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Ordenação de jovem indígena marcará o segundo dia do Jubileu dos Povos Indígenas em Surumu


Comunidade se prepara para celebrar 300 anos de evangelização com peregrinação e ordenação diaconal.

O segundo dia do Jubileu dos Povos Indígenas, que está sendo celebrado na comunidade de Surumu, promete ser marcado por momentos de grande emoção e significado para a Igreja de Roraima e os povos originários. As atividades previstas para este sábado (26) incluirão uma peregrinação, em destaque, a ordenação diaconal do jovem indígena Djavan André da Silva, fortalecendo ainda mais os laços entre a Igreja e as comunidades indígenas na comemoração dos 300 anos de evangelização.

A programação começou logo pela manhã, com a concentração de fiéis no Aeroporto de Surumu, seguida por uma peregrinação até o Centro Indígena de Formação. Lá, será realizada uma celebração eucarística especial, tendo como ponto alto a ordenação de Djavan, natural da Diocese de Roraima.

Emoção e gratidão marcarão o momento. O jovem diácono já antecipou a alegria de viver essa ocasião tão especial: “Será um dia de grande alegria, juntamente com as comunidades indígenas e o povo de Deus que ainda continua chegando aqui. Uma alegria imensa de poder celebrar esse jubileu dos povos indígenas junto com a minha ordenação diaconal. Estou muito feliz e grato a Deus pela vida e pela vocação”, afirmou Djavan em preparação para o evento.

A celebração contará também com a presença da irmã Eliane Cordeiro de Souza, das Irmãs Mercedárias da Caridade e presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), que destacou a importância do evento: “Será uma alegria muito grande estar presente em nome da CRB, representando mais de 30 mil religiosos do Brasil. Encontrarei missionários que diariamente entregam suas vidas à causa dos povos originários — nossos irmãos muitas vezes sofridos, perseguidos e explorados. Estaremos juntos nessa causa de Jesus, que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Este Jubileu será um marco histórico, um caminho bonito que pede mais cuidado com a vida e maior dignidade para todos, filhos e filhas amados de Deus”, afirmou.

Reflexões do primeiro dia de Jubileu

Na sexta-feira (25), a programação foi aberta com uma mesa-redonda à tarde, abordando a presença histórica da Igreja entre os povos indígenas de Roraima. Um dos participantes, o professor Jaci Guilherme, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), antecipou os temas que serão discutidos: ” Refletimos sobre a luta dos povos indígenas e o compromisso da Igreja. Esta Igreja, que deixou de ser associada às fazendas e passou a se tornar parte das comunidades indígenas. A partir de Dom Aldo Mongiano, houve uma opção clara pelos povos originários. Foi essa união entre a Igreja e os povos indígenas que levou à criação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), hoje respeitado nacional e internacionalmente”, destacou Jaci.

Sementes de novas vocações

O impacto deste momento histórico também já começa a ser sentido entre os jovens indígenas, como expressou Idelfonso Barbosa da Máso, seminarista indígena da Raposa Serra do Sol, atualmente cursando Teologia no Seminário de Manaus: “A ordenação do Djavan será fruto de muita oração e dedicação dos missionários e das lideranças indígenas. Este momento certamente inspirará e influenciará muitos jovens da nossa Diocese de Roraima. Ver um irmão nosso ser ordenado diácono desperta em nós a vocação missionária e fortalece nossa identidade cultural e religiosa. É uma resposta concreta da fé e da luta do nosso povo”, afirmou Idelfonso, cheio de esperança de que mais jovens sigam o caminho da vocação religiosa.

Fonte: Filipe Gustavo

Fotos : Pablo Sérgio bezerra

Cardeal Steiner agradece no velório do Papa por “nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”

Uma mistura de sentimentos está presente no coração passando diante do corpo daquele que tem sido uma luz para a humanidade e para a grande maioria dos 1,4 bilhão de católicos do mundo nos últimos 12 anos, embora a multidão de pessoas presentes exija que isso seja feito rapidamente.

