INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SABEDORIA DO CORAÇÃO: MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 58º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES

A mensagem de Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é dedicada ao tema da Inteligência Artificial e a sabedoria do coração.

A mensagem de Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é dedicada ao tema da Inteligência Artificial e a sabedoria do coração. Segundo o Pontífice, “apenas recuperando uma sabedoria do coração é que poderemos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana”.

Foi divulgada, nesta quarta-feira (24/01), festa litúrgica de São Francisco de Sales, a mensagem do Papa Francisco para o 58° Dia Mundial das Comunicações Sociais. A reflexão proposta pelo pontífice neste ano tem como título “Inteligência artificial e sabedoria do coração: para uma comunicação plenamente humana”. O texto retoma as mensagens precedentes e a discussão levantada pelo Papa na mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano.

Confira o texto na íntegra.

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

para o LVIII Dia Mundial das Comunicações Sociais

(12 de maio de 2024)

Inteligência artificial e sabedoria do coração:

para uma comunicação plenamente humana

Queridos irmãos e irmãs!

A evolução dos sistemas da chamada «inteligência artificial», sobre a qual já me debrucei na recente Mensagem para o Dia Mundial da Paz, está a modificar de forma radical também a informação e a comunicação e, através delas, algumas bases da convivência civil. Trata-se duma mudança que afeta não só aos profissionais, mas a todos. A rápida difusão de maravilhosas invenções, cujo funcionamento e potencialidades são indecifráveis para a maior parte de nós, suscita um espanto que oscila entre entusiasmo e desorientação e põe-nos inevitavelmente diante de questões fundamentais: O que é então o homem, qual é a sua especificidade e qual será o futuro desta nossa espécie chamada homo sapiens na era das inteligências artificiais? Como podemos permanecer plenamente humanos e orientar para o bem a mudança cultural em curso?

A partir do coração

Antes de mais nada, convém limpar o terreno das leituras catastróficas e dos seus efeitos paralisadores. Já há um século Romano Guardini, refletindo sobre a técnica e o homem, convidava a não se inveterar contra o «novo» na tentativa de «conservar um mundo belo condenado a desaparecer». Ao mesmo tempo, porém, com veemência profética advertia: «O nosso posto é no devir. Devemos inserir-nos nele, cada um no seu lugar (…), aderindo honestamente, mas permanecendo sensíveis, com um coração incorruptível, a tudo o que nele houver de destrutivo e não-humano». E concluía: «Trata- se – é verdade – de problemas de natureza técnica, científica e política; mas só podem ser resolvidos passando pelo homem. Deve-se formar um novo tipo humano, dotado duma espiritualidade mais profunda, duma nova liberdade e duma nova interioridade».[1]

Neste tempo que corre o risco de ser rico em técnica e pobre em humanidade, a nossa reflexão só pode partir do coração humano.[2] Somente dotando-nos dum olhar espiritual, apenas recuperando uma sabedoria do coração é que poderemos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana. O coração, entendido biblicamente como sede da liberdade e das decisões mais importantes da vida, é símbolo de integridade e de unidade, mas evoca também os afetos, os desejos, os sonhos, e sobretudo é o lugar interior do encontro com Deus. Por isso a sabedoria do coração é a virtude que nos permite combinar o todo com as partes, as decisões com as suas consequências, as grandezas com as fragilidades, o passado com o futuro, o eu com o nós.

Esta sabedoria do coração deixa-se encontrar por quem a busca e deixa-se ver a quem a ama; antecipa-se a quem a deseja e vai à procura de quem é digno dela (cf. Sab 6, 12-16). Está com quem aceita conselho (cf. Pr 13, 10), com quem tem um coração dócil, um coração que escuta (cf. 1 Re 3, 9). É um dom do Espírito Santo, que permite ver as coisas com os olhos de Deus, compreender as interligações, as situações, os acontecimentos e descobrir o seu sentido. Sem esta sabedoria, a existência torna-se insípida, pois é precisamente a sabedoria que dá gosto à vida: a sua raiz latina sapere associa-a ao sabor.

