Bispo de São Gabriel da Cachoeira realiza visita à Diocese de Roraima

Bispo de São Gabriel da Cachoeira realiza visita à Diocese de Roraima

Dom Vanthuy Neto retorna a Boa Vista para visita jubilar e para formação aos candidatos ao diaconato

Bispo de São Gabriel da Cachoeira realiza visita à Diocese de Roraima
Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima fm

Entre os dias 08 e 11 de setembro, a Escola Diaconal da Diocese de Roraima recebe uma formação com o bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), Dom Vanthuy Neto, com o tema: “História do Cristianismo”. A formação é destinada aos candidatos ao diaconato permanente da diocese e também está aberta à participação de leigos e leigas interessados. O encontro ocorre no Centro de Formação da Diocese, às 19hrs.

O bispo relatou o motivo de sua missão à diocese:

“Primeiramente, o Ano Santo nos faz lembrar que a igreja nos convida a peregrinar aos lugares onde experimentamos a graça de Deus. E um dos lugares onde a graça de Deus foi muito abundante, e continua ser, é a igreja de Roraima”

Dom Vanthuy Neto foi ordenado Diácono em 11 de julho de 1999 e, posteriormente, Presbítero em 3 de junho de 2001, por Dom Aparecido José Dias. Recebeu a ordenação episcopal no dia 04 de fevereiro e 2024 e iniciou sua missão como bispo da diocese de São Gabriel da Cachoeira no dia 11 de fevereiro.

Em sua missão como bispo de São Gabriel, surgiram diversas dificuldades ao longo do seu caminho, entre elas, a geográfica e a de conhecimento linguístico. “Primeiro é um desafio enorme de conhecimento, um conhecer que é mais pelo olhar e pelo coração, porque a Diocese de São Gabriel tem 24 povos indígenas e tem 18 línguas indígenas. […] Eu chego em comunidades onde pouquíssimas pessoas falam português. Há ainda várias cachoeiras para enfrentar. Esse é mais um desafio: o desafio geográfico, o ecológico, o desafio de ter diante de você apenas águas e florestas por horas.

O bispo também deixou uma mensagem expressando sua alegria de ter sido escolhido pelo Papa Francisco. “Quem de nós não traz no coração a imagem de Papa Francisco? Eu, por exemplo, sinto muito orgulho, porque ele me chamou para o ministério episcopal e para servir a igreja. Foi ele, digamos assim, quem me escolheu para ser bispo lá de São Gabriel. Fico muito contente.”

Carlo Acutis é canonizado e se torna o primeiro santo da era digital

Carlo Acutis é canonizado e se torna o primeiro santo da era digital

Adolescente italiano morto em 2006 é proclamado santo pelo Papa Leão XIV e entra para a história como o primeiro santo millennial da Igreja Católica.

Carlo Acutis é canonizado e se torna o primeiro santo da era digital
Reprodução/Vatican News

Em uma celebração marcada por emoção, juventude e simbolismo, o Papa Leão XIV canonizou no último domingo (7) o jovem italiano Carlo Acutis, de apenas 15 anos, que se tornou o primeiro santo da geração millennial e o primeiro com forte vínculo com o universo digital. A cerimônia foi realizada na Praça de São Pedro e atraiu milhares de fiéis de diversas partes do mundo, sobretudo jovens que se inspiram na espiritualidade moderna e acessível do novo santo.

Carlo é conhecido por ter unido fé e tecnologia como poucos. Ainda criança, desenvolveu habilidades em programação e, aos 11 anos, criou um site dedicado a documentar milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja. Seu projeto digital continua online e é visitado até hoje por milhões de pessoas em todo o mundo.

Uma vida breve, mas cheia de propósito

Nascido em 1991, em Londres, e criado em Milão, Carlo viveu uma infância simples, mas marcada por uma fé intensa. Desde pequeno, demonstrava uma ligação profunda com a Eucaristia e uma espiritualidade madura. Participava da missa todos os dias, rezava o terço com devoção e se envolvia em iniciativas solidárias voltadas aos pobres e marginalizados.

Aos 15 anos, foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda. Sabendo da gravidade da doença, ofereceu seus sofrimentos “pela Igreja e pelo Papa”, como relatado por sua mãe, Antonia Salzano. Morreu em 12 de outubro de 2006, deixando um testemunho de fé serena, esperança inabalável e amor incondicional.

O reconhecimento oficial da santidade de Carlo veio após a confirmação de dois milagres atribuídos à sua intercessão: o primeiro, em 2020, envolveu a cura inexplicável de uma criança brasileira com uma malformação rara no pâncreas. O segundo, recentemente aprovado pelo Vaticano, diz respeito à recuperação de uma jovem na Costa Rica, que sobreviveu a uma grave lesão cerebral sem sequelas médicas.

Com esses dois milagres reconhecidos, a canonização foi autorizada, e Carlo passou a integrar o catálogo oficial dos santos da Igreja Católica. A celebração, realizada no coração do Vaticano, foi transmitida ao vivo para mais de 50 países e acompanhada online por milhões de fiéis.

