Papa: como pastor, não posso ser a favor da guerra

“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.

“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé.”

Papa interage com os jornalistas (@Vatican Media)
Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?

Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia “Bem-vindo, Papa Leão”. Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.

Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?

O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.

E as próximas viagens?

Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.

O Papa respondeu a cinco perguntas (@Vatican Media)
Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?

Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.

Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?

Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.

Anneliese Taggart (Newsmax TV – USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?

Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas desde a concepção até a morte natural deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.

Bispos aprovam novas Diretrizes que vão orientar a evangelização no Brasil pelos próximos seis anos

Os bispos do Brasil aprovaram, na manhã desta quarta-feira, 23 de abril, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O documento, que orientará a missão da Igreja no país nos próximos seis anos, foi aprovado por 294 bispos reunidos durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Desde o início da assembleia, em 15 de abril, o episcopado brasileiro se dedicou à leitura, escuta e aprimoramento do texto, elaborado por uma comissão específica. Ao longo desse processo, os bispos, organizados por regionais, apresentaram 656 emendas, das quais a grande maioria foi incorporada à versão final.

Caminho de comunhão e escuta

Antes da aprovação, o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão responsável, dom Leomar Antônio Brustolin, apresentou o texto final com as contribuições acolhidas. Segundo ele, cerca de 90% das sugestões foram integradas, sempre preservando a unidade e o horizonte comum da Igreja no Brasil.

“Fizemos o melhor possível para que esse texto seja a expressão real da nossa caminhada comum”, destacou.

A aprovação foi marcada por um gesto de reconhecimento coletivo: os bispos aplaudiram de pé o trabalho da comissão. O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, ressaltou o caráter espiritual do processo:

“Creio que temos em mãos um verdadeiro Pentecostes. Isto é obra do Espírito, não nossa, é do Espírito de Deus”.

Leitura de bastidores e significado das novas diretrizes

Em reflexão sobre o processo, o vice-presidente da REPAM, dom Pedro Brito, destacou que as novas diretrizes chegam após um período de prorrogação das anteriores, inicialmente previstas para serem concluídas em 2023.

“As antigas diretrizes deveriam ter sido finalizadas em 2023, mas acabaram sendo prorrogadas por alguns fatores importantes, como a necessidade de incorporar as conclusões do Sínodo e também pela morte do Papa Francisco, que provocou o cancelamento da Assembleia do ano passado. Esses elementos fizeram com que o processo fosse estendido, gerando uma expectativa grande pela aprovação das novas diretrizes agora.”

Dom Pedro também chamou atenção para o clima vivido na assembleia no momento que antecedeu a votação final do texto.

“Eu nunca vi, em tantos anos de assembleia, uma reação como essa: toda a assembleia se levantou e aplaudiu a equipe antes mesmo da votação. Isso pode ser lido como um sinal de alívio, depois de um processo longo, mas também como reconhecimento de que as diretrizes trazem algo novo e importante para a Igreja.”

Avanços para a missão e cuidado da Casa Comum

O presidente da REPAM, dom Evaristo Pascoal Spengler, ressaltou o caráter sinodal do processo e destacou avanços importantes presentes nas novas diretrizes.

“A participação na Assembleia dos Bispos do Brasil foi uma experiência muito significativa de uma Igreja que caminha em sinodalidade. A redação das Diretrizes foi um processo de cerca de quatro anos, envolvendo todos os bispos, com muitas contribuições dos regionais e uma vivência profunda de escuta.”

Dom Evaristo apontou dois elementos centrais como novidades no documento.

“Destaco dois aspectos importantes: a criação, pela primeira vez, do Ministério do Cuidado da Casa Comum, que deve ser impulsionado onde já existe e criado onde ainda não está presente; e o reconhecimento dos povos indígenas como evangelizadores, dentro da perspectiva do povo de Deus em missão.”

Segundo ele, esses pontos refletem uma Igreja em diálogo com os territórios e com a realidade dos povos.

