Trabalho em rede: Um Caminho para Avançar no Cuidado da Nossa Casa Comum

Líderes empresariais, trabalhadores, movimentos populares e a Igreja Católica reuniram-se para um diálogo social.

Organizar a esperança é um desafio para todo cristão. No caso da Igreja Católica, essa tarefa é particularmente relevante em 2025, ano do Jubileu da Esperança, um empenho especial.

O pavilhão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), na Zona Verde da COP30, acolheu um painel no dia 18 de março, cujo ponto de partida foi se estamos fazendo o suficiente para avançar nesse caminho. Uma questão que trataram de responder Kalil Cury Filho, Subdiretor de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP); Hernán Coronado, Especialista Regional em Comunidades Indígenas do Escritório Latino-Americano da Organização Internacional do Trabalho; Kaira Reece, Secretária de Desenvolvimento Sustentável da União dos Trabalhadores das Américas; Patricia Gualinga, Vice-Presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA); e dom Reginaldo Andrietta, coordenador da Rede Eclesial de Trabalho Organizado (RETO) do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM).

Uma Ponte Jubilar na COP

Líderes empresariais, trabalhadores, movimentos populares e a Igreja Católica reuniram-se para um diálogo social. Este encontro representa mais um passo em uma ponte do Jubileu à COP e, portanto, ao progresso na ação climática, como destacou o moderador do painel, padre Anderson Pedroso, presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe (ODUCAL).

Devemos partir da ideia de que “o trabalho em rede é fundamental”, enfatizou Kaira Reece. A líder sindical ressaltou o papel dos sindicatos na representação dos direitos dos trabalhadores, também em relação ao clima e à transição energética, que afetam suas vidas. Isso porque a crise climática impacta particularmente as pessoas vulneráveis, incluindo aquelas que vivem em condições precárias de trabalho.

A Importância do Trabalho Coletivo

O trabalho coletivo é instrumento para enfrentar as mudanças climáticas, um trabalho de colaboração que envolve a todos, destacou Kalil Cury Filho. O líder empresarial enfatizou a importância do comportamento de cada um, mostrando as iniciativas que estão sendo realizadas como sobre economia circular, “em ciranda, todos de mãos dados”. Ele disse que “não adianta só a tecnologia, se você não tiver o elemento humano, não vai”.

Para mitigar as mudanças climáticas, Hernán Coronado afirmou que é necessário que as vozes de todos os grupos sejam representadas. O objetivo é construir uma governança climática com a participação de todos, incluindo as vozes indígenas. Nesse sentido, ele destacou o papel de liderança dos povos indígenas, das comunidades locais e dos jovens na COP30. O objetivo é contribuir para uma transição que ocorra com respeito, melhores condições de vida, emprego formal e garantia de plenos direitos trabalhistas.

CEAMA, um clamor da terra

Patrícia Gualinga falou em nome da CEAMA, que nasceu de um clamor e de uma terra, de baixo para cima, um lento processo de construção em resposta à realidade do bioma amazônico e às diversas crises presentes na sociedade. Sua vice-presidente destacou o apoio da CEAMA às comunidades locais e o fato de que esta conferência participa pela primeira vez de uma COP, apresentando assim a realidade amazônica e as demandas dos povos indígenas em relação à demarcação de seus territórios e sua participação nos espaços de tomada de decisão.

A líder indígena equatoriana enfatizou que os territórios indígenas são os mais bem preservados. Em resposta, denunciou a falta de financiamento e expressou o desejo dos povos indígenas de serem “donos de suas próprias decisões”. Nesse sentido, a CEAMA pode apoiar os povos indígenas, aprendendo com seus gritos. Para Gualinga, é fundamental reconhecer o conhecimento ancestral dos povos indígenas como conhecimento científico, visto que pode ajudar a enfrentar a crise climática.

Ecologia Integral na Igreja Latino-Americana

O Acordo de Paris está gerando progresso real, mas este precisa ser acelerado, segundo dom Reginaldo Anndrietta, que cita fontes da ONU. Uma dificuldade reside na atitude das nações mais poderosas, que estão dificultando o progresso. Para o bispo de Jales, a ecologia integral tem sido uma dinâmica na Igreja Latino-Americana há décadas, seguindo o ensinamento papal sobre o assunto desde a Populorum Progressio de Paulo VI e o próprio Magistério da Igreja no continente. Conceitos como desenvolvimento humano integral, a convergência da tecnologia e uma economia a serviço dos interesses do poder como fator de desequilíbrio estão presentes nesse Magistério.

Em relação ao mundo do trabalho, a Igreja em cada país tem desenvolvido o trabalho pastoral no mundo do trabalho, elemento estruturante da vida social, incentivando o diálogo com os diversos atores sociais. Isso é urgente, dada a alta porcentagem de informalidade no mercado de trabalho no continente e as condições de pobreza. O bispo brasileiro enfatizou que o Papa Francisco colocou o trabalho no centro e refletiu repetidamente sobre a realidade do trabalho.

