A Diocese de Roraima realiza neste fim de semana, dias 09 e 10, uma Coleta Especial em apoio à Diocese de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde atua Dom Vanthuy Neto. A arrecadação ocorrerá durante as celebrações, no momento do ofertório, e também por meio do QrCode divulgado nas redes sociais da Diocese de Roraima.
Do valor arrecadado, 50% ficará destinado às comunidades da Diocese de Roraima e os outros 50% serão enviados para apoiar a missão da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.
A Diocese amazonense atende 24 povos indígenas e possui mais de 90% da população indígena. A missão enfrenta desafios por causa das grandes distâncias e do difícil acesso às comunidades, feito quase totalmente pelos rios da região amazônica.
A campanha busca ajudar nas despesas missionárias da Igreja em São Gabriel da Cachoeira, considerada a maior diocese das Américas. O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, destacou as dificuldades enfrentadas pela evangelização na Amazônia.
“Nós sabemos que a diocese enfrenta muitos desafios. São longas distâncias. É a maior diocese das Américas. Dom Vanthuy e os missionários precisam se deslocar, muitas vezes pelos rios, com grandes gastos de combustível e pouquíssimos recursos para manter a missão naquela região. Eu já trabalhei em uma diocese assim, que também enfrentava dificuldades de sustentabilidade. É sempre um desafio e uma preocupação: como manter os missionários, garantir alimentação e combustível para chegar até as comunidades”, disse Dom Evaristo.
Na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, praticamente todo o deslocamento ocorre por voadeiras e pequenas embarcações. A realidade aumenta os custos com combustível e dificulta o trabalho missionário nas comunidades mais afastada.
Hoje, a diocese conta atualmente com apenas 19 padres e cerca de 35 religiosas para atender as comunidades espalhadas pela região. Dom Vanthuy Neto ressaltou os desafios da missão.
“Lá são faladas 18 línguas, então os desafios são enormes. O primeiro deles é a locomoção. Diferente da Igreja de Roraima, em São Gabriel da Cachoeira quase tudo é feito por voadeira e pequenos barcos. Isso gera um custo muito alto com combustível, não apenas nas minhas viagens, mas em todos os deslocamentos realizados pelas paróquias. São Gabriel possui apenas uma estrada de 80 quilômetros. Outro desafio é o número reduzido de missionários. Também enfrentamos o desafio da convivência e da proximidade entre os missionários. Em São Gabriel, os encontros acontecem apenas duas vezes por ano, durante o retiro dos presbíteros e da vida religiosa consagrada, além de um encontro anual de assembleia ou formação das lideranças”, contou.
O bispo agradeceu ainda o gesto de solidariedade da Igreja de Roraima e o apoio dos fiéis à missão desenvolvida junto aos povos indígenas.
O Papa Leão XIV celebra o primeiro aniversário de sua eleição à Sé de Pedro em 8 de maio de 2026. Doze meses marcados por audiências, encontros, mensagens, grandes viagens ao Oriente Médio e à África, pelo Consistório com o Colégio Cardinalício, ajustes e renovações na Cúria Romana e por um compromisso com a paz expresso em vigorosos apelos e pelo trabalho diplomático nos bastidores.
O primeiro Habemus Papam, em 8 de maio de 2025, foi anunciado pela multidão reunida na Praça São Pedro ao ver o primeiro fio de fumaça branca que saiu da chaminé da Capela Sistina. Em seguida, veio o anúncio do Cardeal Protodiácono, às 19h12 locais: “Robertum Franciscum…” Por fim, a aparição do balcão central da Basílica Vaticana às 19h23 locais: vestindo uma murça vermelha, mãos unidas, um leve sorriso, olhos marejados de emoção. Robert Francisco Prévost é o 267º Sucessor de Pedro: Leão XIV.
“Que a paz esteja com todos vocês.”
Ao cair da tarde deste mesmo dia, doze meses atrás, a história bimilenar da Igreja iniciou um novo capítulo com a eleição de um novo Pontífice, escolhido num conclave rápido por 133 cardeais. O primeiro Papa oriundo dos Estados Unidos, nascido 69 anos atrás em Chicago, de espírito peruano depois de mais de 22 anos vividos naquele país latino-americano. Um “filho de Santo Agostinho”, proveniente da Ordem Agostiniana, da qual serviu dois mandatos como Prior Geral. Um Papa de origens mistas, especialista em matemática, línguas e Direito Canônico, pároco e bispo de Chulucanas, Trujillo e Chiclayo, e cardeal prefeito do Dicastério para os Bispos. Um Pontífice com uma formação multifacetada, que se dirigiu ao mundo em sua primeira aparição em italiano, espanhol e latim, lendo um texto de sua autoria, no qual a palavra “paz” apareceu dez vezes.
