Presépio e árvore de Natal são inaugurados na Praça São Pedro

Na tarde desta segunda-feira, 15 de dezembro, realizou-se a tradicional e sugestiva cerimônia de apresentação do presépio e do acendimento da árvore de Natal.

O Batistério de Santa Maria maior da cidade italiana de Nocera Superiore, a fonte Helvius de Sant’Egidio del Monte Albino e os típicos pátios do Agro Nocerino-Sarnese: são os elementos arquitetônicos – outrora habitados por Santo Afonso Maria de Ligório, pelos servos de Deus Enrico Smaldone e Alfonso Russo – que fazem parte do cenário, neste ano, do presépio da Praça São Pedro, revelado aos fiéis, peregrinos e turistas na tarde desta segunda-feira, 15 de dezembro. A decoração foi inaugurada juntamente com a árvore de Natal, um abeto vermelho da Val d’Ultimo, na província italiana de Bolzano, com 25 metros de altura, doação dos municípios de Lagundo e Ultimo, que foi iluminada com centenas de luzes intermitentes de cores variadas.

Sinais de esperança e luz que Deus dá à humanidade

A cerimônia, que se realizou enquanto o crepúsculo caía na Praça São Pedro, foi presidida por Irmã Raffaella Petrini, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, na presença do arcebispo Emilio Nappa e do advogado Giuseppe Puglisi-Alibrandi, secretários-gerais do mesmo Governatorato. A religiosa saudou as delegações dos locais de origem do presépio e da árvore e todas as pessoas reunidas para o evento após a execução do hino do Estado da Cidade do Vaticano pela banda do Corpo da Gendarmeria do Vaticano e, em seguida, destacou que as duas instalações são “sinais visíveis da esperança e da luz que o Senhor continua a dar à humanidade”.

Em particular, o presépio “quer recordar a admiração de Santo Afonso Maria de Ligório que, ao contemplar o mistério da Encarnação, compôs o famoso canto Tu scendi dalle stelle”. E foi precisamente esse canto que deu nome à instalação. “O presépio, tão querido pela tradição cristã, nos acompanha no caminho rumo ao Natal, propondo aos homens e mulheres de nosso tempo o que aconteceu há mais de 2000 anos em Belém: o nascimento do Salvador, o mistério de Deus que se faz homem, que se faz criança, que entra na história da humanidade com a força desarmante do amor”, disse a Irmã Petrini, ressaltando que a inauguração deste ano “assume um significado ainda mais profundo porque, em cerca de três semanas, o Jubileu chegará ao fim e terá início” a comemoração especial dos “800 anos da morte de São Francisco de Assis”.

A Praça São Pedro estava repleta de fiéis, peregrinos e turistas   (@Vatican Media)

Chamados a encarnar a paz

O pobrezinho da Itália, que em 1223, em Greccio, deu vida à primeira representação da Natividade, e Santo Afonso Maria de Ligório, “que diante da criança enrolada em panos na manjedoura, aprofundou sua fé e renovou seu amor pelo Senhor, testemunham ao mundo que a verdadeira paz é um dom de Deus e não apenas dos esforços humanos” , sublinhou ainda a presidente do Governatorato, acrescentando que “todos somos chamados a encarná-la num estilo de vida concreto, a escolhê-la como caminho e não apenas como meta, como nos convida a fazer o Papa Leão”. O presépio montado, continuou a religiosa, “não quer simplesmente lembrar o nascimento de Jesus, mas fazê-lo reviver para quem o observa, suscitar admiração viva, tocar os corações, manifestar a ternura de Deus, como dizia o Papa Francisco, despertar a fé na vida, a vida que vence a morte”.

Além disso, os enfeites da árvore também pretendem ser “sinais de comunhão, apelos à paz e à custódia da criação, convites à fraternidade universal” e sua luz “um chamado a nos deixarmos iluminar por Cristo, luz do mundo, para que possamos, por nossa vez, torná-nos portadores dessa luz em nossos ambientes de vida”. Por fim, a Irmã Petrini agradeceu às comunidades que ofereceram o abeto e realizaram o presépio, definindo o seu gesto “um dom à Igreja e um sinal daquela colaboração entre povos e culturas que constrói a verdadeira paz” e anunciou que, no próximo ano, as doações continuarão partindo da Itália: o presépio na Praça São Pedro será realizado pela sede de Atessa, na província de Chieti, da Associação Italiana Amigos do Presépio, enquanto a árvore será doada pelo município de Terranova di Pollino, na província de Potenza. O presépio a ser colocado na Sala Paulo VI ficará a cargo da Fundação Carnaval de Viareggio, na província de Lucca.

Irmã Rraffaella Petrini, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano   (@Vatican Media)

Redescobrir o seu lugar para construir a civilização do amor

Para tornar a noite ainda mais sugestiva, as bandas e os coros das dioceses de Nocera Inferiore-Sarno e Bressanone se alternaram durante as diversas intervenções das personalidades presentes. Dom Giuseppe Giudice, bispo de Nocera Inferiore-Sarno, convidou o Papa para sua diocese, onde se encontra o túmulo de Santo Afonso Maria de Ligório. “O presépio, enraizado em nossos corações na escola de Santo Afonso Maria de Ligório, é um ícone realista de um povo que, na riqueza da arte, das tradições, dos cantos, de seus santos, bem-aventurados e servos, se dirige àquela gruta onde o céu desceu à terra e ali criou raízes, é Admirabile signum”, afirmou, citando o Papa Francisco e lembrando que na representação da Natividade “cada um redescobre a sua dignidade e o seu lugar para construir juntos, no esforço e na alegria dos dias, a civilização da esperança”. “ Apesar das vozes contrárias, apesar do vento de uma cultura que nos roubou a alma, continuamos a montar o presépio não para nos distrairmos ou nos afastarmos das tempestades do mundo e da vida, não por um simples gosto estético, mas para oferecer a todos, especialmente aos peregrinos na escuridão, um sinal confiável de esperança – especificou o prelado – indicando-lhes o caminho que leva a Belém”. Dom Ivo Muser, bispo de Bolzano-Bressanone, concentrou-se, por sua vez, no significado da árvore de Natal que “em nossas casas, igrejas e praças, traz consigo uma mensagem profundamente enraizada na esperança cristã”, simbolizada pela luz, que é “a promessa de uma presença que não nos abandona”.