De forma semelhante, Leão XIV abraçou o trabalho como ponto central de seu pontificado. Nessa perspectiva, em Dilexi te, ele afirma que “é necessário continuar denunciando a ditadura de uma economia que mata” e a necessidade de apoiar os movimentos populares e seus líderes, destacando a importância da solidariedade e do trabalho como elemento central para garantir a democracia. Diante disso, o bispo questionou se a COP é democrática e elogiou as manifestações da sociedade civil, especialmente dos mais afetados pela crise ambiental. Por fim, insistiu que os acordos serão insuficientes se não forem implementados.

Dignificando a Vida

Nesse contexto, a importância da Laudato Si’ e o reconhecimento do trabalho, que dá sentido à vida das pessoas, é algo que Kalil Cury Filho enfatiza, expressando sua esperança para o futuro. Na mesma linha, Kaira Reece destacou o progresso necessário na defesa da dignidade da vida, “que deve ser primordial na tomada de decisões, na busca do desenvolvimento sustentável para e pelo povo”. Tudo isso visa alcançar um modelo de trabalho que assegure a dignidade humana.

Por sua vez, Hernán Coronado insistiu na necessidade de continuar a fortalecer a liderança e a participação dos povos e comunidades indígenas, e de situar a discussão num nível horizontal. Patricia Gaulinga questionou se a COP é inclusiva, defendendo o renascimento da Laudato Si’, que abrange a todos e incorpora o conhecimento dos povos indígenas. Dom Reginaldo Andrietta considera este diálogo socioambiental um espírito necessário na busca de objetivos comuns e de entendimento.

A Educação Instrumento para a Conversão Ecológica Estrutural na Espiritualidade do Cuidado

Os combustíveis fósseis são um dos principais culpados pelas mudanças climáticas, contribuindo decisivamente para o aumento da temperatura global. O abandono do seu uso e a promoção de novos estilos de vida, educação e formação para uma conversão ecológica estrutural foram o tema de discussão do painel realizado no Pavilhão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), na Zona Verde da COP30, que ocorre em Belém de 10 a 21 de novembro de 2025.

Os participantes do debate, em 18 de novembro, foram Juan Esteban Belderrain, assessor do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM); Carlos Greco, reitor da Universidade de San Martín (Argentina) e membro da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC); Darío Bossi, presidente da Rede Igreja e Mineração; e dom Lizardo Estrada, secretário-geral do CELAM. Um painel moderado por Agustina Rodríguez Saa, presidente da RUC.

RUC: Formando Líderes Conectados ao Território

Um painel que, nas palavras de sua moderadora, buscou refletir sobre o papel da educação no abandono dos combustíveis fósseis e na adoção de novos estilos de vida. Essa é uma das forças motrizes da RUC, uma rede que reúne universidades públicas e privadas, seculares e religiosas, garantindo a diversidade. A rede nasceu da inspiração da Laudato Si’, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris.

Mais de 200 reitores da RUC se encontraram com o Papa Francisco em 2023, como lembrou Rodríguez Saa. O pontífice enfatizou a necessidade de formar líderes e sua conexão com o território. Não podemos esquecer que a RUC tem presença na América Latina, na Península Ibérica e no Reino Unido. Isso confere maior importância à sua participação na COP30, dado o conhecimento que essas universidades têm do território.

Aceitando os Limites

Darío Bossi abordou a questão dos combustíveis fósseis sob a perspectiva dos limites, especificamente a ausência de limites na sociedade atual, que põe em risco as gerações passadas e futuras. Este é um limite sobre o qual a comunidade científica vem alertando em relação à Mãe Terra, que se depara com o conceito central do capitalismo: o crescimento. O problema reside em conciliar crescimento e limites, especialmente diante de falsas soluções e verdades, “um desafio filosófico e cristão que devemos abraçar”, enfatizou o missionário comboniano.

O caminho a seguir envolve aceitar e lidar com os limites, confrontar a crescente desigualdade e responsabilizar aqueles que geram as maiores emissões. Requer a capacidade de cultivar uma vida que transcenda o consumo e o desperdício, abraçando a sobriedade feliz e aprendendo a viver feliz com menos. A transformação deve começar com a compreensão dos limites e suas implicações para a vida cotidiana, no transporte, na produção e na diversificação dos investimentos.

O Papel Profético da Igreja

O documento das Igrejas do Sul, em preparação para a COP30, do qual a CELAM é signatária, “Um Apelo à Justiça Climática e à Nossa Casa Comum”, norteou a intervenção de dom Lizardo Estrada. Este documento exige “ações transformadoras dos Estados, fundamentadas na dignidade humana, no bem comum, na solidariedade e na justiça social, priorizando os mais vulneráveis, incluindo nossa irmã Mãe Terra”.

O Secretário-Geral da CELAM delineou alguns elementos necessários para a geração de novos estilos de vida. Isso envolve evitar impactos irreversíveis, buscando soluções que unam justiça, ecologia e dignidade humana, superando paradigmas tecnocráticos e extrativistas, com políticas climáticas baseadas na equidade e em responsabilidades comuns, porém diferenciadas. É essencial levar em consideração as cosmovisões e práticas dos povos e comunidades locais, enfatizou Estrada.

