Nesta segunda-feira (20), o primeiro compromisso de Leão XIV foi na cidade de Saurimo, visitando um asilo.
A manhã desta segunda-feira começou para o Santo Padre com mais um deslocamento em Angola. O Pontífice deixou Luanda em direção a Saurimo, capital da província de Lunda Sul, cidade a cerca de mil quilômetros ao leste da capital.
O primeiro compromisso foi uma visita a um centro de acolhimento para idosos. O local abriga 74 pessoas, das quais 42 mulheres, que têm entre 60 e 93 anos de idade. A maioria foi abandonada pela própria família. Após ouvir alguns testemunhos, iniciou sua saudação com as seguintes palavras: “Paz a esta casa e a quantos nela habitam!”.
A alegria estampada no rosto do Santo Padre (@Vatican Media)
Leão XIV disse que ficou tocado ao saber que chamam este espaço de «lar», uma palavra que remete à família, recordando que Jesus também gostava de estar na casa dos seus amigos, como narram alguns episódios do Evangelho.
“Por isso mesmo, caríssimos, gosto de pensar que Jesus também habita aqui, neste lar. Sim, Ele habita no meio de vós sempre que procurais amar-vos e ajudar-vos mutuamente, como irmãos e irmãs. Sempre que, depois de um mal-entendido ou de uma pequena ofensa, sois capazes de vos perdoar e reconciliar. Sempre que, alguns de vós ou todos juntos, rezais com simplicidade e humildade.”
O Papa manifestou o seu apreço às Autoridades angolanas pelas iniciativas em favor dos idosos mais necessitados, bem como a todos os colaboradores e voluntários. O cuidado das pessoas mais frágeis, afirmou, é um sinal muito importante da qualidade da vida social de um país. “E não nos esqueçamos: os idosos não devem ser apenas assistidos, mas, em primeiro lugar, devem ser escutados, pois guardam a sabedoria de um povo. E temos de lhes ser gratos, pois enfrentaram grandes dificuldades pelo bem da comunidade.”
O Pontífice concluiu sua breve visita afirmando que levará no coração a recordação deste encontro e se despediu invocando a Virgem Maria para que vigie sempre sobre esta comunidade. “E que a minha bênção também vos acompanhe.”
O edital apoia iniciativas que promovem a moradia digna como um direito prioritário, alinhando-se ao objetivo da Campanha da Fraternidade 2026.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o edital do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), voltado ao apoio financeiro de projetos ligados à Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O documento regulamenta o cadastro de propostas na plataforma do FNS para receber recursos da Coleta Nacional da Solidariedade, realizada nas celebrações do Domingo de Ramos, nos dias 28 e 29 de março de 2026.
O objetivo do edital é apoiar iniciativas que contribuam para a promoção da moradia digna como prioridade e direito, em sintonia com o objetivo geral da Campanha da Fraternidade 2026. Os projetos poderão ser inscritos em três eixos: apoio emergencial a populações em situação de vulnerabilidade decorrente da falta de moradia; construção, reforma e outras iniciativas coletivas voltadas ao acesso à moradia digna; e ações de conscientização, formação e articulação em defesa do direito à moradia e aos bens essenciais.
Período de inscrições
As inscrições deverão ser feitas pelo site do FNS, em quatro períodos ao longo do ano: de 15 a 30 de abril, de 1º a 30 de junho, de 1º a 30 de agosto e de 1º a 30 de outubro de 2026. Os projetos inscritos serão avaliados em reuniões ordinárias do Conselho Gestor do Fundo, previstas para os dias 25 de maio, 27 de julho, 21 de setembro e 23 de novembro.
Cada projeto poderá receber até R$ 50 mil. O edital prevê que cerca de 30% dos recursos disponíveis sejam destinados a cada um dos três eixos. Os 10% restantes serão reservados para ações de animação, promoção e divulgação da Campanha da Fraternidade em âmbito nacional e regional. Os 19 regionais da CNBB poderão apresentar projetos específicos de até R$ 25 mil para este fim.
O edital reforça ainda que as entidades interessadas devem conhecer previamente o Guia de Cadastramento de Entidades e Projetos disponível na plataforma do Fundo. Também destaca que a inscrição implica aceitação integral das normas do edital e do estatuto do Conselho Gestor do FNS.
A formação, realizada ao longo de três dias, abordou temas administrativos e a sinodalidade na Diocese.
A Diocese de Roraima realizou, entre os dias 15 e 17, na Prelazia, uma formação voltada ao serviço de secretaria. O encontro reuniu padres, religiosos (as), voluntários (as) e secretários (as) de diferentes realidades.
Durante os três dias, os participantes estudaram temas administrativos e refletiram sobre a sinodalidade como caminho de atuação. A formação destacou a importância da escuta, da colaboração e da organização no atendimento às comunidades.
A irmã Ana Maria, das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, afirmou que o encontro contribuiu para o crescimento pessoal e pastoral. Recém-chegada à Diocese, ela destacou a importância de compreender a realidade antes de atuar.