O presépio “Tu scendi dalle stelle”

Enriquecido com símbolos que exaltam o patrimônio imaterial e enogastronômico da região de Salerno, o presépio “Tu scendi dalle stelle” foi projetado e desenvolvido na diocese de Nocera Inferiore-Sarno. A cena se desenvolve em um retângulo de 17 metros por 12, com uma altura máxima de 7,70 metros, e foi cuidada pelo arquiteto Silvio Di Monaco. Os detalhes foram particularmente cuidados – na fonte Helvius, por exemplo, ela é dominada pelo brasão com a nogueira, símbolo da universidade de Nocera dei Pagani – e cada elemento tem um significado preciso e conduz o olhar para o centro: a Natividade. O pavimento reproduz as antigas ruas romanas em lajes de pedra e foram fixados pastores em tamanho natural – realizados pelo mestre presepista Federico Iaccarino de Meta di Sorrento – com algumas figuras de animais. A ideia foi unir arte e espiritualidade numa cenografia que lembra a fé e a tradição. A estrutura foi fornecida pela empresa “Seri…A” de Nocera Inferiore e a realização de toda a Natividade foi coordenada pelo Departamento Técnico Diocesano.

O presépio e a árvore de Natal na Praça São Pedro   (@Vatican Media)

As delegações

Participaram do evento as delegações oficiais dos locais de origem do presépio e da árvore, provenientes respectivamente da diocese de Nocera Inferiore-Sarno e de Lagundo e Ultimo, que fazem parte da diocese de Bolzano-Bressanone. Em particular, para o presépio, além de dom Giudice, estavam presentes o curador do projeto, o arquiteto Angelo Santitoro, diretor do Departamento de Bens Culturais e Edifícios Religiosos da diocese, que ilustrou detalhadamente a cenografia do presépio – construído entre junho e agosto – e o diretor do Departamento de Comunicações Sociais da diocese, Salvatore D’Angelo. Para a árvore de Natal, entre outros, com dom Muser, chegaram a prefeita de Lagundo, Alexandra Ganner, e o prefeito de Ultimo, Stefan Schwarz.

O encontro com Leão XIV

Na manhã de segunda-feira (15/12), as delegações das dioceses de Nocera Inferiore-Sarno e Bolzano-Bressanone, com os representantes dos municípios do território de Agro Nocentino-Sarnese e dos municípios de Lagundo e Ultimo, foram recebidas em audiência por Leão XIV na Sala Paulo VI. Ali foi inaugurado um presépio, Nacimiento Gaudium, realizado pela artista costarriquenha Paula Sáenz Soto, que através da sua montagem quis sublinhar a mensagem de paz do Natal e lançar um apelo ao mundo para que a vida seja protegida desde a sua concepção. Representando a Costa Rica, uma delegação composta, entre outros, pela primeira-dama da República, Signe Zeicate, pela filha do presidente, Isabel Chaves Zeicate, e pelo embaixador do país junto à Santa Sé, Federico Zamora.

O presépio montado na Sala Paulo VI

Nacimiento Gaudium, promovido em colaboração com a embaixada da Costa Rica junto à Santa Sé, apresenta uma figura da Virgem grávida e um conjunto de 28 mil fitas coloridas, cada uma simbolizando uma vida preservada do aborto graças à oração e ao apoio prestado por organizações católicas a muitas mães em dificuldade. O presépio mede 5 metros de comprimento, 3 de altura e 2 metros e meio de profundidade. Respeitando a tradição — com a presença de José, dos Reis Magos, dos pastores e dos animais —, a obra introduz um elemento original: duas representações diferentes e alternáveis da Virgem Maria. Durante o período do Advento, será exposta uma estátua de Maria grávida, símbolo da espera e da esperança; na noite de Natal, esta será substituída por uma imagem da Virgem ajoelhada em adoração ao Menino recém-nascido. No berço de Jesus serão também colocadas 400 fitas com orações e desejos escritos pelos pequenos pacientes do Hospital Nacional das Crianças de San José.

Os presépios e a árvore na Praça São Pedro permanecerão expostos até o final do Tempo do Natal, que coincide com a festa do Batismo do Senhor, no domingo, 11 de janeiro. Dos galhos verdes do abeto serão extraídos óleos essenciais produzidos pela empresa austríaca Wilder Naturprodukte, enquanto o restante da madeira será doado a uma associação beneficente para recuperação com fins de respeito ao meio ambiente.

Fonte: Tiziana Campisi – Vatican News

 

A súplica do Papa à Virgem de Guadalupe: o ódio não marque a história da humanidade

A súplica do Papa à Virgem de Guadalupe: o ódio não marque a história da humanidade

Assim como fazia Francisco, Leão XIV também presidiu a santa missa por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe

A súplica do Papa à Virgem de Guadalupe: o ódio não marque a história da humanidade
FOTO/REPRODUÇÃO INSTAGRAM PONTIFEX

Na Basílica Vaticana, o Papa Leão presidiu à Santa Missa por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe na presença de milhares de fiéis, sendo alguns deles vestidos com trajes típicos mexicanos. Em sua homilia, comentou as leituras do dia, de modo especial a alegria de Maria ao visitar sua prima Isabel, como relatado no Evangelho.