Um santo para os tempos modernos

Mais do que um novo nome nos altares, Carlo Acutis representa uma nova linguagem de santidade. Ele viveu sua fé em meio aos desafios do século XXI, sem abrir mão da cultura digital, dos videogames e da internet, mas sempre com um olhar voltado para Deus.

“Todos nascem como originais, mas muitos morrem como cópias”, dizia Carlo, em uma de suas frases mais conhecidas.

Para muitos especialistas, a canonização de um jovem tão próximo da realidade dos adolescentes e jovens adultos pode ser um divisor de águas para a evangelização contemporânea.

A presença massiva de jovens na cerimônia de canonização chamou atenção. Muitos usavam camisetas com a imagem de Carlo e exibiam cartazes com sua frase emblemática. Nas redes sociais, hashtags como #SantoCarloAcutis e #SantoMillennial dominaram os trending topics ao longo do fim de semana.

Carlo é frequentemente chamado de “influencer de Deus”, por ter usado os meios digitais como instrumentos de evangelização. Seu site, www.miracolieucaristici.org, continua disponível em vários idiomas e já foi tema de exposições internacionais.

Data litúrgica e devoção crescente

A data oficial da memória litúrgica de São Carlo Acutis será mantida em 12 de outubro, mesma data em que faleceu, e que coincide com a celebração de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Não por acaso, o país se tornou um dos principais polos de devoção ao novo santo.

Embora a Igreja ainda não tenha oficializado, há um movimento crescente para que ele seja declarado padroeiro da internet e dos jovens digitais, devido à sua atuação pioneira nesse campo.

A canonização de Carlo Acutis não é apenas a elevação de um jovem aos altares. É também o reconhecimento de que a santidade pode e deve dialogar com o presente, com as ferramentas e linguagens do nosso tempo.

Em um momento em que a Igreja busca se aproximar das novas gerações, a vida de Carlo mostra que é possível viver o Evangelho de forma autêntica, mesmo em meio à conectividade constante.

Sua história é um convite a não apenas consumir conteúdo, mas também a produzir e testemunhar a fé no ambiente digital, com responsabilidade, criatividade e espiritualidade.

FONTE: Luana de Oliveira – Rádio Monte Roraima Fm

31° Grito do excluídos reúne pastorais e movimentos socias da Diocese de Roraima em defesa dos mais vulneráveis

31° Grito do excluídos reúne pastorais e movimentos socias da Diocese de Roraima em defesa dos mais vulneráveis

O movimento ocorre anualmente no dia 07 de setembro para dar voz aos mais esquecidos pela sociedade

31° Grito do excluídos reúne pastorais e movimentos socias da Diocese de Roraima em defesa dos mais vulneráveis
Agatha Christiny – Pascom diocesana

O Grito dos Excluídos 2025 chega à sua 31ª edição. A manifestação ocorreu neste domingo (07), no palco Aderval da Rocha Ferreira, no bairro Pintolândia, e reuniu padres, religiosos e religiosas, além de pastorais, como: Cáritas Diocesana, Pastoral dos Migrantes, Pastoral da Saúde, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e outros grupos e movimentos da Diocese. O Ato é realizado anualmente desse 1995 e, neste ano, teve como tema: “A vida em primeiro lugar! Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia”.

Em Roraima, manifestantes levaram cartazes e faixas com pedidos pela proteção ambiental e pela garantia de direitos socias. Entres as pautas levantadas estão o preconceito, desemprego, a violência, os ataques aos povos indígenas e à floresta amazônica, além da ausência de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e assistência social.

Foto: Agatha Christiny – Pascom diocesana

Os dois principais eixos defendidos no Grito do Excluídos são: cuidar da casa comum e defender a democracia. O bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler ressaltou a luta da igreja por questões sociais e ambientais.

“A casa comum vem sendo muito agredida, e a Igreja faz essa defesa porque percebe e tem a consciência de que tudo é criatura de Deus. Deus criou o mundo e viu que tudo era muito bom. […] Defender a democracia não significa apenas defender um regime político. Nós pensamos muito mais do que isso: uma democracia que envolva a economia, uma democracia que seja participativa, onde exista a voz daqueles que hoje são silenciados. Que todos possam ter o direito de decidir sobre o presente e sobre o futuro do Brasil e da nossa humanidade”, destacou o bispo.

 

FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

“Em nota, bispos da Amazônia pedem manutenção dos vetos no licenciamento ambiental”

Notícia

Os bispos católicos da Amazônia brasileira divulgaram uma carta pública em que manifestam preocupação com os rumos da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025). No documento, eles expressam apoio aos 63 vetos presidenciais sancionados por Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que sua revogação pelo Congresso significaria uma ameaça grave ao meio ambiente e aos povos amazônicos.