“Este serviço me humaniza, fortalece a minha relação com as pessoas, com a realidade e comigo mesma. Eu não venho da área administrativa, minha experiência é na educação, na escola e na formação, e agora também estou nesse processo de aprendizado. A sinodalidade nos pede abertura e disponibilidade. Precisamos ter essa capacidade de olhar e ajudar as comunidades. Esse conhecimento tem me enriquecido e me capacitado para melhor servir.”, destacou a religiosa.
A voluntária Zaneth Souza, da Missão Indígena Surumu, ressaltou que a experiência representa um novo passo na missão. Segundo ela, a comunidade ainda não possui um espaço estruturado de secretaria, mas pretende iniciar esse trabalho com base no que aprendeu.
A formação reforça o compromisso da Diocese com a organização dos serviços e o apoio às comunidades.
A CRNM é o principal instrumento de identificação do imigrante no Brasil.
SPM
No último dia 15 de abril, a cidade de Boa Vista foi palco de uma mobilização essencial para a garantia de direitos e a promoção da dignidade humana. O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), em uma atuação conjunta com a Cáritas Diocesana de Roraima e a Polícia Federal, promoveu uma força-tarefa dedicada à entrega de Cédulas de Registro Nacional Migratório (CRNM). A ação, que se estendeu ao longo dos períodos da manhã e da tarde, resultou no atendimento de mais de 750 pessoas, consolidando-se como um marco na rede de apoio local.
A entrega deste documento representa muito mais do que uma formalidade administrativa; a CRNM é o principal instrumento de identificação do imigrante no Brasil, assegurando o seu reconhecimento legal perante o Estado. Com a cédula em mãos, esses novos moradores passam a ter acesso facilitado a serviços públicos essenciais, como saúde e educação, além de estarem aptos a ingressar formalmente no mercado de trabalho e realizar transações civis, passos fundamentais para a plena integração na sociedade brasileira.
A iniciativa, realizada na Casa da Caridade, reforça o compromisso das instituições envolvidas em oferecer não apenas assistência imediata, mas soluções duradouras para quem busca proteção e uma nova oportunidade de vida. A parceria entre a expertise técnica da Polícia Federal e o olhar humanizado do SPM e da Cáritas demonstra a eficácia do trabalho em rede, garantindo que o acolhimento e o cuidado caminhem lado a lado com a regularização documental e o fortalecimento da cidadania em Roraima.
FONTE/CRÉDITOS: Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima
A tradicional troca do manto ocorre no dia 11 de outubro, dentro da programação festiva em honra à Padroeira do Brasil, em Boa Vista.
Foto: João Felipe
O Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Boa Vista, definiu, nesta terça-feira (14), o manto que vestirá a imagem da Padroeira durante a festa de outubro de 2026.
As Irmãs Carmelitas do Carmelo de Aparecida (SP), confeccionarão a peça. As religiosas também são responsáveis pelo bordado do manto anual da imagem original de Nossa Senhora Aparecida.
Segundo o reitor do Santuário, Padre Luiz Botteon, o novo modelo destaca um elemento simbólico ligado à fé do povo roraimense: um caminho com pegadas que leva à fachada atual da Igreja Nossa Senhora Aparecida de Boa Vista.
A prévia apresentada mostra a proposta inicial do manto. A peça ainda receberá novos detalhes inspirados na cultura e na realidade de Roraima.
A comunidade realizará a tradicional troca do manto no dia 11 de outubro, dentro da programação festiva em honra à Padroeira. O gesto expressa a devoção dos fiéis e reforça o carinho do povo católico de Boa Vista por Nossa Senhora Aparecida.
Na manhã desta quarta-feira (15), a Igreja no Brasil deu início à 62ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP). Bispos de todo o país participam do encontro, que busca refletir sobre os desafios e as oportunidades do tempo presente, à luz do Evangelho e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
O Cardeal da Amazônia, Dom Leonardo Steiner, destacou que os bispos estão reunidos para rezar, refletir e decidir em comum, sempre em favor da evangelização da Igreja no Brasil.
“Rezem por nós, para que, à luz do Espírito Santo, possamos tomar as melhores decisões para a nossa querida Igreja no Brasil”, destacou.
O pedido reforça o espírito de comunhão e discernimento que marca a Assembleia, um dos momentos mais importantes da caminhada da Igreja no país.
Na mensagem, o Santo Padre saudou cordialmente os participantes do encontro, reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e recordou a alegria da Ressurreição de Cristo como fonte de esperança para a missão da Igreja.
“Com a alegria e a esperança que nos vêm da boa nova da Ressurreição do Senhor, saúdo cordialmente a todos vós”, escreveu o Papa.
Leão XIV retomou também a saudação “A paz esteja convosco”, dirigida aos fiéis na Praça São Pedro após sua eleição como Sucessor de Pedro. Segundo ele, a atual realidade internacional, marcada por guerras e tensões, exige uma oração insistente pela paz.
“Num mundo marcado por violentos conflitos armados, devemos com urgente insistência suplicar ao Príncipe da Paz que ilumine os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais”, afirmou.