Durante toda a sua existência, explicou o Santo Padre, Maria leva essa alegria onde a alegria humana não basta, onde o vinho se esgotou. Assim aconteceu em Guadalupe. No monte Tepeyac, “ela desperta nos habitantes da América a alegria de saber-se amados por Deus”. Em meio a conflitos incessantes, injustiças e dores que buscam alívio, Nossa Senhora proclama o núcleo de sua mensagem: “Não estou eu aqui, que sou tua mãe?”. “É a voz que faz ressoar a promessa da fidelidade divina, a presença que sustenta quando a vida se torna insuportável”, comentou o Pontífice, que celebrou toda a missa em espanhol.

Uma oração a Nossa Senhora de Guadalupe

A maternidade que Ela declara nos faz descobrir-nos filhos. E a partir deste ponto, a homilia de Leão XIV prosseguiu em forma de oração, com os nossos anseios dirigidos a Ela: 

“Mãe, ensina às nações que querem ser seus filhos a não dividir o mundo em bandos irreconciliáveis, a não permitir que o ódio marque sua história nem que a mentira escreva sua memória. Mostra-lhes que a autoridade deve ser exercida como serviço, não como domínio. Instrui seus governantes em seu dever de custodiar a dignidade de cada pessoa em todas as fases da vida. Faze desses povos, teus filhos, lugares onde cada pessoa possa sentir-se acolhida.”

O Santo Padre pediu também pelos mais jovens, “para que obtenham de Cristo a força de escolher o bem e a coragem de permanecer firmes na fé, ainda que o mundo os empurre em outra direção”, afastando deles as ameaças do crime, das dependências e do perigo de uma vida sem sentido.

Aos que se afastaram da Igreja, Leão suplica a Maria que derrube os muros que nos separam e traga de volta para casa, transformando o coração daqueles que semeiam discórdia ao desejo de Jesus de que «todos sejam um», já que não deve haver espaço para a divisão dentro da comunidade eclesial.

A oração do Pontífice foi ainda para que Maria fortifique as famílias, que os pais eduquem com ternura e firmeza, de modo que cada lar seja escola da fé. Que os educadores formem mentes e corações para que transmitam a verdade; que Nossa Senhora sustente o clero e a vida consagrada na fidelidade cotidiana, renovando seu primeiro amor, protegendo-os da tentação, animando-os no cansaço e socorrendo os abatidos.

“Virgem Santa, ajuda-nos a compreender que, embora destinatários, não somos donos dessa mensagem, mas, como são Juan Diego, somos seus simples servidores. Que vivamos convencidos de que onde chega a Boa-Nova tudo se torna belo, tudo recupera a saúde, tudo se renova. Ajuda-nos para não manchar com nosso pecado e miséria a santidade da Igreja que, como tu, és mãe.”

O Pontífice concluiu pedindo auxílio a si mesmo, Sucessor de Pedro, “para que confirme no único caminho que conduz ao Fruto bendito de teu ventre todos os que me foram confiados”. “E faze que, confiando em tua proteção, avancemos cada vez mais unidos, com Jesus e entre nós, rumo à morada eterna que Ele nos preparou e na qual tu nos esperas. Amém.”

 FONTE/CRÉDITOS: Vatican News

Diocese de Roraima comunica falecimento do diácono João Augusto Barbosa Monteiro

O sepultamento será realizado no Parque Cemitério Campo da Saudade, às 10h30 nesta segunda-feira, 08.

A Diocese de Roraima comunicou com grande pesar, o falecimento do diácono permanente João Augusto Barbosa Monteiro, aos 81 anos. Nascido em 17 de outubro de 1944, em Boa Vista, ele faleceu neste domingo 7 de dezembro de 2025. Figura muito respeitada na Igreja e na sociedade roraimense, o diácono dedicou mais de duas décadas de sua vida ao serviço evangelizador e administrativo da Diocese.

Pelas redes sociais a Diocese manifestou solidariedade aos familiares e amigos, elevando preces pelo descanso eterno do diácono:
“Que o Senhor, em sua infinita misericórdia, acolha o Diácono João Augusto Barbosa Monteiro em sua luz eterna e conceda paz e esperança a todos que sofrem com sua partida.

Cerimônia de despedida

A cerimônia de despedida acontece no Centro Velatório Orsolu – a partir das 14h deste domingo (07) e encerra às 10h desta segunda-feira (08). O sepultamento será realizado no Parque Cemitério Campo da Saudade, às 10h30.

“Quem não vive para servir, não serve para viver.” A frase resume a trajetória de vida e missão do diácono João Augusto Barbosa Monteiro, que exerceu o diaconato permanente por quase 30 anos, após ser ordenado em 17 de dezembro de 1995.

O ministério do diácono permanente, restaurado pelo Concílio Vaticano II, tem origem nos primeiros tempos do cristianismo, conforme descrito nos Atos dos Apóstolos. A palavra “diácono”, do grego diakonia, significa “serviço”, essência que marcou profundamente a caminhada de João Augusto na Igreja.

Como diácono, auxiliou bispos e sacerdotes nas celebrações, proclamou o Evangelho, presidiu funerais, assistiu matrimônios e se dedicou intensamente às obras de caridade e à vida pastoral da Diocese.

Atuação na administração da Igreja e na comunicação

Além da atuação litúrgica, João Augusto teve papel fundamental na administração da Diocese de Roraima.  Serviu como tesoureiro da Diocese, diretor administrativo da Fundação Educativa e Cultural José Alamano,  onde também foi apresentador do programa “Santo de Cada Dia”, voltado à evangelização por meio da vida dos santos, além disso Augusto, foi membro ativo do conselho curador por mais de 15 anos na rádio.

Entrevista do Diácono Augusto no dia da reinauguração da sede da Rádio Monte Roraima fm. Foto Lucas Rosseti

 

Foi ainda tesoureiro e controlador das contas da Diocese, vice-presidente e diretor administrativo da Fundação Educativa e Cultural José Alamano, contribuindo decisivamente para a organização administrativa da Igreja local.