Oportunidade e perigo

Não podemos esperar esta sabedoria das máquinas. Embora o termo inteligência artificial já tenha suplantado o termo mais correto utilizado na literatura científica de machine learning (aprendizagem automática), o próprio uso da palavra «inteligência» é falacioso. É certo que as máquinas têm uma capacidade imensamente maior que os seres humanos de memorizar os dados e relacioná-los entre si, mas compete ao homem, e só a ele, descodificar o seu sentido. Não se trata, pois, de exigir das máquinas que pareçam humanas; mas de despertar o homem da hipnose em que cai devido ao seu delírio de omnipotência, crendo-se sujeito totalmente autónomo e autorreferencial, separado de toda a ligação social e esquecido da sua condição de criatura.

Realmente o homem sempre teve experiência de não se bastar a si mesmo, e procura superar a sua vulnerabilidade valendo-se de todos os meios. Partindo dos primeiros instrumentos pré-históricos, utilizados como prolongamento dos braços, passando pelos meios de comunicação como extensão da palavra, chegamos hoje às máquinas mais sofisticadas que funcionam como auxílio do pensamento. Entretanto cada uma destas realidades pode ser contaminada pela tentação primordial de se tornar como Deus sem Deus (cf. Gen 3), isto é, a tentação de querer conquistar com as próprias forças aquilo que deveria, pelo contrário, acolher como dom de Deus e viver na relação com os outros.

Cada coisa nas mãos do homem torna-se oportunidade ou perigo, segundo a orientação do coração. O próprio corpo, criado para ser lugar de comunicação e comunhão, pode tornar-se instrumento de agressão. Da mesma forma, cada prolongamento técnico do homem pode ser instrumento de amoroso serviço ou de domínio hostil. Os sistemas de inteligência artificial podem contribuir para o processo de libertação da ignorância e facilitar a troca de informações entre diferentes povos e gerações. Por exemplo, podem tornar acessível e compreensível um património enorme de conhecimentos, escrito em épocas passadas, ou permitir às pessoas comunicarem em línguas que lhes são desconhecidas. Mas simultaneamente podem ser instrumentos de «poluição cognitiva», alteração da realidade através de narrações parcial ou totalmente falsas, mas acreditadas – e partilhadas – como se fossem verdadeiras. Basta pensar no problema da desinformação que enfrentamos, há anos, no caso das fake news[3] e que hoje se serve da deep fake, isto é, da criação e divulgação de imagens que parecem perfeitamente plausíveis mas são falsas (já me aconteceu a mim também ser objeto delas), ou mensagens-áudio que usam a voz duma pessoa, dizendo coisas que ela própria nunca disse. A simulação, que está na base destes programas, pode ser útil nalguns campos específicos, mas torna-se perversa quando distorce as relações com os outros e com a realidade.

Já desde a primeira onda de inteligência artificial – a das redes sociais – compreendemos a sua ambivalência, suas possibilidades, mas também seus riscos e patologias associadas. O segundo nível de inteligências artificiais geradoras marca, indiscutivelmente, um salto qualitativo. Por conseguinte é importante ter a possibilidade de perceber, compreender e regulamentar instrumentos que, em mãos erradas, poderiam abrir cenários negativos. Os algoritmos, como tudo o mais que sai da mente e das mãos do homem, não são neutros. Por isso é necessário prevenir propondo modelos de regulamentação ética para contornar os efeitos danosos, discriminadores e socialmente injustos dos sistemas de inteligência artificial e contrastar a sua utilização para a redução do pluralismo, a polarização da opinião pública ou a construção do pensamento único. Assim reitero aqui a minha exortação à «Comunidade das Nações a trabalhar unida para adotar um tratado internacional vinculativo, que regule o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial nas suas variadas formas».[4] Entretanto, como em todo o âmbito humano, não é suficiente a regulamentação.

Crescer em humanidade

Somos chamados a crescer juntos, em humanidade e como humanidade. O desafio que temos diante de nós é realizar um salto de qualidade para estarmos à altura duma sociedade complexa, multiétnica, pluralista, multirreligiosa e multicultural. Cabe a nós questionar-nos sobre o progresso teórico e a utilização prática destes novos instrumentos de comunicação e conhecimento. As suas grandes possibilidades de bem são acompanhadas pelo risco de que tudo se transforme num cálculo abstrato que reduz as pessoas a dados, o pensamento a um esquema, a experiência a um caso, o bem ao lucro, com o risco nosobretudo de que se acabe por negar a singularidade de cada pessoa e da sua história, dissolvendo a realidade concreta numa série de dados estatísticos.