Esforços pela paz
Por esta paz — “desarmada e desarmante”, como ele a definiu em 8 de maio, com uma expressão que se tornou uma marca registrada de seu pontificado — o Papa Leão XIV fez apelos vigorosos ao longo deste ano: de o “Nunca mais a guerra!”, no primeiro Regina Caeli do balcão central da Basílica Vaticana, ao apontar o dedo para os senhores da guerra cujas mãos “pingam sangue”, durante a missa do Domingo de Ramos (29 de março), e ao denunciar quem é “escravo” da morte “para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe”, expresso na Vigília de Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril.
Pela paz, Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina e de Israel, Abbas e Herzog, para reiterar a ambos a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados, e manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum sinal de interlocução.
Apelos públicos e trabalho “nos bastidores”
Leão XIV promoveu o trabalho diplomático pela paz, talvez menos visível ao público em geral e aos holofotes da mídia, mas fundamental para a nobre causa do bem dos povos, objetivo primordial da Igreja. Esse trabalho acontece “nos bastidores”, como ele próprio confidenciou a jornalistas no voo de retorno do Líbano, destino de sua primeira viagem apostólica junto com a Turquia: “Nosso trabalho não é, primordialmente, algo público que declaramos nas ruas; é algo que acontece ‘nos bastidores'”. É algo que já fizemos e continuaremos a fazer, para tentar, digamos, convencer as partes a abandonarem as armas, a violência e a se reunirem à mesa de diálogo”.
Estas declarações do Papa são a chave para muitas iniciativas lançadas neste primeiro ano de pontificado, começando pela primeira disponibilidade, poucos dias após a sua eleição, de abrir as portas do Vaticano para acolher as negociações entre a Rússia e a Ucrânia. Esta proposta foi recebida com ceticismo por parte dos russos e entusiasmo por parte dos ucranianos, expresso pelo presidente Volodymyr Zelensky, com quem o Papa se encontrou três vezes. Duas dessas ocasiões foram em Castel Gandolfo, onde — após doze anos — Leão XIV retomou o retorno à residência de verão, deixando a Residência Papal como museu aberto ao público e passando a residir na Villa Barberini. Esta residência tornou-se familiar a muitos jornalistas que se encontram com o Papa todas as terças-feiras à noite, depois de ouvirem as suas declarações e observações sobre assuntos da atualidade. Ou apelos, mesmo que breves, mas sempre com o objetivo de instar os “grandes líderes mundiais” a “pôr fim à guerra” e trabalhar pela paz “não com armas”, mas “com diálogo”, ou a estimular a ação popular, como quando, após o ataque dos EUA ao Irã, ele exortou seus compatriotas estadunidenses a “encontrarem maneiras de se comunicar com os ‘membros do Congresso’, com as autoridades, para dizer que não queremos guerra, queremos paz!”. Essa ação sem precedentes provocou uma reação da administração dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump criticando duramente o Pontífice no mesmo dia em que ele embarcava para a Argélia, destino, juntamente com Camarões, Angola e Guiné Equatorial, de sua até então viagem apostólica mais longa (13 a 23 de abril). Solicitado por jornalistas no avião, o Papa não respondeu a essas críticas, mas sim recordou seu papel e missão: o de “pastor” e não o de “político”. Portanto, “nenhum debate” com Trump, nem “medo” de potenciais ataques daquela administração, mas apenas a missão de proclamar a “mensagem do Evangelho”, que infelizmente alguns hoje abusam. Palavras reiteradas recentemente em Castel Gandolfo: “A Igreja proclama o Evangelho, prega a paz. Se alguém quiser me criticar, que o faça com a verdade.”
Entre os dias 4 e 5 de maio, o Centro de Formação Maromba (AM), sediou o 2º encontro presencial dos chanceleres do Regional Norte 1 da CNBB.
Entre os dias 4 e 5 de maio aconteceu o 2º encontro presencial dos chanceleres da Arquidiocese, Dioceses e Prelazias do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), no Centro de Formação Maromba, em Manaus. Além de fortalecer a caminhada sinodal de cada uma de nossas Igrejas Particulares, o encontro é uma oportunidade de oração e troca de experiências dos caminhos da Evangelização e do funcionamento das Cúrias com seus processos sacramentais e gestão dos registros de documentos.
