim que chegou, deu um passo adiante e criou a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis. Isso mostra que a Igreja leva o abuso a sério.
Um divisor de águas ocorreu em 2018, com a crise que eclodiu no Chile. Lá, o Papa descobriu que, além do abuso, havia em muitos lugares um problema de encobrimento por parte de alguns bispos. Francisco, depois de conhecer pessoalmente as três vítimas de Karadima, reagiu pessoalmente. Como admitiu mais tarde a um jornalista, ele havia se convertido. Ele enviou o bispo Scicluna e o bispo Bertomeu ao Chile para investigar. Mais tarde, eles seriam seus olhos e ouvidos em muitas outras missões especiais.
Em sua Carta ao Povo de Deus de 20 de agosto de 2018, Francisco colocou todos os abusos na Igreja no mesmo nível de compreensão: sejam eles sexuais, de poder ou de consciência. Depois, em fevereiro de 2019, ele também convocou os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo em Roma, talvez em uma tentativa de fazer com que toda a Igreja deixasse de ser “surda” aos abusos e reagisse imediatamente, tomando o partido das vítimas. Três temas foram abordados: transparência, responsabilidade e prestação de contas.
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Evitando que as alegações caiam em ouvidos moucos
A partir dessa cúpula, Francisco deixou clara a necessidade de uma lei para evitar, de uma vez por todas, que as denúncias caiam em ouvidos moucos. O Papa percebe que existe uma lei, mas ela não é aplicada porque as denúncias não chegam ao público. Assim, em junho de 2019, foi emitido o Motu Proprio “Vos Estis Lux Mundi”, que obriga todas as dioceses do mundo a ter um escritório para receber, investigar e lidar com denúncias. Junto com isso, a responsabilidade criminal é estabelecida no caso de negligência no recebimento de reclamações.
Da mesma forma, o Papa percebe que esse problema não pode ser deixado apenas para a hierarquia. De fato, ele percebe que todo tipo de abuso, seja de consciência, espiritual ou sexual, é fruto do clericalismo e do elitismo, daqueles que se consideram uma casta com privilégios que ninguém lhes concedeu. Uma nova fase está iniciando, na qual os abusos estão começando a ser confrontados de forma sinodal. A razão para essa nova dinâmica está no fato de que Francisco, nas palavras de Bertomeu, “percebe que a Igreja tem sido surda à realidade do abuso, que o abuso nada mais é do que o poder exercido de forma tóxica”.
Abuso sexual e abuso de poder
De acordo com Bertomeu, “há abuso sexual porque há abuso de poder e esse é sempre um exercício tóxico de poder que, na Igreja, deveria ser puro serviço”. Diante disso, ele ressalta a necessidade de “todo o povo de Deus entrar em uma dinâmica de repensar como o poder é exercido na Igreja”, algo que deve ser feito não de forma ideológica, mas teológica, ou seja, pensando em si mesmo como um povo de batizados que se põe a caminho, desinstalando-se de seus confortos, para olhar suas vidas à luz do Espírito Santo como um lugar de revelação de um Deus que está próximo a eles. Dessa forma, consegue entender que é “todo o povo de Deus que participa da tomada de decisões, porque todos são batizados, porque todos participam do mesmo Espírito, mesmo que haja uma parte do povo de Deus que tenha recebido um carisma especial para conduzi-lo”, enfatiza Bertomeu.
Ele não tem dúvidas de que, diante dos abusos na Igreja, Leão XIV dará continuidade ao que Francisco tem feito. Ele dá como exemplo o que aconteceu com o Sodalício, onde “o problema não é tanto o abuso sexual de menores, mas um abuso de poder e de consciência de adultos muito vulneráveis”. É por isso que, nos últimos anos, querendo combater todos os tipos de abuso, a Igreja “está entrando em uma nova dinâmica de maior e melhor tutela de todo o povo de Deus, mas especialmente dos mais vulneráveis”. Uma Igreja mãe e mestra, em vez de ser vista como uma organização criminosa, se levar a sério a gestão jurídica do abuso e sua prevenção, pode ser uma luz em um mundo onde há muito abuso. Mostrar que Deus, ao se encarnar, nos diz que “a chave para o poder é o amor, é o serviço, é a entrega radical aos outros: seu poder é o amor e, paradoxalmente, é quando você está mais vulnerável”.