“A Igreja tem aprendido muito nesse encontro do Evangelho com os povos indígenas, especialmente pela sua experiência comunitária, pelo cuidado com a ecologia integral e pela vivência da partilha e da gratuidade. As sementes do Verbo estão presentes em suas culturas.”

Para o presidente da REPAM, esses avanços fortalecem o compromisso com uma Igreja cada vez mais aberta ao cuidado da vida e da Casa Comum.

Igreja em missão: próximos passos

As diretrizes, após ajustes finais, devem ser publicadas pelas Edições CNBB nas próximas semanas.

Durante a assembleia, também foram apresentados outros temas relevantes para a caminhada da Igreja no Brasil. Entre eles, o 19º Congresso Eucarístico Nacional, previsto para setembro de 2027, em Goiânia (GO), com o tema “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”.

Outro destaque foi a apresentação das Edições CNBB, responsável pela publicação dos documentos oficiais da Igreja no país. Entre as novidades, está o desenvolvimento de um aplicativo com a Bíblia e a biblioteca digital da CNBB, que reunirá conteúdos oficiais com acesso facilitado e ferramentas de leitura, incluindo a prática da Lectio Divina. incluindo a prática da Lectio Divina.

Fonte: Repam 

Missa pelo Cuidado da Criação celebra 10 anos da Encíclica Laudato Si’ na 62ª AG da CNBB

Missa pelo Cuidado da Criação celebra 10 anos da Encíclica Laudato Si’ na 62ª AG da CNBB

“Tudo está interligado”: bispos reforçam cuidado com a criação em missa na CNBB

Missa pelo Cuidado da Criação celebra 10 anos da Encíclica Laudato Si’ na 62ª AG da CNBB

A Eucaristia foi presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão, dom Gilberto Pastana de Oliveira e teve água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais levadas ao presbitério.

Na terça-feira, 21 de abril, dia em que se recordou o primeiro ano de falecimento do Papa Francisco, os bispos do Brasil reunidos na 62ª Assembleia Geral da CNBB celebraram a Missa pelo Cuidado da Criação. Na celebração presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão (MA), dom Gilberto Pastana de Oliveira, e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, foi utilizado pela primeira vez o formulário litúrgico aprovado pelo episcopado brasileiro para este momento.

A Missa pelo Cuidado com a Criação celebrada no Santuário Nacional de Aparecida recordou os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Lançado em 2015, o documento trata do cuidado com a criação. Na procissão de entrada foram levados ao altar central porções da água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais da CNBB.

Em sua homilia, dom Pastana recordou que a Igreja eleva sua oração e também trabalha pelo cuidado com a criação, mesmo diante da dureza do coração. “Quantas vezes, nos dias de hoje, nós resistimos: resistimos quando sabemos o que é certo, mas não mudamos; resistimos quando ouvimos o clamor da criação, mas seguimos indiferentes; resistimos quando Deus nos chama, mas preferimos seguir no mesmo caminho. A dureza do coração não fere apenas a fé, ela fere também a criação”.

Durante a reflexão, o arcebispo de São Luís do Maranhão lembrou dos rios poluídos, florestas devastadas e do clima em desequilíbrio. “Como nos recorda a Laudato Si’, tudo está interligado. Não existem duas crises separadas: uma ambiental e outra social. Existe uma e complexa crise socioambiental. Por isso, cuidar da criação não é algo secundário, não é moda, mas é evangélico, é justiça e fidelidade a Deus”, recordou dom Pastana.

Marilza Schuina, do Setor Ceb’s da Comissão do Laicato. | Fotos: Jaison Alves.

Crise socioambiental e necessidade de contemplar a criação

Ele ainda recordou as diferentes faces desta crise e concluiu que somente em Cristo é possível buscar soluções para o cuidado com a Casa Comum e com os mais pobres. “O mundo de hoje tem fome, mas não apenas fome de pão. Tem fome de sentido, de cuidado, de fraternidade, de Deus. E, muitas vezes, tentamos saciar esta fome com consumo, com acúmulo e com a lógica do descarte, mas nada disso preenche o coração humano. Somente Cristo sacia e quem se alimenta Dele aprende a viver de modo novo, aprende que viver não é possuir, mas cuidar”, concluiu.