Segundo os bispos, os vetos representaram uma barreira necessária contra os pontos mais danosos do projeto original, garantindo a integridade mínima dos processos de licenciamento. “A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia”, afirmam no texto.

Pontos de atenção levantados na carta

Mesmo com os vetos, os bispos alertam que a nova lei ainda apresenta riscos significativos para a proteção da Amazônia:

  • Fragilização dos estudos de impacto: brechas que podem comprometer a qualidade das avaliações ambientais, sobretudo em empreendimentos de grande porte.
  • Pressão sobre órgãos ambientais: prazos reduzidos podem forçar aprovações apressadas sem a devida análise técnica.
  • Precedentes perigosos: abertura para novas flexibilizações, como já ocorreu no Amazonas, onde decreto estadual reduziu de 80% para até 50% a proteção em áreas de reserva legal.
  • Licença por Adesão e Compromisso (LAC): risco de autodeclaração sem estudos técnicos, esvaziando a atuação de órgãos ambientais e ignorando a crise climática.
  • Impactos sociais: possibilidade de aumento de migrações forçadas por desastres climáticos e degradação ambiental, afetando sobretudo populações vulneráveis como mulheres, crianças e povos indígenas.

A carta critica o “paradigma tecnocrático” e o uso do marketing para justificar projetos com elevado impacto ambiental sem transparência sobre suas consequências. Citando a Laudato Si’ e a Laudate Deum, os bispos denunciam a lógica que coloca interesses econômicos acima da vida dos povos e da preservação da Casa Comum.

“Na realidade, falta um verdadeiro interesse pelo futuro destas pessoas, porque não lhes é dito claramente que, na sequência de tal projeto, terão uma terra devastada, condições muito mais desfavoráveis para viver e prosperar, uma região desolada, menos habitável, sem vida e sem a alegria da convivência e da esperança, para além do dano global que acaba por prejudicar a muitos mais.” (Laudate Deum, 29, citado na carta).

Os bispos reafirmam que a Amazônia, com 60% da floresta tropical do planeta e 15 a 20% da água doce mundial, é essencial para o equilíbrio climático global. Por isso, defendem que qualquer flexibilização inadequada no licenciamento representa risco planetário.

O documento faz um chamado direto à mobilização popular e ao compromisso dos parlamentares:

“Conclamamos a sociedade brasileira e todos os cidadãos comprometidos com um futuro sustentável a exigirem que seus parlamentares votem pela manutenção dos vetos presidenciais, preservando as regras ambientais mais rigorosas.”

Ao final, os bispos reforçam o compromisso profético da Igreja na defesa da vida, da Amazônia e dos povos tradicionais, sustentados pela esperança cristã:

“Seguimos vigilantes, comprometidos e com esperança, pois a esperança não decepciona” (Rm 5,5). 

Leia na íntegra a carta e também pode ser acessada aqui

NOTA DOS BISPOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA   

Sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Proteção da Casa Comum   

“Então Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31)  

À sociedade brasileira e aos povos amazônicos,   

O Brasil tem vivido muitas tentativas de mudanças na legislação ambiental que ameaçam a proteção dos nossos biomas, especialmente da Amazônia, e uma das mais impactantes foi a do PL 2.159/2021. Este Projeto de Lei, conhecido como “Lei Geral do Licenciamento Ambiental”, foi proposto pelo Congresso Nacional, com o objetivo declarado de modernizar e agilizar os processos de licenciamento ambiental no Brasil. O projeto estabelecia novos marcos regulatórios para o licenciamento de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, modificando substancialmente a sistemática atual de avaliação de impactos ambientais.   

Em sua versão original, o PL previa significativas flexibilizações nos procedimentos de licenciamento, incluindo a possibilidade de procedimento de licença única, transferência de competências para os estados e municípios sem critérios técnicos adequados, e redução de prazos para análise de projetos complexos, dentre outros retrocessos. Após intensa tramitação no Congresso Nacional e mobilização de diversos setores da sociedade, o projeto foi aprovado e enviado à Presidência da República.   

Em agosto de 2025, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PL 2.159/2021 – que se tornou a Lei nº 15.190/2025 –, com 63 vetos, eliminando os dispositivos considerados mais prejudiciais ao meio ambiente e mantendo apenas aqueles aspectos considerados tecnicamente viáveis para aprimoramento dos processos de licenciamento.    