Para isso, o envolvimento das Igrejas é necessário, levando à rejeição de falsas soluções e à defesa da justiça climática; eliminar os combustíveis fósseis; rejeitar a mercantilização da natureza; condenar o capitalismo verde; fortalecer a resiliência e a resistência das comunidades; defender a soberania dos povos indígenas; promover novos paradigmas baseados na solidariedade, na justiça social, na cooperação e no respeito aos limites; implementar programas educativos sobre o cuidado da nossa casa comum; cultivar a espiritualidade em todas as esferas; e criar o Observatório da Igreja para a Justiça Climática.

Isso está ligado a uma série de exigências feitas aos Estados quanto à implementação de mecanismos de governança climática com a participação ativa e vinculativa de todos. É necessário proteger as populações vulneráveis ​​das mudanças climáticas por meio de um pacto climático global e de um financiamento climático transparente e acessível que transcenda as soluções puramente baseadas no mercado. Para tanto, as Igrejas do Sul Global clamam por uma conversão ecológica, inspirada pela espiritualidade do cuidado. Isso envolve educação em consciência ecológica, comunhão com as vítimas e o fomento do diálogo e da profecia eclesial.

Gerar Novos Agentes de Transformação

A educação é o principal meio de alcançar as mudanças necessárias para enfrentar a crise climática, segundo Juan Esteban Belderrain. Ele questionou a falta de representação do mundo educativo nos espaços de tomada de decisão, destacando a importância do painel.

O desafio, nas palavras do consultor do CELAM, é a necessidade de moldar o conteúdo educacional, uma questão que gera conflitos e dificulta o consenso. Devemos buscar uma educação para novos estilos de vida, o que exige a compreensão de que não há consenso sobre isso. Tudo isso visa gerar novos agentes de transformação. Isso vai além de materiais didáticos que abordam a sustentabilidade e exige uma transformação da lógica e das relações institucionais.

Uma dinâmica em vista de evitar o que ele chama de “efeito vacina” do discurso, que nos desafia a ajudar a conscientizar de que a mudança climática é uma consequência do atual sistema de produção capitalista. Essa conscientização necessária, como disse Paulo Freire, não basta; devemos ir além, oferecendo aos estudantes a possibilidade de outra lógica, de outra forma de se relacionar com a natureza. Belderrain alertou sobre a “globalização da impotência“, como a descreveu Leão XIV, que nos leva a encarar os problemas com a consciência de que não podemos mudá-los.

Educar para transformar

Na universidade, o fundamento é trabalhar com o conhecimento para transformar a vida das pessoas por meio da educação, o que representa uma responsabilidade, afirmou Carlos Greco. O objetivo é uma autonomia responsável construída por meio do engajamento com a realidade que enfrenta. Nessa perspectiva, a universidade gera conhecimento que fomenta a compreensão da realidade da qual fazemos parte. Este processo abrange todo o processo educativo e estende-se a outros grupos, exigindo acordos institucionais que nos ajudem a compreender que não possuímos a verdade absoluta e que nos permitam construir novos processos.

Para Greco, a universidade assume o compromisso com a educação, entendendo que os estudantes assumirão uma responsabilidade social de trabalhar pelo bem comum, o que vai além do diploma que recebem. Isto exige um conhecimento transversal, visando cultivar a consciência de que o que produzirão é para o bem comum e para a sustentabilidade, gerando assim uma consciência prática baseada no conhecimento teórico e transmitindo às suas comunidades a consciência de criar um mundo melhor. Tudo isto se fundamenta no fato de que estes estudantes serão os líderes que moldarão as políticas públicas no futuro.

O desafio é concretizar “um capitalismo comprometido com o verdadeiro desenvolvimento, e não apenas com o crescimento”, sublinha o reitor. Isto requer investimento por parte dos governos, um desafio para os países do Sul Global, dados os seus elevados níveis de endividamento. Daí a necessidade de perdoar a dívida externa para melhorar as condições nos países em desenvolvimento, investindo na educação, um verdadeiro mecanismo de transformação social, concluiu.

 

Fonte: Luis Miguel Modino – CNBB NORTE 1

Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

A Cúpula dos Povos, o movimento mais importante em volta da COP30, encerrou suas atividades neste 16 de novembro

Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

Mais de 23.000 credenciados, de mais de 60 países, além de muitas pessoas que passaram nas diversas atividades realizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Dentre eles diversas pastorais, movimentos e organismos da Igreja católica.

Compromisso da Igreja com os marginalizados

Uma presença da Igreja católica que o bispo da diocese de Brejo (Maranhão), e presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes, considera muito importante, “nesse sentido do testemunho, do compromisso com os marginalizados e marginalizadas”. No dia em que a Igreja católica celebra a Jornada Mundial dos Pobres, o bispo enfatizou que “isso requer de nós um testemunho, um compromisso e uma luta pela vida. E eu diria que essa luta pela vida é luta pelo território livre dos povos, é luta pela dignidade, é luta pelo direito, é luta para que a justiça social, a justiça socioambiental seja de fato realizada no nosso meio”.