O Código do Direito Canônico indica que o Chanceler é responsável por cuidar da redação dos documentos da cúria e do seu arquivamento (Código de Direito Canônico, c. 482, § 1). Nessa perspectiva, incentivados por Ir. Sofia Quintans, Chanceler da Diocese de Roraima, surgiu a necessidade de unificação dos processos das chancelarias do regional. A partir disso, o primeiro encontro de formações foi realizado em 2025, antecedendo a reunião da Comissão de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte 1, da qual todos os chanceleres participam.
Ainda em 2025, Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus, foi escolhido para assessorar a equipe. Entre as atividades realizadas, os membros participaram de um curso on-line intensivo com uma grade curricular sistemática, acadêmica e prática para todos que trabalham nesse setor das cúrias, inclusive leigos e leigos.
A particularidade de cada Igreja
No último domingo (4), cada Chanceler apresentou a Cúria e Chancelaria de sua Prelazia e Diocese, destacando os pontos importantes da realidade vivenciada com fotos, dados reais e processos de sua Chancelaria-Secretaria. O panorama da Arquidiocese de Manaus, das Dioceses de Borba, Coari, do Alto Solimões, de Parintins e Roraima e das Prelazias de Itacoatiara e Tefé permite compreender a particularidade que cada uma apresenta.
“Cada chanceler trouxe apresentações, em PowerPoint, sobre os processos vividos nas cúrias, apresentações um panorama e dinâmica vivido por toda Igreja local. Trouxeram dados como quantidades de padres, congregações, paróquias. Neste sentido, foi possível que cada um tenha ideia de como caminha cada Igreja Particular, sentindo as necessidades e luzes presentes no caminho sinodal”, explicou Juliana Martins, Chanceler da Prelazia de Tefé.
Unificação do Processo Sacramental
Além das apresentações das dinâmicas de atuação, o grupo também abordou o Processo sacramental matrimonial com os documentos e roteiro seguidos em cada Diocese ou Prelazia. A intenção é, dentro das possibilidades de cada realidade, unificar o processo canônico- documental em todo o regional. Essa alternativa busca um consenso para quais são os documentos, canonicamente, são necessários.
“A gente tem a curiosidade de saber como que cada um trabalha, como é que é o procedimento na sua diocese. Não é que a gente vai dizer que o certo é lá em Coari, o certo é lá em Manaus, não. Hoje nós vamos chegar ao denominador comum, como é que nós trabalhamos e como é que a gente poderia trabalhar juntos essa unidade”, enfatizou Pe. Flávio Gomes, chanceler da Arquidiocese de Manaus.
Sinodalidade e unidade
Pela manhã do dia 5, os chanceleres estiveram na Cúria Arquidiocesana, aprofundando o estudo sobre os documentos que não podem faltar no arquivo da Chancelaria, os livros de registros sacramentais e a organização de arquivos e documentos. A formação, ministrada por Abigail Antony, arquivista da Arquidiocese de Manaus, e por Pe. Flávio Gomes, destaca a importância dos documentos assinados pelos bispos e chanceleres, reforça a caminhada de unidade entre as Igrejas e qualifica o trabalho realizado em nossas Dioceses e Prelazias.
“Então, essa equipe a nível regional, a nível de Brasil, esse grupo chanceleres no Norte 1, apresenta para nós aquilo que o Papa Francisco já dizia, que a questão sinodal é a unidade. E é isso que nós estamos fazendo, caminhando junto, para que a gente possa dar essa qualificação maior para o nosso Regional Norte 1”, completou Pe. Flávio.
Durante a tarde, os participantes avaliaram os dias de formação, organizaram as novas programações, como as próximas reuniões de chanceleres, on-line. Também participaram os chanceleres Pe. Josinaldo Placido, da Diocese de Coari, Pe. Marcos Aurélio, da Diocese de Parintins, Pe. Danilo Monteiro, da Prelazia de Itacoatiara, Pe. Jair Vieira, da Diocese de Borba e Diác. João Souza, da Diocese do Alto Solimões.
FONTE/CRÉDITOS: Por Emmanuel Grieco – CNNB Norte 1
Programação ocorreu nos dias 3 e 4 de maio, com visitas e celebrações em Jundiaí, São Paulo.
No último sábado (2), após participar da missa de posse de Dom Mário Antônio como novo arcebispo da Arquidiocese de Aparecida, o bispo diocesano de Roraima, Dom Evaristo Spengler, realizou visita à Diocese de Jundiaí (SP) para celebrar os 10 anos de parceria missionária entre as duas dioceses.
