A formação, realizada ao longo de três dias, abordou temas administrativos e a sinodalidade na Diocese.
A Diocese de Roraima realizou, entre os dias 15 e 17, na Prelazia, uma formação voltada ao serviço de secretaria. O encontro reuniu padres, religiosos (as), voluntários (as) e secretários (as) de diferentes realidades.
Durante os três dias, os participantes estudaram temas administrativos e refletiram sobre a sinodalidade como caminho de atuação. A formação destacou a importância da escuta, da colaboração e da organização no atendimento às comunidades.
A irmã Ana Maria, das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, afirmou que o encontro contribuiu para o crescimento pessoal e pastoral. Recém-chegada à Diocese, ela destacou a importância de compreender a realidade antes de atuar.
“Este serviço me humaniza, fortalece a minha relação com as pessoas, com a realidade e comigo mesma. Eu não venho da área administrativa, minha experiência é na educação, na escola e na formação, e agora também estou nesse processo de aprendizado. A sinodalidade nos pede abertura e disponibilidade. Precisamos ter essa capacidade de olhar e ajudar as comunidades. Esse conhecimento tem me enriquecido e me capacitado para melhor servir.”, destacou a religiosa.
A voluntária Zaneth Souza, da Missão Indígena Surumu, ressaltou que a experiência representa um novo passo na missão. Segundo ela, a comunidade ainda não possui um espaço estruturado de secretaria, mas pretende iniciar esse trabalho com base no que aprendeu.
A formação reforça o compromisso da Diocese com a organização dos serviços e o apoio às comunidades.
A CRNM é o principal instrumento de identificação do imigrante no Brasil.
SPM
No último dia 15 de abril, a cidade de Boa Vista foi palco de uma mobilização essencial para a garantia de direitos e a promoção da dignidade humana. O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), em uma atuação conjunta com a Cáritas Diocesana de Roraima e a Polícia Federal, promoveu uma força-tarefa dedicada à entrega de Cédulas de Registro Nacional Migratório (CRNM). A ação, que se estendeu ao longo dos períodos da manhã e da tarde, resultou no atendimento de mais de 750 pessoas, consolidando-se como um marco na rede de apoio local.
A entrega deste documento representa muito mais do que uma formalidade administrativa; a CRNM é o principal instrumento de identificação do imigrante no Brasil, assegurando o seu reconhecimento legal perante o Estado. Com a cédula em mãos, esses novos moradores passam a ter acesso facilitado a serviços públicos essenciais, como saúde e educação, além de estarem aptos a ingressar formalmente no mercado de trabalho e realizar transações civis, passos fundamentais para a plena integração na sociedade brasileira.
A iniciativa, realizada na Casa da Caridade, reforça o compromisso das instituições envolvidas em oferecer não apenas assistência imediata, mas soluções duradouras para quem busca proteção e uma nova oportunidade de vida. A parceria entre a expertise técnica da Polícia Federal e o olhar humanizado do SPM e da Cáritas demonstra a eficácia do trabalho em rede, garantindo que o acolhimento e o cuidado caminhem lado a lado com a regularização documental e o fortalecimento da cidadania em Roraima.
FONTE/CRÉDITOS: Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima
A tradicional troca do manto ocorre no dia 11 de outubro, dentro da programação festiva em honra à Padroeira do Brasil, em Boa Vista.
Foto: João Felipe
O Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista, definiu, nesta terça-feira (14), o manto que vestirá a imagem da Padroeira durante a festa de outubro de 2026.
As Irmãs Carmelitas do Carmelo de Aparecida (SP), confeccionarão a peça. As religiosas também são responsáveis pelo bordado do manto anual da imagem original de Nossa Senhora Aparecida.
Segundo o reitor do Santuário, Padre Luiz Botteon, o novo modelo destaca um elemento simbólico ligado à fé do povo roraimense: um caminho com pegadas que leva à fachada atual da Igreja Nossa Senhora Aparecida de Boa Vista.
A prévia apresentada mostra a proposta inicial do manto. A peça ainda receberá novos detalhes inspirados na cultura e na realidade de Roraima.
A comunidade realizará a tradicional troca do manto no dia 11 de outubro, dentro da programação festiva em honra à Padroeira. O gesto expressa a devoção dos fiéis e reforça o carinho do povo católico de Boa Vista por Nossa Senhora Aparecida.