A revolução digital pode tornar-nos mais livres, mas certamente não conseguirá fazê-lo se nos prender nos modelos designados hoje como echo chamber (câmara de eco). Nestes casos, em vez de aumentar o pluralismo da informação, corre-se o risco de se perder num pântano anônimo, favorecendo os interesses do mercado ou do poder. Não é aceitável que a utilização da inteligência artificial conduza a um pensamento anônimo, a uma montagem de dados não certificados, a uma desresponsabilização editorial coletiva. A representação da realidade por big data (grandes dados), embora funcional para a gestão das máquinas, implica na realidade uma perda substancial da verdade das coisas, o que dificulta a comunicação interpessoal e corre o risco de danificar a nossa própria humanidade. A informação não pode ser separada da relação existencial: implica o corpo, o situar-se na realidade; pede para correlacionar não apenas dados, mas experiências; exige o rosto, o olhar, a compaixão e ainda a partilha.

Penso na narração das guerras e naquela «guerra paralela» que se trava através de campanhas de desinformação. E penso em tantos repórteres que ficam feridos ou morrem no local em efervescência para nos permitir a nós ver o que viram os olhos deles. Pois só tocando pessoalmente o sofrimento das crianças, das mulheres e dos homens é que poderemos compreender o caráter absurdo das guerras.

A utilização da inteligência artificial poderá proporcionar um contributo positivo no âmbito da comunicação, se não anular o papel do jornalismo no local, antes pelo contrário se o apoiar; se valorizar o profissionalismo da comunicação, responsabilizando cada comunicador; se devolver a cada ser humano o papel de sujeito, com capacidade crítica, da própria comunicação.

Interrogativos de hoje e de amanhã

E surgem, espontâneas, algumas questões: Como tutelar o profissionalismo e a dignidade dos trabalhadores no campo da comunicação e da informação, juntamente com a dos utentes em todo o mundo? Como garantir a interoperabilidade das plataformas? Como fazer com que as empresas que desenvolvem plataformas digitais assumam as suas responsabilidades relativamente ao que divulgam daí tirando os seus lucros, de forma análoga ao que acontece com os editores dos meios de comunicação tradicionais? Como tornar mais transparentes os critérios subjacentes aos algoritmos de indexação e desindexação e aos motores de pesquisa, capazes de exaltar ou cancelar pessoas e opiniões, histórias e culturas? Como garantir a transparência dos processos de informação? Como tornar evidente a paternidade dos escritos e rastreáveis as fontes, evitando o para-vento do anonimato? Como deixar claro se uma imagem ou um vídeo retrata um acontecimento ou o simula? Como evitar que as fontes se reduzam a uma só, a um pensamento único elaborado algoritmicamente? E, ao contrário, como promover um ambiente adequado para salvaguardar o pluralismo e representar a complexidade da realidade? Como podemos tornar sustentável este instrumento poderoso, caro e extremamente energívoro? Como podemos torná-lo acessível também aos países em vias de desenvolvimento?

A partir das respostas a estas e outras questões compreenderemos se a inteligência artificial acabará por construir novas castas baseadas no domínio informativo, gerando novas formas de exploração e desigualdade ou se, pelo contrário, trará mais igualdade, promovendo uma informação correta e uma maior consciência da transição de época que estamos a atravessar, favorecendo a escuta das múltiplas carências das pessoas e dos povos, num sistema de informação articulado e pluralista. Dum lado, vemos assomar o espetro duma nova escravidão, do outro uma conquista de liberdade; dum lado, a possibilidade de que uns poucos condicionem o pensamento de todos, do outro a possibilidade de que todos participem na elaboração do pensamento.

A resposta não está escrita; depende de nós. Compete ao homem decidir se há de tornar-se alimento para os algoritmos ou nutrir o seu coração de liberdade, sem a qual não se cresce na sabedoria. Esta sabedoria amadurece valorizando o tempo e abraçando as vulnerabilidades. Cresce na aliança entre as gerações, entre quem tem memória do passado e quem tem visão de futuro. Somente juntos é que cresce a capacidade de discernir, vigiar, ver as coisas a partir do seu termo. Para não perder a nossa humanidade, procuremos a Sabedoria que existe antes de todas as coisas (cf. Sir 1, 4), que, passando através dos corações puros, prepara amigos de Deus e profetas (cf. Sab 7, 27): há de ajudar-nos também a orientar os sistemas da inteligência artificial para uma comunicação plenamente humana.