O bispo foi acolhido na residência episcopal de Dom Arnaldo Carvalheiro. A visita reuniu também o bispo emérito, Dom Vicente Costa e 16 padres que já atuaram em missão em Roraima.
Atualmente, a Diocese de Jundiaí mantém três padres em missão no estado. Eles atuam nos municípios de Caroebe, São João da Baliza e São Luiz do Anauá, com foco na evangelização e no fortalecimento das comunidades.
A programação foi realizada nos dias 03 e 4 de maio. As atividades incluíram celebrações na Catedral e no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Jundiaí. Dom Evaristo também visitou seminaristas e outras realidades da diocese, como o município de Várzea Paulista.
Durante a visita, o bispo destacou a importância da parceria missionária e agradeceu pelos frutos alcançados ao longo da dessa década.
Ao final, Dom Evaristo convidou bispos e padres da Diocese de Jundiaí para retornarem a Roraima no mês de julho. A Diocese realizará uma missa em ação de graças pelos 10 anos da missão.
O Comitê Organizador Local (COL) da JMJ Seul 2027 anuncia os cinco Santos Patronos da Jornada Mundial da Juventude 2027, que será realizada em Seul. Para cada Jornada Mundial da Juventude, santos padroeiros são escolhidos como modelos de fé para os jovens e como guias pelo testemunho de suas vidas e espiritualidade.
Para a JMJ Seul 2027, os santos foram selecionados à luz dos temas espirituais do evento: verdade, amor e paz. Os cinco Santos Patronos da JMJ Seul 2027 são:
– São João Paulo II (1920–2005) — fundador da Jornada Mundial da Juventude, lembrado por sua atenção aos jovens, à família e à dignidade da vida humana. – Santo André Kim Taegon (1821–1846) e companheiros — o primeiro sacerdote católico coreano, um símbolo de fé e coragem, martirizado ainda jovem. – Santa Francisca Xavier Cabrini (1850–1917) — missionária conhecida por seu cuidado com migrantes e pobres. – Santa Josefina Bakhita (1869–1947) — ex-escrava que se tornou freira e testemunha de esperança, liberdade e fé transformadas pelo sofrimento. – São Carlo Acutis (1991–2006) — um jovem santo da era digital cuja vida permanece um modelo de evangelização digital.
O processo de seleção teve início no final de 2024 e incluiu uma pesquisa nacional com jovens, líderes de jovens e educadores, seguida por uma análise dos candidatos e uma seleção final pela COL.
Após a seleção, um grupo de jovens voluntários passou dois meses estudando a vida e a espiritualidade dos cinco Santos Patronos. Por meio de oração, discussão e reflexão conjunta, eles prepararam uma oração específica e um símbolo representativo para cada santo, buscando expressar o testemunho singular que cada um oferece à juventude atual.
O cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, afirma que “os santos patronos desempenham um papel fundamental na preparação de cada Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Eles convidam os jovens, educadores e pastores a refletir sobre o dom do chamado de Deus sobre vocação batismal, sacerdotal, religiosa e matrimonial, encorajando-nos a responder a ela com generosidade e coragem, seguindo Cristo, que venceu o mundo, como nos redorda o tema da próxima JMJ.”
“Que o testemunho desses santos patronos – conclui Farrell – inspire os jovens de todo o mundo, especialmente em contextos marcados por dificuldades e perseguições, a perceberem que a santidade não é um ideal distante, a fixarem o olhar em Cristo e a responderem generosamente ao Seu chamado.”
O arcebispo Peter Soon-taick Chung de Seul, presidente do Comitê Organizador Local da JMJ Seul 2027, afirmou que “esses santos patronos transcendem continentes e gerações, e cada um oferece um caminho concreto para vivenciar sua fé nas realidades que os jovens enfrentam hoje. Espero que os jovens descubram nesses santos exemplos para suas próprias vidas e, por meio da jornada de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, estabeleçam uma profunda conexão espiritual com eles.”
O Comitê Organizador Local continuará apresentando a vida e a espiritualidade dos santos patronos por meio do site oficial da JMJ Seul 2027 e das redes sociais, além de desenvolver conteúdo e programas adicionais para ajudar os jovens a se envolverem mais profundamente com seu testemunho.
Em concomitância com este anúncio, o Comitê Organizador Local está lançando um recurso interativo intitulado “Descubra seu Santo Padroeiro!”. Concebido no estilo de testes de personalidade e quizzes interativos muito populares entre os jovens atualmente, o recurso convida os usuários a responderem a uma série de perguntas de múltipla escolha para descobrir qual dos cinco santos padroeiros mais se assemelha à sua personalidade.