Dom Valdeci ressaltou que “as pastorais sociais, os organismos do povo de Deus têm esse compromisso grande de assumir a luta juntamente com os movimentos populares, com aqueles e aquelas que lutam por vida, vida humana e vida do Planeta”. Nessa perspectiva, quando o Brasil acolhe a COP30, o bispo insistiu em que “a Igreja católica precisa ouvir mais as comunidades tradicionais, os povos originários e aprender também, ter essa humildade de aprender também para que de fato possa cumprir o seu papel e testemunhar Cristo. Cristo que sofreu, Cristo que foi perseguido e assim também são os nossos povos e nossas comunidades”.

Finalmente, o bispo da diocese de Brejo, disse que “precisamos assumir cada vez mais, ouvindo o grito de tantos irmãos e irmãs que ainda hoje são torturados, são marginalizados. Precisamos dar esse passo no compromisso e fidelidade ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”.

A voz de Raoni Metuktire

A clausura da Cúpula dos Povos contou com a presença de uma das maiores lideranças indígenas do Brasil e do mundo, Raoni Metuktire. O indígena do povo Kayapó, que foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano, pediu união entre todos, fazendo um apelo pela “continuidade para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal neste universo, querem destruir esta terra”. Diante das mudanças climáticas, das guerras, ele pediu o respeito um pelo outro e poder viver em paz nessa terra. Junto com isso, o cacique Raoni pediu “dar continuidade nessa missão de poder defender a vida”.

O cacique do povo Kayapó chamou ao diálogo com as autoridades, com os estados, em vista de acabar com o desmatamento, o garimpo e a exploração da terra. Ele pediu proteção e cuidado para os povos indígenas, sobretudo na área da saúde. Finalmente, Raoni refletiu sobre as consequências das mudanças climáticas, advertindo sobre o caos muito grande que pode acontecer “se não tivermos a consciência de defender o que resta”.

Declaração da Cúpula e Carta das Infâncias

A Cúpula dos Povos elaborou uma declaração onde mostram sua disposição para assumir “a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos”, ressaltando que “somos a unidade na diversidade”. O texto afirma que “não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados”. Para isso apostam nos “intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade”. Um texto que analisa a realidade atual em sete pontos para depois fazer 15 propostas. Para avançar nesse caminho, fizeram um chamado a unificar forças mediante a organização dos povos.

Também foi apresentada a Carta das Infâncias na Cúpulas dos povos, que se reuniram em Belém (PA) para conversar sobre o clima. O texto denuncia o aumento da temperatura e suas consequências na vida das crianças. Elas afirmam que “Nós somos natureza, o planeta é natureza. A natureza é tudo!”, e pedem “um futuro bonito para viver”. Para isso “Temos que cuidar e proteger a AMAZÔNIA”, destacam as crianças, que fazem uma longa lista de propostas e exigências, dado que “queremos continuar vivos e vivas! Crescer num mundo bonito, num mundo que ainda respire. Com esperança e sem medo!

Levar em conta a sociedade civil

Tanto a declaração como a carta foram apresentadas ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e ao Governo Federal do Brasil, representado pelas ministras Sônia Guajajara, Marina Silva e o ministro Guilherme Boulos. Corrêa de Lago recordou o recordou o pedido do presidente Lula da COP30 levar em conta a sociedade civil. Nesse sentido, ele destacou a importância dos textos, que serão levados à reunião de alto nível onde são tomadas as decisões.

Sônia Guajajara insistiu em que a democracia precisa da participação do povo, que deve ser escutado. A ministra dos Povos Indígenas definiu os participantes da cúpula como “os maiores guardiães da vida, seja no território, seja nas periferias das grandes cidades, dos quilombos”. Ela enfatizou a presença indígena na Zona Azul, com mais de 900 representantes, que ajudam a mudar o foco das discussões.

Mensagem do presidente Lula

A ministra Marina Silva leu a mensagem do presidente Lula à Cúpula dos Povos. Ele disse que “a COP30 não seria viável sem a participação de vocês”, ado que “o combate à mudança do clima precisa da mobilização e contribuição de toda a sociedade, não só dos governos. O entusiasmo e o engajamento de vocês são fundamentais para que possamos seguir nessa luta. Vocês são portadores da força e da legitimidade dos que almejam o melhor”.

O presidente do Brasil insistiu na urgência da mudança e defendeu o desenvolvimento sustentável, e “um mundo em paz, mais solidário, menos desigual, livre da pobreza, da fome e da crise”. É por isso que “não podemos adiar as decisões que estão sendo debatidas há tantos anos”. Para isso, ele pediu “mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare e reverta o desmaiado e mobilize recursos”. Daí que “não podemos sair de Belém sem decisões”, o que faz com que as negociações até o final da COP sejam fundamentais, um espaço onde ele irá participar.

Uma chave de esperança

Marina Silva relatou sua história de vida na Amazônia, marcada em sua infância pela pobreza e o trabalho semiescravo. A ministra relatou alguns elementos que fazem parte da atual realidade climática e os esforços do governo brasileiro para diminuir os incêndios e o desmatamento. Finalmente, ela fez um apelo ao envolvimento de todos no cuidado do meio ambiente, e disse ver a Cúpula dos Povos como “uma chave de esperança”.

