Que linda a vivência do estudo da campanha da fraternidade 2023 na comunidade Morcego. Segundo o irmão João Paulo, “essa reflexão sobre a fraternidade e fome: ‘dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mt14,16), que foi levada para um dialogo junto aos povos indígenas, que mesmo tendo uma terra para cultivar seu plantio, sabemos que tem povos que passam necessidades, porém, estão tendo muitas dificuldades na hora da plantação com o agrotóxico largado próximo do plantio deles, e com isso, não favorece a plantação dos povos nativos daquela região. E fica o nosso apelo: como podemos estar ajudando os povos indígenas daquele local?”. Parabéns e gratidão à professora Márcia Oliveira, irmão João Paulo e padre Deivith, assessores/ as e à Comunidade.
“O que sacia e satisfaz a alma não é o muito saber, mas o sentir e saborear as coisas internamente…”
(Exercícios Espirituais de Santo Inácio, anotação 2).
No dia 26 de maio, na Sala de Reuniões do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR), o Núcleo Apostólico Roraima acolheu a Dom Evaristo Spengler, novo bispo da Diocese. O Núcleo Apostólico é uma rede formada pelas diversas obras da Companhia de Jesus, por serviços diocesanos confiados aos jesuítas e congregações parceiras.
Nossa reunião começou com a mística inicial motiva por Maria Correa, da Pastoral Universitária (PU), que nos motivou a rezar desde a o Cântico de Maria, Magnificente, e nos finais cada um foi completando a frase minha alma engrandece ao Senhor porque olhou para sua serva, para os povos indígenas, para os migrantes, para a comunidade universitária, para nossa diocese.
Na sequência houve a apresentação dos participantes, acolhida de Dom Evaristo e uma introdução do que é o Núcleo Apostólico Roraima, suas obras e locais de atuação, enfatizando que a Companhia de Jesus completa 15 anos de atuação em Roraima, chegando no dia 2 de maio na cidade de Bonfim. Em seguida, o padre Silas Silva sj, coordenador do Núcleo Apostólico convidou o padre Pedro Evangelista a apresentar a Área Missionária do Bonfim, com as suas 6 comunidades e diversas pastorais, além da atuação das irmãs Missionárias de Santa Teresinha.
Contamos também com a presença da senhora Ana Ribeiro, Wapichana, da Missão Indígena Serra da Lua; profa. Antonia Costa, Maria Correa e pe. Silas Silva da Pastoral Universitária; da Flávia Reis e Francisco Silva do SJMR; Jose Romero, Daniele Campos, Fagner Almeida, Suzana Pereira, Marielys Briceno da Fundação Fé e Alegria; irmã Liliane Díaz, da Congregação das Irmãs Missionárias Mãe do Divino Pastor, de carisma franciscano e inaciano; e Silvia Tavares, da Associação Maria Ana Mogas e da Fundação Fé e Alegria.
Ao mesmo tempo que escutava a cada apresentação, Dom Evaristo ia interagindo, buscando conhecer ainda mais o trabalho realizado por cada instituição e pastoral. No final agradeceu o trabalho que a Companhia realiza em favor dos pobres, migrantes, indígenas, das comunidades eclesiais e ficou muito feliz por encontra uma Igreja diocesana viva, atuante e comprometida com os mais pobres e vulneráveis. E motivou as todos a seguir a diante.
Para Fagner, coordenador da Casa Passagem pe. Jose María Vélaz, o encontro com Dom Evaristo foi “um encontro de informações com os parceiros que trabalham com os que mais necessitam, como migrantes e indígenas”.
Para Suzana Pereira, Coordenadora do Serviço de Acompanhamento ao Empreendedor Fé e Alegria – SAEFA, foi um “momento de muito aprendizado e de suma importância poder compartilhar um pouco dos nossos serviços que são disponibilizados a população vulnerável”.
Para Francisco Silva, do SJMR, “Dom Evaristo trouxe consigo uma oportunidade valiosa para compartilharmos e reconhecermos o compromisso das instituições da Igreja em promover a justiça social e o cuidado com os mais vulneráveis em nossas comunidades”.
Para o coordenador do Núcleo Apostólico e assessor da PU Roraima, pe. Silas Silva, foi uma oportunidade de compartilhar com Dom Evaristo Spengler a contribuição que a Companhia de Jesus vem oferecendo aos participantes das nossas obras e serviços, de modo particular aos indígenas, migrantes, jovens, mulheres e aos mais vulneráveis”.