Reconhecimento de todo o mundo

O velório de Papa Francisco, que será sepultado neste sábado na Basílica de Santa Maria Maggiore, após o funeral na Praça de São Pedro, é um sinal de reconhecimento por parte das pessoas de todo o mundo. Mas também pelas mais de 200 delegações oficiais que viajaram a Roma para mostrar suas condolências.

De uma dessas periferias veio o arcebispo de Manaus, o cardeal Leonardo Ulrich Steiner. A Amazônia sempre ocupou um lugar especial no coração do último pontífice. Lembro-me da última vez que tive a oportunidade de cumprimentá-lo brevemente, quando lhe contei que minha missão era ser pároco na Área Missionária de San José do Rio Negro, na arquidiocese de Manaus, composta por 26 comunidades indígenas e ribeirinhas. Francisco respondeu: “Que missão linda!

Muito a agradecer a Papa Francisco

Um carinho que também está presente naqueles que vivem nessas e em tantas outras comunidades Amazônia afora, que pediram nesses dias que eu também levasse suas vidas para o velório do Papa. Um sentimento de gratidão que o Cardeal Steiner trouxe para Roma. Logo após rezar diante do caixão de Francisco, instalado na Basílica de São Pedro, o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) ressaltou que “nós da Amazônia temos muito a agradecer a Papa Francisco por de novo trazer a Amazônia para a discussão, mas especialmente nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”.

O arcebispo de Manaus ressaltou que “não só a região amazônica, mas os povos que ali vivem, as culturas”. Segundo o Cardeal Steiner, “tudo isso nós somos muito gratos ao Papa Francisco por nos ter ajudado a repensar e ajudar a incentivar as nossas comunidades a viverem a sua fé nessa realidade da Amazônia”, concluindo suas breves palavras com um “muito obrigado, Papa Francisco”.

O Cardeal Steiner é alguém profundamente alinhado com o Magistério do Papa Francisco, tendo promovido de várias maneiras a sinodalidade, o cuidado com os pobres, especialmente a população em situação de rua, o cuidado com a casa comum, o protagonismo das mulheres e a defesa dos povos indígenas. Soma-se a isso sua grande devoção, como franciscano, a Francisco de Assis, incentivando constantemente a descoberta da presença de Deus em todas as criaturas, sentimento presente no conceito de ecologia integral, promovido pelo Papa argentino.

Gratidão do povo brasileiro

Esse sentimento de gratidão a Francisco também está muito presente nos dias de hoje entre o povo brasileiro. Ele é um Papa muito querido no Brasil, a ponto de, em uma ocasião, um cardeal brasileiro ter dito a Papa Francisco que ele havia conseguido realizar um milagre durante sua vida, que os brasileiros gostassem de um argentino, fazendo o Papa dar uma gargalhada.

Uma grande delegação do governo brasileiro prestou suas condolências diante do caixão do Papa, encabeçada pelo presidente Lula, um admirador declarado do pontífice, sua esposa Janja, os presidentes do Congresso, do Senado, do Supremo Tribunal Federal, ministros, parlamentares e a ex-presidente Dilma, que admitiu, como também era visível em Lula, que estava abalada com a morte de Francisco.

Padres e lideranças indígenas destacam significado do Jubileu 2025 em Roraima

Padres e lideranças indígenas destacam significado do Jubileu 2025 em Roraima

O evento segue até este sábado, na Raposa Serra do Sol.

Padres e lideranças indígenas destacam significado do Jubileu 2025 em Roraima
Pablo Sérgio bezerra – Rádio Monte Roraima

Diocese de Roraima realiza, pela primeira vez, o Jubileu dos Povos Indígenas. A celebração, que acontece em meio às comunidades originárias do estado, propõe um ano de renovação da fé, denúncia das injustiças e valorização da caminhada histórica dos povos indígenas ao lado da Igreja Católica.

