O Vaticano anunciou os detalhes das exéquias do Papa Francisco. Em 23 de abril, o corpo será trasladado à Basílica de São Pedro. A Missa das Exéquias será celebrada em 26 de abril, seguida do sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior.
Vatican News
O Departamento de Celebrações Litúrgicas do Vaticano anunciou os detalhes das exéquias do Papa Francisco. A cerimônia segue as indicações estabelecidas no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, documento que rege os ritos funerários do Pontífice Romano.
Traslado para a Basílica de São Pedro
Na quarta-feira, 23 de abril, às 9h (horário local), o corpo do Papa Francisco será trasladado da Capela da Casa Santa Marta até a Basílica de São Pedro. A condução da urna será precedida por um momento de oração, presidido pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana.
A procissão seguirá pela Praça Santa Marta e pela Praça dos Protormártires Romanos, saindo pelo Arco dos Sinos até a Praça de São Pedro, entrando em seguida na Basílica Vaticana pela porta central. Diante do Altar da Confissão, o cardeal camerlengo conduzirá a Liturgia da Palavra, após a qual será aberto o período de visitação à urna mortuária do Papa Francisco.
Exéquias e sepultamento
No sábado, 26 de abril, às 10h (horário local), será celebrada a Missa das Exéquias, que marca o primeiro dia do Novendiali (novenário), os nove dias de luto e orações em honra ao Pontífice falecido. A celebração ocorrerá no átrio da Basílica de São Pedro e será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício.
Ao final da celebração eucarística, ocorrerão os ritos da Última Commendatio e da Valedictio — despedidas solenes que marcam o encerramento das exéquias. Em seguida, o caixão do Papa será levado novamente para o interior da Basílica de São Pedro e, de lá, transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, onde será realizada a cerimônia de sepultamento.
Diversos chefes de Estado e de governo já anunciaram oficialmente sua presença para prestar homenagem ao Pontífice falecido.
Declaração de óbito, assinada pelo Prof. Andrea Arcangeli (Diretor de Saúde do Vaticano), atesta morte registrada por exame eletrocardiotanatográfico.
Papa Francisco (VATICAN MEDIA Divisione Foto)
O mundo está de luto nesta segunda-feira, 21, com o falecimento do Papa Francisco, aos 88 anos. O Vaticano divulgou oficialmente que o pontífice, cujo nome de batismo era Jorge Mario Bergoglio, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de parada cardiorrespiratória irreversível, às 7h35 desta manhã, em sua residência na Casa Santa Marta.
Em comunicado emocionado, a Santa Sé afirmou: “Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza anunciamos a volta à Casa do Pai de nosso amado Santo Padre Francisco. Sua vida foi um dom total ao serviço de Deus e da Igreja”.
O Papa vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses. Entre fevereiro e março deste ano, ficou hospitalizado por 37 dias devido a uma grave insuficiência respiratória causada por pneumonia bilateral. Apesar das limitações, no Domingo de Páscoa, ele abençoou os fiéis na Praça de São Pedro em uma emocionante aparição pública.
Causas da morte detalhadas pelo Vaticano
O professor Andrea Arcangeli, diretor do Departamento de Saúde do Vaticano, assinou a declaração de óbito, que aponta como causas diretas do falecimento:
Derrame cerebral
Coma
Parada cardiorrespiratória irreversível
O documento também menciona condições pré-existentes que debilitavam sua saúde:
Insuficiência respiratória aguda por pneumonia bilateral
Bronquiectasias múltiplas
Hipertensão arterial
Diabetes tipo 2
A morte foi confirmada por exame eletrocardiotanatográfico. “Declaro, segundo minha ciência e consciência, que as causas do óbito são as acima descritas”, afirmou Arcangeli no relatório oficial.
A missa em homenagem ao Papa ocorrerá na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Boa Vista.
A Diocese de Roraima realiza, nesta segunda-feira (21), às 18h, uma Santa Missa em intenção pela Páscoa do Papa Francisco. A celebração ocorrerá na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Boa Vista, reunindo fiéis e autoridades religiosas em um momento de fé, gratidão e despedida.