João Augusto esteve presente e participou da reinauguração da Rádio Fm Monte Roraima, afimando seu compromisso com a emissora, depois de tantos anos zelando pela casa e bem estar de todos. 

Como diácono, atuou em paróquias de Boa Vista e em diversas comunidades do interior de Roraima, especialmente Pacaraima e Amajari.Em reconhecimento à sua dedicação, foi amplamente homenageado quando completou 80 anos de vida, recebendo o carinho da Diocese e da comunidade católica.

A Diocese em nota lembra ainda que a vida do Diácono Augusto foi marcada pela fidelidade, humildade e serviço, deixando frutos que permanecem vivos nas comunidades por onde passou, na Igreja que amou e na família que construiu com valores cristãos.

Trajetória profissional e vida pública

Professor de História, Geografia e Contabilidade, João Augusto atuou no Ginásio Euclides da Cunha, na Universidade Federal de Roraima e na Faculdade Atual da Amazônia. Ingressou no Banco da Amazônia em 1967, onde exerceu funções como gerente geral e diretor.

Ao longo de sua trajetória profissional, ocupou cargos de grande relevância no serviço público, como presidente do Banco do Estado de Roraima, além de ter atuado no Tribunal de Contas e no Tribunal de Justiça do Estado.

De volta a Boa Vista, foi Gerente Geral do Basa, Presidente do Banco do Estado de Roraima, Secretário Geral do Tribunal de Contas, onde implantou o Sistema de Controle Externo, além de Diretor Financeiro e Secretário Geral do Tribunal de Justiça de Roraima.

Na vida pessoal, João Augusto era casado com Elci Marques Monteiro desde 1969 e deixa cinco filhos e netos, além de uma extensa família tradicional em Roraima.

 

Confira a nota da Diocese de Roraima na íntegra

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima fm
Após 15 anos de dedicação, Padre Attilio Santuliana encerra sua missão em Roraima

Após 15 anos de dedicação, Padre Attilio Santuliana encerra sua missão em Roraima

A Missa de Envio ocorre nesta sexta-feira, 05, às 19h30, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, Bela Vista

Após 15 anos de dedicação, Padre Attilio Santuliana encerra sua missão em Roraima
Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima

Padre Attilio Santuliana, Fidei donum, de 77 anos, encerra sua missão no estado após 15 anos de serviço pastoral. O missionário retorna à Itália depois de 38 anos de atuação no Brasil. A Diocese de Roraima convida todos os fiéis para a Missa de Envio, que ocorre na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, localizada na Rua Rio Guaíba, 511, bairro Bela Vista.

Padre Attilio chegou ao Brasil em 23 de janeiro de 1987. Antes de atuar em Roraima, trabalhou por mais de vinte anos em Pernambuco, onde viveu experiências que marcaram seu caminho missionário.

Sua vocação surgiu na infância, influenciada pela vida de oração da família e pela experiência como coroinha. Aos 11 anos ingressou no seminário. Foi ordenado diácono em dezembro de 1973 e sacerdote em junho de 1974.

Primeiros anos de missão no Brasil

Ao chegar ao país, sua primeira impressão foi a realidade de pobreza, mas também a disposição e alegria das pessoas. Enfrentou desafios comuns aos estrangeiros como clima, língua e diferenças culturais. Ele recorda que “o primeiro desafio foi o calor, depois a língua, porque sabia quase nada de português. Lembro o impacto cultural, tanto que emagreci 10 quilos. Não fazia trabalhos forçados e, aos poucos, fui me adaptando. Éramos dois e, depois de cinco meses, o bispo nos confiou uma paróquia e assim começou o pastoreio”, disse padre Attilio.

Missão em Roraima

No dia 1º de dezembro de 2010, Padre Attilio chegou à Área Missionária Santa Rosa de Lima, na periferia oeste de Boa Vista. No local, iniciou uma caminhada de quase 15 anos, marcada pela proximidade com as comunidades. Atuou em áreas urbanas e rurais, visitando famílias, celebrando sacramentos, formando lideranças e fortalecendo a vida pastoral.

Sobre sua missão em Roraima, Padre Attilio destaca que “foi uma boa caminhada nesses 15 anos, que a caminhada continuará, que há o oceano no meio, mas que o coração bate. Se minha presença ajudou as pessoas a olhar para frente com confiança e esperança, agradeço a Deus e espero que as sementes plantadas possam produzir”, destacou o sacerdote.

O Padre Lorenzo Dall’Olmo, Fidei donum, missionário da Diocese de Vicenza que atua com Padre Attilio na Área Missionária Santa Rosa de Lima, recorda a missão do padre, destacando que “ele dedicou grande parte da vida ao trabalho pastoral, chegou ainda jovem e permaneceu muitos anos no Brasil. Sua maneira direta de conversar, as visitas aos doentes e seu ritmo de trabalho chamaram atenção. Muitos o reconheceram como o padre dos pobres“, relatou o padre.

O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, agradece a Padre Attilio pelos 15 anos atuando no estado, afirmando que “quero registrar minha ação de graças a Deus e o agradecimento pelo trabalho missionário na diocese. Padre Attilio veio com espírito evangelizador, em encontro com as pessoas, sempre a serviço dos mais frágeis”.

Mensagem de despedida

Em suas palavras às comunidades, Padre Attilio expressa gratidão, lembrando todo o bem recebido, o respeito, a acolhida e o caminhar junto. Ele pede para que “nunca percam a confiança, pois Deus está agindo no meio de nós e age através dos pequenos sinais, que são aqueles que mais comunicam”.