Segundo o padre Mattia, da Pastoral Indigenista, o Jubileu é um tempo de graça que convida à reflexão e à ação. “Não é possível pedir perdão a Deus sem sentir as dores do mundo. E entre essas dores, está a negação dos direitos dos povos originários, que há séculos lutam pelo respeito à sua vida e à sua terra”, destacou.

Para ele, o Jubileu é um sinal de esperança, que deve acender o olhar da sociedade para as feridas abertas pelas desigualdades. “O marco temporal é só um dos muitos desafios enfrentados. Também há carência de saúde, educação e oportunidades para a juventude e as mulheres indígenas. O Jubileu é como um refletor que a Diocese acende sobre essa realidade, reafirmando o compromisso com a vida e os direitos fundamentais.”

A celebração também é um gesto de proximidade da Igreja com os povos indígenas, como reforça o missionário padre Joseph Mugerwa, que atua há oito anos na região do Surumu, Raposa Serra do Sol. “Para as comunidades, o Jubileu não é apenas uma festa da Igreja, é a festa dos povos indígenas. É um momento de lembrar que Deus sempre esteve ao lado deles, e que a Igreja nunca os abandonou nessa caminhada.”

Padre Joseph destaca a expectativa e a mobilização nas diferentes regiões do estado: “Amajari, Serra da Lua, São Marcos, Tabaio, Boa Vista… todas estão se organizando com muito entusiasmo. É um marco histórico, especialmente porque também teremos a ordenação de um diácono indígena. Para o povo, isso representa uma grande conquista, ver um deles assumindo um papel dentro da Igreja.”

 Na foto estão: De azul, o missionário padre Joseph Mugerwa, que atua há oito anos na região do Surumu
padre Paulo da Conceição Fernando Mzé, Superior Regional dos Missionários da Consolata
no Brasil, e a jornalista Dennefer Costa.

 

padre Paulo da Conceição Fernando Mzé, Superior Regional dos Missionários da Consolata no Brasil, também veio de São Paulo para participar do Jubileu. Ele acompanha de perto o trabalho dos missionários na Amazônia, onde a congregação atua há 76 anos. “A nossa presença missionária sempre teve como prioridade os povos indígenas. Celebrar esse Jubileu é reconhecer a importância desse povo para a história do Brasil e da Igreja.”

O Superior reforça que sua visita é também uma forma de animação e escuta dos missionários e das comunidades. “Estamos aqui para afirmar que a missão da Igreja precisa ser feita com e para os povos indígenas. Esse Jubileu é um testemunho da fé viva dessas comunidades, da resistência e da esperança que brota do coração da Amazônia.”

Gilmara Barbosa, representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), destacou a importância simbólica e pastoral desse momento:
“Celebrar os 300 anos de evangelização com o protagonismo indígena é reconhecer a história viva e a fé encarnada nos povos originários. É uma resposta concreta aos apelos do Papa Francisco por uma Igreja com rosto amazônico, indígena e comprometida com a justiça e a vida.”

O Jubileu, que vem da palavra hebraica “Yobel” — um instrumento antigo que anunciava um tempo de libertação e graça —, é, segundo os missionários, um convite à conversão da sociedade diante das feridas causadas pela omissão e pela violência histórica contra os povos originários.

A expectativa é que o evento fortaleça os laços entre a Igreja e os povos indígenas, e ecoe uma mensagem clara: a vida, a cultura e os direitos dos povos indígenas devem ser respeitados e celebrados.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Rádio Monte Roraima

Jubileu dos Povos Indígenas começa com seminário que resgata a memória e reafirma compromisso da Igreja de Roraima

Jubileu dos Povos Indígenas começa com seminário que resgata a memória e reafirma compromisso da Igreja de Roraima

O evento está ocorrendo no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, reunindo fiéis indígenas e não indígenas.