O falecimento do Papa Francisco, ocorrido na madrugada desta segunda-feira, marca profundamente a Igreja Católica em todo o mundo. Em Roraima, a dor da perda se une ao reconhecimento por tudo o que o pontífice representou para a Igreja, especialmente para a Amazônia e os povos mais vulneráveis.
O Bispo de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, em coletiva de imprensa no auditório da Rádio Monte Roraima Fm, relembrou com emoção o legado do Papa Francisco, destacando sua simplicidade, humanidade e compromisso com os pobres, os migrantes, a paz e o cuidado com a Casa Comum.
“Francisco foi um Papa diferente desde o início. Ao ser eleito, escolheu o nome inspirado em São Francisco de Assis, um santo que deixou a riqueza da casa do pai para viver com os pobres e os leprosos. Esse nome já indicava o tipo de Papa que ele seria: simples, próximo, humano. Um líder que não quis manto vermelho, que escolheu viver em uma casa simples junto aos bispos, que servia seu próprio café e caminhava entre as pessoas como um igual”, contou Dom Evaristo.
O bispo de Roraima também compartilhou lembranças pessoais com o Papa, como os encontros durante o Sínodo para a Amazônia e a visita ad limina em 2022. Em um desses momentos, Dom Evaristo mostrou a Francisco uma foto de sua primeira comunhão, no dia em que se celebrava o aniversário daquele sacramento na vida do Papa. “Ele olhou a foto, sorriu e confirmou: ‘Sou eu’. Guardarei esse momento com muito carinho”, relatou.
Foto arquivo pessoal.
Francisco foi o primeiro Papa latino-americano da história da Igreja e teve papel crucial na visibilidade das causas amazônicas, sociais e ambientais dentro do Vaticano. Ele promoveu uma Igreja sinodal, missionária e comprometida com os pobres, os povos indígenas e os esquecidos do mundo.
“Estamos diante da perda do maior líder espiritual do século XXI. Um homem que dialogava com todos: religiosos, não religiosos, de diferentes crenças. Ele aproximava pessoas e construiu pontes onde existiam muros. Sua voz era um clamor pela paz e pela justiça”, afirmou Dom Evaristo.
Nota oficial da Diocese de Roraima
Em nota de pesar publicada nesta segunda-feira, a Diocese de Roraima destacou o impacto global e local do pontificado de Francisco:
“Francisco surpreendeu o mundo com sua eleição, com a escolha do seu nome, com a alegria e o sorriso sincero. Ele quebrou protocolos com gestos concretos e com seu jeito simples. Com profetismo e segurança, animou a Igreja e abordou temas e situações difíceis. Trouxe uma fé comprometida com a justiça social, a misericórdia e o cuidado com os pobres e com a casa comum.”
“Promoveu uma Igreja missionária e sinodal, reencantando a vivência do batismo e destacando o protagonismo dos leigos e das mulheres. Trouxe a Amazônia para o centro da Igreja, colocando em pauta as questões socioambientais, culturais e ministeriais. Inspirado por São Francisco de Assis, o Papa foi uma voz incansável na defesa dos mais pobres, dos migrantes e na denúncia da exclusão.”
A nota foi assinada por Dom Evaristo Pascoal Spengler, que encerra o comunicado com um convite à oração e à continuidade do legado deixado pelo Papa:
“Com a certeza da ressurreição e da vitória da vida, convidamos a todos a rezar pela Igreja Universal e manter viva a chama da esperança e da misericórdia que Francisco acendeu.”
Celebração em Boa Vista
A Missa desta segunda-feira, às 18h, será um momento de unidade e reflexão, em que a Diocese convida toda a comunidade para render graças pela vida e missão do Papa Francisco. A celebração também marca o início de um período de vacância na liderança da Igreja, até a escolha do novo pontífice pelos cardeais reunidos em conclave.
Missa de páscoa do Papa Francisco ocorrerá na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Boa Vista.