 

 

Assessor de comunicação do Regional Norte I da CNBB, padre Luis Miguel retorna à Espanha após 19 anos de missão no Brasil

O sacerdote retorna à Espanha levando na bagagem histórias, aprendizagens e o compromisso amadurecido com a comunicação e a Igreja na Amazônia

Luiz Miguel Modino, presbítero espanhol da Arquidiocese de Madri, é uma das vozes mais reconhecidas da comunicação eclesial na Amazônia na última década. Ordenado presbítero em sua diocese de origem em 1998, chegou como padre “fidei donum” à missão no Brasil em 2006, servindo por quase dez anos na Diocese de Rui Barbosa, na Bahia, onde aprofundou sua experiência com a vida comunitária e com a força evangelizadora das pequenas comunidades.

Em 2016, foi enviado para a Amazônia, inicialmente na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, acompanhando comunidades indígenas. Mais tarde, passou à Arquidiocese de Manaus, onde ampliou sua ação missionária (na Área Missionária São José do Rio Negro, Comunidade Nossa Senhora de Fátima no Tarumã Mirim) e assumiu responsabilidades significativas na comunicação da Igreja: atuou na comunicação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), no Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e como assessor de comunicação do Regional Norte 1 da CNBB.

Padre Modino em missão

Ao longo desses anos, tornou-se uma referência na cobertura comunicativa e pastoral dos grandes processos eclesiais da região, especialmente durante o Sínodo para a Amazônia (2018-2019), Assembleia Eclesial ALC (2021) e o Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024). Seu trabalho uniu missão, presença pastoral e comunicação comprometida com a vida dos povos amazônicos, tornando-o uma ponte entre suas histórias e a Igreja no mundo inteiro.

Agora, após quase vinte anos de missão no Brasil, Luiz Miguel Modino retorna à sua Arquidiocese de Madri para assumir novas responsabilidades, levando consigo a riqueza espiritual, humana e pastoral aprendida em solo brasileiro. Nesta entrevista, ele revisita sua trajetória, suas aprendizagens e os desafios vividos em quase duas décadas de missão no Brasil — da Bahia às profundezas da Amazônia, passando por importantes serviços na comunicação eclesial continental.

Padre Luís Miguel, quando você chegou ao Brasil? Onde trabalhou e o que realizou durante tantos anos de missão?

Cheguei ao Brasil em 26 de setembro de 2006 para trabalhar na Diocese de Rui Barbosa, na Bahia. Ali permaneci até fevereiro de 2016, quando fui enviado como missionário na Amazônia. Na Bahia, destaco sobretudo a descoberta da força das pequenas comunidades. Aprendi que a vida da Igreja se sustenta na comunhão, na partilha e na presença próxima do missionário.

Sempre busquei ser não apenas uma presença sacramental, mas uma presença evangélica que ajude o povo a descobrir que o Evangelho é fonte de vida e que na vivência na comunidade a gente vai dando sentido ao nosso batismo e descobrindo as diversas vocações às quais estamos chamados por Deus.

Padre Modino em um encontro com o Papa Francisco – cardeal Barreto

Depois dessa etapa tão bonita no Nordeste, você chegou à querida Amazônia. Como foram seus primeiros anos em São Gabriel da Cachoeira?

Em São Gabriel da Cachoeira, onde mais de 90% da população é indígena, acompanhei comunidades nas paróquias de Pari-Cachoeira e em Cucuí. Ali aprendi algo essencial: o povo espera mais do que sacramentos; espera presença. Aprendi a andar “sem pressa”, como diziam os comunitários.

A Amazônia tem outra relação com o conceito de tempo e o espaço. “Longe” ou “perto” não têm o mesmo sentido que em outros lugares. Ir até a última comunidade, chegar onde quase ninguém chega, é fundamental.

Essa vivência também tive em Manaus, especialmente na Área Missionária São José do Rio Negro, nas comunidades ribeirinhas. O missionário precisa estar com os últimos, com aqueles que ficam mais longe, e ser uma presença que alegra a vida do povo com nossa visita.

Nestes últimos anos você também se dedicou muito ao trabalho de comunicação para a Igreja da Amazônia e Latino-americana. O que esse serviço significou para você?

Para mim, na comunicação da Igreja temos que entender que comunicar é evangelizar. Quando testemunhamos aquilo que faz parte da vivência do povo, descobrimos que comunicar as histórias, as dores, as lutas e a fé dos povos da Amazônia é tornar visíveis as sementes do Verbo presentes na vida do povo e nas comunidades. As pessoas vão entendendo que através da simplicidade a Igreja vai crescendo e ajuda o povo a encontrar o sentido da sua vida. Sempre vivi a comunicação como parte da missão.

Isso agradeço as comunidades que acompanhei, que sempre entenderam que minhas ausências (pelo trabalho na REPAM, no CELAM e no Regional Norte 1 da CNBB), faziam parte da missão, e isso me ajudou muito a servir com liberdade e disponibilidade. Sabiam que eu era o pároco, que acompanhava a vida das comunidades, mas sabiam da outra missão que tinha. Através das comunidades, descobri narrativas profundas da fé que pude compartilhar com a Igreja no continente e no mundo.

Quais foram os momentos mais marcantes nesses anos de comunicação missionária?

Sem dúvida, a cobertura dos Sínodos em Roma, do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024) mas especialmente o Sínodo para a Amazônia (2018-2019), foi muito marcante. Ali, como comunicadores, ajudamos o mundo a reconhecer as riquezas dos povos da Amazônia e da Igreja na região.

Outro aspecto marcante foi contar as histórias do povo. As pessoas mais simples comunicam o Evangelho sem verniz. É um testemunho muito mais singelo e mais claro. As vezes os que temos aprofundado mais nos estudos teológicos podemos ter um discurso mais teórico. Os tantos homens e mulheres que assumem ministérios nas comunidades e testemunham isso para os outros, é fruto da experiencia de vida, da fé em Deus e do coração. Dar visibilidade a essas vivências de pessoas dedicadas muitos anos ao serviço das comunidades da Amazônia é tarefa fundamental para qualquer comunicador da Igreja.