Na coletiva de imprensa realizada na 62ª Assembleia Geral da CNBB, os Bispos abordaram três temas. Leia a matéria completa e confira!
Na manhã desta ultima quinta-feira (23), durante asétima coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da CNBB, os assuntos em pauta abordados pelos Bispos foram: o 19° Congresso Eucarístico Nacional, o 7° Congresso Americano Missionário (CAM7) e a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.
19º Congresso Eucarístico Nacional
Segundo Dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia, o 19º Congresso Eucarístico Nacional será realizado em Goiânia (GO), entre os dias 3 e 7 de setembro de 2027. De acordo com o arcebispo, durante a Assembleia Geral da CNBB, os Bispos receberam o convite oficial para o evento, acompanhado do texto-base, que reúne informações e orientações para motivar a participação em todo o país.
O tema escolhido para o Congresso foi “Hóstias vivas no mundo para a glória do Pai”, inspirado na Carta de São Paulo aos Romanos (capítulo 12), na qual o apóstolo exorta os fiéis a se tornarem “hóstias vivas”. De acordo com Dom João, o evento contará com dois formatos de atividades: conferências maiores, destinadas a todos os participantes, e conferências menores, realizadas em grupos reduzidos, favorecendo maior aprofundamento e partilha.
“A partir desta inspiração do tema, nós organizamos também o Simpósio Teológico que acontecerá durante o Congresso, simpósio composto por conferências maiores e menores. Maior no sentido de que será para todos os participantes do Simpósio e depois as conferências em grupos menores”,relatou.
Dessa forma, o arcebispo de Goiânia destacou que o Congresso contará com a participação de diversos Bispos. Entre as participações, a expectativa é alta, pois uma das novidades é o convite feito ao Papa Leão XIV para que ele participe do evento:
“A Presidência da CNBB fez o convite oficial, lembrando ao Papa que, em 1980, na primeira visita do Papa São João Paulo II ao Brasil, ele concluiu o Congresso Eucarístico de Fortaleza, voltou em 1991 e concluiu o Congresso Eucarístico de Natal. Isso nos dá uma chama de esperança para que ele se interesse em estar conosco”, contou.
Dom João concluiu ao afirmar que o sentimento é de felicidade pelas inscrições realizadas com mais de 100 bispos, os quais confirmaram presença no Congresso.
Rian TorresBispos durante a coletiva de imprensa da Assembleia Geral da CNBB
Congresso Americano Missionário
Outro tema discutido durante a coletiva de imprensa foi o lançamento do Congresso Americano Missionário, que será realizado no ano de 2029, no Brasil. Dom Maurício da Silva Jardim, Bispo de Rondonópolis Guiratinga (MT) e presidente da Comissão do CAM7, falou sobre o processo de preparação que está sendo lançado na Assembleia Geral da CNBB. Em consonância com o tema, o bispo disse que: “uma fé madura é sempre uma fé missionária”.
De acordo com Dom Maurício, essa fé leva cada um a sair de si mesmo e a se tornar uma Igreja em saída. Ao contextualizar o continente americano, o Bispo destacou a tradição dos 50 anos da realização de Congressos Missionários Americanos:
“O primeiro Congresso Missionário Latino-Americano aconteceu na cidade do México, em 1977. O quinto aconteceu na nossa Igreja no Brasil em 1995, na Arquidiocese de Belo Horizonte, com o tema: Vinde, vede e anunciai”, abordou.
O 7° Congresso Americano Missionário será realizado na Arquidiocese de Curitiba (PR)de 14 a 18 de novembro de 2029. Para Dom Maurício, a natureza desses Congressos Missionários é sempre de animação missionária e cooperação Missionária da Igreja: “Animar as igrejas locais, nossas Arquidioceses, Dioceses e prelazias, para um grande impulso missionário”,afirmou.
Sendo assim, o presidente da Comissão do CAM7 enfatizou que cada Congresso tem como objetivo impulsionar as Igrejas locais para um novo ardor Missionário e isso se dá por meio de um processo de preparação.
Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país
Por fim, Dom Gregório Paixão, arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal de Cultura e Educação da CNBB, comunicou sobre a possibilidade da criação de um Fundo Nacional para o patrimônio cultural da Igreja Católica no país.