Diante deste contexto, nós, bispos católicos da Amazônia brasileira, dirigimo-nos ao povo brasileiro para manifestar nossa posição sobre esta nova legislação e seus possíveis impactos sobre a proteção ambiental e os povos amazônicos. O fazemos impulsionados pela força da Palavra criadora de Deus “a quem pertence a terra e tudo que nela há” (cf Dt 10,14). Deste modo, somamos nossa voz a de tantos homens e mulheres que se fazem partícipes de uma responsabilidade perante a terra que é de Deus e que implica a nós, dotados de inteligência, respeitar as leis da natureza e os delicados equilíbrios entre os seres deste mundo. (cf. Laudato Si’, 68)  

Declaramos nosso apoio aos vetos do Presidente da República que “após criteriosa avaliação técnica e jurídica, vetou 63 trechos do texto. As decisões seguem quatro diretrizes principais: garantir a integridade do processo de licenciamento, que proteja o meio ambiente e promova o desenvolvimento sustentável; assegurar os direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas; dar segurança jurídica a empreendimentos e investidores; incorporar inovações que tornem o licenciamento mais ágil, sem comprometer sua qualidade. A decisão mantém avanços relevantes para a celeridade e eficiência de processos de licenciamento ambiental e assegura que o novo marco legal esteja alinhado à Política Nacional de Meio Ambiente, à Constituição Federal e à Lei Complementar 140. Com os vetos, o novo marco do licenciamento ambiental nasce mais sólido e equilibrado, fortalecendo a proteção dos ecossistemas, conferindo previsibilidade aos investimentos e reduzindo riscos de judicialização”.  A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia.    

Reconhecemos que os vetos presidenciais representaram uma contenção necessária aos aspectos mais danosos do projeto original. A manutenção de critérios nacionais para licenciamento, evitando a transferência total de responsabilidades para os estados, preserva padrões mínimos de proteção que consideramos fundamentais. O veto ao procedimento que permitiria a expedição simultânea de todas as licenças, também demonstra preocupação com a avaliação adequada dos impactos ambientais.    

Contudo, permanecemos vigilantes, pois mesmo com os vetos, a nova legislação mantém dispositivos que flexibilizam procedimentos ambientais em momento crítico para nosso planeta e especialmente para a Amazônia.    

Do ponto de vista técnico, chamamos atenção para os seguintes riscos:   

  1. Fragilização dos Estudos de Impacto: Mesmo com os vetos, permanecem brechas que podem comprometer a qualidade e profundidade das avaliações ambientais, especialmente para empreendimentos de grande porte na região amazônica.   
  2. Pressão sobre Órgãos Ambientais: A nova lei mantém prazos que podem pressionar órgãos de fiscalização a aprovar licenças sem análise adequada, considerando a complexidade dos ecossistemas amazônicos.   
  3. Risco de Precedente: A aprovação parcial desta legislação pode abrir caminho para futuras flexibilizações mais severas, especialmente considerando as pressões setoriais persistentes. Como o que acaba de ocorrer no Estado do Amazonas com o Decreto n° 52.216/2025, publicado no dia 28/08/2025 que, segundo o governo, “busca conciliar regularização ambiental e desenvolvimento sustentável, dentro dos limites legais”. Entretanto, a medida permite que a vegetação nativa obrigatória em reservas legais seja reduzida de 80% para até 50%. Especialistas alertam para risco de aumento no desmatamento e prejuízos às comunidades tradicionais que serão as mais prejudicadas.   
  4. A derrubada dos vetos, por parte do Congresso Nacional, pode causar impactos ambientais significativos ao enfraquecer o licenciamento ambiental brasileiro por meio da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), uma autodeclaração sem estudos técnicos e alternativas, que flexibiliza a aprovação de atividades sem a devida avaliação de riscos, desvinculando-a da outorga de água e ignorando a crise climática. O projeto original também esvazia o controle de órgãos ambientais e a atuação de entes federados.   
  5. O afrouxamento na legislação ambiental por parte do Congresso Nacional pode ampliar significativamente os impactos ambientais, como desastres climáticos e degradação da terra, que forçam a migração de populações inteiras, criando novas correntes migratórias, muitas vezes em condições de vulnerabilidade e desigualdade. Esses deslocamentos, conhecidos como migrações ambientais ou climáticas, afetam desproporcionalmente grupos como mulheres, crianças e povos indígenas, que sofrem com a insegurança alimentar e a perda de meios de subsistência. A falta de recursos e infraestrutura, combinada com fatores de desigualdade, intensifica a necessidade de migração, levando a processos migratórios forçados e desordenados que geram novos conflitos socioambientais. Esta preocupação foi expressa pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ ao abordar a “raiz humana da crise ecológica.” (LS, 101ss)   

Do ponto de vista ético, preocupa-nos o crescente paradigma tecnocrático, “um modo desordenado de conceber a vida e a ação do ser humano que contradiz a realidade até o ponto de a arruinar” (LS 101). “A decadência ética do poder real é disfarçada pelo marketing e pela informação falsa, mecanismos úteis nas mãos de quem tem maiores recursos para influenciar a opinião pública através deles. Com a ajuda destes mecanismos, quando se pretende iniciar um projeto com forte impacto ambiental e elevados efeitos poluidores, iludem-se os habitantes da região falando do progresso local que se poderá gerar ou das oportunidades económicas, ocupacionais e de promoção humana que isso trará para os seus filhos. Na realidade, porém, falta um verdadeiro interesse pelo futuro destas pessoas, porque não lhes é dito claramente que, na sequência de tal projeto, terão uma terra devastada, condições muito mais desfavoráveis para viver e prosperar, uma região desolada, menos habitável, sem vida e sem a alegria da convivência e da esperança, para além do dano global que acaba por prejudicar a muitos mais.  (Laudate Deum 29)   

A Igreja está presente neste território há séculos e tem uma história de compromisso com a vida nesta região, vida de seus povos e de toda realidade criada. Conhecemos profundamente a realidade amazônica, e somos testemunhas diretas dos impactos de empreendimentos mal licenciados sobre comunidades tradicionais, povos indígenas e ecossistemas únicos.    