Foto: Vatican Media
Falsas acusações do Sodalício
As falsas acusações contra Leon XIV de ter encoberto abusos na diocese de Chiclayo (Peru), foram promovidas pelo Sodalício a partir de maio de 2024. Essa poderosa instituição no Peru, com uma estrutura empresarial muito poderosa, redes e imunidade quase total, não ficou parada quando foi ameaçada pela “Missão Especial Scicluna-Bertomeu” que o Papa enviou ao Peru em julho de 2023. Após a denúncia dos jornalistas Salinas e Ugaz, envolvendo até mesmo o então arcebispo de Piura, José Antônio Eguren, ele os processou em 2018 e eles estavam quase prestes a ir para a cadeia. Isso não aconteceu devido ao apoio de quatro bispos peruanos, incluindo o bispo Prevost.
Em 10 de novembro de 2022, uma dessas jornalistas, Paola Ugaz, foi recebida em audiência por Francisco e explicou a ele o tipo de pressão que estavam recebendo do Sodalício. Isso levou o papa a enviar a “missão pessoal” especial mencionada acima ao Peru, composta por Scicluna e Bertomeu, para reunir evidências objetivas sobre o que os jornalistas estavam dizendo, para ouvir as vítimas com empatia. O fruto das informações coletadas foi o pedido de renúncia que o Prefeito dos Bispos, Cardeal Prevost, fez ao Bispo Eguren, com base em evidências objetivas. Um processo no qual o arcebispo de Piura foi ouvido e pôde se defender.
Acusações de um ex-agostiniano ao Cardeal Prevost
É curioso que, três semanas depois, um ex-agostiniano, Ricardo Coronado, sacerdote incardinado no Peru, na diocese de Cajamarca, mas que estava em Colorado Springs há mais de 20 anos, muito próximo do Sodalício de Denver (EUA) e com um processo canônico aberto contra ele perante o Dicastério do Clero por crimes contra o sexto mandamento, se oferece a algumas vítimas em Chiclayo que disseram que quando Dom Prevost era bispo ali, ele não investigou o caso delas e foi negligente, acusando o atual pontífice de ter encoberto casos de abuso. A estratégia de Coronado não era tanto promover um suplemento investigativo, mas divulgar na mídia que o cardeal Prevost havia acobertado, o que parecia ser uma simples vingança organizada pelo Sodalício. Não só isso: com essa difamação, eles estavam basicamente pressionando a Missão Especial a interromper sua investigação.
O cardeal Prevost seguiu em todos os momentos, como afirmou o atual bispo de Chiclayo, os protocolos do Vaticano: investigou, enviou a denúncia a Roma, incentivou as vítimas a apresentarem uma denúncia civil e ofereceu-lhes assistência psicológica. As vítimas levaram o caso à promotoria pública e o bispo Prevost, em acordo com Roma, decidiu esperar a conclusão da investigação civil.
Nesse sentido, Bertomeu afirma que “a investigação civil sempre tem mais chance de chegar à verdade porque tem os meios”. A queixa era contra um padre que tinha boa reputação na diocese e que não tinha registro criminal. O problema surgiu quando o caso foi encerrado pelo sistema de justiça civil, o que aconteceu uma semana antes de cardeal Prevost assumir seu novo cargo como Prefeito do Dicastério dos Bispos em Roma, em abril de 2023, embora ele soubesse da nomeação três meses antes.