Roma – São João de Latrão, 24 de janeiro de 2024.

[Francisco]

[1] Cartas do Lago de Como (Brescia 52022), 95-97.

[2] Em continuidade com as anteriores Mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dedicadas a «encontrar as pessoas onde estão e como são» (2021), «escutar com o ouvido do coração» (2022) e «falar com o coração» (2023).

[3] Cf. Mensagem para o LII Dia Mundial das Comunicações (2018): «“A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz».

[4] Mensagem para o LVII Dia Mundial da Paz : 1 de janeiro de 2024, 8.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Pascom Brasil, com informações de Vatican News.

Centenário de Fé: Boa Vista Celebra São Sebastião, Símbolo de Devoção

Uma Jornada de Promessas, Tradição e União em Homenagem ao Santo Protetor que Transcende Gerações

No último sábado, Boa Vista celebrou com grande festividade o centenário da igreja de São Sebastião. Esta celebração é mais do que uma tradição centenária; é uma promessa que perdura há quase um século, um símbolo sólido de fé e devoção que une a comunidade em torno do legado deste grande santo.

A história remonta a 1883, quando Guiderm de Holanda, Bessa e o Capitão Bessa chegaram ao Vale do Rio Branco. Após uma misteriosa morte do gado, Guidermina fez uma promessa a São Sebastião, desencadeando assim a construção da igreja que se tornaria tão significativa para a comunidade. A conclusão da obra em 1924 foi possível graças às doações e leilões realizados em homenagem a São Sebastião.

No dia da celebração, uma procissão percorreu o centro da cidade, seguida por uma missa solene presidida por Dom Evaristo, bispo de Roraima, e o clero da diocese de Roraima. Fiéis devotos participaram em massa, testemunhando a importância desta tradição ao longo dos anos.

Eduardo, um devoto fervoroso, compartilhou conosco sua ligação pessoal com São Sebastião. Após a conclusão da construção, as filhas de Guidermina e Cecília assumiram a liderança nos eventos religiosos dedicados ao santo. Irmã Rita, cuja mãe zelou pela capela por trinta e dois anos, compartilhou sobre a devoção a São Sebastião e a importância deste compromisso.

Ao longo dos anos, a tradição cresceu, transformando-se em uma das maiores festas do município. Djavan, seminarista em experiência pastoral em Boa Vista, enfatizou a importância deste grande santo na vida da comunidade.

Assim, a festa de São Sebastião em Boa Vista continua a unir a comunidade em torno da fé e entre os fiéis. Esta celebração centenária representa a força da devoção e a tradição que transcende gerações, marcando um legado significativo para todos os que participam desta festividade especial.

Fotos: PAscom Catedral
Produção : Lucas Rossetti e Angelica Alves

O livro Mitos do povo indígena Macuxi

O livro Mitos do povo indígena Macuxi, que em Roraima vive sobretudo na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Os mitos do livro são registros do bispo beneditino Dom Alcuíno Meyer, recolhidos entre 1926 e 1948.
A organização do livro com os mitos na língua original Macuxi e tradução para o português e o inglês são do missionário canadense de Scarboro e grande linguista, Pe. Ronaldo MacDonell. A edição é da Diocese de Roraima, 2011.

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Celebração da Epifania do Senhor na Comunidade São Sebastião marca união entre religiosas e leigos no Bairro Pérola.

Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Maria ampliam o carisma e consolidam laços como uma grande família carismática

No último sábado, a Comunidade São Sebastião, localizada no Bairro Pérola, testemunhou a solene celebração da Epifania do Senhor, um evento marcado pela promessa ao carisma das Irmãs Insulinas do Sagrado Coração de Maria. A liturgia, presidida por Dom Evaldo, bispo de Roraima, não apenas celebrou a espiritualidade, mas também fortaleceu a união, consolidando-a como uma grande família carismática.