A Amazônia abriga 60% da floresta tropical do planeta, contém 15-20% da água doce mundial e regula o clima global. Qualquer flexibilização inadequada de seu licenciamento ambiental representa risco não apenas local, mas planetário. Esta responsabilidade transcende questões puramente técnicas e toca o cerne da vocação a qual fomos chamados: cultivar e guardar a terra.  

(cf. Gn 2,15)   

Conclamamos a sociedade brasileira e todos os cidadãos comprometidos com um futuro sustentável a exigirem que seus parlamentares votem pela manutenção dos vetos presidenciais e pela rejeição de quaisquer propostas que enfraqueçam o licenciamento ambiental, preservando as regras ambientais mais rigorosas.  

Reconhecemos que os vetos impediram os piores aspectos do projeto original, trazendo um alívio diante das investidas devastadoras e demonstrando que a mobilização social e a pressão técnica qualificada podem surtir efeito. No entanto, esta vitória parcial não deve gerar complacência.   

Como Igreja profética, mantemo-nos firmes na defesa da casa comum e dos povos da Amazônia. Continuaremos vigilantes, oferecendo nossa voz e nossa presença pastoral sempre que a proteção ambiental e os direitos dos povos amazônicos estiverem ameaçados. Sustentamos em nossa ação evangelizadora o empenho pela plenitude de vida oferecida por Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10)   

 O momento exige de todos nós, responsabilidade máxima com o futuro da Amazônia e do planeta. Os vetos presidenciais ofereceram uma oportunidade de correção de rota, mas a trajetória futura dependerá da vigilância permanente da sociedade. Seguimos vigilantes, comprometidos e com esperança.   

 “…a esperança não decepciona.” (Rm 5,5)  

Assinam a carta, os Bispos:   

Dom Adolfo Zon Pereira – Bispo do Alto Solimões-AM 

Dom Adriano Ciocca Vasino – Bispo Emérito de São Félix-MT 

Dom Antônio de Assis Ribeiro – Bispo de Macapá-AP 

Dom Antônio Fontinele de Melo – Bispo de Humaitá-AM 

Dom Armando Martin Gutierrez – Bispo de Bacabal-MA 

Dom Benedito Araújo – Bispo de Guajará-Mirim-RO 

Dom Bernardo Johannes Bahlmann – Bispo de Óbidos-PA 

Dom Carlos Henrique Silva Oliveira – Bispo de Tocantinópolis-TO 

Dom Carlos Verzeletti – Bispo de Castanhal-PA 

Dom Dominique Marie You – Bispo de Conceição do Araguaia-PA 

Dom Édson Taschetto Damian – Bispo Emérito de São Gabriel da Cachoeira-AM 

Dom Elio Rama – Bispo de Pinheiro-MA 

Dom Erwin Kräutler – Bispo Prelado Emérito de Xingu/Altamira-PA 

Dom Evaldo Carvalho dos Santos – Bispo de Viana-MA 

Dom Evaristo Pascoal Spengler – Bispo de Roraima-RR 

Dom Flávio Giovenale – Bispo de Cruzeiro do Sul-AC 

Dom Francisco Lima Soares – Bispo de Carolina-MA 

Dom Gilberto Pastana de Oliveira – Arcebispo de São Luís-MA 

Dom Giovane Pereira de Melo – Bispo de Araguaina-TO 

Dom Giuseppe Luigi Spiga – Bispo de Grajaú-MA 

Dom Irineu Roman – Arcebispo de Santarém-PA 

Dom Ivanildo Oliveira Almeida – Bispo de Cametá-PA 

Dom Jacy Diniz Rocha – Bispo de São Luiz de Cáceres -MT 

Dom João Aparecido Bergamasco – Bispo de Primavera do Leste/Paranatinga-MT 

Dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom José Albuquerque de Araújo – Bispo de Parintins-AM 