Nas palavras de Dom Gregório, mais de 50% dos patrimônios tombados no Brasil pertencem à Igreja Católica. Sendo assim, precisam ser preservados, pois apresentam o risco de estar em perigo. Diante dos fatos apresentados no Brasil, o Ministério Público alertou a CNBB para que tenham o olhar mais “alargado” sobre o patrimônio cultural brasileiro, especificamente, o patrimônio cultural católico:
“Neste sentido, a nossa comissão também foi provocada pela CNBB para que pudéssemos encontrar possibilidades quanto à preservação, vendo não apenas as necessidades de uma ou outra Diocese, mas de todo o Brasil”,explicou.
O arcebispo de Fortaleza relatou que, dessa maneira, nasceu a necessidade de pensar em um Fundo Nacional para preservar estes patrimônios:
“Conseguimos unir o IPHAN com o Ministério Público, a Universidade Católica do Rio de Janeiro e diversos setores de várias instituições para que pudéssemos pensar um pouco sobre o que é que nós desejamos”, pontuou.
Ao concluir seu discurso, Dom Gregório encerrou ao dizer que esta temática será apresentada diante de toda Assembleia dos Bispos, a fim de que tenham a possibilidade de captar com toda a vigilância brasileira e orientar melhor as dioceses, para que possam cuidar desses patrimônios que pertencem a todos os brasileiros e à Igreja Católica.
Foi aprovado na sessão desta tarde, 22 de abril, da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Bispos do Brasil (CNBB), o projeto Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil, que reúne um portal de dados da Igreja do Brasil e um sistema de dados para as chancelarias das dioceses.
A plataforma é um repositório de dados coletados e validados juntos às dioceses que reunirá todos os dados referentes à Igreja, como informações sobre bispos, dioceses, padres, diáconos, regionais e históricos. Junto com a plataforma de dados, estará disponível um portal para consulta dos dados públicos por toda sociedade.
O projeto já foi apresentado e validados pelo Conselho Permanente da CNBB e aplicado em 20 dioceses piloto do Brasil, com realidades e níveis de organização diferentes. Segundo dom Ricardo, as principais características é que a gestão dos dados será feito integralmente pela CNBB em uma base única e segura que hoje depende de terceiros.
Equipe responsável pelo CDIC. | Fotos: Marketing Edições CNBB.
Sessão Solene pelo bicentenário das relações Brasil Santa Sé
Nesta tarde, os bispos também tiveram uma Sessão Solene de Comemoração do Bicentenário de Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A sessão teve a participação do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, representante diplomático da Santa Sé no país; do arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e do arcebispo de Brasília e presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil-Santa Sé, dom Paulo Cezar Costa.
Em sua fala, o núncio destacou que o bicentenário das relações entre Brasil e Santa Sé remetem a uma trajetória singular e profunda, com benefícios para os dois Estados. “Tanto em termos morais quanto nos mais complexos, essa relação reconheceu-se como um elemento de grande relevância para ambas as partes. E isso não apenas no plano, diplomático, mas também sob o ponto de vista humano, cultural, moral e eclesial”, falou o núncio.
Segundo o núncio, o Brasil representa para a Igreja uma realidade humana e espiritual ampla e densa, ao mesmo tempo que a Igreja representou e continua representando para o Brasil uma “força decisiva da inclusão moral, da elevação espiritual, da promoção da dignidade humana e do amadurecimento”, falou dom Giambattista. “Ao olhar para esse caminho secular, somos convidados a ver o passado com gratidão, o presente com responsabilidade e o futuro com confiança e angústia”, concluiu o núncio.
Dom Jaime falou aos bispos que, ao celebrarem o bicentenário das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, eles são convidados a discernir com responsabilidade os passos que virão pela frente, entre eles a recepção e implementação do acordo nas Igrejas particulares.
O acordo é uma conquista importante que, segundo dom Jaime, traz benefícios não só para a Igreja, mas para toda sociedade. “Quando a assistência religiosa é assegurada em hospitais, presídios e quartéis, protege-se o direito fundamental da pessoa humana. Quando o patrimônio cultural da Igreja é preservado, resguarda-se uma parte essencial da memória nacional. Quando as instituições católicas de ensino atuam com liberdade e responsabilidade, toda a sociedade se beneficia de sua contribuição educativa. E quando a Igreja pode desenvolver suas obras sociais, pastorais e assistenciais com estabilidade jurídica, amplia-se sua capacidade de servir aos mais pobres e vulneráveis”, finalizou o presidente da CNBB.
Liberdade religiosa
Dom Paulo ainda destacou que o acordo Brasil Santa Sé salvaguarda a liberdade religiosa, tão cara à Igreja Católica e, consequentemente, o pleno reconhecimento da liberdade religiosa. “O acordo consagra a verdadeira laicidade do Estado, onde a diversidade religiosa presente no povo é respeitada.”