A Irmã Mônica Cessari Nascimento coincide com os presentes a importância desse compromisso especial. “A promessa representa um passo significativo, ampliando o espaço da família religiosa e transformando-a em um ambiente onde irmãs e leigos testemunham o mesmo carisma: o carisma do Cristo Servo. Essa união estreita entre religiosas e leigos implica em viver a mesma missão, onde o trabalho e a ação missionária são pensados, discernidos, rezados e colocados na prática em conjunto com sete leigos que, na ocasião, fizeram suas promessas”.

A voz ativa dos leigos foi enfatizada durante toda a celebração, destacando a inclusão e participação efetiva dos membros dessas na jornada espiritual. O compromisso reforçado pelos leigos foi resultado de um processo dedicado à comunidade, à área e aos estudos realizados em colaboração com as irmãs. A orientação e testemunho de Madre Giovana a fundadora da congregação foram fundamentais para inspirar essas decisões.

Na sua fala, Dom Evaristo Spengler destacou elementos essenciais do carisma, contribuindo para uma compreensão mais profunda dessa promessa da jornada espiritual. O desenvolvimento desse compromisso foi pautado pela dedicação à comunidade e pelos estudos, culminando nesse passo significativo em direção à união entre religiosas e leigos.

Ao celebrar a celebração, todos os presentes pediram a Deus que a luz emanada nesse momento especial continue a guiar esses fiéis, tornando-os instrumentos divinos na apresentação do Evangelho de Jesus a muitas outras pessoas. Essa celebração não apenas marcou um evento litúrgico, mas também selou um compromisso entre as irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Maria e a comunidade de leigos, unidos sendo assim dessa grande familia carismatica.

Epifania do Senhor: Jesus faz-se presente nos corações

Solenidade

Origens
A origem oriental desta solenidade está implicada no seu nome Epifania (revelação, manifestação). Os latinos usavam a denominação festividade da declaração ou aparição com o significado de revelação da divindade de Cristo — ao mundo pagão, através da adoração dos magos —, aos judeus, com o batismo nas águas do Jordão —, e aos discípulos, com o milagre das bodas de Caná.

No Ocidente
O episódio dos magos, que está além de uma possível reconstrução histórica, podemos considerá-lo, como fizeram os Padres da Igreja, o símbolo e a manifestação do chamado de todos os povos pagãos à vida eterna. Os magos foram a declaração explícita de que o Evangelho era para ser pregado a todos os povos

Transcende a história
Na Igreja oriental, é enfocado particularmente o batismo de Jesus São Gregório Nazianzeno, chamado de “festa das luzes”, e a contrapõe à festa pagã do sol invicto. Na realidade, tanto no Oriente como no Ocidente, a Epifania tem o caráter de uma solenidade ideológica que transcende os episódios históricos particulares.

Epifania do Senhor: a tríplice manifestação do nosso grande Deus

A Manifestação
Celebra-se a manifestação de Deus aos homens na pessoa do Filho, isto é, a primeira fase da redenção. Cristo se manifesta aos pagãos, aos judeus e aos apóstolos, ou seja, são três momentos sucessivos do relacionamento Deus homens.

Diferentes formas
Ao pagão, Deus fala através do mundo visível; o esplendor do sol, harmonia dos astros, a luz das estrelas no firmamento ilimitado são portadores de uma certa presença de Deus. Os magos descobriram no céu os sinais de Deus. Tendo como ponto de partida a natureza, os pagãos podem “cumprir as obras da lei”, diz S. Paulo. 

Uma Profissão de Fé
Os numerosos mediadores da manifestação divina encontram seu término na pessoa de Jesus de Nazaré, no qual resplandece a glória de Deus. Por isso, podemos hoje exprimir “a humilde, trepidante, mas plena e jubilosa profissão de nossa fé, de nossa esperança e de nosso amor” (Paulo VI).

Participar desta “manifestação” significa ser santo

Escola de Santidade
A solenidade da Epifania pode ser lida como uma verdadeira “escola de santidade”: a vida divina, quando entra na história, não pode ficar escondida, mas manifesta-se aos olhos de todos, sem exceção. Mas você precisa saber como agarrá-lo. E este é o sentido mais pleno da revelação cristã: Deus partilha o caminho dos homens para que toda a humanidade possa surgir da fonte da verdadeira vida.