Dom José Altevir da Silva – Bispo da Prelazia de Tefé – AM 

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira – Bispo do Marajó-PA 

Dom José Maria Ribeiro – Bispo de Abaetetuba-PA 

Dom José Moreira da Silva – Bispo de Porto Nacional – TO 

Dom Júlio Endi Akamine – Arcebispo de Belém-PA 

Dom Leonardo Ulrich Steiner – Cardeal Arcebispo de Manaus-AM 

Dom Lucio Nicoletto – Bispo de São Félix-MT 

Dom Marcos Piatek – Diocese de Coari-AM 

Dom Mário Antônio da Silvia – Arcebispo de Cuiabá-MT 

Dom Neri José Tondello – Bispo de Juína-MT 

Dom Paulo Andreolli – Bispo Auxiliar de Belém-PA 

Dom Pedro Brito Guimarães – Arcebispo de Palmas-TO 

Dom Pedro Conti – Bispo Emérito de Macapá – AP

Dom Philip Dickmans – Bispo de Miracema do Tocantins-TO 

Dom Raimundo Possidônio Carrera da Mata – Bispo de Bragança do Pará-PA 

Dom Raimundo Vanthuy Neto – Bispo de São Gabriel da Cachoeira-AM 

Dom Roque Paloschi – Arcebispo de Porto Velho-RO 

Dom Samuel Ferreira de Lima – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom Sebastião Bandeira Coelho – Bispo de Coroatá-MA 

Dom Valentim Fagundes de Meneses – Bispo de Balsas 

Dom Vilsom Basso – Bispo de Imperatriz-MA 

Dom Vital Corbellini – Bispo de Marabá-PA 

Dom Wellington de Queiroz Vieira – Bispo de Cristalândia-TO 

Dom Wilmar Santin – Bispo de Itaituba-PA 

Dom Zenildo Lima da Silva – Bispo Auxiliar de Manaus-AM 

Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva – Bispo de Borba-AM

A Palavra caminho de mudança e não de justificativa de nossos erros

Uma ajuda para caminhar no cotidiano. Será que vemos desse modo a Palavra de Deus? O Mês da Bíblia deveria ser uma oportunidade para aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus, para nos aproximarmos dela. Estamos diante de mais do que um texto do passado, pois ela é atualidade que nos questiona e nos leva a refletir sobre nossa vida pessoal e comunitária.

Esperança

No Brasil, a Igreja católica nos oferece há muitos anos a possibilidade de estudar um livro da Bíblia. Em 2025 a Carta aos Romanos vai cobrar uma dimensão especial, em vista de nos ajudar a transformar a realidade atual à luz da proposta divina. A ênfase desse escrito paulino é a esperança, uma temática que acompanha o caminhar da Igreja católica em 2025, em que estamos celebrando o Jubileu da Esperança.

De fato, a esperança é atitude decisiva na vida dos discípulos e discipulas de Jesus. A esperança sustenta nosso relacionamento com Deus, nossa fé N´Ele. São Paulo afirma que a “esperança não decepciona” e nós somos chamados a descobrir na Palavra o caminho que nos ajuda a superar os momentos de desesperança, a encontrar o caminho a seguir, uma realidade cada vez mais presente na vida da humanidade.

Ser sinal de esperança

O que fazer para ser sinal de esperança para tantas pessoas desesperançadas? Como potencializar a escuta, o diálogo, o discernimento que nos ajude a encontrar caminhos de esperança para a sociedade e para cada pessoa? Até que ponto experimentamos a presença do Espírito como aquele que ilumina nossa vida, que fecunda nossa existência, que nos leva a crescer em esperança?

Vivemos um momento histórico em que a vida das pessoas, a vida de muitos inocentes está sendo ameaçada de modo constante. A dor e a morte tem se instalando como ameaças para boa parte da humanidade. O ódio vai gerando sentimentos de desconfiança, de enfrentamento, fazendo minguar a esperança nas pessoas. Uma realidade que demanda de uma esperança crescente, que cabe a nós gerar as condições para que as pessoas possam recuperá-la.

Entender o papel da religião

Podemos encontrar similitudes entre os primeiros anos do cristianismo, momento em que foi escrita a Carta aos Romanos, e o atual momento histórico. Um texto que promove uma reflexão em volta da solidariedade, da acolhida de Deus a todos, da necessidade de entender que a religião não pode ser usada em função de uma ideologia ou de uma política que pretende ser usada em benefício de pequenos grupos.

Uma carta que nos leva a descobrir a necessidade de cuidar das pessoas, de todas as pessoas, a cuidar da Casa Comum, assumir a Ecologia Integral. A Bíblia sempre nos leva a olhar para fora, a no buscar nela uma justificativa para nossos posicionamentos pessoais ou grupais. Não nos sirvamos da Palavra e sim vejamos a Palavra como caminho de mudança, de conversão, como instrumento que nos aproxima de Deus e dos outros.

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Luis Miguel Modino

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Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa

Celebração marcou o Dia do Catequista e reuniu representantes de paróquias urbanas, comunidades do interior e áreas indígenas.

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Catequistas com peregrinação e missa
Foto divulgação

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No domingo, 31 de agosto, a Diocese de Roraima promoveu o Jubileu dos Catequistas, em celebração ao Dia do Catequista. O evento reuniu catequistas de paróquias de Boa Vista, comunidades do interior e áreas indígenas, que se encontraram em um momento de fé, partilha e espiritualidade.

