REPAM-Brasil avançam no diálogo sobre demandas da Amazônia com o Ministro Paulo Teixeira

O Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, recebeu, junto com sua equipe e o presidente do INCRA, César Fernando Schiavon Aldrighi, os bispos da Amazônia para uma devolutiva ao Caderno de Respostas, documento elaborado pelo governo a partir das reivindicações apresentadas pela REPAM-Brasil. O encontro, realizado no ministério, teve como objetivo fortalecer a interlocução entre as comunidades amazônicas e o governo federal, buscando soluções para os desafios enfrentados nos territórios.

A pauta, intitulada A Escuta aos Povos Amazônicos, foi entregue anteriormente à Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR) e sistematiza demandas coletadas em uma ampla consulta territorial. Essa iniciativa surgiu a partir de um compromisso assumido pelo ministro durante a primeira visita da REPAM-Brasil ao governo, em 2023.

Estiveram presentes na reunião Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM-Brasil; Dom Pedro Brito, vice-presidente; Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização; Irmã Irene Lopes, secretária executiva; e o assessor Melillo Dinis.

Entre as principais iniciativas debatidas, destacam-se a implementação de programas informativos, a criação de meios organizativos para facilitar o acesso das comunidades às políticas públicas e o desenvolvimento de um plano de mapeamento territorial.

“A dificuldade não está na inexistência de políticas públicas, mas no acesso a elas. Ribeirinhos, indígenas e extrativistas enfrentam barreiras burocráticas que os impedem de acessar direitos que já existem”, destacou Dom Ionilton Lisboa, bispo da Prelazia do Marajó.

Uma das soluções propostas durante o encontro foi o envolvimento de institutos técnicos e universidades em programas de extensão, facilitando o cadastramento, a documentação e o acesso a financiamentos e créditos. “Essas instituições podem desempenhar um papel fundamental na regularização documental, na estruturação da produção local e no apoio ao acesso aos editais disponíveis”, explicou o ministro Paulo Teixeira.

Além disso, foi definido um compromisso para ampliar a comunicação entre o governo e as comunidades, por meio da realização de lives explicativas sobre o acesso a programas, da elaboração de boletins informativos e da presença mais frequente de agentes públicos nos territórios.

“O tempo é agora. As comunidades precisam estar mobilizadas para garantir que os recursos disponíveis sejam utilizados de maneira eficaz e cheguem a quem mais precisa”, reforçou o ministro.

Dom Evaristo Spengler ressaltou a importância da continuidade desse processo de diálogo: “As questões do povo da Amazônia são sempre novas. Novas demandas surgem constantemente, e a REPAM tem essa missão de ouvir e trazer essas questões ao governo. Muita gratidão pelo idealismo com que vocês trabalham, buscando um mundo mais justo, com menos violência e mais fraternidade.”

Como desdobramento, foi instituído um grupo de trabalho interinstitucional para monitorar e apoiar a execução das iniciativas discutidas. “Nosso desafio é construir pontes entre os recursos disponíveis e as comunidades que mais necessitam, garantindo que o Estado esteja presente de forma ativa e eficiente”, concluiu o ministro Paulo Teixeira.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

 

Bispos da Amazônia se reúnem com Ministra dos Direitos Humanos para discutir violência e violações na região

Hoje, uma comitiva de bispos da Amazônia esteve com a Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. A reunião contou com a presença de Dom Evaristo Spengler, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Dom Pedro Brito, vice-presidente, Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização, Irmã Irene Lopes, secretária executiva, além do assessor da REPAM-Brasil, Melillo Dinis. O encontro reforçou a urgência de ações concretas diante da crescente violência no campo, nas florestas e nas águas da Amazônia.

A presidência da REPAM apresentou um panorama alarmante sobre os conflitos agrários na região, destacando a criminalização das lideranças comunitárias, ameaças de morte e a expulsão de famílias de seus territórios. Além disso, denunciaram a iminência de despejos em diversas comunidades e a impunidade nos assassinatos de lideranças camponesas e indígenas.

Outro ponto central da discussão foi o avanço do trabalho análogo à escravidão, especialmente no garimpo ilegal e na pecuária. O número de pessoas resgatadas dessas condições tem aumentado, evidenciando a fragilidade das políticas de fiscalização e combate a essas práticas.

Os bispos também relataram o crescimento das pressões ilícitas sobre defensores de direitos humanos e ambientais, a escalada da exploração e abuso sexual, além da presença de por facções criminosas e a vulnerabilidade das comunidades quilombolas e de assentamentos de trabalhadores sem-terra, frequentemente ameaçadas por patrulhas rurais que operam à margem da lei.