Pertencer a Deus
Participar desta “manifestação” significa ser santo, isto é, pertencer a Deus, mas, ao mesmo tempo, viver plenamente o próprio tempo. Porque a fé cristã não é a negação da experiência humana, mas a sua realização. Uma mensagem poderosa e revolucionária que se “manifesta” em uma criança nascida entre os marginalizados de um subúrbio onde a maioria é a primeira a chegar”

Minha oração

“Ó Deus que, por muitas vezes, vos manifestastes no meio de nós, principalmente por meio de seu Filho encarnado, por misericórdia, não vos canseis de se revelar a nós. Insista conosco, em meio à nossa teimosia e fraqueza. Amém.”

Epifania do Senhor, rogai por nós!

Santo André Bessette, religioso canadense

Religioso e Confessor (1845-1937)

Origens
Santo André Bessette, antigo Alfred Bessette, nasceu em Saint-Grégoire no sul de Montreal, trabalhou em Saint-Césaire, emigrou para os Estados Unidos por um período de tempo como muitos jovens de sua época para participar do desenvolvimento das indústrias da Nova Inglaterra.

O Envio
Muitos de seus companheiros adotaram essa nova terra acolhedora e se tornaram franco-americanos, mantendo o sobrenome francês e um pouco de sua cultura. O jovem Alfred voltou ao seu país. Aproximou-se daquele em quem tinha total confiança e que representava o dom de si que desejava para ele: o pároco André Provençal. Esse, um dia, disse a si mesmo: “Eu sei para onde mandá-lo”. Em seguida, escreveu aos religiosos da congregação de Santa Croce que ensinavam as crianças da Côte-des-Neiges, em frente ao Monte Royal, dizendo ‘Envio-vos um santo…’”.

De analfabeto a Religioso
O jovem trabalhador tímido e analfabeto vê aberta uma porta que desejava sem ao menos acreditar: ele vai se tornar um religioso. Sem saber como servir a Deus, que encheu sua vida desde a infância, abandonou-se a Ele. Acima de tudo, a São José: seu amigo, seu confidente por muito tempo. Tornou-se irmão André.

“Não tente se livrar das provações, mas peça a graça de suportá-las bem.”  (Santo André Bessette)

Edificou-se em honra de São José
O início parece trivial, semelhante à vida de muitos jovens, o que se segue é único e excepcional. Uma jornada tão extraordinária, raramente foi vista na história da América do Norte. A ponto de mil coisas parecerem quase incríveis na evolução de uma vida, uma fama, uma capelinha. Ao longo da sua vida e graças aos peregrinos que recebia, o Irmão André adquiriu fama de taumaturgo como nenhum outro.

Sempre junto a São José
Santo André Bessette acolhia com doçura e bondade, católicos, protestantes ou ateus. Aos enfermos, toca-lhes as partes doentes com a medalha de São José e, com azeite da lâmpada, ardia em frente à imagem do grande santo. As curas extraordinárias multiplicaram-se, somente em 1904 registraram-se 435, isto é, mais de uma por dia. 

Páscoa
Santo André Bessette morreu em 6 de janeiro de 1937, aos 91 anos. Um milhão de pessoas vieram agradecê-lo por sua presença em suas vidas. O irmão André permaneceu leal a milhões de outras pessoas desde então. Não cessava de dizer a quem o invocava: “Rezem a São José…”.

Via de Santificação
Santo André Bessette foi beatificado em 23 de maio de 1982, pelo Papa João Paulo II. Sua canonização ocorreu em 17 de outubro de 2010, na Praça de São Pedro, pelo Papa Bento XVI.

Minha oração

“Exímio confessor e formador das consciências, não permitais que tenhamos uma vida laxa ou escrupulosa, mas dai a graça de crescermos em uma consciência sadia e bem equilibrada. Que sempre encontremos o Senhor, que fala em meio a nós. Amém.”

Santo André Bessette, rogai por nós!

Missão Humanitária das Irmãs da Congregação Missionárias da Caridade em Boa Vista

Congregação fundada por Santa Tereza de Calcutá, na India em 1950.