Guilherme Boulos mostrou sua alegria diante das Marcha dos Povos realizada no sábado 15 de novembro, com a participação de mais de 70.000 pessoas. Segundo o ministro da Secretaria Geral da Presidência “vocês fizeram e estão fazendo a diferença nessa COP”. Ele parabenizou a presidente da COP30 por ter ido escutar os apelos da Cúpula dos Povos. Boulos denunciou a responsabilidade das grandes corporações e dos Países do Norte Global diante da atual realidade climática.

 FONTE/CRÉDITOS: Luis Miguel Modino – CNBB NORTE 1
Simpósio da Igreja Católica na COP30 reforça compromisso com a Ecologia Integral e a defesa da Amazônia

Simpósio da Igreja Católica na COP30 reforça compromisso com a Ecologia Integral e a defesa da Amazônia

Os cardeais Jaime Spengler e Leonardo Steiner participaram da coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 12, no âmbito do simpósio da Igreja na COP30

Simpósio da Igreja Católica na COP30 reforça compromisso com a Ecologia Integral e a defesa da Amazônia

A coletiva de imprensa do Simpósio da Igreja Católica na COP30 reuniu, em Belém, importantes vozes da Igreja no Brasil e na América Latina em um chamado à conversão ecológica e à defesa da vida na Amazônia. O encontro contou com a presença de Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e do CELAM, e de Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia. 

Logo na abertura, um gesto simbólico emocionou os presentes: a água derretida de um bloco de gelo vindo da Groenlândia, abençoada pelo Papa Francisco durante conferência em Roma, percorreu um caminho espiritual — passando pelos santuários de Aparecida e do Cristo Redentor — até chegar a Belém. O símbolo, colocado junto à imagem do Papa, representou a esperança e a união entre povos, territórios e fé. 

Dom Jaime destacou o papel da Igreja na promoção da consciência ecológica e na escuta dos povos da Amazônia. “A Terra está quase a sangrar até a morte. Ela pede socorro. A Igreja tem se empenhado em promover uma consciência comunitária diante dos desafios das mudanças climáticas, respondendo ao grito que nasce da Terra e dos povos ribeirinhos”, afirmou. 

Já Dom Leonardo reforçou a caminhada histórica da Igreja na Amazônia desde o Documento de Santarém (1972) até hoje: “A Igreja que está na Amazônia tem sido muito ativa, ligando sempre a questão dos povos indígenas, dos pobres e do meio ambiente. Tudo tem a ver com a fé. A ecologia integral faz parte da vivência do Evangelho”, disse. 

Ao serem questionados sobre o papel profético da Igreja frente aos governos e empresas, os cardeais reafirmaram a necessidade do diálogo sem perder a coerência com o Evangelho. “A Igreja não pode se calar. O cuidado e a promoção da vida em todas as suas formas são princípios de fé que dialogam com a ciência e com a sociedade”, destacou Dom Jaime. 

Dom Leonardo também anunciou a criação de uma Comissão Pastoral de Ecologia Integral e Mineração, reforçando a missão de visibilizar práticas sustentáveis e experiências comunitárias que semeiam cuidado em vez de lucro. 

O encontro concluiu com uma mensagem de esperança e de compromisso: “A ecologia integral faz parte do caminho da fé. Se a casa comum estiver desarranjada, está desarranjado também o Reino de Deus. O caminho é de conversão e de fraternidade universal”, afirmou Dom Jaime. 

O bispo diocesano de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler também participa, em Belém (PA), do Simpósio A Igreja Católica na COP30 nos caminhos da Ecologia Integral: refletindo sobre justiça climática e conversão ecológica.



Neste momento, Dom Evaristo se une a lideranças religiosas, científicas, indígenas e governamentais para reafirmar o compromisso da Igreja com o cuidado da Casa Comum e a defesa da vida em todas as suas formas.

Com informações REPAM Brasil
O bispo de Roraima preside a celebração eucarística no ponto alto da 82ª Romaria Estadual da Medianeira

O bispo de Roraima preside a celebração eucarística no ponto alto da 82ª Romaria Estadual da Medianeira

O bispo de Roraima preside a celebração eucarística no ponto alto da 82ª Romaria Estadual da Medianeira
Guilherme Cezar (ASCOM)

A 82ª Romaria Estadual da Medianeira ocorreu entre os dias 7 e 9 de novembro, em Santa Maria (RS). Reconhecida como uma das maiores manifestações religiosas do país, o evento reuniu cerca de 250 mil pessoas, fortalecendo a fé e a esperança do povo gaúcho.

O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, participou da programação e presidiu a missa campal pela manhã, no Altar Monumento, no Parque da Medianeira, momento central da celebração. À tarde, ele também presidiu a Missa da Saúde, na Basílica da Medianeira.

Durante sua participação, Dom Evaristo destacou a presença expressiva dos peregrinos e a importância da caminhada de fé neste tempo de reconstrução no Rio Grande do Sul. “Uma expressão de fé e alegria. O povo buscando Deus através da intercessão de Maria. Ainda é marcante aqui o processo de reconstrução após as chuvas e enchentes que atingiram esta região. Mas o povo segue firme, buscando a Deus, alimentando a esperança e caminhando com Jesus. Como disse Maria nas Bodas de Caná: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’”, afirmou o bispo.