Concluímos nossa reunião agradecendo a presença de Dom Evaristo Spengler e dos colaborares, colaboradores, parceiros e parcerias de missão. As obras também aproveitaram para entrar lembras que representam um pouquinho da atuação de cada uma.
A celebração que aconteceu no Ginásio Esportivo Hélio Campos iniciou com a apresentação musical de Indígenas da etnia Macuxi, da comunidade Raposa Serra do Sol e com a apresentação da pastoral do migrante.
E em comunidade a Dona Penha Rocha participou pela primeira vez da missa de pentecostes.
“O Padre disse para todas as comunidades participarem no Ginásio Hélio Campos. Aí, gostei da ideia, meu filho me trouxe e uni o útil ao agradável”, disse.
O filho, é o Raniere Miguel, que depois de um bom tempo voltou a participar da missa de pentecostes. Para ele, a celebração serve para união e renovação da fé.
“É um momento de união e celebração e manter vivo e renovar o Espirito de Deus na gente. E para que nossa fé se renove cada vez mais e mantenha firme”, disse Raniere.
Quem também esteve presente foi a Dona Joelma. Ela saiu do Cantá com mais 50 pessoas para participar da celebração de pentecostes.
“Todos os anos a gente faz essa peregrinação, a gente gosta muito dessa festa. A gente até se emociona, porque é maravilhoso. É a festa das comunidades”, disse Dona Joelma.
Seu Francisco também saiu de sua cidade, Caracaraí, com mais 16 pessoas para participar da festa das comunidades. E nem mesmo o pneu furado tirou a alegria de poder participar.
“ A gente vem animado. Estourou o pneu, mas com toda a alegria, a alegria do Espirito Santo”. Quem vai pra Deus, vai com alegria, não vai com tristeza”, completou Seu Francisco.
O diferencial desta edição da festa de pentecostes foi que pela primeira vez, houve um intérprete da Língua brasileira de sinais (LIBRAS), para os surdos.
Dom Evaristo seguiu a celebração com sua homilia dizendo que a festa de pentecostes é a festa da inclusão.
“É a festa da inclusão de todos. Ninguém pode ficar de fora dessa festa”, disse Dom Evaristo.
Dom Evaristo diz que a partir da festa de pentecostes se dá a missão. E que para ser missionário é preciso reconhecer a presença de jesus.
“Seremos enviados para a missão. Para ser enviado é preciso reconhecer a presença de Jesus. É preciso fazer a experiencia com Jesus ressuscitado em comunidade e discípulos”, disse o Sacerdote.
“Unidos no mesmo Espirito formaremos essa liga, essa comunidade de discípulos e discipulas missionários. Que o Espirito Santo nos conduza em missão na unidade, no Espírito. Que assim seja. Amém!”, finalizou o Bispo.
No registro, além dos fundadores, colaboradores estiveram na Fazenda da Esperança nessa terça-feira(23/05)
Criada na cidade de Guaratinguetá (SP) no dia 23 de junho de 1983, a Fazenda da Esperança acolhe aos que querem se libertar do álcool e outras drogas.
Nessa terça-feira, dois dos responsáveis por esse inicio, Frei Hans Stapel e Nelson Giovanelli, estiveram na casa Fazenda da Esperança, no munícipio de Iracema, em Roraima.
A casa fica à aproximadamente 90 km de Boa Vista, no município de Iracema,
Frei Hans fala da alegria dessa visita e do desenvolvimento da fazenda.
“Sempre que possível a gente visita as comunidades para animar e também se alegrar com tanta gente se recuperando. Eu lembro quando estava tudo vazio, e agora está tão bonita essa capela”, disse o Frei Hans.
“E o mais impressionante, Jovens se tornam Homens novos. Cada um depois encontra o seu caminho, mas é importante encontrar o sentido da vida”, completou Frei Hans.
Nelson Giovanelli conta que já existem duas (2) casas da fazenda da esperança em Roraima e que existe o projeto de também fundar uma casa na Venezuela.
“São praticamente duas unidades, que diante da procura foi aumentando. E já estamos preparando uma outra área na Venezuela. É uma área muito grande e que já poderia começar com o recurso dos voluntários que foram formados aqui”, disse Nelson.
Quase 40 anos depois, pelo mundo já são 164 casas da Fazenda da Esperança em 26 países.
E em Roraima, a primeira surgiu há 13 anos. E há mais de 3 anos quem está responsável por essa casa é o José Vades.