Muitas vezes ficamos fascinados ao entrevistar cardeais e bispos, mas vemos que o Evangelho brota com força nas mãos e nos testemunhos dos ministros e ministras que servem silenciosamente suas comunidades de base.

Agora você retorna à sua Arquidiocese de origem, em Madri. Quais são as perspectivas para esta nova etapa?

Estamos ao serviço da Igreja. Quando comecei a trabalhar na equipe de comunicação da REPAM, consultei o então arcebispo de Madri, naquela época o Cardeal Osoro. Ele me disse: “eu lhe peço e, se não achar ruim, lhe mando que assuma essa missão”. Volto para Madri em obediência ao chamado da Igreja na qual fui ordenado.

A gente nunca pode esquecer o que prometeu no dia da ordenação presbiteral: obediência e respeito ao bispo. Agora, o arcebispo atual, Cardeal Cobo, pede minha presença em Madri. Assim que volto tranquilo e agradecido à Igreja do Brasil, e disponível para servir nas necessidades atuais da Arquidiocese de Madri e do que precisem de mim neste momento.

Para concluir: o que você leva no coração dessa vivência de tantos anos no Brasil?

Levo o testemunho de vida de muitas pessoas profundamente comprometidas com a vida da Igreja e na vida das comunidades. São muitas as pessoas que passam pela minha mente agora que me preparo para uma nova missão. Sobretudo levo a vivência de uma Igreja que entende que o batismo é o sacramento fundamental na vida eclesial e que a partir dele nasce toda ministerialidade.

Promover os ministérios laicais foi algo que aprendi aqui no Brasil e que levo comigo pra Igreja da Espanha que ainda é muito mais clerical. Devemos entender isso: o ministério ordenado é importante na vida da Igreja, ninguém nega isso. Mas a ministerialidade laical é fundamental para que a Igreja possa ter esta capilaridade que muitas vezes nos falta e assim concretizar essa “Igreja em saída” e sinodal, como tanto apostou o Papa Francisco e como o Papa Leão XIV tem impulsionado com força no seu Magistério, avançando como Igreja onde caminhamos todos, onde todos tem espaço e sentimos a necessidade de avançar juntos.

Nota do Vatican News:

Padre Modino, como nós sempre o chamamos, foi e continua sendo um grande colaborador da Rádio Vaticano – Vatican News. Ao longo de muitos anos ele foi nossos olhos, ouvidos e presença na realidade da Amazônia, na realidade da nossa Igreja entre os indígenas, ribeirinhos, sacerdotes, bispos e cardeais. Nosso muito obrigado por uma vida de doação à Igreja e à comunicação. Agora com nova missão e novos desafios. Certamente, teremos também um olhar e ouvidos em Madri. Obrigado padre Modino pela caminhada que fizemos juntos e que continuaremos a fazer. E obrigado, em nome de todos os nossos leitores e ouvintes, pela grande “mão”, pela ajuda que nos deu para entender o que é a Igreja na Amazõnia.

 

Fonte: Júlio Caldeira IMC/REPAM

Igreja celebra Solenidade da Imaculada Conceição neste 8 de dezembro; veja programação em Boa Vista

A programação conta com procissão luminosa, celebração eucarística e arraial

Foto: João Felipe – Pascom diocesana 

Celebra-se nesta segunda-feira, 8 de dezembro, o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. A data marca um dogma central da fé católica: o de que a Virgem Maria foi concebida sem a mancha do pecado original.

O padre Vitor Hugo, pároco da Paróquia São Jerônimo, explica a origem da devoção a Nossa Senhora da Conceição. “A devoção tem raízes muito antigas na história da Igreja e é uma das expressões mais tradicionais da fé mariana no mundo católico. Essa devoção surge porque Maria foi concebida sem pecado original e, assim, pôde gerar o Filho de Deus sem pecado.”

O dogma é fundamentado na passagem bíblica em que o Anjo Gabriel saúda Maria, anunciando que ela seria a Mãe do Salvador. Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX reconheceu oficialmente e declarou solenemente o dogma da Imaculada Conceição.

Segundo o padre Vitor Hugo, ela é importante porque revela a grandeza do plano de Deus para a salvação do mundo e mostra que Deus preparou Maria de forma única para ser mãe de Jesus.

Em Boa Vista, a Comunidade Nossa Senhora da Imaculada Conceição, da Paróquia São Jerônimo, celebra esta solenidade com procissão, missa e arraial.

Na manhã do dia 8, a programação começa com a alvorada sonora e o terço, às 6h. À tarde, às 17h, haverá a procissão luminosa. Às 18h30, será realizada a missa festiva em honra a Nossa Senhora, presidida pelo bispo diocesano Dom Evaristo Spengler. Após a missa, haverá o arraial com comidas típicas e bingo.

PROGRAMAÇÃO

Dia 05 – Sexta-feira | 19h30
Santa Missa com bênção dos objetos
Tema: “Maria, passa na frente e cuida da nossa gente.”

Dia 06 – Sábado | 19h30
Missa Penitencial com bênção das águas
Tema: “Com Maria, celebrar a reconciliação e o perdão do Senhor.”

Dia 07 – Domingo | 8h00
Missa com Unção dos Enfermos

Dia 08 – Segunda-feira

  • Alvorada sonora e terço
  • 17h00 – Procissão luminosa
  • 18h30 – Missa festiva

A comunidade fica localizada na Rua Raimundo Penafort, 446, no Bairro Buritis.

Missionários do Centro Missionário de Pádua visitam Diocese de Roraima

Foto: Da direita para a esquerda, Padre Luís Botteon, Padre Benedetto Zampieri, ao centro o responsável, Padre Rafael Coccato; Padre Mattia Bozzolan; o leigo Jorge Romagnoni; e, agachados, o Padre Mário Gamba e Padre Massimo Valente. 