Dom Evaristo Spengler preside Missa na 82° Romaria Estadual Medianeira, em Santa Maria (RS)

Dom Evaristo Spengler preside Missa na 82° Romaria Estadual Medianeira, em Santa Maria (RS)

Dom Evaristo Spengler preside Missa na 82° Romaria Estadual Medianeira, em Santa Maria (RS)

O Bispo diocesano de Roraima, participa da 82ª Romaria Estadual da Medianeira, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durantes os três dias de programação, ele celebra missa em honra a Rainha do Povo Gaúcho.

A Romaria ocorre entre os dias 7, 8 e 9 de novembro, com o tema “Sob o olhar da Medianeira, peregrinos de esperança”. Neste Ano Jubilar da Esperança, a Arquidiocese de Santa Maria convida os fiéis a viver dias de fé, alegria e reencontro, renovando a tradição de uma das maiores manifestações religiosas do Brasil.

O ponto alto da celebração — a procissão e a missa campal de domingo — terá início mais cedo neste ano, às 7h30, saindo da Catedral até a Basílica. Assim o deslocamento acontecerá num clima mais ameno e o conforto térmico também será sentido para o acompanhamento da principal celebração com a chegada da imagem e missa celebrada por Dom Evaristo Spengler, no Altar Monumento, no Parque da Medianeira. 

Romaria

Reconhecida como uma das maiores manifestações religiosas do Brasil, a Romaria reúne até 250 mil pessoas e renova a fé sob o olhar da Medianeira, proclamada Rainha do Povo Gaúcho. “A Romaria é um tempo de esperança, de reencontro e de testemunho público de fé. Convidamos a todos para caminharmos juntos, deixando-nos guiar pelo olhar materno de Maria”, destacou o arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin.

 FONTE/CRÉDITOS: Arquidicese de Santa Maria

Comunidades da Diocese de Roraima realizam festejos neste sábado (08)

Comunidades da Diocese de Roraima realizam festejos neste sábado (08)

A programação nas comunidades contará com bingo, comidas típicas e muita animação

Comunidades da Diocese de Roraima realizam festejos neste sábado (08)
Festejo de Santa Tersinha – Pascom diocesana

Neste sábado, 08 de novembro, diversas comunidades da Diocese de Roraima promovem seus festejos com comidas típicas, bingos e muita animação. Confira a programação deste final de semana:

1º Festejo de São Frei Galvão ocorre às 19h, na comunidade São José, localizada na Rua Jafoct, n° 273, no bairro Pintolândia. O festejo contará com a escolha do rei e da rainha e um bingo eletrônico, no valor de R$ 10,00, com os seguintes prêmios:

1º Prêmio: R$ 1.000,00

2º Prêmio: R$ 1.500,00

3º Prêmio: R$ 2.000,00

4º Prêmio: 1 Moto BIZ Zero km

Também neste sábado, a Cáritas São Martinho realiza o 1º Festejo com a Noite Solidária, a partir das 19h, na comunidade Santa Rosa de Lima, situada na Rua Campo Grande, nº 377, bairro Nova Cidade. O evento terá comidas típicas, bebidas, doces, salgados, apresentações culturais e o Bingo Solidário, com cartelas no valor de R$ 10,00.

Na comunidade Mãe Peregrina, o Festejo Mãe Peregrina começa às 19h30, com comidas típicas, pescaria e pula-pula, bingo, música e muita diversão. A comunidade fica localizada na Rua Pedro Camargo, n° 615, no bairro Cidade Satélite.

E na Área Missionaria São João Batista, ocorre o Festejo de Santa Teresinha, também neste sábado, a partir das 19 horas, com o bingo no valor de R$ 10,00, e com as seguintes programações:

1º Prêmio – 1 Ferro de Passar

2º Prêmio – 1 Liquidificador

3º Prêmio – 1 Faqueiro de 20 Peças

4º Prêmio – 1 Cesta de Produtos Luci

5º Prêmio – 1 Semi Joia Romannel

6º Prêmio – 1 Penteadeira Camarim

7º Prêmio – 500,00 reais via Pix

8º Prêmio – 1.000,00 reais via Pix

CNBB esclarece liturgia para as celebrações de 1º e 2 de novembro

Imagem de congerdesign por Pixabay

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Comissão Episcopal para a Liturgia, emitiu um comunicado para orientar as celebrações do início de novembro. A nota busca esclarecer dúvidas de muitas comunidades, uma vez que, em 2025, a Solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, será em um sábado, seguida pela Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Finados), no domingo, dia 2.

O documento, assinado por dom Hernaldo Pinto Farias, presidente da comissão, estabelece de forma clara a precedência das celebrações. No sábado, 1º de novembro, celebra-se durante todo o dia a Solenidade de Todos os Santos. No domingo, 2 de novembro, o dia inteiro será dedicado à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

Para a celebração de Finados, o comunicado recorda algumas particularidades litúrgicas importantes. Diferente das missas dominicais comuns, na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos não se reza o Glória nem se faz a Profissão de Fé (o Credo). São detalhes que expressam o tom sóbrio e esperançoso deste dia dedicado à oração por aqueles que já partiram.