Dom Pastana ainda lembrou que é necessário resgatar o exercício da contemplação. “Precisamos recuperar a capacidade de nos encantar com a criação, reconhecendo que tudo é dom de Deus, que tudo é graça Dele”. O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia refletiu o caminho do Magistério do Papa Francisco e a caminhada do Papa Leão XIV na defesa dos mais necessitados e na construção da paz.

“Hoje o Senhor nos interpela com seriedade: ‘o que vocês estão fazendo com a minha criação’ e mais ainda: ‘o que vocês estão fazendo com os meus pobres?’ Que continuemos a ser uma Igreja que escuta o clamor da terra e dos pobres, uma Igreja que vive com responsabilidade e testemunha, com a própria vida, o amor de Deus”, concluiu dom Gilberto Pastana.

A Missa pelo Cuidado da Criação foi concluída com a consagração a Nossa Senhora Aparecida feita pelo arcebispo de Manaus e membro da Comissão Episcopal para a Amazônia, dom Leonardo Cardeal Steiner.

 FONTE/CRÉDITOS: Por Felipe Padilha – Comunicação 62ª AG CNBB.
Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, CNBB e CRB firmam protocolo de intenções para a proteção de menores na Igreja no Brasil

Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, CNBB e CRB firmam protocolo de intenções para a proteção de menores na Igreja no Brasil

O documento foi assinado durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB e reforça o compromisso da Igreja com a proteção de menores e pessoas vulneráveis.

Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, CNBB e CRB firmam protocolo de intenções para a proteção de menores na Igreja no Brasil

O documento foi assinado durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB pelo presidente da Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, dom Thibault Verny; o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e a presidente da CRB, irmã Maria do Disterro Rocha Santos; com o objetivo de promover iniciativas conjuntas entre as instituições para o cuidado de menores e pessoas vulneráveis. O documento reconhece que promover ambientes seguros faz parte da missão evangelizadora e do cuidado pastoral da Igreja, por isso, defende a necessidade de construir uma cultura de prevenção, proteção e cuidados.

Pelo protocolo assinado, que está organizado em sete cláusulas, as conferências e a Pontifícia Comissão firmam o compromisso conjunto de, entre outras coisas, promover e fortalecer processos permanentes de informação pastoral, teológica e institucional nas diversas instâncias da Igreja; incentivar a cooperação entre dioceses, institutos, sociedades e organismos eclesiais, favorecendo a comunhão e a responsabilidade na missão; implementar boas práticas institucionais e pastorais que contribuam para o ambiente de relações saudáveis e promoção da cultura do cuidado da Igreja; e colaborar na promoção de ações preventivas e formativas de proteção de menores e pessoas vulneráveis em consonância com as orientações da Igreja.

Apresentação da Pontifícia Comissão

Antes da assinatura do protocolo, representantes da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores da Santa Sé falaram aos bispos sobre a política de proteção e cuidado nos espaços eclesiais. A Comissão, criada em 2014 pelo Papa Francisco, tem o objetivo de acompanhar dioceses, organismos e instituições eclesiais de todo mundo e propor iniciativas ao Papa de proteção de menores.

O presidente da Pontifícia Comissão, dom Thibault Verny, destacou aos bispos que tratar o assunto exige humildade e fraternidade. “Humildade pois não estamos aqui para dar lições com ar de superioridade sobre a prevenção e a situação de abuso. Devemos fazer o melhor possível, porque o assunto é crucial. Fraternidade porque desejamos caminhar com vocês, ombro a ombro, e ouvi-los”, falou o presidente da comissão.

Dom Thibault Verny | Foto: Jaison Alves – Comunicação 62ª AG CNBB.