E além da oração e lazer, mais de 60 acolhidos também trabalham.
“Aqui temos a fábrica de sabão e a padaria. E hoje também temos o plantio, que é uma parceria com a Embrapa. E lá eles aprendem a adubar e a passar veneno contra as pragas. Tudo isso para que depois ele possa ingressar no mercado de trabalho”, disse José Vades.
Quem também passa por esse processo é o Aderson Belchimol, mais conhecido como salsicha. Ele está na casa há 3 anos e 10 meses, e conta como foi o seu processo e sua busca pela mudança.
“Meu primeiro ano de internação foi muito difícil, a dependência de eu ter aquela vida fácil era muito forte. Mas, eu disse meu sim. Hoje em dia, eu consigo entender a palavra, e comecei a perceber que existe Deus”, disse Aderson.
“O primeiro passo é querer. Que as pessoas busquem a Deus em seu interior e que busquem uma caminhada nova”, finalizou Aderson.
A Fazenda da Esperança sobrevive das vendas dos produtos dos acolhidos e de doações.
Para quem quiser ajudar é só ligar para o telefone: (95) 99129 5934 e falar com José Vades.
João Batista de Rossi fundou a “Pia União de Sacerdotes Seculares”, que foi dirigida por ele durante alguns anos. Como desejava obras ainda mais abundantes, também fundou e dirigiu a Casa de Santa Gala, destinada para homens carentes e, depois, a Casa de São Luiz Gonzaga, para mulheres necessitadas.
Origens
Ele nasceu em Voltagio, na província de Gênova, Itália, no dia 22 de fevereiro de 1698. Aos dez anos de idade, foi trabalhar para uma família muito rica, em Gênova, como pajem. Três anos depois, foi chamado para morar em Roma com seu primo Lourenço Rossi, que já era sacerdote.
Estudos
Estudou Filosofia no Colégio Romano dos jesuítas, prosseguiu com êxito nos estudos e, depois, concluiu o curso de teologia com os Dominicanos de Minerva, onde conquistou muitos conhecimentos teológicos que lhe foram preciosos, para, mais tarde, ser um bom pregador e confessor de almas. Foi ordenado em 1721, aos 23 anos.
Vocação aos necessitados e ao Sacramento da Reconciliação
Seu santo de devoção era São Luiz Gonzaga, por isso buscava seguir seu exemplo de vida em sua missão apostólica. Seu objetivo era acolher os mais necessitados, os doentes, encarcerados, pobres e pecadores. E isto ele fazia, principalmente, na direção de suas almas: “Eu não sabia o caminho mais curto para ir ao paraíso, mas agora já sei: é dirigir os outros na confissão… quanto bem aí se pode fazer!”, ele disse certa vez. Tornou-se famoso confessor e foi, inclusive, o padre confessor das Irmãs da Caridade.
Morte e canonização
Morreu no dia 23 de maio de 1764, com sessenta e seis anos, após ser vencido por uma doença. Tão pobre, não tinha dinheiro para pagar pelo funeral, que foi pago graças aos devotos que o amavam e eram gratos a ele. Foi canonizado pelo Papa Leão XIII no ano de 1881.
A minha oração
“São João Batista, ao senhor, que suportou as enfermidades sendo suporte e sustento às almas necessitadas, peço que interceda por mim para que eu também receba a graça de sofrer com paciência todas as adversidades que me surgirem pelo meu caminho. E peço ainda que rogue por todo clero à fim de que se dediquem com o mesmo amor, fé e piedade pela salvação e conforto das almas através do Sacramento da Penitência. Amém.”
Falar com o Coração: A Pascom da Paróquia São Francisco assume seu compromisso de comunicar o amor de Deus pelos meios de comunicação!
Neste domingo, dia 21, a Paróquia São Francisco instituiu sua pastoral de comunicação.
Padre Josimar Lobo foi responsável por presidir a celebração. Ele diz que a comunicação tem como modelo a pessoa de jesus.
“A comunicação tem como modelo a pessoa de Jesus, ele é comunicador. Por isso que nesse Domingo da Ascensão, nós celebramos o Dia Mundial da comunicações, nos lembrando que o Espirito Santo, que Jesus enviou sobre nós, vai nos ajudar a comunicar o bem”, finalizou o Sacerdote.
A equipe da Pascom está pronta para estabelecer pontes de fé, esperança e amor, utilizando os meios de comunicação para alcançar corações e almas sedentos de consolo e inspiração. Seu trabalho incansável nos permitirá estar conectados, compartilhando a mensagem de esperança e renovando nossa fé diariamente.
Assumem o importante papel na promoção da caridade e da solidariedade em nossa região
Um evento realizado no día 20/05/2023 no Auditório do Claretiano contando com a presença de representantes das comunidades, sociedades e pastorais de Roraima, foi realizada a eleição dando como resultados a: -Ir. Terezinha Santin, Presidente -Pe. Lorenzo, Vice-Presidente -Gisela, Secretaría -Natanael, Tesourería -Maria Pereira, Conselho Fiscal -Pe. Enrico, Conselho Fiscal -Jacilda, Conselho Fiscal
A Cáritas, inspirada pelos ensinamentos de Cristo, desempenha um papel fundamental na busca pela justiça social e na assistência aos mais necessitados. A Cáritas é uma organização presente em várias partes do mundo e tem como objetivo principal promover a caridade, a justiça e a paz. Como mencionado no discurso do Papa Francisco aos membros da Cáritas Italiana, a atividade caritativa tem um relevo particular para a Igreja. Através de suas ações e da colaboração de profissionais e voluntários, a Cáritas pode articular suas ações de acordo com as necessidades específicas das comunidades em que atua. No caminho cristão, a caridade é um elemento central. Jesus Cristo nos ensinou a amar ao próximo como a nós mesmos e a praticar a caridade de forma desinteressada. A caridade não se limita apenas à doação material, mas também envolve a compaixão, o cuidado e a solidariedade para com o próximo. É uma expressão concreta do amor de Deus em nossas vidas. A Cáritas Diocesana de Roraima desempenha um papel vital ao levar adiante essa missão. Ao assumir a coordenação, vocês têm a responsabilidade de guiar e coordenar os esforços de promoção da caridade em nossa diocese. Que Deus abençoe cada membro da nova coordenação e todos os voluntários envolvidos nessa nobre missão. Que a sabedoria e a compaixão divina estejam presentes em cada ação e decisão tomada. Lembrem-se sempre de que a caridade não conhece fronteiras, e que cada ato de bondade pode fazer a diferença na vida daqueles que mais necessitam. Ao ajudar o próximo, estamos servindo a Deus e vivendo os princípios do Evangelho. Que vocês sejam instrumentos de paz e esperança, levando consolo e auxílio a todos aqueles que encontrarem em seu caminho. Nesta nova caminhada, que a Cáritas Diocesana de Roraima seja um farol de amor e solidariedade, inspirando a todos nós a praticarmos a caridade em nossas vidas diárias. Que o exemplo de serviço desinteressado prestado pela Cáritas seja uma fonte de inspiração para toda a comunidade cristã. Que Deus abençoe abundantemente a nova coordenação da Cáritas Diocesana de Roraima e que, juntos, possamos fazer a diferença na vida das pessoas, promovendo um mundo mais justo e fraterno.
Reportagem e Fotos: Libia López Referências: [1] Discurso do Papa Francisco aos membros da Cáritas Italiana –
Neste domingo (21), foi palco de um importante evento para a comunidade católica: o Encontro Diocesano das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O encontro reuniu membros das comunidades locais e do municipios, além da presença destacada do regional norte 1 e da articuladora nacional das CEBs.
As Comunidades Eclesiais de Base são grupos formados por fiéis que se reúnem para vivenciar sua fé de forma comunitária e engajada, buscando uma atuação transformadora na sociedade. Essas comunidades desempenham um papel fundamental na igreja, fortalecendo os laços de fraternidade, promovendo a solidariedade e contribuindo para o desenvolvimento de ações pastorais e sociais.
O encontro diocesano teve como objetivo principal fortalecer a identidade das CEBs, proporcionar momentos de partilha e reflexão, além de promover a integração entre as comunidades da região. O evento contou com uma programação diversificada, incluindo momentos de oração, palestras, oficinas e debates sobre tema: “Igreja em saída, na busca da vida plena para todos no e todas!” contou com lema: Lema: “Vejam! Eu vou criar Novo Céu e uma Nova Terra” (Is 65,17).
A presença do regional norte 1, que engloba várias dioceses da região, e da articuladora nacional, Patricia Cabral, que “Nos precisamos ir ao encontro das pessoas, e ser esse sujeito trasformador na vida das pessoas que estão a nossa volta”.