O texto também orienta os celebrantes, lembrando que o Missal Romano oferece três formulários de Missa à escolha e que as leituras podem seguir tanto o Diretório Litúrgico quanto as opções do Lecionário Dominical. Deve-se utilizar o Prefácio dos Fiéis Defuntos, próprio para a data, podendo-se encerrar a celebração com a fórmula da Bênção Solene.

Um ponto de destaque na nota da CNBB é a cor litúrgica a ser utilizada. Dom Hernaldo recorda que, no Brasil, a cor própria para a Missa dos Fiéis Defuntos é o roxo. A cor preta, embora prevista em outros lugares, não é o costume litúrgico em nosso país para esta celebração.

As orientações da CNBB são um importante serviço para que todas as paróquias e comunidades possam se preparar e celebrar com unidade, dignidade e profundidade espiritual estas datas tão significativas do nosso calendário, honrando os santos que já contemplam a face de Deus e intercedendo por nossos irmãos na esperança da vida eterna.

Confira abaixo o documento na íntegra:

https://cnbboeste1.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Carta-aos-Bispos-Liturgia.pdf

Cemitérios de Boa Vista terão missas e programação especial no Dia de Finados

Cemitérios de Boa Vista terão missas e programação especial no Dia de Finados

Fiéis poderão participar das celebrações e obter indulgência plenária neste domingo (2)

Cemitérios de Boa Vista terão missas e programação especial no Dia de Finados
Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima fm

Os cemitérios de Boa Vista estão se preparando para receber milhares de visitantes neste domingo, 2 de novembro, quando a Igreja Católica celebra o Dia dos Fiéis Defuntos, mais conhecido como Dia de Finados. A data é marcada por momentos de oração, saudade e homenagens aos entes queridos que já partiram.

O Vigário Geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo, destacou que o Dia de Finados é um tempo de memória e esperança.

“É um dia de lembrança, de memória, mas também de celebração da vida dos nossos filhos e filhas queridos, que já não estão fisicamente entre nós, mas deixaram seu legado, sua história e sua missão”, disse o sacerdote.

Os cemitérios Municipal Nossa Senhora da Conceição e Campo da Saudade terão horários estendidos e missas ao longo do dia. O acesso será aberto a todos, inclusive para quem não professa a fé católica, mas deseja prestar homenagens.

Indulgência plenária no Dia de Finados

Durante o Dia de Finados, a Igreja Católica oferece aos fiéis a oportunidade de obter a indulgência plenária, que é o perdão total das penas temporais ligadas aos pecados já confessados.

Segundo o padre Josimar Lobo, neste Ano Jubilar, a celebração ganha ainda mais sentido espiritual:

“Neste tempo de graça, aqueles que se confessarem, comungarem, rezarem pelas intenções do Papa e realizarem uma obra de caridade podem receber a indulgência plenária, o perdão completo, inclusive dos pecados que já não se recordam.”

Para obter a indulgência plenária, o fiel deve:

Estar em estado de graça (confessado ou disposto a se confessar); participar da missa e comungar; rezar pelas intenções do Papa; fazer uma oração pelos falecidos.

O Dia de Finados é, portanto, um momento de fé, lembrança e comunhão espiritual, em que os católicos e toda a comunidade são convidados a viver a esperança cristã de que a vida não termina com a morte.

 

Programação das Missas

Cemitério Municipal Nossa Senhora da Conceição (bairro São Vicente):

6h30 – Missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler.

(Será a única celebração neste local.)

Cemitério Campo da Saudade (bairro Centenário):

7h30 – Padre Attilio Santuliana (Área Missionária Santa Rosa de Lima)

10h30 – Padre Edmilson de Abreu (Paróquia Santo Antônio de Santa’Ana Galvão)

17h00 – Padre Jefferson de Almeida (Paróquia Santos Arcanjos)

O Santo Padre durante o encontro com diversos representantes de outras religiões

Papa: que as religiões sirvam para libertar o povo do preconceito, da ira e do ódio

No 60º aniversário da Nostra Aetate, o Pontífice recorda que “manter viva a esperança, o diálogo e o amor no coração do mundo” é tarefa sagrada de toda a humanidade.

“A Igreja Católica não rejeita nada de verdadeiro e santo que existe nessas religiões e que «refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens» (n. 2). Ela considera-os com sincera reverência e convida os seus filhos e filhas, através do diálogo e da colaboração, a reconhecer, preservar e promover o que é espiritual, moral e culturalmente bom em todos os povos.”

Essas palavras do Papa Leão XIV, proferidas durante seu discurso na noite desta terça-feira, 28 de outubro, na Sala Paulo VI, ecoaram como o fio condutor da celebração pelos sessenta anos da Declaração conciliar Nostra Aetate, dedicada às relações da Igreja com as religiões não cristãs. O evento, com o tema “Caminhar juntos na Esperança”, marcou o primeiro momento das comemorações e reuniu cerca de duas mil pessoas e oitenta representantes das principais tradições religiosas do mundo, do Judaísmo ao Islamismo, do Hinduísmo às religiões tradicionais africanas, acompanhados por um numeroso grupo de crianças.