Na tarde desta segunda-feira, 1º de dezembro, a Rádio Monte Roraima recebeu a visita do responsável pelo Centro Missionário da Diocese de Pádua, padre Rafael Coccato, e do leigo Jorge Romagnoni, colaborador do Centro Missionário.

A visita à diocese é apenas pastoral. O responsável veio encontrar os padres que atuam em Roraima. Eles permanecem no estado até o dia 6 e, em seguida, seguem viagem para o Amazonas, onde visitarão Dom Lúcio Nicolletto, de São Félix do Araguaia.

Cáritas Diocesana de Roraima realiza Campanha de Natal 2025

As doações podem ser entregues até 15 de dezembro na Casa da Caridade Papa Francisco

Foto: Kayla Silva

A Casa da Caridade Papa Francisco acolhe diariamente pessoas em situação de vulnerabilidade. Inspirada na passagem bíblica “Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber.” (Mt 25,35), a instituição lançou uma campanha de Natal com o objetivo de atender famílias que são acompanhadas ao longo do ano.

A Casa da Caridade atende mais de 2.000 pessoas. Para este Natal, a previsão é alcançar até 500 famílias. Além de alimentos, também serão recebidas doações de roupas e brinquedos.

Em carta de sensibilização, o bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, fez um apelo à comunidade. “É por isso que, com humildade e esperança, dirigimo-nos a você e à sua comunidade para fazer um apelo de solidariedade. Precisamos unir forças para continuar salvando vidas e mantendo acesa a luz da esperança para aqueles que enfrentam tantas escuridões.”

Foto: Kayla Silva

A campanha solicita a colaboração da comunidade por meio de uma coleta especial de alimentos não perecíveis, destinados às famílias atendidas pela Casa da Caridade Papa Francisco. As doações podem ser entregues até 15 de dezembro, às 12h, para possibilitar a organização das cestas e a distribuição antes do Natal.

Horário de recebimento das doações: de segunda a sexta-feira, na Casa da Caridade Papa Francisco, localizada na Rua Floriano Peixoto, 402 B, Centro.

Em mensagem à comunidade, a secretaria executiva da Cáritas, Joelma Costa expandiu o convite para as igrejas que desejam fazer parte dessa ação. “Faço o chamado para as paróquias que tiverem interesse em realizar a coleta e entregar na Cáritas. Estamos disponíveis para que elas também participem dessa ação.”

Cardeal Steiner, mais dois anos à frente da Arquidiocese de Manaus

Papa Leão XIV pede ao cardeal Steiner “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”

Foto: O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner.

O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner comunicou ao clero nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, que Papa Leão XIV lhe pediu “que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”.

Código de Direito Canônico: apresentar a renúncia aos 75 anos

O Código de Direito Canônico, no número 401, parágrafo 1, afirma: “Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”.

No dia 06 de novembro de 2025 o cardeal Steiner completou 75 anos e apresentou ao Santo Padre sua renúncia. Em resposta ao pedido do arcebispo de Manaus, Papa Leão XIV, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, comunicou sua decisão diante desse pedido.

Continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus

Em carta assinada pelo Núncio Apostólico, dom Giambattista Diquattro, com data de 17 de novembro de 2025, lida na reunião do clero, foi comunicado que “o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 15 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Eminência ao governo pastoral da Arquidiocese de Manaus, e ao mesmo tempo roga a Vossa Eminência que permaneça na direção da Arquidiocese por mais dois anos”.

O Núncio Apostólico disse que a decisão Pontifícia “deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Arquidiocese”. O texto recolhe igualmente que “o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Eminência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja de Manaus”.

Padre Luis Miguel Modino – Manaus

 

Brasileira Maria de Lourdes Guarda entre os novos veneráveis reconhecidos pela Igreja

Brasileira Maria de Lourdes Guarda entre os novos veneráveis reconhecidos pela Igreja

A leiga consagrada Maria de Lourdes Guarda, apóstola das pessoas com deficiência no Brasil, tem virtudes heroicas confirmadas pelo Papa

Brasileira Maria de Lourdes Guarda entre os novos veneráveis reconhecidos pela Igreja

A Igreja reconhece entre seus novos veneráveis a brasileira Maria de Lourdes Guarda, leiga consagrada que viveu quase cinquenta anos imobilizada e transformou a própria dor em fonte de evangelização e apoio às pessoas com deficiência. Durante a audiência concedida nesta sexta-feira, 21 de novembro, ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, o Papa Leão XIV autorizou a promulgação dos decretos que confirmam suas virtudes heroicas. Na mesma ocasião, foram aprovados os decretos relativos ao martírio, em ódio à fé, de dois sacerdotes italianos mortos pelas tropas nazistas em 1944, padre Ubaldo Marchioni e padre Martino Capelli, que em breve serão proclamados beatos. Também tiveram reconhecidas suas virtudes heroicas o arcebispo Enrico Bartoletti, dom Gaspare Goggi e a religiosa australiana Maria do Sagrado Coração (Maria Glowrey).


Maria de Lourdes Guarda com Santa Dulce dos Pobres

Maria de Lourdes, apóstola das pessoas com deficiência no Brasil

Nascida em 1926 na cidade de Salto, no Estado de São Paulo, de família de origens italianas, Maria de Lourdes Guarda enfrentou desde a juventude uma séria lesão na coluna que, aos 21 anos, a deixou paralisada da cintura para baixo, confinada a um rígido colete de gesso e, mais tarde, imobilizada de forma permanente. Mesmo impedida de ingressar na vida religiosa tradicional, encontrou seu caminho de consagração no Instituto Secular Caritas Christi, no qual professou seus votos em 1970. Ao longo de quase cinco décadas vividas entre hospitais e a própria casa, Maria de Lourdes transformou sua enfermidade em missão apostólica, auxiliada por intensa vida de oração e profunda devoção eucarística.