Na manhã desta quarta-feira (15), a Igreja no Brasil deu início à 62ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP). Bispos de todo o país participam do encontro, que busca refletir sobre os desafios e as oportunidades do tempo presente, à luz do Evangelho e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
O Cardeal da Amazônia, Dom Leonardo Steiner, destacou que os bispos estão reunidos para rezar, refletir e decidir em comum, sempre em favor da evangelização da Igreja no Brasil.
“Rezem por nós, para que, à luz do Espírito Santo, possamos tomar as melhores decisões para a nossa querida Igreja no Brasil”, destacou.
O pedido reforça o espírito de comunhão e discernimento que marca a Assembleia, um dos momentos mais importantes da caminhada da Igreja no país.
Na mensagem, o Santo Padre saudou cordialmente os participantes do encontro, reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e recordou a alegria da Ressurreição de Cristo como fonte de esperança para a missão da Igreja.
“Com a alegria e a esperança que nos vêm da boa nova da Ressurreição do Senhor, saúdo cordialmente a todos vós”, escreveu o Papa.
Leão XIV retomou também a saudação “A paz esteja convosco”, dirigida aos fiéis na Praça São Pedro após sua eleição como Sucessor de Pedro. Segundo ele, a atual realidade internacional, marcada por guerras e tensões, exige uma oração insistente pela paz.
“Num mundo marcado por violentos conflitos armados, devemos com urgente insistência suplicar ao Príncipe da Paz que ilumine os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais”, afirmou.
O Papa destacou ainda que a verdadeira paz não se resume à ausência de conflitos, mas nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da fraternidade entre os povos.
Na mensagem, Leão XIV recordou o ensinamento da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, ao afirmar que todos são “iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade”.
A 62ª Assembleia Geral da CNBB reúne bispos de todo o Brasil para momentos de oração, reflexão e deliberação sobre temas importantes para a vida da Igreja no país. Entre os assuntos debatidos estão as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, além de temas pastorais e sociais.
A mensagem do Papa foi recebida com gratidão pelos participantes da Assembleia, reforçando a comunhão entre a Igreja no Brasil e a Santa Sé.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal.
A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal
Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.
Painel da 59ª AG CNBB
Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente.
Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.
Discernimento Pastoral
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.
A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação
A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.
Consolidação e aprofundamento em 2024
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.
A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.
Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto
Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.
A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso:
“Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma.
Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das Diretrizes.
Dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Equipe de Elaboração das DGAE
Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.
“Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão final e votação em 2026
Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação.
Conselho Permanente reunido em março de 2026
O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto.
“Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica.
Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:
“Uma das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.
Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos reunidos em Assembleia:
“A equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”, afirma.
O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.
Um marco para a Igreja no Brasil
A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.
Composição atual da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS) Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM) Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP) Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN) Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT) Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE) Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB
No âmbito de sua missão pastoral e compromisso com os povos amazônicos, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), na pessoa de seu Secretário Executivo, Marcelo Lemos, visitou a comunidade indígena migrante Warao em Janoko, localizada no município de Cantá, no estado de Roraima, Brasil, em 10 de abril de 2026.
Uma Igreja que caminha com o povo.
A presença da Igreja nesta comunidade é resultado de um processo de colaboração entre a Igreja Católica e organizações da sociedade civil, que têm apoiado populações indígenas migrantes e refugiadas, especialmente o povo Warao da Venezuela.
A comunidade Warao em Janoko se estabeleceu como um espaço de acolhimento, organização e reconstrução de vidas, onde a identidade cultural, a espiritualidade e as redes comunitárias permanecem pilares fundamentais.
Um gesto que une a Amazônia à Igreja universal.
Durante a visita, foi relembrado um gesto significativo que expressa a voz e a dignidade do povo Warao: há seis meses, a CEAMA facilitou a entrega de cartas e de uma chinchorro (rede) feita com fibra de buriti, tecida por um artesão Warao, ao Papa Leão XIV.
Este símbolo, profundamente enraizado na cultura amazônica, representa repouso, encontro e comunidade, e foi apresentado como um sinal de esperança e comunhão entre os povos amazônicos e a Igreja universal.
Ouvir para responder: demandas da comunidade
Em um espaço de diálogo fraterno, líderes comunitários — incluindo o chefe Biasy Pinto — juntamente com representantes de grupos familiares, compartilharam suas principais preocupações e necessidades.
Dentre os processos judiciais apresentados, destacam-se os seguintes:
Segurança alimentar , como condição básica para uma vida digna.
Sustentabilidade comunitária, especialmente a reinstalação de fogões solares que promovem a independência energética.