O Santo Padre durante o encontro com diversos representantes de outras religiões
O Santo Padre durante o encontro com diversos representantes de outras religiões   (@Vatican Media)

A atmosfera foi de alegria e fraternidade. O encontro contou com apresentações artísticas que expressaram a diversidade espiritual e cultural dos povos: a tradicional dança Kandyan do Sri Lanka, o número indonésio Tiga Apsari, representando o encontro entre hinduísmo, catolicismo e islamismo; uma apresentação cultural da República Democrática do Congo; uma melodia tradicional judaica evocando a esperança do povo de Israel; e, por fim, uma coreografia contemporânea dos Estados Unidos intitulada “We are the new world” (“Somos o novo mundo”).

Aproximar dos outros com amor

Entre os momentos mais significativos do evento, destacaram-se os três testemunhos de fé e reconciliação: o do Mestre budista Hassin Tao, da Birmânia, fundador do Mosteiro Linjiu e do Museu das Religiões do Mundo em Taiwan; o da judia Sarah Bernstein, diretora do Centro Rossing em Jerusalém, empenhada na construção de pontes entre comunidades em conflito; e o dos jovens do projeto “Bel Espoir – MED25”, que navegam juntos pelo Mediterrâneo promovendo a paz e o encontro entre religiões.

O “diálogo autêntico”, como definiu o Papa, “não começa no meio-termo, mas na convicção, nas raízes profundas da nossa própria crença, que nos dão a força para nos aproximarmos dos outros com amor”.

O diálogo como caminho de esperança

Em seu discurso, Leão XIV também recordou que o documento Nostra Aetate, promulgado pelo Concílio Vaticano II em 1965, “plantou uma semente de esperança para o diálogo inter-religioso”, que ao longo de seis décadas cresceu e “se tornou uma árvore majestosa, cujos ramos oferecem refúgio e produzem frutos de amizade, cooperação e paz”.

“O diálogo não é uma tática nem um instrumento, mas um modo de viver, um caminho do coração que transforma todos os seus protagonistas, tanto quem escuta quanto quem fala”, afirmou o Papa, sublinhando que quando “percorremos este caminho não abandonamos a nossa própria fé, mas permanecemos mais firmes nela.” O Pontífice lembrou ainda o exemplo daqueles que “deram a vida pelo diálogo”, chamando-os de mártires e convidando todos os presentes a recordá-los com gratidão.

Papa Leão XIV durante o encontro na Sala Paulo VI
Papa Leão XIV durante o encontro na Sala Paulo VI   (@Vatican Media)

“Manter vivo o amor”

Leão XIV sublinhou que a mensagem da Nostra Aetate permanece “mais urgente que nunca”, especialmente em um mundo “onde se erguem novamente muros entre nações, religiões e até entre vizinhos”. “O estrondo da guerra, as feridas da pobreza e o clamor da terra nos lembram de quão frágil ainda é nossa família humana”, disse o Papa. “Como líderes religiosos, guiados pela sabedoria de nossas respectivas tradições, compartilhamos uma responsabilidade sagrada: ajudar nosso povo a libertar-se das correntes do preconceito, da ira e do ódio; ajudá-lo a elevar-se acima do egoísmo e da autorreferencialidade; ajudá-lo a vencer a ganância que destrói tanto a alma humana quanto a terra.”

Em referência ao Jubileu da Esperança, que a Igreja celebra neste ano, o Papa afirmou que “a esperança e a peregrinação são realidades comuns a todas as tradições religiosas” e convidou todos a “caminhar juntos na esperança”:

“Quando o fazemos, algo de belo acontece: os corações abrem-se, as pontes são construídas e novos caminhos surgem onde parecia impossível. Esta não é a obra de uma religião, de uma nação ou mesmo de uma geração. É uma tarefa sagrada para toda a humanidade — manter viva a esperança, manter vivo o diálogo e manter vivo o amor no coração do mundo.”

O poder da oração 

O Santo Padre enfatizou que “neste momento crucial da história, foi-nos confiada uma grande missão: despertar em todos os homens e mulheres o seu sentido de humanidade e do sagrado. É precisamente por isso, meus amigos, que nos reunimos neste lugar, assumindo como líderes religiosos a grande responsabilidade de levar esperança a uma humanidade que muitas vezes é tentada pelo desespero”. O encontro foi encerrado com um momento de oração silenciosa, durante o qual o Santo Padre convidou todos a pedir “que a paz desça sobre nós e preencha os nossos corações.”

“A oração tem o poder de transformar nossos corações, nossas palavras, nossas ações e o nosso mundo”, concluiu o Papa Leão XIV, recordando as palavras de São João Paulo II em Assis, em 1986: “Se o mundo deve continuar, e os homens e mulheres devem sobreviver nele, o mundo não pode prescindir da oração.”

Leão XIV com as crianças do coral italiano
Leão XIV com as crianças do coral italiano   (@Vatican Media)
Leão XIV com as crianças do coral italiano   (@Vatican Media)