Na día 2 de janeiro, a Rádio Monte Roraima FM fez visita e uma entrevista especial com as Irmãs Benedita e Mariana, representantes da Congregação Missionárias da Caridade. Localizada no bairro 13 de setembro, essa congregação foi fundada por Santa Teresa de Calcutá, na Índia, no ano de 1950. As irmãs, oriundas de diferentes partes do mundo, compartilharam suas experiências humanitárias e o compromisso da congregação em servir aos mais pobres dos pobres.

Carisma e Missão da Congregação:

A Irmã Benedita, com grande experiência em trabalhos humanitários na Etiópia, África, explicou o carisma da Congregação Missionárias da Caridade. Além dos tradicionais votos de pobreza, castidade e obediência, as irmãs também fazem um quarto voto de serviço desinteressado e de todo o coração aos mais necessitados. Fundada com a missão de “saciar a sede de Jesus na Cruz por amor e por armas”, a congregação hoje está presente em 139 países, com mais de 700 comunidades e mais de 5000 membros, incluindo irmãos ativos, irmãos contemplativos e padres que compartilham do mesmo carisma.

A História de Santa Teresa de Calcutá:

Falando sobre a fundadora da congregação, a Irmã Benedita compartilhou informações sobre Santa Teresa de Calcutá, nascida em 1910 na Albânia. Desde cedo, ela aspirava ser missionária e ingressou na Congregação das Irmãs da Benaventurada Virgem do Loreto, na Irlanda. Santa Teresa fez um voto pessoal de nunca recusar a Jesus, sob pena de pecado mortal. Em 1946, após uma experiência marcante durante uma viagem de trem, ela fundou a Congregação Missionárias da Caridade para servir aos mais pobres dos pobres.

Missão em Boa Vista:

A Irmã Mariana, que está há 5 anos em Boa Vista trabalhando com a migração venezuelana, desempenha a missão de Irmã Superiora em Boa Vista, compartilhou sobre o objetivo da congregação na cidade. Inicialmente, a congregação veio para acompanhar a migração, testemunhando as necessidades gritantes de pessoas com fome e carências nas ruas. A decisão de iniciar a missão com os emigrantes venezuelanos foi tomada pela irmã provinciante, Maria do Carmo. A missão inclui fornecer alimentos, acolhimento e suprir outras necessidades básicas, como roupas e chinelos.

“Aqui em Boa Vista, começamos ajudando entregando sopa e dando o café da manhã para eles. E também algumas coisas para cobrir algumas das necessidades pessoais, como roupas e chinelos”, explicou a Irmã Mariana.

A congregação, com suas ações humanitárias, busca não apenas saciar a fome material, mas também a fome de acolhimento e dignidade, proporcionando um lugar seguro e reconfortante para os que mais necessitam.

A entrevista revelou o compromisso profundo e inspirador das Irmãs da Congregação Missionárias da Caridade em Boa Vista, uma luz de esperança em meio aos desafios enfrentados pelos migrantes venezuelanos na região.

A Diocese de Roraima celebra 300 anos de fidelidade e aborda desafios atuais em sua Igreja Sinodal durante a Assembleia Diocesana.

Olá, a todos, querida família, paz e bem!
Feliz ano novo 2024!
📩Encaminho o que estou a enviar nos grupos, via WhatsApp e e-mail….

Em preparação para a Assembleia diocesana, enviamos 5️⃣ DOCUMENTOS.

Entre eles está 1️⃣ QUESTIONÁRIO de consulta a todas as comunidades que deve ser respondido no final de semana da Epifânia.

2️⃣Há outro documento que é APRESENTAÇÃO desse questionário. ⚠️Pedimos agilidade no envio deste material para todas as comunidades da sua paróquia/ área missionária ou missão indígena (onde é possível de forma impressa e onde não, de forma digital). As RESPOSTAS deverão ser enviadas conforme as orientações que seguem até o dia 2️⃣2️⃣ DE JANEIRO.

O 3️⃣° documento é um anexo de ORIENTAÇÃO sobre o tema da IVC (talvez a sua leitura antecipada ajude a quem vai orientar o questionário).

Contamos com a sua colaboração, pelo que agradecemos antecipadamente.

Com muito carinho! Caminhamos em sinodalidade! 🙏🙏🏿🙏🏻👣👣👣
Att, Ir. Sofia.