Segundo ele, um dos principais obstáculos nessa luta é considerar-se perfeito. Reconhecer a verdade nem sempre é fácil, mas é o primeiro passo para se colocar no caminho. “Quando a Igreja realiza o trabalho com a verdade em auxílio às vítimas, anuncia a Boa Nova.”

Reforçando que a prevenção e cuidado com as pessoas vulneráveis é papel de todos, o presidente colocou a Pontifícia Comissão à disposição dos bispos, afirmando que a Igreja do Brasil tem papel profético nesse tema.

Em seguida, o secretário, dom Luis Manuel Ali Herrera, apresentou histórico e missão da Comissão. Destacou que ela não faz as vezes de Tribunal Eclesiástico ou de instituição acadêmica, mas expressa iniciativas de proteção com a proposta de acompanhar as dioceses na prevenção e no acompanhamento às vítimas. “A comissão trabalha junto às conferências que precisam de apoio.”

Visibilidade é ato de justiça

A oficial da Pontifícia Comissão de Tutela, Cláudia Giampietro, fez um apelo aos bispos, ressaltando que a contribuição que eles oferecem, como pastores, ninguém mais pode dar. “Vocês conhecem o Brasil, este Brasil que tem mais católicos do que qualquer outro país do mundo e o modo que ninguém em Roma pode conhecer.”

Em sua fala propositiva, Cláudia convidou os bispos ao diálogo e a pensarem o tema à luz da realidade que eles vivem, conhecem e pastoreiam em suas dioceses na Igreja do Brasil. “A pergunta que trago não é simplesmente para dizer como fazer, mas como tornar mais visível aquilo que já existe. A visibilidade, no caso da prevenção, não é uma questão primária, é um ato de justiça para quem eventualmente precisa encontrar uma porta aberta.”

Memória do Papa Francisco

Na assinatura do protocolo, o secretário geral da CNBB, dom Ricardo Hoeppers, recordou o ano de falecimento do Papa Francisco, que tanto trabalhou pela defesa dos mais vulneráveis. “Fazendo memória ao Papa Francisco e ao assinarmos o protocolo, que possamos firmar a esperança que deixou no coração de sermos Igreja para todos, todos, todos.”

Trabalho sobre as Diretrizes

Na segunda sessão do dia, os bispos deram novas sugestões ao texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil, apresentado ontem já com as emendas da primeira discussão.

FONTE/CRÉDITOS: Por Juliana Mastelini – Comunicação 62ª AG CNBB.

Bispo de Roraima reforça comunhão com o Papa diante de críticas na 62ª Assembleia Geral da CNBB

Dom Evaristo: “Somos filhos desta Igreja e queremos viver em comunhão com o Papa”.

Foto: Redes socias da TV Aparecida em colab com a Diocese de Roraima

A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada de 15 a 24 de abril, é marcada por manifestações de unidade e comunhão com o Papa Leão XVI, em meio a críticas e ataques ao Santo Padre. 

Durante o encontro, bispos reforçaram a importância da fidelidade ao Papa e da vivência de uma relação filial dentro da Igreja. O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, em entrevista à TV Aparecida, ressaltou a necessidade de unidade diante dos desafios atuais.

“Estamos enviando várias mensagens ao Papa Leão, que neste momento tem recebido muitas críticas e ataques. Manifestamos a ele a nossa comunhão. Somos filhos desta Igreja e queremos, cada vez mais, viver uma relação filial com o nosso Papa e com todos os bispos do Brasil, em comunhão fraterna”, disse o bispo.

A declaração reflete o clima da assembleia, que reúne o episcopado brasileiro para momentos de oração, reflexão e decisões pastorais. A unidade com o Papa aparece como ponto central e reforça a ligação entre a Igreja no Brasil e a missão universal da Igreja Católica. 

Os bispos também destacam a necessidade de testemunhar a fé com serenidade, mesmo diante de críticas. A proposta é fortalecer uma Igreja que dialogue, escute e permaneça firme em sua missão evangelizadora. 