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Supressão do Sodalício
As vítimas trouxeram tudo isso à tona novamente na mídia no final de 2023. Então, em maio de 2024, Ricardo Coronado se ofereceu para representá-las e atacou diretamente o Cardeal Prevost. O resto é história conhecida. De fato, as investigações realizadas pela “Missão Especial” levaram à supressão do Sodalício e, é claro, a todos os tipos de pressão contra o cardeal Prevost e o próprio Bertomeu.
“Basicamente, o que sempre me magoou nessa situação foi a instrumentalização das vítimas. Em nenhum momento Coronado ou os líderes do Sodalício que adotaram a estratégia de manchar o arquivo de cardeal Prevost pensaram nelas ou em defendê-las”, conclui Bertomeu. Em 8 de maio de 2025, quando o cardeal Prevost, atacado e vilipendiado até o último momento, apareceu na Loggia das Bênçãos como o novo Papa Leão XIV, Deus mais uma vez mostrou sua maneira irônica de lidar com a história.
Fonte/créditos: CNBB – Regional Norte 1 – Luis Miguel Modino
Representantes da comunicação das igrejas que integram o Regional Norte 1 (Amazonas e Roraima) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se online no dia 7 de maio para definir estratégias de mobilização e incentivar a participação de comunicadores no 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), agendado para Manaus (AM) de 25 a 27 de setembro de 2025. O encontro também proporcionou um diálogo sobre a articulação da comunicação no âmbito regional.
Nove igrejas locais
O Regional Norte 1 é organizado pela Arquidiocese de Manaus (AM) e pelas Dioceses do Alto Solimões, Coari, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Borba e Roraima. A circunscrição eclesiástica também abrange as Prelazias de Itacoatiara e Tefé, totalizando nove igrejas locais distribuídas nos estados do Amazonas e Roraima.
Durante a reunião, os comunicadores dialogaram formas de divulgar o 14º Muticom e motivar a participação de agentes de pastoral, radialistas, jornalistas, influenciadores digitais, estudantes e pesquisadores da área de comunicação e todos aqueles que atuam na comunicação a serviço da evangelização.
Qualificação e troca de conhecimentos
A importância da qualificação e da troca de conhecimentos para articular a comunicação nas igrejas locais na Amazônia e em Roraima também foi um ponto de diálogo.
O 14º Muticom, com sua temática “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”, ressoa profundamente com a realidade do Regional Norte 1, marcado por sua riqueza ímpar, desafios socioambientais e a cultura potente.
Organização da comunicação no Regional
Segundo o bispo auxiliar de Manaus e referente da comunicação no Regional Norte 1, dom Zenildo Lima, destacou a necessidade de transformar as iniciativas comunicativas nas igrejas locais “numa ferramenta mais sistematizada, quer dizer, esse levantamento do que existe de articulação da comunicação em nossas igrejas locais, poderíamos documentá-lo”. Para isso, ele sugeriu a possibilidade de um pequeno texto que recolha o que cada igreja local tem com relação à comunicação: PASCOM, Rádio, Assessoria de comunicação ou simplesmente um compartilhamento de informações.
Junto com isso, destacou a possibilidade de “progressivamente ir nos apropriando do que nós temos como referencial teórico. A dinâmica de comunicação, que recolhe o Diretório de Comunicação da Igreja do Brasil, ele parece bastante conceitual, mas ele nos ajuda muito a filtrar, a ter elementos que nos fazem organizar melhor essa dinâmica de comunicação”.
O bispo auxiliar de Manaus também falou da questão da articulação, buscando “como é que a partir de nós podemos ir articulando melhor a comunicação nas igrejas locais. E depois qual a possibilidade de uma articulação entre nós como grupo de responsáveis pela comunicação a partir das igrejas locais”. Finalmente, dom Zenildo Lima falou sobre a necessidade de estabelecer linhas de comunicação para a igreja do Regional Norte 1. Passos que paulatinamente devem ir avançando.
Fonte Créditos: CNBB NORTE 1 – Osnilda Lima / Luis Miguel Modino