No contato com as Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, amadureceu uma espiritualidade de oferecimento e consolação. Seu quarto de hospital converteu-se em ponto de referência para encontros, partilhas e orientações espirituais. Mesmo sofrendo com doenças renais e uma grave gangrena que levou à amputação de uma perna, jamais deixou de acolher quem a procurava em busca de conselho, conforto e força na fé. Por dez anos, coordenou nacionalmente a “Fraternidade das Pessoas com Deficiência”, empenhando-se pela inclusão social, pelo reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência e pela formação de agentes pastorais. Faleceu em 5 de maio de 1996, vítima de um câncer na bexiga, com fama de santidade já difundida e fortalecida após sua morte.


Maria de Lourdes Guarda com Dom Hélder Câmara

Pe. Ubaldo: o sacerdote morto pelos nazistas diante do altar

O primeiro dos dois sacerdotes mártires, padre Ubaldo Marchioni, nasceu em Vimignano di Grizzana Morandi, província de Bolonha, em 1918. Entrou no seminário aos dez anos e foi ordenado aos 24, tornando-se ecônomo da paróquia de San Martino di Caprara em março de 1944, numa região então ocupada pelas tropas alemãs em conflito com os grupos de resistência. Durante os meses de violência e represálias, permaneceu ao lado de sua comunidade, partilhando com os paroquianos o medo, a fome e as incertezas da guerra. No dia 29 de setembro de 1944, enquanto se dirigia ao Oratório dos Anjos da Guarda para celebrar a Missa, parou na igreja de Santa Maria Assunta di Casaglia para resguardar as espécies eucarísticas e oferecer abrigo a mulheres e crianças aterrorizadas pela aproximação dos soldados nazistas.

Tentou negociar a liberdade dos refugiados, recomendando aos homens que fugissem para os bosques, mas todas as tentativas fracassaram. As mulheres e as crianças foram conduzidas ao cemitério e executadas. Padre Ubaldo foi então levado novamente à igreja e trucidado diante do altar, com tiros na cabeça, num gesto que revelou o desprezo dos nazistas pela fé cristã e confirmou o caráter de martírio odium fidei. Assassinado aos 26 anos, acolheu conscientemente o risco da morte por permanecer junto aos fiéis, mesmo tendo possibilidade de se salvar.


Sacerdotes italianos assassinados pelos nazistas

Padre Martino Capelli: martírio em Pioppe di Salvaro

O segundo sacerdote martirizado, padre Martino Capelli, nasceu em 1912 em Nembro, província de Bérgamo, e entrou aos 17 anos no postulantado da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. No verão de 1944 dirigiu-se a Salvaro para auxiliar o pároco idoso de San Michele, apesar da região estar entre as mais violentamente atingidas pelo avanço nazista.

Recusou-se a abandonar o povo, mesmo sendo alertado pelos confrades sobre o risco iminente. Quando, em 29 de setembro de 1944, os nazistas perpetraram o massacre de Creda, padre Capelli correu para socorrer os agonizantes, sendo capturado e obrigado a transportar munição. Foi detido junto com o salesiano padre Elia Comini e dezenas de civis, muitos deles sacerdotes posteriormente libertados. Encerrado numa estrebaria em Pioppe di Salvaro, confortou e confessou os prisioneiros. Na noite de 1º de outubro de 1944, foi morto com padre Comini e um grupo de pessoas consideradas “inaptas ao trabalho”. Os corpos foram dispersos no rio Reno. Seu martírio é reconhecido como odium fidei, motivado pelo desprezo dos nazistas pelo ministério sacerdotal, e também como martírio ex parte victimae, pela escolha consciente de permanecer com os fiéis.

Dom Enrico Bartoletti: o “timoneiro” do pós-Concílio

O arcebispo Enrico Bartoletti nasceu em 1916 em Calenzano e foi ordenado sacerdote aos 22 anos. Tornou-se figura central na recepção do Concílio Vaticano II na Itália, exercendo forte influência pastoral e intelectual. Reitor de seminários em Florença, colaborou na proteção de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Nomeado bispo auxiliar de Lucca em 1958, mais tarde se tornou arcebispo, antes de ser chamado por Paulo VI para servir como secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana num período particularmente complexo para o país. Sua morte precoce, em 1976, interrompeu um ministério marcado pela mediação, pelo diálogo e pela implementação das diretrizes conciliares.

Padre Gaspare, o jovem discípulo de São Luís Orione

Gaspare Goggi nasceu em 1877, encontrou São Luís Orione aos 15 anos e se tornou um de seus mais próximos colaboradores na nascente Pequena Obra da Divina Providência. Sacerdote aos 26 anos, distinguiu-se como confessor muito procurado e como guia espiritual em Roma, onde serviu como reitor da igreja de Sant’Anna dei Palafrenieri. Mesmo de saúde frágil, dedicou-se incansavelmente aos pobres e aos peregrinos. Morreu em 1908, aos 31 anos, já reconhecido como “pequeno santo” pelos fiéis.


Irmã Maria Glowrey com os doentes   (Courtesy of the Catholic Women’s League of Victoria and Wagga Wagga Inc. All rights reserved)

Irmã Maria do Sagrado Coração: médica australiana e missionária na Índia

Nascida em 1887, Maria Glowrey formou-se em medicina na Austrália e, inspirada por modelos femininos de missão e cuidado, mudou-se para a Índia em 1920, onde professou votos na Sociedade de Jesus, Maria e José, tornando-se irmã Maria do Sagrado Coração. Atendeu mulheres e crianças em contexto de extrema pobreza e desenvolveu um vasto apostolado médico, fundando instituições, formando profissionais e promovendo a ética cristã na saúde. Criou em 1943 a Catholic Health Association of India, hoje uma das maiores redes católicas de assistência médica do mundo. Morreu em 1957, deixando um legado marcante de serviço e evangelização.

FONTE/CRÉDITOS: Vatican News