A assembleia segue até sexta-feira (24), reunindo lideranças da Igreja no Brasil em busca de caminhos comuns para a ação pastoral.

Leão recorda Francisco: doou muito e foi um grande dom para a Igreja e o mundo

Leão recorda Francisco: doou muito e foi um grande dom para a Igreja e o mundo

Durante voo para Malabo, Papa relembra testemunho, palavras e gestos de Francisco no primeiro ano de sua morte.

Leão recorda Francisco: doou muito e foi um grande dom para a Igreja e o mundo
Papa Leão no túmulo de Francesco na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, em 3 de novembro de 2025

No voo de Angola para a Guiné Equatorial, última etapa da viagem apostólica, o Papa recorda com carinho o seu predecessor no primeiro ano da sua morte: “ele doou muito com a sua vida e a sua proximidade aos pobres. Pregou a mensagem da misericórdia. Rezemos para que esteja desfrutando da misericórdia do Senhor”.

“Gostaria de recordar, neste primeiro aniversário da sua morte, o Papa Francisco, que deixou e doou muito à Igreja com a sua vida, o seu testemunho, as suas palavras e os seus gestos. Pelo que fez, vivendo verdadeiramente a proximidade aos mais pobres, aos pequeninos, aos doentes, às crianças, aos idosos”. É o dia da viagem de Angola à Guiné Equatorial, última etapa da viagem apostólica pela África, mas é também um dia especial: o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, falecido na madrugada de 21 de abril de 2025. Uma data comemorada com grande participação nestas horas em todas as partes do mundo. E também o Papa, durante o voo para Malabo, não quis deixar de expressar seu pensamento pessoal pelo predecessor, compartilhado com os cerca de 70 jornalistas que o acompanhavam.

A promoção da fraternidade

Uma lembrança repleta de afeto e gratidão por um Pontífice que – disse ele – “deixou muito à Igreja com o seu testemunho e a sua palavra”. “Muitas coisas” poderiam ser lembradas de Jorge Mario Bergoglio, mas Leão XIV recorda, antes de tudo, a exortação incessante à “fraternidade universal”: Francisco procurou verdadeiramente “promover um respeito autêntico por todos os homens, todas as mulheres, promovendo um espírito de fraternidade, de sermos irmãos e irmãs, todos, de procurar como viver a mensagem que encontramos no Evangelho”.

A mensagem da misericórdia

A outra “mensagem” de Francisco que o Papa Leão recorda é a da “misericórdia”, expressa desde o primeiro Angelus no domingo após a eleição de 13 de março de 2013. “Naquela primeira vez no Angelus, mas também na Santa Missa que celebrou ainda antes da inauguração do pontificado, em 17 de março de 2013”, quando, na paróquia de Santa Ana, no Vaticano, “pregou sobre a mulher que foi encontrada em adultério” e “falou com o coração da misericórdia de Deus, falou com o coração desse grande amor, do perdão e da generosa expressão de misericórdia do Senhor”. Esse “espírito” Francisco quis compartilhá-lo “com toda a Igreja”, reiterou o Papa, lembrando também a “belíssima celebração de um Jubileu extraordinário da misericórdia”.

Presente para todos

“Rezemos para que ele já esteja desfrutando da misericórdia do Senhor”, concluiu Leão XIV, “agradecemos ao Senhor pelo grande dom que foi a vida de Francisco para toda a Igreja e para o mundo inteiro”.

 FONTE/CRÉDITOS: Salvatore Cernuzio – no voo de Luanda a Malabo

Papa:

Papa: “Os idosos guardam a sabedoria de um povo”

Nesta segunda-feira (20), o primeiro compromisso de Leão XIV foi na cidade de Saurimo, visitando um asilo.

Papa:

A manhã desta segunda-feira começou para o Santo Padre com mais um deslocamento em Angola. O Pontífice deixou Luanda em direção a Saurimo, capital da província de Lunda Sul, cidade a cerca de mil quilômetros ao leste da capital.