Além das denúncias, a reunião reafirmou a necessidade de fortalecer o diálogo entre a REPAM e o Ministério dos Direitos Humanos. Entre as prioridades discutidas estão o enfrentamento ao tráfico humano, o fortalecimento da rede de proteção a crianças e adolescentes no Marajó e a retomada do programa Escola de Conselhos, que visa capacitar conselheiros tutelares para lidar com as graves violações que afetam a juventude amazônica.

A REPAM segue comprometida com a defesa dos povos e territórios da Amazônia, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes para garantir justiça, dignidade e proteção às comunidades que há séculos preservam a floresta.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

 

Ministro Wellington Dias reforça compromisso com ações humanitárias em Roraima

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, reafirmou o compromisso do governo federal com as ações emergenciais voltadas à população migrante em situação de vulnerabilidade em Roraima. Durante reunião com representantes da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Cáritas Brasileira e outras entidades ligadas à assistência humanitária, o ministro destacou a necessidade de soluções ágeis para mitigar os impactos da suspensão do financiamento internacional de programas essenciais na região.

A reunião contou com a presença de Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM, Dom Pedro Brito, vice-presidente, Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização, Irmã Irene Lopes, secretária executiva, além do consultor da REPAM-Brasil, Melillo Dinis. O encontro abordou a interrupção de recursos oriundos dos Estados Unidos, que financiavam projetos de alimentação e instalações sanitárias para migrantes.

“Temos uma situação delicada que impacta diretamente milhares de pessoas em extrema vulnerabilidade. A suspensão desses recursos compromete o funcionamento de cozinhas solidárias, banheiros públicos e outros serviços essenciais. Precisamos agir com urgência para garantir a continuidade dessas iniciativas”, afirmou Dom Evaristo. 

Impacto da suspensão de recursos

Repam, assumiu esse tema da Amazônia e da Cáritas Brasil, que é membro fundador da rede. Desde 27 de janeiro, a Cáritas Brasileira foi surpreendida com o corte dos recursos internacionais que sustentavam dois programas essenciais em Boa Vista e Pacaraima. O Programa de Alimentação, que fornecia cerca de 1.800 refeições diárias, e o Projeto Orinoco, responsável pela oferta de banheiros, chuveiros, lavanderia e acesso à água potável, foram diretamente afetados. O orçamento previsto para 2025 incluía US$ 1,5 milhão para alimentação e US$ 800 mil para infraestrutura sanitária, valores que agora estão comprometidos.

As organizações alertam que essa suspensão afeta especialmente migrantes em situação de rua e ocupações, um público que não se enquadra nos critérios da Operação Acolhida, coordenada pelo governo federal.

Compromisso do governo e soluções emergenciais

Diante do cenário crítico, o ministro Wellington Dias anunciou medidas para garantir a manutenção dos serviços humanitários. Em diálogo com o Ministério da Integração, Defesa Civil Nacional e outros órgãos federais, foi determinada a busca por soluções emergenciais. Uma das estratégias envolve a ampliação das cozinhas solidárias, com possibilidade de integração com programas de qualificação profissional para migrantes.

“Estamos trabalhando para garantir que esses serviços essenciais continuem funcionando. Além de assegurar a alimentação e higiene básica, queremos oferecer oportunidades para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas com dignidade”, destacou o ministro.

A expectativa é que, até meados de maio, o governo consiga definir um modelo de financiamento complementar para suprir as lacunas deixadas pela suspensão dos repasses internacionais.

Na reunião, o ministro reafirmou seu compromisso por meio de um vídeo, destacando a importância do trabalho da REPAM Brasil na região amazônica e sua integração com outros países. 

O ministro ressaltou a preocupação com a retirada de apoio internacional, que agravou ainda mais as dificuldades enfrentadas na região. Como resultado da reunião, foi acordada uma parceria entre a NBS e o governo federal em duas frentes: uma voltada à segurança alimentar e outra à criação de uma casa de passagem para acolhimento, garantindo atendimento adequado às pessoas que não estão em abrigos, mas que já vivem nas cidades próximas.

Ele enfatizou ainda a necessidade de garantir respostas emergenciais enquanto se trabalha em soluções mais duradouras para o atendimento e a dignidade dessas populações vulneráveis.