A educação indígena concentra-se no fortalecimento das línguas, da identidade cultural e dos processos educacionais a partir de sua cosmovisão.
Essas reivindicações refletem não apenas necessidades urgentes, mas também o anseio por um desenvolvimento abrangente que respeite a dignidade, a cultura e os direitos dos povos indígenas.
Uma missão que se faz presente
Esta visita reafirma o compromisso da CEAMA com uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e missionário, que escuta, acompanha e age ao lado dos povos mais vulneráveis do território.
Em contextos marcados pela migração, pobreza e exclusão, a Igreja continua a ser um sinal de esperança, promovendo processos de articulação, defesa dos direitos e cuidado com a vida.
A presença em Janoko é uma expressão concreta de uma Igreja que caminha com o povo, reconhecendo nele sujeitos de vida, sabedoria e esperança para a Amazônia e o mundo.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta segunda-feira, 13 de abril, uma nota de apoio ao Papa Leão XIV em razão da defesa firme do Evangelho, pelo Santo Padre, no contexto das guerras no Oriente Médio. Confira, abaixo, a íntegra da Nota da CNBB.
CNBB une-se ao Papa Leão XIV em defesa da paz e do diálogo
A autoridade espiritual e moral do Papa não se orienta pela lógica do confronto político, mas pela fidelidade ao Evangelho, que continuamente eleva a voz em defesa da paz, da dignidade humana e do diálogo entre os povos. Nesse espírito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil une-se a Sua Santidade, Papa Leão XIV, reafirmando a comunhão e a unidade em torno desses valores evangélicos que iluminam a consciência cristã e sustentam a esperança da humanidade.
Cardeal Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre – RS Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Arcebispo de Goiânia – GO 1º vice-presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Arcebispo de Olinda e Recife – PE 2ª vice-presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers Bispo auxiliar de Brasília – DF Secretário-geral da CNBB
“Venho como um irmão”: assim Leão XIV se expressou em seu primeiro discurso em terras argelinas. Ao deixar o aeroporto internacional de Argel, a meta foi o Monumento dos Mártires, que recorda os mortos durante a independência do colonialismo francês.
Papa discursa pela primeira vez em Argel (@Vatican Media)
Ao desembarcar no Aeroporto internacional Houari Boumédiène, o Papa foi acolhido pelo Núncio Apostólico, Dom Javier Herrera Corona, e pelo Chefe de Protocolo da Argélia, que subiram a bordo para saudar o Santo Padre. Em terra, ao pé da escada dianteira do avião, o aguardava o Presidente da República, Abdelmadjid Tebboune, enquanto ressoavam 21 salvas de canhão. Uma menina em trajes típicos ofereceu flores e o Santo Padre foi acompanhado ao Salão de Honra para um breve encontro privado com o Presidente argelino. De lá, Leão XIV percorreu cerca de 18 km para o primeiro evento oficial no Memorial dos Mártires (Maqam Echahid), monumento icônico de concreto, inaugurado em fevereiro de 1982 pelo presidente Chadli Bendjedid, por ocasião do 20º aniversário da independência. Com mais de 90 metros de altura, representa três folhas de palmeira estilizadas, em homenagem aos que perderam a vida na luta contra o colonialismo francês.
O Pontífice foi recebido ao pé da escadaria do Monumento por um ministro. Em seguida, subiu as escadas, acompanhado por dois oficiais superiores da Guarda argelina, que transportaram uma coroa de flores, e passou em revista a Guarda de Honra. No topo, houve a deposição da coroa de flores. Após a execução do hino, seguiu-se um momento de silêncio para prestar homenagem aos mártires. Em seguida, o Papa e o Ministro dirigem-se para o lado esquerdo do terraço, para uma vista do porto de Argel e a foto oficial. Deslocam-se então para o lado oposto, onde uma multidão de cerca de 5.000 pessoas aguardava a saudação do Papa.
As-salamu alaykom!(A paz esteja convosco!)
Com a saudação da paz em árabe, o Papa Leão iniciou seu primeiro discurso em terras argelinas. “É sobretudo um irmão que se apresenta diante de vocês”, disse o Santo Padre, enaltecendo a hospitalidade e fraternidade do povo “forte e jovem”, como teve a oportunidade de experimentar enquanto religioso. No coração argelino, afirmou, “a amizade, a confiança e a solidariedade não são meras palavras, mas valores que contam e tornam calorosa e sólida a vida em comum”.