O primeiro compromisso foi uma visita a um centro de acolhimento para idosos. O local abriga 74 pessoas, das quais 42 mulheres, que têm entre 60 e 93 anos de idade. A maioria foi abandonada pela própria família. Após ouvir alguns testemunhos, iniciou sua saudação com as seguintes palavras: “Paz a esta casa e a quantos nela habitam!”.


A alegria estampada no rosto do Santo Padre   (@Vatican Media)
 

Leão XIV disse que ficou tocado ao saber que chamam este espaço de «lar», uma palavra que remete à família, recordando que Jesus também gostava de estar na casa dos seus amigos, como narram alguns episódios do Evangelho.

“Por isso mesmo, caríssimos, gosto de pensar que Jesus também habita aqui, neste lar. Sim, Ele habita no meio de vós sempre que procurais amar-vos e ajudar-vos mutuamente, como irmãos e irmãs. Sempre que, depois de um mal-entendido ou de uma pequena ofensa, sois capazes de vos perdoar e reconciliar. Sempre que, alguns de vós ou todos juntos, rezais com simplicidade e humildade.”

O Papa manifestou o seu apreço às Autoridades angolanas pelas iniciativas em favor dos idosos mais necessitados, bem como a todos os colaboradores e voluntários. O cuidado das pessoas mais frágeis, afirmou, é um sinal muito importante da qualidade da vida social de um país. “E não nos esqueçamos: os idosos não devem ser apenas assistidos, mas, em primeiro lugar, devem ser escutados, pois guardam a sabedoria de um povo. E temos de lhes ser gratos, pois enfrentaram grandes dificuldades pelo bem da comunidade.”

O Pontífice concluiu sua breve visita afirmando que levará no coração a recordação deste encontro e se despediu invocando a Virgem Maria para que vigie sempre sobre esta comunidade. “E que a minha bênção também vos acompanhe.”

 FONTE/CRÉDITOS: Bianca Fraccalvieri – Vatican News
CNBB lança edital do FNS para apoio financeiro a projetos relativos à Campanha da Fraternidade 2026

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O edital apoia iniciativas que promovem a moradia digna como um direito prioritário, alinhando-se ao objetivo da Campanha da Fraternidade 2026.

CNBB lança edital do FNS para apoio financeiro a projetos relativos à Campanha da Fraternidade 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o edital do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), voltado ao apoio financeiro de projetos ligados à Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O documento regulamenta o cadastro de propostas na plataforma do FNS para receber recursos da Coleta Nacional da Solidariedade, realizada nas celebrações do Domingo de Ramos, nos dias 28 e 29 de março de 2026.

O objetivo do edital é apoiar iniciativas que contribuam para a promoção da moradia digna como prioridade e direito, em sintonia com o objetivo geral da Campanha da Fraternidade 2026. Os projetos poderão ser inscritos em três eixos: apoio emergencial a populações em situação de vulnerabilidade decorrente da falta de moradia; construção, reforma e outras iniciativas coletivas voltadas ao acesso à moradia digna; e ações de conscientização, formação e articulação em defesa do direito à moradia e aos bens essenciais.

Período de inscrições

As inscrições deverão ser feitas pelo site do FNS, em quatro períodos ao longo do ano: de 15 a 30 de abril, de 1º a 30 de junho, de 1º a 30 de agosto e de 1º a 30 de outubro de 2026. Os projetos inscritos serão avaliados em reuniões ordinárias do Conselho Gestor do Fundo, previstas para os dias 25 de maio, 27 de julho, 21 de setembro e 23 de novembro.

Cada projeto poderá receber até R$ 50 mil. O edital prevê que cerca de 30% dos recursos disponíveis sejam destinados a cada um dos três eixos. Os 10% restantes serão reservados para ações de animação, promoção e divulgação da Campanha da Fraternidade em âmbito nacional e regional. Os 19 regionais da CNBB poderão apresentar projetos específicos de até R$ 25 mil para este fim.