Próximos passos

O governo federal segue em articulação com entidades da sociedade civil, organismos internacionais e outros ministérios para buscar soluções definitivas para a crise humanitária em Roraima. A prioridade, segundo Wellington Dias, é evitar que milhares de pessoas fiquem sem acesso a alimentação, higiene e condições mínimas de dignidade.

“Nossa missão é garantir que ninguém seja deixado para trás. Vamos seguir trabalhando para manter e fortalecer essas ações, porque cuidar das pessoas é a nossa prioridade”, concluiu o ministro.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

Bispos da Amazônia se reúnem com a presidente da FUNAI para discutir demarcações e desafios dos povos indígenas

Nesta quarta-feira, os bispos da Amazônia realizaram uma visita à sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), onde foram recebidos pela presidente Joenia Wapichana para debater temas urgentes relacionados à proteção dos territórios indígenas, regularização fundiária e desafios enfrentados na região amazônica.

O encontro contou com a presença de Dom Evaristo Spengler, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Dom Pedro Brito, vice-presidente, e Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização, Irmã Irene Lopes, secretária executiva, além do consultor da REPAM-Brasil, Melillo Dinis. Durante a reunião, foram discutidas a necessidade de acelerar a demarcação de terras indígenas, os impactos de grandes obras de infraestrutura sobre os territórios tradicionais e a situação emergencial dos Yanomami em Boa Vista.

Os bispos reforçaram a urgência da demarcação de terras, destacando que os povos indígenas seguem vulneráveis diante de invasões e ameaças. Em resposta, a presidente da FUNAI ressaltou os avanços recentes, incluindo a atuação de 153 grupos de trabalho na Amazônia para destravar processos que estavam paralisados há mais de uma década. Além disso, mencionou o reforço no quadro de servidores, com 502 novos profissionais que ingressarão na FUNAI para substituir cerca de 500 servidores que estão se aposentando este ano.

Outro ponto central do debate foi a Portaria Interministerial nº 60, que regulamenta obras de infraestrutura em terras indígenas. Os bispos manifestaram preocupação com os impactos desses empreendimentos e reforçaram a necessidade de garantir que as decisões respeitem os direitos dos povos originários.

A crise dos Yanomami em Boa Vista também foi abordada, com relatos sobre a migração forçada desse povo e as dificuldades enfrentadas para garantir assistência e proteção adequada. A presidente da FUNAI destacou os esforços para fortalecer a presença do órgão na Amazônia, incluindo a revitalização da infraestrutura e dos meios de transporte, essenciais para que as equipes técnicas possam atuar de maneira mais eficiente nos territórios indígenas.

O encontro reforçou o compromisso conjunto da Igreja e da FUNAI na defesa dos povos indígenas e na busca por políticas públicas que garantam seus direitos, segurança e dignidade

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

REPAM-Brasil e CRB fortalecem parceria em defesa da Amazônia

Nesta quarta-feira, a REPAM-Brasil esteve na sede da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) para um encontro estratégico de fortalecimento das alianças entre as duas entidades. Estiveram presentes Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM-Brasil, Dom Pedro Brito, vice-presidente, Dom Ionilton Lisboa, secretário da Repam e Irmã Maria Irene Lopes.

Durante a reunião, foram discutidas ações conjuntas em prol das mobilizações em defesa da Amazônia e do papel essencial da vida religiosa na região. O encontro reafirmou o compromisso mútuo de atuação em rede para a promoção da justiça socioambiental e a defesa dos povos amazônicos.

Dom Evaristo Spengler destacou a importância da presença da vida religiosa na Amazônia, ressaltando que, sem ela, a região estaria enfraquecida. “A vida religiosa é um pilar fundamental na defesa da Amazônia, não apenas pelo trabalho social e pastoral, mas também pelo compromisso com os povos originários e comunidades tradicionais”, afirmou.

A parceria entre a REPAM-Brasil e a CRB segue se consolidando como um elo fundamental para o fortalecimento da missão eclesial e socioambiental na Amazônia, promovendo ações concretas em prol da casa comum.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

 

REPAM-Brasil participa do lançamento do Plano Regional de Mitigação dos Impactos do Mercúrio na Amazônia da WWF

A REPAM-Brasil esteve presente no lançamento do Plano Regional de Mitigação dos Impactos do Mercúrio no Ambiente Amazônico e em suas Populações, iniciativa promovida pela WWF. O evento reuniu especialistas, organizações e lideranças comprometidas com a defesa socioambiental da Amazônia.