Leão XIV discorreu brevemente sobre a longa história rica em tradições, que remonta aos tempos de Santo Agostinho e muito antes ainda. Uma história também dolorosa, marcada por períodos de violência, que o povo soube superar graças “à nobreza de espírito”. Visitar este Monumento, portanto, “é uma homenagem a esta história, e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação”.
A verdadeira luta pela libertação, acrescentou, só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações: “Sei como é difícil perdoar. Todavia, enquanto os conflitos continuam a multiplicar-se em todo o mundo, não se pode acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração”.
“O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz. Por fim, a justiça triunfará sempre sobre a injustiça, e a violência, apesar das aparências, nunca terá a última palavra.”
Leão XIV falou de outro aspecto central que pertence ao patrimônio argelino, que é a fé em Deus. “Um povo que ama a Deus possui a riqueza mais verdadeira e o povo argelino conserva esta joia no seu tesouro. O nosso mundo precisa de fiéis assim, de homens e mulheres de fé, sedentos de justiça e unidade.”
Foi este o testemunho que deram os mortos que se honram neste Monumento. Eles perderam a vida, mas num outro sentido, entregaram-na por amor ao seu povo. “A sua história sustente o povo argelino e todos nós no nosso caminho, pois a verdadeira liberdade não se herda simplesmente, mas escolhe-se todos os dias.” Leão XIV concluiu seu discurso repetindo as palavras de Jesus aos discípulos, no chamado Sermão da Montanha:
«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3-10).
Pontífice visitará Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial entre 13 e 23 de abril.
Foto: @Vatican Media
Primeiro, a Argélia, depois três países que não veem um Papa há trinta anos: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Leão XIV prepara-se para a sua viagem mais longa, à África, de 13 a 23 de abril: quatro países, onze dias e uma dezena de cidades, onde falará em inglês, francês, português e espanhol. Na sua terceira viagem apostólica, depois da Turquia, do Líbano e do Principado do Mônaco, o Pontífice estadunidense irá mergulhar num mundo multifacetado de línguas, culturas, histórias e tradições diversas, explorando as realidades complexas, feridas pela violência, pelo fundamentalismo e pela tragédia da migração, mas marcadas pelo entusiasmo das novas gerações, pelo papel de liderança das religiões na busca da paz e pelo desafio da coexistência entre diferentes confissões.
Os precedentes dos Pontífices
Na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, descreveu a viagem papal e destacou todas as suas nuances e pontos principais durante a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas da imprensa internacional que acompanharão Leão XIV em suas diversas etapas. Segundo o porta-voz do Vaticano, esses são lugares “que um Pontífice não visita há muitos anos” e, no caso da Argélia, “onde um Papa nunca esteve antes”. João Paulo II visitou Camarões em 1985, como parte de uma longa peregrinação ao Continente Africano. Depois, Bento XVI em 2009, antes de viajar para Angola, onde Wojtyla já tinha ido em 1992. Wojtyla, por sua vez, fez uma parada na Guiné Equatorial em 1982, em sua segunda viagem apostólica à África (a primeira foi em 1980). O Papa Francisco, no entanto, nunca esteve em nenhum desses países, apesar de ter visitado dez países da África.
“É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por diversos povos e mundos”, enfatizou Bruni, descrevendo gradualmente as várias etapas da viagem.
Na Argélia, seguindo os passos de Santo Agostinho
Primeira etapa: Argélia, uma terra impregnada pelo testemunho e legado de Santo Agostinho, o pai da ordem religiosa à qual Robert Francis Prevost pertence. O próprio Leão XIV já havia antecipado essa visita no voo de volta de Beirute, quando — em resposta a perguntas de jornalistas sobre futuras viagens — revelou seu destino: África, acrescentando seu desejo de “visitar os lugares de Santo Agostinho”, mas também de continuar “o diálogo, a construção de pontes entre os mundos cristão e muçulmano”, para o qual o Bispo de Hipona é uma figura respeitada. Prevost já tinha viajado diversas vezes a Argel e Annaba no passado como Superior Geral dos Agostinianos. Agora, ele retorna como Papa e peregrino a uma “terra de testemunho cristão antigo e moderno”: não apenas Santo Agostinho, mas também os cristãos do Norte da África na época romana e a experiência de Charles de Foucauld no deserto do sul do país entre os tuaregues. Os sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas, assassinados na década de 1990, e os outros 19 religiosos de diversas ordens foram beatificados pelo Papa Francisco em 2018. “Uma terra de grande sofrimento”, disse Bruni, e também um lugar “profundamente amado”, cuja localização geográfica, entre o deserto e o Mar Mediterrâneo — aquele que tantos africanos tentam atravessar — dará uma oportunidade para abordar a questão da migração. Bruni também observou que as diversas observações do Pontífice haverá referência ao “risco de exploração de recursos por outros, sejam indivíduos ou organizações”.