A participação dessas autoridades eclesiásticas reforçou o compromisso da Igreja Católica com as CEBs e mostrou o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas comunidades locais.
Durante as palestras e debates, foram abordadas questões como a importância da atuação das CEBs na realidade atual, Dom Evaristo destaca a vivência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a identidade amazônica da igreja e a importância da sinodalidade como pilares fundamentais de sua atuação.
os desafios enfrentados pelos grupos, bem como experiências exitosas e projetos futuros. Além disso, as oficinas proporcionaram momentos de formação e capacitação para os participantes, contribuindo para o aprimoramento das ações desenvolvidas nas comunidades.
O encontro foi marcado por um clima fraterno e acolhedor, com a presença de representantes de diversas comunidades da diocese. A troca de experiências e a partilha de vivências fortaleceram os laços entre os participantes, reafirmando a importância da união e da solidariedade entre as comunidades.
Ao final da celebração, Dom Evaristo Spengler nos convida a nos engajar ativamente nas CEBs, a sermos protagonistas de nossa própria fé e a compartilhar o amor de Cristo com os outros. Ele nos encoraja a viver a Ascensão de Cristo não apenas como um evento do passado, mas como uma realidade presente em nossas vidas, impulsionando-nos a ser discípulos missionários autênticos.
O Encontro Diocesano das CEBs foi um momento de enriquecimento espiritual e de fortalecimento da caminhada das comunidades, reforçando o papel ativo e engajado dos fiéis na construção de uma sociedade mais justa e solidária. A partir dessa experiência, as CEBs saem fortalecidas e com um novo ânimo para seguir na missão de evangelização e transformação social.
“Ele é a nossa paz: de dois povos fez um só, em sua carne derrubando o muro da inimizade que os separava” (Ef. 2,14) Animados pelo amor do Pai, pela luz do Senhor ressuscitado e com a força do Espírito Santo, nós, bispos católicos, nos reunimos em Aparecida para a 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB. Fizemos isso como pastores em comunhão com os presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, cristãos leigos e leigas. Sentimo-nos acompanhados pela oração de nosso povo, representado visivelmente pela multidão de peregrinos de todo o Brasil, que rezaram conosco nas celebrações eucarísticas. Maria, Mãe de Jesus, a Senhora Aparecida, esteve perto de nós, acolhendo-nos, cuidando de nossos trabalhos e intercedendo por nós. Esses dias na casa da Mãe Aparecida foram uma oportunidade para experimentarmos a comunhão a partir da riqueza de nossas diversidades. Quem nos une é Cristo e, por ele, esperançosos e comprometidos, renovamos nossa opção radical e incondicional com a defesa integral da vida que se manifesta em cada ser humano e em toda a criação. A renovação desse compromisso com a vida dá-se num tempo marcado por grandes desafios que, longe de nos desanimarem, estimulam a Igreja na promoção do Reino de Deus. Nossas comunidades estão respondendo, com solidariedade fraterna, às consequências das tragédias socioambientais; com compromisso cidadão na defesa da democracia e, com responsabilidade social, ao drama da fome que nos assola. Com alegria, reconhecemos que esse é o autêntico e eficaz testemunho de que o mundo necessita, à luz da Palavra de Deus, pois não temos ouro nem prata, mas trazemos o que de mais precioso nos foi dado: Jesus Cristo ressuscitado (cf. At. 3,6). Essa alegria é consequente e, por isso, nos faz enxergar também os sofrimentos presentes na sociedade. Nossa atenção se volta especialmente para o que estamos vivendo: “uma terceira guerra mundial em pedaços” (Papa Francisco, em 13 de setembro de 2014, ao lembrar o início da Primeira Guerra Mundial,), evidenciada no solo ucraniano, mas também em outras regiões do planeta. Além do flagelo das guerras, muitas outras situações nos preocupam, como os autoritarismos, as polarizações, as desinformações, as desigualdades estruturais, o racismo, os preconceitos, a corrupção, a banalização do mal e das vidas, as doenças, a drogadição, o tráfico de drogas e pessoas, o analfabetismo, as migrações forçadas, as juventudes com poucas oportunidades, as violências em todas as suas dimensões, o feminicídio, a precarização do trabalho e da renda, as agressões desmedidas à “casa comum”, aos povos originários e comunidades tradicionais, a mineração predatória, entre tantas outras, que fragilizam o tecido social e tencionam as relações humanas. Certa cultura da insensibilidade nos conduz a essas situações