O garimpo de ouro, uma atividade que remonta ao período colonial, tem se intensificado de forma alarmante nas últimas décadas. Além de alimentar o mercado global de metais preciosos, essa prática sustenta uma economia clandestina, marcada pela ilegalidade e pela exploração descontrolada dos recursos naturais. O uso indiscriminado do mercúrio na extração do ouro causa impactos devastadores à biodiversidade e à saúde das populações amazônicas, comprometendo a segurança alimentar, a qualidade da água e os meios de subsistência das comunidades tradicionais.

Durante o evento, Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM-Brasil, destacou sua experiência em Roraima e os desafios enfrentados devido à ausência de uma legislação eficaz sobre o comércio de ouro e mercúrio. Ele alertou para a rota ilegal desses materiais na Amazônia e os danos irreversíveis que a atividade garimpeira provoca no meio ambiente e nas populações locais.

A REPAM-Brasil reafirma seu compromisso com a proteção da Casa Comum e com a defesa dos povos da Amazônia, somando esforços para a construção de políticas públicas que promovam a justiça socioambiental e a preservação dos territórios amazônicos.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônico

Cáritas Brasileira e REPAM-Brasil unem esforços para fortalecer ações em apoio a migrantes e refugiados em Roraima

A Cáritas Brasileira, representada por Valquíria Lima, Diretora Executiva, esteve presente na sede da REPAM-Brasil, acompanhada da sua presidência, para apresentar projetos e a realidade enfrentada pelos migrantes, refugiados, apátridas e retornados em Roraima. Durante a reunião, foi solicitado apoio para as Ações Urgentes em Prol dos Migrantes, Refugiados, Apátridas e Retornados, projeto que ocorre na Diocese de Roraima, presidida por Dom Evaristo Spengler, que também é presidente da REPAM-Brasil.

A articulação dos Serviços aos Migrantes e Refugiados da Diocese de Roraima (ASEMIR), composta por diversas organizações da sociedade civil, denuncia as condições precárias enfrentadas por esses grupos em Roraima. Desde 2015, a migração venezuelana se intensificou na região, afetando profundamente sua estrutura social e territorial. Apesar da Operação Acolhida, muitos migrantes continuam fora dos abrigos, vivendo em vulnerabilidade severa em ocupações informais e nas ruas, devido à falta de políticas públicas adequadas.

Diante deste cenário, propomos uma ação articulada entre o Ministério:

Ministério da Justiça:

  • Reforço das políticas de combate ao tráfico de pessoas.
  • Sensibilização de agentes públicos e criação de políticas públicas para combater a xenofobia institucional.
  • Fortalecimento das redes de proteção comunitária para vítimas de violência e exploração.
  • Apoio à criação de um Centro de Referência para a População Migrante e Refugiada em Roraima.
  • Ampliação das campanhas de combate à xenofobia e ao racismo estrutural.

Este conjunto de ações visa enfrentar os desafios enfrentados por migrantes e refugiados em Roraima, promovendo políticas públicas mais inclusivas e eficazes. Agradecemos o apoio contínuo na defesa dos direitos humanos e no acolhimento digno a todos aqueles que buscam refúgio e oportunidades em nosso país.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

 

REPAM-Brasil e Instituto Pan-Amazônico discutem parcerias para fortalecer a defesa da Amazônia

Na manhã desta terça-feira, a REPAM-Brasil recebeu representantes do Instituto Pan-Amazônico (IPA), para um encontro voltado à apresentação do IPA e à construção de possíveis parcerias. Ambas as instituições compartilham a missão de promover a preservação do bioma amazônico e a defesa dos direitos das comunidades que habitam a região.

Participaram da reunião os bispos da Amazônia Dom Evaristo Spengler, bispo de Roraima e presidente da REPAM; Dom Pedro Brito, arcebispo de Palmas e vice-presidente; Dom Ionilton Lisboa, bispo da Prelazia de Marajó e secretário da REPAM; Irmã Irene Lopes, secretária executiva da REPAM; e Melillo Dinis, assessor jurídico da entidade.

Durante o encontro, foi discutida a importância de apoiar e fortalecer iniciativas amazônicas por meio de redes da sociedade civil. Um dos principais desafios abordados foi a necessidade de estruturar um diálogo permanente entre a sociedade civil e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), visando ampliar a participação das populações amazônicas na construção de políticas públicas.