“Rezamos para que o próximo Papa continue esse caminho de misericórdia e missão. A Igreja não pode retroceder. Francisco nos ensinou que a Igreja é casa para todos, e que não somos melhores do que ninguém. Somos chamados à santidade, caminhando juntos”, afirmou Dom Evaristo.
Confira a nota da Diocese na íntegra:
FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa -Rádio Monte Roraima FM
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,70)
É com profundo pesar que a Igreja em Roraima e em todo mundo recebe a notícia da Páscoa definitiva do Papa Francisco, ocorrida na madrugada desta segunda feira, início do Tempo Pascal. Ele que sempre confiou na misericórdia de Deus, agora retorna à Casa do Pai, onde viverá a plenitude do Reino da Vida.
Francisco surpreendeu o mundo, com sua eleição, com a escolha do seu nome, com a escolha do lugar onde foi morar, com a sua alegria e o seu sorriso sincero. Ele quebrou protocolos com gestos concretos na vivência da fé e com seu jeito simples e próximo das pessoas. Com profetismo e segurança animou a Igreja e abordou temas e situações difíceis. Ele é o primeiro papa latino-americano da história da Igreja, e trouxe uma visão de fé comprometida com a justiça social, a misericórdia e o cuidado com a casa comum e os mais pobres.
Francisco volta ao melhor da Igreja, às fontes da inspiração da fé. Promoveu uma Igreja missionária e sinodal em saída permanente, reencantando a vida cristã na vivência do batismo, no acolhimento, na misericórdia, destacando o protagonismo dos leigos e das mulheres.
Francisco colocou a Amazônia em pauta na Igreja, trazendo-a da periferia para o centro. Com a convocação do Sínodo para a Amazônia, colocou no coração da Igreja e no centro das reflexões teológicas e pastorais grandes temas ligados às questões socioambientais, culturais, ministeriais, povos originários, diálogo com os diferentes, que inspira a Igreja toda a abrir caminhos novos, rumo às periferias, e no cuidado com a Casa Comum.
Inspirado por São Francisco de Assis, o Papa é uma voz incansável na defesa e no cuidado para com os pobres, denunciando a economia da exclusão e o “deus dinheiro”. Sua encíclica Laudato Si’ (2015) mudou significativamente o debate ecológico, ligando a crise ambiental à injustiça social e propondo uma “conversão ecológica”. Na encíclica Fratelli Tutti (2020) reforçou seu chamado à fraternidade universal, convidando a acolher, proteger, promover e integrar aos migrantes, refugiados e a todos os sem pátria.
Pessoalmente, minha vida também foi profundamente marcada pelo Papa Francisco, pela minha nomeação como bispo, em 2016, a convivência e a proximidade no Sínodo para a Amazônia e na visita ad limina em 2022.
Neste momento de dor e gratidão, com a certeza da ressureição e da vitória da vida, que celebramos na Páscoa, convidamos a todos a rezar pela Igreja Universal e manter viva a chama da esperança e da misericórdia que Francisco acendeu. Que seu exemplo nos guie e que ele, agora, participe da plenitude do Reino da Vida.
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina.
Jorge Mario Bergoglio ainda sacerdote e depois de eleito Papa/ Fotos: Daniel Ibánez – CNA / Society of Jesus via CNA – Canção Nova
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina. Sua família, porém, tinha ascendência italiana: a mãe, Regina Maria Sivori nasceu na Argentina, mas com antepassados piemonteses e genoveses; o pai, Mario Giuseppe Bergoglio, era originário da província de Asti, também na região do Piemonte, ao norte da Itália.
Junto a outros familiares, Mario Bergoglio deixou seu país em janeiro de 1929, buscando afastar-se do regime fascista em ascensão sob o comando de Benito Mussolini. Na Argentina, trabalhou como contabilista, fixando residência em Flores, um bairro de classe média da capital. Ao todo, a família teve cinco filhos, dos quais Jorge era o mais velho.
Foi nesta vizinhança que Jorge passou sua infância, colecionando selos e jogando futebol. Naquela região da cidade, estava presente o San Lorenzo de Almagro, clube esportivo fundado com a ajuda de um padre salesiano e que atraiu a torcida do garoto.