O Papa destacou ainda que a verdadeira paz não se resume à ausência de conflitos, mas nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da fraternidade entre os povos.
Na mensagem, Leão XIV recordou o ensinamento da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, ao afirmar que todos são “iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade”.
A 62ª Assembleia Geral da CNBB reúne bispos de todo o Brasil para momentos de oração, reflexão e deliberação sobre temas importantes para a vida da Igreja no país. Entre os assuntos debatidos estão as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, além de temas pastorais e sociais.
A mensagem do Papa foi recebida com gratidão pelos participantes da Assembleia, reforçando a comunhão entre a Igreja no Brasil e a Santa Sé.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal.
A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal
Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.
Painel da 59ª AG CNBB
Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente.
Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.
Discernimento Pastoral
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.
A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação
A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.
Consolidação e aprofundamento em 2024
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.
A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.
Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto
Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.
A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso:
“Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma.
Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das Diretrizes.
Dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Equipe de Elaboração das DGAE
Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.
“Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão final e votação em 2026
Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação.
Conselho Permanente reunido em março de 2026
O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto.
“Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica.
Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:
“Uma das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.
Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos reunidos em Assembleia:
“A equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”, afirma.
O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.
Um marco para a Igreja no Brasil
A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.
Composição atual da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS) Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM) Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP) Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN) Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT) Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE) Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB
No âmbito de sua missão pastoral e compromisso com os povos amazônicos, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), na pessoa de seu Secretário Executivo, Marcelo Lemos, visitou a comunidade indígena migrante Warao em Janoko, localizada no município de Cantá, no estado de Roraima, Brasil, em 10 de abril de 2026.
Uma Igreja que caminha com o povo.
A presença da Igreja nesta comunidade é resultado de um processo de colaboração entre a Igreja Católica e organizações da sociedade civil, que têm apoiado populações indígenas migrantes e refugiadas, especialmente o povo Warao da Venezuela.
A comunidade Warao em Janoko se estabeleceu como um espaço de acolhimento, organização e reconstrução de vidas, onde a identidade cultural, a espiritualidade e as redes comunitárias permanecem pilares fundamentais.
Um gesto que une a Amazônia à Igreja universal.
Durante a visita, foi relembrado um gesto significativo que expressa a voz e a dignidade do povo Warao: há seis meses, a CEAMA facilitou a entrega de cartas e de uma chinchorro (rede) feita com fibra de buriti, tecida por um artesão Warao, ao Papa Leão XIV.
Este símbolo, profundamente enraizado na cultura amazônica, representa repouso, encontro e comunidade, e foi apresentado como um sinal de esperança e comunhão entre os povos amazônicos e a Igreja universal.
Ouvir para responder: demandas da comunidade
Em um espaço de diálogo fraterno, líderes comunitários — incluindo o chefe Biasy Pinto — juntamente com representantes de grupos familiares, compartilharam suas principais preocupações e necessidades.
Dentre os processos judiciais apresentados, destacam-se os seguintes:
Segurança alimentar , como condição básica para uma vida digna.
Sustentabilidade comunitária, especialmente a reinstalação de fogões solares que promovem a independência energética.
A educação indígena concentra-se no fortalecimento das línguas, da identidade cultural e dos processos educacionais a partir de sua cosmovisão.
Essas reivindicações refletem não apenas necessidades urgentes, mas também o anseio por um desenvolvimento abrangente que respeite a dignidade, a cultura e os direitos dos povos indígenas.
Uma missão que se faz presente
Esta visita reafirma o compromisso da CEAMA com uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e missionário, que escuta, acompanha e age ao lado dos povos mais vulneráveis do território.
Em contextos marcados pela migração, pobreza e exclusão, a Igreja continua a ser um sinal de esperança, promovendo processos de articulação, defesa dos direitos e cuidado com a vida.
A presença em Janoko é uma expressão concreta de uma Igreja que caminha com o povo, reconhecendo nele sujeitos de vida, sabedoria e esperança para a Amazônia e o mundo.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta segunda-feira, 13 de abril, uma nota de apoio ao Papa Leão XIV em razão da defesa firme do Evangelho, pelo Santo Padre, no contexto das guerras no Oriente Médio. Confira, abaixo, a íntegra da Nota da CNBB.
CNBB une-se ao Papa Leão XIV em defesa da paz e do diálogo
A autoridade espiritual e moral do Papa não se orienta pela lógica do confronto político, mas pela fidelidade ao Evangelho, que continuamente eleva a voz em defesa da paz, da dignidade humana e do diálogo entre os povos. Nesse espírito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil une-se a Sua Santidade, Papa Leão XIV, reafirmando a comunhão e a unidade em torno desses valores evangélicos que iluminam a consciência cristã e sustentam a esperança da humanidade.
Cardeal Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre – RS Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Arcebispo de Goiânia – GO 1º vice-presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Arcebispo de Olinda e Recife – PE 2ª vice-presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers Bispo auxiliar de Brasília – DF Secretário-geral da CNBB