A REPAM destacou seu compromisso com a preservação do bioma amazônico em um contexto integral, atuando junto à OTCA para garantir que as vozes das comunidades sejam ouvidas nos espaços de decisão. A iniciativa também reforça a necessidade de promover os Diálogos Amazônicos, um espaço de escuta e articulação nos territórios, que contribuirá para a construção de uma agenda coletiva para a região.

Um dos pontos centrais da reunião foi a importância da próxima Cúpula de Presidentes da Amazônia, que será realizada na Colômbia. A REPAM e o IPA concordaram que é essencial mobilizar recursos e elaborar um documento robusto de recomendações a ser apresentado aos chefes de Estado antes do encontro. O objetivo é garantir que as demandas da sociedade civil amazônica sejam consideradas nas decisões políticas de alto nível, promovendo ações concretas para a proteção da floresta e dos povos da Amazônia.

Com esse diálogo contínuo e estruturado, a REPAM-Brasil reafirma seu compromisso com a justiça socioambiental e a construção de um futuro sustentável para a Amazônia e suas populações

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

Bispos da Amazônia reforçam urgência de ações ambientais e sociais em reunião com Ministério do Meio Ambiente, IBAMA e ICMBio

Em uma reunião estratégica realizada no Ministério do Meio Ambiente, os bispos da Amazônia apresentaram as principais preocupações e demandas dos territórios, com a participação de representantes do IBAMA e do ICMBio. O encontro focou na crise socioambiental e climática que afeta a região, destacando a urgência de políticas públicas eficazes e estruturadas.

Os bispos da Amazônia foram representados por Dom Evaristo Spengler, bispo de Roraima e presidente da REPAM; Dom Pedro Brito, arcebispo de Palmas e vice-presidente; Dom Ionilton Lisboa, bispo da Prelazia de Marajó e secretário da REPAM; além de Dom Ricardo Höepers, secretário-geral da CNBB; Padre Leandro Megeto, subsecretário-geral; Irmã Irene Lopes, secretária executiva da REPAM e Melillo Dinis, assessor Jurídico. Durante a reunião, reforçaram a necessidade de ações urgentes para enfrentar os desafios ambientais e sociais na Amazônia.

Os bispos apresentaram um panorama atualizado da situação socioambiental, baseado na escuta realizada em 2023 junto às comunidades locais. “O olhar sobre as riquezas da Amazônia tem sido maior do que o olhar sobre as pessoas que nela vivem”, alertaram, denunciando a ausência de medidas concretas para proteger as populações tradicionais e garantir uma transição justa para uma economia sustentável.

A reunião abordou temas centrais como infraestrutura, a conjuntura da Amazônia no contexto da COP30 e o fortalecimento dos órgãos ambientais na região. A REPAM destacou o agravamento da emergência climática, evidenciado por eventos extremos que impactam diretamente as populações amazônicas.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reafirmou o compromisso do governo em manter um diálogo aberto e buscar soluções concretas para os desafios apresentados. Entre os pontos destacados, estão o fortalecimento dos órgãos ambientais, com novos concursos para IBAMA e ICMBio, e a ampliação da presença do Estado na Amazônia.

A REPAM-Brasil seguirá acompanhando o avanço das pautas e mobilizando esforços para garantir justiça socioambiental na região. A COP30 e a Cúpula do Tratado de Cooperação Amazônica são vistas como oportunidades estratégicas para reforçar ações climáticas e buscar financiamento adequado para a proteção dos territórios e populações amazônicas.

Ao final da reunião, os representantes do governo reafirmaram o compromisso de manter um diálogo contínuo para ouvir as reivindicações dos povos da Amazônia e encontrar soluções concretas para os desafios enfrentados.

Desafios e perspectivas para a Amazônia

O encontro também abordou a importância da continuidade do diálogo e da construção de parcerias, com foco na proteção ambiental e na justiça social. Foram reconhecidos avanços na reconstrução das políticas públicas voltadas à Amazônia, incluindo a redução do desmatamento e o fortalecimento de órgãos ambientais. “Estamos fortalecendo o IBAMA e o ICMBio, com concursos para novos servidores, como parte desse processo”, destacou a ministra Marina Silva.

Outro ponto central da reunião foi a necessidade de combater o crime ambiental e o garimpo ilegal, destacando o envolvimento do crime organizado na Amazônia e a importância de ampliar a presença do Estado na região. Além disso, foram debatidos os impactos da contaminação ambiental, como a qualidade do ar e a poluição por mercúrio, que afetam diretamente a saúde das comunidades locais. Em 2023, a rede de monitoramento da qualidade do ar foi ampliada de poucos sensores para 127, revelando que as cidades amazônicas apresentam a pior qualidade do ar do Brasil nos últimos 20 anos, devido às queimadas e ao uso de diesel.