Um Brasão com rasgos indígenas para o bispo da diocese mais indígena do Brasil

Mons. Raimundo Vanthuy Neto, que será ordenado bispo no dia 04 de fevereiro de 2024 em Boa Vista deu a conhecer seu brasão episcopal, explicando o significado de cada um dos elementos que fazem parte do desenho. O lema episcopal do bispo eleito da diocese de São Gabriel da Cachoeira é: Servire in Caritate e Spe – Servir na Caridade e na Esperança.

Segundo o texto divulgado junto ao convite de ordenação, “o Mistério Pascal de Jesus é a fonte da vida da Igreja e sua missão. Revelada na Cruz, ela nasce e se desenvolve como as árvores à beira das águas (Jr 17,8, Sl 1, 13), que lembram a fonte batismal, origem de toda vocação. As fontes do bispo Vanthuy Neto são três rios: o rio Apodi, no Rio Grande do Norte, onde nasce na fé pelo Batismo, e na vida da comunidade discipular; o rio Branco, onde foi gestado no sacerdócio ministerial, em meio ao povo de Deus e das comunidades de Roraima; e o grande rio Negro, para onde é enviado para servir na barca da Igreja de S. Gabriel da Cachoeira”.

“O serviço e a missão do bispo é a do Discípulo/Apóstolo, que anuncia Jesus Cristo, indicado nas três pequenezas que Ele escolheu para se revelar e permanecer no meio de nós: o Presépio, a Cruz e a Eucaristia. O verdadeiro discípulo é um homem pobre, humilde e despojado, entregue à morte, crucificado, por isso livre e doado. Assim, sua vida há de ser alimento, um bom pão para a vida do mundo”, segundo a explicação do Brasão.

“Abaixo da cruz, o M de Maria, entregue pelo Filho de Deus como Mãe ao Discípulo/Apóstolo. Seu sim, à luz do anúncio de Gabriel, pode ser assumido também corajosamente pelo novo bispo em sua missão. Ele a viverá na liberdade dos lírios do campo, que o Pai do céu cuida e sustenta, em inteira confiança e abandono”, afirma Mons. Vanthuy Neto.

Pelo fato de assumir a missão episcopal na diocese mais indígena do Brasil, “as cores corporais dos povos originários, vermelho e preto, demarcam o chão da missão da Igreja que está no Alto Rio Negro, que inclui o cuidado da vida e da dignidade dos 23 Povos Indígenas que aí vivem. Sua vocação de guardiões das águas e das florestas aponta para a corresponsabilidade universal da Amazônia face o desafio do equilíbrio da vida do Planeta. Neste horizonte, a própria missão da Igreja Local atinge os confins do mundo”.

Finalmente, explicando seu lema inspirador do ministério do bispo de São Gabriel da Cachoeira, Servire in Caritate et Spe – Servir na Caridade e na Esperança, disse que “é a Caridade de Cristo, que nos impele (2Cor 5, 14), e a perseverança na Esperança (1Tes 1,3). Como servo, está inserido na missão do Enviado do Pai, que veio para servir e não ser servido (Mc 10, 45)”.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Nota de pesar da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia pelo


“Eu sou a ressurreição e a vida.”
(Jo 11,25)
A Comissão Episcopal Especial para a Amazônia manifesta pesar pelo falecimento do
padre Edy Savietto. Missionário na Amazônia, ele chegou em Roraima em janeiro deste
ano.


Natural da Itália, padre José Edy Savietto, missionário Fidei donum da Diocese de Treviso
(Itália), completou 25 anos de padre em maio. Atuando na área Missionária PacaraimaAmajarí, dedicava arduamente seu apostolado na fronteira no cuidado com os mais
pobres.


Recordando as palavras do papa Francisco, por ocasião do dia mundial das missões de
2023, contemplamos a vida doada e a ação missionária do padre Edy que agiu com
“coração ardente, olhos abertos, pés ao caminho, para fazer arder outros corações com
a Palavra de Deus”.


Nos solidarizamos, nesse momento de dor e perda tão repentina, com a Igreja de
Roraima e com os familiares do padre Edy Savietto e manifestamos os nossos mais
sinceros sentimentos.


Rogamos a Nossa Senhora da Amazônia que acompanhe o nosso povo e pedimos a Deus
que o testemunho do padre Edy Savietto seja sempre luz a nos iluminar na ação
missionária.


Dom Gilberto Pastana
Presidente