Jubileu dos Povos Indígenas começa com seminário que resgata a memória e reafirma compromisso da Igreja de Roraima

Pablo Sérgio bezerra

Foi dado início nesta sexta-feira, 25 de abril, ao Jubileu dos Povos Indígenas em Roraima. A abertura foi marcada pelo seminário “Memória e compromisso da Igreja de Roraima com os povos indígenas”, realizado no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol. O evento é um marco no calendário da Diocese de Roraima e reúne representantes de diversas etnias, missionários, religiosas e religiosas, lideranças tradicionais e convidados de várias regiões do Brasil.

Foto: Pablo Sérgio bezerra – Rádio Monte Roraima FM 

Com o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, o jubileu celebra os 300 anos de evangelização da Igreja no Brasil, mas com um olhar especial: a aliança histórica entre os povos indígenas e a Igreja Católica, construída ao longo de décadas por meio da resistência, da fé e da solidariedade.

Logo pela manhã, o bispo de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, Dom Evaristo Spengler, deu as boas-vindas aos participantes, destacando a importância simbólica e espiritual da celebração.“Estamos muito felizes por celebrar esse jubileu. A aliança dos povos indígenas com a Igreja é uma aliança histórica que sempre produziu frutos, como a demarcação e a homologação de terras. Estamos lembrando aqui uma caminhada de fé que fortalece, une e nos dá força para continuar lutando pelos direitos dos povos indígenas”,disse.

O evento também contou com a presença de Padre Ronaldo, missionário vindo de São Paulo, e do Padre Pedro, reitor do Seminário Arquidiocesano de Manaus, que destacou o impacto espiritual da convivência com os povos originários “ Sinto aqui a grandeza da vida, da espiritualidade, da união e da fé desse povo. É algo bonito de se ver e de sentir”, completou Dom Evaristo.

Foto: Pablo Sérgio bezerra – Rádio Monte Roraima FM 

A professora Márcia Maria, da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM Brasil), ressaltou o caráter inédito da celebração. “É uma alegria acompanhar esse momento tão importante. Me parece ser o único jubileu da Igreja em nível nacional que eleva os povos indígenas como protagonistas. A Diocese de Roraima historicamente assumiu a causa indígena como missão. Esse jubileu é um marco para toda a Igreja”, relatou.

Já o coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Amarildo Macuxi, destacou o simbolismo do mês de abril para os povos indígenas. “Abril é o mês da resistência. Estamos aqui celebrando esse jubileu com muita alegria, com a presença de várias comunidades e missionários. A história da evangelização em nossos territórios começou em 1915, e desde então formou-se uma aliança entre as lideranças indígenas e a Igreja”,disse.

O seminário se estende ao longo do dia com mesas-redondas e debates, preparando o espírito dos participantes para os demais dias do Jubileu, que segue com atividades litúrgicas, culturais e celebrações até o fim de semana.

A celebração conta ainda com a chegada de representantes da CRB Nacional (Conferência dos Religiosos do Brasil), da FUNAI e de outras instituições ligadas à causa indígena, confirmando o alcance e a relevância nacional do evento.

Este Jubileu não apenas recorda o passado, mas também lança esperança sobre o futuro. Um futuro onde a fé e a luta dos povos originários seguem caminhando juntas, alimentadas pela espiritualidade, pelo compromisso e pela justiça.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos

Local onde nasceram as primeiras assembleias indígenas de Roraima recebe encontro que resgata memória, e resistência dos povos da Raposa Serra do Sol.

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos
Foto Lucas Rosseti – Rádio Monte Roraima fm

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, palco de uma das mais emblemáticas lutas pela demarcação de terras no Brasil, volta a ser centro de mobilização, memória e espiritualidade com a realização do Jubileu dos Povos Indígenas neste fim de semana. O evento ocorrerá na região do Surumu, onde a caminhada pela autonomia e pelos direitos dos povos originários de Roraima teve início ainda na década de 1970.

Mais que uma celebração, o Jubileu marca um reencontro com a história e com os princípios que nortearam as primeiras assembleias dos tuxauas, líderes tradicionais que, enfrentando violência e invasões, decidiram se unir para proteger suas terras, culturas e modos de vida. Foi justamente em uma dessas assembleias, realizada na comunidade Barro, em 1971, que germinou a semente de uma grande organização indígena.

Padre Giorgio Dal Bem, missionário italiano que chegou à Raposa Serra do Sol em 1972 e fundou a Missão Maturuca, destaca a profundidade histórica e espiritual deste momento:


“A partir da Palavra, passou-se a um projeto de Deus, e essa jornada foi muito frutífera. Em 1977, houve uma reunião histórica aqui chamada de ‘ou vai ou racha’, na qual algumas lideranças do povo decidiram abandonar a bebida e a desunião, buscando garantir a vida do povo indígena e da comunidade. Desde então, desenvolveram muitos projetos ao longo dessa história.”

Esse encontro, conhecido como a Assembleia do Vai ou Racha, ocorreu na comunidade indígena Maturuca, e representou um divisor de águas. Além de romper com o uso de bebidas alcoólicas, que fragilizavam as comunidades, as lideranças decidiram fortalecer a unidade entre as regiões. Dessa decisão nasceram os conselhos regionais — estruturas que permitiram maior articulação e resistência frente à exploração ilegal das terras por fazendeiros, garimpeiros e outros invasores.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR), hoje referência na luta pelos direitos indígenas, teve suas raízes lançadas nesses encontros. A formalização do CIR ocorreu em 1990, logo após a transformação de Roraima em estado, mas a trajetória de organização coletiva vinha de duas décadas antes. Um dos primeiros conselheiros regionais foi o tuxaua Gabriel Macuxi, da região Raposa.

A terra Raposa Serra do Sol foi por décadas alvo de disputas e violência. A luta pelo reconhecimento e pela demarcação durou mais de 30 anos, com confrontos que deixaram marcas profundas nas comunidades. Muitos indígenas foram expulsos, outros assassinados, mas a resistência permaneceu firme. Em 2005, a terra foi finalmente homologada, tornando-se um marco jurídico e político para os direitos indígenas no Brasil.

Projetos como “Uma vaca para o índio”, lançado em 1980 para incentivar a criação comunitária de gado, também surgiram nesse contexto de reconstrução e fortalecimento das comunidades. O projeto permanece até hoje como símbolo da autonomia econômica indígena.

Além da luta pela terra, o Jubileu celebra também conquistas em áreas essenciais como saúde e educação. A criação do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, a formação de professores e agentes de saúde indígena, e a implantação do Grupo de Proteção e Vigilância Territorial (GPVIT) são frutos desse longo percurso de resistência.

O evento deste fim de semana é uma continuidade do Jubileu de Ouro da Missão Maturuca, celebrado em 2023 com grandes momentos de espiritualidade, como a romaria com a Cruz Peregrina, a missa solene com Crisma e homenagens às lideranças e missionários que caminharam junto aos povos. Na ocasião, Dom Evaristo Pascoal Spengler destacou: “Essa missão é um testemunho de compromisso e transformação.”

 

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima

Entre os dias 21 e 23 de abril, Dom Evaristo, juntamente com a equipe diocesana jubilar, realizou a Visita Pastoral Jubilar na Área Santa Rosa de Lima, localizada na periferia de Boa Vista.

Durante a visita, Dom Evaristo percorreu as comunidades que fazem parte da área e conheceu de perto o trabalho desenvolvido pelo Projeto Poço da Samaritana.

A visita jubilar foi encerrada na noite do dia 23, com a celebração eucarística, que contou com a presença da equipe sinodal.

 

 

 

 

 

 

Conheça a história do jovem indígena de Roraima que será ordenado no Jubileu dos Povos Indígenas

Essa é a primeira ordenação indígena em um jubileu dedicado aos povos originários no Brasil.

Neste sábado (26), a Diocese de Roraima celebra um momento histórico para a Igreja e para os povos originários: a ordenação diaconal do seminarista Djavan André da Silva, jovem indígena do povo Macuxi. A celebração será presidida por Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima, no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, na Comunidade Indígena Surumu, durante o Jubileu dos Povos Indígenas.

É neste solo de memória, resistência e fé que será celebrado o 1º Jubileu dos Povos Indígenas do país, dentro das comemorações dos 300 anos de evangelização na região amazônica e em sintonia com o Jubileu da Esperança, convocado pelo Papa Francisco (In memorian) para o ano de 2025.

A ordenação diaconal representa o primeiro grau do sacramento da ordem, caracterizando-se como um ministério de serviço à Igreja e às comunidades. Para Djavan, esse chamado é, acima de tudo, um sinal de fé e entrega. “Para mim é um chamado que me fortalece. A cada dia Deus tem me chamado e eu tenho respondido com o meu sim para continuar aqui na Igreja de Roraima a evangelização”, afirmou o futuro diácono.

Dom Evaristo Spengler expressa sua alegria nessa nova etapa vocacional de Djavan. Segundo o bispo, o jovem “foi convidado a servir a Deus nessa nossa Diocese de Roraima. A sua vocação é um grande sinal do amor de Deus e da sua fidelidade para com os povos indígenas e todo o povo de Deus.”

Nascido em 12 de abril de 1997, na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Djavan recebeu aos 13 anos o sacramento da Eucaristia, e em 2015, a Crisma. Seu processo vocacional começou cedo, ainda na comunidade. “Meu processo vocacional surge ali na Comunidade Indígena, onde meus pais moram, onde aquele povo que habita a Terra Indígena, a maioria do povo Macuxi, onde eu também faço parte”, relembra.

Em 2016, Djavan ingressou no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista. No ano seguinte, foi para Manaus, onde continuou sua formação no Seminário Arquidiocesano São José. Entre 2017 e 2023, cursou Filosofia e Teologia. Em 2023, retornou a Roraima para dar continuidade à sua caminhada pastoral.

vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo, destaca a sensibilidade pastoral e a disposição missionária de Djavan, que fez estágio pastoral em diversas comunidades.

Vigário geral da Diocese de Roraima, padre Josimar Lobo – Foto: Dennefer Honorato 

“Ele é uma vocação do nosso tempo, do nosso povo, da nossa Igreja local. Um jovem que cresceu, amadureceu na fé, sempre aberto ao diálogo, à escuta e à vida comunitária. Ele fez a escolha de servir e agora será ordenado diácono no meio do seu povo, na terra onde nasceu”.

Durante sua formação, Djavan realizou estágios pastorais em comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas, entre elas, a Raposa Serra do Sol, o Baixo Rio Branco, Pacaraima, Caracaraí, Iracema e a Área Missionária Santa Rosa de Lima, onde exercerá seu ministério diaconal. O vigário geral da Diocese, Padre Josimar Lobo, que acompanhou de perto sua trajetória, destacou: “É uma vocação diocesana que surge no meio das comunidades para as comunidades”.

Seus pais, Djacir Melchior da Silva e Sarlene André,  foram fundamentais em sua formação cristã. ” Ver meu filho Djavan se tornando diácono no Jubileu dos Povos Indígenas enche meu coração de orgulho. Desde criança ele foi diferente – obediente, calmo e dedicado aos estudos. Quando nos mudamos para a cidade para que ele e os irmãos pudessem estudar, foi Dom Roque quem nos ajudou a entender sua vocação. Ele comparou esse processo ao amadurecer de uma manga: devagar, no tempo certo. Hoje, como povo Macuxi, vemos nele a realização de um sonho coletivo – ter nosso primeiro diácono indígena ordenado em terras sagradas do Surumu, onde nossos ancestrais resistiram, disse o pai.

Segundo a Sarlene André, este é um sonho realizado, “Antes mesmo de Djavan nascer, eu sonhava: ‘Se for menino, que seja padre’. Desde pequeno ele mostrava esse chamado – brincava de celebrar missa com bolachas e reunia as crianças da comunidade. Aos 12 anos, me disse firmemente: ‘Mãe, não vou casar’. Chorava muito, pois ele é meu caçula, mas sempre apoiei seu sonho. Quando entrou no seminário, entendi que Deus estava cumprindo aquela promessa. Agora, ver seu nome ligado ao primeiro Jubileu dos Povos Indígenas me enche de alegria. Rezo para que ele seja luz não só para nossa família, mas para todos os povos originários que buscam seu lugar na Igreja.”

Pais do jovem Djavan. Senhor Djacir Melchior da Silva e Sarlene André. Foto: Diocese de Roraima.

Djavan também conta com o apoio de pessoas que marcaram sua caminhada, como sua madrinha de batismo, Deolinda Melchior da Silva. Segundo ela, “essa ordenação representa um chamado, é um convite para os jovens, principalmente indígenas que estão iniciando na fé. Ele é um exemplo”.

O seminarista partilha o sentimento que o move nesta caminhada: “É uma caminhada vocacional que exige muito empenho, esforço, dedicação, disponibilidade, na qual a gente se entrega mesmo para o serviço da Igreja.” E conclui com emoção: “Mãe, meu sonho vai ser realizado.”

Dom Evaristo acredita que esta ordenação será exemplo para tantos jovens que querem seguir essa vocação. “Assim como o Djavan respondeu ao chamado de Deus, certamente muitos outros jovens também atenderão a este chamado”, afirmou.

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

 

O corpo do Papa Francisco da Casa Santa Marta à Basílica de São Pedro

O corpo do Papa Francisco no interior da Basílica vaticana  (ANSA)

Vatican News

Da sua residência na Casa Santa Marta à Basílica de São Pedro, onde os restos mortais do Papa Francisco, que faleceu na segunda-feira de Páscoa, receberão a homenagem dos fiéis antes da Missa das Exéquias programada para sábado. Primeiro a oração introdutória na capela da Casa Santa Marta, depois a procissão com os cardeais, os patriarcas, o cardeal Camerlengo Kevin Farrell e o mestre das celebrações papais, dom Diego Ravelli. Sobre os ombros dos “sediários” pontifícios, o caixão como corpo do Papa percorreu a Via della Sacrestia, passando pela Praça dos Protomártires Romanos e saindo para a Praça São Pedro pelo Arco dos Sinos. Vinte mil pessoas, com longos aplausos, saudaram a passagem do corpo do Papa Francisco. A procissão chegou ao interior da Basílica e, em frente ao Altar da Confissão, o caixão com o corpo do Papa foi colocado no chão. Às 11h o início a homenagem dos fiéis. A Basílica permanecerá aberta até a meia-noite. Amanhã, a abertura está programada para as 7h e o fechamento à meia-noite. Na sexta-feira, véspera do funeral, ela estará aberta das 7h às 19h.

Fonte/créditos: Vaticans News

CNBB suspende sua 62ª Assembleia Geral em virtude da morte do Papa

Reunião anual do episcopado brasileiro foi transferida para 2026; decisão foi deliberada em reunião extraordinária do Conselho Permanente da CNBB.

Com o falecimento do Papa Francisco, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu suspender sua 62ª Assembleia Geral que seria realizada de 30 de abril a 9 de maio em Aparecida (SP). 

O Conselho Permanente da CNBB reuniu-se ontem, de forma extraordinária, para deliberar a respeito. Com a complexidade de encontrar novas datas e locais para a realização da Assembleia ainda este ano, decidiu-se transferi-la para 2026. A nova data é de 15 a 24 de abril. 

Entre os temas centrais da 62ª Assembleia Geral da CNBB estavam a missão da Igreja no Brasil e da realidade brasileira. De forma particular, destaque para a recepção do Sínodo sobre a Sinodalidade e aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).

Dentre os bispos que participam da Assembleia Geral, alguns são cardeais e se preparam para ir a Roma para o Conclave. Atualmente, o Brasil tem oito cardeais, dos quais sete votam, por não terem completado a idade de 80 anos, definida como limite para a participação como um cardeal eleitor. Mas todos podem ser votados. São eles:

– o arcebispo de São Paulo (SP), Cardeal Odilo Scherer (75 anos)

– o arcebispo emérito de Aparecida (SP), Cardeal Raymundo Damasceno Assis (88 anos)

– o arcebispo emérito de Brasília (DF), Cardeal João Braz de Aviz (77 anos)

– o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), Cardeal Orani João Tempesta (74 anos)

– o arcebispo de Salvador (BA), Cardeal Sérgio da Rocha (65 anos)

– o arcebispo de Brasília (DF), Cardeal Paulo Cezar Costa (57 anos)

– o arcebispo de Manaus (AM), Cardeal Leonardo Steiner (74 anos)

– o arcebispo de Porto Alegre (RS), Cardeal Jaime Spengler (64 anos)

 FONTE/CRÉDITOS: Com informações: CNBB

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu

Encontro marca 300 anos de evangelização com seminário, peregrinação e ordenação diaconal de jovem indígena.

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu
Fotos: Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima Fm

Nos dias 25 e 26 de abril de 2025, a Diocese de Roraima realizará o Jubileu dos Povos Indígenas, no Centro Indígena de Formação e Cultura (Surumu), na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, território marcado pela resistência e pela história de luta dos povos originários.

 O evento, que integra as comemorações pelos 300 anos de evangelização na região, também celebra o Jubileu da Esperança — convocado pelo Papa Francisco (In Memoriam) para 2025. Em meio à dor da perda do Pontífice, que dedicou seu pontificado aos pobres e marginalizados e à defesa dos povos indígenas, a Diocese optou por manter a programação como forma de honrar seu legado de esperança e compromisso com os mais vulneráveis.

Sob o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, a programação inclui reflexões, testemunhos, celebrações culturais e uma grande peregrinação, culminando com a Ordenação Diaconal do seminarista indígena Djavan André da Silva, um jovem Macuxi, se tornará o primeiro diácono de sua etnia. O momento celebra a harmonia entre a fé católica e as culturas tradicionais

Fotos: Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima Fm

“Surumu é um lugar sagrado de luta e esperança. Aqui, reafirmamos nosso compromisso com os povos originários, especialmente diante das ameaças do garimpo ilegal e do Marco Temporal”, destacou o bispo de Roraima, dom Evaristo Pascoal Spengler.

  Dom Leonardo Steiner, presidente do CIMI, dirigiu-se afetuosamente aos presentes, saudando especialmente os irmãos e irmãs indígenas. “Queridos irmãos e queridas irmãs, queridos irmãos indígenas, queridas irmãs indígenas, querido irmão Dom Evaristo.   Quantas lutas, quantas mortes, quantas lutas e quantas conquistas, porque viveram da esperança. A esperança fortifica o coração de cada um, de cada uma, e que essa luta nós possamos fazer juntos, para que a dignidade, a cultura, a fé de cada um, de cada uma, de cada povo, possa ser levada em consideração e sejam respeitadas. Deus abençoe a cada um. Vamos viver esse ano jubilar na esperança”, finalizou.

Programação

25 de abril – Sexta-feira

08h às 17h – Seminário “Memória e compromisso da Igreja de Roraima com

os povos indígenas”

Um espaço de escuta, partilha e análise sobre a caminhada da Igreja junto aos povos indígenas, reconhecendo lutas, avanços e desafios, à luz do Evangelho e da missão eclesial na Amazônia.

26 de abril – Sábado

08h30 – Concentração no Aeroporto de Surumu

09h00 – Peregrinação rumo ao Centro Indígena de Formação

Celebração Eucarística com a Ordenação Diaconal de Djavan André da Silva

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima fm