Citando o texto do acordo que os bispos receberam durante a sessão, dom Paulo explicou que através dele, o Estado brasileiro se mostra parceiro da Igreja Católica. “A sociedade brasileira seguramente seria mais pobre sem a presença e atuação da Igreja”, finalizou dom Paulo.
“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.
“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé.”
Papa interage com os jornalistas (@Vatican Media) Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?
Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia “Bem-vindo, Papa Leão”. Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.
Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?
O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.
E as próximas viagens?
Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.
O Papa respondeu a cinco perguntas (@Vatican Media) Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?
Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.
Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?
Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.
Anneliese Taggart (Newsmax TV – USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?
Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas desde a concepção até a morte natural deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.
Os bispos do Brasil aprovaram, na manhã desta quarta-feira, 23 de abril, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O documento, que orientará a missão da Igreja no país nos próximos seis anos, foi aprovado por 294 bispos reunidos durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Desde o início da assembleia, em 15 de abril, o episcopado brasileiro se dedicou à leitura, escuta e aprimoramento do texto, elaborado por uma comissão específica. Ao longo desse processo, os bispos, organizados por regionais, apresentaram 656 emendas, das quais a grande maioria foi incorporada à versão final.
Caminho de comunhão e escuta
Antes da aprovação, o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão responsável, dom Leomar Antônio Brustolin, apresentou o texto final com as contribuições acolhidas. Segundo ele, cerca de 90% das sugestões foram integradas, sempre preservando a unidade e o horizonte comum da Igreja no Brasil.
“Fizemos o melhor possível para que esse texto seja a expressão real da nossa caminhada comum”, destacou.
A aprovação foi marcada por um gesto de reconhecimento coletivo: os bispos aplaudiram de pé o trabalho da comissão. O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, ressaltou o caráter espiritual do processo:
“Creio que temos em mãos um verdadeiro Pentecostes. Isto é obra do Espírito, não nossa, é do Espírito de Deus”.
Leitura de bastidores e significado das novas diretrizes
Em reflexão sobre o processo, o vice-presidente da REPAM, dom Pedro Brito, destacou que as novas diretrizes chegam após um período de prorrogação das anteriores, inicialmente previstas para serem concluídas em 2023.
“As antigas diretrizes deveriam ter sido finalizadas em 2023, mas acabaram sendo prorrogadas por alguns fatores importantes, como a necessidade de incorporar as conclusões do Sínodo e também pela morte do Papa Francisco, que provocou o cancelamento da Assembleia do ano passado. Esses elementos fizeram com que o processo fosse estendido, gerando uma expectativa grande pela aprovação das novas diretrizes agora.”
Dom Pedro também chamou atenção para o clima vivido na assembleia no momento que antecedeu a votação final do texto.
“Eu nunca vi, em tantos anos de assembleia, uma reação como essa: toda a assembleia se levantou e aplaudiu a equipe antes mesmo da votação. Isso pode ser lido como um sinal de alívio, depois de um processo longo, mas também como reconhecimento de que as diretrizes trazem algo novo e importante para a Igreja.”
Avanços para a missão e cuidado da Casa Comum
O presidente da REPAM, dom Evaristo Pascoal Spengler, ressaltou o caráter sinodal do processo e destacou avanços importantes presentes nas novas diretrizes.
“A participação na Assembleia dos Bispos do Brasil foi uma experiência muito significativa de uma Igreja que caminha em sinodalidade. A redação das Diretrizes foi um processo de cerca de quatro anos, envolvendo todos os bispos, com muitas contribuições dos regionais e uma vivência profunda de escuta.”
Dom Evaristo apontou dois elementos centrais como novidades no documento.
“Destaco dois aspectos importantes: a criação, pela primeira vez, do Ministério do Cuidado da Casa Comum, que deve ser impulsionado onde já existe e criado onde ainda não está presente; e o reconhecimento dos povos indígenas como evangelizadores, dentro da perspectiva do povo de Deus em missão.”
Segundo ele, esses pontos refletem uma Igreja em diálogo com os territórios e com a realidade dos povos.
“A Igreja tem aprendido muito nesse encontro do Evangelho com os povos indígenas, especialmente pela sua experiência comunitária, pelo cuidado com a ecologia integral e pela vivência da partilha e da gratuidade. As sementes do Verbo estão presentes em suas culturas.”
Para o presidente da REPAM, esses avanços fortalecem o compromisso com uma Igreja cada vez mais aberta ao cuidado da vida e da Casa Comum.