A programação começou às cinco da tarde, com uma peregrinação que saiu da Igreja São Francisco em direção ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. A caminhada culminou com a Santa Missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Pascoal Spengler, e concelebrada por diversos sacerdotes, religiosos e religiosas.

Foto: Divulgação

Durante a celebração, foi destacada a missão e a vocação dos catequistas como pilares fundamentais da Igreja na formação cristã e na transmissão da fé. O Jubileu foi marcado por momentos de oração e celebração, reforçando a importância do serviço catequético para a vida da Diocese de Roraima.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa

Conselho de Evangelização da Diocese de Roraima discute formação de lideranças

Conselho de Evangelização da Diocese de Roraima discute formação de lideranças

Encontro reuniu representantes de paróquias de Boa Vista e do interior para fortalecer a missão evangelizadora da Igreja no estado.

Conselho de Evangelização da Diocese de Roraima discute formação de lideranças
Foto divulgação.

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No sábado, 30 de agosto, a Diocese de Roraima realizou a reunião ordinária do Conselho Diocesano de Evangelização (CDE). O encontro teve como tema central a formação de lideranças católicas e de agentes de pastoral, fundamentais para a missão evangelizadora da Igreja.

Os participantes foram divididos em grupos por áreas de evangelização, abrangendo paróquias do centro e da periferia de Boa Vista, além de comunidades missionárias do interior. Durante todo o dia, foram discutidas estratégias e propostas para aprimorar a formação pastoral, visando ampliar o alcance e a eficácia da ação evangelizadora da Diocese.

De acordo com os organizadores, a iniciativa reforça o compromisso da Igreja de Roraima em fortalecer o trabalho das lideranças e garantir que a missão de evangelização chegue a todas as comunidades do estado.

Confira as fotos das reuniões.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa

ALERR sedia exposição fotográfica em homenagem aos 300 anos da Igreja Católica em Roraima

ALERR sedia exposição fotográfica em homenagem aos 300 anos da Igreja Católica em Roraima

Mostra reúne 24 painéis e ficará aberta ao público no hall da Assembleia Legislativa, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

ALERR sedia exposição fotográfica em homenagem aos 300 anos da Igreja Católica em Roraima
Fotos: Jader Souza

Como parte das comemorações pelos 300 anos da presença da Igreja Católica em Roraima, a Assembleia Legislativa (ALERR) recebe uma exposição fotográfica que retrata momentos marcantes da história do catolicismo no estado. A mostra ficará aberta ao público até o dia 5 de setembro, no hall da Casa.

O presidente da Assembleia, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), destacou que as imagens representam um resgate histórico e reforçam o papel da instituição em reconhecer iniciativas que contribuem para a vida da população.

“O catolicismo tem uma trajetória que merece ser reconhecida e respeitada. Por isso, em parceria com a Diocese, fizemos esse resgate da história por meio de imagens, fotografias e relatos”, afirmou.

O deputado Dr. Cláudio Cirurgião (União), que também prestigiou o evento, ressaltou que a exposição evidencia o trabalho da Igreja Católica ao longo dos anos, tanto no campo religioso quanto no social.

“Nós temos muitas histórias bonitas promovidas pela Igreja Católica. Estamos resgatando momentos que não tratam apenas da religiosidade, mas também do trabalho social desenvolvido em prol de pessoas que muitas vezes não têm oportunidades de inserção na sociedade”, frisou.

O bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, lembrou que a atuação da Igreja na região antecede a criação do antigo Território Federal e se confunde com o desenvolvimento do estado.

“Essa exposição traz vidas, histórias e fatos, porque são 300 anos de evangelização”, ressaltou, informando ainda que a mostra terá caráter itinerante e percorrerá outras localidades de Roraima.

A diretora de Relações Institucionais da ALERR, Joselinda Lotas, explicou que a exposição foi montada em parceria com a Diocese e contou com curadoria de Pablo Sérgio Bezerra e Márcio Chaves Lavôr.

“Houve uma curadoria conjunta, com resgate de fotos antigas do início da evangelização em Roraima. É uma oportunidade importante para que a população conheça como começou a atuação da Igreja no estado. Além da visita presencial, as imagens também poderão ser acessadas pelo site da Assembleia”, destacou.

Exposição

A mostra reúne 24 painéis e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no hall da Assembleia Legislativa. As imagens também estão disponíveis no site al.rr.leg.br. Além disso, a sessão especial pode ser revista no YouTube, pelo canal @assembleiarr, ou no aplicativo TV ALERR Play.

 FONTE/CRÉDITOS: Com informações SupCom ALE-RR

Diocese de Roraima recebe visita de missionários da Diocese de São Mateus (ES)

Foto: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima fm

Entre os dias 25 de agosto e 11 de setembro, a Diocese de Roraima recebe o coordenador do Conselho Missionário Diocesano, padre João Batista, e o coordenador do Regional Leste 3 da Infância e Adolescência Missionária (IAM), o leigo Francisco Malacarne, da Diocese de São Mateus (ES), para uma experiência missionária com o objetivo de conhecer a realidade local.