O pequeno passava uma boa parte do seu tempo com a avó, que o recebia em sua casa. Ela o ensinou a rezar, e também contava histórias de santos para ele. Os avós costumavam se comunicar no dialeto piemontês, proporcionando a Jorge um contato direto com as raízes de sua família.
A sequela de uma pneumonia
Jorge começou a trabalhar desde cedo. Aos 13 anos, quando entrou para o Ensino Médio – durante o qual se especializou em Química Alimentar –, trabalhava em seu tempo livre. Ele colaborou com a limpeza e, posteriormente, com tarefas administrativas de uma fábrica. Depois, atuou ainda em um laboratório de análises clínicas.
Em sua juventude, Jorge encarou uma pneumonia que quase lhe custou a vida. Com a doença, perdeu o lobo superior do pulmão direito. Também durante este período, o jovem teve uma namorada, mas o chamado ao sacerdócio recorrentemente habitava os seus pensamentos.
A decisão pelo sacerdócio
Em 21 de setembro de 1953, quando tinha 17 anos, Jorge teve uma experiência que o fez decidir-se de vez por este caminho vocacional. Enquanto os amigos o esperavam na estação ferroviária para preparar uma festa para o dia do estudante, o jovem resolveu passar pela Igreja de San José de Flores, próxima à casa dos seus pais.
Lá, viu no último confessionário do lado esquerdo antes do altar um sacerdote, e espontaneamente resolveu se confessar. Naquele confessionário, Jorge viveu uma experiência de encontro, e se decidiu de vez por se tornar padre.
A pedido da mãe, que não havia aceitado bem a ideia, Jorge prosseguiu com seus estudos até obter o diploma de técnico químico. Em 11 de março de 1956, entrou no noviciado da Companhia de Jesus, dando início à formação sacerdotal no seminário diocesano de Villa Devoto. Jorge tinha o desejo de ser missionário no Japão, assim como São Francisco Xavier, jesuíta. Contudo, devido ao grave problema de saúde que carregava consigo, ele não recebeu autorização para partir em missão.
Jorge completou seus estudos humanísticos no Chile, e depois retornou a Buenos Aires para concluir o curso de Filosofia no Colégio San José em San Miguel, em 1963. Entre 1964 e 1965, lecionou Literatura e Psicologia em Santa Fé, e no ano seguinte, regressou à capital argentina.
De 1967 a 1970, Jorge estudou Teologia, também no Colégio San José. Durante este tempo, foi ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Ramón José Castellano em 13 de dezembro de 1969, poucos dias antes de completar 33 anos. Por fim, em 22 de abril de 1973, emitiu a profissão perpétua como jesuíta após passar um período na Espanha.
A caminhada na Companhia de Jesus
De volta à Argentina, foi mestre de noviços na Villa Barilari em San Miguel, professor na faculdade de Teologia, consultor da província da Companhia de Jesus e também reitor do Colégio San José.
Naquele mesmo ano, em 31 de julho, Jorge foi eleito provincial dos jesuítas da Argentina, cargo que desempenhou durante seis anos. Durante este período, precisou lidar com um dos períodos mais conturbados da história do país: o regime militar, que assumiu o governo argentino em março de 1976 após depor a então presidente Isabel Martínez de Perón.
Com o encerramento de seu período como provincial jesuíta ao final da década de 1970, o padre Bergoglio retomou seu trabalho no campo universitário, tornando a ser professor de Teologia, reitor do Colégio San José e pároco.
Em 1986, passou algum tempo na Alemanha, onde concluiu sua tese de doutoramento. Voltando à Argentina, foi enviado para o colégio do Salvador em Buenos Aires e, posteriormente, para a igreja da Companhia de Jesus na cidade de Córdoba, onde foi diretor espiritual e confessor.
O episcopado na vida de Bergoglio
Após este período, o então arcebispo de Bueno Aires, Cardeal Antonio Quarracino, convidou o padre Bergoglio a ser seu colaborador. O Papa João Paulo II acolheu, em 20 de maio de 1992, o pedido de Dom Quarracino, nomeando o padre Bergoglio como bispo auxiliar da Arquidiocese de Buenos Aires.
Desta forma, em 27 de junho daquele mesmo ano, na Catedral de Buenos Aires, o Cardeal Quarracino, o Núncio Apostólico na Argentina e o bispo de Mercedes-Luján impuseram as mãos sobre Jorge Mario Bergoglio, tornando-o bispo. Como lema, escolheu “Miserando atque eligendo”.
O bispo Bergoglio foi imediatamente nomeado vigário episcopal da região Flores, e depois, em 21 de dezembro de 1993, foi-lhe confiada a tarefa de vigário-geral da arquidiocese. Pouco tempo depois, em 3 de Junho de 1997, foi nomeado arcebispo coadjutor de Buenos Aires, ou seja, foi designado como sucessor do Cardeal Quarracino, tornando-se automaticamente primaz da Argentina quando este cessasse suas funções.
Menos de nove meses depois, o Cardeal Quarracino faleceu. Assim, o bispo Bergoglio foi nomeado arcebispo de Buenos Aires, em 28 de Fevereiro de 1998, sucedendo o cardeal morto também como primaz da Argentina e ordinário para os fiéis de rito oriental residentes no país e desprovidos de ordinário do próprio rito.
Enquanto arcebispo de Buenos Aires, desenvolveu um projeto missionário centrado na comunhão e na evangelização, com quatro finalidades principais: comunidades abertas e fraternas; protagonismo de um laicato consciente; evangelização destinada a cada habitante da cidade; e assistência aos pobres e aos enfermos.
Cardeal Bergoglio
Poucos anos mais tarde, no Consistório de 21 de fevereiro de 2001, Bergoglio foi criado cardeal, recebendo do Papa João Paulo II o título de São Roberto Bellarmino. Em outubro do mesmo ano, foi nomeado relator-geral adjunto da 10º Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao ministério episcopal, substituindo o arcebispo de Nova Iorque, Cardeal Edward Michael Egan.
Já em 2002, o episcopado argentino escolheu o Cardeal Bergoglio como presidente de sua conferência, mas ele recusou a nomeação. Três anos mais tarde, foi eleito para o cargo e acabou aceitando a missão, que se renovou para o triênio seguinte, a partir de 2008.
Neste meio tempo, participou do conclave que elegeu o Cardeal Joseph Ratzinger como o 265º Papa, em 2005, após a morte de João Paulo II. O Cardeal Bergoglio também esteve presente na 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, que ficou conhecida como Conferência de Aparecida, em 2007, quando encabeçou a Comissão de Redação do documento final.
Papa Francisco
Após a renúncia do Papa Bento XVI em fevereiro de 2013, o Cardeal Bergoglio viajou para Roma para participar do conclave para escolher um novo Papa. Após deixar seu apartamento em Buenos Aires, não esperava que não retornaria ao seu país-natal. Ele foi eleito o 266º Papa da Igreja Católica a 13 de março de 2013, tornando-se o primeiro Papa jesuíta e assumindo o nome de Francisco.
Vaticano anuncia morte do primeiro pontífice latino-americano,que liderou a Igreja Católica com foco nos pobres e na reforma institucional.
O Papa Francisco, o primeiro pontífice latino-americano e jesuíta a comandar a Igreja Católica, morreu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos, após meses de complicações de saúde. O anúncio foi feito pelo Cardeal Kevin Farrell, camerlengo do Vaticano, em um comunicado emocionado.
“Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Sua Igreja”, declarou Farrell. “Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente pelos mais pobres e marginalizados.”
Internação prolongada e luta
Francisco enfrentou uma série de problemas respiratórios no início do ano, ficando 40 dias internado no Hospital Gemelli, em Roma. Ele recebeu alta em 23 de março, mas seu quadro permaneceu frágil, com diagnóstico de pneumonia bilateral e uma infecção polimicrobiana considerada “complexa” pelo Vaticano.
Durante a internação, o pontífice teve crises de insuficiência respiratória, necessitando de ventilação mecânica não invasiva e até transfusões de sangue devido a complicações hematológicas. Seu estado foi classificado como “reservado”, e ele chegou a gravar um áudio agradecendo as orações dos fiéis.
Um pontificado histórico
Eleito em 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio tornou-se o 266º Papa da Igreja Católica, escolhendo o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da humildade e cuidado com os pobres. Nascido na Argentina, filho de imigrantes italianos, foi o primeiro pontífice oriundo da América Latina e da Companhia de Jesus (jesuítas).
Seu papado foi marcado por:
Reformas na Cúria Romana, com a constituição apostólica “Praedicate Evangelium” (2022);
Defesa do meio ambiente, destacando-se a encíclica “Laudato Si'” (2015) e a exortação “Laudate Deum” (2023);
Diálogo inter-religioso e aproximação com líderes globais;
Abertura a discussões sobre desafios modernos, como migração, desigualdade e justiça social.
Problemas de saúde ao longo dos anos
Francisco já havia passado por cirurgias e internações anteriores, incluindo a remoção de parte do pulmão (devido a uma pleurisia na juventude) e uma operação intestinal em 2021. Nos últimos anos, suas aparições públicas foram reduzidas, mas ele manteve atividades mesmo com limitações físicas.
Reações e sucessão
A morte do Papa Francisco deve desencadear o conclave para a escolha de seu sucessor. Enquanto isso, o Vaticano prepara os ritos fúnebres, com expectativa de milhões de fiéis se reunirem em Roma para sua despedida.
“Recomendamos sua alma ao infinito amor misericordioso de Deus”, finalizou o Cardeal Farrell, encerrando o comunicado oficial.
FONTE/CRÉDITOS: Com informações do Vaticano e da redação.
A diocese de Roraima celebrou no dia 15 de abril a Missa dos Santos Óleos, “um dia de alegria e de festa!”, segundo o bispo diocesano, dom Evaristo Spengler. Ele disse que “a missa crismal deste ano é especial”, dado que a diocese celebra 300 anos de evangelização e o Papa convocou o Ano Jubilar, fazendo um chamado a caminhar como peregrinos e peregrinas da esperança.
Ungidos para servir
O bispo lembrou a presença de mais de 20 novos missionários na diocese, que foram apresentados. Em sua reflexão falou sobre o óleo da Aliança. Ele enfatizou que “Deus unge os seus para servir e para transformar a realidade onde estamos inseridos.” Dom Evaristo refletiu sobre os três vasos sagrados presentes na celebração: o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o óleo do Santo Crisma.
Segundo o bispo, o óleo “é um sinal sagrado.” Analisando o texto de Isaias 61, sublinhou que “pelo batismo, Deus nos escolheu para sermos ‘sacerdotes do seu povo’ para levar a alegria do Evangelho aos que sofrem, para sermos instrumentos de misericórdia.” Junto com isso, ele vê que “o óleo é para romper correntes e esquemas.” No Salmo 88, o bispo destacou que “esta unção não é para nosso prestígio”, ressaltando que “essa é a nossa missão: vida a serviço.”
Já em Apocalipse 1,5-8, dom Evaristo enfatizou que “esta unção nos compromete: somos chamados a ser profetas que denunciam as injustiças, sacerdotes que santificam o mundo no amor, pastores que governam com humildade e serviço. Somos povo de Deus, todos ungidos e chamados para ungir.” Por sua vez, no Evangelho (Lc 4,16-21), sublinhou que ‘o óleo do Crisma nos recorda que, como presbíteros, religiosos/as e leigos, não somos meros funcionários do sagrado. Somos outros ‘cristos’ – ungidos – para estar no mundo a serviço do Evangelho. Como presbíteros, nosso ministério não é um status, mas um chamado ao serviço, especialmente aos mais pobres. Como religiosos e religiosas somos convocados para servir e testemunhar a profecia do Reino de Deus. Os leigos e as leigas são chamados, a partir do seu Batismo e Confirmação, a serem ‘sal da terra, luz do mundo’ (cf. Mt 5,13-16), e fermento na massa (Lc 13,20-21).”
Significado dos Óleos
Na benção dos óleos descobrimos, segundo o bispo, que “Deus, no seu amor, caminha conosco em todas as etapas marcantes da vida. E nos unge, nos consagra, nos cura e nos envia em missão. É o amor do próprio Deus que se faz presença, fidelidade e ternura.” Isso porque “cada óleo é expressão do amor e do cuidado de Deus, de um carisma, de um serviço e de um ministério específico.”
Dom Evaristo Spengler refletiu sobre o sentido de cada um deles: o óleo da consagração, o óleo da cura e o óleo da missão. No Óleo da Consagração, destacou que “somos chamados a viver o amor até o extremo.” Algo que acontece no Batismo, pois “não somos reis para dominar, mas para servir”; na Crisma, que “nos envia para a missão de viver e testemunhar a fé recebida no batismo”; e na Ordenação, em que “o candidato se entrega totalmente a serviço da Igreja, povo de Deus, neste caminho sinodal.”
Bálsamo das Feridas da Humanidade
O Óleo da Cura, ele e visto pelo bispo como “o Bálsamo das Feridas da Humanidade”. Ele falou de diversas doenças, pedindo pessoas ungidas para o cuidado da casa comum, pessoas ungidas para ajudar na superação de extremismos e de exclusões, pessoas ungidas para ajudar a superar as gritantes desigualdades em uma sociedade que acumula riqueza à custa dos pobres. Uma cura que também precisa o ser humano, segundo o bispo de Roraima.
Do óleo da Missão, o bispo destacou que ele é “a fidelidade ao evangelho no percurso da missão, que nos prepara para o encontro com o Esposo, o Cristo.” Dom Evaristo advertiu que “não podemos nos conformar com uma fé superficial ou apenas herdada da família ou da tradição. Somos chamados a fazer um encontro pessoal e comunitário com o Cristo Morto-Ressuscitado.” Para isso, “nós, os cristãos, somos chamados a viver em estado de vigilância ativa, cultivando uma vida de fé, de oração e de boas obras, sem nos deixar levar pela negligência ou pelo comodismo espiritual. A missão do cristão não é apenas crer, mas testemunhar com ações concretas o amor de Deus no mundo. Isso significa colocar em prática o que assumimos no nosso Batismo e confirmamos na Crisma.”
Sentido do óleo em cada ministério
O bispo fez um chamado aos presbíteros, para que eles “não deixem secar o óleo da unção, do primeiro amor, da entrega total em seus corações, em suas mãos, em seus pés. Vão às periferias sociais e às fronteiras existenciais, e contemplem a consolação de Deus, a presença de Deus, o amor de Deus.” Um óleo que não é “guardar para si”, é para “gastar nos caminhos enlameados e esburacados.”
Aos religiosos e religiosas, ele pediu ser o “bom perfume” de Deus para evangelizar as mais variadas realidades. Para ser “uma presença terna e fraterna, especialmente em meio aos mais vulneráveis.” Aos leigos e leigas, o bispo lembrou que eles são “ungidos para santificar o mundo a partir de dentro de cada realidade.” Por isso lhes pediu que “sejam protagonistas da evangelização, assumindo cada vez mais a missão de animar e fortalecer as comunidades, sendo uma presença cristã autêntica na sua família, no seu trabalho, na roda de amigos, em todas as realidades da vida.”
Finalmente, aos enfermos e idosos, lhes disse que “a vida de vocês é um óleo precioso que unge a Igreja com o perfume da paciência e da fé. Em um mundo que idolatra a juventude, a produtividade e a velocidade, a paciência dos idosos e dos enfermos é um antídoto contra a cultura do descarte. Através da aceitação serena das dores e dos limites impostos pela idade, vocês são testemunhas de que a vida tem valor em todas as suas fases e em todas as situações!” Para isso, dom Evaristo pediu a intercessão de Maria, que chamo de “Arca da Aliança”, para que “nos ensine a ser, como Ela, vasos transbordantes de graça.”
Fotos: João Felipe Cláudio Amaral – Rádio Monte Roraima
Nos dias 14 e 15 de abril, foi realizado o Retiro dos Missionários e Missionárias da Diocese, em preparação para a Páscoa.
O encontro teve início no dia 14, propocionando um tempo de espiritualidade e comunhão fraterna. O retiro encerra na noite do dia 15 com a Missa do Crisma, momento em que ocorre a benção dos Santos Oléos e a renovação das promessas sacerdotais.
A Diocese de Roraima acolhe com alegria e gratidão os novos missionários que chegam para fortalecer a evangelização em nosso Estado. Vindos de diferentes regiões do Brasil e até de outros países, esses missionários foram enviados por suas congregações com o desejo de servir, partilhar experiências e viver a espiritualidade junto ao povo de nossa diocese.
Ao todo, são cinco novos missionários — entre padre, religiosas e uma leiga — que atuarão em diferentes paróquias e áreas pastorais, com destaque para as regiões periféricas.
A Irmã Maria da Penha, da Congregação de São José, foi enviada da Bahia para atuar em Pacaraima. Ela expressou sua admiração e gratidão pela acolhida:
“Olhar para essa igreja me deixa muito confiante, porque é uma igreja humanizada, fraterna, que aponta para a defesa da vida. É uma igreja com um jeito diferente de ser, de acolher, um lugar de proteção e cuidado. Eu agradeço muito por estar aqui.”
A Irmã Maria Elena, Franciscana Bernadina, também compartilhou sua alegria:
“É uma alegria estar aqui nessa nova missão. A gente tem que desapegar e se apegar ao novo que está chegando com alegria. Para mim está sendo muito bom participar, porque estou conhecendo os novos missionários, que eu não conhecia. E eu estou sentindo que é uma diocese muito aberta, com um bispo muito fraterno que acolhe a todos.”
Conheça os novos missionários: • Irmã Maria Luzia – Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria
O evento ocorre na sexta-feira,18, às 18 horas, no palco Aderval da Rocha Ferreira na Praça Germano Augusto Sampaio no bairro Pintolândia.
Foto: Evangelista Siqueira
A Diocese de Roraima, por meio da Juventude da Área Missionária São Raimundo Nonato, promove a XV Encenação da Paixão de Cristo em Boa Vista. O evento acontecerá na sexta-feira Santa, 18 de abril, às 18h, no palco Aderval da Rocha Ferreira na Praça Germano Augusto Sampaio no bairro Pintolândia, zona Oeste da Capital.
Mais de 90 pessoas estão envolvidas no evento que este ano completa 15 anos de existência e traz como novidades novas cenas da história Bíblica. Cenários e figurinos estão sendo minunciosamente preparados, após uma pesquisa realizada pela equipe em documentos históricos, filmes e consultas a religiosos especialistas no tema.
A experiência começou na Comunidade Sant’Ana, há 15 anos atrás, quando os jovens da área missionária resolveram promover a primeira encenação em frente à igreja. “A apresentação foi um sucesso e despertou nos jovens de outras comunidades o desejo de participarem. Com isso, o evento passou a fazer parte do calendário de atividades das comunidades e o grupo foi aumentando a cada ano”, disse o responsável pela comunicação do evento, Evangelista Siqueira.
Com base no que a bíblia descreve e com as orientações dos religiosos da Diocese, a encenação retrata os últimos acontecimentos da vida de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição. Cenários, figurino, iluminação e momento de oração completam a dinâmica do evento.
Os jovens, que há três meses estão ensaiando, também participaram de momentos de formação e retiros espirituais para melhor compreenderem o Mistério Pascal de Cristo e conhecer os personagens que irão interpretar.
ENSAIOS – Os ensaios da XV Encenação da Paixão de Cristo estão ocorrendo todos os sábados e domingos na comunidade São Raimundo Nonato que fica localizada na rua Solon Rodrigues Pessoa, 1873, no bairro Santa Luzia.