extremas. A degradação da criação e o descaso com os mais pobres e abandonados estão presentes, por exemplo, na criminosa tragédia ocorrida com o povo Yanomami. O mesmo ocorre com muitos dos povos das florestas, das águas e do campo, submetidos a graves e duras realidades que os expõem à globalização da indiferença. Reconhecemos a importância da resistência histórica do movimento indígena, cujo fruto se traduz na chegada de suas lideranças a diversos postos de decisão no governo federal e em alguns governos estaduais. Contudo, essa presença não pode ser apenas figurativa. Há uma imensa necessidade de se adotarem providências e ações concretas em defesa desses povos. Não podemos mais aceitar em nossa história o descaso com os povos originários. Acreditamos que o julgamento da tese do marco temporal pelo Supremo Tribunal Federal, no próximo mês de junho, seja decisivo para que suas terras sejam reconhecidas como legítimas e legais. Temos esperança que essa definição venha a ser um passo importante para a garantia dos direitos constitucionais. Esses problemas têm origem na opção por um modelo econômico cruel, injusto e desigual. Por trás da palavra “mercado” existe um sistema financeiro e econômico autônomo, que protagoniza ações inescrupulosas, destrói a vida, precariza as políticas públicas, em especial a educação e a saúde, adota juros abusivos que ampliam o abismo social, afeta a cadeia produtiva e reduz o consumo dos bens necessários à maioria do povo brasileiro. Às vésperas do dia 1º de maio, saudamos os trabalhadores e as trabalhadoras de nosso País, com as palavras do Papa Francisco: “O mundo do trabalho é prioridade humana, é prioridade cristã, a partir de Jesus trabalhador. Onde há um trabalhador, ali há o olhar do amor do Senhor e da Igreja. Lugares de trabalho são lugares do povo de Deus” (Encontro com Trabalhadores em Gênova, Itália, 2017). Diante das mudanças do mundo do trabalho, percebemos que promessas de crescimento econômico, geração de empregos, melhores condições de trabalho, aumento de renda, redução da carga horária, mais tempo de descanso e convivência social, enfim, condições mais saudáveis de vida, continuam sendo desafios sem soluções. A crescente informalidade das relações trabalhistas reduz a segurança social e impede o acesso ao mínimo para a sobrevivência. O trabalho análogo à escravidão, presente em todo o território nacional, é uma chaga social que precisa ser energicamente combatida pelos poderes constituídos e por toda a sociedade. As constatações desses tempos difíceis não podem nos limitar, nem servir para que as soluções sejam adiadas. As estruturas do Estado, os poderes da República, as autoridades públicas, as lideranças sociais, as organizações religiosas, os meios de comunicação, as plataformas e as redes sociais, cada um e cada uma, com sua competência, devem apoiar-se reciprocamente para o bem do País. Precisamos criar um “espaço de corresponsabilidade capaz de iniciar e gerar novos processos e transformações. Sejamos parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas” (Fratelli Tutti, 77). Assumindo nosso dever social, não podemos deixar de cobrar dos governos, legitimamente eleitos, o protagonismo que lhes foi confiado, uma opção clara e radical pela vida, desde a concepção até à morte natural, passando inevitavelmente pelos direitos sociais e humanos. Chamamos a atenção para a importância da vacinação, especialmente para das crianças. No cuidado com a vida, nenhuma seletividade pode ser tolerada e será sempre, por nós, denunciada. Conclamamos toda a sociedade brasileira a construir um amplo projeto de reconciliação e pacificação, a partir de um diálogo franco e aberto, que possibilite superar o que nos afasta, com o objetivo de assegurar o que nos une: o país, o seu povo e a criação. O ponto de partida dessa construção se dá nas famílias, comunidades, relações sociais, profissionais, eclesiais e políticas, através da amizade social que promove a cultura do encontro. Como comunidade de fé, cremos que sua concretização passa necessariamente pelas nossas orações. Rezemos, pois, como nos pede o Papa Francisco, pelo fim das guerras, dos conflitos e das violências. Somos “caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz” (Fratelli Tutti, 8). Reafirmamos nossa profunda confiança no povo brasileiro. Não tenhamos medo. A esperança é a nossa coragem! Sejamos semeadores de mudança, de solidariedade e de vida. Pelo amor do Cristo vivo e ressuscitado, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, invocamos a bênção de Deus sobre o povo brasileiro, suas famílias e comunidades.