Em 2019, a Diocese de São Mateus realizou uma Assembleia Geral. Entre as propostas aprovadas estava em prioridade “Missão e Comunhão na Igreja Diocesana”, que busca promover a animação e a cooperação missionária por meio do fortalecimento dos Conselhos Missionários Paroquiais. A missão já está acontecendo nas comunidades e paróquias, mas para um avanço ainda maior, a Diocese de Roraima foi escolhida para dar continuidade à essa missão.

O padre João Batista ressaltou o motivo desta visita:

“A nossa visita em Roraima tem como finalidade dar continuidade ao processo de discernimento iniciado em sua diocese. Por meio de escuta, aproximação e diálogo com a Igreja local.”

O Padre João também destacou que a cooperação missionária pode ocorrer de três formas: espiritual, por meio da oração; material, através de apoio financeiro ou projetos; e pessoal, com o envio de missionários. A possibilidade de estabelecer essa cooperação será discutida entre os bispos das duas dioceses.

 

Bispos da Pan-Amazônia enviam ao Papa Leão XIV a “cruz amazônica” e a “pombinha da paz”

Gesto simbólico desde o encontro de Bogotá reafirma o compromisso com a defesa da vida, dos povos e da Casa Comum

No marco do Encontro de Bispos da Pan-Amazônia, realizado em Bogotá de 17 a 20 de agosto, os participantes enviaram ao Papa Leão XIV dois significativos presentes: a cruz amazônica e a pombinha mensageira da paz, símbolos de comunhão, esperança e compromisso com a defesa da Casa Comum e da paz.

No marco do Encontro de Bispos da Pan-Amazônia, realizado em Bogotá de 17 a 20 de agosto, os participantes enviaram ao Papa Leão XIV dois significativos presentes: a cruz amazônica e a pombinha mensageira da paz, símbolos de comunhão, esperança e compromisso com a defesa da Casa Comum e da paz.

A cruz amazônica: vida que brota da dor

Os bispos receberam durante o encontro cruzes amazônicas elaboradas pelo artesão boliviano José Dorado, de San Miguel de Velasco. São 130 peças confeccionadas com madeira proveniente de árvores queimadas na Chiquitania, região boliviana duramente atingida pelos incêndios florestais.

Abençoadas por Dom Robert Flock, bispo de San Ignacio de Velasco, as cruzes representam a dor da terra ferida e, ao mesmo tempo, a esperança de que do sofrimento possa renascer a vida. Este gesto busca manter viva a memória dos 2,8 milhões de hectares devastados em 2024, o pior ano de incêndios em duas décadas na Amazônia.

A pombinha mensageira da paz

O segundo presente, a “pombinha da paz”, foi trazido do Peru por Carmen de los Ríos e está envolto em tecido da comunidade nativa amazônica Ashaninka. Confeccionada por povos andinos, simboliza o desejo de que “da Amazônia rezamos pela paz”. Símbolo universal da paz, a pombinha, na tradição católica, representa o Espírito Santo, sinal de pureza, paz e presença divina.

O cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA, destacou que este sinal nos convida a ser instrumentos do Espírito Santo, a fortalecer o serviço missionário e a reconhecer os povos originários como guardiões da Casa Comum.

Envio ao Papa Leão XIV

Ambos os presentes foram entregues ao cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e representante do Vaticano no encontro. Durante a Eucaristia de encerramento, na Catedral Primaz de Bogotá, em 20 de agosto, Czerny recebeu a cruz e a pombinha em nome dos bispos, comprometendo-se a levá-los pessoalmente ao Papa Leão XIV.

Com este gesto, os bispos da Pan-Amazônia reafirmam sua missão de ser construtores da paz e guardiões da criação, em comunhão com toda a Igreja universal.

Encontro de bispos da Amazônia

Durante quatro dias, 90 bispos de 75 jurisdições amazônicas, convocados pela Conferência Eclesial da Amazônia – CEAMA, juntamente com representantes de organismos como o CELAM, a CLAR, a Cáritas ALC, a REPAM, o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e várias conferências episcopais, participaram do encontro realizado em Bogotá, na sede do Conselho Episcopal Latino-americano – CELAM. As jornadas foram marcadas por espaços de escuta, oração e diálogo, nos quais foram compartilhados avanços, desafios e resistências do processo sinodal.

Segundo os organizadores, o objetivo foi apresentar propostas concretas que permitissem consolidar a missão da CEAMA como organismo eclesial capaz de acompanhar de maneira mais próxima as comunidades da região.

Nesse contexto, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ofereceu uma mensagem que animou os participantes a redescobrirem a força do seguimento de Jesus como motor do compromisso pastoral e da missão da Igreja na Amazônia. “Não se tratou de uma nova organização, mas de um espírito que renova e dá sentido à nossa forma de ser Igreja”, afirmou, sublinhando a dimensão espiritual que deu identidade ao encontro.

 

 FONTE/CRÉDITOS: Julio Caldeira imc