Igreja em missão: próximos passos
As diretrizes, após ajustes finais, devem ser publicadas pelas Edições CNBB nas próximas semanas.
Durante a assembleia, também foram apresentados outros temas relevantes para a caminhada da Igreja no Brasil. Entre eles, o 19º Congresso Eucarístico Nacional, previsto para setembro de 2027, em Goiânia (GO), com o tema “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”.
Outro destaque foi a apresentação das Edições CNBB, responsável pela publicação dos documentos oficiais da Igreja no país. Entre as novidades, está o desenvolvimento de um aplicativo com a Bíblia e a biblioteca digital da CNBB, que reunirá conteúdos oficiais com acesso facilitado e ferramentas de leitura, incluindo a prática da Lectio Divina. incluindo a prática da Lectio Divina.
“Tudo está interligado”: bispos reforçam cuidado com a criação em missa na CNBB
A Eucaristia foi presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão, dom Gilberto Pastana de Oliveira e teve água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais levadas ao presbitério.
Na terça-feira, 21 de abril, dia em que se recordou o primeiro ano de falecimento do Papa Francisco, os bispos do Brasil reunidos na 62ª Assembleia Geral da CNBB celebraram a Missa pelo Cuidado da Criação. Na celebração presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão (MA), dom Gilberto Pastana de Oliveira, e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, foi utilizado pela primeira vez o formulário litúrgico aprovado pelo episcopado brasileiro para este momento.
A Missa pelo Cuidado com a Criação celebrada no Santuário Nacional de Aparecida recordou os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Lançado em 2015, o documento trata do cuidado com a criação. Na procissão de entrada foram levados ao altar central porções da água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais da CNBB.
Em sua homilia, dom Pastana recordou que a Igreja eleva sua oração e também trabalha pelo cuidado com a criação, mesmo diante da dureza do coração. “Quantas vezes, nos dias de hoje, nós resistimos: resistimos quando sabemos o que é certo, mas não mudamos; resistimos quando ouvimos o clamor da criação, mas seguimos indiferentes; resistimos quando Deus nos chama, mas preferimos seguir no mesmo caminho. A dureza do coração não fere apenas a fé, ela fere também a criação”.
Durante a reflexão, o arcebispo de São Luís do Maranhão lembrou dos rios poluídos, florestas devastadas e do clima em desequilíbrio. “Como nos recorda a Laudato Si’, tudo está interligado. Não existem duas crises separadas: uma ambiental e outra social. Existe uma e complexa crise socioambiental. Por isso, cuidar da criação não é algo secundário, não é moda, mas é evangélico, é justiça e fidelidade a Deus”, recordou dom Pastana.
Marilza Schuina, do Setor Ceb’s da Comissão do Laicato. | Fotos: Jaison Alves.
Crise socioambiental e necessidade de contemplar a criação
Ele ainda recordou as diferentes faces desta crise e concluiu que somente em Cristo é possível buscar soluções para o cuidado com a Casa Comum e com os mais pobres. “O mundo de hoje tem fome, mas não apenas fome de pão. Tem fome de sentido, de cuidado, de fraternidade, de Deus. E, muitas vezes, tentamos saciar esta fome com consumo, com acúmulo e com a lógica do descarte, mas nada disso preenche o coração humano. Somente Cristo sacia e quem se alimenta Dele aprende a viver de modo novo, aprende que viver não é possuir, mas cuidar”, concluiu.
Dom Pastana ainda lembrou que é necessário resgatar o exercício da contemplação. “Precisamos recuperar a capacidade de nos encantar com a criação, reconhecendo que tudo é dom de Deus, que tudo é graça Dele”. O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia refletiu o caminho do Magistério do Papa Francisco e a caminhada do Papa Leão XIV na defesa dos mais necessitados e na construção da paz.
“Hoje o Senhor nos interpela com seriedade: ‘o que vocês estão fazendo com a minha criação’ e mais ainda: ‘o que vocês estão fazendo com os meus pobres?’ Que continuemos a ser uma Igreja que escuta o clamor da terra e dos pobres, uma Igreja que vive com responsabilidade e testemunha, com a própria vida, o amor de Deus”, concluiu dom Gilberto Pastana.
A Missa pelo Cuidado da Criação foi concluída com a consagração a Nossa Senhora Aparecida feita pelo arcebispo de Manaus e membro da Comissão Episcopal para a Amazônia, dom Leonardo Cardeal Steiner.
FONTE/CRÉDITOS: Por Felipe Padilha – Comunicação 62ª AG CNBB.