O edital reforça ainda que as entidades interessadas devem conhecer previamente o Guia de Cadastramento de Entidades e Projetos disponível na plataforma do Fundo. Também destaca que a inscrição implica aceitação integral das normas do edital e do estatuto do Conselho Gestor do FNS.

 

Acesse (aqui) o edital na íntegra.

Acesse o site do FNS (aqui).

Confira o site de Campanhas da CNBB (aqui).

Formação de secretarias reforça organização e missão na Diocese de Roraima  

A formação, realizada ao longo de três dias, abordou temas administrativos e a sinodalidade na Diocese.

A Diocese de Roraima realizou, entre os dias 15 e 17, na Prelazia, uma formação voltada ao serviço de secretaria. O encontro reuniu padres, religiosos (as), voluntários (as) e secretários (as) de diferentes realidades.

Durante os três dias, os participantes estudaram temas administrativos e refletiram sobre a sinodalidade como caminho de atuação. A formação destacou a importância da escuta, da colaboração e da organização no atendimento às comunidades.

A irmã Ana Maria, das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, afirmou que o encontro contribuiu para o crescimento pessoal e pastoral. Recém-chegada à Diocese, ela destacou a importância de compreender a realidade antes de atuar.

“Este serviço me humaniza, fortalece a minha relação com as pessoas, com a realidade e comigo mesma. Eu não venho da área administrativa, minha experiência é na educação, na escola e na formação, e agora também estou nesse processo de aprendizado. A sinodalidade nos pede abertura e disponibilidade. Precisamos ter essa capacidade de olhar e ajudar as comunidades. Esse conhecimento tem me enriquecido e me capacitado para melhor servir.”, destacou a religiosa.

A voluntária Zaneth Souza, da Missão Indígena Surumu, ressaltou que a experiência representa um novo passo na missão. Segundo ela, a comunidade ainda não possui um espaço estruturado de secretaria, mas pretende iniciar esse trabalho com base no que aprendeu.

A formação reforça o compromisso da Diocese com a organização dos serviços e o apoio às comunidades.

Confira alguns registros:

Um recorde de esperança: 750 Registros Nacionais Migratórios (CRNM) entregues nesta última quarta-feira (15)

Um recorde de esperança: 750 Registros Nacionais Migratórios (CRNM) entregues nesta última quarta-feira (15)

A CRNM é o principal instrumento de identificação do imigrante no Brasil.

Um recorde de esperança: 750 Registros Nacionais Migratórios (CRNM) entregues nesta última quarta-feira (15)
SPM

No último dia 15 de abril, a cidade de Boa Vista foi palco de uma mobilização essencial para a garantia de direitos e a promoção da dignidade humana. O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), em uma atuação conjunta com a Cáritas Diocesana de Roraima e a Polícia Federal, promoveu uma força-tarefa dedicada à entrega de Cédulas de Registro Nacional Migratório (CRNM). A ação, que se estendeu ao longo dos períodos da manhã e da tarde, resultou no atendimento de mais de 750 pessoas, consolidando-se como um marco na rede de apoio local.

A entrega deste documento representa muito mais do que uma formalidade administrativa; a CRNM é o principal instrumento de identificação do imigrante no Brasil, assegurando o seu reconhecimento legal perante o Estado. Com a cédula em mãos, esses novos moradores passam a ter acesso facilitado a serviços públicos essenciais, como saúde e educação, além de estarem aptos a ingressar formalmente no mercado de trabalho e realizar transações civis, passos fundamentais para a plena integração na sociedade brasileira.

A iniciativa, realizada na Casa da Caridade, reforça o compromisso das instituições envolvidas em oferecer não apenas assistência imediata, mas soluções duradouras para quem busca proteção e uma nova oportunidade de vida. A parceria entre a expertise técnica da Polícia Federal e o olhar humanizado do SPM e da Cáritas demonstra a eficácia do trabalho em rede, garantindo que o acolhimento e o cuidado caminhem lado a lado com a regularização documental e o fortalecimento da cidadania em Roraima.

FONTE/CRÉDITOS: Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima