Brasileira Maria de Lourdes Guarda entre os novos veneráveis reconhecidos pela Igreja

Brasileira Maria de Lourdes Guarda entre os novos veneráveis reconhecidos pela Igreja

A leiga consagrada Maria de Lourdes Guarda, apóstola das pessoas com deficiência no Brasil, tem virtudes heroicas confirmadas pelo Papa

Brasileira Maria de Lourdes Guarda entre os novos veneráveis reconhecidos pela Igreja

A Igreja reconhece entre seus novos veneráveis a brasileira Maria de Lourdes Guarda, leiga consagrada que viveu quase cinquenta anos imobilizada e transformou a própria dor em fonte de evangelização e apoio às pessoas com deficiência. Durante a audiência concedida nesta sexta-feira, 21 de novembro, ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, o Papa Leão XIV autorizou a promulgação dos decretos que confirmam suas virtudes heroicas. Na mesma ocasião, foram aprovados os decretos relativos ao martírio, em ódio à fé, de dois sacerdotes italianos mortos pelas tropas nazistas em 1944, padre Ubaldo Marchioni e padre Martino Capelli, que em breve serão proclamados beatos. Também tiveram reconhecidas suas virtudes heroicas o arcebispo Enrico Bartoletti, dom Gaspare Goggi e a religiosa australiana Maria do Sagrado Coração (Maria Glowrey).


Maria de Lourdes Guarda com Santa Dulce dos Pobres

Maria de Lourdes, apóstola das pessoas com deficiência no Brasil

Nascida em 1926 na cidade de Salto, no Estado de São Paulo, de família de origens italianas, Maria de Lourdes Guarda enfrentou desde a juventude uma séria lesão na coluna que, aos 21 anos, a deixou paralisada da cintura para baixo, confinada a um rígido colete de gesso e, mais tarde, imobilizada de forma permanente. Mesmo impedida de ingressar na vida religiosa tradicional, encontrou seu caminho de consagração no Instituto Secular Caritas Christi, no qual professou seus votos em 1970. Ao longo de quase cinco décadas vividas entre hospitais e a própria casa, Maria de Lourdes transformou sua enfermidade em missão apostólica, auxiliada por intensa vida de oração e profunda devoção eucarística.

No contato com as Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, amadureceu uma espiritualidade de oferecimento e consolação. Seu quarto de hospital converteu-se em ponto de referência para encontros, partilhas e orientações espirituais. Mesmo sofrendo com doenças renais e uma grave gangrena que levou à amputação de uma perna, jamais deixou de acolher quem a procurava em busca de conselho, conforto e força na fé. Por dez anos, coordenou nacionalmente a “Fraternidade das Pessoas com Deficiência”, empenhando-se pela inclusão social, pelo reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência e pela formação de agentes pastorais. Faleceu em 5 de maio de 1996, vítima de um câncer na bexiga, com fama de santidade já difundida e fortalecida após sua morte.


Maria de Lourdes Guarda com Dom Hélder Câmara

Pe. Ubaldo: o sacerdote morto pelos nazistas diante do altar

O primeiro dos dois sacerdotes mártires, padre Ubaldo Marchioni, nasceu em Vimignano di Grizzana Morandi, província de Bolonha, em 1918. Entrou no seminário aos dez anos e foi ordenado aos 24, tornando-se ecônomo da paróquia de San Martino di Caprara em março de 1944, numa região então ocupada pelas tropas alemãs em conflito com os grupos de resistência. Durante os meses de violência e represálias, permaneceu ao lado de sua comunidade, partilhando com os paroquianos o medo, a fome e as incertezas da guerra. No dia 29 de setembro de 1944, enquanto se dirigia ao Oratório dos Anjos da Guarda para celebrar a Missa, parou na igreja de Santa Maria Assunta di Casaglia para resguardar as espécies eucarísticas e oferecer abrigo a mulheres e crianças aterrorizadas pela aproximação dos soldados nazistas.

Tentou negociar a liberdade dos refugiados, recomendando aos homens que fugissem para os bosques, mas todas as tentativas fracassaram. As mulheres e as crianças foram conduzidas ao cemitério e executadas. Padre Ubaldo foi então levado novamente à igreja e trucidado diante do altar, com tiros na cabeça, num gesto que revelou o desprezo dos nazistas pela fé cristã e confirmou o caráter de martírio odium fidei. Assassinado aos 26 anos, acolheu conscientemente o risco da morte por permanecer junto aos fiéis, mesmo tendo possibilidade de se salvar.


Sacerdotes italianos assassinados pelos nazistas

Padre Martino Capelli: martírio em Pioppe di Salvaro

O segundo sacerdote martirizado, padre Martino Capelli, nasceu em 1912 em Nembro, província de Bérgamo, e entrou aos 17 anos no postulantado da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. No verão de 1944 dirigiu-se a Salvaro para auxiliar o pároco idoso de San Michele, apesar da região estar entre as mais violentamente atingidas pelo avanço nazista.

Recusou-se a abandonar o povo, mesmo sendo alertado pelos confrades sobre o risco iminente. Quando, em 29 de setembro de 1944, os nazistas perpetraram o massacre de Creda, padre Capelli correu para socorrer os agonizantes, sendo capturado e obrigado a transportar munição. Foi detido junto com o salesiano padre Elia Comini e dezenas de civis, muitos deles sacerdotes posteriormente libertados. Encerrado numa estrebaria em Pioppe di Salvaro, confortou e confessou os prisioneiros. Na noite de 1º de outubro de 1944, foi morto com padre Comini e um grupo de pessoas consideradas “inaptas ao trabalho”. Os corpos foram dispersos no rio Reno. Seu martírio é reconhecido como odium fidei, motivado pelo desprezo dos nazistas pelo ministério sacerdotal, e também como martírio ex parte victimae, pela escolha consciente de permanecer com os fiéis.

Dom Enrico Bartoletti: o “timoneiro” do pós-Concílio

O arcebispo Enrico Bartoletti nasceu em 1916 em Calenzano e foi ordenado sacerdote aos 22 anos. Tornou-se figura central na recepção do Concílio Vaticano II na Itália, exercendo forte influência pastoral e intelectual. Reitor de seminários em Florença, colaborou na proteção de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Nomeado bispo auxiliar de Lucca em 1958, mais tarde se tornou arcebispo, antes de ser chamado por Paulo VI para servir como secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana num período particularmente complexo para o país. Sua morte precoce, em 1976, interrompeu um ministério marcado pela mediação, pelo diálogo e pela implementação das diretrizes conciliares.

Padre Gaspare, o jovem discípulo de São Luís Orione

Gaspare Goggi nasceu em 1877, encontrou São Luís Orione aos 15 anos e se tornou um de seus mais próximos colaboradores na nascente Pequena Obra da Divina Providência. Sacerdote aos 26 anos, distinguiu-se como confessor muito procurado e como guia espiritual em Roma, onde serviu como reitor da igreja de Sant’Anna dei Palafrenieri. Mesmo de saúde frágil, dedicou-se incansavelmente aos pobres e aos peregrinos. Morreu em 1908, aos 31 anos, já reconhecido como “pequeno santo” pelos fiéis.


Irmã Maria Glowrey com os doentes   (Courtesy of the Catholic Women’s League of Victoria and Wagga Wagga Inc. All rights reserved)

Irmã Maria do Sagrado Coração: médica australiana e missionária na Índia

Nascida em 1887, Maria Glowrey formou-se em medicina na Austrália e, inspirada por modelos femininos de missão e cuidado, mudou-se para a Índia em 1920, onde professou votos na Sociedade de Jesus, Maria e José, tornando-se irmã Maria do Sagrado Coração. Atendeu mulheres e crianças em contexto de extrema pobreza e desenvolveu um vasto apostolado médico, fundando instituições, formando profissionais e promovendo a ética cristã na saúde. Criou em 1943 a Catholic Health Association of India, hoje uma das maiores redes católicas de assistência médica do mundo. Morreu em 1957, deixando um legado marcante de serviço e evangelização.

FONTE/CRÉDITOS: Vatican News

Trabalho em rede: Um Caminho para Avançar no Cuidado da Nossa Casa Comum

Líderes empresariais, trabalhadores, movimentos populares e a Igreja Católica reuniram-se para um diálogo social.

Organizar a esperança é um desafio para todo cristão. No caso da Igreja Católica, essa tarefa é particularmente relevante em 2025, ano do Jubileu da Esperança, um empenho especial.

O pavilhão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), na Zona Verde da COP30, acolheu um painel no dia 18 de março, cujo ponto de partida foi se estamos fazendo o suficiente para avançar nesse caminho. Uma questão que trataram de responder Kalil Cury Filho, Subdiretor de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP); Hernán Coronado, Especialista Regional em Comunidades Indígenas do Escritório Latino-Americano da Organização Internacional do Trabalho; Kaira Reece, Secretária de Desenvolvimento Sustentável da União dos Trabalhadores das Américas; Patricia Gualinga, Vice-Presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA); e dom Reginaldo Andrietta, coordenador da Rede Eclesial de Trabalho Organizado (RETO) do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM).

Uma Ponte Jubilar na COP

Líderes empresariais, trabalhadores, movimentos populares e a Igreja Católica reuniram-se para um diálogo social. Este encontro representa mais um passo em uma ponte do Jubileu à COP e, portanto, ao progresso na ação climática, como destacou o moderador do painel, padre Anderson Pedroso, presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe (ODUCAL).

Devemos partir da ideia de que “o trabalho em rede é fundamental”, enfatizou Kaira Reece. A líder sindical ressaltou o papel dos sindicatos na representação dos direitos dos trabalhadores, também em relação ao clima e à transição energética, que afetam suas vidas. Isso porque a crise climática impacta particularmente as pessoas vulneráveis, incluindo aquelas que vivem em condições precárias de trabalho.

A Importância do Trabalho Coletivo

O trabalho coletivo é instrumento para enfrentar as mudanças climáticas, um trabalho de colaboração que envolve a todos, destacou Kalil Cury Filho. O líder empresarial enfatizou a importância do comportamento de cada um, mostrando as iniciativas que estão sendo realizadas como sobre economia circular, “em ciranda, todos de mãos dados”. Ele disse que “não adianta só a tecnologia, se você não tiver o elemento humano, não vai”.

Para mitigar as mudanças climáticas, Hernán Coronado afirmou que é necessário que as vozes de todos os grupos sejam representadas. O objetivo é construir uma governança climática com a participação de todos, incluindo as vozes indígenas. Nesse sentido, ele destacou o papel de liderança dos povos indígenas, das comunidades locais e dos jovens na COP30. O objetivo é contribuir para uma transição que ocorra com respeito, melhores condições de vida, emprego formal e garantia de plenos direitos trabalhistas.

CEAMA, um clamor da terra

Patrícia Gualinga falou em nome da CEAMA, que nasceu de um clamor e de uma terra, de baixo para cima, um lento processo de construção em resposta à realidade do bioma amazônico e às diversas crises presentes na sociedade. Sua vice-presidente destacou o apoio da CEAMA às comunidades locais e o fato de que esta conferência participa pela primeira vez de uma COP, apresentando assim a realidade amazônica e as demandas dos povos indígenas em relação à demarcação de seus territórios e sua participação nos espaços de tomada de decisão.

A líder indígena equatoriana enfatizou que os territórios indígenas são os mais bem preservados. Em resposta, denunciou a falta de financiamento e expressou o desejo dos povos indígenas de serem “donos de suas próprias decisões”. Nesse sentido, a CEAMA pode apoiar os povos indígenas, aprendendo com seus gritos. Para Gualinga, é fundamental reconhecer o conhecimento ancestral dos povos indígenas como conhecimento científico, visto que pode ajudar a enfrentar a crise climática.

Ecologia Integral na Igreja Latino-Americana

O Acordo de Paris está gerando progresso real, mas este precisa ser acelerado, segundo dom Reginaldo Anndrietta, que cita fontes da ONU. Uma dificuldade reside na atitude das nações mais poderosas, que estão dificultando o progresso. Para o bispo de Jales, a ecologia integral tem sido uma dinâmica na Igreja Latino-Americana há décadas, seguindo o ensinamento papal sobre o assunto desde a Populorum Progressio de Paulo VI e o próprio Magistério da Igreja no continente. Conceitos como desenvolvimento humano integral, a convergência da tecnologia e uma economia a serviço dos interesses do poder como fator de desequilíbrio estão presentes nesse Magistério.

Em relação ao mundo do trabalho, a Igreja em cada país tem desenvolvido o trabalho pastoral no mundo do trabalho, elemento estruturante da vida social, incentivando o diálogo com os diversos atores sociais. Isso é urgente, dada a alta porcentagem de informalidade no mercado de trabalho no continente e as condições de pobreza. O bispo brasileiro enfatizou que o Papa Francisco colocou o trabalho no centro e refletiu repetidamente sobre a realidade do trabalho.

De forma semelhante, Leão XIV abraçou o trabalho como ponto central de seu pontificado. Nessa perspectiva, em Dilexi te, ele afirma que “é necessário continuar denunciando a ditadura de uma economia que mata” e a necessidade de apoiar os movimentos populares e seus líderes, destacando a importância da solidariedade e do trabalho como elemento central para garantir a democracia. Diante disso, o bispo questionou se a COP é democrática e elogiou as manifestações da sociedade civil, especialmente dos mais afetados pela crise ambiental. Por fim, insistiu que os acordos serão insuficientes se não forem implementados.

Dignificando a Vida

Nesse contexto, a importância da Laudato Si’ e o reconhecimento do trabalho, que dá sentido à vida das pessoas, é algo que Kalil Cury Filho enfatiza, expressando sua esperança para o futuro. Na mesma linha, Kaira Reece destacou o progresso necessário na defesa da dignidade da vida, “que deve ser primordial na tomada de decisões, na busca do desenvolvimento sustentável para e pelo povo”. Tudo isso visa alcançar um modelo de trabalho que assegure a dignidade humana.

Por sua vez, Hernán Coronado insistiu na necessidade de continuar a fortalecer a liderança e a participação dos povos e comunidades indígenas, e de situar a discussão num nível horizontal. Patricia Gaulinga questionou se a COP é inclusiva, defendendo o renascimento da Laudato Si’, que abrange a todos e incorpora o conhecimento dos povos indígenas. Dom Reginaldo Andrietta considera este diálogo socioambiental um espírito necessário na busca de objetivos comuns e de entendimento.

A Educação Instrumento para a Conversão Ecológica Estrutural na Espiritualidade do Cuidado

Os combustíveis fósseis são um dos principais culpados pelas mudanças climáticas, contribuindo decisivamente para o aumento da temperatura global. O abandono do seu uso e a promoção de novos estilos de vida, educação e formação para uma conversão ecológica estrutural foram o tema de discussão do painel realizado no Pavilhão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), na Zona Verde da COP30, que ocorre em Belém de 10 a 21 de novembro de 2025.

Os participantes do debate, em 18 de novembro, foram Juan Esteban Belderrain, assessor do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM); Carlos Greco, reitor da Universidade de San Martín (Argentina) e membro da Rede de Universidades para o Cuidado da Casa Comum (RUC); Darío Bossi, presidente da Rede Igreja e Mineração; e dom Lizardo Estrada, secretário-geral do CELAM. Um painel moderado por Agustina Rodríguez Saa, presidente da RUC.

RUC: Formando Líderes Conectados ao Território

Um painel que, nas palavras de sua moderadora, buscou refletir sobre o papel da educação no abandono dos combustíveis fósseis e na adoção de novos estilos de vida. Essa é uma das forças motrizes da RUC, uma rede que reúne universidades públicas e privadas, seculares e religiosas, garantindo a diversidade. A rede nasceu da inspiração da Laudato Si’, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris.

Mais de 200 reitores da RUC se encontraram com o Papa Francisco em 2023, como lembrou Rodríguez Saa. O pontífice enfatizou a necessidade de formar líderes e sua conexão com o território. Não podemos esquecer que a RUC tem presença na América Latina, na Península Ibérica e no Reino Unido. Isso confere maior importância à sua participação na COP30, dado o conhecimento que essas universidades têm do território.

Aceitando os Limites

Darío Bossi abordou a questão dos combustíveis fósseis sob a perspectiva dos limites, especificamente a ausência de limites na sociedade atual, que põe em risco as gerações passadas e futuras. Este é um limite sobre o qual a comunidade científica vem alertando em relação à Mãe Terra, que se depara com o conceito central do capitalismo: o crescimento. O problema reside em conciliar crescimento e limites, especialmente diante de falsas soluções e verdades, “um desafio filosófico e cristão que devemos abraçar”, enfatizou o missionário comboniano.

O caminho a seguir envolve aceitar e lidar com os limites, confrontar a crescente desigualdade e responsabilizar aqueles que geram as maiores emissões. Requer a capacidade de cultivar uma vida que transcenda o consumo e o desperdício, abraçando a sobriedade feliz e aprendendo a viver feliz com menos. A transformação deve começar com a compreensão dos limites e suas implicações para a vida cotidiana, no transporte, na produção e na diversificação dos investimentos.

O Papel Profético da Igreja

O documento das Igrejas do Sul, em preparação para a COP30, do qual a CELAM é signatária, “Um Apelo à Justiça Climática e à Nossa Casa Comum”, norteou a intervenção de dom Lizardo Estrada. Este documento exige “ações transformadoras dos Estados, fundamentadas na dignidade humana, no bem comum, na solidariedade e na justiça social, priorizando os mais vulneráveis, incluindo nossa irmã Mãe Terra”.

O Secretário-Geral da CELAM delineou alguns elementos necessários para a geração de novos estilos de vida. Isso envolve evitar impactos irreversíveis, buscando soluções que unam justiça, ecologia e dignidade humana, superando paradigmas tecnocráticos e extrativistas, com políticas climáticas baseadas na equidade e em responsabilidades comuns, porém diferenciadas. É essencial levar em consideração as cosmovisões e práticas dos povos e comunidades locais, enfatizou Estrada.

Para isso, o envolvimento das Igrejas é necessário, levando à rejeição de falsas soluções e à defesa da justiça climática; eliminar os combustíveis fósseis; rejeitar a mercantilização da natureza; condenar o capitalismo verde; fortalecer a resiliência e a resistência das comunidades; defender a soberania dos povos indígenas; promover novos paradigmas baseados na solidariedade, na justiça social, na cooperação e no respeito aos limites; implementar programas educativos sobre o cuidado da nossa casa comum; cultivar a espiritualidade em todas as esferas; e criar o Observatório da Igreja para a Justiça Climática.

Isso está ligado a uma série de exigências feitas aos Estados quanto à implementação de mecanismos de governança climática com a participação ativa e vinculativa de todos. É necessário proteger as populações vulneráveis ​​das mudanças climáticas por meio de um pacto climático global e de um financiamento climático transparente e acessível que transcenda as soluções puramente baseadas no mercado. Para tanto, as Igrejas do Sul Global clamam por uma conversão ecológica, inspirada pela espiritualidade do cuidado. Isso envolve educação em consciência ecológica, comunhão com as vítimas e o fomento do diálogo e da profecia eclesial.

Gerar Novos Agentes de Transformação

A educação é o principal meio de alcançar as mudanças necessárias para enfrentar a crise climática, segundo Juan Esteban Belderrain. Ele questionou a falta de representação do mundo educativo nos espaços de tomada de decisão, destacando a importância do painel.

O desafio, nas palavras do consultor do CELAM, é a necessidade de moldar o conteúdo educacional, uma questão que gera conflitos e dificulta o consenso. Devemos buscar uma educação para novos estilos de vida, o que exige a compreensão de que não há consenso sobre isso. Tudo isso visa gerar novos agentes de transformação. Isso vai além de materiais didáticos que abordam a sustentabilidade e exige uma transformação da lógica e das relações institucionais.

Uma dinâmica em vista de evitar o que ele chama de “efeito vacina” do discurso, que nos desafia a ajudar a conscientizar de que a mudança climática é uma consequência do atual sistema de produção capitalista. Essa conscientização necessária, como disse Paulo Freire, não basta; devemos ir além, oferecendo aos estudantes a possibilidade de outra lógica, de outra forma de se relacionar com a natureza. Belderrain alertou sobre a “globalização da impotência“, como a descreveu Leão XIV, que nos leva a encarar os problemas com a consciência de que não podemos mudá-los.

Educar para transformar

Na universidade, o fundamento é trabalhar com o conhecimento para transformar a vida das pessoas por meio da educação, o que representa uma responsabilidade, afirmou Carlos Greco. O objetivo é uma autonomia responsável construída por meio do engajamento com a realidade que enfrenta. Nessa perspectiva, a universidade gera conhecimento que fomenta a compreensão da realidade da qual fazemos parte. Este processo abrange todo o processo educativo e estende-se a outros grupos, exigindo acordos institucionais que nos ajudem a compreender que não possuímos a verdade absoluta e que nos permitam construir novos processos.

Para Greco, a universidade assume o compromisso com a educação, entendendo que os estudantes assumirão uma responsabilidade social de trabalhar pelo bem comum, o que vai além do diploma que recebem. Isto exige um conhecimento transversal, visando cultivar a consciência de que o que produzirão é para o bem comum e para a sustentabilidade, gerando assim uma consciência prática baseada no conhecimento teórico e transmitindo às suas comunidades a consciência de criar um mundo melhor. Tudo isto se fundamenta no fato de que estes estudantes serão os líderes que moldarão as políticas públicas no futuro.

O desafio é concretizar “um capitalismo comprometido com o verdadeiro desenvolvimento, e não apenas com o crescimento”, sublinha o reitor. Isto requer investimento por parte dos governos, um desafio para os países do Sul Global, dados os seus elevados níveis de endividamento. Daí a necessidade de perdoar a dívida externa para melhorar as condições nos países em desenvolvimento, investindo na educação, um verdadeiro mecanismo de transformação social, concluiu.

 

Fonte: Luis Miguel Modino – CNBB NORTE 1

Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

A Cúpula dos Povos, o movimento mais importante em volta da COP30, encerrou suas atividades neste 16 de novembro

Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

Mais de 23.000 credenciados, de mais de 60 países, além de muitas pessoas que passaram nas diversas atividades realizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Dentre eles diversas pastorais, movimentos e organismos da Igreja católica.

Compromisso da Igreja com os marginalizados

Uma presença da Igreja católica que o bispo da diocese de Brejo (Maranhão), e presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes, considera muito importante, “nesse sentido do testemunho, do compromisso com os marginalizados e marginalizadas”. No dia em que a Igreja católica celebra a Jornada Mundial dos Pobres, o bispo enfatizou que “isso requer de nós um testemunho, um compromisso e uma luta pela vida. E eu diria que essa luta pela vida é luta pelo território livre dos povos, é luta pela dignidade, é luta pelo direito, é luta para que a justiça social, a justiça socioambiental seja de fato realizada no nosso meio”.

Dom Valdeci ressaltou que “as pastorais sociais, os organismos do povo de Deus têm esse compromisso grande de assumir a luta juntamente com os movimentos populares, com aqueles e aquelas que lutam por vida, vida humana e vida do Planeta”. Nessa perspectiva, quando o Brasil acolhe a COP30, o bispo insistiu em que “a Igreja católica precisa ouvir mais as comunidades tradicionais, os povos originários e aprender também, ter essa humildade de aprender também para que de fato possa cumprir o seu papel e testemunhar Cristo. Cristo que sofreu, Cristo que foi perseguido e assim também são os nossos povos e nossas comunidades”.

Finalmente, o bispo da diocese de Brejo, disse que “precisamos assumir cada vez mais, ouvindo o grito de tantos irmãos e irmãs que ainda hoje são torturados, são marginalizados. Precisamos dar esse passo no compromisso e fidelidade ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”.

A voz de Raoni Metuktire

A clausura da Cúpula dos Povos contou com a presença de uma das maiores lideranças indígenas do Brasil e do mundo, Raoni Metuktire. O indígena do povo Kayapó, que foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano, pediu união entre todos, fazendo um apelo pela “continuidade para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal neste universo, querem destruir esta terra”. Diante das mudanças climáticas, das guerras, ele pediu o respeito um pelo outro e poder viver em paz nessa terra. Junto com isso, o cacique Raoni pediu “dar continuidade nessa missão de poder defender a vida”.

O cacique do povo Kayapó chamou ao diálogo com as autoridades, com os estados, em vista de acabar com o desmatamento, o garimpo e a exploração da terra. Ele pediu proteção e cuidado para os povos indígenas, sobretudo na área da saúde. Finalmente, Raoni refletiu sobre as consequências das mudanças climáticas, advertindo sobre o caos muito grande que pode acontecer “se não tivermos a consciência de defender o que resta”.

Declaração da Cúpula e Carta das Infâncias

A Cúpula dos Povos elaborou uma declaração onde mostram sua disposição para assumir “a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos”, ressaltando que “somos a unidade na diversidade”. O texto afirma que “não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados”. Para isso apostam nos “intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade”. Um texto que analisa a realidade atual em sete pontos para depois fazer 15 propostas. Para avançar nesse caminho, fizeram um chamado a unificar forças mediante a organização dos povos.

Também foi apresentada a Carta das Infâncias na Cúpulas dos povos, que se reuniram em Belém (PA) para conversar sobre o clima. O texto denuncia o aumento da temperatura e suas consequências na vida das crianças. Elas afirmam que “Nós somos natureza, o planeta é natureza. A natureza é tudo!”, e pedem “um futuro bonito para viver”. Para isso “Temos que cuidar e proteger a AMAZÔNIA”, destacam as crianças, que fazem uma longa lista de propostas e exigências, dado que “queremos continuar vivos e vivas! Crescer num mundo bonito, num mundo que ainda respire. Com esperança e sem medo!

Levar em conta a sociedade civil

Tanto a declaração como a carta foram apresentadas ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e ao Governo Federal do Brasil, representado pelas ministras Sônia Guajajara, Marina Silva e o ministro Guilherme Boulos. Corrêa de Lago recordou o recordou o pedido do presidente Lula da COP30 levar em conta a sociedade civil. Nesse sentido, ele destacou a importância dos textos, que serão levados à reunião de alto nível onde são tomadas as decisões.

Sônia Guajajara insistiu em que a democracia precisa da participação do povo, que deve ser escutado. A ministra dos Povos Indígenas definiu os participantes da cúpula como “os maiores guardiães da vida, seja no território, seja nas periferias das grandes cidades, dos quilombos”. Ela enfatizou a presença indígena na Zona Azul, com mais de 900 representantes, que ajudam a mudar o foco das discussões.

Mensagem do presidente Lula

A ministra Marina Silva leu a mensagem do presidente Lula à Cúpula dos Povos. Ele disse que “a COP30 não seria viável sem a participação de vocês”, ado que “o combate à mudança do clima precisa da mobilização e contribuição de toda a sociedade, não só dos governos. O entusiasmo e o engajamento de vocês são fundamentais para que possamos seguir nessa luta. Vocês são portadores da força e da legitimidade dos que almejam o melhor”.

O presidente do Brasil insistiu na urgência da mudança e defendeu o desenvolvimento sustentável, e “um mundo em paz, mais solidário, menos desigual, livre da pobreza, da fome e da crise”. É por isso que “não podemos adiar as decisões que estão sendo debatidas há tantos anos”. Para isso, ele pediu “mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare e reverta o desmaiado e mobilize recursos”. Daí que “não podemos sair de Belém sem decisões”, o que faz com que as negociações até o final da COP sejam fundamentais, um espaço onde ele irá participar.

Uma chave de esperança

Marina Silva relatou sua história de vida na Amazônia, marcada em sua infância pela pobreza e o trabalho semiescravo. A ministra relatou alguns elementos que fazem parte da atual realidade climática e os esforços do governo brasileiro para diminuir os incêndios e o desmatamento. Finalmente, ela fez um apelo ao envolvimento de todos no cuidado do meio ambiente, e disse ver a Cúpula dos Povos como “uma chave de esperança”.

Guilherme Boulos mostrou sua alegria diante das Marcha dos Povos realizada no sábado 15 de novembro, com a participação de mais de 70.000 pessoas. Segundo o ministro da Secretaria Geral da Presidência “vocês fizeram e estão fazendo a diferença nessa COP”. Ele parabenizou a presidente da COP30 por ter ido escutar os apelos da Cúpula dos Povos. Boulos denunciou a responsabilidade das grandes corporações e dos Países do Norte Global diante da atual realidade climática.

 FONTE/CRÉDITOS: Luis Miguel Modino – CNBB NORTE 1
Simpósio da Igreja Católica na COP30 reforça compromisso com a Ecologia Integral e a defesa da Amazônia

Simpósio da Igreja Católica na COP30 reforça compromisso com a Ecologia Integral e a defesa da Amazônia

Os cardeais Jaime Spengler e Leonardo Steiner participaram da coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 12, no âmbito do simpósio da Igreja na COP30

Simpósio da Igreja Católica na COP30 reforça compromisso com a Ecologia Integral e a defesa da Amazônia

A coletiva de imprensa do Simpósio da Igreja Católica na COP30 reuniu, em Belém, importantes vozes da Igreja no Brasil e na América Latina em um chamado à conversão ecológica e à defesa da vida na Amazônia. O encontro contou com a presença de Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e do CELAM, e de Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia. 

Logo na abertura, um gesto simbólico emocionou os presentes: a água derretida de um bloco de gelo vindo da Groenlândia, abençoada pelo Papa Francisco durante conferência em Roma, percorreu um caminho espiritual — passando pelos santuários de Aparecida e do Cristo Redentor — até chegar a Belém. O símbolo, colocado junto à imagem do Papa, representou a esperança e a união entre povos, territórios e fé. 

Dom Jaime destacou o papel da Igreja na promoção da consciência ecológica e na escuta dos povos da Amazônia. “A Terra está quase a sangrar até a morte. Ela pede socorro. A Igreja tem se empenhado em promover uma consciência comunitária diante dos desafios das mudanças climáticas, respondendo ao grito que nasce da Terra e dos povos ribeirinhos”, afirmou. 

Já Dom Leonardo reforçou a caminhada histórica da Igreja na Amazônia desde o Documento de Santarém (1972) até hoje: “A Igreja que está na Amazônia tem sido muito ativa, ligando sempre a questão dos povos indígenas, dos pobres e do meio ambiente. Tudo tem a ver com a fé. A ecologia integral faz parte da vivência do Evangelho”, disse. 

Ao serem questionados sobre o papel profético da Igreja frente aos governos e empresas, os cardeais reafirmaram a necessidade do diálogo sem perder a coerência com o Evangelho. “A Igreja não pode se calar. O cuidado e a promoção da vida em todas as suas formas são princípios de fé que dialogam com a ciência e com a sociedade”, destacou Dom Jaime. 

Dom Leonardo também anunciou a criação de uma Comissão Pastoral de Ecologia Integral e Mineração, reforçando a missão de visibilizar práticas sustentáveis e experiências comunitárias que semeiam cuidado em vez de lucro. 

O encontro concluiu com uma mensagem de esperança e de compromisso: “A ecologia integral faz parte do caminho da fé. Se a casa comum estiver desarranjada, está desarranjado também o Reino de Deus. O caminho é de conversão e de fraternidade universal”, afirmou Dom Jaime. 

O bispo diocesano de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler também participa, em Belém (PA), do Simpósio A Igreja Católica na COP30 nos caminhos da Ecologia Integral: refletindo sobre justiça climática e conversão ecológica.



Neste momento, Dom Evaristo se une a lideranças religiosas, científicas, indígenas e governamentais para reafirmar o compromisso da Igreja com o cuidado da Casa Comum e a defesa da vida em todas as suas formas.

Com informações REPAM Brasil
O bispo de Roraima preside a celebração eucarística no ponto alto da 82ª Romaria Estadual da Medianeira

O bispo de Roraima preside a celebração eucarística no ponto alto da 82ª Romaria Estadual da Medianeira

O bispo de Roraima preside a celebração eucarística no ponto alto da 82ª Romaria Estadual da Medianeira
Guilherme Cezar (ASCOM)

A 82ª Romaria Estadual da Medianeira ocorreu entre os dias 7 e 9 de novembro, em Santa Maria (RS). Reconhecida como uma das maiores manifestações religiosas do país, o evento reuniu cerca de 250 mil pessoas, fortalecendo a fé e a esperança do povo gaúcho.

O bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, participou da programação e presidiu a missa campal pela manhã, no Altar Monumento, no Parque da Medianeira, momento central da celebração. À tarde, ele também presidiu a Missa da Saúde, na Basílica da Medianeira.

Durante sua participação, Dom Evaristo destacou a presença expressiva dos peregrinos e a importância da caminhada de fé neste tempo de reconstrução no Rio Grande do Sul. “Uma expressão de fé e alegria. O povo buscando Deus através da intercessão de Maria. Ainda é marcante aqui o processo de reconstrução após as chuvas e enchentes que atingiram esta região. Mas o povo segue firme, buscando a Deus, alimentando a esperança e caminhando com Jesus. Como disse Maria nas Bodas de Caná: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’”, afirmou o bispo.

São Leão Magno, o 45º Papa da Igreja Católica

Origens 

São Leão Magno é natural da Toscana, tornou-se diácono da Igreja de Roma por volta do ano 430. Dez anos depois, Leão foi enviado pela imperatriz Plácida para pacificar a Gália, disputada pelo general Aécio e o prefeito pretoriano Albino. Após alguns meses, faleceu o Papa Sisto III. Leão, seu conselheiro, foi o Sucessor. Sua consagração como Pontífice – o 45º da história – ocorreu em 29 de setembro de 440.

Convenceu Átila a mudar de ideia
No ano 452 d.C., a península italiana tremia diante dos Hunos, liderados por Átila. Grande parte do norte já havia caído nas garras do invasor. As cidades de Aquileia, Pádua e Milão tinham sido conquistadas, saqueadas e arrasadas. Átila avançava na sua contínua corrida e se encontrava perto de Mântua, no rio Mincio. Ali, a história se detém e se forma. Leão Magno, eleito Papa doze anos antes, guiou uma delegação de Roma para se encontrar com Átila, o qual dissuadiu a continuar a guerra de invasão. A lenda – retomada depois por Raphael, nos afrescos das “Salas do Vaticano” – narra que o líder dos hunos se retirou após ter visto aparecer, atrás de Leão, os Apóstolos Pedro e Paulo, armados de espadas.

Impediu a cidade de ser incendiada
Três anos depois, em 455, foi ainda o “Papa Magno”, embora desarmado, a deter, às portas de Roma, os Vândalos da África, guiados pelo rei Genserico. Graças à sua intervenção, a cidade foi saqueada, mas não incendiada. Permaneceram intactas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo fora dos Muros e de São João em Latrão. Nas Basílicas, a população encontrou abrigo e se salvou.

São Leão Magno: defendeu a Doutrina da Igreja 

Defesa da Doutrina
A vida de Leão, porém, não consistiu apenas no seu compromisso com a paz, que levou adiante com coragem e sem cessar. O Pontífice dedicou-se muito também à defesa da doutrina. Foi ele que, de fato, inspirou o Concílio Ecumênico de Calcedônia – atual Kadiköy, na Turquia; que reconheceu e afirmou a unidade das duas naturezas em Cristo: humana e divina; rejeitou a “heresia de Eutiques”, que negava a essência humana do Filho de Deus. A intervenção de Leão no Concílio foi feita através de um texto doutrinal fundamental: o “Tomo de Leão” contra Flaviano, bispo de Constantinopla. O documento foi lido publicamente aos 350 padres conciliares, que o acolheram por aclamação, afirmando: “Pedro falou pela boca de Leão, que ensinou segundo a piedade e a verdade”.

Escritos
Sustentador e promotor da primazia de Roma, o “Pontífice Magno” deixou para a história quase 100 sermões e cerca de 150 cartas, nos quais demonstra ser teólogo e pastor, zeloso com a comunhão entre as várias Igrejas, sem jamais esquecer as necessidades dos fiéis. Foi para eles que incentivou as obras de caridade em uma Roma dominada pela escassez e pobreza, pelas injustiças e superstições pagãs; colocou em prática todas as ações necessárias para manter constantemente a justiça e “oferecer amorosamente a clemência, porque sem Cristo nada podemos fazer, mas com Ele tudo é possível”.

O Primeiro sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”

Pontificado
Seu Pontificado, que durou 21 anos, colecionou várias primazias: foi o primeiro Bispo de Roma a ser chamado Leão. O primeiro sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”. O primeiro Papa, que por sua pregação, foi também um dos dois únicos Papas – o outro foi Gregório Magno – a receber, em 1754, por desejo do Papa Bento XIV, o título de “Doutor da Igreja”.

Páscoa
A morte de Leão Magno ocorreu em 10 de novembro de 461. Segundo alguns historiadores, ele foi também o primeiro Papa a ser sepultado na Basílica Vaticana. Suas relíquias, ainda hoje, são conservadas na Capela de Nossa Senhora do Pilar, na Basílica de São Pedro.

Oração contra o desânimo (composta por São Leão Magno):

Não desista nunca: nem quando o cansaço se fizer sentir, nem quando os teus pés tropeçarem, nem quando os teus olhos arderem, nem quando os teus esforços forem ignorados, nem quando a desilusão te abater, nem quando o erro te desencorajar, nem quando a traição te ferir, nem quando o sucesso te abandonar, nem quando a ingratidão te desconcertar, nem quando a incompreensão te rodear, nem quando a fadiga te prostrar, nem quando tudo tenha o aspecto do nada, nem quando o peso do pecado te esmagar. Invoque sempre a Deus, junte as mãos, reze, sorria… E recomece!

Minha oração

“Doutor nas ciências de Cristo, sábio no conhecimento do Mestre dos mestres, sejamos vossos discípulos e nos tornemos grandes conhecedores de Deus. Que quanto mais O conhecemos, mais O amemos e adoremos, O exaltemos acima de tudo! Amém.”

São Leão Magno, rogai por nós!

Dom Evaristo Spengler preside Missa na 82° Romaria Estadual Medianeira, em Santa Maria (RS)

Dom Evaristo Spengler preside Missa na 82° Romaria Estadual Medianeira, em Santa Maria (RS)

Dom Evaristo Spengler preside Missa na 82° Romaria Estadual Medianeira, em Santa Maria (RS)

O Bispo diocesano de Roraima, participa da 82ª Romaria Estadual da Medianeira, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durantes os três dias de programação, ele celebra missa em honra a Rainha do Povo Gaúcho.

A Romaria ocorre entre os dias 7, 8 e 9 de novembro, com o tema “Sob o olhar da Medianeira, peregrinos de esperança”. Neste Ano Jubilar da Esperança, a Arquidiocese de Santa Maria convida os fiéis a viver dias de fé, alegria e reencontro, renovando a tradição de uma das maiores manifestações religiosas do Brasil.

O ponto alto da celebração — a procissão e a missa campal de domingo — terá início mais cedo neste ano, às 7h30, saindo da Catedral até a Basílica. Assim o deslocamento acontecerá num clima mais ameno e o conforto térmico também será sentido para o acompanhamento da principal celebração com a chegada da imagem e missa celebrada por Dom Evaristo Spengler, no Altar Monumento, no Parque da Medianeira. 

Romaria

Reconhecida como uma das maiores manifestações religiosas do Brasil, a Romaria reúne até 250 mil pessoas e renova a fé sob o olhar da Medianeira, proclamada Rainha do Povo Gaúcho. “A Romaria é um tempo de esperança, de reencontro e de testemunho público de fé. Convidamos a todos para caminharmos juntos, deixando-nos guiar pelo olhar materno de Maria”, destacou o arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin.

 FONTE/CRÉDITOS: Arquidicese de Santa Maria

Comunidades da Diocese de Roraima realizam festejos neste sábado (08)

Comunidades da Diocese de Roraima realizam festejos neste sábado (08)

A programação nas comunidades contará com bingo, comidas típicas e muita animação

Comunidades da Diocese de Roraima realizam festejos neste sábado (08)
Festejo de Santa Tersinha – Pascom diocesana

Neste sábado, 08 de novembro, diversas comunidades da Diocese de Roraima promovem seus festejos com comidas típicas, bingos e muita animação. Confira a programação deste final de semana:

1º Festejo de São Frei Galvão ocorre às 19h, na comunidade São José, localizada na Rua Jafoct, n° 273, no bairro Pintolândia. O festejo contará com a escolha do rei e da rainha e um bingo eletrônico, no valor de R$ 10,00, com os seguintes prêmios:

1º Prêmio: R$ 1.000,00

2º Prêmio: R$ 1.500,00

3º Prêmio: R$ 2.000,00

4º Prêmio: 1 Moto BIZ Zero km

Também neste sábado, a Cáritas São Martinho realiza o 1º Festejo com a Noite Solidária, a partir das 19h, na comunidade Santa Rosa de Lima, situada na Rua Campo Grande, nº 377, bairro Nova Cidade. O evento terá comidas típicas, bebidas, doces, salgados, apresentações culturais e o Bingo Solidário, com cartelas no valor de R$ 10,00.

Na comunidade Mãe Peregrina, o Festejo Mãe Peregrina começa às 19h30, com comidas típicas, pescaria e pula-pula, bingo, música e muita diversão. A comunidade fica localizada na Rua Pedro Camargo, n° 615, no bairro Cidade Satélite.

E na Área Missionaria São João Batista, ocorre o Festejo de Santa Teresinha, também neste sábado, a partir das 19 horas, com o bingo no valor de R$ 10,00, e com as seguintes programações:

1º Prêmio – 1 Ferro de Passar

2º Prêmio – 1 Liquidificador

3º Prêmio – 1 Faqueiro de 20 Peças

4º Prêmio – 1 Cesta de Produtos Luci

5º Prêmio – 1 Semi Joia Romannel

6º Prêmio – 1 Penteadeira Camarim

7º Prêmio – 500,00 reais via Pix

8º Prêmio – 1.000,00 reais via Pix

CNBB esclarece liturgia para as celebrações de 1º e 2 de novembro

Imagem de congerdesign por Pixabay

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Comissão Episcopal para a Liturgia, emitiu um comunicado para orientar as celebrações do início de novembro. A nota busca esclarecer dúvidas de muitas comunidades, uma vez que, em 2025, a Solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, será em um sábado, seguida pela Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Finados), no domingo, dia 2.

O documento, assinado por dom Hernaldo Pinto Farias, presidente da comissão, estabelece de forma clara a precedência das celebrações. No sábado, 1º de novembro, celebra-se durante todo o dia a Solenidade de Todos os Santos. No domingo, 2 de novembro, o dia inteiro será dedicado à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

Para a celebração de Finados, o comunicado recorda algumas particularidades litúrgicas importantes. Diferente das missas dominicais comuns, na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos não se reza o Glória nem se faz a Profissão de Fé (o Credo). São detalhes que expressam o tom sóbrio e esperançoso deste dia dedicado à oração por aqueles que já partiram.

O texto também orienta os celebrantes, lembrando que o Missal Romano oferece três formulários de Missa à escolha e que as leituras podem seguir tanto o Diretório Litúrgico quanto as opções do Lecionário Dominical. Deve-se utilizar o Prefácio dos Fiéis Defuntos, próprio para a data, podendo-se encerrar a celebração com a fórmula da Bênção Solene.

Um ponto de destaque na nota da CNBB é a cor litúrgica a ser utilizada. Dom Hernaldo recorda que, no Brasil, a cor própria para a Missa dos Fiéis Defuntos é o roxo. A cor preta, embora prevista em outros lugares, não é o costume litúrgico em nosso país para esta celebração.

As orientações da CNBB são um importante serviço para que todas as paróquias e comunidades possam se preparar e celebrar com unidade, dignidade e profundidade espiritual estas datas tão significativas do nosso calendário, honrando os santos que já contemplam a face de Deus e intercedendo por nossos irmãos na esperança da vida eterna.

Confira abaixo o documento na íntegra:

https://cnbboeste1.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Carta-aos-Bispos-Liturgia.pdf