Em Camarões, “uma África em miniatura”
Da Argélia, o Papa continuará sua viagem — pontuada por deslocamentos de avião ou de helicóptero quase diários — até Camarões: “Uma África em miniatura devido à variedade e riqueza de seu território, seus recursos e suas tradições, inclusive linguísticas”. João Paulo II falou de esperança ali, Bento XVI de reconciliação, justiça e paz. Leão XIV encontrará “um país que atravessa provações complexas devido à convivência de diversas realidades”, como as crises no Norte e Sudoeste, no Extremo Norte, ou o “veneno” do fundamentalismo, particularmente entre os jovens. Mas em Camarões, o Papa Leão XIV também poderá observar os esforços das religiões na construção da paz, incentivar o papel dos governos, da sociedade civil e das mulheres, e também chamar a atenção do público para as questões do meio ambiente e do desenvolvimento humano integral, também tendo em vista o décimo aniversário da Laudato si’.
Angola, uma “força para a mudança”
Paz, recursos naturais, humanos, juventude e as feridas da corrupção, da exploração e do colonialismo serão os pilares da viagem a Angola, uma terra tão jovem quanto seu povo. Sua “esperança” e “alegria”, disse Matteo Bruni, garantem que esta nação da África Austral possa hoje ser considerada “uma verdadeira fonte de inspiração espiritual e uma força para a mudança”. Sim, existe “a tentação da tristeza e do desânimo”, mas em Angola, a fé prevalece: “É o coração do cristianismo africano”.
Os recursos humanos e naturais da Guiné Equatorial
A viagem apostólica conclui-se na Guiné Equatorial. Uma realidade diferente, situações e desafios diferentes. Uma área do continente rica em recursos minerais, jazidas e, ainda mais, em humanidade, culturas e línguas. Numerosas ilhas, pesca difundida e numerosos cristãos reforçam o compromisso da Igreja “em apoiar e construir uma cultura de paz”. A cultura também é um tema proeminente na Guiné, com a presença de universidades, algumas das quais apoiadas pela Igreja local.
Comitiva e medidas de segurança
A comitiva papal incluirá o cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização; George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso; e dois chefes eméritos de Dicastério, Peter Appiah Turkson e Robert Sarah, ambos africanos. O novo substituto, Paolo Rudelli, e algunas agostinianos também estarão presentes, mas apenas durante a etapa na Argélia. O Papa frequentemente se deslocará de carro conversível durante as diversas celebrações. Respondendo a perguntas de jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou que não há preocupações com a segurança: “Não estão previstas medidas especiais. As medidas ordinárias são consideradas suficientes.”
Uma homenagem ao Papa Francisco
O Pontífice realizará a tradicional coletiva de imprensa com jornalistas a bordo do voo papal, e não está descartada a possibilidade de que ele “apareça” durante os voos internos: “Talvez ele tenha algo a dizer em algumas ocasiões”, como aconteceu, por exemplo, durante a viagem de Istambul a Beirute. Quanto à escolha dos diferentes países que compõem o itinerário, Bruni não apresentou razões específicas: a África, disse ele, é “um continente muitas vezes esquecido que precisa ser ouvido”, cujos “problemas” e “desafios” precisam ser abordados. Dentre eles, a poligamia — um tema também central nas discussões do sínodo — ou a falta de democracia em algumas regiões. “O Papa também abordará essas questões?”, perguntaram os repórteres. “Listei alguns tópicos; não está descartada a possibilidade de a poligamia ser discutida, mas o Papa certamente falará sobre família”, explicou Matteo Bruni. Sobre o outro ponto, ele respondeu que “com a liberdade com que o Papa visita cada país, encontrando pessoas e mundos políticos diferentes, ele se dirigirá a todos”.
Por fim, haverá uma homenagem ao Papa Francisco, cujo aniversário de morte ocorre em 21 de abril, durante sua viagem apostólica.
FONTE/CRÉDITOS: Por Salvatore Cernuzio – Vatican News