O monitoramento da contaminação por mercúrio, realizado com o apoio de órgãos como IBAMA e FUNAI, também trouxe dados alarmantes sobre os níveis de poluição no solo, na água e até no sangue das populações afetadas pelo garimpo ilegal. No entanto, a conscientização sobre esses impactos ainda enfrenta desafios para ganhar amplitude no debate público.

A seca extrema na Amazônia foi outro ponto discutido, ressaltando a necessidade de um plano federal de contingência, já que os impactos ambientais agora afetam diversas regiões do Brasil. O governo tem buscado integrar diferentes setores para desenvolver estratégias mais efetivas diante dessa crise.

A COP30 e os desafios do financiamento climático

Sobre a COP30, enfatizou-se a necessidade de implementar ações concretas para o enfrentamento das mudanças climáticas, indo além da definição de diretrizes. O grande desafio global está na garantia de financiamento adequado para países vulneráveis, com uma meta de US$ 1,3 trilhão anuais. No entanto, a COP29 só conseguiu assegurar US$ 300 bilhões, evidenciando o déficit de investimentos.

A posição dos Estados Unidos foi mencionada como um entrave para avanços significativos, mas há expectativas de que a pressão interna e internacional possa levar a um maior comprometimento do país na agenda climática.

Com a proximidade da COP30, a REPAM reforça a importância de uma abordagem integrada e articulada, que leve em consideração a realidade dos povos amazônicos e garanta soluções sustentáveis e justas para a região.

Fonte: REPAM – Rede Eclecial Pan-Amazônica

Análise da Conjuntura da Amazônia – desafios socioambientais na Amazônia

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) promoveu uma reunião de Análise da Conjuntura da Amazônia, reunindo especialistas, lideranças e a presidência da REPAM-Brasil para discutir estratégias e preparações para a COP30, além de abordar os desafios socioambientais que impactam a região.

Durante o encontro, Melillo Dinis, consultor jurídico da REPAM, destacou: “A COP30 deve ser encarada como um processo contínuo de mobilização e não apenas como um evento pontual”, reforçando a importância da participação ativa dos povos amazônicos em todas as etapas da conferência. Mayara apresentou a estratégia de comunicação coletiva, enfatizando a necessidade de democratizar o acesso à informação e dar visibilidade às pautas das comunidades tradicionais.

Os impactos do mercúrio proveniente do garimpo ilegal foram um dos temas centrais da reunião. Dom Evaristo, presidente da REPAM, e Melillo alertaram para os riscos da contaminação dos rios e os danos à saúde das populações indígenas. Além disso, foi debatida a insegurança gerada pelo marco temporal, que ameaça os direitos dos povos originários.

A mobilização territorial foi outro ponto de destaque. Robervone Nascimento da Tenure sugeriu: “Ampliar a articulação dos movimentos dentro da Cúpula dos Povos, com a realização de seminários e campanhas para fortalecer essa participação.” Mayara Lima, da comunicação da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, explicou que já atuam em diversas frentes nesse espaço, buscando garantir a representatividade das comunidades amazônicas nos debates globais.

Entre os desafios e estratégias para o futuro, Sérgio Floro da Cáritas Suiça destacou a possibilidade de integrar experiências do Nordeste e da Amazônia por meio da transferência de tecnologias sociais. Cecília Iorio da Cafod, por sua vez, questionou as áreas prioritárias de atuação da REPAM na organização da COP30, ressaltando a importância de um planejamento estruturado.

Dom Pedro e Dom Nereudo encerraram a reunião reforçando: “A necessidade de um olhar amplo e inclusivo para os desafios amazônicos, envolvendo diferentes setores da sociedade na defesa do meio ambiente e dos direitos humanos.” Dom Pedro deixou uma mensagem de esperança, ressaltando que a luta por justiça socioambiental exige persistência e compromisso coletivo.

A reunião evidenciou a complexidade dos desafios enfrentados na Amazônia e a importância da COP30 como catalisadora de ações concretas. A REPAM segue comprometida em fortalecer o diálogo e a colaboração entre comunidades, lideranças e organizações internacionais para garantir que a voz da Amazônia seja ouvida nos espaços de decisão global.

Fonte: REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica