Solenidade de Corpus Christi: confira a programação nesta quinta (19) em Boa Vista

Solenidade de Corpus Christi: confira a programação nesta quinta (19) em Boa Vista

Procissões, tapetes coloridos e missas especiais marcam a celebração do Corpo de Cristo; veja horários de cada comunidade e o significado da data.

Solenidade de Corpus Christi: confira a programação nesta quinta (19) em Boa Vista
Foto: Pascom Santuário

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A Igreja Católica celebra nesta quinta-feira (19) a Solenidade de Corpus Christi, que em latim significa “Corpo de Cristo”. É uma data móvel, celebrada sempre 60 dias após o Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade.

Esta solenidade litúrgica foi instituída pelo Papa Urbano IV após o Milagre de Bolsena, quando uma hóstia teria sangrado durante a Santa Missa. A festa de Corpus Christi celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia. É o único dia do ano em que o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas ruas.

Foto: Pascom Santuário

O Vigário Geral da Diocese de Roraima, Padre Josimar Lobo, explica o mistério da solenidade:

“Este mistério fazemos memória quando nos reunimos na comunidade para participarmos da Santa Missa. A cada missa, participamos deste grande milagre, que não é uma simples lembrança, mas uma memória viva. Pois o próprio Cristo, ao reunir-se com os discípulos na Quinta-Feira Santa, disse: ‘Fazei isto em memória de mim’. Por isso, não fazemos uma encenação, não realizamos um teatro ou um acontecimento qualquer, mas celebramos o grande dia em que Jesus, sendo tão grande, quis fazer-se pequeno e permanecer entre nós por meio do milagre da Eucaristia.”

Na festa de Corpus Christi, os fiéis mantêm viva a tradição de confeccionar tapetes ornamentais por onde o Santíssimo Sacramento, exposto no ostensório, passa. Os tapetes coloridos tiveram origem em Portugal e foram trazidos ao Brasil durante a colonização. Para a Igreja Católica, a prática remete à acolhida de Jesus em Jerusalém. Centenas de pessoas criam tapetes multicoloridos com desenhos religiosos, utilizando serragem, flores, pedras, farinha e areia, por onde passam as procissões.

Foto: Angélica Alves – Rádio Monte Roraima fm

Neste ano, paróquias e comunidades da diocese preparam tapetes para a solenidade. A Catedral Cristo Redentor, localizada no centro de Boa Vista, inicia a produção dos tapetes nesta quarta-feira (18), a partir das 14h.

A confecção exige planejamento e trabalho em equipe. O coordenador do dízimo, Leandro Ferreira, explica como a comunidade está se organizando:
“O ‘Segue-me’, os jovens da catequese e os acólitos da Paróquia Catedral estarão todos unidos nesse serviço catequético. Serão aproximadamente 28 metros de tapete com imagens e símbolos religiosos, utilizando cerca de 15 kg de serragem, 30 kg de sal e tinta de xadrez para dar vida e cor a essa arte de fé e esperança.”
No centro de Boa Vista, a Celebração Eucarística ocorrerá após a procissão, que sairá da Paróquia da Consolata às 6h, com a presença do bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler.

Confira a programação

CENTRO
06h – Procissão saindo da Paróquia Nossa Senhora da Consolata para a Catedral
17h às 19h – Adoração ao Santíssimo na Reitoria de Nossa Senhora Aparecida
19h – Santa Missa na Reitoria de Nossa Senhora Aparecida
18h – Missa na Paróquia São Francisco das Chagas
19h – Missa na Igreja Santíssimo Sacramento – Paróquia São Mateus

PARÓQUIAS – PERIFERIA


19h30 – Missa na Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Paróquia Santos Arcanjos (Rua Armando Nogueira, 2003, Asa Branca)
19h30 – Missa na Igreja Nossa Senhora dos Migrantes – Paróquia Frei Galvão (Rua Capricórnio, Jardim Primavera)
18h – Concentração da Paróquia São Jerônimo, 18h30 – Procissão, 19h30 – Missa na Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição, Buritis

ÁREAS MISSIONÁRIAS

Área Missionária São Raimundo Nonato
Manhã – Visita aos doentes
17h – Missa na Comunidade Santa Edwiges
Após a missa – Procissão até a Comunidade Nossa Senhora de Fátima, seguida de Adoração e Benção com o Santíssimo

Área Missionária São João Batista
08h30 – Missa na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora
19h – Missa na Igreja Santíssima Trindade

Área Missionária Santa Rosa de Lima
08h – Missa na Comunidade Nossa Senhora da Luz
17h – Procissão da Comunidade Santa Rosa de Lima até a Igreja Nossa Senhora de Fátima
19h – Missa na chegada da procissão

Área Missionária Sagrado Coração de Jesus
09h – Missa na Comunidade Santa Paulina
19h30 – Missa na Comunidade São José

Área Missionária de Bonfim
19h – Missa na Igreja de São Sebastião (município de Bonfim)

Área Missionária de Pacaraima
09h – Missa na Igreja Sagrado Coração de Jesus
Após a missa – Procissão nas ruas da cidade

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Kayla Silva, Rádio Monte Roraima fm – sob supervisão Dennefer Costa

Enfrentamento ao Tráfico Humano

“Marcas da Fronteira”: Documentário expõe a realidade do tráfico de pessoas em Roraim

O filme traz relatos sobre como o tráfico se disfarça. Foto: Cláudia Pereira
Produção da CEETH-CNBB aborda as conexões entre o crime do tráfico de pessoas, a migração, o garimpo ilegal e a exploração sexual na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.
A Comissão Especial Episcopal para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH-CNBB) lança na próxima sexta-feira, o6 de junho às 19h, o documentário “Marcas da Fronteira – O Tráfico de Pessoas Existe e é Visível”. O filme lança um olhar nas múltiplas facetas desta violência silenciosa em Roraima, conectando a crises humanitárias e socioambientais, como a migração e o avanço do garimpo ilegal.
Filmado durante uma missão da CEETH em Boa Vista, Bonfim, Pacaraima (RR), e nas cidades fronteiriças de Lethem (Guiana) e Santa Elena (Venezuela), o documentário é dividido em duas partes. Inicialmente, expõe a dimensão do problema através de entrevistas e imagens que abordam a violação de direitos humanos, a exploração sexual e o trabalho análogo à escravidão, vulnerabilidades que afetam brasileiros, migrantes e os povos originários.
Participantes da Missão (CEETH-CNBB) durante a visita ao Centro de Referência ao Migrante em Boa Vista, RR. Foto: Cláudia Pereira
Na segunda parte, a produção acompanha de perto o trabalho da comissão em Roraima, destacando a importância da escuta como ferramenta para tirar da invisibilidade as vítimas e suas histórias. O filme aponta a complexidade da região de tríplice fronteira como um fator que facilita a ação de aliciadores e critica a ausência de uma ação do estado integrada para combater o crime de forma eficaz.
“Nosso objetivo não era apenas denunciar, mas dar visibilidade desta violência que existe em Roraima e em todo Brasil. A luta contra o tráfico de pessoas em Roraima, hoje é uma missão em defesa da vida, liderada pela Igreja Católica e por organismos parceiros”, afirma Cláudia Pereira, que assina a direcão e roteiro do filme.
Um dos pontos revelados pelo documentário é a fronteira de Bonfim (RR) com a Guiana, uma rota extremamente vulnerável e sem segurança no fluxo migratório. A região, de predominância do povo indígena Wapichana, são vulneráveis aos assédios de criminosos do tráfico de pessoas para o garimpo ilegal, exploração de mulheres e crianças além dos crimes ambientais.
O filme traz relatos sobre como o tráfico se disfarça. “No geral, as mulheres vão com a promessa de ser cozinheira, mas sabemos que ‘cozinheira’ é um código do garimpo que significa que a pessoa está sendo explorada sexualmente. É uma forma de aliviar essa situação para a família encarar, sem problematizar e denunciar”, explica no documentário a professora e pesquisadora Márcia Maria de Oliveira.
Com um sentimento de esperança e indignação, “Marcas da Fronteira” se firma como um documento essencial para compreender a dinâmica atual do tráfico de pessoas na Amazônia e a relevância da atuação da sociedade civil organizada onde o Estado falha.
O documentário será lançado no dia 06 de junho, às 19h (horário de Brasília) no canal do YouTube da Cepast-CNBB.
https://youtube.com/watch?v=GzIFi9vVokA%3Ffeature%3Doembed
Ficha Técnica:
Realização: Comissão Especial Episcopal de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH-CNBB)
Produção, Reportagem e Imagens: Cláudia Pereira
Direção e Roteiro: Cláudia Pereira e Humberto Capucci
Edição e Finalização: Humberto Capucci
Trilha Sonora: André Luiz Sousa e Ewerton Oliveira
Música: Venezuela – Luis Silva
Apoio: Conferência Episcopal Italiana

REPAM-Brasil realiza reunião da presidência no Jalapão para fortalecer missão e diálogo com as realidades locais

De 27 a 29 de maio, a presidência da REPAM-Brasil esteve imersa no Jalapão, em Tocantins, para uma reunião estratégica com o objetivo de aproximar ainda mais a Rede das realidades locais e fortalecer seu compromisso com a preservação da biodiversidade e a promoção da vida. O local, que une os biomas do Cerrado e da Amazônia, foi escolhido para refletir a complexidade socioambiental que a REPAM-Brasil se dedica a proteger e promover.

A agenda da presidência foi diversificada, combinando visitas a pontos turísticos icônicos, como as famosas Dunas do Jalapão e cachoeiras, com momentos de profunda conexão comunitária e reuniões internas. Durante a visita, um dos pontos altos foi a participação no Festejo da Paróquia Divino Espírito Santo, que teve início na quinta-feira, 29 de maio.

Dom Pedro Brito Guimarães, Arcebispo de Palmas e vice-presidente da REPAM-Brasil, destacou a importância da imersão em uma região de grande diversidade: “Estamos aqui para entender as realidades locais, as vivências das comunidades e as formas de missão que podem ser mais eficazes para a Igreja, tanto no Cerrado quanto na Amazônia. Esta experiência tem sido uma verdadeira oportunidade de aprendizado constante”, afirmou.

Ele também refletiu sobre o cuidado com a criação, citando o Papa Francisco e sua conexão com a tradição de São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas, pela irmã água preciosa de Casta. Estamos aqui, no Jalapão, celebrando os 10 anos da Laudato Si’, agradecendo a Deus por toda a criação e buscando cada vez mais conscientizar a todos sobre a interconexão de tudo. É nossa responsabilidade cuidar desta criação de Deus, sendo zelosos da natureza e de todas as criaturas.”

Dom Evaristo Spengler, Bispo de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, compartilhou sua visão sobre a diversidade da região: “O bioma de outras regiões é repleto de rios, com abundância de água e floresta. No Jalapão, encontramos o cerrado, o capim dourado e uma vasta área de proteção ambiental, o que torna a região um importante ponto de turismo ecológico. Essa visita nos proporciona uma troca rica de sabedorias. O que vivenciamos em outras áreas da Amazônia, o que o povo local experimenta de maneira única, nos ensina a valorizar diferentes formas de convivência com a natureza. O que nos une é a preservação da casa comum a partir da fé.”

Ele também ressaltou o equilíbrio entre o homem e a natureza: “O Gênesis nos coloca a criação feita por Deus; tudo é criatura de Deus – o Sol, a Lua, as águas, as florestas. Aqui, vemos o contato direto com os povos e com o bioma, repleto de água, capim e cerrado. O povo local aprendeu a defender e viver com esse bioma sem destruí-lo. Essa sabedoria, transmitida de geração em geração, nos ensina a coexistir de forma equilibrada com a natureza.”

Dom Ionilton Lima, Bispo da Prelazia do Marajó e Secretário da REPAM, completou: “É fundamental que a Igreja se faça presente nessas regiões para não só anunciar a Palavra, mas também para defender o território e os direitos dos povos tradicionais. O desafio é grande, mas a missão é de muita esperança.”

A Secretária Executiva da REPAM-Brasil, Irmã Irene, também se manifestou sobre o significado do momento vivido no Jalapão: “Em 2025, estamos celebrando os 10 anos da Laudato Si’, e como presente, o Brasil vai receber a Conferência do Clima, a COP30, em Belém. Esse é um grande momento, não só para a Igreja, mas para o planeta, pois trata-se do cuidado com a nossa casa comum. Nós, da REPAM-Brasil e toda a rede eclesial da Pan-Amazônia, estamos nos preparando para esse evento, que será crucial para discutirmos o futuro do nosso planeta e como agir em harmonia com a criação.”

Durante as reuniões, também foram discutidas as preparações para a COP30, que acontecerá em Belém, além de estratégias para ampliar o alcance da atuação da REPAM-Brasil nos diversos territórios da Pan-Amazônia. As questões ambientais e a defesa dos povos tradicionais seguiram como prioridades, com o compromisso de fortalecer a atuação da Igreja nesses contextos.

REPAM-Brasil e CNBB alertam para riscos do

REPAM-Brasil e CNBB alertam para riscos do “PL da Devastação”: flexibilização do licenciamento ambiental ameaça biomas e povos tradicionais

Igreja e ambientalistas veem PL como risco à Amazônia e aos povos tradicionais; texto pode acelerar desmatamento e conflitos por terra.

 

REPAM-Brasil e CNBB alertam para riscos do
Nota-licenciamento-ambiental- Foto reprodução: CNBB

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A Rede Eclesial Pan-Amazônica no Brasil (REPAM-Brasil) somou-se à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para denunciar os graves impactos do Projeto de Lei 2.159/2021, aprovado pelo Senado no último dia 21 e apelidado de “PL da Devastação” por ambientalistas. O texto, que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental, agora retorna à Câmara dos Deputados e, se aprovado, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em nota pública divulgada nesta segunda-feira (26), a CNBB classificou a proposta como “um grave retrocesso” que “institucionaliza a flexibilização dos mecanismos de proteção da vida, das águas, das florestas e dos povos originários”. A REPAM-Brasil, inspirada pela encíclica Laudato Si’ e pelo conceito de Ecologia Integral, endossou o posicionamento, alertando para os riscos à Amazônia e a outros biomas.

O que está em jogo?

O PL 2.159/2021, aprovado por 54 votos a 13 no Senado, altera radicalmente o licenciamento ambiental no país. Entre as principais mudanças criticadas por especialistas e entidades religiosas estão:

  1. Licença por Autodeclaração: Cria a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), permitindo que empreendimentos de médio impacto obtenham licenças automáticas sem análise técnica prévia, apenas com um formulário preenchido pelo próprio empreendedor.
  2. Fragilização da Fiscalização: Reduz a atuação de órgãos como o Ibama e o ICMBio, dispensando a obrigatoriedade de consulta a comunidades afetadas e a análises de impacto em unidades de conservação.
  3. Ameaça a Territórios Tradicionais: Retira proteções de terras indígenas e quilombolas ainda em processo de demarcação, beneficiando setores como agronegócio e mineração.
  4. Benefícios a Grandes Projetos: Inclui a Licença Ambiental Especial (LAE), que acelera licenças para obras consideradas “estratégicas” pelo governo, como exploração de petróleo na foz do Amazonas.

Igreja e Sociedade Civil em Alerta

A CNBB destacou que o PL desmonta “instrumentos de prevenção de danos socioambientais” e lembra tragédias como Mariana e Brumadinho. “Não há justiça social sem justiça ambiental”, afirmou a entidade, citando o Papa Leão XIV: “Trabalhem por uma justiça ecológica, social e ambiental”.

A REPAM-Brasil reforçou o chamado à resistência: “É urgente rejeitar iniciativas que colocam o lucro acima da vida”, declarou, em referência aos riscos à Amazônia e aos povos que a habitam.

Reações e Próximos Passos

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) já se posicionou contra o projeto, classificando-o como “inconstitucional” e um risco à segurança ambiental. Organizações como o Observatório do Clima e o Instituto Socioambiental (ISA) alertam que a proposta pode multiplicar crimes ambientais.

Enquanto o PL segue para análise da Câmara, a CNBB e a REPAM-Brasil convocam fiéis e a sociedade a pressionar parlamentares. “Neste ano em que celebramos os 10 anos da Laudato Si’ e nos preparamos para a COP30 no Brasil, não podemos aceitar retrocessos”, concluiu a nota.

Leia mais:

 FONTE/CRÉDITOS: Da redação, Dennefer Costa – com informações da CNBB, REPAM-Brasil e Observatório do Clima)

Santa Rita de Cássia, intercessora das famílias e das causas impossíveis

Uma infância cheia de devoção

A pequena periferia de Roccaporena, na Úmbria, foi berço de Margarida Lotti, provavelmente por volta de 1371, chamada com o diminutivo de “Rita”. Seus pais, humildes camponeses e pacificadores, procuraram dar-lhe uma boa educação escolar e religiosa na vizinha cidade de Cássia, onde a instrução era confiada aos Agostinianos. Naquele contexto, amadurece a devoção a Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino, que Rita escolheu como seus protetores.

Mulher e mãe dedicada

Por volta de 1385, a jovem se uniu em matrimônio com Paulo de Ferdinando de Mancino. A sociedade de então era caracterizada por diversas contendas e rivalidades políticas, nas quais seu marido estava envolvido. Mas a jovem esposa, através da sua oração, serenidade e capacidade de apaziguar, herdadas pelos pais, o ajudou a viver, aos poucos, como cristão de modo mais autêntico. Com amor, compreensão e paciência, a união entre Rita e Paulo tornou-se fecunda, embelezada pelo nascimento de dois filhos: Giangiacomo e Paulo Maria. Porém, a espiral de ódio das facções políticas da época acometeram seu lar doméstico.

Assassinato do esposo e perdão

O esposo de Rita, que se encontrava envolvido também por vínculos de parentela, foi assassinado. Para evitar a vingança dos filhos, escondeu a camisa ensanguentada do pai. Em seu coração, Rita perdoou os assassinos do seu marido, mas a família Mancino não se resignou e fazia pressão, a ponto de desatar rancores e hostilidades. Rita continuava a rezar, para que não fosse derramado mais sangue, fazendo da oração a sua arma e consolação. 

Doença dos filhos

Entretanto, as tribulações não faltaram. Uma doença causou a morte de Giangiacomo e de Paulo Maria; seu único conforto foi pensar que, pelo menos, suas almas foram salvas, sem mais correr o risco de serem envolvidos pelo clima de represálias, provocado pelo assassinato do marido. Tendo ficado sozinha, Rita intensificou sua vida de oração, seja pelos seus queridos defuntos, seja pela família de Mancino, para que perdoasse e encontrasse a paz.  

Pedido recusado

Com a idade de 36 anos, Rita pediu para ser admitida na comunidade das monjas agostinianas do Mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia. Porém, seu pedido foi recusado: as religiosas temiam, talvez, que a entrada da viúva de um homem assassinado pudesse comprometer a segurança do Convento. No entanto, as orações de Rita e as intercessões dos seus Santos protetores levaram à pacificação das famílias envolvidas na morte de Paulo de Mancino e, após tantas dificuldades, ela conseguiu entrar para o Mosteiro.

Monja Agostiniana

Narra-se que, durante o Noviciado, para provar a humildade de Rita, a Abadessa pediu-lhe para regar o tronco seco de uma planta, e sua obediência foi premiada por Deus, pois a videira, até hoje, é vigorosa. Com o passar dos anos, Rita distinguiu-se como religiosa humilde, zelosa na oração e nos trabalhos que lhe eram confiados, capaz de fazer frequentes jejuns e penitências. Suas virtudes tornaram-se famosas até fora dos muros do Mosteiro, também por causa das suas obras de caridade, juntamente com algumas coirmãs; além da sua vida de oração, ela visitava os idosos, cuidava dos enfermos e assistia aos pobres.

A Santa das rosas

Cada vez mais imersa na contemplação de Cristo, Rita pediu-lhe para participar da Sua Paixão. Em 1432, absorvida em oração, recebeu a ferida na fronte de um espinho da coroa do Crucifixo. O estigma permaneceu, por quinze anos, até a sua morte. No inverno, que precedeu a sua morte, enferma e obrigada a ficar acamada, Rita pediu a uma prima, que lhe veio visitar em Roccaporena, dois figos e uma rosa do jardim da casa paterna. Era janeiro, período de inverno na Itália, mas a jovem aceitou seu pedido, pensando que Rita estivesse delirando por causa da doença. Ao voltar para casa, ficou maravilhada por ver a rosa e os figos no jardim e, imediatamente, os levou a Rita. Para ela, estes eram sinais da bondade de Deus, que acolheu no Céu seus dois filhos e seu marido.

Veneração de Rita

Santa Rita expirou na noite entre 21 e 22 de maio de 1447. Devido ao grande culto que brotou logo depois da sua morte, o corpo de Rita nunca foi enterrado, mas mantido em uma urna de vidro. Rita conseguiu reflorescer, apesar dos espinhos que a vida lhe reservou, espalhando o bom perfume de Cristo e aquecendo tantos corações no seu gélido inverno. Por este motivo e em recordação do prodígio de Roccaporena, a rosa é, por excelência, o símbolo de Rita.

A minha oração

“Rita, grande intercessora das famílias, a ti pedimos verdadeiras graças de conversão sobre aqueles aos quais amamos. Tuas rosas são sinais de salvação, por isso, te pedidos a paciência e o perdão, a oração e intercessão, ajuda-nos de forma concreta nesta luta. Amém!”

Santa Rita de Cássia , rogai por nós!

A RUC apela a novos modelos de formação inspirados nas culturas originárias

A Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC) está reunida na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) para o II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum. O encontro busca construir pontes entre o Norte e o Sul com as universidades, segundo Emilce Cuda, secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina. Um congresso, promovido pelo Cardeal Prevost, agora Leão XIV, e pelo Cardeal Tolentino, que gere conexão entre os diversos atores, que provoque, por meio dos painéis, um debate entre todos, com a participação de todos, reforçou a teóloga argentina.

O sonho cultural

Seguindo os sonhos do Papa Francisco em Querida Amazônia, o Congresso abordou o sonho cultural em seu segundo dia de trabalhos. Vale lembrar, como Francisco disse aos participantes do primeiro encontro da RUC, realizado no Vaticano em 2023, que “cultura é o que permanece depois que esquecemos o que aprendemos“. É por isso que alertou sobre os universitários de laboratório e a necessidade de formar na linguagem da cabeça, do coração e da mão.

O estado atual da nossa Casa Comum estimula a reflexão e a ação nas universidades em vista do desenvolvimento sustentável, levando ao ensino pelo exemplo e a trabalhar a incidência, como destacou Rafaela Diegoli, do Instituto Tecnológico de Monterrey. Não podemos ignorar as palavras de Francisco, que disse que “profissionais de sucesso não podem ser formados em sociedades fracassadas“. Uma realidade que exige entender como aplicar a tecnologia em cada contexto, conhecê-la para adotá-la e aderir a ela, como disse Alejandro Guevara, da Universidade Ibero do México.

Novas abordagens educacionais

De acordo com María Eugenia García Moreno, da Universidade Mayor de San Andrés, na Bolívia, são necessárias abordagens diferentes das tradicionais na educação. Essas abordagens oferecem formação universitária para aqueles sem educação formal, mas que possuem conhecimento ancestral. O desafio é pensar de forma sustentável para agir de forma sustentável, o que exige uma mudança cultural e uma formação integral, como propõe Ester Sánchez, da Universidade Nacional de Cuyo, na Argentina.

Falar em Biodiversidade e Tecnologia é um dos grandes desafios hoje. O argentino Axel Barceló, da Fundação H. A. Barceló, reconhecendo o papel da tecnologia como uma ferramenta que reduz o trabalho, ele vê a necessidade de a humanidade controlar essa tecnologia. A biodiversidade é uma questão fundamental para a COP 30, afirma Peter Rozic, da Universidade de Oxford, que enfatizou a importância da ecologia integral, que “quer ouvir o chamado da Terra, que estamos matando, o chamado dos pobres, dos defensores do território“. Uma biodiversidade que está ligada ao tema cultural, refletindo sobre a importância de codificar práticas de biodiversidade em diversas línguas indígenas.

Levar em consideração os povos indígenas

Nesse sonho social, o caminho do Rio até Belém deve, segundo John Martens, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, levar em conta o conhecimento dos povos indígenas para que a educação seja integral. Isso ocorre porque o verdadeiro conhecimento é sabedoria, com um componente ético e religioso. Nesse sentido, Eugenio Martín de Palma, da Universidade de Santa Fé, Argentina, afirma a necessidade de trabalhar os ensinamentos de Francisco em relação ao tema das universidades, visto que um novo modelo de universidade está surgindo. Ele estava se referindo ao que Francisco chamou de Universidade do Sentido, que, em contraste com o modelo racionalista e cientificista da modernidade, exalta cada homem e o homem inteiro.

Temos que ter consciência da necessidade de aprender a trabalhar com o que temos, disse Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus e diretor da Faculdade Católica do Amazonas. Com base em seu conhecimento sobre comunidades indígenas e ribeirinhas, ele enfatizou a necessidade de preservar a memória para preservar a cultura, olhando para trás e tendo em mente o que o futuro reserva. Algo que ele vê no Encontro das Águas, fenômeno natural em Manaus, onde por 14 km os rios Negro e Solimões continuam se misturando até formar o Amazonas. A partir daí, ele pediu que se questione até que ponto a tecnologia nos ajuda a fazer memória e como a pesquisa universitária dá valor à memória.

Mudança nos modelos de formação

Esses conteúdos levaram os participantes a refletir em grupos que ajudaram a descobrir perspectivas. Trata-se de redefinir elementos que ajudem a mudar os modelos de formação, com novas práticas e propostas que reflitam o compromisso social das universidades para além das soluções acadêmicas ou tecnológicas, com planejamento, promovendo mecanismos que reduzam as lacunas de conhecimento e com planos locais que fomentem o compromisso comunitário com o cuidado da nossa casa comum.

Devemos abordar os conflitos e impactos ambientais de forma responsável, reconhecendo que os desastres socioambientais não são apenas o resultado de novos fenômenos naturais, mas também de disputas pelo acesso ao habitat. Da mesma forma, como garantir os direitos trabalhistas em diálogo com os novos formatos gerados pela tecnologia e pela terceirização. O desafio é levar conhecimento para além da universidade, transferir cultura e criar espaços interculturais que promovam o cuidado com a nossa casa comum. Daí a importância da conscientização para reconhecer o presente que recebemos da biodiversidade.

Trata-se de começar a ver o mundo de forma diferente, reconhecendo as contribuições do conhecimento ancestral para a educação, sabendo que ele vem do território, que eles protegem com suas próprias vidas. Daí a necessidade de os grandes projetos realizar estudos de impacto cultural e ambiental, usando a tecnologia a serviço da sociedade e das culturas. Isso requer uma educação integral que abranja conhecimento científico e tecnológico, mas que também tenha caráter humanístico e seja um caminho para a responsabilidade ambiental e ética.

Pontes entre a OEI e a RUC

Da Organização dos Estados Ibero-americanos, seu Diretor de Cultura, Raphael Caillou, afirma que a cultura contribui para a inclusão e é um mecanismo importante para a coesão social e a criação de uma cultura de paz. Da mesma forma, ele refletiu sobre a relação entre cultura e o fortalecimento de políticas públicas e o aumento da educação formal. A educação é um espaço de construção de pontes e consensos, afirma, pensando na criação de mecanismos de financiamento para uma educação de qualidade.

Na construção de pontes entre as universidades e a OEI, espaços como este congresso são importantes para criar um roteiro, estratégias compartilhadas e coordenadas entre diversas partes interessadas, mas com problemas comuns e objetivos claros e compartilhados.

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Luis Miguel Modino

Seminaristas e Vida Religiosa realizam formação sobre Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis

Na manhã desta terça-feira, 20 de maio, a Comissão de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis da Arquidiocese de Manaus realizou uma formação no Seminário São José com todos os seminaristas diocesanos, religiosos e religiosas e das comunidades de vida. A formação foi conduzida por Pe. Gilson Pinto e Pietro Bianco Epis, com foco no “Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”.

Causa permanente no Regional Norte 1

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) tem como causa permanente em suas Diretrizes para a Ação Evangelizadora o enfrentamento ao abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes. Uma urgência que tem avançado com passos concretos que ajudam a ir adiante no caminho percorrido pelo Regional e pelas nove igrejas locais que fazem parte dele.

Daí a importância da formação nesse campo com os seminaristas das Igrejas locais que fazem parte do Regional Norte 1, que realizam seu processo formativo no Seminário São José da Arquidiocese de Manaus. O conhecimento dessa realidade representa um elemento fundamental dentro do processo de formação. Daí o empenho da equipe formativa e do reitor, padre Pedro Cavalcante.

Encontros em todos os níveis

O encontro faz parte dos muitos encontros que vem sendo realizados no Regional Norte 1 da CNBB, nas comunidades, paróquias, prelazias, dioceses, movimentos e pastorais. Dentre eles, cabe lembrar o encontro realizado na quinta-feira 15 de maio de 2025 com as atendentes das áreas missionárias e paróquias da Arquidiocese de Manaus, com a assessoria do padre Flávio Gomes dos Santos, Karen Lima do Amaral e Pietro Bianco Epis.

Nesse encontro, além de ser trabalhado o “Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”, foi abordada a questão dos sinais nas crianças que são abusadas, temática que foi aprofundada pela psicóloga Karen Lima do Amaral.

Mais um passo para a Comissão de Escuta e Proteção Crianças, Adolescentes e pessoas Vulneráveis do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que ao longo do ano 2025 vai atingindo todos os níveis: casas religiosas, escolas, diáconos, presbíteros, buscando a orientação diante dessa realidade, segundo afirmou o padre Flávio Gomes dos Santos.

Luis Miguel Modino

Encontro da RUC: “Educar para o cuidado, gerar propostas concretas para organizar a esperança”

Em clima sinodal, buscando caminhar juntos, está sendo realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), de 20 a 24 de maio de 2025, o II Encontro Sinodal de Reitores Universitários para o Cuidado da Casa Comum, com o apoio da Pontifícia Comissão para a América Latina (PCAL). Um encontro realizado em coordenação com o Dicastério para a Cultura e a Educação, o Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM), a Caritas América Latina e Caribe, a Associação de Universidades Confiadas à Companhia de Jesus na América Latina (AUSJAL) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

Dívida Ecológica e Esperança Pública

O encontro tem como tema “Dívida Ecológica e Esperança Pública” e comemora o 10º aniversário da Laudato si’. Em vista de preparar a COP 30, conta com representantes de universidades das Américas, Espanha, Portugal e Reino Unido. O objetivo é “organizar a esperança” e, para isso, durante cinco dias haverá um diálogo sinodal sobre os quatro sonhos propostos pelo Papa Francisco na exortação apostólica “Querida Amazônia”, que incorpora os debates sobre Dívida Pública e Esperança Pública.

Para isso, será seguido o método de ver, discernir e agir, com palestras que motivarão o discernimento em pequenos grupos com base no método sinodal. Isso busca assumir a responsabilidade e trabalhar seriamente para mudar o curso do desenvolvimento, como disse o secretário executivo da RUC, Francisco Piñón. Tudo isso em um congresso onde “estamos fazendo um evento político, estamos nos posicionando”, nas palavras do reitor da PUC-Rio, Anderson Pedroso.

O jesuíta compartilhou os passos que estão sendo dados nesta universidade por meio do Projeto Amazonizar, que envolve entender a lógica, a complexidade e a potência da ecologia integral a partir da perspectiva da Querida Amazônia e seus quatro sonhos, com foco no sonho eclesial, renomeado como sonho comunitário, entendendo que a comunidade, mais do que somar forças, é um espaço de entrega de cada indivíduo, “retirando um pouco de si para dar espaço ao que é comum”. Tudo isso porque “o lugar da esperança é a comunidade, um lugar para algo novo nascer”.

Homenagem ao Papa Francisco

Um encontro que é uma homenagem ao Papa Francisco, como disse Agustina Rodríguez Saa, Reitora da Universidade Nacional de Comechingones e Presidente da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum da Argentina. O Papa Francisco é visto como alguém que deixa “uma palavra que irá inspirar e guiar aqueles de nós que acreditam que outra forma de habitar a Terra é possível”. Recordando o chamado a ser ponte que Leão XIV pede, ela pediu para organizar a esperança nas universidades em três níveis: internamente, a partir do aprofundamento da interdisciplinaridade e do diálogo dos saberes; ser comunidade em rede, a partir da diversidade, com pluralidade de vozes unidas sob uma preocupação comum, o cuidado da nossa casa comum e a criação de novos espaços; construindo pontes entre ciência e política, entre academia e sociedade, entre Norte e Sul.

O objetivo é refletir, dialogar e sonhar com novos caminhos para o cuidado da nossa casa comum, segundo o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Mas também para tomar consciência de que “não estamos sozinhos, que precisamos uns dos outros”, como recordou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, Cardeal José Tolentino de Mendoça. Ele fez isso refletindo sobre os desafios, os valores a serem promovidos e os recursos disponíveis, servindo como pontes.

Ideias presentes na mensagem do Papa Leão XIV, que destacou a importância do Congresso como “um trabalho sinodal de discernimento em preparação à COP30” e um espaço para “refletir juntos sobre uma possível remissão entre a dívida pública e a dívida ecológica, proposta que o Papa Francisco havia sugerido em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz”. Para isso, ele encorajou os reitores “nesta missão que assumiram: ser construtores de pontes de integração entre as Américas e com a Península Ibérica, trabalhando pela justiça ecológica, social e ambiental”.

Coordenação Comunitária Internacional

Um caminho que exige a constituição de uma “Coordenação Comunitária Intercontinental para o Desenvolvimento Sustentável“, tema da conferência de abertura, da qual participaram Román Ángel Pardo Manrique, decano de Teologia da Universidade de Salamanca e diretor da Subcomissão Episcopal de Caridade e Ação Social da Conferência Episcopal Espanhola, e Jorge Calzoni, reitor da Universidade de Avellaneda, na Argentina.

Uma reflexão que busca como ser uma comunidade organizada, tendo consciência das dificuldades de organizar a esperança. Para isso, é preciso ir além dos pequenos grupos e educar para o cuidado, gerando propostas concretas para organizar a esperança como RUC. Isso deve levar a uma reflexão sobre o peso da dívida externa dos países, transformando o peso da dívida em um recurso educativo para gerar uma cultura do encontro. Uma reflexão que ofereceu ferramentas para o trabalho em grupo, que juntos contribuíram com elementos para ajudar a desenvolver um documento para a COP30.

Um caminho do Rio para Belém

Este documento é um caminho, o caminho do Rio a Belém, do congresso da RUC à COP30. Não podemos esquecer que as universidades são “uma interface entre a base e os órgãos governamentais”, como destacou Mauricio López Oropeza, diretor do Programa Universitário da Amazônia (PUAM). Um caminho para Belém, que seja um caminho para a periferia, para os excluídos, a longo prazo e com participação popular efetiva.

Construindo pontes, como está sendo feito na Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, de acordo com seu representante no congresso, Christopher Ljungquist. Pontes que levem a Doutrina Social da Igreja aos políticos americanos, trazendo a periferia para o centro para que a periferia possa falar por si mesma, buscando fazer a ponte entre as ideias e a realidade, tarefa na qual a Igreja Católica se destaca.

De fato, afirmou Federico Montero, secretário organizacional da Federação Nacional de Professores Universitários (CONADU), a educação é uma ponte, e o papel do professor é construir essa ponte por meio do processo pedagógico. Para isso, é necessário criar laços comunitários que permitam fortalecer-nos mutuamente, garantir maior participação nos processos decisórios dos processos educativos e fomentar uma educação centrada no trabalho como categoria integral, humanística, com uma visão holística do indivíduo. Ele também reforçou a importância de percorrer o caminho, de entender que a Igreja Católica prepara o terreno para aqueles que conseguem chegar a acordos apoiados por atores sociais com capacidade de torná-los realidade no futuro.

Pontes de Integração, Reconciliação e Fraternidade

O objetivo é construir “Pontes de Integração, Reconciliação e Fraternidade”. Uma reflexão que resume os passos dados no primeiro dia do Congresso com Rita Gajate, Reitora da Universidade Católica de La Plata, e o Arcebispo de Lima, Cardeal Carlos Castillo. Um passo do caos para a ordem, da urgência para o trabalho, da crise para a esperança, como disse Gajate, “a crise não se resolve, ela se habita”.

Em um tempo de amor gratuito, o Cardeal Castillo propôs o avanço da humanidade em todas as suas dimensões, para o qual devemos enfrentar o desafio de reinserir as universidades nos processos da sociedade, nos movimentos invisíveis presentes na vida daqueles que sofrem, iniciativas que muitas vezes são esquecidas. Para isso, as universidades enfrentam o desafio de ir além da elaboração teórica e científica para promover novas formas de conhecimento, para revelar o Deus oculto, que escolhe por último, aqueles de quem Deus regenera a humanidade. Daí o apelo às universidades para que “bebam daquilo que não aparece”, diante de um poder político que não reconhece os problemas do povo.

Comunhão com os jovens

A reitora da Universidade de La Plata defendeu sua paixão por uma universidade: uma universidade aberta, extrovertida, que busque conhecimento, forneça soluções e contribua para um mundo melhor. Isso requer trabalhar em comunhão com os jovens, o que “pode rejuvenescer nossa maneira de ver as coisas”, valorizando os jovens a partir de uma síntese das diversas realidades presentes na sala de aula, com vistas a uma comunhão que leve a universidade a se tornar uma força na resolução dos problemas sociais, por meio do discernimento, da ação e da imaginação do possível.

A universidade deve nos ajudar a seguir em frente, argumentou o cardeal peruano, exortando-nos a ouvir atentamente as novas e complexas situações presentes na sociedade, especialmente entre os jovens. Daí a necessidade de apostar na compreensão dos jovens, de ter paciência e ajudar a sistematizar iniciativas, de promover a reflexão crítica e a sinodalidade, dado que só sairemos disto com o apoio de todos e através do diálogo, como caminho a seguir num mundo muito complexo.

Luis Miguel Modino

Cardeal Tolentino: “Fazer das universidades laboratórios de comunhão e de futuro”

Aos 10 anos da Laudato Si, a Rede Universitária para o Cuidado da Casa Comum (RUC), organizou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) o II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum. Um evento que conta com a apoio do Vaticano através da Pontifícia Comissão para a América Latina (PCAL), que até sua eleição como Papa Leão XIV era presidida pelo cardeal Robert Prevost.

Recepção da Laudato Si nas universidades católicas

Um apoio vaticano que também se concretiza através do Dicastério para a Cultura e a Educação. Seu prefeito, o cardeal José Tolentino de Mendoça, enviou uma mensagem em vídeo, onde ele afirma que, “desde o princípio, as universidades católicas receberam com entusiasmo a mensagem da Laudato si’ e que deu origem a tantos projetos de pesquisa, a tanta criatividade e, sobretudo, a uma consciência eclesial nova”.

https://youtube.com/watch?v=NI9awhXtwEY%3Ffeature%3Doembed

O cardeal português vê na Laudato Si um fator de transformação de mentalidade, oferecendo ao mundo “essa consciência de que não estamos sós, de que precisamos uns dos outros, que tudo está interconexo e que precisamos disputar, ao mesmo tempo, os desafios da casa comum e os desafios da fraternidade”. O prefeito destacou que “em vista da COP30 e neste caminho jubilar de construção de pontes, como diz Papa Leão XIV, é junto que podemos fazer verdadeiramente das nossas universidades e das nossas redes universitárias, laboratórios de comunhão e de futuro”.

Três perguntas

Tolentino referiu-se em sua intervenção a algumas perguntas úteis que o Papa Leão XIV chama a “deixar ressoar no interior da nossa reflexão”. A primeira pergunta: “Quais são, hoje, os desafios mais importantes a enfrentar?”, respondendo que “a universidade não é uma torre de marfim, não é uma bolha ao lado da realidade. A universidade está implicada nos grandes processos de reflexão, de inovação, de qualificação ética, de justiça das nossas sociedades. Só assim a identidade católica se pode verdadeiramente espelhar. Então, a primeira pergunta é essa, de escutar quais são, hoje, os desafios mais urgentes”.

“A segunda pergunta é sobre que valores promover. E essa também é uma interrogação que nos deve fraternizar a todos, porque nós transmitimos conhecimento, projetos, saber. Mas tudo isso, sabemos que sem os valores é ainda insuficiente. Por isso é importante nos colocarmos de acordo sobre que valores fundamentais nós temos de transmitir”, disse o cardeal.

Finalmente, “Quais são os recursos sobre os quais nós podemos contar? Quais são os desafios? Quais são os valores? E quais são os recursos?”. O cardeal respondeu que “um valor é ousar juntos. Um valor é poder reunir duzentas universidades diferentes. Um valor é essa experiência da mística do comum. Porque verdadeiramente a união faz a esperança. A união torna-nos artesãos da paz, do diálogo, dando um testemunho de que é possível vencer a cultura da polarização e do desencontro”.

Ser ponte

Aos participantes do Congresso, ele pediu que “este importante encontro, seja uma ponte, seja a parábola de uma ponte, que nós construímos juntos e oferecemos ao presente como um apor, um contributo que as universidades dedicam ao futuro”.

Luis Miguel Modino

Leão XIV à RUC: “Trabalhem por uma justiça ecológica, social e ambiental”

Com uma grande saudação à Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC), o Papa Leão XIV iniciou suas palavras aos participantes do II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum. Representantes de universidades de todo o continente americano e da Península Ibérica e Reino Unido, se reúnem na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), de 20 a 24 de maio de 2025, para debater de modo sinodal sobre como consolidar o compromisso universitário com o cuidado da Casa Comum. O tema abordado é “Dívida Ecológica e Esperança Pública”.

Apoio do Vaticano

O Vaticano apoia o encontro através da Pontifícia Comissão para América Latina (PCAL) e do Dicastério para a Cultura e a Educação. Um apoio que se fez explícito com as palavras do Papa Leão XIV, presidente da PCAL até sua eleição como pontífice. Ele recordou que o encontro “têm este belo motivo do 10º aniversário do documento do Santo Padre Francisco, a encíclica Laudato si’

O Santo Padre enfatizou que no Congresso será realizado “um trabalho sinodal de discernimento como preparação para a COP30”. Junto com isso que, será um encontro onde “vão refletir juntos sobre uma possível remissão entre a dívida pública e a dívida ecológica, uma proposta que o Papa Francisco havia sugerido em sua mensagem para a Jornada Mundial da Paz”.

Construir pontes de integração

Neste Ano Jubilar, Ano de Esperança, o Papa Leão XIV enfatizou que “esta mensagem é muito importante”. Nessa perspectiva, o pontífice mostrou aos reitores universitários, seu desejo de “encorajá-los nessa missão que assumiram: a serem construtores de pontes de integração entre as Américas e com a Península Ibérica, trabalhando por uma justiça ecológica, social e ambiental”.

Finalmente, o Papa agradeceu “por todos os seus esforços e seu trabalho”. Ao mesmo tempo, os animou a “continuar construindo pontes”. Leão XIV encerrou suas palavras enviando uma bênção, “confiando na graça de Deus que sempre nos acompanha”.

Junto com o 10º aniversário da Laudato si’, o congresso elaborará um documento para ser enviado à COP30, que também será realizada no Brasil, especificamente em Belém do Pará. Nesse contexto, representantes do mundo acadêmico, governamental e eclesiástico, bem como de organizações multilaterais, se reúnem na PUC-Rio. O objetivo é uma proposta sinodal que promova a escuta, o discernimento coletivo e a ação concreta diante da crise socioambiental. É uma oportunidade de levar adiante as propostas iniciais do Papa Leão XIV, que defende a construção de pontes de paz e o desenvolvimento dos povos.